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Estudantes nas ruas apoiam a direita na Venezuela

4 de março de 2014
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Estudantes e jovens de tendência direitista usam bolas de golfe e motocicletas em protestos.

Bolas de golfe servem de munição quando acabam as pedras para armar estilingues. Nos capacetes de proteção, microcâmaras de alta definição registram as ações dos adversários. Motos de alta cilindrada facilitam a rápida locomoção entre os focos de protestos. Telefones inteligentes transmitem ao vivo o confronto com policiais. Walkie-talkies virtuais acompanham e coordenam declarações políticas. Todos esse aparato faz parte do “arsenal” utilizado pelo movimento estudantil que tomou as ruas de Caracas para exigir a renúncia do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro.

Claudia Jardim, via BBC Brasil

Os jovens venezuelanos que estão nas ruas há mais de três semanas não diferem de seus pares latino-americanos somente pelos recursos utilizados em suas manifestações. A maioria vem de famílias de classe média alta e aposentou a camiseta do guerrilheiro Ernesto Che Guevara, “uniforme tradicional” em manifestações.

“Estamos brigando contra o socialismo, certamente”, diz à BBC Brasil a estudante universitária Emily Vera, membro do movimento Javu (Juventude Ativa Venezuela Unida), um grupo estudantil alinhado à direita radical.

Entre as técnicas de protestos utilizadas pela Javu está a greve de fome. Emily conta que permaneceu 25 dias sem comer, junto a outros colegas, para exigir a libertação de supostos presos políticos, acusados pelo Ministério Público de assassinatos. A medida de pressão não foi atendida pelo então presidente Hugo Chavez, morto em março de 2013.

Polarização

Na Venezuela polarizada que defende de um lado uma “revolução socialista” e de outro a “erradicação do castro-comunismo”, nenhum grupo admite estar à direita do tabuleiro político, ainda que suas ações contrariem essas afirmações.

Emily diz estar nas ruas em busca de um modelo híbrido de sociedade, que mantenha a “igualdade” defendida pelos socialistas, respeitando, no entanto, a liberdade de mercado e consumo.

“Temos direito a consumir e ter o que queremos sem sermos acusados pelo governo de ser burgueses”, critica a estudante.

De acordo com especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o perfil conservador que caracteriza os jovens que protestam contra o governo reflete um processo de “direitização” do ensino universitário na Venezuela – que se aprofundou a partir dos anos 90.

Acompanhando a onda neoliberal que predominava na região, as universidades, principalmente as privadas, passaram a privilegiar em seus currículos a preparação para o mercado de trabalho, em detrimento das ciências humanas.

Mais universitários

De acordo com um estudo da Universidade de Los Andes (ULA), a educação privada cresceu 115% entre 1990 a 1998. A tendência foi acompanhada por uma migração de 28% da população universitária do setor público para o setor privado.

Quando Hugo Chavez chegou ao poder, em 1998, menos de 500 mil estudantes tinham acesso à universidade pública. Em 2013, o número de matrículas chegou a 2,6 milhões de inscritos.

Assim como ocorre no Brasil, a maioria das vagas nas universidades públicas é ocupada por alunos provenientes de escolas privadas, que chegam melhor preparados para o vestibular que os estudantes da rede pública.

Para reverter a tendência, o governo Chavez criou um sistema educacional paralelo com vistas a incluir – sem exigência do vestibular – jovens de baixa renda provenientes de escolas públicas.

O sistema universitário Missão Sucre mantém, atualmente, quase 500 mil estudantes – em sua maioria, provenientes das classes populares.

“Esses estudantes estão vinculados ao governo pela oportunidade de formação que tiveram”, afirmou a historiadora Margarita Lopez Maya.

Nas outras universidades públicas tradicionais, no entanto, ainda é necessário prestar exame para competir a uma vaga. A manutenção do vestibular representa uma das derrotas amargadas pelo chavismo no campo da educação.

Não ao comunismo

O veto à controvertida reforma universitária em 2010, que incluía o fim do vestibular e a inclusão de disciplinas marxistas no currículo- é uma das vitórias que Emily Vera considera ter conquistado contra o governo chavista.

“A reforma implementava que deveríamos também ter matérias sobre comunismo e socialismo, assim como aconteceu em Cuba e estávamos contra isso”, afirmou.

