Posts Tagged ‘Silêncio’

A Folha, o Sírio e o Civita. Viva o Brasil!

31 de maio de 2013

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No Sírio e na Folha só vaza se a vítima for do lado de cá (Lula, Dilma, José Alencar).

Paulo Henrique Amorim em seu Conversa Afiada

O Conversa Afiada gostaria de aproveitar o grave momento para prestar tributo ao profissionalismo e à generosidade dos funcionários do Hospital Sírio Libanês e da empresa Folha da Manhã (sim, porque a da Tarde fechou…) por ocasião da passagem de Robert(o) Civita.

O Sírio e a Folha tiveram comportamento exemplar. Em respeito à família e para evitar versões desencontradas, constrangedoras e ofensivas, não vazou uma única informação, boato, rumor ou maledicência durante os três meses em que Robert(o) Civita padeceu no Sírio.

A Folha e o Sírio merecem o comovido agradecimento da família e dos leitores, que foram poupados de vexames, falsas informações, partidarismo incontido e solidariedade hipócrita.

O mesmo comportamento exemplar da Folha e do Sírio se observou com a internação e a morte de Ruy Mesquita, do Estadão.

O Conversa Afiada saúda os funcionários da Folha e do Sírio. Com Ruy e Robert(o) eles demonstraram que o Brasil merece um … Viva!

Até que um petista lá se interne.

A morte de Hugo Chavez e a Conmebol

13 de março de 2013

Nicolas_Leoz03A

Leia também:

Os cartolas do futebol e o valor da vida humana

Luis Fernando Verissimo: O grande silêncio

15 de setembro de 2012

Luis Fernando Verissimo

É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Você pode descobrir coisas surpreendentes. Por exemplo: o final abrupto de uma frase de jazz moderno, vocalizado, soava algo como “be-ree-bop”. É daí que vem o nome do novo estilo de tocar jazz, “bop”. O “biribop” foi usado numa música brasileira que falava da influência do novo jazz no samba – “eba biribop”, lembra? – e não demorou para que o “biribop” do samba se transformasse em “biriba” e acabasse sendo o nome do cachorro mascote do Botafogo, segundo alguns um dos maiores responsáveis pela boa fase do time na época – e nome de um jogo de cartas. Hoje quem joga biriba (ainda se joga biriba?) não desconfia que tudo começou nos clubes de Nova Iorque onde alguns músicos faziam uma revolução que não tinha nada a ver com o baralho.

A procura de origens pode levar por caminhos errados, é verdade. Ainda no campo da música: quando a Bossa Nova começou a ser tocada nos Estados Unidos uma das curiosidades dos nativos era o significado do termo “bossa”. Quem procurou num dicionário leu que “bossa” era a protuberância nas costas de um corcunda, não podia estar certo. Aí alguém se lembrou de um LP gravado pelo guitarrista Laurindo de Almeida nos Estados Unidos anos antes, junto com três norte-americanos, uma saxofonista, uma baterista e um contrabaixista, que incluía ritmos brasileiros. E surgiu a teoria que o disco do Laurindo de Almeida teria sido muito ouvido no Brasil e a marcação do baixo nos sambas muito impressionara os músicos locais. Claro, “bossa” era uma corruptela de “bass”, contrabaixo em inglês. Tudo esclarecido. (Não foi a única injustiça que fizeram com o João Gilberto, o verdadeiro criador da batida da bossa. Ainda inventaram que ele roubara o jeito de cantar do Chet Baker.)

Mas tudo isto, acredite ou não, tem a ver com o “mensalão”. Ouvi dizer que a origem do esquema que está sendo condenado no Supremo é uma eleição em Minas que envolveu alguns dos mesmos personagens de agora, só que o partido favorecido foi o PSDB. Se a origem é esta mesmo, ou – como no caso da origem da bossa nova – há um mal-entendido, não sei. Mas não deixa de surpreender a absoluta falta de curiosidade, da grande imprensa inclusive, sobre esta suposta raiz de tudo. Só o que há a respeito é um grande silêncio. O barulho com o esquema precursor mineiro ainda está por vir ou o silêncio continuará até o esquecimento? É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Inclusive porque dá boas histórias.

Até o ministro Joaquim Barbosa se espanta com o descaso da mídia com o mensalão tucano

8 de agosto de 2012

Ele tem pesadelos só de pensar em ter de julgar o mensalão tucano.

Por Altamiro Borges em seu blog

A jornalista Mônica Bergamo publicou hoje [7/8] três notinhas reveladoras na página Ilustrada da Folha:

Olhos abertos

O ministro Joaquim Barbosa, relator do “mensalão do PT” no STF (Supremo Tribunal Federal), segue atento ao “mensalão mineiro”, que envolve líderes do PSDB. Ele pretende deter-se em providências que levem à rápida localização de testemunha considerada chave nas investigações e que tomou chá de sumiço em Minas Gerais.

Pedreira

Barbosa, que defendeu o desmembramento nos dois casos e foi voto vencido, acredita que o risco de prescrição no “mensalão mineiro” é até maior do que havia no “mensalão do PT”. E diz a interlocutores que, se no caso petista, tudo quase sempre foi aprovado por unanimidade no STF, no mineiro as dificuldades foram maiores.

Tem mais

Ele também questiona a imprensa. Quando procurado por repórteres para falar do processo contra petistas, provoca ao fim da entrevista: “E sobre o outro, vocês não vão perguntar nada?”. Recebe como resposta “sorrisos amarelos”. “A imprensa nunca deu bola para o ‘mensalão mineiro’”, diz ele.

Razões políticas da operação-abafa

Por que será que o caso envolvendo dirigentes petistas foi “aprovado por unanimidade” no STF e o outro, que envolve líderes tucanos, é bem mais antigo e corre risco de prescrição, esbarra em tantas dificuldades no Supremo? Por que será que a “imprensa nunca deu bola para o ‘mensalão mineiro’”? Por que será que Mônica Bergamo trata o caso em julgamento nestes dias como “mensalão do PT”, mas evita rotular o outro de “mensalão do PSDB”?

O ministro Joaquim Barbosa, sempre tão rigoroso com os petistas, conhece as respostas a estas perguntas. Mas ele prefere fazer mistério. Ele poderia até criticar o seu colega, ministro Gilmar Mendes, que sempre criou obstáculos ao julgamento do mensalão tucano, foi indicado para o STF pelo ex-presidente FHC, prestou serviços ao seu governo e mantém sólidos laços de amizade com Serra e outros caciques do PSDB.

Barbosa poderia também criticar a velha mídia, que fez campanha pela eleição e reeleição de FHC, sempre apoiou seu reinado neoliberal e nunca engoliu as derrotas dos tucanos para Lula e Dilma. A relação da mídia com o PSDB e o DEM é bem conhecida. Boa parte dela inclusive promoveu a escandalização da política no caso de “mensalão do PT” para pregar o impeachment e/ou o sangramento do ex-presidente Lula.

Os motivos mais mundanos

Estas razões políticas explicam por que o mensalão tucano esbarra em dificuldades no STF e por que a mídia não dá bola para este caso. Além disso, existem também motivos mais mundanos. Recentemente, a CartaCapital publicou um relatório que aponta o ministro Gilmar Mendes como beneficiário do esquema de caixa dois montado pelo publicitário Marcos Valério na campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998.

O esquema ilegal deu origem ao abafado do mensalão mineiro, como a mídia insiste em rotulá-lo de maneira seletiva. Ele teria movimentado cerca de R$104 milhões. Deste total, segundo a revista, R$185 mil teriam ido parar nas mãos de Gilmar Mendes. O relatório também inclui a Editora Abril, como destinatária de R$49,3 mil, e o Grupo Abril, que teria abocanhado outros R$49,5 mil. Ambas as empresas são do empresário Roberto Civita, o chefão da Veja.

Qual será a “providência” do STF?

A denúncia da CartaCapital não teve qualquer repercussão na velha mídia. Até agora, a Veja não conseguiu explicar o seu suposto envolvimento com o chamado Valerioduto. Já o ministro Gilmar Mendes ameaçou processar a CartaCapital e atacou os “blogs sujos”, que repercutiram a denúncia. Se depender da mídia e de alguns ministros a denúncia também será abafada, como foi o escândalo do mensalão tucano – ou melhor, do mensalão mineiro. Será que o ministro Joaquim Barbosa vai chutar o pau da barraca? A conferir!

Assange e o sutiã de Gisele

6 de agosto de 2012

A imprensa do mundo inteiro mantém um silêncio incompreensível diante das ameaças sobre Assange.

Paulo Moreira Leite em seu blog Vamos combinar

Há dois anos, assistimos a um debate intenso sobre liberdade de imprensa no Brasil. Depois que a Secretaria das Mulheres decidiu questionar no Conar uma publicidade de lingerie de Gisele Bündchen, os principais jornais e revistas se empenharam na denúncia de que a liberdade de imprensa encontrava-se sob risco. De meu ponto de vista, era um argumento risível.

O Conar, que regula a publicidade no País, está cansado de vetar integralmente dezenas de anúncios por ano. Outras campanhas precisam ser modificadas por determinação do órgão. Isso porque não é razoável confundir liberdade comercial como liberdade de expressão. Os próprios publicitários reconhecem que há diferenças.

Vamos combinar, porém, que é possível debater o assunto.

Mas não vejo como se possa ter duas opiniões sobre as ameaças contra Julian Assange, o presidente do WikiLeaks. Assange não quer vender sutiãs nem calcinhas nem cintas-liga. Nada contra essas mercadorias. Também reconheço que Gisele Bündchen parece feita sob medida para exibi-las.

Mas Assange permitiu a divulgação das maiores descobertas sobre o governo norte-americano desde os papéis do Pentágono, que revelaram hesitações e dúvidas do governo norte-americano durante a guerra do Vietnã (encerrada ainda nos anos de 1970, meus garotos…)

Com esse trabalho, tornou-se uma fonte. Mais do que um repórter, é uma das origens de notícias relevantes sobre o mundo contemporâneo.

As pressões sobre Assange constituem um caso inédito, na verdade. Não se tenta ameaçar um jornalista, mas silenciar a própria fonte. Acho que nunca pensei que fossemos ver isso.

Enquanto, no mundo inteiro, jornais de grande tradição consumiram sua reputação fazendo um jornalismo chapa branca desde a invasão do Iraque, o WikiLeaks dá um exemplo de independência e apego à liberdade. Recolhe informações de indiscutível interesse público, a que ninguém tem acesso, e trata de divulgá-las pelos bons veículos da imprensa mundial.

Tão ciosa para defender o sigilo da fonte, mesmo quando ele envolve episódios pouco defensáveis, a imprensa do mundo inteiro mantém um silêncio incompreensível diante das ameaças sobre Assange.

O risco de ser extraditado para os Estados Unidos, onde o militar acusado de fornecer milhares de documentos confidenciais divulgados pelo WikiLeaks é mantido incomunicável na prisão, sem julgamento, não comove ninguém. No momento, Assange se encontra na embaixada do Equador em Londres, onde pediu asilo ao governo de Rafael Correa. O governo britânico nega-se a lhe dar um salvo-conduto para deixar o país.

A boa notícia é que Baltazar Garzon, o juiz espanhol responsável pelo pedido de prisão do ditador Augusto Pinochet, resolveu assumir a defesa de Assange. Não é uma garantia de sucesso.

Mas abre, pelo menos, a oportunidade para se refazer uma discussão importante. Uma imprensa que ficou tão empenhada em defender seus direitos em episódios como o sutiã de Gisele não deveria mostrar-se tão silenciosa diante de uma ameaça direta a liberdade de informação, concorda?

Lista do mensalão tucano é notícia, menos para a nossa “grande mídia”

31 de julho de 2012

Helena Sthephanowitz, via Rede Brasil Atual

Causa estranheza o silêncio nas redações da velha imprensa sobre a publicação na revista CartaCapital desta semana dos documentos que mostram o caixa 2 da campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. O pouco que foi publicado a respeito foi Marcos Valério negando a autoria do documento (curioso é que quando o mensalão é tucano, a simples negativa de Valério é aceita sem maiores apurações jornalísticas).

Também apareceram declarações do ministro do STF Gilmar Mendes, negando ter recebido R$185 mil constantes na listagem, inclusive dizendo que na época não estava na Advocacia Geral da União (AGU), como sugere a matéria, e sim servindo na Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso.

Anexo à listagem, tem cópias de depósitos e transferências bancárias que confirmam alguns nomes e valores da lista. Não há destes comprovantes para valores mais altos, que correspondem à maioria de políticos e autoridades famosas, como Aécio Neves, FHC e o próprio Gilmar Mendes (o que tem lógica, para não serem captados pelos alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – Coaf, nem deixar rastros).

O fato é que não dá para a velha imprensa esconder essa denúncia do noticiário político. Se for verdadeira é grave e se for falsa também, pois é do interesse do próprio Gilmar Mendes esclarecer quem estaria envolvendo seu nome no mensalão tucano.

Afinal a quem interessaria incluir o nome de Mendes nesta listagem? Ele não é candidato a cargos políticos para ser abatido por escândalos. E se o material for parte de um dossiê político falso, forjado por adversários inescrupulosos, não interessaria colocar um ministro do STF na confusão, porque dividiria as atenções com o alvo, sob risco de enfraquecer e desviar o foco dos políticos do PSDB.

Assim, o mais lógico é que, ou o conteúdo da listagem é verdadeiro na íntegra, ou é parcialmente verdadeiro, e quem estava nela é que se interessou em incluir nomes do Judiciário para causar confusão e anular provas de processos.

É assunto para Polícia Federal esclarecer, mas também para imprensa informar. A CartaCapital publicou na internet a íntegra dos documentos que teve acesso, mostrando-se sintonizada com o jornalismo deste século. A imprensa alternativa, blogs e redes sociais também estão tratando do assunto com a dimensão que merece. O vexame da tentativa de abafar a notícia fica por conta da velha imprensa corporativa.


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