Posts Tagged ‘Salvatore Cacciola’

Recordar é viver: Para a reeleição de FHC, Cacciola doou R$50 mil

4 de março de 2013
Folha de São Paulo de 29/4/1999.

Folha de S.Paulo de 29/4/1999.

Antes de ler a notícia sobre a doação do dinheiro, é necessário lembrar alguns fatos ocorridos no (des)governo FHC e como agia o Banco Central e o Proer na época.

Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, foi protagonista de um dos maiores escândalos do País. O caso atingiu diretamente o então presidente do Banco Central, Francisco Lopes.

Em janeiro de 1999, o BC elevou o teto da cotação do dólar de R$1,22 a R$1,32. Essa era a saída para evitar estragos piores à economia brasileira, fragilizada pela crise financeira da Rússia, que se espalhou pelo mundo a partir do final de 1998.

Naquele momento, o banco de Cacciola tinha 20 vezes seu patrimônio líquido aplicado em contratos de venda no mercado futuro de dólar. Com o revés, Cacciola não teve como honrar os compromissos e pediu ajuda ao BC.

Sob a alegação de evitar uma quebradeira no mercado – que acabou ocorrendo –, o BC vendeu dólar mais barato ao Marka e ao FonteCindam, ajuda que causou um prejuízo bilionário aos cofres públicos.

Dois meses depois, cinco testemunhas vazaram o caso alegando que Cacciola comprava informações privilegiadas do próprio BC. Sem explicações, Lopes pediu demissão em fevereiro.

A chefe interina do Departamento de Fiscalização do BC era Tereza Grossi, que mediou as negociações e pediu à Bolsa de Mercadorias & Futuros uma carta para justificar o socorro. O caso foi alvo de uma CPI, que concluiu que houve prejuízo de cerca de R$1,5 bilhão aos cofres públicos.

A CPI acusou a alta cúpula do Banco Central de tráfico de influência, gestão temerária e vários outros crimes. Durante depoimento na comissão, Lopes se recusou a assinar termo de compromisso de falar só a verdade e recebeu ordem de prisão.

Em 2000, o Ministério Público pediu a prisão preventiva de Cacciola com receio de que o ex-banqueiro deixasse o País. Ele ficou na cadeia 37 dias, mas fugiu no mesmo ano, após receber liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. Pouco tempo depois de se descobrir o paradeiro do ex-banqueiro, o governo brasileiro teve o pedido negado pela Itália, que alegou o fato de ele ter a cidadania italiana.

No livro Eu, Alberto Cacciola, confesso: o Escândalo do Banco Marka (Record, 2001), o ex-banqueiro declarou ter ido, com passaporte brasileiro, do Brasil ao Paraguai de carro, pego um avião para a Argentina e, de lá, para a Itália.

Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato – utilizar-se do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro – e gestão fraudulenta (depois de extraditado da Itália, cumpriu 3 anos de pena e agora está livre, leve e solto).

Após um processo que durou 13 anos, em 29 de março de 2012, o juiz Ênio Laércio Chappuis, da 22ª Vara Federal do Distrito Federal, condenou por improbidade administrativa e ao ressarcimento de uma soma bilionária aos cofres públicos os principais envolvidos no escândalo que ficou conhecido como “Marka e FonteCindam”. As condenações decorrem de duas ações civis, uma pública, ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), e outra popular, e atingem sete pessoas, dentre elas o então presidente do BC, Francisco Lopes Francisco Lopes (10 anos de cadeia), a diretora de Fiscalização do BC Tereza Grossi (6 anos) e os ex-diretores do BC Cláudio Mauch e Demóstenes Madureira de Pinho Neto (5 anos).

As sentenças atingiram também o Banco Central, a BM&FBovespa, o BB Banco de Investimentos e o Marka, e determina que os réus terão de ressarcir danos ao erário de cerca de R$895,8 milhões, em valores de fevereiro de 1999. O magistrado ainda declarou nula “a operação de socorro feita pelo Banco Central ao banco Marka”.

