Posts Tagged ‘Twitter’

Um alerta à indignação popular

14 de abril de 2014
Lula_Ze_Abreu

A gente briga com quem se quer bem: O “nervoso” Zé de Abreu e Lula.

Jorge André Irion Jobim

Eu li que o ator José de Abreu utilizou sua conta na rede social Twitter na noite de sábado, dia 12, para cobrar da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula e do PT uma defesa mais enérgica em relação à prisão ilegal do ex-ministro José Dirceu, julgado pelo Supremo Tribunal Federal no processo do “mensalão” (Ação Penal 470).

É claro que eu entendo o ator, pois a indignação que ele sente é a mesma que eu e muitos outros estão sentindo desde o início deste circo travestido de processo que é a Ação Penal 470 que mais parece um daqueles processos terríveis dos obscuros tempos da inquisição.

Só que é necessário um certo cuidado, ainda mais agora em uma época em que Dilma Rousseff está concorrendo à reeleição e seus opositores estão esperando qualquer descuido, por mínimo que seja, para caírem em cima dela com todo seu arsenal deletério de destruição de imagens de seus adversários.

O problema é que nossa Constituição Federal 1988 em seu art. 85 prevê o denominado crime de responsabilidade, um ilícito político/administrativo cuja sanção não é a prisão, mas que pode levar à perda do cargo e à incapacidade de exercício de qualquer função pública.

De acordo com o texto constitucional configuram o referido ilícito os atos do presidente da República que atentem contra a constituição e, entre tais atos, estão aqueles que venham a interferir no livre exercício do Poder Legislativo, Poder Judiciário, Ministério Público e dos poderes constitucionais das unidades da Federação.

Bem, diante do desespero da oposição que já está percebendo que não conseguirá retomar o poder perdido pelas vias democráticas, é evidente que ela aproveitará qualquer manifestação da presidenta para tentar processá-la por um ato que possa configurar crime de responsabilidade. E caso seus opositores assim entendam, poderão tentar promover um processo de impeachment baseando-se em uma suposta tentativa de Dilma de interferir no Poder Judiciário.

É claro que, na situação atual, eles encontrariam muita dificuldade, pois por se tratar de um processo escalonado, haveria necessidade de que o pedido passasse por um juízo de admissibilidade na Câmara Federal onde teriam que obter o voto favorável de 2/3 de seus membros para que a licença para o processo de impeachment fosse admitida. Posteriormente, caso houvesse tal admissão, ele seria julgado no Senado e a condenação somente ocorreria com o voto de 2/3 dos membros da casa.

É uma situação quase improvável, ao menos no atual momento, mas diante de todas as vilanias praticadas pela oposição auxiliada pela mídia golpista com suas manipulações, sabe-se lá o que poderá acontecer. Não podemos duvidar de nada mais em matéria de baixaria desta gente.

Assim sendo, há que se ter cuidado. Outras entidades podem fazer pressão sobre o STF, dentre elas a OAB e as organizações de direitos humanos. Que se utilizem recursos aos tribunais internacionais e que seja feita pressão pela própria população. Mas evitemos de exigir qualquer atitude mais contundente por parte da presidenta Dilma com tal objetivo.

Afinal, a mínima iniciativa dela neste sentido será superdimensionada e utilizada para mais uma tentativa de desestabilização de seu governo através de um desgastante processo por crime de responsabilidade com o claro objetivo de produzir consequências negativas em sua reeleição. E esta oposição desprezível já deu mostras de que não hesita em se utilizar de todos os meios, por mais sub-reptícios que sejam, para atingir seu desiderato que é se aboletar novamente no poder.

E se isso vier a acontecer, já sabemos que o povo será o maior prejudicado, eis que inevitavelmente sofrerá um retrocesso em todas as conquistas que obteve no campo da inclusão social durante os governo de Lula e Dilma.

Comentário de Maria Luiza Quaresma Tonelli, no Facebook.

A mídia oposicionista passou mais de oito anos achincalhando José Dirceu como o “chefe da quadrilha”. E não houve crime de quadrilha, como reconheceu o STF, ao absolvê-lo da imputação de tal crime, bem como Genoíno e Delúbio Soares. Agora José Dirceu, condenado a cumprir pena inicialmente em regime semiaberto, mofa na Papuda sem autorização para trabalhar, há cinco meses. Isolado, fala com os advogados através de um vidro, por um telefone, como se fosse um preso de alta periculosidade.

Defender os direitos de José Dirceu não é ir contra o PT, ao contrário, é defender o partido que ele ajudou a construir. À mídia e aos partidos de oposição interessa José Dirceu trancafiado, como um bandido perigoso. Será que pouca gente se dá conta disso?

Defender José Dirceu é defender seu direito de preso, é defender a legalidade. É a defesa de direitos fundamentais do cidadão, a defesa dos direitos humanos.

A ameaça que se faz a um, no Estado democrático de Direito, é uma ameaça a todos, indiscriminadamente.

Defender José Dirceu é, também, defender o PT, de alguma maneira.

Eu amo Dudu, eu sou um robô: Como ser “popular” na rede fraudando o Twitter

14 de abril de 2014

Eduardo_Campos34_Clones

Fernando Brito, via Tijolaço

O site Muda Mais publicou um interessante levantamento. Vídeos do ex-governador Eduardo Campos foram promovidos no Twitter por um exército de 5 mil robôs, isto é, perfis falsos, sem sequer um seguidor.

Cerca de 2 mil destes perfis foram usados também para atacar Lula e a Copa. Fui a alguns deles e conferi: quase todos os que vi jamais postaram qualquer coisa que não fosse retuitar Eduardo Campos e Marina Silva. Na reprodução de um deles, você vê a contradição: quase 6 mil pessoas retuitaram, mas apenas sete “curtiram”.

Que exemplo de ética e de “nova política”, vocês não acham?

Eduardo_Campos35_Aprovacao

O Muda Mais recolheu a lista de todos os perfis falsos. Seria interessante cruzar a lista com os 23 mil robôs que, segundo o Estadão, foram usados para pressionar o Supremo Tribunal Federal a negar os embargos infringentes no julgamento do chamado “mensalão”.

Fez o trabalho que o Ministério Público Eleitoral deveria fazer, para ver como se está despejando dinheiro nas redes sociais para promover candidaturas, comprando listas de perfis.

Está prontinho, se Suas Excelências querem mesmo moralizar o processo eleitoral, apurando quem usa o dinheiro para influenciar a rede.

Mas parece que a Justiça Eleitoral está mais preocupada em gastar milhões com a identificação biométrica dos eleitores, para evitar uma malandragem de que quase não se tem notícia e que, se acontecer, vai fraudar meia dúzia de votos, que talvez não dê para eleger um vereador em Santana do Altos e Baixos das Mercês.

Leia também:

Aécio e Eduardo Campos: Passa-se o ponto

Partido de Marina Silva cobre R$30,00 para militante ter direito de participar das decisões

O maior problema de Eduardo Campos não é Marina Silva. É ele mesmo!

O socialista Eduardo Campos adota tática do nazista Bornhausen

Mais Médicos: Eduardo Campos é acometido de amnésia súbita

Aécio e Eduardo: “Dois em um” empacam na mesmice

Pau-mandado de José Serra formaliza apoio a Eduardo Campos

Marina deixa claro que aliança com PSB tem prazo de validade

Eduardo Campos e Aécio acionam Gilmar Mendes para “fechar” o Congresso

Para agradar Marina, PSB vai lançar candidato de faz-de-conta

O PS[d]B de Campos e Marina

Luiz Erundina afirma que alianças do PSB não têm coerência

Marina e Campos falharam como “terceira via” e torcem por protestos nas ruas

Aliança PSB/PSDB: Afinal, o que é essa tal de “nova política”?

Quanto pior melhor: Marina Silva pede novos protestos de rua em 2014

O sistema financeiro em busca de candidata?

Censura ao vice-presidente do PSB mostra a face autoritária de Marina

O pragmático marido da programática Marina

Paulo Moreira Leite: Guru de Marina disse que é preciso aumentar o preço da carne e do leite

A promiscuidade da(s) rede(s) Itaú-Marina

Já que a Rede de Marina furou, Banco Itaú cria sua própria rede

Com o apoio da mídia golpista, Marina Silva cultua o blasfemo “deus mercado”

Campos/Marina: O papel da coalizão do ódio

Para André Singer, programa de Eduardo Campos/Marina não existe

Luciano Martins Costa: A mídia está atirando para todos os lados

O mal-estar de Marina Silva

Janio de Freitas: O não dito pelo dito

Como fatos são maiores que desejos, Marina devastou a oposição

Aliado histórico de Marina abandona Rede e diz ter feito “papel de bobo”

Os neossocialistas Heráclito Fortes, Bornhausen e Caiado apoiam Eduardo Campos/Marina

Por que no te callas, Marina Silva?

Paulo Moreira Leite: Marina/Campos, bola de cristal em 5 pontos

Janio de Freitas: Presente e futuro

Dez consequências da decisão de Marina

Vice do PSB diz que partido de Marina é “fundamentalista, preconceituoso e sem caráter”

Problemas para Campos: Marina já critica alianças do PSB

Todos contra o chavismo

Marina/Campos: De madrugada, choro e ataque ao “chavismo do PT”

Marina Silva e o chavismo

Malabarismo de Marina Silva desorientou a mídia golpista

Estão faltando ideias e sobrando frases feitas para Marina

A Rede de Marina: Uma nova política ou uma nova direita?

