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Revista Época não contou a história inteira da venda da casa de Marconi para Cachoeira

17 de julho de 2012

Luis Nassif, via Advivo

A Excitante Indústria e Comércio de Confecções Ltda., razão social da grife Babiole, é uma empresa goiana conceituada, de Leonardo Souza Ramos, primo de Carlinhos Cachoeira.

No extrato abaixo, os dados finais que comprovam a operação Cachoeira-Perillo na venda de sua casa. Ou seja, Perillo se valeu do dinheiro do crime organizado na venda da casa.

A revista Época desta semana contou parte da história. Aqui vai a história com mais detalhes e informações sobre a operação.

A triangulação do dinheiro

Em fevereiro de 2011, Marconi decidiu vender a casa. Conversou com seu assessor Wladimir Garcez, que entrou em contato com Cachoeira. O bicheiro decidiu comprar porque era uma boa casa, mas não apenas isso: era a casa do governador.

Wladimir Garcez

A compra da casa foi concluída até 28 de fevereiro. De 28 a 3 de março, há um bom conjunto de áudios, 18 no total, mostrando o fechamento do negócio. A casa foi vendida por R$1,4 milhão.

Nas negociações, Cachoeira ligou para seu sobrinho Leonardo Souza Ramos. Como era a casa do governador, o dinheiro não dava para vir diretamente das empresas-laranjas do bicheiro. Aí se monta a triangulação captada pelo extrato da Excitante.

1. Em 10 de março de 2011, a Adécio & Rafael Construção e Incorporação (uma das empresas fantasmas de Cachoeira) deposita R$250 mil na conta da Excitante. No dia seguinte, mais R$250 mil. No mesmo dia, a Excitante emite um cheque de R$500 mil.

2. Em 31 de março, a Alberto e Pantoja Construções (outra fantasma) emite mais um cheque de R$250 mil para a Excitante. Em 4 de abril, mais um cheque de R$250 mil, enquanto a Excitante emite um cheque de R$500 mil.

3. Em 2 de maio, a Alberto e Pantoja deposita mais R$400 mil na conta da Excitante. No mesmo dia, a Excitante emite outro cheque de R$400 mil.

A preocupação de Cachoeira

Ao longo de março e abril, os grampos captaram a preocupação de Cachoeira com o negócio. Formou-se um burburinho, muitos comentando a operação.

A escritura de compra estava em nome de André Teixeira Jorge, o Deca, homem da Cachoeira para as empresas de comunicação do grupo. Cachoeira decide, então, vender a casa.

Um dos diálogos gravados mostra o desconforto de Cachoeira. Ligou para lá um corretor de nome Rodolfo, querendo intermediar a venda. Em seguida, Cachoeira ligou para Cláudio Abreu e lhe passou uma bronca, acusando-o de espalhar que ele havia decidido vender a casa.

Walter Paulo

Garcez sai à cata de comprador e encontra Walter Paulo, o dono da faculdade. Walter adquire a casa por R$2,1 milhão – R$500 mil a mais do que Cachoeira havia pago, e entrega a caixa em espécie.

Aparentemente, Walter Paulo não sabia que a casa estava sendo vendida por Cachoeira. Ele achava, de fato, que estava comprando a casa do governador. Tanto assim, que exige que o próprio governador receba o dinheiro.

O papel de Lúcio Fiuza

Perillo envia para lá Lúcio Fiuza – espécie de assessor faz-tudo de Perilo –, que toma a frente das negociações e recebe os R$2,1 milhão de Walter Paulo.

Nos áudios, fica claro a divisão do botim. Lúcio comparece, recebe a maleta de dinheiro, retém R$500 mil adicionais para Marconi, R$100 mil para Garcez, R$100 mil para Fiuza e entrega R$1,4 milhão para Cachoeira.

Na primeira etapa da operação, Garcez já havia repassado três cheques de R$500 mil para Fiuza, que deposita na conta de Marconi.

Lúcio Fiuza é figura-chave no que se poderia denominar de esquema Marconi. Não é apenas um facilitador, mas também empresta (ou repassa) dinheiro para o governador. Em sua declaração de renda consta um empréstimo de R$150 mil para Marconi. É figura-chave para explicar a relação de Marconi com Cachoeira.

Concretizada a venda, a noiva de Cachoeira, Andreza se descabela, chora dizendo que havia gostado da casa, gasto R$500 mil com decoração. Se não arrumasse outra casa para morar, iria se separar do bicheiro.

É aí que Cachoeira pede para Garcez conversar com Walter Paulo para alugar a casa para eles. Walter cede e não cobra aluguel

É nessa casa que Cachoeira será preso.

Polícia prende mais três integrantes do esquema de Cachoeira

2 de julho de 2012

Wladimir Garcez (PSDB), Lenine de Araújo e Queiroga Neto voltaram para o
lugar de onde nunca deveriam ter saído.

Daniela Novais, via Brasília em Pauta

A Polícia Federal prendeu mais três pessoas apontadas como integrantes da quadrilha do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. As prisões foram realizadas em Anápolis e Goiânia, no estado de Goiás, no sábado, dia 30/6 e ainda se referem à Operação Monte Carlo. A decisão foi do desembargador federal Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, com base na Operação Monte Carlo, que resultou em fevereiro na prisão de Carlinhos Cachoeira

Foram presos o ex-vereador de Goiânia, Wladimir Garcez, apontado como um dos principais auxiliares de Cachoeira; Lenine de Araújo Souza, que segundo a PF, seria o contador do esquema do contraventor; e José Olímpio de Queiroga Neto, que, segundo a PF, era o responsável por comandar a abertura e fechamento de pontos de jogos ilegais em Goiás. Gleyb Ferreira da Cruz, que foi preso na Operação Saint-Michel, teve nova prisão decretada.

Souza Prudente revogou o habeas corpus concedido pelo desembargador Tourinho Neto no dia 16 de julho, garantindo a liberdade de Queiroga Neto, Lenine de Araújo e Wladimir Garcez, que estavam em liberdade desde a segunda semana de junho e devem permanecer detidos na sede da PF.

CPMI

Os três acusados já prestaram depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, que investiga as relações entre o bicheiro, políticos e empresários. Wladimir negou que integre “qualquer organização criminosa” e afirmou que foi contratado pela Delta Construções para assessorar o ex-diretor da empresa no Centro-Oeste Cláudio Abreu.

Ele negou qualquer influência no governo de Goiás, mas, em conversa interceptada pela PF em 2011, Garcez dizia a Cachoeira que o governador Marconi Perillo (PSDB) autorizou contratações de pessoas selecionadas por Cachoeira para o governo de Goiás. Em outro áudio, Garcez diz ao bicheiro que teve uma conversa de irmão com Perillo, no gabinete do governador.

Já Lenine de Araújo afirmou à CPMI que se sente “injustiçado” pelas acusações e que não é sócio de nenhuma empresa ligada a esses todos que estão aparecendo na mídia. “Não me considero braço-direito do senhor Carlos, que foi indiciado, e me sinto injustiçado”, disse. Queiroga Neto, protegido por habeas corpus, não respondeu a perguntas na CPI.


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