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Ipea: Ritmo de queda da desigualdade pode levar Brasil ao patamar dos EUA em 8 anos

31 de dezembro de 2013

Bolsa_Familia22_Livro. Demétrio Weber

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Sergei Soares disse que a desigualdade econômica no Brasil cairá para um patamar semelhante à dos Estados Unidos, em oito anos, e à do Canadá, em 20 anos, caso o país mantenha o ritmo de desconcentração de renda registrado na última década.

Ele apresentou os dados durante seminário de comemoração pelos dez anos do Bolsa Família, que contou também com o lançamento do livro Programa Bolsa Família — Uma década de inclusão e cidadania.

Segundo Sergei, a diminuição da desigualdade até o patamar dos EUA, caso ocorra, não será o mesmo que desfrutar do padrão de vida dos norte-americanos, já que a desigualdade diz respeito à distribuição da riqueza e não à renda per capita.

O presidente do Ipea, Marcelo Neri, lembrou que os EUA têm experimentado movimento inverso ao do Brasil, com aumento da desigualdade entre pobres e ricos. Neri lembrou ainda que os 10% mais pobres da população brasileira tiveram ganho real de 120% na renda, entre 2001 e 2012:

“É uma estatística para chinês ficar com inveja. Não de nós, mas dos pobres brasileiros”, disse Neri, que é também ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência.

OsAntiPira: Desigualdade de renda cai em 80% dos municípios do Brasil em uma década

29 de dezembro de 2013

Entre 2000 e 2010, rendimento dos 20% mais pobres cresceu mais rapidamente do que o dos 10% mais ricos em quatro de cada cinco cidades do País; nos dez anos anteriores, a desigualdade medida pelo índice de Gini havia crescido em 58% das cidades

José Roberto de Toledo e Amanda Rossi, via Estadão on-line

De 2000 a 2010 aconteceu algo inédito no Brasil: em 80% dos municípios, a desigualdade de renda entre seus habitantes diminuiu. O fato é ainda mais relevante porque reverteu uma tendência histórica. Na década anterior, a desigualdade medida pelo índice de Gini aumentara em 58% das cidades Brasileiras.

A maior queda da desigualdade aconteceu numa cidadezinha do interior de São Paulo. No extremo oeste, perto de Presidente Prudente, Emilianópolis viu seu índice de Gini cair pela metade, de 0,76 para 0,38 em 2010. A escala varia de zero a 1. Se os 3 mil emilianopolenses ganhassem igual, o índice seria 0. Se um deles concentrasse toda a renda da cidade, o Gini seria 1.

Emilianópolis é um bom exemplo, uma vez que as condições em que se deu a redução da desigualdade são representativas do que aconteceu em outros 4.431 municípios Brasileiros. O Gini da cidade crescera nos anos 1990, de 0,43 para 0,76. A reversão na década seguinte ocorreu com o enriquecimento da população em geral: a renda do emilianopolense foi de R$373 para R$585.

Na maior parte do Brasil foi igual. De 2000 a 2010, o rendimento domiciliar per capita cresceu 63% acima da inflação, na média dos 5.565 municípios. Foi um enriquecimento mais intenso do que nos dez anos anteriores, quando o ganho havia sido de 51%.

Isso é importante porque uma forma perversa de reduzir a desigualdade é via empobrecimento geral. Se os ricos perdem mais do que os pobres, a desigualdade também cai. Foi o que aconteceu em grande parte do Brasil nos anos 1980, por causa da recessão.

Nos dez anos seguintes, o alto desemprego comprometeu o salário dos trabalhadores e a renda voltou a se concentrar no topo da pirâmide. O índice de Gini do País cresceu, e a desigualdade aumentou em 58% dos municípios Brasileiros.

Partilha do bolo

É o oposto do que aconteceu em 80% dos municípios do Brasil na década passada. Nos anos 2000, houve redistribuição da renda simultânea ao crescimento. O bolo aumentou para todos, mas a fatia dos pobres cresceu mais, em comparação à dos ricos.

Em quase todo lugar, os ricos não ficaram mais pobres. Ao contrário. Mesmo descontando-se a inflação, o rendimento médio dos 10% mais ricos de cada município cresceu 60%, na média de todos os municípios ao longo da década passada.

A desigualdade caiu porque a renda dos 20% mais pobres de cada município cresceu quase quatro vezes mais rápido do que a dos 10% mais ricos: 217%, na média. A distância que separava o topo da base da pirâmide caiu quase um terço. Ainda é absurdamente grande, mas o movimento está no sentido correto na imensa maioria dos municípios: o da diminuição.

Em 2000, a renda dos 20% mais pobres de cada um dos municípios era, na média, de R$58 por pessoa. Os 10% mais ricos ganhavam, também na média municipal, R$1.484. A diferença era, portanto, de 26 vezes. Em 2010, a renda dos 20% de baixo chegou a R$103, enquanto a dos 10% de cima ia a R$1.894. Ou seja, os mais ricos ganham, em média, 18 vezes mais.

Riqueza e pobreza não são conceitos absolutos, mas relativos. Em Emilianópolis, para estar nos 10% do topo da pirâmide de renda, o morador precisa ganhar pelo menos R$1.005 por mês. Mas, com essa renda, ele não estaria nem entre os 40% mais ricos de Porto Alegre, Santos, Curitiba e outros dez municípios Brasileiros.

Já para estar entre os 20% mais pobres de sua cidade, basta a um emilianopolense ganhar menos do que R$250 por mês. Mas se ele morasse em Marajá do Sena, no Maranhão, e ganhasse os mesmos R$250, seria elite: estaria entre os 10% mais ricos da cidade. Apesar do nome, Marajá é o município mais pobre do Brasil.

A redução da desigualdade não foi total. Em 16% dos municípios, a distribuição de renda piorou. Principalmente no Norte do Brasil. O maior aumento aconteceu em Abreulândia, no Tocantins. As duas cidades de maior desigualdade entre seus moradores, Itamarati e São Gabriel da Cachoeira, ficam no Amazonas.

Trabalho e Bolsa Família

O aumento da renda obtida no trabalho é o protagonista da queda da desigualdade nos municípios entre 2000 e 2010. Ele é responsável por 58% da redução, segundo o presidente do Ipea, Marcelo Neri. Outros 13% podem ser atribuídos ao Bolsa Família. Os números foram calculados em pesquisa da instituição.

Em outras palavras, o Bolsa Família leva o “Oscar de coadjuvante”, brinca o pesquisador. Mas é um coadjuvante de peso. Sem as políticas de transferência de renda, “a desigualdade teria caído 36% menos”, afirma o estudo. No figurino do protagonista, estão aumentos reais do salário mínimo e formalização do emprego.

Colaborou Diego Rabatone Oliveira

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Mapa da desigualdade em 2013: 0,7% da população detém 41% da riqueza mundial

18 de outubro de 2013
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A Índia está entre os países de mais baixa renda no mundo, mas a má distribuição do dinheiro é geral.

Nova pesquisa revela que PIB mundial atinge maior valor da história, mas divisão segue extremamente desigual.

Dodô Calixto, via Opera Mundi

Cinco anos depois do início da crise econômica mundial, marcada pela quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, os indicadores financeiros seguem apontando para uma concentração da riqueza ao redor do globo. De acordo com o relatório “Credit Suisse 2013 Wealth Report”, um dos mapeamentos mais completos sobre o assunto divulgados recentemente, 0,7% da população concentra 41% da riqueza mundial.

Em valor acumulado, a riqueza mundial atingiu em 2013 o recorde de todos os tempos: US$241 trilhões. Se este número fosse dividido proporcionalmente pela população mundial, a média da riqueza seria de US$51.600,00 por pessoa. No entanto, não é o que acontece. Confira abaixo o gráfico da projeção de cada país se o PIB fosse dividido pela população:

Desigualdade06_Mapa_Opera_Mundi

A Austrália é o país com a média de riqueza melhor distribuída pela população entre as nações mais ricas do planeta. De acordo com o estudo, os australianos têm média de riqueza nacional de US$219 mil.

Apesar de serem o país mais rico do mundo em termos de Produto Interno Bruto (PIB) e capital produzido, os EUA têm um dos maiores índices de pobreza e desigualdade do mundo. Se dividida, a riqueza dos EUA seria, em média, de mais de US$110 mil. No entanto, é atualmente de apenas US$45 mil – menos da metade.

Entre os países com patrimônio médio de US$25 mil a US$100 mil, se destacam emergentes como Chile, Uruguai, Portugal e Turquia. No Oriente, Arábia Saudita, Malásia e Coreia do Sul. A Líbia é o único país do continente africano neste grupo. A África, aliás, continua com o posto de continente com a menor riqueza acumulada.

Mesmo com o crescimento da riqueza mundial, a desigualdade social continua com índices elevados. Os 10% mais ricos do planos detêm atualmente 86% da riqueza mundial. Destes 0,7% tem posse de 41% da riqueza mundial.

Os pesquisadores da Credit Suisse também fizeram uma projeção sobre o crescimento dos milionários ao redor do mundo nos próximos cinco anos. Polônia e Brasil, com 89% e 84% respectivamente, são os países que mais vão multiplicar seus milionários até 2013. No mesmo período, os Estados Unidos terão um aumento de 41% do número de milionários, o que representa cerca de 18.618 de pessoas com o patrimônio acima de US$1 milhão.

Em meados deste ano, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou um estudo sobre o crescimento da desigualdade social nos países desenvolvidos, como consequência da crise financeira. A organização diz que o número de pobres cresceu entre 2010 e 2011 em 14 das 26 economias desenvolvidas, incluindo EUA, França, Espanha e Dinamarca. Nos mesmos países, houve forte aumento do desemprego de longa duração e a deterioração das condições de trabalho. Atualmente, o número de desempregados no mundo supera os 200 milhões.

Em contrapartida, entre os países do G20, o lucro das empresas aumentou 3,4% entre 2007 e 2012, enquanto os salários subiram apenas 2,2%.

Segundo informações da imprensa europeia, na Alemanha e em Hong Kong, os salários dos presidentes das grandes empresas chegaram a aumentar 25% de 2007 a 2011, chegando a ser de 150 e 190 vezes maiores que o salário médio dos trabalhadores do país. Nos Estados Unidos, essa proporção é de 508 vezes.

Na contramão das grandes potências, a situação econômica e social da América Latina melhorou. Entre 2010 e 2011, 57,1% da população dos países da região estava empregada, um ponto percentual a mais que em 2007, último levantamento antes da crise financeira internacional.

Em alguns países, como Colômbia e Chile, o aumento superou quatro pontos percentuais. Com o aumento do trabalho assalariado, cresceu também a classe média. Na comparação entre 1999 e 2010, a população dentro do grupo social cresceu 15,6% no Brasil e 14,6% no Equador.

No entanto, a OIT destaca que a região ainda enfrenta como desafios a desigualdade social, maior que a média internacional, e o emprego informal. A média da região é de 50%, sendo que em países mais pobres, como Bolívia, Peru e Honduras, supera os 70%. Em todo o mundo, a organização afirma que há mais de 200 milhões de desempregados. A expectativa é que, ao final de 2015, esse número chegue a 208 milhões.

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Leia também:

Vídeo: A desigualdade social nos EUA

Desigualdade caiu 1,89% com FHC e 9,22% com Lula

Vídeo: Breve relato sobre a desigualdade social no planeta

Desigualdade social: 124 pessoas concentram 12,3% do PIB brasileiro

Ipea diz que mais de 1 milhão de pessoas saíram da extrema pobreza em 2012

4 de outubro de 2013

Grafico_Subindo03Carolina Sarres, via Agência Brasil

A desigualdade de renda registrou queda em 2012, apesar de o desempenho da economia ter sido considerado fraco. O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 0,9% no ano passado, enquanto a renda per capita das famílias cresceu, em média, 7,9%.

As famílias mais pobres, em especial, conseguiram evolução na renda maior do que a média, 14%, entre os 10% mais pobres da população. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no estudo Duas Décadas de Desigualdade e Pobreza no Brasil Medidas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgado na terça-feira, dia 1º.

A população extremamente pobre (que vive com menos de US$1 dólar por dia) caiu de 7,6 milhões de pessoas para 6,5 milhões. A população pobre (que vive com entre US$1 e US$2 dólares por dia), de 19,1 milhões de pessoas para 15,7 milhões.

“Três milhões e meio de pessoas saíram da pobreza em 2012 e 1 milhão da extrema pobreza, em um ano em que o PIB cresceu pouco. Para a pobreza, o fundamental é o que acontece na base – cuja renda cresceu a ritmo chinês. O bolo aumentou com mais fermento para os mais pobres, especialmente para os mais pobres dos pobres”, disse o presidente do Ipea, Marcelo Neri.

Os principais indicadores do crescimento dos rendimentos da população são a posse de bens duráveis – como televisão, fogão, telefone, geladeira e máquina de lavar – e o acesso a serviços públicos essenciais – como energia elétrica, coleta de lixo, esgotamento sanitário e acesso à rede de água.

A ampliação da posse de bens e de acesso a serviços se deve, em grande parte, a dois fatores: o aumento da renda do trabalho e o impacto do Bolsa Família. “Nos últimos dez anos, o protagonista da redução da desigualdade é a renda do trabalho, o coadjuvante principal é o Bolsa Família”, diz o estudo. De acordo com o Ipea, de 2002 a 2012, 54,9% da redução da desigualdade foi devido à contribuição da renda do trabalho. O Bolsa Família contribuiu 12,2% para essa queda.

“O Bolsa Família é um custo de oportunidade social, tem mais impacto sobre a desigualdade do que a Previdência”, informou Neri. A Previdência é o terceiro fator que mais contribui para a redução da desigualdade, 11,4% para os que ganham acima do piso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e 9,4% para os que ganham um salário mínimo (R$678,00). Se somados os dois grupos, a Previdência tem impacto superior ao do Bolsa Família.

Combate à pobreza: Brasil é destaque em relatório da ONU

29 de setembro de 2013
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Pobreza extrema despenca nos últimos anos no Brasil.
Fonte: Banco Mundial.

Ações do governo brasileiro nos últimos 10 anos reduziram as desigualdades sociais no País, aponta relatório da ONU

Via Portal Brasil

Lançado em Nova Iorque na segunda-feira, dia 23, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o estudo Investimentos para o Fim da Pobreza aponta que as ações do governo brasileiro nos últimos 10 anos diminuíram as desigualdades sociais no País e permitiram uma forte redução da pobreza e da miséria, sendo um importante exemplo para o resto do mundo.

O Brasil é um dos destaques do relatório da organização internacional Iniciativas para o Desenvolvimento (Development Initiatives, no original, em inglês). Ele reconhece o Programa Bolsa Família como um dos importantes instrumentos utilizados pelo Brasil para diminuir a pobreza em 40%, ampliar o acesso à alimentação a 52% dos domicílios e reduzir a mortalidade infantil. Isto com um baixo custo, de acordo com o estudo.

“O orçamento de R$24 bilhões [do Bolsa Família] representa menos de 1% do orçamento federal de 2013, enquanto o investimento era 0,46% da renda nacional em 2012.”

Brasil e China são reconhecidos no relatório por sua estratégia de investimento social para promover o desenvolvimento sustentável. De acordo com o documento, os recursos governamentais cresceram rapidamente nos dois países, chegando a US$4 mil (cerca de R$9,2 mil) por pessoa no Brasil e a US$1,76 mil (pouco mais de R$4 mil) por pessoa na China.

O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal foi citado como uma iniciativa importante para o sucesso na decisão de investimentos sociais pelo grande volume de informações armazenadas, que permitem uma boa focalização dos programas.

Leia abaixo a tradução de um trecho do relatório sobre os programas brasileiros de combate à fome:

Transferências de renda e a vontade política do Brasil

O Brasil tinha cerca de 11,9 milhões de pessoas abaixo de uma linha de pobreza de US$1,25 por dia em 2009. Sua estratégia de redução da pobreza está assentada sobre reformas políticas e econômicas do passado, com um sistema único articulando diversos programas interligados, entre eles o Bolsa Família (introduzido em 2003), o Brasil Sem Miséria (introduzido em 2011) e o Brasil Carinhoso (introduzido em 2012).

O Bolsa Família, quiçá o mais conhecido, transfere dinheiro diretamente para famílias pobres.

A transferência mínima é de R$70 por mês (cerca de US$35) para famílias sem filhos, mas famílias com filhos recebem mais se atenderem certas exigências, tais como frequência escolar e exames de saúde. Em 2009 o pagamento médio era R$95 (US$47,50).

O Brasil Sem Miséria visa pessoas ainda não atendidas pelo Bolsa Família.

O Brasil Carinhoso amplia o Bolsa Família por atender famílias extremamente pobres com crianças pequenas, assegurando uma renda mínima de R$70, mas com os pagamentos condicionados ao grau de pobreza e não à composição familiar.

Em fevereiro de 2013 a presidenta Dilma Rousseff declarou que a meta de pobreza do governo tinha sido quase alcançada. Cerca de 28 milhões de pessoas foram tiradas da pobreza extrema (com base na linha de pobreza nacional) desde 2003. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada comprovou a eficiência do Bolsa Família, verificando uma redução de 40% das taxas de pobreza (Figura 1) e um aumento de 52% no número de famílias recebendo alimentação suficiente. Acredita-se que o Bolsa Família tenha reduzido a mortalidade dos menores de cinco anos.

O enfoque do Brasil sobre os segmentos mais pobres da sociedade reduziu a desigualdade de renda: o comumente usado coeficiente de Gini caiu de 55,3% em 2002 para 50% em 2011, uma queda bastante rápida.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico observou que sem a redistribuição de renda, a economia do Brasil necessitaria ter crescido com maior rapidez – 4 ou mais pontos percentuais por ano – para conseguir a mesma redução de pobreza.

O crescimento econômico permitiu um aumento dos recursos domésticos – o total despendido por pessoa pelo governo subiu de uma paridade de poder de compra de $2.730 em 2000 para cerca de $4.000 em 2011 – para investimento em programas sociais, estimulando a economia à medida que os pagamentos vão sendo gastos. Cada R$1 investido no Bolsa Família deu um retorno de R$1,44 para o PIB. Embora o programa tenha contribuído para a redução da pobreza em 2004–2009, o mais importante foram a geração de emprego formal através do crescimento econômico e as políticas de fortalecimento do salário mínimo.

A Fundação Getúlio Vargas estima que cerca de 1/6 da redução da pobreza entre 2003 e 2009 pode ser atribuído exclusivamente ao Bolsa Família, e uma mesma proporção a pensões mais altas.

O Bolsa Família tem ainda um baixo custo de operação: seu orçamento de R$24 bilhões (aprox. US$12 bilhões) representou menos de 1% do orçamento federal de 2013, enquanto seu gasto era 0,46% da renda nacional em 2012.

Atualmente, mais de 48 milhões de pessoas, um quarto da população do Brasil, estão registradas em algum programa social do governo.

O Cadastro Único fornece informação detalhada sobre quem é a maioria dos pobres e onde mora. Dados do censo sugerem que até 700 mil famílias, 2,5 milhões de pessoas segundo algumas estimativas, ainda estão na pobreza, embora ainda não oficialmente cadastradas como tal.

Acesse aqui o relatório completo (em inglês).

Desigualdade social: 124 pessoas concentram 12,3% do PIB brasileiro

13 de setembro de 2013
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Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra e a família Marinho, juntos, possuem uma fortuna de R$123,78 bilhões.

Via Correio do Brasil

As 124 pessoas mais ricas do Brasil acumulam um patrimônio equivalente a R$544 bilhões, cerca de 12,3% do PIB, o que ajuda a entender porque o país é considerado um dos mais desiguais do mundo. Estas 124 pessoas integram a última lista de multimilionários divulgada nesta segunda-feira pela revista ‘Forbes’, que inclui todos os brasileiros cuja fortuna supera R$1 bilhão.

O investidor chefe do fundo 3G Capital, Jorge Paulo Lemann, que acaba de adquirir a fabricante de ketchup Heinz e é um grande acionista da cervejaria AB InBev e do Burger King, ficou com o primeiro lugar. A fortuna de Lemann, de 74 anos, chega a R$38,24 bilhões, enquanto o segundo da lista, Joseph Safra, empresário de origem libanesa e dono do banco Safra, tem ativos de R$33,9 bilhões.

A maioria das fortunas corresponde a membros de famílias que dominam as grandes empresas de setores como mídia, bancos, construção e alimentação. No caso da mídia, os números mostram a concentração de poder dos três irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, que detêm o controle da maior empresa de mídia da América Latina e, juntos, formam um patrimônio de R$51,64 bilhões, tornando-a a família mais rica do país. As Organizações Globo foram fundadas em 1925 por Irineu Marinho, avô dos atuais proprietários, mas somente se tornou uma empresa multimilionária a partir da gestão do pai deles, Roberto Marinho, construída durante a ditadura militar no país, ao longo de mais de 20 anos.

Entre os 124 multimilionários brasileiros apenas o cofundador de Facebook, Eduardo Saverin, constituiu seu patrimônio por meio da internet.

O empresário Eike Batista, que chegou a ser o sétimo homem mais rico do mundo e perdeu parte de sua fortuna pela vertiginosa queda do valor das ações de sua companhia petrolífera OGX e do resto das empresas de seu conglomerado EBX, ficou em 52º lugar na lista.

A grande fortuna concentrada por estes milionários comprova a veracidade dos indicadores oficiais que classificam o Brasil como um dos países com maiores disparidades entre ricos e pobres.

O índice de Gini do país foi de 0,501 pontos em 2011, em uma escala de zero a um, na qual os valores mais altos mostram uma disparidade mais profunda entre ricos e pobres.

Cerca de 41,5% das rendas trabalhistas se concentram nas mãos de 10% dos mais ricos, segundo dados do censo de 2010, enquanto metade da população vivia, nesse ano, com uma renda per capita mensal de menos de R$375,00.

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Leia também:

Forbes: A famiglia Marinho tem fortuna de R$52 bilhões

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