Marina perdeu antes de o jogo começar?

Marina Silva é o atraso do Brasil financiado por banqueiros

Mexeu com o Itaú, mexeu com a Marina: Banco é autuado por sonegar R$18,7 milhões

Egocêntrico: “Ato falho” de Serra no Twitter vira piada nas redes sociais

30 de dezembro de 2013

Serra_Natal_Twitter01

Serra publicou no Twitter um post de boas festas desejando que seus próprios desejos se realizem em 2014.

Lido no Diário do Centro do Mundo

“Feliz Natal a você que me acompanha. Espero que todos os meus desejos se realizem. E o primeiro deles é continuar seu amigo por muitos anos”.

A mensagem rapidamente virou piada nas redes sociais por causa do trecho “que meus desejos se realizem”.

Isolado no partido, Serra tem usado o Facebook e o Twitter para dar “recados”. Recentemente, sugeriu ter desistido de suas pretensões presidenciais, dizendo que Aécio Neves deveria ser lançado “sem demora” ao Planalto já que é esse o desejo da maioria do PSDB.

“Como a maioria dos dirigentes do partido acha conveniente formalizar o quanto antes o nome de Aécio Neves para concorrer à Presidência da República, devem fazê-lo sem demora”, escreveu Serra.

Mico: O Globo derruba matéria sobre Aécio Boladasso

3 de novembro de 2013

Miguel do Rosário, via O Cafezinho

Na manhã de sexta-feira, dia 1º/11, enquanto saboreio um cafezinho quente, faço um tour pelos meus blogs preferidos. Vou ao Tijolaço e vejo um post sobre Aécio Neves, assunto sempre interessante para os aficionados em política, visto que é o principal candidato da direita.

O post menciona uma nova fanpage de Aécio Neves, Aécio Boladasso, e dá link para uma matéria no site da Globo. Pois é. Mas quando tento entrar na matéria, me deparo com a seguinte mensagem.

Globo_Jornal_Aecio_Boladasso02

Ué, vou no Google, e vejo que a matéria está lá, linkada.

Globo_Jornal_Aecio_Boladasso01

O link está certo. A matéria teria sido derrubada a pedido de Aécio?

Fui ver a fanpage: https://www.facebook.com/AecioNevesBoladasso. Então entendi por que a Globo derrubou a matéria, o que na internet é um mico federal, pois o link fica por meses, às vezes anos, no ar, quebrado, levando a lugar nenhum.

A fanpage é uma comédia, mas num sentido totalmente oposto ao que pretendia a pessoa que a pôs no ar. E está sendo, com justiça, estraçalhada pelo sarcasmo dos internautas.

Aecio_Boladasso01

PS: Os comentaristas já acharam o cache da página.

PS 2: A coisa é pior que eu pensei. O blog Pragmatismo Político apurou que a Globo deu destaque à notícia quanto a página tinha apenas um fã. É muito desespero para tentar agradar o PSDB.

PS 3: Globo bota de novo matéria no ar.

***

Aecio_Boladasso02

Imagem do post original de O Globo comprova que o jornal noticiou a página assim que ela foi criada, quando havia apenas um único fã. Após repercussão, jornal primeiro mudou o corte da foto, escondendo o número 1. Depois tirou a reportagem toda do ar.

“Aécio Boladasso” é lançado no Facebook, no Twitter e em… O Globo

Inspirado em “Dilma Bolada”, surge “Aécio Boladasso” no Facebook e no Twitter na tarde de quinta-feira, dia 31/10. Pouco depois foi noticiado em O Globo, quando tinha apenas um único “fã”.

Lino Bocchini, via CartaCapital

Legenda: Imagem do post original de O Globo comprova que o jornal noticiou a página assim que ela foi criada, quando havia apenas um único fã. Após repercussão, jornal primeiro mudou o corte da foto, escondendo o número 1. Depois tirou a reportagem toda do ar.

“Sou lindo, sou tucano, sou futuro presidente dessa nação por um Brasil melhor”. Esta é a apresentação da página “Aécio Boladasso”, que segundo os registros da rede social surgiu na quinta-feira, dia 31/10, às 13h30. No Twitter, apareceu pouco depois, por volta de 14h30.

Menos de quatro horas depois, às 18h23, o site de O Globo destacou em sua home uma reportagem completa sobre a novidade, com declarações de Jefferson Monteiro, criador da “Dilma Bolada”. O próprio printscreen (reprodução de tela) que acompanhava a reportagem original do jornal comprova que, quando O Globo fez o texto, apenas uma única pessoa havia curtido o perfil.