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Líder de movimento estudantil opositor na Venezuela buscou orientação de blogueira Yoani Sanchez.

Emily conta que ela e seus colegas, entre eles o fundador do Javu, Júlio César Rivas, procuraram ajuda e orientações da blogueira cubana anticastrista Yoani Sánchez.

“Tivemos uma conversa com Yoani Sanchez e ela nos disse que assim foi como começou o comunismo dentro das universidades em Cuba”.

O vínculo entre Rivas e Sanchez seria referendado mais tarde, quando o partido conservador norueguês decidiu premiar a ambos, o venezuelano em 2011 e a cubana em 2013, com o prêmio Lindebraekke de Direitos Humanos e Democracia.

Privilégios

Outro elemento que estimula os jovens de classe média a protestar contra o projeto bolivariano é a defesa de privilégios, na opinião da socióloga e psicóloga social Carmen Elena Balbás.

“É uma reação em defesa à classe social e a um estilo de vida”, afirmou ela à BBC Brasil.

Dirigente estudantil nos anos 90, Sérgio Sanchez tem outra explicação para a disputa entre os dois modelos de sociedade.

“Desde que entram na universidade, os estudantes ouvem que devem obter o diploma para serem ricos, trabalham numa multinacional e morar em Miami. A revolução bolivariana está brigada com este modelo e seus objetivos de vida”, sentenciou Sanchez.

“Nossos jovens se formam e querem deixar o país porque pensam que terão melhores oportunidades fora daqui.”

Sérgio Sanchez, ex-dirigente estudantil

“Por essa razão, muitos deles se veem sem futuro. Essa é a raiz do problema”, acrescentou.

As preocupações de Emily Vera caminham nesta mesma direção. A jovem universitária considera que o projeto de “revolução” proposto pelo chavismo não preenche as necessidades e anseios de parte da juventude venezuelana.

“Nossos jovens se formam e querem deixar o país porque pensam que terão melhores oportunidades fora daqui”, afirmou.

Revolução colorida

Um punho cerrado identifica e inspira os jovens do Javu. O símbolo é o mesmo do movimento estudantil Otpor (Resistência) da Sérvia – que ajudou a derrubar o regime de Slobodan Milosevic, em 2000. O Otpor, que contou com ajuda financeira dos EUA, se transformou numa espécie de centro de formação de jovens e sua atuação foi decisiva para o êxito das chamadas “revoluções coloridas” que se espalharam por ex-países da União Soviética a partir do ano 2000.

De olho no que aconteceu no velho continente, Emily Vera diz que ela e seus colegas permanecerão nas ruas até cumprirem seu objetivo final: “Queremos uma mudança de governo”.

O enfrentamento no campo de batalha instalado na praça Altamira, centro nervoso dos protestos, permanece vivo. A mesma cena se repete quase todos os dias. Durante horas, os jovens atacam o cordão de isolamento da polícia com seu “arsenal” atípico aliado a coquetéis molotov e uma espécie de escopeta que dispara sinalizadores.

Em seguida, a polícia responde com gás lacrimogêneo e balas de borracha. No último domingo, no entanto, a disputa ideológica esteve marcada com música.

Em meio a escudos e veículos blindados, os policiais instalaram gigantescas caixas de som e fizeram ecoar a todo volume a música do cantor popular venezuelano, Ali Primera – ícone dos bolivarianos.

Enquanto os estudantes se perdiam na fumaça do gás lacrimogêneo, escutavam o refrão: “Não, não basta rezar, faz falta muita coisa para conseguir a paz”.

***

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As 25 verdades que a Yoani Sanchez precisa saber sobre o papel da mulher em Cuba

4 de dezembro de 2013
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A mulher cubana pode ficar até um ano de licença quando tem um filho.

A Ilha é o terceiro país com mais mulheres parlamentares; os EUA são 80º.

Salim Lamrani, via Opera Mundi

Durante uma videoconferência organizada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos no dia 29 de outubro de 2013, a famosa dissidente cubana lamentou o papel “marginal” da mulher em Cuba. Segundo Yoani Sanchez, a mulher cubana é “o último elo de uma cadeia de improdutividade e ineficiências”. Eis aqui algumas verdades a respeito que contradizem seu ponto de vista.

