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Os rolezões de FHC com direito à companhia de Regina Duarte e outros sanguessugas

3 de fevereiro de 2014

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Fernando Brito, via Tijolaço

Não sei se os amigos e amigas repararam que o modesto blogueiro aqui anda sem paciência. Está demais aguentar a mediocridade que tomou conta da oposição e da mídia brasileira.

Dar de cara com uma publicação “oficial” do PSDB chamando de “rolezinhos” as viagens presidenciais e exigindo “transparência” nos gastos – até nos gastos pessoais! – de Dilma é dose para elefante…

Por isso, publico a seguir a lista dos “rolezinhos” de Fernando Henrique Cardoso na Presidência. Uma longa lista que termina com uma viagem a Nova Iorque com uma multidão de convidados para vê-lo receber um prêmio, inclusive a inefável Regina “Viúva Porcina” Duarte, com despesas pagas pelo dinheiro público.

Para recordar, Regina Duarte havia gravado, dois meses antes, o famoso “eu tô com medo” da campanha eleitoral de José Serra. Foi, segundo a BBC, 99ª viagem de FHC.

Os gastos “estouraram”, segundo a Folha. E iriam, segundo o jornal, estourar ainda mais, com a produção de filmes promocionais do reconhecimento mundial ao Príncipe dos Sociólogos, orçada, na época, entre R$3,5 milhões e R$4 milhões, ou algo como R$7 milhões, hoje, corrigidos pela inflação.

A campanha foi produzida pelo publicitário Nizan Guanaes, que tinha acabado de dirigir a derrotada campanha de José Serra à Presidência, por meio da agência DNA, do onipresente Marcos Valério. Infelizmente, não parece ninguém para peitar os tucanos, porque viraram todos uns coelhinhos assustados.

Abaixo, a lista dos “rolezinhos” de FHC, para quem tiver paciência de contar o número de dias fora do “Viajando Henrique Cardoso”.

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Falha tentativa de transformar rolezinho em golpe eleitoral

22 de janeiro de 2014
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Parte da classe política adaptou rapidamente o discurso, da defesa da repressão à liberdade. Foto de Apu Gomes/Folhapress.

Ideia de associar eventos em shoppings a uma crise de desordem nacional provocada por políticos progressistas fracassou. É provável que onda de encontros passe.

Helena Sthephanowitz, via RBA

Ideia de associar eventos em shoppings a uma crise de desordem nacional provocada por políticos progressistas fracassou. É provável que onda de encontros passe

Os rolezinhos pequenos em shopping centers, com no máximo dezenas de pessoas, já existiam há muito tempo, sem incomodar ninguém. Os próprios shoppings localizados em bairros da periferia foram feitos para atender também as classes C e D, consumidores emergentes. Os adolescentes dos rolezinhos, em geral, já frequentavam shoppings, seja com seus pais, seja com amigos em pequenos grupos. Não havia, até então, nem tumultos, nem casos significativos de discriminação social ou racial, pelo menos nos shoppings mais populares. Afinal, discriminar o público-alvo seria dar um tiro no pé. É mais comum haver discriminação social ou racial velada nos shoppings de alto luxo.

Com a popularização do acesso às redes sociais da internet, inclusive nos smartphones pré-pagos, os rolezinhos que juntavam dezenas de adolescentes e jovens passaram a atrair centenas ou milhares. Adolescentes cantam, dançam, correm, fazem barulho e travessuras. Tirando o incômodo ao sossego do público familiar frequentador do shopping, em geral de mesma classe social dos “rolezeiros”, são atos inofensivos. Um ou outro caso de furto e agressão ocorreu, nada que fugisse ao cotidiano dos shoppings.

Mas São Paulo vive uma crise de segurança pública após vinte anos de gestão tucana, com casos frequentes de arrastões (assaltos em gangues) em restaurantes, bares e condomínios. Com isso, há quem tenha ficado com medo de rolezinho ser ou virar arrastão. Juntem-se a esse receio as manifestações de rua do ano passado, que resultaram em atos de depredação, e os administradores de shoppings reagiram da pior forma possível. Primeiro chamaram a polícia que, em São Paulo, de novo, usou a truculência excessiva. Houve casos de usarem balas de borracha e bombas de efeito moral, para uma situação que poderia ser resolvida com a mesma habilidade que um inspetor de alunos de uma escola atua na hora do recreio.

A repressão à garotada causou reação. Novos rolezinhos foram marcados, agora contra a repressão e em solidariedade contra a discriminação social e racial. Os administradores de shoppings, já sem serem pegos de surpresa, poderiam abrir canais de diálogo. Poderiam dialogar nas próprias redes sociais, dizendo que todos são bem-vindos, mas criar regras que limitassem o número de frequentadores. Por exemplo, em caso de fluxo anormal de pessoas, só deixar entrar cinquenta pessoas de cada vez. Para entrar outras cinquenta, espera-se sair o mesmo tanto, evitando superlotação e descontrole. A fila seria organizada em ordem de chegada, independentemente de cor e aparência social. Assim, todos estariam submetidos às mesmas regras, sem qualquer filtro preconceituoso. Nada diferente do que lojas em liquidação costumam fazer quando ficam lotadas.

Mas os administradores dos shoppings não fizeram isso. Recorreram ao Judiciário para obter ordem de proibição aos rolezinhos. Alguns juízes indeferiram, porque rolezinho em si é passeio, e entenderam que seria discriminação presumir que quem marca um passeio iria cometer crime ou contravenção. Outros magistrados deram ordem proibindo e estabelecendo multas pesadas para quem fizesse “rolezinho” (sabe-se lá como tipificar isso, o que abre espaço para multar de forma discriminatória qualquer um com quem o oficial de justiça antipatize).

Essas medidas de proibir judicialmente “rolezinho” acabaram levando a situações de só deixar entrar quem “tinha cara de que não iria fazer rolezinho”, barrando adolescentes e jovens pela aparência e, regra geral, os barrados acabam sendo os suspeitos de sempre: principalmente pobres e pretos, caracterizando discriminação inaceitável.

A reação social foi a proliferação de rolezinhos de solidariedade e protesto contra o “apartheid” social em todo o Brasil. Agora não mais organizados pelos adolescentes de antes, e sim por movimentos sociais e ativistas. Essas manifestações, neste último fim de semana, reuniram menos pessoas. Em alguns lugares, centenas, em outros, dezenas, mas levaram alguns shoppings, assustados, a fecharem as portas, mostrando o quanto a tentativa de proibição é menos eficiente do que o diálogo.

Mas teve gente que tentou transformar esse fenômeno da sociedade em movimento em golpe eleitoral. O jornal Folha de S.Paulo publicou na semana passada, em reportagem de capa, uma tentativa de retratar os rolezinhos como uma grande crise de desordem. Esse tipo de golpe eleitoral conservador não é novo. Trata-se do velho truque de colar a imagem de desordem aos políticos progressistas que se solidarizam com minorias barulhentas, sabendo que há uma maioria silenciosa assustada que poderá ficar contrariada com o que entendam ser “apoio à bagunça”. Richard Nixon se elegeu em 1968 nos Estados Unidos com a maioria silenciosa assustada com movimentos hippies, dos panteras negras e estudantes fazendo grandes protestos de contestação. Margaret Thatcher se elegeu primeira-ministra do Reino Unido em 1979 com os votos da maioria silenciosa, após uma onda de greves e protestos, incluindo a contestação do movimento punk.

No caso atual, a mesma nova classe média de onde saem os adolescentes que fizeram os primeiros rolezinhos tumultuados, também leva o filho menor ao shopping. Casais de namorados da periferia vão ao shopping comer fora. Famílias inteiras da nova classe média vão passear e fazer compras no shopping. E todos eles não admitem discriminação, mas querem também poder passear com tranquilidade e sossego nos corredores e praça de alimentação do shopping que, bem ou mal, tornou-se uma das opções de lazer seguro nas cidades.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e seu secretário de segurança, ao defenderem inicialmente a mera repressão aos rolezinhos, inclusive com violência policial, pareciam querer angariar a simpatia das maiorias silenciosas. O prefeito Fernando Haddad (PT-SP) foi cuidadoso, ao propor o diálogo e buscar espaços adequados na cidade para os grandes rolezinhos, preservando o ambiente tranquilo do interior dos shoppings. Saiu-se melhor. O próprio fenômeno dos rolezinhos, passado o susto inicial, com a maioria silenciosa tranquilizada ao saber que aqueles adolescentes são meninos e meninas que poderiam ser seus filhos, de famílias da nova classe média também, já começa a se acomodar, tendendo a voltar à normalidade. Não por acaso, Alckmin mudou seu discurso e passou a dizer que não é problema de polícia, embora a corporação tenha novamente apelado à repressão no último fim de semana.

É provável que esse surto passe e não duvido que os shoppings acabem incorporando uma liquidação “rolezinho” em breve, como ocorreu com a incorporação da contracultura à sociedade de consumo. O golpe eleitoral da “crise de desordem” falhou.


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