Quando este texto estava sendo concluído, às 21h50, eram 724 fãs no Facebook e 127 no Twitter. O perfil oficial do senador mineiro e pré-candidato do PSDB à presidência tem 26 mil seguidores, mas nunca foi usado. A página oficial de Aécio no Facebook é “curtida” por 190 mil pessoas.

“Dilma Bolada” tem 162 mil seguidores no Twitter e 553 mil no Facebook. A presidenta Dilma Rousseff, que recentemente voltou às redes sociais, tem mais de 2 milhões de seguidores no Twitter e 91 mil no Facebook.

Estudo mostra principais detratores e apoiadores de Dilma nas redes sociais

24 de julho de 2013

Levantamento analisou 272.264 citações à presidenta entre os dias 11 e 16 de junho no Facebook e no Twitter

Antônio Arles, Sérgio Amadeu da Silveira e Tiago Pimentel, lido na Revista Fórum

A Interagentes, empresa parceira da Publisher Brasil em análise e monitoramento de redes, divulgou mais um estudo, onde foram analisadas mensagens que fizeram referência à presidenta Dilma Rousseff. A análise considerou as maiores autoridades no Facebook e no Twitter aqueles perfis ou páginas que têm mais compartilhamentos, e mostra os dez principais críticos e os dez que apoiam o governo.

Confira a íntegra do estudo abaixo.

Dilma nas redes: A disputa política no ciberespaço

Introdução

As manifestações do mês de junho trouxeram novos e poderosos sujeitos ao cenário político brasileiro. As redes sociais foram o terreno de emergência desses atores que rivalizaram e disputaram a condução dos fatos com a velha mídia e com os partidos. Observando o Facebook, rede social que tem ganhado protagonismo nas mobilizações on-line, encontramos páginas de viés político (porém não claramente partidário) como “nós” privilegiados no debate. Seus posicionamentos alcançam repercussão e mostraram capacidade de mobilização da opinião pública presente nas redes. Estes perfis saíram fortalecidos das manifestações do mês de junho e consolidaram seu papel enquanto autoridades no debate político das redes.

No Facebook, onde a presença destes novos atores tem maior relevância, o quadro geral é complexo e o cenário, bastante fragmentado. Muitos são os atores, muitas suas linhas de argumentação, muitos são os chamados para a indignação diante de alguma realidade apresentada como inaceitável, todos eles à espera de alguma adesão.

Em relação à presidenta Dilma Rousseff, desde as manifestações de junho, estes novos atores, de modo geral, têm engrossado o corpo das posições de oposição ao governo federal nas redes sociais. Partindo de grupos não necessariamente ligados a partidos políticos, as críticas à presidenta Dilma têm-se multiplicado nesta rede.

No Twitter, universo mais restrito em número de cidadãos que é capaz de conectar, ainda que tenhamos encontrado um padrão relativamente disperso, o que vimos foi uma densa rede de conversações com a presença de grupos fortemente conectados. O padrão de conexão dos atores indica a existência de ao menos dois grupos relevantes de oposição à presidenta Dilma. O quadro geral do Twitter é sem dúvidas menos fragmentado que o do Facebook.

Metodologia

As buscas desta pesquisa foram realizadas no Facebook e Twitter e visaram obter as citações públicas à presidenta Dilma.

O período analisado compreende do dia 11 ao dia 16 de julho. Os dados coletados foram processados para analisar o compartilhamento de publicações. A análise dos compartilhamentos é rica em significação, sendo capaz de detectar e investigar mensagens que circularam pelas redes publicadas por agentes com alto capital social, ou seja, com potencial para interferir na formação da opinião pública. A análise destas mensagens permite ainda conhecer as maiores autoridades da rede.

A métrica autoridade estima o valor do conteúdo de cada página ou nó a partir do número de compartilhamentos de suas postagens. Perfis com postagens muito compartilhadas tendem a ter alto valor de autoridade.

A análise baseou-se na teoria dos grafos. Um grafo é representado por um conjunto de pontos ou nós chamados de vértices que são ligados por retas, denominadas arestas. Para efeito dessa pesquisa, a página ou perfil (no Facebook ou Twitter) é um vértice ou nó. A ligação entre perfis ou páginas se dá pelas arestas e representa o compartilhamento de uma postagem. A grosso modo, um perfil com grande confluência de arestas é relativamente mais importante que outro que possui menos arestas atraídas para si.

Na análise da rede de comentários aplicamos algoritmos de modularidade que permitem decompor a rede complexa em comunidades modulares (ou sub-redes), o que, do ponto de vista do compartilhamento de seus conteúdos, possibilita detectar grupos de atores que apresentaram fortes semelhanças entre si.

O grafo da rede de compartilhamentos do Facebook apresentou 44.223 vértices e 41.197 arestas. Para a detecção de comunidades usamos o algoritmo de modularidade em resolução 2,782, o que resultou em 6.498 comunidades.

No Twitter, o grafo de compartilhamento de mensagens apresenta 32.851 vértices e 48.118 arestas. A detecção de comunidades se deu com o algoritmo de modularidade em resolução 1,728, resultando em 2.665 comunidades.

Dados gerais

Entre os dias 11 e 16 de julho a #InterAgentes mapeou citações públicas à presidenta Dilma no Twitter e no Facebook. Neste período nossas buscas retornaram um total de 272.264 mensagens, sendo 139.967 do Facebook e 132.297 do Twitter. É importante recordar que a presidenta Dilma realizou o pronunciamento com cinco pactos nacionais na segunda-feira, dia 24 de junho, quando lançou a proposta de plebiscito, tentando retomar a iniciativa política.

O pico de movimentação na rede foi por volta de 11 horas do dia 11 de julho, atingindo 5.349 mensagens nesta faixa de horário. Neste exato momento aconteciam as manifestações do Dia Nacional de Lutas, mobilização chamada em todo o Brasil, com forte presença das centrais sindicais. A pauta “Dilma” estava quente nas redes.

Dilma_Redes_Sociais01

Twitter

A rede de citações à presidenta Dilma no Twitter foi densa, apresentando padrão intenso de interações. Foram coletadas 132.297 mensagens provenientes de 57.204 autores distintos. Neste universo encontramos desde atores muito engajados em detratar ou em defender a presidenta, até autores de comentários e críticas eventuais. A média de mensagens por perfil e a dispersão representada no grafo indicam um padrão relativamente distribuído de compartilhamentos: Muitos perfis estiveram envolvidos no compartilhamento de posts provenientes de fontes diferentes.

Dilma_Redes_Sociais02

O uso de hashtags revela considerável mobilização para a #OpSeteDeSetembro. Trata-se de um evento agendado a partir do Facebook e que auto-intitula-se “o maior protesto da história do Brasil”. Sem pauta específica, o evento pretende aproveitar a data comemorativa da Independência para a realização de uma grande manifestação. A pauta genérica da “corrupção” tende a ganhar importância. Núcleos estão sendo articulados em grupos por cidades. O evento tem o apoio de diversas páginas (de Facebook) influentes nos protestos do mês de junho. Atualmente o evento (centralizado) do Facebook conta com mais de 240 mil confirmações de participação.

Chamam a atenção também as hashtags #ForaForo e #FFAAJA. A primeira é uma referência explícita à recusa do “Foro de São Paulo”. A crítica ao Foro de São Paulo tem ganhado espaço e vem sendo pautada por alguns grupos, inclusive de extrema-direita.

A hashtag #FFAAja é ainda mais explícita, pede a intervenção das forças armadas para enfrentar “a atual crise nacional” com fins de “restauração da ordem”. Campanhas têm surgido neste sentido, associando partidos como PT, PDT, PCdoB, PCB, PPS, PSTU, PMDB e apoiadores do governo à uma conspiração contra o Brasil. São discursos que encontram eco na extrema-direita.

Dilma_Redes_Sociais03

O padrão geral das conversações aponta para uma densa rede de conexões, com atores fortemente conectados na área central do grafo. É ali onde concentram-se os atores mais intensamente conectados ao debate público envolvendo a presidenta Dilma Rousseff. O padrão de conexão desses atores indica a existência de alguns grupos relevantes.

Destacam-se quatro. Grosso modo, eles representam:

1. Grupo amarelo – Forte presença de perfis da imprensa.

2. Grupo azul – Forte presença de oposição à Dilma, pautada por valores conservadores.

3. Grupo verde – Forte presença de posições de oposição à Dilma, pautada sobretudo por defesa de minorias.

4. Grupo vermelho – Forte presença de posições de apoio à presidenta Dilma.

Dilma_Redes_Sociais04

Twitter – Grupo Amarelo

Traz sobretudo perfis associados a veículos de mídia. Os perfis deste grupo tiveram suas postagens compartilhadas por atores diversos. O perfil @Estadao teve posição de destaque, seguido de perto pelo @JornalOGlobo. Estes veículos tiveram suas postagens compartilhadas por diferentes grupos, por vezes com comentários sobre a posição ideológica do próprio veículo.

