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Fala FHC: Como seria o Brasil em mãos tucanas?

30 de agosto de 2012

FHC: Dependência ao Norte!

Saul Leblon, via Carta Maior

Um grande banco de São Paulo reuniu na terça-feira, dia 28, três vigas chamuscadas do incêndio neoliberal que ainda arde no planeta: Clinton, Blair e FHC. Que um banco tenha promovido um megaevento com esses personagens a essa altura do rescaldo diz o bastante sobre a natureza do setor e da ingenuidade dos que acreditam em cooptar o seu “empenho” na travessia para um novo modelo de desenvolvimento. Passemos.

As verdades às vezes escapam das bocas mais inesperadas. Clinton e Blair jogaram a toalha no sarau anacrônico do dinheiro com seus porta-vozes. Coube ao ex-presidente norte-americano sintetizar um reconhecimento explícito: “Olhando de fora, o Brasil está muito bem. Se tivesse de apostar num país, seria o Brasil.”

Isso, repita-se, vindo de um ex-presidente gringo que consolidou a marcha da insensatez financeira em 1999, com a revogação da lei de Glass-Steagall.

Promulgada em junho de 1933, três meses depois da Lei de Emergência Bancária, que marcou a posse de Roosevelt, destinava-se a enquadrar o dinheiro sem lei, cujas estripulias conduziram o mundo à Depressão de 29.

A legislação revogada por Clinton submetia os bancos ao rígido poder regulador do Estado. Legitimado pela crise, Roosevelt rebaixou os banqueiros à condição de concessionários de um serviço sagrado de interesse público: o fornecimento de crédito e o financiamento da produção. Enquanto vigorou, a Glass-Steagall reprimiu o advento do supermercado financeiro, o labirinto de vasos comunicantes dos gigantes financeiros em que bancos comerciais agem como caixa preta de investimento especulativo, com o dinheiro de correntistas.

O democrata que jogou a pá de cal nas salvaguardas do New Deal elogiou o Brasil, quase pedindo desculpas por pisotear o ego ao lado do grande amigo de consensos em Washington e de corridas de emergência ao guichê FMI.

Mas FHC é um intelectual afiado nas adversidades.

A popularidade contagiante do tucano, reflexo, como se sabe, de seu governo, poupa-o da presença física nos palanques do PSDB, preferindo seus pares deixá-lo no anonimato ocioso para a necessária à defesa do legado estratégico da sigla.

É o que tem feito, nem sempre dissimulando certo ressentimento, como na terça-feira, dia 28, mais uma vez.

Falando com desenvoltura sobre um tema, como se sabe, de seu pleno domínio sociológico, ele emparedou Clinton, Hair e tantos quantos atestem a superioridade macroeconômica atual em relação à arquitetura dos anos 90.

Num tartamudear de íngreme compreensão aos não iniciados, o especialista em dependência – acadêmica e programática – criticou a atual liderança dos bancos públicos na expansão do crédito, recado oportuno, diga-se, em se tratando de palestra paga pelo Banco Itaú; levantou a suspeição sobre as mudanças que vem sendo feitas – “sem muito barulho” – na política econômica (“meu medo é que essa falta de preocupação com o rigor fiscal termine por criar problemas para a economia”) e fez ressalvas ao DNA das licitações – que não reconhece, ao contrário de parte da esquerda, como filhas egressas da boa cepa modelada em seu governo.

Ao finalizar, num gesto de deferência ao patrocinador, depois de conceder que a queda dos juros é desejável fuzilou: “houve muita pressão para isso”.

O cuidado tucano com os interesses financeiros nos governos petistas não é novo.

Há exatamente um ano, em 31 de agosto de 2011, quando o governo Dilma, ancorado na correta percepção do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato, então em obscenos 12,5%, o dispositivo midiático-tucano reagiu indignado. A pedra angular da civilização fora removida por mãos imprevidentes e arestosas aos mercados.

O contrafogo midiático rentista perdurou por semanas.

Em 28 de setembro, Fernando Henrique Cardoso deu ordem unida à tropa e sentenciou em declaração ao jornal Valor Econômico: a decisão do BC fora “precipitada”.

Era a senha.

Expoentes menores, mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, credo que inspirou Clinton a deixar as coisas por conta das tesourarias espertas, replicaram a percepção tucana do mundo: “Não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008”, sentenciou, por exemplo o economista de banco Alexandre Schwartzman, indo para o sacrifício em nome da causa.

Na quarta-feira, o BC brasileiro completa um ano de cortes sucessivos na Selic com um esperado novo recuo de meio ponto na taxa, trazendo-a para 7,5% (cerca de 2,5% reais).

Ainda é um patamar elevado num cenário de crise sistêmica, quando EUA e países do euro praticam juros negativos e mesmo assim a economia rasteja.

Uma pergunta nunca suficientemente explorada pela mídia, que professa a mesma fé nas virtudes do laissez-faire, quase grita na mesa: “Onde estaria o Brasil hoje se a condução do país na crise tivesse sido obra dos sábios tucanos?”

As ressalvas feitas por FHC no evento de banqueiros de terça-feira, dia 28, deixam a inquietante pista de que seríamos agora um grande Portugal, ou uma gigantesca Espanha – um superlativo depósito de desemprego, ruína fiscal e sepultura de direitos sociais, com bancos e acionistas solidamente abrigados na sala VIP do Estado mínimo para os pobres.

Em tempos de eleições, quando candidatos de bico longo prometem fazer tudo o que nunca fizeram, a fala de FHC enseja oportuna reflexão.

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Trio neoliberal: FHC, Clinton, Blair e seus trololós

Trio neoliberal: FHC, Clinton, Blair e seus trololós

30 de agosto de 2012

Em suas gestões, eles atolaram seus países na recessão, concluindo seus mandatos com recordes de desemprego e miséria. O que eles podem dizer de útil?

Altamiro Borges em seu blog

Promovido pelo Banco Itaú, ocorreu na terça-feira, dia 28, em São Paulo um seminário que reuniu três ícones do neoliberalismo: o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, o ex-primeiro ministro britânico, Tony Blair, e o ex-presidente FHC. Os três “ex” falaram para um público seleto: cerca de 500 executivos de poderosas multinacionais – “com faturamento acima de US$100 milhões anuais”, segundo a revista IstoÉ Dinheiro. Eles trataram de diversos temas e, lógico, deram suas receitas para enfrentar o conturbado cenário mundial.

Pela lógica, os três “ex” nem deveriam ser convidados para falar sobre a crise capitalista internacional e as suas saídas. Afinal, em suas gestões eles atolaram seus países na recessão, concluindo seus mandatos com recordes de desemprego e miséria – o que explica suas altas taxas de rejeição no eleitorado e suas derrotas nas urnas. O ex-presidente Clinton ainda lançou o império em novas guerras, com o apoio de Tony Blair, o “cachorro sardento”, e de FHC, com a sua política servil do “alinhamento automático” com os EUA.

As contrarreformas do capital

Mas os executivos das poderosas corporações – os badalados CEOs – necessitam de consolo neste momento de graves dificuldades. O capitalismo afunda na crise e eles procuram “fórmulas” para jogar o ônus do desastre nas costas dos trabalhadores. Neste sentido, os conselhos de Clinton, Blair e FHC são pagos a preço de ouro, com o apoio do Itaú. O ex-primeiro ministro britânico até aproveitou sua viagem ao Brasil para fechar contratos de “consultoria de gestão” com os governos do Rio de Janeiro e São Paulo.

Clinton e Blair até elogiaram o governo Dilma – o que não deve ter agradado FHC, em plena campanha eleitoral para salvar a oposição demotucana. “O Brasil tem tido uma história de sucesso e progresso extraordinário”, bajulou o britânico. “Olhando de fora, o Brasil está muito bem. Se tivesse de apostar num país, seria o Brasil”, afirmou Clinton. Mas todos insistiram na defesa de teses neoliberais, as mesmas que afundaram as economias dos EUA e da Europa. O bordão é o da “urgência das reformas” – ou melhor, das contrarreformas neoliberais.

Alckmin contrata, por um ano, o consultor Tony Blair pela quantia de R$12 milhões

27 de agosto de 2012

Alckmin não confia em profissionais brasileiros e contrata Tony Blair.
O velho complexo de vira-lata tucano.

 

É piada de muito mau gosto da tucanalha. O contrato, que terá custos na ordem de R$12 milhões, deve ter duração de um ano.

Via Portal Terra

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinou na segunda-feira, dia 27, um convênio com o Movimento Brasil Competitivo (MBC), para a elaboração de um planejamento estratégico para o Estado. A parceria do MBC com o governo terá a consultoria do escritório do ex-primeiro ministro do Reino Unido, Tony Blair, que disse estar comprometido com os projetos de São Paulo. “A proposta é ajudar a levantar os projetos que serão prioridade para São Paulo no futuro, e nossa equipe vai trabalhar de forma conjunta para ajudar a implementar esses programas”, disse.

Intitulado SP2030 – Construir juntos o futuro de São Paulo – o extenso planejamento prevê a implantação do Programa Modernizando a Gestão Pública (PMGP), do MBC, cuja primeira etapa prevê a implantação do Modelo de Gestão por Resultados, já praticada por outros Estados. O contrato, que terá custos na ordem de R$12 milhões, deve ter duração de um ano.

Alckmin salientou a importância do convênio para a eficácia do desenvolvimento de São Paulo. “Nós já temos um conjunto de estudos, projetos, e vários estudos de planejamento, mas estamos firmando uma parceria muito importante na SP2030, com estudos de planejamento para a eficiência”, explicou.

O planejamento prevê, ainda, a atração de novos investimentos e projetos estruturantes, grupos de discussão com setores da economia do Estado, melhora no portfólio de obras e projetos estruturantes, além de metas para que essas tarefas sejam cumpridas. “E a capacitação de nossos funcionários, para dar sequência a esse trabalho”, disse Alckmin.

O MBC busca, por meio da gestão, a melhora da qualidade de vida da população. “Temos apoiado a gestão pública e trabalhamos para trazer benefícios através do conhecimento da iniciativa privada”, disse o presidente do conselho superior do MBC, Elcio Anibal de Lucca.


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