Agora, caro leitor, sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada. E o Cacciola até brindou FHC com uma doação de sua empresa para sua reeleição. Onde estariam os paladinos da justiça e da ética do STF? Já pensou se fosse o Lula?

Cacciola04Cacciola doou R$50 mil para FHC em 1998

Sistema financeiro: Empresa que fez a doação foi a Sacre, uma das 21 das quais o dono do Marka aparece como sócio.

Fernando Rodrigues, sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo

O dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, doou R$50 mil para a campanha eleitoral do presidente Fernando Henrique Cardoso no ano passado. A doação está na listagem oficial da prestação de contas de FHC, disponível no Tribunal Superior Eleitoral.

A doação de Cacciola foi feita por intermédio de uma de suas empresas, a Sacre Empreendimentos e Participações Ltda. A operação aparece na listagem da prestação de contas de FHC com a data 19 de agosto de 1998.

A Sacre está registrada em nome de Cacciola e de Regina Maria Moisés Cacciola, ex-mulher do banqueiro. A Folha verificou que a última alteração do contrato social dessa empresa é de 22 de julho do ano passado, e os dois aparecem como proprietários. Cacciola e seus sócios no Banco Marka aparecem como donos ou coproprietários em, pelo menos, 21 empresas.

A Sacre é uma empresa que faz quase de tudo, conforme seu contrato social. Compra, vende, importa, exporta, faz locação de espaços, entre outras atividades. A Sacre é proprietária da Holon Participações, outra das empresas de Cacciola. A Holon é uma das principais acionistas do Marka.

Cacciola, segundo apurou a CPI dos Bancos, tem como estratégia diluir seus negócios entre várias empresas associadas entre si.

Não está claro o objetivo desse artifício, mas os senadores que investigam o caso consideram que essa grande divisão dificulta a fiscalização das ações empresariais do banqueiro.

Com base na lista de 21 empresas ligadas a Cacciola, o deputado federal Agnelo Queiroz (PCdoB/DF) fez um amplo levantamento da situação de todos os negócios do banqueiro junto a órgãos federais como o TSE, a Receita Federal e o Sisbacen (sistema informatizado de dados do Banco Central).

Além de descobrir que a empresa Sacre era doadora da campanha de FHC, o deputado Agnelo também verificou que quatro empresas de Cacciola estão no Cadin, o cadastro de empresas em débito com o governo federal – e, supostamente, não poderiam vender serviços e mercadorias a órgãos oficiais.

O levantamento de Agnelo, junto com o já realizado pelo deputado Aloizio Mercadante (PT/SP) sobre bancos que lucraram com a desvalorização do real, é uma forma de os deputados tentarem participar das investigações da CPI.

“É importante o conhecimento a fundo dessas empresas do senhor Cacciola para entendermos as ligações que existem entre o governo e o meio financeiro”, diz Agnelo.

Leia também:

 

Entenda o motivo de a mídia golpista atacar a Petrobrax, quer dizer, Petrobras

 

Banqueiro do propinoduto paulista vendeu apartamento a FHC. Já pensou se fosse o Lula?

 

O Príncipe da Privataria: Livro revela como FHC comprou a reeleição

 

O Príncipe da Privataria: A Folha confirma o nome do “Senhor X”

 

Leandro Fortes: A privataria e as desventuras do príncipe

 

O Príncipe da Privataria: Livro revela como FHC comprou sua reeleição

 

Emprego: Um semestre de Dilma é melhor do que oito anos de FHC

 

Por que a reeleição de FHC nunca chegou ao STF

 

Para a reeleição de FHC, Cacciola doou R$50 mil

 

Proer, a cesta básica dos banqueiros

 

FHC só lançou programas sociais a quatro meses da eleição de 2002

 

A Folha noticiou a compra de votos por FHC para a reeleição, mas depois se “esqueceu”

 

Histórico catastrófico da era FHC

 

O que Dilma deve a FHC para ser chamada de ingrata?

 

Vídeo: Entenda como e por que FHC quebrou o Brasil três vezes

 

Celso Lafer descalço em aeroporto exemplifica submissão de FHC aos EUA

 

Em vídeo, Itamar Franco esclarece que o Plano Real não é obra de FHC

 

Salário mínimo: As diferenças entre os governos FHC e Lula/Dilma

 

Vídeo: Já pensou se fosse o Lula? FHC embriagado na Marquês de Sapucaí

 

FHC, o reacionário

 

Conheça o apartamento de FHC em Paris. Ele tem renda pra isso?

 

Vídeo: FHC tenta mentir em programa da BBC, mas entrevistador não cai nas mentiras

 

Adib Jatene: “FHC é um homem sem palavra e Serra, um homem sem princípios.”

 

FHC compra o Congresso: Fita liga Sérgio Motta à compra de votos para reeleição

 

FHC comprou o Congresso. O STF não vai fazer nada?

 

FHC disse muitas vezes: “Não levem a sério o que digo.”

 

FHC e a reeleição comprada: Por que a Veja não consulta seus arquivos?

 

O retrato do desgoverno de FHC

 

Governo FHC: O recheio da pasta rosa e o caso do Banco Econômico

 

Os crimes de FHC serão punidos?

 

O Brasil não esquecerá os 45 escândalos que marcaram o governo FHC

 

FHC ao FMI: “CEF, Banco do Brasil e Petrobras estão à venda.”

 

As viagens de FHC, de Lula e a escandalização seletiva

 

Dinheiro da CIA para FHC

 

A festa de 500 anos do Brasil de FHC dá prejuízo de R$10 milhões ao estado da Bahia

 

FHC: PSDB está longe do povo. Partido nem sequer sabe o que é povo

 

Com indicação de FHC para ABL, Sarney faz Ayres Britto esperar a morte de outro “imortal”

 

Vídeo em que FHC chama os aposentados de vagabundos

 

Documentos revelam participação de FHC e Gilmar Mendes no mensalão tucano

 

FHC: “Nós, a elite, temos tendência à arrogância.”

 

FHC e o vitupério

 

Bob Fernandes escancara a relação de FHC com a espionagem dos EUA

 

Contratada por FHC, Booz Allen já operava como gabinete de espionagem dos EUA

 

Se cuida, FHC: Vem aí a CPI da Espionagem da CIA

 

A empresa que espionava o Brasil prestava consultoria ao governo de FHC

 

Era Lula cria mais empregos que FHC, Itamar, Collor e Sarney juntos

 

FHC já defendeu uma nova Constituinte, mas agora acha autoritarismo. Pode?

 

FHC se diz contra 100% dos royalties para a educação

 

FHC já admite que Aécio não tem condições de ser candidato

 

FHC é o bafômetro de Aécio

 

FHC não mostrou o Darf

Como a Globo deu o golpe da barriga em FHC e enviou Miriam para Portugal

Proer, a cesta básica dos banqueiros

4 de março de 2013

FHC_FodaseO governo FHC justificou a criação do Proer com a alegação de que o sistema bancário precisava se modernizar para receber investimentos externos. Mas o que ocorreu foi que o grosso dos recursos do Proer foi distribuído para salvar bancos falidos recebendo em troca títulos “podres” como forma de pagamentos.

Laurez Cerqueira, via Carta Maior em 30/8/2012

O Proer desapareceu do noticiário que todos os dias se mistura no túnel do tempo, descansa no cemitério de escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso, enquanto ministros do Supremo Tribunal Federal dormem nas sessões tediosas da corte enrolados em suas capas pretas, como “vacas sagradas”, assim chamados pelo jurista e ex-senador José Paulo Bisol ou fazem pantomimas para se verem depois nos espelhos, agora telinhas de tevê e de celulares. Os bancos sugam a seiva do trabalho dos brasileiros e muitos ainda dizem por aí que o Proer foi importante para a segurança bancária do Brasil.

Criado em novembro de 1995, no início do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) gastou R$37,76 bilhões com os bancos em funcionamento no País. Este valor foi apurado pela CPI dos Bancos, do Senado Federal, e consta do relatório final da comissão.

Desde 1994, mais de 70 bancos (múltiplos, comerciais, de desenvolvimento e de investimento) passaram por processos de ajuste, resultando em transferência de controle acionário, com assistência do Banco Central e com incorporação de outras instituições financeiras nacionais e estrangeiras.

A concentração bancária no Brasil se intensificou no governo Fernando Henrique. Essa concentração é fortemente marcada pela internacionalização do sistema financeiro brasileiro. Várias instituições internacionais passaram a operar no Brasil, adquirindo bancos brasileiros.

Dentre outras aquisições destacam-se a compra do Bamerindus pelo banco inglês Hong Kong & Shangai Banking Corporation (HSBC), do Banco Real pelo ABN-Amro, do Noroeste e do Banco Geral do Comércio pelo espanhol Santander, do Excel pelo Bilbao y Viscaya, do Garantia pelo CS First Boston e do Bandeirantes pelo português Caixa Geral de Depósitos. Ao todo foram oito instituições estrangeiras que compraram 11 bancos nacionais, e passaram a disputar um mercado estimado, na época, em 50 milhões de correntistas. O potencial do setor financeiro nacional era o principal atrativo para as instituições estrangeiras. Apenas 17% dos brasileiros tinham conta em banco, enquanto na Espanha, por exemplo, esse índice chegava a 70% e no Chile, 50%.

O professor Luiz Fernando de Paula, economista e pesquisador do Núcleo de Finanças e Macroeconomia da Universidade Cândido Mendes, estudou durante seis anos as mudanças no sistema financeiro internacional e seus impactos no Brasil. Segundo ele, a participação do capital estrangeiro no setor financeiro brasileiro, a partir de 1996, dobrou, passando de 9,79% para 18,38% até 1999, aumentando de 4,36% para 11,81%, o volume de dinheiro brasileiro depositado em instituições estrangeiras.

O governo Fernando Henrique Cardoso justificou a abertura do sistema financeiro brasileiro para a participação de instituições financeiras estrangeiras utilizando a surrada lei do livre mercado. Segundo o governo, a concorrência dos bancos estrangeiros traria benefícios para os correntistas nacionais. Mas o estudo do professor Luiz Fernando constatou o contrário. Os bancos institucionalizaram a cobrança de tarifas, argumentando que seria necessário para recompor os ganhos perdidos com o fim da inflação. Essas cobranças acabaram se transformando em mais um instrumento de captação de recursos: em 1994 as tarifas representavam apenas 2,41% de suas receitas. Quatro anos depois, o índice subiu para 6,26%. Os bancos estrangeiros não oferecem tarifas mais baixas do que os bancos nacionais e não demonstram disposição de ofertar crédito mais barato.

Os títulos públicos se transformaram na principal ração que alimenta os lucros dos bancos, são como um prato feito de taxas de juros suculentas. Com as altas taxas de juro oferecidas pelo governo para remunerar a compra de títulos públicos, os bancos não se animaram a aumentar as linhas de crédito, preferiam investir os títulos públicos porque o risco até hoje é zero. Ou seja, a internacionalização do sistema financeiro promovida pelo governo não atendeu a demanda por investimentos na economia e serviu para aumentar a especulação financeira, sugando os recursos da riqueza produzida por quem trabalha. Dados do Banco Central comprovam isso: depois da intensificação das fusões o volume de títulos públicos vendidos a bancos estrangeiros aumentou de 15,2% em 1994 para 32% em 1999, enquanto a disponibilidade de crédito foi reduzida de 41,5% para 33,3%, no mesmo período.

A receita do conjunto das instituições financeiras com a compra de títulos da dívida pública interna triplicou entre 1994 e 2001, passou de R$13,6 bilhões para R$41,7 bilhões. O estoque dos títulos públicos em poder dos bancos, que em 1994 era de R$53 bilhões saltou para R$282 bilhões, um aumento real de 171,5% (descontada a inflação da carteira de títulos públicos em poder dos bancos).

O lucro dos 20 maiores bancos que atuavam com títulos públicos, que em 1994 foi de R$13,6 bilhões, em 2001 chegou a R$37,6 bilhões, um aumento de 56,5%. A parcela dos lucros com investimentos em títulos sobre a receita total dos bancos, que em 1994 era de 22,5%, atingiu a marca de 41,1%, em 2001.

