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Ditadura militar: Pai do ministro Alexandre Padilha narra a dor de viver longe do filho

19 de julho de 2012

Anivaldo Padilha, pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Anivaldo Padilha, pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, teve de fugir do País quando a mulher estava grávida e só conheceu o filho oito anos depois. Ele diz que a distância foi a pior das torturas: “É uma dívida que a ditadura tem comigo”, e cobra punição dos torturadores.

Nara Alves, via iG São Paulo

Com voz suave e afável, Anivaldo Padilha narra com precisão como foi amarrado nu a uma cadeira elétrica durante dias consecutivos no presídio Tiradentes – o mesmo em que a presidenta Dilma Rousseff esteve detida – no centro de São Paulo em fevereiro de 1970. Em entrevista ao iG, ele conta como fugiu do Brasil quando sua companheira estava grávida do filho mais velho, o agora ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “As dores da tortura não foram tão fortes nem tão severas quanto as dores de sair nessas circunstâncias”, lembra.

No último dia 22 de maio, mais de 40 anos depois, a União reconheceu oficialmente que errou ao torturar aquele jovem militante da causa cristã e democrática. Por unanimidade, a Comissão de Anistia pediu perdão, declarou a condição de anistiado político a Padilha e o indenizou em R$230 mil. Agora, seu processo foi encaminhado à Comissão da Verdade e ao Ministério Público, para que os responsáveis pelas torturas e pelo seu exílio possam ser julgados.

“É uma dívida que a ditadura tem comigo e com meu filho que jamais vai ser paga porque eu fui privado de ter contato com ele na primeira infância. Só pude conhecê-lo pessoalmente quando ele já estava com oito anos de idade”, afirma emocionado. No exílio, Padilha se casou com uma norte-americana e teve dois filhos, que se correspondiam com o meio-irmão brasileiro por meio de gravações em fitas K7 e desenhos.

Com a Lei da Anistia, em 1979, Padilha voltou ao Brasil e trouxe a nova família, mas sua mulher não se adaptou e retornou aos EUA, abrindo mão da guarda dos dois filhos. Há 15 anos, ele se casou novamente e hoje, aos 72 anos, é pai de uma pré-adolescente. A militância continua a fazer parte da vida de Padilha. Em junho, participou da conferência Rio+20 com um grupo da Igreja Metodista – denominação protestante da qual é membro desde a infância –, Anivaldo Padilha pede mudanças no desenvolvimento econômico. “O atual modelo de desenvolvimento é predador, sem quase nenhuma preocupação sócio-ambiental”, diz.

Padilha considera que ainda há no País uma herança da ditadura militar que permeia o cotidiano de todo cidadão, impedindo que a sociedade dê um ponto final nesse passado precariamente esclarecido. “Precisamos acelerar o processo de redemocratização”, diz. Para isso, defende, são necessárias a revisão da Anistia, a divulgação de documentos, a abertura de arquivos, a Comissão da Verdade e, como espera há décadas, a condenação dos culpados.

Comissão da Verdade pode citar José Maria Marin, presidente da CBF, pela morte de Herzog

9 de julho de 2012

Ivo Herzog, filho de Vlado

Via Portal SRZD

O engenheiro Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, preso e assassinado por órgãos repressivos do governo em outubro de 1975 durante a ditadura militar (1964-1985), afirmou ao SRZD na tarde de sexta-feira, dia 6, que encara a divulgação das fotos do corpo deseu pai como um estímulo à abertura das investigações sobre o caso. Na conversa, apontou também o nome do atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, como um dos responsáveis pelo fim trágico de Herzog.

“Eu acredito sim [na retomada das apurações] porque existe uma ordem judicial de 1978, não cumprida pelo Estado, do juiz Márcio Moraes, ordenando a reabertura das investigações. Ela foi emitida porque já naquela época havia indícios de que um crime havia sido cometido e essas fotos fortalecem esses indícios”, afirmou Ivo Herzog, que também é diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog.

No último dia 26 de junho, o jornalista Juca Kfouri denunciou em seu blog que a presidente Dilma Rousseff recusa se encontrar com Marin pelo fato de ele ter supostamente discursado a favor da prisão de Herzog 16 dias antes da morte do jornalista. O Palácio do Planalto, no entanto, nega os motivos citados por Kfouri. Mesmo já tendo se passado 37 anos da morte de Herzog, Ivo confessou ao SRZD que as investigações da Comissão Nacional da Verdade não serão capazes de reparar a perda do pai, e aproveitou para reforçar a bomba que, recentemente, causou mal-estar nas bases do governo.

“A perda da morte do meu pai é irreparável, mas eu acho que a Comissão Nacional da Verdade pode ajudar a um maior entendimento sobre as circunstâncias e quem foram os personagens envolvidos nela. Alguns deles cumprem altíssimos cargos públicos representando o Brasil no âmbito internacional, pessoas que discursaram politicamente contra a liberdade e a favor de um processo violento contra a democracia”. Questionado sobre o nome do personagem alvo de sua denúncia, Ivo foi curto e direto: “José Maria Marin”.

Sobre o fato de a Comissão da Verdade ter optado pelo sigilo dos depoimentos de agentes da repressão que não quiseram divulgar suas identidades, Ivo declarou não ter uma posição formada.

“Essa é uma questão delicada. Não tenho uma resposta precisa para te dar. Consigo ser solidário que, dentro de uma estratégia jurídica, essas pessoas não estejam expostas no momento do depoimento. Mas acho inaceitável que esses depoimentos sejam mantidos em sigilo ao final das investigações”, enfatizou.

A equipe de reportagem do SRZD entrou em contato com a assessoria de imprensa da CBF e aguarda o posicionamento sobre o caso.


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