Pelo padrão de compartilhamento de seus posts o perfil @dilmabr (Dilma Bolada) foi alocado neste grupo.

Abaixo a lista com as dez autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

Autoridades

1. @Estadao

2. @JornalOGlobo

3. @VEJA

4. @g1

5. @folha_com

6. @UOLNoticias

7. @dilmabr

8. @portalR7

9. @TerraNoticiasBR

10. @FR_BSB

Twitter – Grupo Azul

Caracterizou-se como um grupo com padrão semelhante de compartilhamento de mensagens. Entre os temas em destaque encontram-se questões relacionadas à saúde, com particular destaque para posições da “classe médica” frente às propostas do governo federal. São dignas de menção ainda, neste grupo, críticas às prioridades do governo federal, críticas aos investimentos na Copa do Mundo, cobranças pelo que se entende por “promessas não cumpridas” pela presidenta e questões de mobilidade urbana. Voltam a aparecer entre as mensagens deste grupo, associações da imagem de Dilma ao “terrorismo” e ao “comunismo”. Ainda neste grupo encontraram-se críticas sobre o envolvimento das centrais sindicais nas manifestações do Dia Nacional de Lutas, ocorrida dia 11.

Roberto Freire encabeçou a lista de autoridades deste grupo.

Dilma_Redes_Sociais05

Abaixo a lista com as dez autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

Autoridades

1. @freire_roberto

2. @EdvalEdval

3. @reminiscences

4. @coroneldoblog

5. @marisascruz

6. @MirandaSa_

7. @rbrasiliense

8. @Arykara2

9. @letraslimitadas

10. @josetomazfilho

Twitter – Grupo Verde

Este grupo caracterizou-se como outra rede de compartilhamentos de forte oposição à Dilma. Porém diferentemente do grupo azul, a críticas à presidenta Dilma são feitas a partir de uma perspectiva de afirmação do direito de minorias. Entre os temas centrais estão a defesa da causa indígena frente ao que se caracteriza como “desenvolvimentismo” e frente aos interesses ruralistas e a defesa de temas considerados progressistas frente à pressão da bancada evangélica. O veto parcial da PL do Ato Médico foi o único tema a constar nesse grupo de maneira positiva à presidenta Dilma.

Dilma_Redes_Sociais06

Abaixo a lista com as dez autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

Autoridades

1. @CimiNacional

2. @joaomarcio

3. @EliVieira

4. @celsodossi

5. @jeanwyllys_real

6. @cadulorena

7. @KoenmaSan

8. @cfp_psicologia

9. @bicmuller

10. @Tsavkko

Twitter – Grupo Vermelho

Este grupo caracterizou-se pela defesa das posições da presidenta Dilma. Ganharam destaque temas como a reforma política, o plebiscito, a sanção do ato médico com vetos, temas relacionados à democratização dos meios de comunicações, a destinação de royalties do petróleo para a educação e a repercussão das pesquisas de opinião sobre a popularidade da presidenta e sobre a aprovação do Governo Federal. Uma abordagem comum tendia a elogiar a coragem de posturas assumidas pela presidenta, porém ressaltando a dificuldade interna (seja com sua base aliada, seja na câmara) para levar adiante suas propostas. Neste sentido, o plebiscito e a reforma política ganharam destaque.

Perfis como @cartacapital e @brasil247, pela abordagem de suas matérias, foram muito compartilhados por este grupo. Posicionamentos do senador Roberto Requião em defesa das posições de Dilma em relação ao ato médico ganharam destaque.

Dilma_Redes_Sociais07

Abaixo a lista com as dez autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

Autoridades

1. @cartacapital

2. @stanleyburburin

3. @requiaopmdb

4. @brasil247

5. @blogdilmabr

6. @turquim5

7. @ptnacional

8. @Greenhalgh_

9. @frulanis

10. @zehdeabreu

Facebook

No período analisado (entre 11 e 16 de julho) foram coletadas 139.967 mensagens no Facebook, provenientes de 103.630 autores diferentes. A baixa média de mensagens por pessoa e a dispersão resultante do grafo de análise de compartilhamentos indica um padrão bastante distribuído de conversações sobre Dilma Rousseff. Em comparação com o Twitter nota-se que, ainda que o número total de mensagens no período seja razoavelmente equivalente nas duas redes (139.967 no Facebook e 132.297 no Twitter), o número de perfis envolvidos praticamente dobra (57.204 no Twitter contra 103.630 no Facebook). Isso indica um padrão de conversação ainda mais disperso no Facebook, com muito mais atores envolvidos no compartilhamento de posts provenientes de muitas fontes diferentes, aumentando o número de cidadãos e cidadãs que vieram às redes expressar suas opiniões e críticas a respeito da presidenta Dilma. Aqui, como no Twitter, encontramos desde atores muito engajados em detratar ou em defender a presidenta, até autores de comentários e críticas eventuais. Porém aqui, mais que no Twitter, a tendência é termos mais páginas e menos perfis como “nós” fortes de autoridade.

Dilma_Redes_Sociais08.jpg

Ainda que enormemente dispersa, a análise de modularidade da rede permitiu detectar grupos de atores com fortes relações de semelhança entre si.

Utilizando algoritmo de modularidade em resolução 2,782, foram detectadas 6.498 comunidades (ou sub-redes). Destas, seis delas se destacam. Todas as outras apresentaram abaixo de 2% de representatividade. Somadas, estes seis maiores grupos representam 35% dos compartilhamentos mapeados. Um posterior agrupamento destes seis grupos resultou no quadro que segue:

1. Grupo amarelo – Grupo marcado por forte presença de veículos de imprensa. Outras páginas de padrão de compartilhamento semelhante foram agrupadas aqui.

2. Grupo azul

Subgrupo azul 1 – Forte presença de posição abertamente contrária à presidenta e ao Partido dos Trabalhadores.

Subgrupo azul 2 – Do ponto de vista dos conteúdos, este grupo é muito semelhante ao anterior, porém com um peso menor de “antipetismo”. De um modo geral grupo fortemente opositor à presidenta.

Subgrupo azul 3 – Forte presença de perfis e páginas que despontaram como autoridades relevantes nas manifestações de junho. De um modo geral são críticos à presidenta.

Subgrupo Azul 4 – Forte presença de temáticas relacionadas à Saúde. De um modo geral, compartilhados de maneira crítica à presidenta

3. Grupo vermelho – Rede de compartilhamento com forte presença de simpatizantes e apoiadores da presidenta.

Facebook – Grupo Amarelo

Grupo caracterizado pela presença de grandes veículos de mídia. As mensagens compartilhadas por este grupo tenderam a ser compartilhadas por grupos diversos. Entre as autoridades mais relevantes deste grupo destacaram-se a página do Estadão (no Facebook) e a da Folha de S.Paulo. A página da revista Veja, abaixo, também merece menção. Essas páginas apresentaram padrão de compartilhamento como fontes de informação, alimentando debates. Porém não raras vezes a legitimidade destes veículos foi colocada em questão e suas pautas acusadas de ocultar interesses privados.

Outras páginas com padrão de compartilhamento semelhante também foram alocadas neste grupo.

Facebook – Grupo Azul

O grupo azul é resultado do agrupamento de quatro subgrupos com padrão muito semelhante de compartilhamentos.

A grosso modo, o Subgrupo azul 1 concentra clara tendência antipetista. Do ponto de vista dos conteúdos publicados, o Subgrupo azul 2 se parece muito com o primeiro. Já o Subgrupo azul 3 concentra grande parte dos perfis que despontaram como autoridade nas manifestações de junho. Nos subgrupos 2 e 3 encontramos também a presença de “nós” pobres da rede na posição de autoridades. Estes perfis ganharam relevância não pela autoridade que trazem, mas por terem postado conteúdos que se espalharam com algum padrão de viralidade.

Destacamos ainda o Subgrupo azul 4 que, ainda que seja o menor dos grupos aqui destacados, apresentou-se como uma rede de compartilhamentos com temática “saúde” fortemente centralizada.

Dilma_Redes_Sociais09.jpg

Todos esses subgrupos apresentaram, nas redes sociais, posições fortemente contrárias ao governo federal.

Ainda que as críticas versem sobre muitos assuntos, algumas temáticas comuns agregam grande parte dos conteúdos compartilhados. Estão entre elas: No quesito “saúde” destacam-se críticas à situação dos Postos de Saúde e ao que se entende por “condições precárias” dos hospitais públicos. A proposta de vinda de médicos cubanos também alimentou algumas teorias sobre o aparelhamento petista do Estado.

A alusão ao tema “corrupção” é bastante recorrente, não raro associado a bandeiras antipetistas. Também constaram críticas à proposta de reforma política e ao Dia Nacional de Lutas. Grupos de extrema-direita fizeram alguns chamados à intervenção das forças armadas.

Questionamentos sobre as prioridades do governo federal também são recorrentes. É comum encontramos cometários comparando, por exemplo, o investimento na Copa com o investimento em outras áreas, como saúde ou saneamento. Também são alvo de críticas o tamanho da máquina do Estado e a “enorme quantidade de ministérios”. Ainda são dignas de menção as questões suscitadas pela proposta de Plebiscito. Neste período, no entanto, as polêmicas acerca do Pacto da Saúde e do Ato Médico ganharam relevância.