Armínio Fraga, ex-consultor de um dos maiores especuladores financeiros do mundo, George Soros, assumiu a presidência do Banco Central, em 1999 e uma das medidas dele foi liberar o depósito compulsório dos bancos em vários momentos sob a alegação de possibilitar a oferta de crédito, mas o que se verificou foi que a oferta não ocorreu. Os bancos optaram pela compra de títulos públicos, porque o lucro desde então é fácil, as taxas de juro são muito altas. Os bancos nunca ganharam tanto dinheiro no Brasil quanto durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Os lucros aumentaram cerca de 364%, segundo dados da Federação Brasileira dos Bancos, publicados no segundo semestre de 2001.

O governo justificou a criação do Proer com a alegação de que o sistema bancário precisava se modernizar para receber investimentos externos. Mas o que ocorreu foi que o grosso dos recursos do Proer foi distribuído para salvar bancos falidos recebendo em troca títulos “podres” como forma de pagamentos e para dar garantia a grupos estrangeiros para comprar bancos brasileiros. O Banco Econômico, o Nacional e o Bamerindus deram um calote de mais de R$10 bilhões ao Banco Central. O Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, que tinha uma das filhas, Ana Lúcia Catão de Magalhães Pinto, casada com Pedro Henrique Cardoso, filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, recebeu uma linha de crédito de R$6 bilhões para pagar suas dívidas, antes que o fosse vendido para o Unibanco. O Nacional, só em fraudes contábeis, que vinham sendo praticadas desde 1986, sem a fiscalização do Banco Central, levou R$5,3 bilhões.

O Banco Bamerindus, do ex-senador Andrade Vieira (PTB/PR), um dos maiores colaboradores da campanha de Fernando Henrique, que deu dinheiro e emprestou jatinhos para viagens do candidato à Presidência, foi vendido para o grupo inglês HSBC por um preço subestimado de R$381,6 milhões. O HSBC comprou só a parte boa e a parte podre ficou com o Banco Central. Além de outros bens o patrimônio do Bamerindus tinha 1.241 agências, ativos no valor de R$10 bilhões e uma seguradora das mais rentáveis do País. Como se não bastassem essas vantagens, o Banco Central deu R$431 milhões ao HSBC para informatização e outras despesas e garantia de R$1,27 bilhão em títulos da dívida externa. Andrade Vieira, que foi ministro de Fernando Henrique Cardoso, saiu do governo acusando Pedro Malan de ludibriá-lo na venda do Bamerindus. Vieira queria mais dinheiro para salvar o banco, mas o ministro da Fazenda preferiu os ingleses.

Quatro anos depois que o Bamerindus quebrou os técnicos do Banco Central concluíram o inquérito administrativo. No relatório do BC, segundo a revista Istoé Dinheiro, de 30 de novembro de 2001, consta o pedido de indiciamento, por formação de quadrilha, de dezenas de pessoas. Essas pessoas estão sendo acusadas de manipulação de uma carteira no valor de R$2 bilhões em créditos podres. Os indícios de crimes são: um total de 56 imóveis com valores superfaturados para quitar dívidas de devedores do banco, pagamentos indevidos de comissões a intermediários e contratação de empresas de administração de contratos imobiliários com preços muito acima dos praticados no mercado.

O texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias, de 1999, estabelecia que o Executivo teria de divulgar os resultados do Banco Central discriminando os reflexos das operações de saneamento do sistema financeiro, cujos valores somaram R$20 bilhões relativos ao ano de 1997, e os projetados para os anos de 1998 e 1999. Porém, o governo federal simplesmente decidiu não prestar contas ao Congresso Nacional sobre o impacto das operações de injeção de recursos do Proer nos bancos. O presidente Fernando Henrique Cardoso vetou 14 dispositivos da LDO de 1999, sobre o assunto. O Senado federal, sob a presidência de Antônio Carlos Magalhães, recebeu o texto da lei de volta, mandou publicar no Diário Oficial e ponto final.

O problema é que arroubos tecnocráticos como esse consumiu uma fábula de recursos e nenhuma instituição acadêmica se dispôs até o momento a fazer as contas para saber quanto custou para o País a moeda real e quanto perdemos com a vulnerabilidade externa do período Fernando Henrique, que permitiu tantos ataques especulativos, sendo que R$37,76 bilhões foram “investidos” na chamada “segurança bancária.

Laurez Cerqueira é jornalista e escritor.

Leia também:
Coletânea de textos: FHC, o vendilhão da Pátria

Saiba quem é Marco Aurélio Mello

7 de janeiro de 2013

Marco_Aurelio_Mello04

Stanley Burburinho, no Facebook e lido em O Esquerdopata em 7/1/2013

O ministro Marco Aurélio Mello do STF que diz que a Câmara dos Deputados tem de cassar os mandatos conforme determinação do STF, é o mesmo que:

● Concedeu habeas corpus a Salvatore Cacciola do extinto Banco Marka acusado de provocar um rombo de R$1,6 bilhão aos cofres públicos. Usando de prerrogativa de presidente interino à época, soltou o banqueiro que estava preso havia cinco semanas, o que permitiu sua fuga. O curioso nisso tudo é que Cacciola era vizinho de Mello no Golden Green, condomínio cinco estrelas na Barra da Tijuca, com piscinas, quadras de tênis, pistas de corrida, ciclovia e um campo de golfe de 60 mil metros quadrados.

● No mesmo período, em liminar concedida por Marco Aurélio, o Tribunal de Contas da União foi impedido de tentar a recuperar R$169 milhões desviados da construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. O ministro atendeu a um pedido da Incal, empreiteira responsável pela obra. Mello também proibiu o Ministério Público de São Paulo de investigar os laços que unem a Incal ao Grupo OK, do ex-senador Luiz Estevão, amigo de Mello.

● Inocentou um adulto acusado de estupro por manter relações sexuais com uma garota de 12 anos em 1996: “Não houve violência porque a menina teria concordado em fazer sexo; nos dias de hoje, não há crianças, mas moças de 12 anos.”

● Lembram-se do índio Galdino? Aquele queimado em um ponto de ônibus em Brasília por jovens de classe alta da Capital Federal. Pois é, a esposa de Marco Aurélio Mello, que é juíza federal, rebaixou de assassinato para “lesão corporal seguida de morte” a acusação contra os assassinos de índio.

● Recentemente, utilizando-se de recurso de habeas corpus, Mello mandou soltar o fazendeiro Regivaldo Galvão, o “Taradão”, que cumpria pena de 30 anos acusado de assassinar a irmã Dorothy Stang.

● O guardião da cidadania como se considera defende o golpe de 1964, ao qual chama de “revolução”: “Foi um mal necessário, sem ela o que teríamos?”

Stanley Burburinho e as curiosidades sobre Cacciola

15 de outubro de 2012

Golden Green: Onde morava Cacciola e para onde foi morar o ministro Marco Aurélio Mello.

Stanley Burburinho, lido no Esquerdopata

● Salvatore Cacciola morava num condomínio que é considerado um dos mais caros do mundo. Eu disse do mundo.

● O condomínio custava R$8.000,00/mês. É o Golden Green, na Barra, no Rio de Janeiro. Onde moram/moravam Romário, Ronaldo Gordo etc.

● Cacciola foi preso pelo escândalo do Banco Marka. O apartamento mais barato do Golden Green custa US$2,5 milhões.

● Cacciola foi solto pelo Marco Aurélio Mello do STF, que esqueceu de apreender o passaporte de Cacciola que tem cidadania italiana.

● Cacciola fugiu para a Itália. Dias depois, adivinha quem se mudou para o Golden Green: o ministro Marco Aurélio Mello.

● E já se sabia que não existe tratado de extradição entre Brasil e Itália. Cacciola foi preso porque foi para Mônaco, outro país, para assistir a um jogo de tênis e foi trazido para o Brasil pela Interpol.


%d blogueiros gostam disto: