Posts Tagged ‘Silas Malafaia’

Vídeo: O cara de pau do Silas Malafaia intimida fiéis a não denunciar pastores ladrões

4 de agosto de 2013

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Charles Nisz, via Yahoo

Um vídeo bastante polêmico foi postado na segunda-feira, dia 29/7, no YouTube: o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, faz uma pregação intimidadora aos fiéis. Ele pede aos crentes para não denunciar os pastores ladrões, “pois ninguém deve se meter com os ungidos de Deus”.

“Fico vendo caras que chegaram agora ao Evangelho e ficam julgando pastores na internet”, diz Malafaia no vídeo. Para ele, quem calunia pastores não é crente. Segundo o líder religioso, a solução é trocar de igreja e não se meter com “quem é ladrão e pilantra”.

Ainda de acordo com Malafaia, quem resolve enfrentar esse tipo de religioso “vai arrumar problema para a vida”. “Meu irmão, isso é coisa muito séria, eu já vi gente morrer por causa disso. Não toma atitude contra pastor, não entra nessa furada”, prega ele no fim do vídeo. É uma ameaça ou é apenas um aviso para evitar confusão?

O pai espiritual de Malafaia, Feliciano e Edir

6 de maio de 2013
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Walter Robert McAlister

Quem é o missionário canadense que trouxe a Teologia da Prosperidade ao Brasil.

Kiko Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Edir Macedo, Marco Feliciano e Silas Malafaia não se inventaram sozinhos. Eles pertencem a uma linhagem. Se você tiver de culpar alguém, pense num missionário canadense chamado Walter Robert McAlister, que trouxe a Teologia da Prosperidade ao Brasil e pode ser definido como o pai espiritual desses meninos.

De uma família evangélica, McAlister foi pregar nas Filipinas, Hong Kong e Índia. Em 1959, veio parar aqui. Morou em São Paulo e, em seguida, no Rio, onde se estabeleceu. Seguidor da Teologia da Prosperidade norte-americana, especialmente do pioneiro televangelista Oral Roberts, logo viu uma oportunidade de se fazer notado no rádio. Em 1960, ganhou um programa chamado “Voz da Nova Vida” na Copacabana. Pouco depois comprou a Rádio Relógio, uma das primeiras emissoras evangélicas do Brasil.

Em 1961, deu forma ao culto que até hoje é praticado pelas agremiações evangélicas desse gênero: louvor, oferta, mensagem, oração e testemunho. Uma vez por ano, reunia seus fiéis no Maracanãzinho. Como era inevitável, acabou na televisão, apresentando o show “Coisas da Vida”, na Tupi. Virou o “Bispo Roberto”. A Igreja de Nova Vida era um fenômeno.

Em busca de almas, McAlister atacava pesadamente a umbanda, o candomblé e demais religiões afro-brasileiras (a célebre maldição do Feliciano sobre a África não apareceu do nada). Espíritos do mal causavam doença, vício, pobreza, homossexualismo e adultério. Lançou um livro sobre uma suposta história de conversão de uma mãe de santo, libertada pelo “espírito santo”. Um de seus funcionários mais talentosos era um rapaz de 19 anos, Edir Macedo. Nos anos de 1970, Edir cresceu na foto, rompeu com o mentor e fundou a Cruzada do Caminho Eterno, embrião da Universal.

O canadense ainda veria o crescimento voraz da Iurd, batendo na mesma tecla da possessão demoníaca, do exorcismo e do dízimo. No início dos anos de 1980, talvez incomodado com a ascensão do ex-pupilo Edir, McAlister parou de pregar na tevê, dizendo que ela “criava monstros”. Já era tarde demais.

McAlister morreu em 1993, do coração. Não deu tempo de testemunhar o surgimento de gigantes como a Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Renascer em Cristo, entre outras – e nem a chegada de um legítimo representante da Teologia da Prosperidade à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o nosso querido Feliciano.

Misoginia: No Twitter, militante gay ataca Dilma e outras mulheres

13 de abril de 2013
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O tuiteiro @elcapeto espalha ódio na rede social e depois tranca sua página.

Amadeu Leite Furtado

Quem acompanha as redes sociais já percebeu que, desde 2010, após a campanha suja do derrotado José Serra para presidente da República, os revoltadinhos e os meliantes, digo, militantes do ódio, saíram do armário para destilar seu preconceito, sua xenofobia, sua homofobia e, agora, sua misoginia.

Os casos mais clássicos são os da estudante universitária paulista Mayara Petruso, que foi condenada a 1 ano e meio de reclusão, devido as suas mensagens de incitação à violência contra nordestinos em sua página do Facebook em 2010; do pastor Silas Malafaia, que, apoiando Serra nas eleições de 2012 para prefeito, disse que o “kit gay” e os homossexuais são um perigo para a sociedade; e dos Revoltados on-line, reacionários que pregam a segregação e o neonazismo nas redes.

Porém, desde o ano passado, apareceu no Twitter o misógino Painho Mágico Cosme, vulgo @elcapeto. Trata-se do Chico, famoso militante gay do Rio de Janeiro, que vem sistematicamente atacando os apoiadores de Dilma Rousseff e as feministas, independente de serem defensoras da presidenta ou não. Sua misoginia fez várias vítimas no Twitter, além da presidenta. Só para citar algumas: @vleonel, @lolaescreva, @nadialapa, @Luisa_Stern e @cynaramenezes. Não bastasse isso, ele tentou beijar Zé de Abreu (hihihi!) à força num encontro no Rio de Janeiro.

Os ataques de @elcapeto não são pontuais e, sim, sistemáticos. E sempre com conotação machista com termos como “puta”, “cadela” etc. Após ser denunciado por alguns internautas, ele trancou sua página no Twitter, ou seja, apenas seus seguidores podem ver seus posts. Um tuiteiro, que tem estômago forte para segui-lo, criou o blog Militantes do Ódio no Tumblr para mostrar o que ele escreve.

Então… Essas barbaridades ficarão impunes?

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Leia também:

Ódio nas redes sociais: Tuiteiro diz que Emir Sader “merece surra de gato morto”

As verdades científicas de Silas Malafaia

5 de fevereiro de 2013

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O show de obscurantismo e loucura na entrevista do pastor com Marília Gabriela.

Kiko Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Eu nunca fui fã de Marília Gabriela. Acho-a uma espécie de Jô Soares de calças. Celebridades e subcelebridades são recebidas candidamente em seu programa com perguntas do tipo: “E esse coração, como vai?” Ao que o cidadão ou cidadã responde: “Ah, Gabi, eu tô me namorando”. E segue daí.

Mas Gabi brilhou em seu encontro com o pastor Silas Malafaia. O homem ajuda em sua verborreia alucinada, mas as pontuações da apresentadora foram certeiras. Se ela se aplicasse assim com todos os entrevistados, seria melhor que Piers Morgan. Ainda que Malafaia seja um alvo fácil, ela conseguiu manter uma tensão permanente, sem descambar, respondendo a boa parte das bobagens inacreditáveis que ele repete todo dia a seus fiéis, algumas das quais mostradas pelo SBT.

O pensador inglês Bertrand Russel ilustra o caso de Malafaia perfeitamente: “O grande problema do mundo é que os tolos e fanáticos são sempre cheios de certeza, enquanto os sábios são cheios de dúvidas”.

Malafaia é uma besta apocalíptica preenchida de certezas absolutas. Daqui a 40 ou 50 anos, diz ele, vamos ver como vai ficar o mundo depois de tantos casais homossexuais adotarem crianças. A homofobia de Malafaia é apenas o pedaço mais visível de uma montanha de idiotices. O fato de ele ter uma igreja lhe dá autoridade divina para versar sobre todas as questões fundamentais.

Ele não inventou nada. Isso é da natureza das religiões organizadas (que são, na definição de Christopher Hitchens em seu livro Deus não é grande, “violentas, irracionais, intolerantes, aliadas do racismo, do tribalismo e do ódio, investidas de ignorância, hostis ao questionamento e às mulheres e coercivas com as crianças.”).

Malafaia, um homem rico, cuja organização não recolhe impostos, se apoia na Bíblia para espalhar sua diatribe. Disse que “nenhuma verdade científica da Bíblia até hoje foi derrubada”. Era uma oportunidade de entender a ciência por trás de dilúvios e arcas com casais de animais, mares divididos ao meio por um senhor com cajado, pessoas que viram pedra ao olhar para trás, água transformada em vinho, ressuscitamentos, gente que anda sobre a água, virgens que têm filho etc. etc. etc.

Não é à toa que Serra se aliou a Malafaia, como escreveu o blogueiro Guy Franco aqui no Diário. É um obscurantismo sem freios, um reacionarismo tacanho, envelopado na “defesa da família”. Ele fala muito bem. Ele fala alto. Ele é ignorante e autocondescendente: “Islamismo é de um radicalismo muito horroroso para o que a gente chama de religião”, mandou ver. Então ficamos combinados que ele não é radical.

O ponto alto da noite foi seu ideário homofóbico (“Ninguém nasce gay. É um comportamento”; “se houver pastor homossexual, ele perde o cargo”; “a minha questão é o direito que eles querem em detrimento da sociedade”; e por aí vai).

Mas Malafaia é maior do que isso. Sua igreja enche, seus livros vendem, seus cofres têm mais dinheiro. Não há sinal de que, a alturas tantas de um de seus sermões, seus seguidores vão cair em si, parar de dar dízimo e cuidar da vida. Como o próprio diz, vamos ver como vai ficar o mundo, daqui a 40 ou 50 anos, quando as besteiras de Silas Malafaia terão virado verdades científicas para milhares de pessoas.

Bispo Edir Macedo é o pastor mais rico do Brasil com uma fortuna de US$950 milhões

18 de janeiro de 2013
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Líder da Universal do Reino de Deus está à frente de Valdemiro Santiago e Silas Malafaia.

Via Forbes Brasil

A religião sempre foi um negócio lucrativo. E, se você for um pastor brasileiro, a chance de chegar à mina de ouro são grandes atualmente. Mesmo que o Brasil ainda seja o maior país católico do mundo, com cerca de 123,3 milhões de adeptos, o último censo mostra queda na porcentagem, que hoje é de 64,6%, comparado aos 92% de 1970.

Enquanto isso, o número de protestantes subiu de 15,4% para 22,2%, ou 42,3 milhões de pessoas. É possível que essa tendência de queda do catolicismo seja contínua e que, em 2030, menos de 50% da população brasileira siga o Vaticano.

Mas por que os evangélicos estão ganhando a cena religiosa no Brasil? Uma das qualidades mais marcantes é que o progresso material vem sobre a influência de Deus, enquanto o catolicismo ainda prega um olhar conservador sobre a vida após a morte em vez de pregações, especialmente neopentecostais, de que é certo ser próspero. Essa doutrina, conhecida como “teologia da prosperidade”, é a fundação de uma das igrejas evangélicas mais populares no país.

O valor do progresso material em parte das igrejas evangélicas é explícito e ativamente promovido. Aline Barros, ganhadora do Grammy que se tornou pastora e tem mais de 900 mil seguidores no Twitter, afirma: “O que você fez para o Reino de Deus? O que você produziu para Deus? Se você está vivo, tem o ar da vida – produza!”.

Parece funcionar. O Brasil vive um crescimento econômico nos últimos anos. O sucesso da economia não tirou milhões de brasileiros da pobreza, mas elevou as expectativas da classe C. Como estima-se que os muito ricos e os muito pobres permaneceram católicos, a maioria dos protestantes está nessa classe e encontraram na religião um modo de ser grato por seu dinheiro, como uma desculpa para curtir o seu novo patamar na sociedade sem se sentir culpado.

Em outras palavras, eles estão dispostos a dar de volta para a igreja. Isso tornou algumas religiões em um negócio altamente lucrativo e alguns de seus líderes multimilionários. É a chamada “indústria da fé”.

Observe o bispo Edir Macedo, por exemplo. O fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que tem templos até em outros países, é de longe o pastor mais rico do País, com uma renda estimada* em US$950 milhões. O bispo está constantemente envolvido em polêmicas, geralmente por acusações de que sua organização sugou bilhões de reais de doações que deveriam ir para a caridade. Há também denúncias oficiais de fraudes e lavagem de dinheiro. Ainda sim, Macedo pretende liderar seus seguidores por muitos anos.

Um dos pais da Teologia da Prosperidade moderna, o bispo da Universal passou 11 dias na cadeia em 1992 graças a acusações de charlatanismo. Macedo negou tudo no Brasil, mas continua a ser investigado nos Estados Unidos e na Venezuela.

Como escritor, ele tem mais de 10 milhões de livros vendidos, alguns deles muitos críticos à Igreja Católica e a religiões afrodescendentes. Seu maior passo foi dado no final dos anos de 1980, quando comprou a Rede Record. Suas outras propriedades incluem o jornal Folha Universal, empresas de música, propriedades e um jatinho particular Bombardier Global Express XRS, de US$45 milhões. A assessoria de Macedo afirmou que ele não comentaria o assunto.

Seguidor dos passos de Macedo, Valdemiro Santiago é um ex-bispo da Igreja Universal, expulso da instituição após desentendimentos com o chefe. Foi o bastante para ele fundar a sua própria igreja, a Mundial do Poder de Deus, que tem mais de 900 mil fieis e 4 mil templos, muitos dos quais com a sua imagem nas paredes. Ele foi destaque na imprensa no ano passado quando comprou um jatinho igual ao do ex-mestre. Diversas revistas brasileiras estimam que sua renda chegue a US$220 milhões. Ligações e e-mails para a igreja não foram respondidos.

Em terceiro lugar, está o líder da Assembleia de Deus, maior igreja Pentecostal do Brasil, Silas Malafaia. O mais desbocado do ranking, o pastor se envolve em polêmicas constantes com a comunidade homossexual, da qual ele orgulhosamente se intitula o maior inimigo. Entusiasta da lei que considera homossexualismo uma doença, Malafaia é uma figura presente no Twitter, com mais de 440 mil seguidores. Em 2011, o pastor – que tem uma renda estimada em US$150 milhões – lançou a campanha Clube de 1 Milhão de Almas, que pretende levantar R$1 bilhão para a sua igreja com intuito de criar uma rede de televisão global que possa ser transmitida em 137 países. Os interessados podem doar valores que começam em R$1 mil e podem ser pagos em parcelas. Em troca, ganham um livro.

Possivelmente o mais ativo na mídia no Brasil, R.R. Soares é o fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus. Também ex-pastor da IURD e cunhado de Macedo, o missionário é considerado o mais humilde entre eles. Seu jatinho privado, um King Air 350, custa apenas US$5 milhões. Sua fortuna é estimada, também por diversas publicações, em US$125 milhões. Seus representantes não responderam às ligações ou e-mails da reportagem.

O casal fundador da Igreja Renascer em Cristo, o apóstolo Estevam Hernandes Filho e a bispa Sônia, têm mais de 1 mil templos no Brasil e até alguns na Flórida. Com uma fortuna estimada em US$65 milhões por diversas revistas brasileiras, o casal chamou a atenção do mundo quando foi preso em Miami, acusado em carregar mais de US$56 mil não declarados. Parte desse dinheiro estava escondida dentro de bíblias, segundo agentes norte-americanos que os barraram no aeroporto. Eles voltaram para o Brasil um ano depois, mas continuam com uma série de processos por diferentes crimes, como a queda do teto de um de seus templos que matou nove pessoas.

As prisões por fraudes fizeram barulho. Em dezembro de 2010, o jogador Kaká, então amigo do casal Hernandes e membro da igreja, largou a instituição, alegando o mal uso do dinheiro pelos donos. O jogador já havia doado R$2 milhões na época que era seu membro mais famoso. Os representantes de Hernandes também não responderam a ligações ou e-mails da reportagem.

Tornar-se um pastor evangélico no Brasil é o sonho de muitos jovens. Ao contrário das igrejas protestantes mais tradicionais no País, que requerem que seus pastores tenham algum diploma, as neopentecostais, como a IURD, promovem cursos intensivos para criar pastores por R$700,00 por alguns dias de aula. Mas virar pastor não é apenas uma questão de dinheiro (Malafaia paga até R$22 mil para os seus pastores mais bem-sucedidos, segundo a revista Veja São Paulo), é também sobre poder.

Muitos dos pastores brasileiros ganharam passaportes diplomáticos nos últimos anos, especialmente os que lideram grandes igrejas. Eles também são cortejados por políticos e têm isenção de impostos, o que pode trazer um futuro muito conveniente.

Como diz a Bíblia, a fé move montanhas. E o dinheiro também.

*A estimativa das fortunas veio de números apresentados pelo Ministério Público brasileiro e pela Polícia Federal, assim como a estimativa dos bens privados de cada pastor, publicados pela mídia brasileira, incluindo as revistas Veja, IstoÉ, IstoÉ Dinheiro e Exame, e os jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S.Paulo.


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