Posts Tagged ‘Vladimir Herzog’

Filho de Herzog compara caso Amarildo ao de seu pai

10 de outubro de 2013
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Ivo acredita que caso de Amarildo precisa contribuir para o desenvolvimento da justiça.

Via Comunique-se

Morto há quase 38 anos, o caso de Vladimir Herzog foi comparado ao do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido após sair da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. A comparação foi feita pelo filho do jornalista, Ivo Herzog, que falou sobre o assunto no lançamento do livro A construção da democracia e liberdade de expressão: O Brasil antes, durante e depois da Constituinte, obra em alusão aos 25 anos da Constituição de 1988.

O evento de lançamento da obra aconteceu na quinta-feira, dia 3, no Senado. Na abertura, Ivo comentou reportagem do Estadão que traz informações sobre o inquérito do pedreiro. De acordo com o jornal, ele teria sofrido tortura com choque e asfixia antes de morrer. “Essas coisas, 38 anos depois, continuam a acontecer”, afirmou.

Ele afirmou que a impunidade dos agentes de Estado ainda é realidade no País e que, se o caso de seu pai serviu para ampliar a liberdade de expressão, o de Amarildo precisa contribuir para o desenvolvimento da justiça e o fim da sensação de impunidade.

Caso Amarildo de Souza

Saiu na semana passada inquérito que afirma tortura a Amarildo de Souza antes de sua morte. O ajudante de pedreiro sumiu em 14 de julho, depois de ser levado por PMs para a sede da UPP na comunidade.

Dez policiais militares foram indiciados no documento presidido pelo delegado titular da Delegacia de Homicídio da Polícia Civil fluminense, Rivaldo Barbosa.

Com 2 mil páginas, o inquérito foi entregue ao Ministério Público e mostra que a tortura de moradores da favela é frequente no local.

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Leia também:

Amarildo, presente!

Vídeo-documentário: Eu, um Amarildo

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“Não me senti cúmplice”, diz fotógrafo de Herzog na Comissão da Verdade

30 de maio de 2013
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Silvaldo Vieira deu depoimento aos vereadores. Filho de Vlado acredita que fotógrafo foi cúmplice dos ditadores.

Tatiana Santiago, via G1

O fotógrafo Silvaldo Leung Vieira, autor da imagem do jornalista Vladimir Herzog, morto no DOI-Codi em 25 de outubro de 1975, foi ouvido na manhã de terça-feira, dia 28, em audiência da Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo. Durante seu depoimento, Vieira disse aos vereadores que não se sente cúmplice dos torturadores de presos políticos durante a ditadura militar.

“Não me senti cúmplice, mas me sentia muito mal, e isso está acontecendo por eu ter começado a vida daquela forma. Minha intenção desde criança era ser fotógrafo, mas eu vi um tipo de fotografia que eu não gostaria de fazer”, afirmou.

Na época, com 22 anos, o fotógrafo era aluno do curso de fotografia do Instituto de Criminalística da Academia de Polícia Civil e estava em sua segunda semana de treinamento quando foi convocado pelo Dops para tirar fotos de um preso morto.

Depois de três anos na função, Vieira abandonou o trabalho no IC e foi para Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele ficou 15 anos sem voltar para o Brasil.

Durante a sessão da Câmara, quando questionado se foi colaborador do sistema na época, o fotógrafo disse que foi uma vítima. “Eu me considero mais uma vítima. Era fotógrafo, minha intenção era fotografar. Existiam poucos cursos de fotografia e um dos que existiam era esse do IC. Naquele tempo, o fotógrafo comum não tinha aquele tipo de tecnologia”, respondeu.

Com o passar do tempo, Vieira disse ter notado como era o cenário vivido e teve uma crise de consciência, mas que não teve possibilidade de largar o emprego porque dependia do salário. “É uma opção que me arrependo e não posso mudar. É uma coisa que eu vou ter de levar para sempre”, declarou ele, que disse estar arrependido por ter optado estudar no curso da Polícia Civil, órgão repressor do governo na década de 1970.

Já Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog, não concordou com as declarações de Vieira. “Ele foi um cúmplice, pois foi conivente com a situação e ficou mais três anos no serviço”, desabafa.

O vereador Mário Covas Neto (PSDB), relator do caso, entendeu que o fotógrafo não tinha consciência da situação quando foi convocado para tirar a foto de Herzog. “Não vejo como ele pode ser responsabilizado por qualquer coisa daquela época. Estava começando a vida profissional e vejo como um soldado que cumpre ordens”, disse.

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Apesar da pouca experiência, Vieira conta que achou estranho a posição em que o corpo do jornalista Vladimir Herzog foi encontrado. Apesar de estar enforcado, tinha os pés no chão, uma situação inusitada para quem comete o suicídio.

“Eu pessoalmente achei estranho a posição do cadáver pela posição dos pés, os pés no chão e tudo que estava ocorrendo em volta, a blindagem sigilosa de não deixar tirar outras fotos do local, geralmente a gente tinha acesso ao entorno do local”, disse o fotógrafo. Vieira disse que nunca foi ameaçado, mas orientado a não comentar as cenas que tinha visto. “A única lembrança que eu tenho mesmo era da obrigatoriedade do sigilo.”

Questionado se desconfiou que a cena da morte de Herzog era forjada, o fotógrafo respondeu que só desconfiou dias depois. “Naquele momento eu estava tenso, nervoso, e achei somente estranho. No decorrer da semana ouvindo comentários e achei que fosse realmente um homicídio.”

Ele também declarou que não se recorda das pessoas envolvidas quando ele foi convocado para tirar as fotos. Além de não se lembrar do nome de quem lhe pediu para tirar as fotos, nem soube dizer quem eram os policiais que o levaram até a cela.

É intolerável ver Marin na abertura da Copa 2014, diz filho de Herzog

13 de abril de 2013
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João Havelange entre o almirante Massera e o
ditador Jorge Rafael Videla.

Em entrevista ao site Carta Maior, Ivo Herzog traça paralelos entre o João Havelange, ex-presidente da Fifa, que passeava entre repressores, e o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, ao qual imputa vínculos com o assassinato de Vlado, o editor da TV Cultura executado nas dependências do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops/SP).

Dario Pignotti, via Carta Maior

Há fotos que mancham com um simples olhar. Uma delas mostra João Havelange junto ao ditador Jorge Rafael Videla e ao almirante Massera, os três vestindo solenes trajes listrados, na abertura da Copa do Mundo de 1978 disputada no estádio Monumental de Buenos Aires, a poucas quadras da Esma, a maior prisão clandestina do regime onde morreram 5 mil prisioneiros, entre eles o pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior, sequestrado horas depois de tocar junto com Vinicius de Moraes em um teatro portenho.

Quando se observa com mais cuidado aquela foto do inverno de 78 se vê o chefe do campo de concentração da Esma, Massera, e o “capo” da Fifa, João Havelange, um ex-nadador olímpico de porte atlético, como se fossem dois pavões reais arrogantes, com seus peitos inchados e o ar marcial.

As vidas de Havelange e Massera seguiram rumos paralelos. O brasileiro acumulou milhões dólares graças aos subornos cobrados de uma empresa de marketing desportivo, como provou a justiça suíça, e possivelmente ao envolvimento com o tráfico de armas, um negócio ao qual o genocida argentino também se dedicou.

Durante uma entrevista com Ivo Herzog, falamos sobre essa velha imagem em preto e branco que retrata o obsceno vínculo que os donos do futebol mantiveram com as ditaduras sul-americanas. Seu pai, Vladimir Herzog, foi assassinado pela ditadura em outubro de 1975, um ano depois de Havelange ter tomado as rédeas da FIFA, as quais não soltou até 1998.

Ivo Herzog traça paralelos entre aquele Havelange, que passeava entre repressores, e o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, ao qual imputa vínculos com o assassinato de Vlado, o editor da TV Cultura executado nas dependências do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops/SP).

O passado de Marin é equiparável ao de Havelange?

Pode ser pior. Creio que Havelange deveria ser investigado pela Comissão da Verdade criada pela presidenta Dilma Rousseff, mas não conheço tanto sua história para falar muito dela. Mas posso, sim, falar dessa pessoa chamada Marín, a quem não posso chamar de senhor.

Essa foto do mundial de 78 é terrível porque é a imagem de um passado monstruoso que pode voltar a acontecer. Digo isso porque poderemos ter uma foto parecida se Marin seguir sendo o presidente do Comitê Organizador de nossa Copa do Mundo (COL) e for o anfitrião da cerimônia. Você imagina o que seria ter um homem da ditadura em nossa Copa da democracia?

Seria intolerável que Marin estivesse neste ato que será visto por milhões de pessoas em todo o mundo. Por isso lançamos o manifesto “Fora Marin” que vem tendo uma receptividade surpreendente.

A primeira coisa que queremos é que Marin vá embora do COL, que é uma entidade que recebe dinheiro e apoio do governo. Depois queremos que ele saia da CBF, mas isso é mais difícil porque é uma entidade privada que diz publicamente que não se interessa pelo passado de seu presidente. Eu diria ao senhor Joseph Blatter [titular da Fifa] que não se preste ao jogo de Marin.

Se Blatter pressionou para que Ricardo Teixeira saísse do COL no ano passado, por corrupção, agora teria de fazer o mesmo em relação a José María Marin pelo crime de lesa humanidade, propõe Ivo Herzog.

O abaixo-assinado de Herzog “Fora Marin” recolheu 60 mil assinaturas em poucas semanas, conquistando o apoio de personalidades como Chico Buarque e o ex-atacante Romário que desde seu mandato na Câmara de Deputados propôs que o Congresso revise o passado político do chefe do futebol brasileiro.

O engenheiro naval Ivo Herzog nasceu há 46 anos no exílio londrino ao qual seu pai havia sido empurrado em função de uma longa militância comunista. Anos mais tarde, Vladimir Herzog decidiu deixar seu cargo na BBC e retornar a São Paulo onde assumiu como editor da TV Cultura.

Na metade da década de 1970, o regime planejava uma transição lentíssima rumo à democracia e se disfarçava de “ditabranda” autorizando a existência de um poder legislativo composto por civis comandados desde os quarteis como José Maria Marin. O hoje chefe do futebol brasileiro chegou a ser governador de São Paulo, em recompensa por sua lealdade aos generais e sua proximidade com a polícia política, o Dops, que assassinou Vladimir Herzog em outubro de 1975. O chefe do Dops então era Sérgio Paranhos Fleury, possivelmente o repressor mais famoso do Brasil e um dos pioneiros do que terminou sendo a Operação Condor. Em dezembro de 1973, o delegado participou em Buenos Aires, junto com repressores argentinos, do sequestro e posterior desaparição dos brasileiros exilados Joaquim Pires Cerveira e João Batista Rita, segundo denúncias apresentadas por familiares das vítimas.

Marin foi cúmplice da morte de Vladimir Herzog.

Marin foi cúmplice da morte de Vladimir Herzog.

Você diria que Marin foi cúmplice do assassinato de seu pai?

Creio que é possível usar a palavra “cúmplice”, sim. Em outubro de 1975, poucos dias antes de meu pai ser preso, Marin fez um chamado à repressão dos opositores. Foi uma convocação feita em um discurso público e, em 1976, quando já havia passado um ano do crime, fez outro discurso cheio de elogios a Fleury, chefe da repressão.

Vou citar textualmente uma parte do que ele disse: “Queremos dar nossas melhores felicitações a um homem que vem prestando relevantes serviços à comunidade…queremos dizer o orgulho que sentimos por contar com um comissário como Sérgio Paranhos Fleury”. Isso quer dizer que sua identificação com a repressão era descarada e qualquer um pode encontrá-la se pesquisar jornais ou artigos legislativos, diz Herzog.

Ivo Herzog não tem muitas ilusões sobre o destino jurídico de Marin beneficiado pela Lei de Anistia promulgada pelo ditador João Batista Figueiredo, ao ver que a ditadura começava a enfraquecer e era preciso garantir a impunidade.

Por outro lado, ele confia em Dilma Rousseff e em sua disposição política para que Marin não figure, daqui a 15 meses, na foto da festa inaugural da Copa do Mundo. Presa e torturada, ela também em São Paulo na década de 1970, a então guerrilheira “Wanda” não deixou dúvidas sobre seu desprezo ao dirigente.

É evidente que a presidenta evita encontros com Marin. Isso pode desgastá-la.

Dilma sabe o que Marin fez e minha família valoriza a atitude muito positiva que ela vem tendo em relação a ele. Ela tem o evitado o quanto pode e se mostra muito digna ao demonstrar sua distância em relação a uma figura desse peso. Hoje temos como presidenta uma pessoa que entende perfeitamente o que aconteceu durante a repressão e isso é algo que, indiscutivelmente, tem um peso político”.

Dilma olha para Marin com os mesmos olhos de desgosto com que observava Teixeira. Ela quer sua saída?

Nunca falei deste tema com a presidenta, mas qualquer um percebe que Marin não lhe agrada. Realmente não sei se ela está usando sua influência para retirá-lo do COL, mas é evidente que, para Marin, não é muito cômodo que todo mundo saiba que ele não tem um respaldo total da presidenta.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

No auge de torturas e prisões, Marin louva Fleury

21 de março de 2013

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Em registro recuperado pelo 247, de 1976, o então deputado estadual da Arena e hoje presidente da CBF elogia o “delegado de polícia Sérgio Fleury”, conhecido por liderar caçadas políticas e torturar pessoalmente opositores do regime militar. “Queremos, nesta oportunidade, prestar nossos melhores cumprimentos a um homem que, de há muito, vem prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça a seu trabalho”, iniciou José Maria Marin. O jornalista Vladimir Herzog fora morto no Doi-Codi paulistano um ano antes.

Via Brasil 247

Na semana passada, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, usou o site da entidade para responder a acusações de que teria contribuído para a morte do jornalista Vladimir Herzog, durante a ditadura militar. A simpatia pelo delegado Sérgio Fleury, contudo, Marin não pode mais negar. Em registro recuperado pelo 247, o então deputado estadual por São Paulo cumprimenta “um homem que, de há muito, vem prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça a seu trabalho”.

Marin segue seus elogios ao homem que coordenava torturas durante o regime militar: “Dizemos isto depois de verificar, mais uma vez, seu trabalho na solução de um crime que abalou não só o Estado de Mato Grosso, mas, temos certeza absoluta, todo o Brasil. E nós, que conhecemos de perto sua personalidade, não só como exemplar chefe de família, como homem cumpridor de seus deveres e, acima de tudo, com uma vocação das mais raras, das mais elogiáveis, que é o cumprimento de seu dever como polícia, nos sentimos na obrigação, neste momento em que todo o país toma conhecimento da solução desse crime que abalou todo o Brasil, de fazer aqui a devida justiça ao delegado Sérgio Fleury e à sua valorosa equipe”.

Leia o discurso na íntegra:

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Futebol e ditadura: Filho de Vladimir Herzog cria petição online para tirar Marin da CBF

28 de fevereiro de 2013
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Petição online espera recolher 100 mil assinaturas para pressionar Marin a deixar o comando da CBF. Foto: José Cruz/ABr

Gabriel Bonis, via CartaCapital

Cresce na internet um novo movimento anti-José Maria Marin, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Desde o início da semana, mais de 6 mil internautas assinaram uma petição online para tentar remover o dirigente do cargo (acesse aqui), em um protesto criado por Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, morto por agentes da ditadura. Durante a repressão, o ex-governador biônico de São Paulo integrou o Arena (partido criado pelos militares) e mostrou simpatia por figuras como Sérgio Fleury, torturador de dissidentes do regime.

A petição, que visa recolher 100 mil assinaturas, repercutiu de forma rápida. “Fiquei impressionado”, conta Ivo a CartaCapital. O presidente do Instituto Vladimir Herzog diz saber que a ação pode não ter a influência pretendida por ser direcionada a uma entidade privada. “Não podemos interferir, mas vai ficar cada vez mais pública essa indignação das pessoas em ter o Marin como o anfitrião do Mundial. Temos que registrar o nosso protesto e criar situações de incômodo para que ele saia ou ao menos deixe o Comitê Organizador da Copa”.

Segundo Ivo, a decisão de lançar o movimento ocorreu após ver o blog do jornalista Juca Kfouri ser acionado na Justiça para explicar a reprodução de uma “convocação” para um escracho a Marin, organizado pela Articulação Estadual pela Memória, Verdade e Justiça, e um texto sobre um discurso do dirigente contra a TV Cultura. A emissora era acusada por ele de ter “comunistas” infiltrados. Um deles seria o então editor-chefe de jornalismo, Vladimir Herzog.

As críticas à estatal paulista, e também os elogios a Fleury, ficaram registrados no Diário Oficial do Estado (Leia aqui e aqui). Em 9 de outubro de 1975, na Assembleia Legislativa, o então deputado estadual José Maria Marin pediu “providências” contra a emissora. “É preciso mais do que nunca uma providência, a fim de que a tranquilidade volte a reinar não só nesta Casa [TV Cultura], mas principalmente nos lares paulistanos”, disse Marin. Duas semanas depois, Herzog foi assassinado no DOI-Codi e teve o suicídio forjado pelo regime.

A petição enfatiza os laços de Marin com a ditadura e destaca que seus discursos apoiaram “movimentos que levaram a tortura, morte e desaparecimento de centenas de brasileiros. O caso mais notório é do jornalista Vladimir Herzog”. “Não podemos permitir que Marin viva a glória de estar à frente do maior evento mundial da nossa história”, diz o texto.

Para Ivo, o dirigente representa “o mais grave do sentido da impunidade”. Sua presença no comando da Copa do Mundo, acredita, vai reforçar para “a percepção de que o Brasil é um país da impunidade e que muitas vezes ela é recompensada da pior forma possível”.

CartaCapital contatou Marin por meio de sua assessoria de imprensa, mas não recebeu resposta.

Brasil será investigado em órgão internacional por caso Herzog

24 de janeiro de 2013
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Vladimir Herzog em 1966.

Patrícia Brito, via Folha de S.Paulo

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) vai investigar a responsabilidade do Estado brasileiro pela morte de Vladimir Herzog, em 1975, durante a ditadura militar (1964-1985).

O caso foi admitido pelo órgão internacional em novembro do ano passado e divulgado na terça-feira, dia 22, pela família de Herzog. Segundo a denúncia, o Brasil ainda não cumpriu com seu dever de investigar, processar e punir os responsáveis pela morte de Vlado, como o jornalista era conhecido.

A denúncia foi apresentada em 2009 por entidades ligadas aos direitos humanos, como o Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional), a FIDDH (Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos), o Grupo Tortura Nunca Mais e o Instituto Vladimir Herzog.

“O caso Herzog ilustra a omissão do Judiciário brasileiro durante a ditadura militar e também na democracia, na realização de justiça nos crimes da ditadura cometidos pelos agentes públicos e privados”, disse Viviana Krsticevic, diretora-executiva da Cejil, baseada em Washington (EUA) e que veio ao Brasil na terça-feira, dia 22, para anunciar o acolhimento da denúncia.

Vlado morreu após ser torturado no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna), em São Paulo. Na época, a versão do Exército para a morte foi a de suicídio, mas no ano passado a Justiça determinou a correção de seu atestado de óbito, para fazer constar que a morte decorreu de “lesões e maus tratos”.

A expectativa é que o processo seja concluído em até um ano, quando a comissão deverá apresentar um relatório com recomendações ao governo brasileiro. Caso as recomendações não sejam cumpridas, o caso poderá ser levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos, também ligada à OEA.

“A gente quer saber quem são os responsáveis pelo que aconteceu a meu pai”, disse Ivo Herzog, filho do jornalista e diretor do Instituto Vladimir Herzog.


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