Posts Tagged ‘Suzana Singer’

Para limpar sua barra, Folha faz “ficha do Dops”

7 de novembro de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

Eu já tinha chamado a atenção aqui, quando comentei a coluna da ombudsman da Folha, Suzana Singer em que, além de chamar Reinaldo Azevedo de “rottweiller”, ela buscava dizer que um novo colunista, Ricardo Mello, em tese iria compensar a “direitização”, por ter um passado “trotskista”.

Seria só uma inconveniência, até porque – registrei naquele texto – o folclórico “Tio Rei” também o tinha.

Fui do Partidão nos anos de 1970. Miriam Leitão, também. Isso significa algo em relação ao que pensamos e dizemos hoje? Alberto Goldman foi dirigente comunista, hoje é serrista. Carlos Lacerda foi da Aliança Libertadora Nacional de Prestes e foi o que sabemos na história brasileira.

Mas a Folha faz questão de publicar a “ficha” de Ricardo Mello, como que para “limpar sua barra” do próprio jornal. Não faz isso com nenhum outro, mas fez agora com ele.

Não creio que isso o incomode, mas é uma espécie de “ato falho” do jornal, talvez diante do que a “aquisição do passe” de Reinaldo Azevedo tenha provocado de inconformismo em outros, como se apontou aqui.

Mas que, em lugar de brigar com o “cachorro grande” que é a Veja, onde se transformam estas figuras em ícones do jornalismo, ficam alimentando o furor destas figuras. E que a Folha não faz diferente, agora.

Mídia golpista: A Folha e a sinceridade desconcertante de sua ombudsman

7 de outubro de 2013
Suzana_Singer02

Suzana Singer está com seus dias contados? A ver.

O jornalismo chapa branca, hoje, se pratica no interior das grandes empresas de jornalismo. Já escrevi sobre isso. Os jornalistas, lá, estão numa gaiola: só podem escrever o que os patrões querem que eles escrevam.

Isso quer dizer o seguinte: eles defendem os interesses particulares das empresas para as quais trabalham. Eles são, portanto, a voz do 1%.

Nunca foi tão claro isso. Compete aos jornalistas produzir, mecanicamente, textos, fotos, legendas, primeiras páginas e demais itens que compõem uma publicação. Mas não pensar. Não ter ideias.

As ideias são exclusividade dos donos. Os jornalistas não podem pensar diferente deles. Ou melhor: podem. Mas não podem transformar isso em reportagens, artigos, entrevistas etc.

Não é um trabalho exatamente excitante. É mais parecido com propaganda do que com jornalismo propriamente: você vende a seu público, como se fosse sabonete, os interesses de um pequeno grupo que fez o Brasil ser o que é, a terra da desigualdade.

Quanto isso pode durar?

É verdade que a internet abre aos jornalistas uma nova possibilidade – defender coisas que vão além dos interesses do 1%. Mas para quem está engaiolado nas corporações o prolongamento de uma situação em que pensar é proibido pode tornar a situação mais e mais exasperante.

Entendo que isso possa explicar, ao menos em parte, o desabafo franco – e talvez suicida – da ombudsman da Folha, Suzana Singer. Ao comentar a cobertura de uma pesquisa sobre a situação dos brasileiros, ela se referiu ao tradicional “catastrofismo” da Folha.

Os destaques dados pela Folha foram, todos eles, negativos. As más notícias estavam longe de representar o conjunto. Isso significou que foi oferecido ao leitor um quadro distorcido.

O desafio de um editor é ajudar o leitor a entender o mundo. Uma das armas, para isso, é buscar uma visão de floresta sobre as coisas, e não se limitar a uma árvore ou outra.

A Folha fez o oposto. Se conheço a vida numa redação, os editores da reportagem sobre a pesquisa acharam que, pinçando as estatísticas ruins, estavam agradando a seus patrões.

O acúmulo deste tipo de expediente pode ter esgotado a paciência da ombudsman. Catastrofismo é uma acusação séria. É desvio de caráter numa publicação. Não é um problema ocasional. É um drama no dia a dia do jornal e, sobretudo, dos seus leitores.

Outro episódio que tinha me chamado a atenção, na mesma linha, foi uma surpreendente crítica de Ricardo Noblat no site de O Globo a Joaquim Barbosa. Sempre tão obediente à linha de pensamento dos Marinhos, ali Noblat foi para o lado oposto.

Cansaço? Exaustão? Frustração? Alguma preocupação com a posteridade? Problemas de consciência?

Situações extremas não podem perdurar por muito tempo. O jornalismo chapa branca que se faz hoje nas redações brasileiras – um ofício em que você faz pouco mais que beijar as mãos dos donos – é a negação do real jornalismo.

A beleza do jornalismo é dar voz a quem não tem. O jornalismo brasileiro dá voz a quem tem o monopólio da voz.

Uma hora a gaiola fica incômoda demais, por maiores que sejam os salários.

Do Tijolaço a Ombudsman da Folha, em memória de Katharine Graham

6 de agosto de 2013
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Legenda: Katharine Graham, Carl Bernstein, Bob Woodward, Howard Simons e o editor Ben Bradlee.

Fernando Brito, via Tijolaço

Prezada Suzana Singer,

Como este blog foi citado em sua coluna dominical na Folha, tomo a liberdade de oferecer algumas ponderações sobre o que aqui dissemos sobre o jornal onde a senhora trabalha ter criado a figura do “corrupto sem corruptor” e que isto estaria alimentando os “guerrilheiros cibernéticos” em suas críticas.

Eu procurei corrigir sua citação, porque o que dissera, sobre o caso Siemens-Alstom, é que a Folha criara a “corrupção sem corrupto”, pela relutância em ligar os contratos superfaturados com os contratantes do Governo de São Paulo, todos tucanos.

Mas, com a calma que nos permite a passagem de algumas horas, vejo que a resposta que dei, apesar de correta, é incompleta.

A senhora também está correta, porque a Folha parece ter inventado a corrupção sem corruptor, como constava de seu texto. Refiro-me a um tema que, certamente, vai merecer sua crítica interna, honesta e corajosa como é.

Falo do caso da sonegação de impostos pela Globopar, holding das Organizações Globo. A sonegação e o valor de seu sancionamento pela Receita são fatos, tanto que a Folha, embora com atraso de uma semana, os publicou.

Depois, também com imenso retardo, também veiculou a condenação de Cristina Maris Meinick Ribeiro pelo sumiço criminoso do processo global. Outro fato, não ilação.

Ora, até as pedras sabem que a dona Cristina não terá surrupiado um processo de R$615 milhões para usar aquele cartapácio como calço para algum armário perneta, não é?

A partir de dois fatos, cuja conexão é mais que evidente, por que o jornal – que dispõe de uma numerosa e competente equipe de repórteres – não apurou?

Por que os promotores do caso não foram ouvidos para explicar por que não houve a quebra do sigilo fiscal e telefônico de dona Cristina?

Por que a Globo, ao contrário das demais empresas envolvidas, não foi investigada, até porque, apensada ao processo de sonegação, desapareceu com ele uma representação para fins penais?

Nada isso está coberto por sigilo fiscal, faz parte de um processo criminal, público.

Quanto ao que estaria coberto por tal sigilo – e sigilo, pela lei, não cobre atos de crime contra o Fisco – permita que lhe recorde uma história que, ontem, a venda do The Washington Post – comprado na bacia das almas pelo dono da Amazon, num marco simbólico como poucos da decadência e morte da mídia impressa – inevitavelmente evoca.

Dois repórteres só revelaram o maior escândalo da política norte-americana porque tiveram o apoio corajoso de um editor, Ben Bradlee, e a decisão firme da dona do jornal, Katharine Graham, de “bancar” o que os jornalistas apuravam.

Como certamente sabe, Graham não era uma intelectual, apesar de formada em jornalismo. Teve uma vida de dona de casa até o suicídio do marido, Philip Graham, que administrava o jornal da família. No comando do jornal, passou a apoiar seus editores e repórteres.

Em 1971, antes de Watergate, portanto, o jornal foi impedido pela Justiça de publicar os papéis secretos do Pentágono sobre a Guerra do Vietnã.

Graham contou o que fez:

“Engoli em seco e mandei ir adiante, vamos publicar.”

O The Washington Post foi processado por isso. Mas o jornal – e a liberdade de imprensa – venceu na Suprema Corte norte-americana, porque o interesse público, sim, este é o sagrado.

Com o devido respeito e certo de sua concordância, o papel do jornalista não é publicar press-releases ou decisões judiciais já tomadas. É, diante de indícios, ousadamente investigar e publicar o que disso resulta.

É certo que não desonra qualquer profissional ser “furado”. É da profissão, ainda mais nestes tempos em que cada cidadão, graças à internet, pode revelar publicamente aquilo que chega a seu conhecimento.

Mas, igualmente nisso confio que seja o seu pensar, não investigar o que vem a público e é interesse público – tal como são R$615 milhões e um crime de supressão de processo fiscal – é omissão, para dizer o mínimo.

dona Cristina Maris Meinick Ribeiro tornou-se, assim, a corrupta sem corruptor, dando razão a sua observação sobre o parco talento da frase atribuída deste blog.