1. Desde o triunfo da Revolução em 1959, o Estado cubano tem feito da emancipação da mulher uma de suas prioridades, com a criação, em agosto de 1960, da Federação de Mulheres Cubanas (FMC), fundada por Vilma Espín, que conta hoje com mais de 4 milhões de membros.

2. Antes de 1959, as mulheres representavam apenas 12% da população ativa e recebiam uma remuneração inferior à dos homens por um emprego equivalente.

3. Hoje, a legislação cubana impõe que o salário da mulher, pela mesma função, seja exatamente igual ao do homem.

4. Cuba é o primeiro país do mundo a assinar a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, e o segundo em ratificá-la.

5. Dos 31 membros do Conselho de Estado cubano, 13 são mulheres, ou seja, 41,9%.

6. Há oito mulheres ministras em um total de 34, ou seja, 23,5%.

7. No Parlamento cubano, dos 612 deputados, 299 são mulheres, ou seja, 48,66%.

8. Cuba ocupa o terceiro lugar mundial na porcentagem de mulheres deputadas. Os Estados Unidos ocupam o 80º.

9. Maria Mari Machado, mulher, ocupa a vice-presidência do Parlamento cubano.

10. Dos 1.268 eleitos nas assembleias provinciais, 48,36% são mulheres.

11. As mulheres cubanas presidem 10 das 15 assembleias provinciais do país, ou seja, 66,6%, e ocupam a vice-presidência de 7 delas, 46,6%.

12. Não existe nenhuma lei em Cuba que obrigue a paridade nos cargos políticos.

13. Dos 115 membros do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, 49 são mulheres, ou seja, 42,6%.

14. A secretária do Partido Comunista de Cuba para a província de Havana, a mais importante do país, é uma mulher negra que tem menos de 50 anos chamada Lázara Mercedes López Acea. Ela também é vice-presidenta do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros.

15. Dos 16 dirigentes sindicais provinciais da Confederação dos Trabalhadores Cubanos (CTC), 9 são mulheres, ou seja, 56,25%.

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A mercenária Yoani Sanchez mostra desconhecimento dos dados sobre a mulher cubana em suas críticas.

16. Cerca de 60% dos estudantes cubanos são mulheres.

17. Desde 1980, as mulheres ativas dispõem, em média, de um nível de formação superior ao dos homens ativos.

18. Em Cuba, as mulheres representam 66,4% dos técnicos e profissionais do país de nível médio e superior (professores, médicos, engenheiros, pesquisadores etc.).

19. A taxa de fertilidade (número de filhos por mulher) é de 1.60, ou seja, a mais baixa da América Latina.

20. As mães cubanas têm a possibilidade de se ocupar em tempo integral de seus filhos recém-nascidos e, ao mesmo tempo, receber seu salário integral um mês e meio antes do parto e três meses depois do nascimento do filho. A licença pode se estender até um ano com uma remuneração equivalente a 60% do salário. Ao final de um ano, são automaticamente reintegradas a seu trabalho.

21. Cuba é um dos únicos países da América Latina, além da Guiana (desde 1995) e do Uruguai (desde 2012), a legalizar o aborto. A prática foi aprovada na ilha caribenha em 1965.

22. A taxa de mortalidade infantil de é 4,6 por mil, ou seja, a mais baixa do continente americano — incluindo o Canadá e os Estados Unidos — e do Terceiro Mundo.

23. A expectativa de vida as mulheres é de 80 anos, dois anos superior à dos homens.

24. A mulher pode se aposentar aos 60 anos, ou depois de trabalhar durante 30 anos, enquanto o homem só pode se aposentar aos 65 anos.

25. A mulher cubana desempenha, assim, um papel preponderante na sociedade e participa plenamente do desenvolvimento do país.

Salim Lamrani é doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.

Multimilionária Yoani Sanchez retorna a Cuba após viagem por 13 países

2 de junho de 2013

Blogueira_Cuba_Yoani01A blogueira gusana retorna a Cuba após viagem a 13 países.

Lido no Esquerdopata

A blogueira [?] cubana Yoani Sanchez voltou para Cuba, na quinta-feira, 29/5, depois de uma viagem de mais de três meses por 13 países da América e da Europa, na qual fez duras críticas ao governo de Havana.

“O avião de regresso acaba de aterrissar em Havana. Agora falta atravessar a imigração e a alfândega”, escreveu Yoani no Twitter. Ela chegou em um voo da Air Europa, procedente da Espanha, onde concluiu a viagem iniciada no Brasil em 17 de fevereiro.

Yoani Sanchez, que era esperada no aeroporto pelo marido Reynaldo Escobar e por vários dissidentes [?], conseguiu [?] viajar, beneficiando-se de uma reforma migratória posta em vigor em janeiro.

No Brasil, onde iniciou sua viagem internacional, a cubana se transformou num tema de debates entre manifestantes e parlamentares pró e contra o governo cubista [?] que levaram a intensos protestos durante sua visita.

Ela também visitou os EUA, Peru, onde se reuniu com o Mário Vargas Llosa, México, Itália, República Tcheca, Polônia, onde conversou com o ex-presidente Lech Walesa, Suécia, Suíça, Alemanha, Noruega e Holanda.

Os sacos de dinheiro da CIA

5 de maio de 2013

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Rodrigo Vianna em seu O Escrevinhador

Deve ter sido o inconsciente do editor de Internacional. Ou então, ele quis passar a mensagem de forma subliminar – sem alertar os diretores do jornal. Seja como for, a página A-14 (reproduzida acima) no Estadão de sexta-feira, dia 3, é didática.

No alto, um texto demolidor sobre as ações da CIA pelo mundo: “Os sacos de dinheiro da CIA”. Sim: conspirações, assassinatos, malas de dinheiro para derrubar governos não alinhados com Washington. Não é nenhum “esquerdista” bolivariano quem diz. O artigo, publicado pelo Foreign Policy (um site sobre política internacional dos EUA) e traduzido pelo jornal paulista, fala sobre tudo aquilo a que fazemos referência aqui na internet, e que muitas vezes é tratado como teoria conspiratória: A CIA age, sim, sem pudores pelo mundo; mata, encomenda assassinatos, tira e põe governos. É o braço de “inteligência” do imperialismo. Sim, imperialismo. Isso não é discurso “da época da Guerra Fria”. Isso não é discurso de esquerdista antiamericano. Não. São fatos. Tudo está lá, no artigo publicado pelo Estadão (leia aqui).

O curioso é que na mesma página (e por isso digo que o inconsciente do editor parece ter agido), há duas outras reportagens: uma sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez; a outra sobre a Globovisión (tevê privada antichavista, que ajudou a dar o golpe contra Chavez em 2002).

Quando a tal blogueira esteve no Brasil, eu disse a alguns amigos que ela parecia agir sob orientação (e com apoio) da CIA. Não se trata de opinião. Há fotos de Yoani entrando para reuniões num casarão mantido pelos EUA, no bairro de Miramar em Havana. Eu já vi essas fotos.

A outra reportagem na mesma página do jornal trata da “guerra de informações” na Venezuela. Com destaque para a Globovisión. A mídia pró-EUA tenta vender a imagem de que a Venezuela é uma ditadura. Trata-se, claramente, de uma campanha midiática. Eu não tenho dúvidas de que a CIA está por trás disso. Assim como está por trás das ações mais violentas da oposição antichavista – comandadas agora por Capriles.

Vejam, não estou dizendo que todos os antichavistas são “teleguiados” pela CIA. Não é isso. Há, é claro, muita gente que não gosta de Chavez e Maduro. O que digo é que a oposição é potencializada com ajuda dos Estados Unidos. Temo que os Estados Unidos estejam preparando o terreno para que se inicie uma guerra civil no país vizinho. Roteiro parecido com o da Síria. Vejam: no Paraguai e em Honduras, governos “fracos” puderam ser derrubados com “golpes institucionais”. Na Venezuela, isso é impossível. Ali, só a guerra civil. O risco é imenso.

Da mesma forma, não quero dizer que todos “dissidentes” cubanos sejam agentes da CIA. Mas os métodos e os parceiros de Yoani (inclusive no Brasil) não deixam dúvida: o blog dela pode ter surgido, lá atrás, como iniciativa individual de uma jovem descontente com o governo de Cuba. Hoje, só os ingênuos ou mal intencionados podem desconhecer que Yoani trabalha, de fato, como agente dos interesses dos EUA e seus aliados.

Ah, tudo isso é “teoria conspiratória”! Ah, é? Então leiam o artigo do Foreign Policy. A CIA ajudou a matar Patrice Lumumba no Congo, nos anos de 1960. Deu armas e dinheiro para Mobutu Sese Seko, o adversário de Lumumba. O texto fala de ações semelhantes no Irã dos anos de 1950, no Afeganistão dos anos de 1980. E isso não ocorria só na “periferia”. A CIA – que normalmente trabalha dentro das embaixadas norte-americanas – despejou caminhões de dinheiro na democracia-cristã italiana para barrar o avanço do Partido Comunista Italiano, o mais poderoso do Ocidente.

O artigo diz que a CIA deveria “aprender com seus erros”. E eu me pergunto: erros? O que deu errado? Os EUA seguem poderosíssimos, a União Soviética já não existe, no Oriente Médio quem ousou agir com alguma independência foi esmagado (Iraque, Líbia – nos anos mais recentes) e na “periferia” quase não se fala em “socialismo” ou rebeldia antiamericana.

Há só uma exceção: América Latina. Aqui, enquanto os EUA faziam a “limpeza” no Oriente Médio, surgiu uma geração de governos não alinhados com o projeto neoliberal. Em 2002, com o golpe derrotado na Venezuela, os EUA perderam a capacidade de iniciativa durante alguns anos… Mas a onda já virou. A derrubada de Lugo e Zelaya foram sinais. Os ataques ininterruptos a Cristina, Evo e Lula foram um passo adiante. No caso brasileiro, está tudo claríssimo: há encontros de jornalistas da Globo/Abril/Folha com representantes dos EUA. Tudo registrado no WikiLeaks. Há o Instituto Millenium, há o giro internacional de Yoani.

As malas de dinheiro, de que fala o artigo do Foreig Policy, continuam circulando.

Nos anos de 1970 e de 1880, quem dizia que a CIA tinha ajudado a dar o golpe contra Jango (e poderia ter até ajudado a matar o presidente deposto) era chamado de “esquerdista adepto de teorias conspiratórias”. Os documentos mais recentes (inclusive gravações de conversas na Casa Branca) mostram que conspiração, de fato, houve: na Casa Branca e nas embaixadas norte-americanas. E não era teoria. Eram fatos.

Os fatos estão aí de novo: escancarados. Vivemos numa encruzilhada. A chance da América Latina, dessa vez, é que os Estados Unidos têm tantas frentes para combater (Coreia, Síria, Iraque – sem falar na crise que debilita as contas e o poder imperial) que talvez isso nos dê fôlego para reagir e resistir.

Mas do outro lado o exército vai-se fortalecendo – com políticos, empresários, empresas de mídia, colunistas… Alguns são mercenários. Outros fazem por amor. Parte da elite latino-americana gosta de se deitar à cama com a turma da CIA.

Em 20 ou 30 anos, saberemos detalhes e compreenderemos que nada disso é “teoria conspiratória.” Espero que (mais uma vez) não seja tarde demais.

Cuba: A “ditadura sanguinária” e o assassinato de jornalistas

13 de março de 2013

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Via Porra Serra

“Ditadura sanguinária! Fidel e Raul Castro perseguem, prendem e matam os opositores. Não há espaço para jornalismo em Cuba.” É assim que a mídia brasileira e a blogueira (gusana) cubana Yoani Sanchez retratam o cotidiano do estado socialista cubano.

De acordo com a organização Press Emblem Campaign (PEC) com sede em Genebra, Suíça, em 2012 foram assassinados 141 jornalistas em 29 países. Por suposto, um desses jornalistas deve ser de Cuba, onde a mídia e Yoani dizem que há uma ditadura sanguinária

De acordo com a PEC, os países onde mais assassinatos ocorreram foram México, com 11; Brasil, com 11, e Honduras, com seis. Seguem outras nações como Colômbia, Panamá e Haiti, além das 17 pessoas na Ásia e 10 na África.

Bem, mas em Cuba? Quantos jornalistas foram mortos?

Zero! Mas como? Não ouvimos diariamente que em Cuba não há liberdade de expressão? Yoani não diz no blog Generacíon Y que vive sob constante assédio dos agentes de segurança? Como não há jornalistas mortos?

Com a palavra a mídia golpista.


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