Abaixo relacionaremos a lista com as dez autoridades mais relevantes de cada subgrupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

Facebook – Subgrupo Azul 1

Autoridade

1. OCC – Organização de Combate à Corrupção

2. FORA PT

3. Dilma Rousseff NÃO

4. Impeachment do Renan Calheiros

5. Revela Brasil

6. Edgar Nascimento

7. Eu não voto em Dilma #Eleicao2014 Brasil sem PT

8. Fora Padilha entregue seu CRM

9. O pesadelo de qualquer político

10. PT da Depressão

Facebook – Subgrupo Azul 2

Autoridade

1. Movimento Contra Corrupção

2. Revoltados ON LINE

3. Raimundo Lemos

4. Anonymous Black

5. João Cipriano Nascimento

6. Foda-se a Copa

7. Movimento Contra Corrupção – São Paulo

8. Jones de Oliveira Borges

9. Mobilização Patriota

10. Edir Carvalho

Facebook – Subgrupo Azul 3

Autoridade

1. A Verdade Nua & Crua

2. Isso é Brasil

3. AnonymousBrasil

4. Brasil Contra Corrupção

5. Quero o Fim da Corrupção

6. Tathiane Lima da Silva

7. Fernando Vasserstein

8. AnonymousBR

9. Neuza Lopes

10. Povo Brasileiro

Facebook – Subgrupo Azul 4

Autoridade

1. Diário de Hospital

2. Movimento contra o Decreto da Presidente da República

3. Entenda porque não estou no interior

4. SOS SAUDE Brasileira

5. Eduardo Moraes

6. Avante Brasil

7. José Marcio Barros Figueiredo

8. Humortadela

9. João Grilo

10. Bruno Toscano

Facebook – Grupo Vermelho

Caracterizou-se como um grupo com padrão semelhante de compartilhamento de mensagens. De um modo geral as páginas compartilhadas por este grupo tenderam a formar uma base de apoio à presidenta Dilma.

Foram temas recorrentes das postagens desse grupo as repercussões das pesquisas segundo as quais Dilma, embora tenha perdido popularidade, mantém-se líder na preferência do eleitorado. Destacaram-se também os apoios recebidos pelo veto parcial ao PL do Ato Médico. Neste grupo encontramos também comentários que elogiam as propostas da presidenta porém destacam as dificuldades que o Poder Executivo tem tido em encaminhá-las. A rejeição no Senado e na Câmara de algumas propostas da presidenta neste último período foi foco de críticas. Ainda em destaque neste grupo encontramos repercussões positivas sobre o Programa Mais Médicos.

Dilma_Redes_Sociais10

Abaixo a lista com as dez autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil).

Nota: Fernando Rodrigues que consta na lista abaixo é homônimo do conhecido jornalista brasileiro.

Autoridade

1. Conselho Federal de Psicologia

2. Grupo Anti-PIG

3. Brasil 247

4. Porra Serra

5. Movimento na Luta pelo Direito

6. Fernando Rodrigues

7. Dilma Rousseff

8. PartidodosTrabalhadores

9. CartaCapital

10. Unidade Feminista PT

Conclusão

Em ambas as redes podemos detectar grupos de semelhança que revelam redes de compartilhamento de conteúdo. No Twitter, pelo perfil de uso da rede e provavelmente pelo seu universo mais restrito, estes grupos são mais bem definidos, com seus atores fortemente conectados entre si. Já no Facebook, as conversações sobre a Presidenta Dilma envolvem um número muito maior de atores. Ao mesmo tempo, a rede de conexão entre estes atores é menos densa.

A análise de modularidade da rede, que permite decompor o cenário em coletivos que se articulam, precisa ser melhor aprofundada. Em um primeiro momento, aparentemente a batalha pelo convencimento dos cidadãos conectados é mais ampla, dispersa e indefinida no Facebook. No Twitter, há “nós” consolidados de embate e seguidores que replicam suas mensagens como se fossem munição em um combate em que o importante é destruir os argumentos do “inimigo”.

Uma característica interessante destas redes complexas é que se pode assistir a emergência “nós pobres” como autoridades instantâneas. Esse fenômeno pode indicar que coisas importantes podem nascer nas periferias das redes. Elas não necessariamente partem de centros privilegiados, antes disso, os próprios centros é que parecem emergir da topografia das redes, das fortes conexões sociais entre seus atores.

Cada vez mais é evidente que as conversações políticas nas redes nem sempre “são voltadas ao entendimento”, nem por isso, deixam de ser importantes para o convencimento e para a construção de imagens sobre o país e sobre quem disputa o poder de Estado.


%d blogueiros gostam disto: