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Salim Lamrani: 50 verdades sobre Fidel Castro

1 de janeiro de 2014
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Fidel Castro votando nas eleições de 2012.

O líder histórico da Revolução Cubana marcou para sempre a história de seu país e da América Latina, transformando a ilha em símbolo de dignidade e de resistência.

Salim Lamrani, Opera Mundi

1. Procedente de uma família de sete filhos, Fidel Castro nasceu no dia 13 de agosto de 1926 em Birán, na atual província de Holguín, da união entre Ángel Castro Argiz, rico proprietário de terras espanhol oriundo da Galícia, e Lina Ruz González, cubana.

2. Aos 7 anos, ele se muda para a cidade de Santiago de Cuba e vive na casa de uma professora encarregada de educá-lo. Ela o abandona à própria sorte. “Conheci a fome”, lembraria Fidel Castro e “minha família tinha sido enganada”. Um ano depois, ele entra no colégio religioso dos Irmãos de la Salle, em janeiro de 1935, como interno. Deixa a instituição para ir para o colégio Dolores, aos 11 anos, em janeiro de 1938, depois de se rebelar contra o autoritarismo de um professor. Segue sua escolaridade com os jesuítas no Colégio de Belém em Havana, de 1942 a 1945. Depois de uma graduação brilhante, seu professor, o padre Armando Llorente, escreve no anuário da instituição: “Distinguiu-se em todas as matérias relacionadas às letras. Excepcional e congregante, foi um verdadeiro atleta, defendendo sempre com valor e orgulho a bandeira do colégio. Soube ganhar a admiração e o carinho de todos. Cursará a carreira de Direito e não duvidamos de que encherá de páginas brilhantes o livro de sua vida.”

3. Apesar de se exiliar em Miami, em 1961, por causa das tensões entre o governo revolucionário e a Igreja Católica cubana, o padre Llorente sempre guardou uma lembrança nostálgica de seu antigo aluno. “Me dizem: ‘O senhor sempre fala bem de Fidel’. Eu falo do Fidel que eu conheci. Inclusive, [ele] uma vez salvou a minha vida e essas coisas não podem ser esquecidas nunca”. Fidel Castro se jogou na água para salvar seu professor, levado pela correnteza.

4. Em 1945, Fidel Castro entra na Universidade de Havana, onde cursa a graduação de Direito. Eleito delegado da Faculdade de Direito, participa ativamente das manifestações contra a corrupção do governo do presidente Ramón Grau San Martín. Não vacila, tampouco, em denunciar publicamente gangues vinculadas às autoridades políticas. Max Lesnik, então secretário-geral da Juventude Ortodoxa e colega de Fidel Castro, lembra-se desse episódio: “O comitê 30 de setembro [criado para lutar contra as gangues] fez o acordo de apresentar a denúncia contra o governo e os gângsteres no plenário da Federação Estudantil [Universitária]. No salão, mais de 300 alunos de diversas faculdades se apresentaram para escutar Fidel quando alguém […] gritou: ‘Aquele que falar o que não deve, falará pela última vez’. Estava claro que a ameaça era contra o orador da vez. Fidel se levantou de sua cadeira e, com passo lento e firme, se encaminhou ao centro do amplo salão, […] e começou a ler uma lista oficial com os nomes e todos e de cada um dos membros das gangues e dos dirigentes da FEU que haviam sido premiados com suculentas ‘garrafas’ [cargos] nos distintos ministérios da administração pública.”

5. Em 1947, aos 22 anos, Fidel Castro participa, com Juan Bosch, futuro presidente da República Dominicana, de uma tentativa de desembarque da [expedição de] Cayo Confites para derrubar o ditador Rafael Trujilo, então apoiado pelos Estados Unidos.

6. Um anos depois, em 1948, participa do Bogotazo, revolta popular desatada pelo assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, líder político progressista, candidato às eleições presidenciais da Colômbia.

7. Graduado em Direito em 1950, Fidel Castro atua como advogado até 1952 e defende as pessoas humildes, antes de se lançar na política.

8. Fidel Castro nunca militou no Partido Socialista Popular (PSP), partido comunista da Cuba pré-revolucionária. Era membro do Partido do Povo Cubano, também chamado Partido Ortodoxo, fundado em 1947 por Eduardo Chibás. O programa do Partido Ortodoxo de Chibás é progressista e se baseia em vários pilares: soberania nacional, independência econômica pela diversificação da produção agrícola, supressão do latifúndio, desenvolvimento da indústria, nacionalização dos serviços públicos, luta contra a corrupção e justiça social por meio da defesa dos trabalhadores. Fidel Castro reivindica seu pertencimento ao pensamento “martiano” (de José Martí), chibasista (de Chibás) e anti-imperialista. Orador de grande talento, se apresenta às eleições parlamentárias como candidato do Partido do Povo Cubano em 1952.

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Fidel Castro durante evento em Cuba, em 1º de maio de 2005.

9. No dia 10 de março de 1952, a três meses das eleições presidenciais, o general Fulgêncio Batista rompe a ordem constitucional e derruba o governo de Carlos Prío Socarrás. Consegue o apoio imediato dos Estados Unidos, que reconhecem oficialmente a nova ditadura militar.

10. O advogado Fidel Castro apresenta uma denúncia contra Batista por romper a ordem constitucional: “Se existem tribunais, Batista deve ser castigado, e se Batista não é castigado […], como poderá depois este tribunal julgar um cidadão qualquer por motim ou rebeldia contra esse regime ilegal, produto da traição impune?”. O Tribunal Supremo, sob as ordens do novo regime, recusa a demanda.

11. No dia 26 de julho de 1953, Fidel Castro se coloca à frente de uma expedição de 131 homens e ataca o quartel Moncada na cidade de Santiago, segunda maior fortaleza militar do país, assim como o quartel Carlos Manuel de Céspedes, na cidade de Bayamo. O objetivo era tomar o controle da cidade – berço histórico de todas as revoluções – e lançar um chamado pela rebelião em todo o país para derrubar o ditador Batista.

12. A operação é um fracasso e 55 combatentes são assassinados depois de brutalmente torturados pelos militares. De fato, apenas seis deles morreram em combate. Alguns conseguiram escapar graças ao apoio da população.

13. Fidel Castro, capturado alguns dias depois, deve a vida ao sargento Pedro Sarría, que se negou a seguir as ordens de seus superiores e executar o líder de Moncada. “Não disparem! Não disparem! Não se deve matar as ideias!”, exclamou para seus soldados.

14. Durante sua histórica alegação, intitulada “A História me Absolverá”, Fidel Castro, encarregado de sua própria defesa, denuncia os crimes de Batista e a miséria na qual se encontra o povo cubano, e apresenta seu programa para uma Cuba livre, baseado na soberania nacional, na independência econômica e na justiça social.

15. Condenado a 15 anos de prisão, Fidel Castro é liberado em 1955, depois da anistia que o regime de Batista lhe concedeu. Funda o Movimento 26 de Julho (M 26-7) e declara seu projeto de seguir lutando contra a ditadura antes de se exilar no México.

16. Fidel Castro organiza ali a expedição do Granma com um médico chamado Ernesto Guevara. Não foi muito trabalhoso para Fidel Castro convencer o jovem argentino, que recordava: “O conheci em uma dessas frias noites do México e lembro-me de que nossa primeira discussão foi sobre política internacional. Poucas horas depois, na mesma noite — de madrugada — eu era um de seus futuros expedicionários.”

17. Em agosto de 1955, Fidel Castro publica o Primeiro Manifesto do Movimento 26 de Julho, que retoma os pontos essenciais de “A História me Absolverá”. Trata de reforma agrária, da proibição do latifúndio, de reformas econômicas e sociais a favor dos deserdados, da industrialização da nação, da construção de habitações, da diminuição dos aluguéis, da nacionalização dos serviços públicos de telefone, gás e eletricidade, de educação e da cultura para todos, da reforma fiscal e da reorganização da administração pública para lutar contra a corrupção.

18. Em outubro de 1955, para reunir os fundos necessários para a expedição, Fidel Castro realiza uma turnê pelos Estados Unidos e se reúne com os exilados cubanos. O FBI vigia de perto os clubes patrióticos M 26-7 fundados em diferentes cidades.

19. No dia 2 de dezembro de 1956, Fidel Castro embarca no porto de Tuxpán, no México, a bordo do barco Granma, com capacidade para 25 pessoas. Os revolucionários são 82 no total e navegam rumo a Cuba com o objetivo de desatar um guerra de guerrilhas nas montanhas de Sierra Maestra.

20. A travessia se transforma em pesadelo por causa das condições climáticas. Um expedicionário cai ao mar. Juan Almeida, membro do grupo e futuro comandante da Revolução, lembra-se do episódio: “Fidel nos disse o seguinte: ‘Daqui não nos vamos até que o salvemos’. Isso comoveu as pessoas e animou a combatividade. Pensamos: ‘Com esse homem não há abandonados’. O salvamos, correndo o risco de perder a expedição.”

21. Depois de uma travessia de sete dias, em vez dos cinco previstos, no dia 2 de dezembro de 1956 a tropa desembarca “no pior pântano jamais visto”, segundo Raul Castro. Os tiros da aviação cubana a dispersam e 2 mil soldados de Batista, que esperavam os revolucionários, a perseguem.

22. Alguns dias depois, em Cinco Palmas, Fidel Castro volta a se encontrar com seu irmão Raul e com outros 10 expedicionários. “Agora sim ganhamos a guerra”, declara o líder do M 26-7 a seus homens. Começa a guerra de guerrilhas que duraria 25 meses.

23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do New York Times, permite que a opinião pública estadunidense e mundial descubra a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde, em suas memórias, que graças a esse golpe jornalístico, “Castro começava a ser um personagem lendário”. Matthews suavizou, entretanto, a importância de sua entrevista. “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, poderia ter tido efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”

24. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos concedem seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opõem a Fidel Castro até os últimos instantes. No dia 23 de dezembro de 1958, a uma semana do triunfo da Revolução, enquanto o Exército de Fulgêncio Batista se encontra em plena debandada, apesar de sua superioridade em armas e homens, acontece a 392ª reunião do Conselho de Segurança Nacional [dos Estados Unidos], com a presença do presidente [Dwight D.] Eisenhower. Allen Dulles, então diretor da CIA, expressa claramente a posição dos Estados Unidos. “Temos de impedir a vitória de Castro.”

25. Apesar do apoio dos Estados Unidos, de seus 20 mil soldados e da superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958, que mobilizou mais de 10 mil pessoas. Essa “vitória estratégica” revela, então, a genialidade militar de Fidel Castro, que havia antecipado e derrotado a operação Fim de Fidel lançada por Batista.

26. No dia 1º de janeiro de 1959, cinco anos, cinco meses e cinco dias depois do ataque ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, triunfou a Revolução Cubana.

27. Durante a formação do governo revolucionário, em janeiro de 1959, Fidel Castro é nomeado ministro das Forças Armadas. Não ocupa a Presidência, ocupada pelo juiz Manuel Urrutia, nem o posto de primeiro-ministro, entregue ao advogado José Miró Cardona.

28. Em fevereiro de 1959, o primeiro-ministro Cardona, que se opõe às reformas econômicas e sociais que considera demasiadamente radicais (projeto de reforma agrária), apresenta sua demissão. Manuel Urrutia chama Fidel Castro para ocupar o cargo.

29. Em julho de 1959, frente à oposição do presidente Urrutia, que recusa novas reformas, Fidel Castro renuncia a seu cargo de primeiro-ministro. Imensas manifestações populares têm início em Cuba, exigindo a saída de Urrutia e o retorno de Fidel Castro. O novo presidente da República, Osvaldo Dorticós, volta a nomeá-lo primeiro-ministro.

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Fidel momentos antes de discursar na Assembleia Geral da ONU de 1962.

30. Os Estados Unidos se mostram imediatamente hostis à Fidel Castro ao acolher com braços abertos os dignitários do antigo regime, incluindo vários criminosos de guerra que tinham roubado as reservas do Tesouro cubano, levando US$424 milhões.

31. Não obstante, desde o princípio, Fidel Castro declara sua vontade de manter boas relações com Washington. Entretanto, durante sua primeira visita aos Estados Unidos, em abril de 1959, o presidente Eisenhower se nega a recebê-lo e prefere ir jogar golfe. John F. Kennedy lamentaria o ocorrido: “Fidel Castro é parte do legado de Bolívar. Deveríamos ter dado ao fogoso e jovem rebelde uma mais calorosa acolhida em sua hora de triunfo”.

32. A partir de outubro de 1959, pilotos procedentes dos Estados Unidos bombardeiam Cuba e voltam para a Flórida sem serem perturbados pelas autoridades. No dia 21 de outubro de 1959, lançam uma bomba sobre Havana que provoca duas mortes e fere 45 pessoas. O responsável pelo crime, Pedro Luís Díaz Lanza, volta a Miami sem ser perturbado pela justiça e Washington se nega a extraditá-lo para Cuba.

33. Fidel Castro se aproxima de Moscou somente em fevereiro de 1960 e apenas adquire armas soviéticas depois de os Estados Unidos rejeitarem fornecer o arsenal necessário para a sua defesa. Washington também pressiona o Canadá e as nações europeias solicitadas por Cuba com a finalidade de obrigar o país a se dirigir ao bloco socialista e assim justificar sua política hostil em relação a Havana.

34. Em março de 1960, a administração Eisenhower toma a decisão formal de depor Fidel Castro. No total, o líder da Revolução Cubana sofreria nada menos que 637 tentativas de assassinato.

35. Em março de 1960, a sabotagem, comandada pela CIA, do barco francês La Coubre, carregado de armas no porto de Havana, provoca mais de cem mortes. Em seu discurso em homenagem às vítimas, Fidel Castro lança o lema: “Pátria ou morte”, inspirado no [lema] da Revolução Francesa, “Liberdade, igualdade, fraternidade ou morte.”

36. No dia 16 de abril de 1961, depois dos bombardeios dos principais aeroportos do país pela CIA, prelúdio da invasão da Baía dos Porcos, Fidel Castro declara o caráter “socialista” da Revolução.

37. Durante a invasão da Baía dos Porcos por 1400 exilados financiados pela CIA, Fidel Castro faz parte da primeira linha de combate. Infringe uma severa derrota aos Estados Unidos e esmaga os invasores em 66 horas. Sua popularidade chega ao topo em todo o mundo.

38. Durante a crise dos mísseis, em outubro de 1962, o general soviético Alexey Dementiexv estava ao lado de Fidel Castro. Conta suas lembranças: “Passei junto a Fidel Castro os momentos mais impressionantes de minha vida. Estive a maior parte do tempo a seu lado. Houve um instante em que considerávamos próximo o ataque militar dos Estados Unidos e Fidel tomou a decisão de colocar todos os meios em [estado] de alerta. Em poucas horas, o povo estava em posição de combate. Era impressionante a fé de Fidel em seu povo, e de seu povo, e de nós, os soviéticos, nele. Fidel é, sem discussão, um dos gênios políticos e militares deste século.”

39. Em outubro de 1965, cria-se o Partido Comunista de Cuba (PCC), substituindo o Partido Unido da Revolução Socialista (PURS), surgido em 1962 (que substituiu as Organizações Revolucionárias Integradas — ORI —, criadas em 1961). Fidel Castro é nomeado primeiro-secretário.

40. Em 1975, Fidel Castro é eleito pela primeira vez para a Presidência da República depois da adoção da nova Constituição. Seria reeleito até 2006.

41. Em 1988, a mais de 20 mil quilômetros de distância, Fidel Castro dirige de Havana a batalha de Cuito Cuanavale em Angola, na qual as tropas cubanas e angolanas infringem uma retumbante derrota às forças armadas sul-africanas que invadiram Angola e que ocupavam a Namíbia. O historiadora Piero Gleijeses, professor da Universidade John Hopkins, de Washington, escreve a respeito: “Apesar de todos os esforços de Washington [aliado ao regime do apartheid] para impedir-lhe, Cuba mudou o rumo da história da África Austral […]. A proeza dos cubanos no campo de batalha e seu virtuosismo à mesa de negociações foram decisivos para obrigar a África do Sul a aceitar a independência da Namíbia. Sua exitosa defesa de Cuito foi o prelúdio de uma campanha que obrigou a SADF [Força de Defesa Sul-Africana, as então Forças Armadas oficiais da África do Sul, por sua sigla em inglês] a sair de Angola. Essa vitória repercutiu para além da Namíbia.”

42. Observador lúcido da Perestroika, Fidel Castro declara ao povo em um discurso premonitório do dia 26 de julho de 1989, que, no caso do desaparecimento da União Soviética, Cuba deveria resistir e prosseguir na via do socialismo. “Se amanhã ou qualquer outro dia despertássemos com a notícia de que se criou uma grande guerra civil na URSS, ou até se despertássemos com a notícia de que a URSS se desintegrou […], Cuba e a Revolução Cubana seguiriam lutando e seguiriam resistindo.”

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Fidel se aproximou muito de outros líderes latino-americanos, como Lula e Chavez.

43. Em 1994, em pleno Período Especial, conhece Hugo Chavez, com quem estabelece uma forte amizade, que duraria até a morte dele, em 2013. Segundo Fidel Castro, o presidente venezuelano foi o “melhor amigo que o povo cubano teve”. Ambos estabelecem uma colaboração estratégica com a criação, em 2005, da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, que agrupa atualmente oito países da América Latina e do Caribe.

44. Em 1998, Fidel Castro recebe a visita do papa João Paulo II em Havana. Ele pede que “o mundo se abra para Cuba e que Cuba se abra para o mundo”.

45. Em 2002, o ex-presidente dos Estados Unidos James Carter realiza uma visita histórica a Cuba. Faz uma intervenção ao vivo pela televisão: “Não vim aqui interferir nos assuntos internos de Cuba, mas estender uma mão de amizade ao povo cubano e oferecer uma visão de futuro aos nossos países e às Américas. […] Quero que cheguemos a ser amigos e nos respeitemos uns aos outros […]. Devido ao fato de os Estados Unidos serem a nação mais poderosa, somos nós que devemos dar o primeiro passo.”

46. Em julho de 2006, depois de uma grave doença intestinal, Fidel Castro renuncia ao poder. Conforme a Constituição, é sucedido pelo vice-presidente, Raul Castro.

47. Em fevereiro de 2008, Fidel Castro renuncia definitivamente a qualquer mandato executivo. Consagra-se, então, à redação de suas memórias e publica regularmente artigos sob o título “reflexões.”

48. Arthur Schlesinger Jr., historiador e assessor especial do presidente Kennedy, evocou a questão do culto à pessoa [de Fidel] depois de uma permanência em Cuba em 2001. “Fidel Castro não incentiva o culto à [sua] pessoa. É difícil encontrar um cartaz ou até um cartão postal de Castro em qualquer lugar de Havana. O ícone da Revolução de Fidel, visível em todos os lugares, é Che Guevara.”

49. Gabriel García Márquez, escritor colombiano e Prêmio Nobel de literatura, é amigo íntimo de Fidel Castro. Esboçou um retrato dele e ressalta “a confiança absoluta que desperta no contato direto. Seu poder é de sedução. Busca os problemas onde eles estão. Sua paciência é invencível. Sua disciplina é de ferro. A força de sua imaginação o empurra até os limites do imprevisto.”

50. O triunfo da Revolução Cubana no dia 1 de janeiro de 1959, dirigida por Fidel Castro, é o acontecimento mais relevante da História da América Latina do século 20. Fidel Castro continuará sendo uma das figuras mais controversas do século 20. Entretanto, até seus mais ferrenhos detratores reconhecem que fez de Cuba uma nação soberana e independente, respeitada no cenário internacional, com inegáveis conquistas sociais nos campos da educação, saúde, cultura, esporte e solidariedade internacional. Ficará para sempre como o símbolo da dignidade nacional que sempre se colocou do lado do oprimidos e que deu seu apoio a todos os povos que lutavam por sua emancipação.

Salim Lamrani é doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos, escritor, jornalista, professor-titular da Universidade de la Reunión e especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.

Salim Lamrani: 50 verdades sobre a ditadura de Fulgêncio Batista em Cuba

17 de outubro de 2013

Cuba_Fulgencio_Batista01Mitos alimentados pelos partidários do antigo regime exilados em Miami e detratores de Fidel Castro, ainda persistem.

Salim Lamrani, via Opera Mundi

A ditadura de Fulgêncio Batista, de 1953 a 1958, precipitou o advento da Revolução Cubana. Alguns mitos, cuidadosamente alimentados pelos partidários do antigo regime exilados em Miami e pelos detratores de Fidel Castro, ainda persistem.

1. O golpe de estado de 10 de março de 1953, organizado por Fulgêncio Batista, que tinha sido presidente da República entre 1940 e 1944, colocou fim à ordem constitucional e derrubou o governo democraticamente eleito de Carlos Prío Socarrás, alguns meses antes das eleições presidenciais de junho de 1952.

2. Antigo sargento estenógrafo, Batista passou a fazer parte da política cubana durante a Revolução de 4 de setembro de 1933, que foi liderada pelos estudantes e que derrubou a ditadura odiada de Gerardo Machado. Ele encabeçou uma rebelião de suboficiais e se apoderou do Exército, transformando-se no novo chefe do Estado-Maior. No dia seguinte, 5 de setembro de 1933, Batista visitou o embaixador estadunidense Sumner Welles, que profetizou sua futura traição. Welles estava preocupado com os “elementos extremamente radicais” que acabavam de tomar o poder. O governo revolucionário de Ramón Grau San Martín, conhecido como “A Pentarquía”, tinha o apoio da “imensa maioria do povo cubano”, segundo a embaixada estadunidense.

3. Os Estados Unidos se negaram a reconhecer o novo governo revolucionário e encorajaram Batista a usar a força para derrubar San Martín. Este último defendia, por meio da voz de Antonio Guiteras, verdadeira alma da Revolução de 1933, a soberania nacional e a justiça social. Welles informou a Batista que dispunha do “apoio da imensa maioria dos interesses econômicos e financeiros em Cuba.”

4. Em janeiro de 1934, com o apoio de Washington, Batista derrubou o governo do Grau San Martín, conhecido como o governo dos “cem dias” [127 dias], impôs a figura de Carlos Mendieta e conservou o poder real. O sargento promovido a general tinha acabado de vencer as campanhas da Revolução de 1933. Washington alegrou-se com a situação: “O 4 de setembro de 1933 foi liquidado.”

5. Apesar das incessantes conspirações, da instabilidade política crônica e da hostilidade dos Estados Unidos, a [o governo da] Revolução de 1933 organizou eleições para o dia 22 de abril de 1934; convocou uma Assembleia Constituinte para o dia 20 de maio de 1934; deu autonomia às universidades; reduziu o preço dos artigos de primeira necessidade; outorgou às mulheres o direito de votar; limitou a jornada de trabalho a oito horas; criou o Ministério do Trabalho; reduziu as tarifas de eletricidade e de gás; acabou com o monopólio das empresas estadunidenses; impôs uma moratória temporária sobre a dívida e, sobretudo, nacionalizou a Cuban Electric Company, filial da American Bond and Foreign Power Company.

6. De 1934 a 1940, Batista reinou nos bastidores até ser eleito presidente da República, em 1940, graças a uma coalizão heterogênea que agrupava as forças conservadoras e os comunistas do Partido Socialista Popular. Segundo Washington, “o volume e o tamanho da corrupção”, o alinhamento com a política exterior estadunidense e a sua dependência do mercado estadunidense marcaram seu governo. Batista permitiu, também, que Washington utilizasse o espaço aéreo, marítimo e terrestre [cubano], dispusesse de várias bases aéreas e navais [no país] com uso exclusivo durante a 2ª Guerra Mundial, sem reciprocidade, pondo assim a soberania nacional entre parênteses.

7. Em 1944, Ramón Grau San Martín foi eleito presidente da República e tomou posse em outubro de 1944. Batista deixou uma situação financeira desastrosa para o seu sucessor. O embaixador estadunidense Spruille Braden se deu conta da situação já em julho de 1944 e informou seus superiores: “É cada vez mais evidente que o presidente Batista deseja dificultar a vida da próxima administração de todas as formas possíveis, e, particularmente, do ponto de vista financeiro”. Braden denunciou “um roubo sistemático dos fundos do Tesouro” e disse que “o Dr. Grau vai encontra os caixas vazios quanto tome posse.”

8. Grau San Martín dirigiu o país até 1948 e a sua administração esteve gangrenada pela corrupção e pela dependência dos Estados Unidos. O Departamento de Estado enfatizou a débil situação da nação cubana em um memorando de 29 de julho de 1948: “A economia monocultora depende quase exclusivamente dos Estados Unidos. Se manipularmos os preços ou o contingente açucareiro podemos afundar toda a ilha na pobreza.”

9. Carlos Prío Socarrás, primeiro-ministro de Grau em 1945 e ministro do Trabalho depois, venceu a eleição presidencial de 1948. O nepotismo e a corrupção marcaram a sua administração.

10. No dia 10 de março de 1953, a três meses das eleições presidenciais de 1 de junho de 1952, Batista rompeu a ordem constitucional e instaurou uma ditadura militar. Aumentou o salário das forças armadas e da polícia (de 67 pesos para 100 pesos e de 91 pesos para 150 pesos, respectivamente); outorgou para si mesmo um salário anual maior que o do presidente dos Estados Unidos (passou de US$26.400,00 para US$144 mil, enquanto [Harry S.] Truman ganhava 100 mil); suspendeu o Congresso e entregou o poder legislativo ao Conselho de Ministros; eliminou o direito à greve; restabeleceu a pena de morte (proibida pela Constituição de 1940); e suspendeu as garantias constitucionais.

11. No dia 27 de março de 1952, os Estados Unidos reconheceram oficialmente o regime de Batista. Como apontou o embaixador estadunidense em Havana, “as declarações do general Batista a respeito do capital privado foram excelentes. Fora muito bem recebidas e, eu sabia, sem dúvida alguma, que o mundo dos negócios é dos mais entusiastas partidários do novo regime.”

12. Em julho de 1952, Washington assinou acordos militares com Havana, ainda que consciente do caráter brutal e arbitrário do novo poder. Cuba está “sob o jugo de um ditador sem piedade”, destacou a embaixada estadunidense em um relatório confidencial de janeiro de 1953, destinado ao Departamento do Estado.

De fato, o general reprimia com mão de ferro a oposição, particularmente a juventude estudantil simbolizada pelo assassinato do jovem Rubén Batista em janeiro de 1953.

13. No dia 26 de julho de 1953, um jovem advogado chamado Fidel Castro encabeçou uma expedição armada contra o quartel Moncada, segunda maior fortaleza militar do país. Foi um fracasso sangrento. O consulado estadunidense de Santiago de Cuba, disse que “o Exército não fez distinção entre os insurgentes capturados ou simples suspeitos”, reconhecendo o massacre cometido pelos soldados depois de receber ordens do coronel Alberto del Río Chaviano. Enfatizou também “o número muito baixo de feridos entre os insurgentes em relação ao número de soldados feridos […]. Os agressores capturados foram executados a sangue frio e os agressores feridos também foram liquidados.”

14. Em novembro de 1954, Batista organizou uma paródia eleitoral que ganhou sem dificuldade. Os Estados Unidos reconheceram que “as eleições de Batista eram um simulacro destinado à agarrar-se ao poder.”

15. Em novembro de 1955, depois de uma ordem de Washington, o regime militar criou o Bureau de Repressão das Atividades Comunistas (Brac), que se encarregava de “reprimir todas as atividades subversivas que pudessem afetar os Estados Unidos.”

16. Se os discursos de Batista eram ferozmente anticomunistas, é conveniente lembrar que foi ele quem estabeleceu pela primeira vez relações diplomáticas entre Cuba e a União Soviética, em 1942.

17. Durante toda a ditadura militar, Batista manteve relações comerciais com Moscou, vendendo açúcar. Em 1947, o Diario de la Marina, jornal conservador cubano, se alegrou com estas vendas destacando que “o preço do açúcar tinha melhorado depois de a União Soviética adquirir 200 mil toneladas”. Em nenhum momento Washington se preocupou com as relações comerciais entra a União Soviética e Cuba sob a ditadura de Batista. A história seria outra quando Fidel Castro chegasse ao poder.

18. Em maio de 1955, Batista, que desejava melhorar sua imagem e responder a uma petição popular, concedeu anistia geral e libertou Fidel Castro, assim como todos os outros presos de Moncada.

19. No dia 2 de dezembro de 1956, depois de organizar uma expedição partindo do México, onde conheceu Che Guevara, Fidel Castro desembarcou em Cuba com 81 homens para dar início a uma guerra internacional contra a ditadura militar de Batista. Surpreendida pelo Exército, a operação foi um fracasso e os revolucionários tiveram de se separar. Fidel Castro se encontrou com outros 11 insurgentes, que tinham um total de apenas 7 fuzis.

20. O embaixador estadunidense Arthur Gardner expressou seu ponto de vista sobre Fidel Castro em um relatório enviado ao Departamento de Estado. O líder do Movimento 26 de Julho era um “gângster” que “ia se apoderar das indústrias norte-americanas” e “nacionalizar tudo”. Quanto ao ditador Batista, “duvido que tenhamos tido melhor amigo que ele”. Faltava, então, “apoiar o atual governo e promover a expansão dos interesses econômicos estadunidenses.”

21. Batista exercia violência feroz contra a oposição. Mas os Estados Unidos se mostraram discretos em relação aos crimes que o seu aliado cubano cometia. Entretanto, a embaixada estadunidense em Havana multiplicava os relatórios sobre o tema: “Estamos convencidos agora de que os assassinatos recorrentes de pessoas a quem o governo qualifica como opositores e terroristas são, na realidade, o trabalho da polícia e do Exército. No entanto, o adido jurídico recebeu confissões indiretas da culpa dos círculos policiais, além de provas da responsabilidade da polícia.”

22. Wayne S. Smith, jovem funcionário da embaixada estadunidense, ficou chocado com os massacres cometidos pelas forças da ordem. Descreveu cenas de terror: “A polícia reagia de maneira excessiva à prisão dos insurgentes, torturando e matando centenas de pessoas, tanto inocentes como culpados. Os corpos são abandonados, enforcados em árvores, nas rodovias. Tais táticas levaram a opinião pública a rejeitar Batista e apoiar a oposição.”

23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do The New York Times, permitiu que a opinião pública estadunidense e mundial descobrisse a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde em suas memórias que graças a esse palco jornalístico “Castro começava a ser um personagem de lenda”. Matthews relativizou, no entanto, a importância de sua entrevista: “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, teria podido ter efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”

24. No dia 13 de março de 1957, um comando do Diretório Revolucionário do líder estudantil José Antonio Echeverría, que era composto de 64 jovens, atacou o Palácio Presidencial com o objetivo de executar Batista. A operação foi um fracasso e custou a vida de 40 dos 64 estudantes. Os sobreviventes foram perseguidos pela cidade e assassinados. Echeverría perdeu a vida durante um enfrentamento com a polícia perto da Universidade de Havana.

25. A embaixada francesa em Havana analisou o ataque de 13 de março: “As reações norte-americanas aos acontecimentos em Cuba eram de horror, de simpatia pelos insurgentes, de reprovação contra Batista. Ao ler as reportagens que os principais jornais cubanos dedicaram ao evento, fica claro que o heroísmo dos patriotas cubanos marcou muito os Estados Unidos […]. Se alguns reconhecem, no entanto, que os insurgentes de 13 de março estavam errados em seus métodos, é verdade, muito mais que em seus objetivos, todos estimam em troca que deram à sua causa a palma do martírio e que este exemplo estimularia a oposição cubana.”

26. Fidel Castro, que fez uma aliança com o Diretório Revolucionário na luta contra Batista, não concordava com o assassinato político: “Estávamos contra Batista, mas nunca tentamos organizar um atentado contra ele e teríamos podido fazê-lo. Era vulnerável. Era muito mais difícil lutar contra o Exército dele nas montanhas ou tentar tomar uma fortaleza que era protegida por um regimento. Quantos estavam no quartel de Moncada, naquele 26 de julho de 1953? Cerca de mil homens, talvez mais. Preparar um ataque contra Batista e eliminá-lo era dez ou vinte vezes mais fácil, mas nunca o fizemos. Por acaso o tiranicídio serviu alguma vez na história para fazer uma revolução? Nada muda nas condições objetivas que geram uma tirania […]. Nunca acreditamos no assassinato de líderes […], não acreditávamos que se abolia ou eliminava um sistema quando se eliminava seus líderes. Combatíamos as ideias reacionárias, não os homens.”

27. Nas montanhas de Sierra Maestra, onde aconteciam os combates entre o Exército e os insurgentes, Batista evacuou à força as famílias camponesas para eliminar a base de apoio dos rebeldes e as concentrou em armazéns da cidade de Santiago. Aplicava, assim, os métodos do general espanhol Valeriano Weyler durante a guerra de 1895-1898. Em uma reportagem, a revista Bohemia denunciou uma “situação de tragédia” que lembrava “as épocas mais obscuras de Cuba”. A revista semanal relatou a sorte de cerca de 6 mil vítimas: “É uma história dolorosa, de sofrimentos, de penas intensas. É a história de 6 mil cubanos obrigados a deixarem seus lares, ali, nos rincões inextricáveis de Sierra Maestra, para serem concentrados em lugares onde lhes faltava tudo, onde era difícil ajudá-los, dar-lhes uma cama ou um prato de comida.”

28. No dia 29 de julho de 1957, o assassinato de Frank País, líder do Movimento 26 de Julho no estado de Oriente, desatou uma imensa manifestação que foi reprimida pelas forças de Batista, a ponto de o embaixador estadunidense Earl E. T. Smith se sentir obrigado a denunciar “a ação excessiva da polícia.”

29. No dia 5 de setembro de 1957, o levante de uma parte do Exército contra Batista [na cidade de] Cienfuegos foi afogado em sangue. Segundo o embaixador Smith, “o fator-chave para quebrar a revolta de Cienfuegos” foi o uso de aviões “F-47 e B-26”, fornecidos pelos Estados Unidos.

30. No dia 29 de setembro de 1957, o Colégio Médico Cubano publicou um relatório sobre a situação política cubana durante a XI Assembleia Geral da Associação Médica Mundial. Segundo ele, “os combatentes da luta arma que se rendem são liquidados. Não há prisioneiros, só há mortos. Muitos opositores não são submetidos ao Tribunal de Justiça, são executados com um tiro na nuca ou enforcados. Intimidam os magistrados e os juízes sem que as vozes de protestos sejam escutadas. A desesperança se difunde entre os jovens que se sacrificam em uma luta desigual. Aquele que é perseguido não encontra refúgio. Na embaixada do Haiti, dez solicitantes de asilo foram assassinados pela força pública […]. A imprensa está totalmente censurada. Não se permite a informação jornalística, nem sequer por parte das agências internacionais […]. Nos locais do Exército e dos corpos de repressão da polícia os detidos são torturados para arrancar deles à força a confissão de supostos delitos. Vários feridos que estavam em clínicas e hospitais foram levados à força e apareceram várias horas depois assassinados nas cidades ou no campo”. O Washington Post e o Times Herald destacaram que “os médicos cubanos são vítimas de atrocidades, inclusive de assassinato por curar rebeldes cubanos.”

31. Em 1958, além de apoiar o regime de Batista, os Estados Unidos julgaram e prenderam Carlos Prío Socarrás, presidente legítimo de Cuba, refugiado em Miami, sob o pretexto de violar as leis de neutralidade do país, Ele tentava organizar uma resistência interna contra a ditadura.

32. Quanto à liberdade de imprensa, os Estados Unidos apresentaram a Cuba pré-revolucionária com uma visão positiva. Assim, afirmam, “antes de 1959, o debate público era vigoroso: havia 58 jornais e 28 canais de televisão que proporcionavam uma pluralidade de pontos de vista políticos”. Os documentos da época e os acontecimentos contradizem esta afirmação. De fato, um relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, por sua sigla em espanhol), publicado em 1957, chamou de “antidemocrático o governo do presidente Fulgêncio Batista de Cuba, já que o governo não respeita a liberdade de imprensa”. De fato, a censura à imprensa se aplicou durante 630 dias dos 759 que durou a guerra insurrecional, entre 2 de dezembro de 1956 e 1 de janeiro de 1959.

33. Sob o mando de Batista, a corrupção era endêmica. “Os diplomatas informam inclusive que se sempre houve corrupção governamental em Cuba, nunca foi tão eficaz e generalizada como durante o regime do presidente Fulgêncio Batista”, afirmou o The New York Times.

34. Batista estava intimamente vinculado a criminosos como Meyer Lansky ou Luigi Trafficante Jr. Seus primeiros contatos com a máfia remontavam à 1933, quando ele se autoproclamou coronel e Charles “Lucky” Luciano e Santo Trafficante sênior se aproximaram dele. O mundo do jogo, altamente lucrativo, estava controlado por Lansky, número dois da máfia estadunidense, um dos principais gângsteres dos Estados Unidos”, que “tinha criado para o ditador Batista a organização atual dos jogos de Havana”, de acordo com o jornal francês Le Monde.

35. Os Estados Unidos e os partidários do antigo regime apresentam ainda a Cuba de Batista como “a vitrine da América Latina” da época. A realidade é sensivelmente diferente. As estatísticas do Banco Nacional de Cuba estão disponíveis para esse período e é possível comparar a situação econômica sob o governo democrático do presidente Carlos Prío Socarrás e sob o regime militar de Batista. Assim, entre 1951 e 1952, o PIB cubano aumentou 2,52%. De 1952 a 1953, sob Batista, o PIB caiu 11,41%, com um aumento de apenas 0,9%, de 1953 a 1954, e de 3,5%, de 1954 a 1955. Apenas em 1956 o PIB voltou a alcançar o nível de 1952, com 2,4 bilhões de pesos. Assim, é impossível falar de crescimento econômico entre 1952 a 1956. Durante dois terços do reinado de Batista não houve crescimento. A melhora só aconteceu a partir de 1957, quando o PIB alcançou a cifra de 2,8 bilhões de pesos e, em 1958, voltou a baixar para 2,6 bilhões.

36. Além disso, as reservas monetária caíram de 448 milhões de pesos, em 1952, para 373 milhões em 1958, os quais foram roubados durante a fuga de Batista e de seus cúmplices no dia 1 de janeiro de 1959. A dívida da nação passou de US$300 milhões, em março de 1952, para US$1,3 bilhão em janeiro de 1959, e o déficit orçamentário alcançou os US$800 milhões.

Entrevista com Fulgêncio Batista

37. A política açucareira de Batista foi um fracasso. Enquanto esse setor gerava entradas na casa dos 623 milhões de pesos em 1952, o montante baixou para 383, 5 milhões em 1953, 412,8 milhões em 1954, 402,1 milhões em 1955, 426,1 milhões em 1956 e 520,7 milhões em 1958. Somente o ano de 1957 gerou mais ingressou que 1952, com 630,8 milhões de pesos.

38. Os trabalhadores e empregados agrícolas pagaram o preço. Enquanto sua remuneração subia para 224.99 milhões de pesos em 1952, caiu para 127,7 milhões em 1953, 128,2 milhões em 1954, 118,9 milhões em 1955, 127 milhões em 1956, 175,3 milhões em 1957, 123,5 milhões em 1955, 114,6 milhões em 1956, 145,7 milhões em 1957 e 141,8 milhões em 1958. No governo de Batista, os trabalhadores e empregados não agrícolas nunca chegaram ao nível de renda de 1952.

39. Mesmo assim, o regime de Batista se beneficiou da ajuda econômica estadunidense como nunca. Os investimentos estadunidenses em Cuba passaram de US$657 milhões em 1950, no governo de Carlos Prío Socarrás, para mais de US$1 bilhão em 1958.

40. O professor estadunidense Louis A. Pérez Jr. aponta que, “na realidade, a renda per capita em Cuba, em 1958, era mais ou menos semelhante a de 1947.”

41. Um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Economia dos Estados Unidos, entre maio e 1956 e junho de 1957, publicado em um relatório intitulado Investment in Cuba. Basic Information for the United States Busing Department of Commerce, o número de desempregados era 650 mil na metade do ano, isto é, cerca de 35% da população ativa. Destes, 450 mil eram desempregados permanentes. Entre os 1,4 milhão de trabalhadores, cerca de 62% recebia um salário inferior a 75 pesos mensais. De acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, “no campo, o número de desocupados aumentava a cada safra açucareira e podia superar os 20% da mão de obra, isto é, entre 400 e 500 mil pessoas”. A renda anual do jornaleiro não passava dos US$300,00.

42. Cerca de 60% dos camponeses viviam em barracos com teto de palha e piso de terra, desprovidos de banheiros ou água corrente. Cerca de 90% não tinham eletricidade. Cerca de 85% destes barracos tinham um ou dois ambientes para toda a família. Somente 11% dos camponeses consumiam leite, 4% carne, 2% ovos. 43% eram analfabetos e 44% nunca tinham ido para a escola. O jornal The New York Times ressalta que “a grande maioria deles nas zonas rurais – guajiros ou camponeses – vivem na miséria, em nível de subsistência.”

43. Segundo o economista inglês Dudley Seers, a situação em 1958 era “intolerável. O que era intolerável era a taxa de desemprego três vezes mais elevada que nos Estados Unidos. Por outro lado, no campo, as condições sociais eram malíssimas. Cerca de um terço da nação vivia na sujeira, comendo arroz feijão, banana e salada (quase nunca carne, peixe, ovos ou leite), vivendo em barracos, normalmente sem eletricidade nem latrinas, vítimas de doenças parasitárias, e não se beneficiavam de um serviço de saúde. A situação dos pobres, instalados em barracos provisórios em terras coletivas, era particularmente difícil […]. Uma importante proporção da população urbana também era muito miserável”.

44. O presidente John f. Kennedy também se expressou a respeito: “Penso que não existe um país no mundo, incluindo os países sob domínio colonial, onde a colonização econômica, a humilhação e a exploração foram piores que as que aconteceram em Cuba, devido à política do meu país, durante o regime de Batista. Nos negamos a ajudar Cuba em sua desesperada necessidade de progresso econômico. Em 1953, a família cubana média tinha uma renda de US$6,00 semanais […]. Este nível abismal piorou à medida que a população crescia. Mas, em vez de estender uma mão amistosa ao povo desesperado de Cuba, quase toda a nossa ajuda tomava forma de assistência militar – assistência que simplesmente reforçou a ditadura de Batista [gerando] o sentimento crescente de que os Estados Unidos eram indiferentes às aspirações cubanas a uma vida decente.”

45. Arthur M. Schlesinger, Jr., assessor pessoal do presidente Kennedy, se lembrou de uma estadia na capital cubana e testemunhou: “Eu adorava Havana e me horrorizou a maneira como esta adorável cidade tinha se transformado desgraçadamente em um grande cassino e prostíbulo para os homens de negócios norte-americanos […]. Meus compatriotas caminhavam pelas ruas, se deitavam com garotas cubanas de 14 anos e jogavam fora moedas só pelo prazer de ver os homens chafurdando no esgoto para recolhê-las. É de se questionar como os cubanos – vendo essa realidade – poderiam ver os Estados Unidos de outro modo a não ser com ódio.”

46. Contrariamente às práticas do Exército governamental, os revolucionários davam uma grande importância ao respeito da vida dos prisioneiros. A respeito, Fidel Castro conta: “Na nossa guerra de liberação nacional, não houve um único caso sequer de prisioneiro torturado, nem mesmo quando poderíamos ter usado como pretexto a necessidade de conseguir alguma informação militar para salvar a nossa própria tropa ou para ganhar uma batalha. Não houve um só caso. Tivemos centenas de prisioneiros, depois milhares, antes do fim da guerra; era possível procurar os nomes de todos e não houve um único caso entre essas centenas, estes milhares de prisioneiros que tenha sofrido uma humilhação, ou sequer um insulto. Quase sempre púnhamos estes prisioneiros em liberdade. Isso nos ajudou a ganhar a guerra, porque nos deu um grau de autoridade frente aos soldados do inimigo. Confiavam em nós. No começo, ninguém se rendia; no final, se rendiam em massa”. O New York Times também aludiu ao bom tratamento reservado aos soldados presos: “É o tipo de conduta que ajudou ao senhor Castro a ter uma importância tão extraordinária no coração e no espírito dos cubanos.”

47. O embaixador Smith resumiu as razões do apoio dos Estados Unidos a Batista: “O governo de Batista é ditatorial e pensamos que não tem o apoio da maioria do povo de Cuba. Mas o governo de Cuba tem sido um governo amistoso em relação aos Estados Unidos e tem seguido um política econômica em geral sã, que tem beneficiado os investidores estadunidenses. Tem sido um partidário leal das políticas dos Estados Unidos nos foros internacionais.”

48. O jornalista estadunidense Jules Dubois, um dos maiores especialistas da realidade cubana da época, descreveu com Herbert L. Matthews o regime de Batista: “Batista voltou ao poder no dia 10 de março de 1952 e começou então a etapa mais sangrenta da história cubana desde a guerra da independência, quase um século antes. As represálias das forças repressivas de Batista custaram a vida a numerosos presos políticos. Para cada bomba que explodia, tiravam dois presos da cela e os executavam de maneira sumária. Uma noite em Marianao, um bairro de Havana, os corpos de 98 presos foram espalhados pelas ruas, crivados de balas.”

49. O presidente Kennedy também denunciou a brutalidade do regime: “Há dois anos, em setembro de 1958, um grupo de rebeldes barbudos desceu das montanhas de Sierra Maestra, em Cuba, e começou sua marcha até Havana, uma marcha que finalmente derrubou a ditadura brutal, sangrenta e despótica de Fulgêncio Batista […]. Nosso fracasso mais desastroso foi a decisão de dar status e apoio a uma das mais sangrentas e repressivas ditaturas na longa história da repressão latino-americana. Fulgêncio Batista assassinou 20 mil cubanos em 7 anos – uma proporção maior da população cubana que a proporção de norte-americanos que morreram nas duas guerras mundiais – e transformou a democrática Cuba em uma Estado policial total, destruindo cada liberdade individual.”

50. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos deram seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opuseram a Fidel Castro. Apesar disso, de seus 20 mil soldados e de sua superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958. A contraofensiva estratégica lançada por Fidel Castro causou a fuga de Batista para a República Dominicana e o triunfo da Revolução em 1 de janeiro de 1959.

Salim Lamrani, doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, é professor-titular da Universidade de La Reunión e escritor, jornalista e especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.

Salim Lamrani: 50 verdades sobre Hugo Chavez

8 de março de 2013

Hugo_Chavez74_SiempreSalim Lamrani, no sítio Opera Mundi

O presidente Hugo Chavez, que faleceu no dia 5 de março de 2013, vítima de câncer, aos 58 anos, marcou para sempre a história da Venezuela e da América Latina.

1. Jamais, na história da América Latina, um líder político alcançou uma legitimidade democrática tão incontestável. Desde sua chegada ao poder em 1999, houve 16 eleições na Venezuela. Hugo Chavez ganhou 15, entre as quais a última, no dia 7 de outubro de 2012. Sempre derrotou seus rivais com uma diferença entre 10% e 20%.

2. Todas as instâncias internacionais, desde a União Europeia até a Organização dos Estados norte-americanos, passando pela União de Nações Sul-Americanas e pelo Centro Carter, mostraram-se unânimes ao reconhecer a transparência das eleições.

3. Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, inclusive declarou que o sistema eleitoral da Venezuela era “o melhor do mundo”.

4. A universalização do acesso à educação, implementada em 1998, teve resultados excepcionais. Cerca de 1,5 milhão de venezuelanos aprenderam a ler e a escrever graças à campanha de alfabetização denominada Missão Robinson I.

5. Em dezembro de 2005, a Unesco decretou que o analfabetismo na Venezuela havia sido erradicado.

6. O número de crianças na escola passou de 6 milhões em 1998 para 13 milhões em 2011, e a taxa de escolarização agora é de 93,2%.

7. A Missão Robinson II foi lançada para levar a população a alcançar o nível secundário. Assim, a taxa de escolarização no ensino secundário passou de 53,6% em 2000 para 73,3% em 2011.

8. As Missões Ribas e Sucre permitiram que dezenas de milhares de jovens adultos chegassem ao Ensino Superior. Assim, o número de estudantes passou de 895 mil em 2000 para 2,3 milhões em 2011, com a criação de novas universidades.

9. Em relação à saúde, foi criado o Sistema Nacional Público para garantir o acesso gratuito à atenção médica para todos os venezuelanos. Entre 2005 e 2012, foram criados 7.873 centros médicos na Venezuela.

10. O número de médicos passou de 20 por 100 mil habitantes, em 1999, para 80 em 2010, ou seja, um aumento de 400%.

11. A Missão Bairro Adentro I permitiu a realização de 534 milhões de consultas médicas. Cerca de 17 milhões de pessoas puderam ser atendidas, enquanto, em 1998, menos de 3 milhões de pessoas tinham acesso regular à saúde. Foram salvas 1,7 milhão de vidas entre 2003 e 2011.

12. A taxa de mortalidade infantil passou de 19,1 a cada mil, em 1999, para 10 a cada mil em 2012, ou seja, uma redução de 49%.

13. A expectativa de vida passou de 72,2 anos em 1999 para 74,3 anos em 2011.

14. Graças à Operação Milagre, lançada em 2004, 1,5 milhão de venezuelanos vítimas de catarata ou outras enfermidades oculares recuperaram a visão.

15. De 1999 a 2011, a taxa de pobreza passou de 42,8% para 26,5%, e a taxa de extrema pobreza passou de 16,6% em 1999 para 7% em 2011.

16. Na classificação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Venezuela passou do posto 83 no ano 2000 (0,656) ao 73° lugar em 2011 (0,735), e entrou na categoria das nações com o IDH elevado.

17. O coeficiente Gini, que permite calcular a desigualdade em um país, passou de 0,46 em 1999 para 0,39 em 2011.

18. Segundo o PNUD, a Venezuela ostenta o coeficiente Gini mais baixo da América Latina, e é o país da região onde há menos desigualdade.

19. A taxa de desnutrição infantil reduziu 40% desde 1999.

20. Em 1999, 82% da população tinha acesso a água potável Agora, são 95%.

21. Durante a presidência de Chavez, os gastos sociais aumentaram 60,6%.

22. Antes de 1999, apenas 387 mil idosos recebiam aposentadoria. Agora são 2,1 milhões.

23. Desde 1999, foram construídas 700 mil moradias na Venezuela.

24. Desde 1999, o governo entregou mais de um milhão de hectares de terras aos povos originários do país.

25. A reforma agrária permitiu que dezenas de milhares de agricultores fossem donos de suas terras. No total, foram distribuídos mais de 3 milhões de hectares.

26. Em 1999, a Venezuela produzia 51% dos alimentos que consumia. Em 2012, a produção é de 71%, enquanto o consumo de alimentos aumentou 81% desde 1999. Se o consumo em 2012 fosse semelhante ao de 1999, a Venezuela produziria 140% dos alimentos consumidos em nível nacional.

27. Desde 1999, a taxa de calorias consumidas pelos venezuelanos aumentou 50%, graças à Missão Alimentação, que criou uma cadeia de distribuição de 22 mil mercados de alimentos (Mercal, Casa da Alimentação, Rede PDVAL), onde os produtos são subsidiados, em média, 30%. O consumo de carne aumentou 75% desde 1999.

28. Cinco milhões de crianças agora recebem alimentação gratuita por meio do Programa de Alimentação Escolar. Em 1999, eram 250 mil.

29. A taxa de desnutrição passou de 21% em 1998 para menos de 3% em 2012.

30. Segundo a FAO, a Venezuela é o país da América Latina e do Caribe mais avançado na erradicação da fome.

31. A nacionalização da empresa de petróleo PDVSA, em 2003, permitiu que a Venezuela recuperasse sua soberania energética.

32. A nacionalização dos setores elétricos e de telecomunicação (CANTV e Eletricidade de Caracas) permitiu pôr fim a situações de monopólio e universalizar o acesso a esses serviços.

33. Desde 1999, foram criadas mais de 50 mil cooperativas em todos os setores da economia.

34. A taxa de desemprego passou de 15,2% em 1998 para 6,4% em 2012, com a criação de mais de 4 milhões de postos de trabalho.

35. O salário mínimo passou de 100 bolívares (US$16,00) em 1998 para 247,52 bolívares (US$330,00) em 2012, ou seja, um aumento de mais de 2.000%. Trata-se do salário mínimo mais elevado da América Latina.

36. Em 1999, 65% da população economicamente ativa recebia um salário mínimo. Em 2012, apenas 21,1% dos trabalhadores têm este nível salarial.

37. Os adultos com certa idade que nunca trabalharam dispõem de uma renda de proteção equivalente a 60% do salário mínimo.

38. As mulheres desprotegidas, assim como as pessoas incapazes, recebem uma ajuda equivalente a 70% do salário mínimo.

39. A jornada de trabalho foi reduzida a 6 horas diárias e a 36 horas semanais sem diminuição do salário.

40. A dívida pública passou de 45% do PIB em 1998 a 20% em 2011. A Venezuela se retirou do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, pagando antecipadamente todas as suas dívidas.

41. Em 2012, a taxa de crescimento da Venezuela foi de 5,5%, uma das mais elevadas do mundo.

42. O PIB por habitante passou de US$4.100,00 em 1999 para US$10.810,00 em 2011.

43. Segundo o relatório anual World Happiness de 2012, a Venezuela é o segundo país mais feliz da América Latina, atrás da Costa Rica, e o 19° em nível mundial, à frente da Espanha e da Alemanha.

44. A Venezuela oferece um apoio direto ao continente norte-americano mais alto que os Estados Unidos. Em 2007, Chavez ofereceu mais de US$8,8 bilhões em doações, financiamentos e ajuda energética, contra apenas US$3 bilhões da administração Bush.

45. Pela primeira vez em sua história, a Venezuela dispõe de seus próprios satélites (Bolívar e Miranda) e é agora soberana no campo da tecnologia espacial. Há internet e telecomunicações em todo o território.

46. A criação da Petrocaribe, em 2005, permitiu que 18 países da América Latina e do Caribe, ou seja, 90 milhões de pessoas, adquirissem petróleo subsidiado em cerca de 40% a 60%, assegurando seu abastecimento energético.

47. A Venezuela também oferece ajuda às comunidades desfavorecidas dos Estados Unidos, proporcionando-lhes combustíveis com tarifas subsidiadas.

48. A criação da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), em 2004, entre Cuba e Venezuela, assentou as bases de uma aliança integradora baseada na cooperação e na reciprocidade, agrupando oito países membros, e que coloca o ser humano no centro do projeto de sociedade, com o objetivo de lutar contra a pobreza e a exclusão social.

49. Hugo Chavez está na origem da criação, em 2011, da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), agrupando, pela primeira vez, as 33 nações da região, que assim se emancipam da tutela dos Estados Unidos e do Canadá.

50. Hugo Chavez desempenhou um papel chave no processo de paz na Colômbia. Segundo o presidente Juan Manuel Santos, “se avançamos em um projeto sólido de paz, com progressos claros e concretos, progressos jamais alcançados antes com as Farc, é também graças à dedicação e ao compromisso de Chavez e do governo da Venezuela”.

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