Posts Tagged ‘Suicídio’

Suicídio de Aaron Swartz reabre debate sobre ativismo digital

21 de janeiro de 2013

Aaron_Swartz02

Via EduFuturo

O suicídio do ativista digital Aaron Swartz (foto), de 26 anos, encontrado enforcado em seu apartamento em Nova Iorque (EUA) na sexta-feira, dia 18, reacendeu o debate sobre a punição de crimes cometidos pela internet.

Swartz ajudou a desenvolver a rede social Reddit e o Creative Commons – licença que libera conteúdos sem a cobrança de direitos por parte dos autores – e, aos 14 anos, participou da criação do RSS, mecanismo que avisa sobre atualizações de sites.

Em 2011, a polícia descobriu que o ativista havia acessado ilegalmente milhões de artigos acadêmicos da base de dados JSTOR, que exige assinatura, por meio de um computador secretamente instalado no MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Embora alegasse que sua intenção não era obter lucro com os artigos, mas sim colocá-los gratuitamente à disposição do público, Swartz foi processado e estava sujeito a até 35 anos de prisão e multa de cerca de R$2,03 milhões.

“O governo usou contra um gênio de 26 anos as mesmas leis que aplica a quem assalta bancos pela internet”, disse o especialista Chris Soghoian.

O presidente do MIT, Rafael Reid, disse que nomeou um professor para investigar o papel da universidade no caso e na morte de Swartz.

A família do ativista acusou a Justiça de ser “repleta de intimidação e exagero”. Hackers invadiram o site do MIT, que fez a denúncia, e acadêmicos homenagearam Swartz divulgando links para download gratuito dos seus artigos.

Leia também:

Uma reflexão sobre a morte de Aaron Swartz, de Rafa Zanatta, do Blog E-mancipação

Emir Sader: O suicídio da imprensa brasileira

9 de janeiro de 2013

Jornais_FotoEmir Sader, via Carta Maior

A imprensa brasileira está sob risco de desaparição e, de imediato, de sua redução à intranscendência, como caminho para sua desaparição.

Mas, ao contrário do que ela costuma afirmar, os riscos não vêm de fora – de governos “autoritários” e/ou da concorrência da internet. Este segundo aspecto concorre para sua decadência, mas a razão fundamental é o desprestígio da imprensa, pelos caminhos que ela foi tomando nas últimas décadas.

No caso do Brasil, depois de ter pregado o golpe militar e apoiado a ditadura, a imprensa desembocou na campanha por Collor e no apoio a seu governo, até que foi levada a aderir ao movimento popular de sua derrubada.

O partido da imprensa – como ela mesma se definiu na boca de uma executiva da Folha de S.Paulo – encontrou em FHC o dirigente político que casava com os valores da mídia: supostamente preparado pela sua formação – reforçando a ideia de que o governo deve ser exercido pela elite –, assumiu no Brasil o programa neoliberal que já se propagava na América Latina e no mundo.

Venderam esse pacote importado, da centralidade do mercado, como a “modernização”, contra o supostamente superado papel do Estado. Era a chegada por aqui do “modo de vida norte-americano”, que nos chegaria sob os efeitos do “choque de capitalismo”, que o País necessitaria.

O governo FHC, que viria para instaurar uma nova era no Brasil, fracassou e foi derrotado, sem pena, nem glória, abrindo caminho para o que a velha imprensa mais temia: um governo popular, dirigido por um ex-líder sindical, em nome da esquerda.

A partir desse momento se produziu o desencontro mais profundo entre a velha imprensa e o País real. Tiveram esperança no fracasso do Lula, via suposta incapacidade para governar, se lançaram a um ataque frontal em 2005, quando viram que o governo se afirmava e, finalmente, tiveram de se render ao sucesso de Lula, sua reeleição, a eleição de Dilma e, resignadamente, aceitar a reeleição desta.

Em vez de tentar entender as razoes desse novo fenômeno, que mudou a face social do País, o rejeitou, primeiro como se fosse falso, depois como se se assentasse na ação indevida e corruptora do Estado. A velha mídia se associou diretamente com o bloco tucano-demista até que, se dando conta, angustiada, da fragilidade desse bloco, assumiu diretamente o papel de partido opositor, de que aqueles partidos passaram a ser agregados.

A velha mídia brasileira passou a trilhar o caminho de seu suicídio. Decidiu não apenas não entender as transformações que o Brasil passou a viver, como se opor a elas de maneira frontal, movida por um instinto de classe que a identificou com o de mais retrógrado o País tem: racismo, discriminação, calúnia e elitismo.

Não há mais nenhuma diferença entre as posições da mídia – a mesma nos principais órgãos – e os partidos opositores. A mídia fez campanha aberta para os candidatos à Presidência do bloco tucano-demista e faz oposição cerrada, cotidiana, sistemática, aos governos do Lula e da Dilma.

Tem sido a condutora das campanhas de denúncia de supostos casos de corrupção, tem como pauta diária a suposta ineficiência do Estado – como os dois eixos da campanha partidária da mídia.

Certamente a internet é um fator que acelera a crise terminal da velha mídia. Sua lentidão e o fato de os jovens não lerem mais a imprensa escrita favorecem essa decadência.

Mas a razão principal é o suicídio político da velha mídia, tornando-se a liderança opositora no País, editorializando suas publicações do começo ao final, sendo totalmente antidemocráticas na falta de pluralismo sequer nas páginas de opinião, assumindo um tom golpista histórico na direita brasileira.

Caminha assim inexoravelmente para sua intranscendência definitiva. Faz campanha, em coro, contra o governo da Dilma e contra o Lula, mas estes têm apoio próximo aos 80%, enquanto irrisórias cifras expressam os setores que assimilam as posições da mídia.

Uma pena, porque a imprensa chegou a ter, em certos momentos, papel democrático, com certo grau de pluralidade na história do País. Agora, reduzida a um simulacro de “imprensa livre”, ancorada no monopólio de algumas famílias decadentes, caminha para seu final como imprensa, sob o impacto da falta de credibilidade total. Uma morte anunciada e merecida.

Kaiowá Guarani e o silêncio ensurdecedor

25 de outubro de 2012

Já em 1999, CartaCapital denunciava os suicídios.

Cadu Amaral em seu blog

Que o problema fundiário é histórico, gritante e extremado em suas relações todos sabemos. Não precisa dominar geografia para perceber que o latifúndio domina a divisão das terras brasileiras e que trabalhadores rurais e indígenas há tempos travam lutas pela sobrevivência contra o Estado brasileiro. Luta contra o Estado, não governo. Apesar de que em muitos governos sequer existir o diálogo.

O fato mais recente que tem chamado a atenção nas redes sociais foi o manifesto contendo anúncio de suicídio coletivo de 170 índios Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul, na cidade de Iguatemi, por conta de uma decisão judicial da Justiça Federal expulsando-os das terras em que viviam.

“Não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui, na margem do rio, quanto longe daqui. Concluímos que vamos morrer todos. Estamos sem assistência, isolados, cercados de pistoleiros, e resistimos até hoje. Comemos uma vez por dia.”

Desde os anos de 1980 que essa tribo comete suicídios coletivos como forma de livrar-se de maus tratos. Fazendeiros desde sempre que os tratam à bala e suas mulheres foram prostituídas e muitos viveram como mendigos. O total de suicídios até hoje é de 863 índios, entre eles crianças.

O índice de mortes na reserva de Dourados, local onde vivem os Kaiowá Guarani, é maior que no Iraque, segundo o Conselho Indigenista Missionário, são 145 habitantes para cada 100 mil. No Iraque, esse índice é de 93 pessoas para cada 100 mil.

O silêncio da grande imprensa é ensurdecedor. Sempre quando conflitos oriundos de questões estruturais como a questão fundiária no Brasil precisam estar à tona, a mídia se cala finge que nada acontece. A não ser quando tem caminhada às cidades dos movimentos de luta pela terra, onde o trânsito fica congestionado ou alguma ocupação de prédio público. Tudo com o viés de criminalizar trabalhadores e indígenas.

Outro mal que o silêncio da grande imprensa provoca é a confusão sobre os fatos. Muita gente compartilhou nas redes sociais que o suicídio coletivo era culpa da Presidenta Dilma. A decisão da retirada dos Kaiowá Guarani das terras foi da Justiça Federal e não do governo federal.

É claro que a crítica ao tratamento dispensado aos povos indígenas no Brasil é aquém do que deveria. Mesmo podendo afirmar que ocorreram melhoras nos últimos anos, mas ainda bastante insipiente.

O trato é deplorável desde a chegada dos europeus por aqui. Infelizmente.

O governo federal pode até não ter responsabilidade direta neste suicídio coletivo de 170 pessoas, mas pode intervir para que ele não aconteça. Deve intervir para que ele não aconteça.

Já passou da hora para o Estado brasileiro parar de atender as vontades das elites e se voltar de uma vez para os que realmente precisam.

E tem gente que acha que não existe luta de classes.

Abaixo assista o comentário de Bob Fernandes à TV Gazeta de São Paulo. Os dados dessa postagem foram retirados dele.

Leia também:

Gilmar Mendes suspendeu decreto que dava posse de terras aos índios Guarani Kaiowá

Nem possível suicídio convence juízes a soltar Cachoeira

6 de julho de 2012

Desta vez, defesa alegou risco de “auto-extermínio” para tentar conseguir a liberdade do bicheiro. O desembargador Souza e Ávila, relator do pedido, afirmou que Cachoeira pode fazer tratamento psicológico na Papuda e a decisão foi unânime. Até agora, Márcio Thomaz Bastos, que recebe R$15 milhões de procedência duvidosa, perdeu todas.

Via Brasil 247

Há 130 dias preso, Carlinhos Cachoeira sofre mais uma derrota nos tribunais na tarde de quarta-feira, dia 4, a 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidiu, por unanimidade, manter a prisão do contraventor pela Operação Saint-Michel.

Há 15 dias, a mesma corte também optou pela manutenção da prisão. À época, Cachoeira tinha conseguido a liberação pela Operação Monte Carlo, que foi suspensa no mesmo dia 21 de junho.

Para o habeas corpus julgado na quarta-feira, dia 4,, a defesa alegou que o contraventor está deprimido e corre risco de cometer suicídio. Para tentar convencer os magistrados, foi apresentado um relatório médico afirmando que o bicheiro apresenta “humor deprimido, ansiedade, irritabilidade, anedonia [falta de interesse por praticar atividades], abulia [incapacidade de tomar decisões], rebaixamento do apetite, insônia inicial e terminal, dificuldade de concentração, acentuada ideação persecutória, presença de hostilidade, mágoas e insatisfação nas relações interpessoais mais próximas, além de perceptível alteração comportamental no que se refere às relações dentro da instituição”.

Para o relator do habeas corpus, desembargador Souza e Ávila, se Cachoeira está deprimido pode fazer tratamento psicológico na Papuda. Para o Ministério Público, o estado é comum a quase todos os presos, tanto da Papuda quanto de outras penitenciárias.

Cachoeira está preso por dois pedidos. O primeiro diz respeito a Operação Monte Carlo, deflagrada no dia 29 de fevereiro. O outro pedido é da Justiça do Distrito Federa e está relacionado à Operação Saint-Michel.

Suicídios nas tropas norte-americanas já superam mortes em combate no Afeganistão

19 de junho de 2012

“Polícia do mundo”: Alguns soldados urinam em cadáveres e outros se suicidam.

Na comparação com 2010, número de oficiais que se mataram subiu 25%.

Via Opera Mundi

Em mais de 150 dias, foram reportados 154 suicídios. O número de soldados norte-americanos que morreram por esta causa desde o início deste ano já ultrapassa o número de tropas mortas em combate na guerra do Afeganistão em 2012, confirmam números oficiais disponibilizados pelo Departamento da Defesa dos EUA. Em média, entre janeiro e junho de 2012, o Exército norte-americano perdeu uma pessoa por dia.

No mesmo período, o número de tropas que morreram no Afeganistão foi de menos de 50%, o equivalente a 139, segundo o site icasualties.org, que reúne a contabilidade das mortes em combate.

A taxa de suicídio de tropas se encontra agora num nível histórico diante dos valores do período homólogo de 2011. Trata-se de uma elevação de 25% quando comparada com 2010. Nunca, na última década em que os Estados Unidos estiveram envolvidos em duas guerras (no Iraque e Afeganistão), o ritmo de suicídios entre militares foi tão elevado.

O Departamento de Defesa manifestou extrema preocupação com a tendência de subida do número de suicídios, que é verificado desde 2006 e atinge picos em 2009 e agora. Antes de ter sido feita a contagem do primeiro semestre do ano, o próprio secretário de Defesa, Leon Panetta, tinha alertado as chefias sobre a questão, escrevendo numa nota interna na qual admite que “o suicídio de militares é um dos problemas mais complexos e urgentes” das forças militares norte-americanas.

Exército combate estigma

“É preciso continuar a trabalhar para eliminar o estigma de quem sofre de estresse pós-traumático ou outros problemas mentais para que esses indivíduos procurem ajuda especializada”, dizia o documento, citado pela Associated Press.

Panetta escreveu ainda que os comandantes têm uma responsabilidade adicional e “não podem tolerar qualquer ação que leve ao menosprezo, à humilhação ou à ostracização de qualquer indivíduo, principalmente daqueles que necessitem de tratamento”.

Num esforço para gerir os problemas individuais e sociais provocados pelo esforço de guerra da última década o Exército norte-americano lançou programas de saúde mental, de prevenção do abuso de álcool e drogas, assim como de aconselhamento jurídico e financeiro para os soldados e as suas famílias. Além do aumento dos suicídios, verifica-se também uma subida nos casos de toxicodependência, de violência sexual e doméstica e de outros crimes praticados por soldados.

Como comentava o diretor-executivo da associação de Soldados Veteranos da América e do Afeganistão, Paul Rieckhoff, o número de suicídios entre militares no ativo é apenas “a ponta visível do iceberg”. Um inquérito conduzido junto aos 160 mil membros da sua organização revelava que 37% conhecia alguém que havia se matado.

As causas para o problema estão identificadas. Os estudos realizados pelo Pentágono demonstram que os anos de deslocamentos sucessivos para a guerra elevam a probabilidade de os soldados desenvolverem um quadro de estresse pós-traumático. Especialistas dizem que a situação econômica dos EUA também poderá estar contribuindo para o aumento da angústia e do desespero das tropas norte-americanas e respectivas famílias.


%d blogueiros gostam disto: