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A vítima do moralismo seletivo da mídia é o leitor

31 de maio de 2013
Marilena_Chaui02

A filósofa fala a verdade e leva pancadas da velha e viciada mídia.

As corporações jornalísticas ignoraram o escândalo do Supremo e prestaram um desserviço a seus leitores.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

As mordomias do STF são um assunto de grande interesse público. Elas revelam como a mais alta corte do País trata o dinheiro do contribuinte. Não existe pudor, não existe parcimônia: os juízes viajam de primeira classe e podem levar acompanhante desde que julguem “necessário”. Como eles fazem as regras, é tudo legal, mas imoral e abjeto.

Essas mordomias são notícia de alta importância, naturalmente. Mas não para a mídia, excetuado o Estadão, que revelou as mamatas. E isso conta tudo sobre o farisaísmo da mídia. Notícia é o que serve a seus interesses particulares. O resto não é notícia.

Colunistas sempre rápidos em despejar sentenças moralistas vulgares sobre seus leitores simplesmente não tiveram uma palavra para o escândalo. Fui verificar o que tinha a dizer, por exemplo, Ricardo Noblat, em seu blog. Nada.

Fui verificar o que tinham a dizer os colunistas do site da Veja, Augusto Nunes, Ricardo Setti e Reinaldo Azevedo. Nada, nada a nada, respectivamente.

Um tratamento bem diferente mereceu Marilena Chauí por dizer verdades que cabem a eles todos, campeões do pensamento rasteiro da classe média. Reinaldo Azevedo, ao tratar do discurso em que Chauí criticou a classe média, fez questão de levianamente, sem dados e sem nada, invocar o dinheiro que ela ganharia por conta dos livros do MEC. Havia apenas insinuação, havia apenas maldade, havia apenas a confiança de que seu leitor é tão tapado que vai aceitar o conto do MEC sem recibo e sem comprovação.

Margareth_Thatcher17

Apenas a casa de Thatcher é avaliada em mais de US$10 milhões, mas segundo Azevedo ela “morreu pobre”.

Tratamento bem diverso teve, do mesmo Azevedo, Maggie Thatcher. Numa eulogia disparatada, Azevedo afirmou, no grande final, que Thatcher morreu pobre. Na pobreza de Thatcher estaria a prova suprema de suas virtudes de estadista.

Mais uma vez, Azevedo acreditou que é fácil engambelar seus leitores.

Porque apenas a casa de Thatcher na região mais nobre de Londres é avaliada em mais de 10 milhões de dólares.

Não é informação nova, e sim antiga.

Thatcher só não fez uma fortuna maior porque os problemas mentais logo a impediram, saída do cargo, de realizar palestras e dar consultoria a empresas como a Philip Morris.

O filho de Thatcher, Mark, amealhou uma considerável fortuna com comissões de grandes negócios feitos pelo governo da mãe com outros países.

Mas Thatcher morreu pobre no Planeta Azevedo, e Marilena, ela sim, é rica.

Moralismo, quando é seletivo, é hipocrisia mistura a cinismo. Destina-se não a corrigir desvios éticos, mas a tirar proveito da boa-fé dos chamados inocentes úteis.

O escândalo do STF, ignorado pela mídia, é apenas mais uma página de um conjunto de atitudes em que a vítima é a sociedade.

Blogueiro da Veja paga mico ao publicar fotomontagem de Lula

5 de dezembro de 2012

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A foto original foi feita no dia 22 de fevereiro de 2009, no Sambódromo, no Rio, e mostra Lula, dona Marisa, Neguinho da Beija-Flor e a mulher, Elaine Reis (Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República).

No afã de desmoralizar Lula, o “colonista” Ricardo Setti da revista [da] marginal publicou em seu blog uma fotomontagem que circula nas redes sociais em que o ex-presidente aparece abraçado com Rosemary Noronha e o Neguinho da Beija-Flor. Ele, como é o hábito da revista (sic)  em que trabalha, nem procurou se certificar da autenticidade da foto e muito menos dar o crédito ao fotógrafo. A mídia golpista, há mais de 12 anos, massacra o torneiro mecânico que virou o melhor presidente que este país já teve, mas, enquanto isso, sua popularidade só cresce dentro e fora do Brasil. Dessa vez a revista da famiglia Civita se desculpou, mas e dos “escândalos”? Vão deixar passar batidos?

A seguir, a desculpa esfarrapada do babaca.

Errei ao publicar foto falsa de Lula com “Rose” e dona Marisa que, na verdade, era uma montagem. Peço desculpas aos leitores e às três pessoas que aparecem na montagem

Amigas e amigos do blog, não tenho compromisso com o erro, e nem medo de pedir desculpas.

Então, queria dizer que a suposta foto que até há alguns minutos ilustrava o post sobre o “Caso Rose” que publiquei hoje, mostrando Lula supostamente abraçado a Rosemary Noronha, de um lado, e a dona Marisa Letícia, de outro, é na verdade uma montagem.

Foi feita a partir de foto do Carnaval de 2009, no Sambódromo. Na foto, realmente Lula abraça dona Marisa e outra mulher, na verdade a esposa do cantor Neguinho da Beija-Flor, Eliane Reis. Neguinho aparece na foto original, abraçado a Lula e a dona Marisa, mas foi eliminado na montagem.

Em tempo: A foto original foi feita no dia 22 de fevereiro de 2009, no Sambódromo, no Rio, e mostra Lula, dona Marisa, Neguinho da Beija-Flor e a mulher, Elaine Reis (Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República).

Síndrome de Regina Duarte se abate sobre serristas

21 de outubro de 2012

Medo de Lula e do PT, manifestado por atriz em chororô de dez anos atrás no programa eleitoral de José Serra, volta na eleição para prefeito de São Paulo. Acomete, agora, marmanjos calejados e nenhuma das paúras confessadas pela atriz se mostrou justificada, mas a doença que tem em Reinaldo Azevedo o paciente zero parece não ter cura. Também é chamada de preconceito de classe.

Via Brasil 247

O relógio político dos serristas voltou no tempo para dez anos atrás, a 2002. Naquele quadrante, às vésperas da derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, a atriz Regina Duarte, com sua melhor expressão de chororô, foi ao programa do então adversário lulista José Serra para pronunciar uma frase que marcou época:

“Eu tenho medo do PT. Medo de Lula e do PT!”

Seria a barba do ex-líder sindical que provocava a alegada paúra na antiga “namoradinha do Brasil”? A voz gutural? As bandeiras vermelhas do partido que ele fundou? O apoio do MST? As promessas de palanque ao feitio da esquerda? Ou o explicitado compromisso de reduzir a pobreza e possibilitar três refeições ao dia ao povo brasileiro?

Era o conjunto todo, deixou claro Regina, além do receio de que Lula iria fazer a moratória da dívida externa, romper contratos, solapar todas as bases da democracia brasileira. A expectativa do caos completo.

Lula venceu e nenhum dos medos de Regina Duarte se justificou. A partir do governo Lula, não apenas a dívida externa foi paga como, hoje, as reservas internacionais do Brasil estão em cerca de US$400 bilhões, o que evitou novos ataques especulativos contra o País, como acontecia no tempo do antecessor dele, Fernando Henrique Cardoso. Ao contrário de FHC, Lula não mudou as regras do jogo democrático (como se recorda, o presidente tucano operou o Congresso pelo estabelecimento da reeleição, que até então não existia, e se beneficiou diretamente da manobra). Ainda que tivesse tirado um foto com o bonezinho do MST, não consta que Lula tenha armado os trabalhadores do campo ou feito na marra qualquer tipo de reforma agrária. O que se tem, nesse setor, é o sucesso do programa Fome Zero, a partir do qual se pode constatar, agora, a retirada de cerca de 40 milhões de brasileiros do estado de pobreza.

Nenhum dos tantos medos de Regina Duarte se mostrou real. No entanto, passados dez anos daquele apelo entristecido e quase desesperado, eis que eles – os medos da Regina – ressurgem em homens barbados. E nem está em jogo uma eleição presidencial, como daquela feita, mas um pleito municipal, que nem envolve Lula diretamente, mas um de seus pupilos, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad. Um medo, portanto, ainda mais forte, visto que o perigo é menor.

Quadro típico da classe média paulistana, frequentador do insuspeito Clube Sírio-Libanês, filho de comerciante na reconhecida rua 25 de Março, sem passagem por movimentos que praticaram ou sequer pregaram a luta armada ou ações do gênero, o pacato Haddad virou alvo da síndrome de Regina Duarte que acomete, outra vez às vésperas de uma derrota de Serra – ao que apontam as pesquisas e as condições políticas que cercam a eleição paulistana –, marmanjos calejados como o jornalista Ricardo Setti, o empresário Octávio Frias Filho, o filho do sociólogo Boris Fausto, o comunicador de apelo religioso Silas Malafaia e até o destemido (com arma na mão, como diria Bezerra da Silva) coronel Telhada, ex-comandante da Rota.

Acometidos do mesmo mal estão o vereador eleito Andrea Matarazzo e aquele que pode ser chamado de paciente número zero desse vírus, o verborrágico internauta Reinaldo Azevedo.

Ai, ui, sapatilham eles, cada um a seu modo, arguindo, ora publicamente, ora em privado, que Haddad representará o fortalecimento político de Lula – aquele mesmo Lula que, projeta-se, vai solapar a democracia, inverter as prioridades burguesas, revirar a sociedade brasileira etc. etc.

Ponto a ponto, os medos foram claramente elencados pelo Prêmio Esso de Jornalismo Ricardo Setti em seu blog dentro de veja.com.br. Para os homenzarrões acometidos da síndrome de Regina Duarte parece, ao que se vê pelo que eles próprios têm expressado, não haver vacina nem remédio.

Lula exerceu duas vezes a Presidência da República, à qual chegou pelo voto popular, manteve as regras do jogo e viu sua candidata Dilma Rousseff, com cerca de 10 milhões de votos a mais que o adversário José “sempre ele” Serra, subir a rampa do Palácio do Planalto. De-mo-cra-ti-ca-men-te, frise-se. Não quebrou contratos, não rompeu com os Estados Unidos, não declarou o socialismo tropical. Foi, isso sim, apontado pelo maior historiador do século 20, Eric Hobsbawn, como o líder global mais importante do final do período e tornou-se referência de expressão política democrática em todo mundo.

Serra, vale dizer, rompeu todos os contratos vigentes assim que assumiu a Prefeitura de São Paulo, em 2005, abandonou o mandato menos de dois anos depois e, ao chegar ao governo de São Paulo, igualmente suspendeu todos os pagamentos que deveriam ser feitos no mês de janeiro de 2007 – sucedendo, nesta ocasião, não a petista Marta Suplicy, mas seu próprio correligionário Geraldo Alckmin.

Mas quem tem a Síndrome de La Duarte acha que é Haddad, e não Serra, que vai subverter a ordem, fazer o contrário do que promete em palaque, recusar responder perguntas, agredir jornalistas verbalmente, usar o cargo para finalidades políticas pessoais.

Essa doença, que volta dez anos depois do primeiro surto, não passa e nunca vai passar. Seu nome científico é preconceito de classe.


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