Que não foi essa, mas bem que poderia ter sido.

Como, quem sabe, um dia tenhamos um Katharine Graham no jornalismo brasileiro.

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Ombudsman: Folha errou ao omitir PSDB no caso Siemens

6 de agosto de 2013

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Via Brasil 247

A jornalista Suzana Singer, ombudsman da Folha, afirma que o noticiário do jornal sobre o caso Siemens teria sido mais equilibrado se tivesse citado que o escândalo dos trilhos do Metrô, denunciado pela multinacional alemã, se deu em governos tucanos. Embora cautelosa, Suzana admite que o jornal errou ao preservar o PSDB em seu noticiário sobre o escândalo Siemens nas obras do Metrô. Leia abaixo a autocrítica:

Na trilha do cartel

No caso Siemens, jornal errou ao preservar, no início, o PSDB, mas acertou ao não propagar acusações sem provas.

Há duas semanas, a Folha vem sendo alvo de uma “guerrilha verbal” na internet, para usar uma expressão que o jornal cunhou no editorial “Mitos das redes sociais”, do domingo passado.

O objetivo dos “guerrilheiros cibernéticos” é levar a Folha a publicar denúncias sobre o envolvimento de políticos tucanos no cartel formado em licitações de trem e Metrô de São Paulo.

As armas dessa guerrilha são a divulgação de reportagens da “IstoÉ”, posts em blogs governistas e correntes no Facebook acusando o jornal de “blindar o PSDB”.

Para saber se a causa dessa militância é justa, é preciso separar opinião e fato. Foi a Folha quem primeiro divulgou que a multinacional Siemens fechou um acordo com as autoridades antitruste brasileiras para delatar a existência do cartel, do qual ela própria fazia parte.

Em 14 de julho, o assunto ocupou a manchete. A reportagem informava que o cartel funcionou em ao menos seis licitações, mas alertava que “não se sabe ao certo o tamanho real, o alcance, o período em que atuou e o prejuízo causado”.

Dez dias depois, a IstoÉ estampou “O propinoduto do tucanato paulista”, com uma reportagem que retomava o depoimento, de 2008, de um ex-funcionário da Siemens. O denunciante, anônimo, tinha planilhas que comprovariam a formação de cartel e o repasse de dinheiro para offshores de lobistas.

Embora a revista tenha rasgado duas fotos de Geraldo Alckmin e José Serra, o texto não trazia evidência de envolvimento dos governadores nem de pagamento de propina. Havia apenas o ex-funcionário falando de subornos a políticos, “na maioria tucanos”, e a diretores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Esse mesmo depoimento tinha sido publicado em 2009 pela CartaCapital, mas, na época, não teve maior repercussão.

Segundo a Secretaria de Redação, a Folha não recuperou a informação publicada pela revista porque o denunciante se recusou a falar sobre o caso para o jornal.

No final da semana passada, a IstoÉ voltou à carga, desta vez tentando quantificar o tamanho do prejuízo causado pelo superfaturamento de trens e Metrô. A fonte eram “pessoas ligadas à investigação”, que corre no Ministério Público de São Paulo e no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A conclusão era que os cofres paulistas perderam R$425 milhões.

A Folha “respondeu” com uma reportagem em que afirmava que o “cálculo do que foi superavaliado depende de levantamento de contratos assinados pela CPTM e pelo Metrô”, o que ainda não foi feito.

O jornal, acertadamente, evitou repercutir o que não era apuração própria, mas cometeu um erro: as duas reportagens publicadas até então não mencionavam que partido estava no governo quando o cartel atuava.

O quadro publicado junto aos textos listava várias licitações sob suspeita sem mencionar que elas ocorreram em gestões tucanas –entre a “prática criminosa que trafegou sem restrições pelas administrações Covas, Serra e Alckmin” (IstoÉ) e a assepsia do noticiário da Folha, era possível deixar o noticiário mais informativo e equilibrado.

Folha noticia caso do superfaturamento do Metrô de São Paulo […] e não cita o nome de ninguém do governo tucano. Nunca vi nada igual!! Rabo preso com o PSDB??”, tuitou, na segunda-feira, o deputado federal Ricardo Berzoini (PT/SP). O blog Tijolaço lançou outra frase de efeito para ser repassada pelos “guerrilheiros”: a Folha inventou a corrupção sem corruptor.

A manchete de anteontem – “Governo paulista deu aval a cartel do Metrô, diz Siemens” – silenciou boa parte dos críticos. Pela primeira vez, o nome de um tucano (Mário Covas) apareceu em destaque no jornal.

A reportagem, baseada em documento apresentado pela Siemens ao Cade, dizia que o governo de São Paulo é acusado de ter dado aval para a formação do cartel e que esse conluio teria perdurado durante as administrações Alckmin e Serra.

Foi dado espaço ao “outro lado” e tomou-se o cuidado de não partir para conclusões precipitadas, como fez a “guerrilha cibernética”, interessada em divulgar, com estridência, acusações não fundamentadas.

Como lembrou o colunista Elio Gaspari, o fato de uma empresa do tamanho da Siemens estar disposta a colaborar cria uma oportunidade ímpar de “expor o metabolismo das roubalheiras nacionais”.

O jornal não pode perder essa chance. Só que sem timidez nem açodamento.

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A Folha de S.Paulo vai mudar o nome para “Erramos”

3 de abril de 2013

Folha_Logo05_ErramosNo domingo, dia 31/3, a ombudsman da Folha de S.Paulo Suzana Singer revelou que cada edição diária do jornal traz, em média, 99 erros de informação. Mas podem ser até mais. Ela salienta que apenas 3% dos erros cometidos são corrigidos e informados para o leitor. Agora que o Dudu tá lendo, ele perceberá que a Folha ainda comete erros primários de checagem e informação.

99 erros: Estudo mostra que cada página da Folha traz duas informações incorretas; só 3% dos erros são corrigidos

Não era Leonardo Medeiros, era Leonardo Moreira. César Maia nunca foi governador do Rio. O investimento para a Expo-2020 é de R$24 bilhões, e não de R$24 milhões. O Parque Ibirapuera é cem vezes maior do que se disse.

Quem lê a Folha está habituado a encontrar correções como essas, publicadas nas últimas semanas. Diariamente, saem três ou quatro “erramos”, ao pé do “Painel do Leitor”, mas, sabemos bem, isso é apenas a ponta do iceberg.

Para descobrir o tamanho da montanha diária de erros, a Folha reuniu uma equipe que refez a apuração de todos os textos publicados em três edições do ano passado.

Os jornalistas conversaram com entrevistados, consultaram dados de sites oficiais, revisaram traduções, refizeram contas e até assistiram a partidas de futebol para conferir as descrições em “Esporte”.

Como o foco eram os erros de informação, foram ignorados os problemas de português e de padronização. Resultado: a Folha publica 99 informações erradas por edição. Dá, em média, dois erros por página editorial (sem anúncio).

Por ser trabalhoso e caro, o estudo, apelidado internamente de “autópsia de uma edição”, só havia sido feito uma vez, entre 1997 e 1998. Naquela época, foram encontrados 105 erros por edição. Em 15 anos, pouca coisa mudou. Uma queda de 6% não é motivo de comemoração, já que hoje, com a internet, é mais fácil checar dados.

A maior parcela dos erros, no passado e agora, está nos “serviços”: roteiro de cinema, programação de tevê, preços de passagem aérea etc. É o que mais irrita o leitor, porque o faz perder tempo.

Na quinta-feira passada [28/3], quem consultou o “Acontece” e tentou ligar para o Cine Segall ouviu uma gravação avisando que o número mudou. Quem foi ao cinema no Shopping JK Iguatemi pagou pelo ingresso mais do que estava no jornal.

Uma checagem mais rígida diminuiria esses erros, mas parte da responsabilidade pelas informações desatualizadas é dos próprios cinemas, que mudam a programação depois que as edições da “Ilustrada” e do “Guia” estão concluídas.

Grafia de nomes, confusão entre números e problemas de edição são outros mananciais de erros que poderiam ser combatidos com apuração e revisão mais cuidadosas.

Cabe ao jornal estabelecer metas de diminuição de erros, mas não adianta sonhar com o “erro zero”, porque a quantidade de informação publicada é enorme. Uma edição de quarta-feira da Folha tem praticamente o mesmo número de caracteres que Os Lusíadas. Aos domingos, a Redação produz 30% a mais que a obra de Luís de Camões.

Se não há perfeição, a transparência na correção é a garantia de qualidade do produto. O estudo mostra que, em média, os “erramos” correspondem a apenas 3% dos erros cometidos.

É preciso estimular os leitores e as fontes de informação a apontar incorreções e, assim que forem detectadas, corrigi-las sem eufemismo. Dos grandes órgãos de comunicação do País, a Folha é o que mais se corrige, o que é sinal de saúde, não de doença. Como notou Arthur Brisbane, ex-ombudsman do New York Times, “por mais paradoxal que pareça, quanto mais correções você vir no jornal, melhor”.


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