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Max Altman: Há sim uma revolução em curso na Venezuela, senhor Ferreira Gullar

21 de março de 2013
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Ferreira Gullar

Existe uma expressão comum no mundo político da Venezuela – “saltar la talanquera” – que poderia ser traduzido por “pular sobre a barricada” e que significa passar para o outro lado. Muita gente que em sua juventude, e por largos anos, abraçou os ideais do socialismo, resolveu “saltar la talanquera’, renegando, sob os mais variados pretextos, tudo o que pensava e defendia, e muda de lado, de mala e cuia. Como necessitam ser bem recebidos pelos novos correligionários, mostram-se crescentemente mais realistas que o rei. Ou seja, homens com uma história de esquerda passam a defender algumas das teses mais caras à direita. Mudar de lado não é um ato gratuito. Há de se pagar pedágio sempre – e ele é caro e exigente –, demonstrando por atos e palavras que são leais à nova trincheira e a seus valores. É o caso de Arnaldo Jabor, Roberto Freire, Marcelo Madureira, Alberto Goldman e tantos outros. E do poeta e cronista Ferreira Gullar.

Gullar publicou na Folha de domingo, dia 17, artigo sob o título “A revolução que não houve”. Não vou refutar suas posições ideológicas ou políticas. Ele tem as deles, nós, as nossas, e assim vamos travando a batalha de ideias. O que quero rebater são suas inverdades e distorções – e até um grave vilipêndio – acerca de fatos concretos. O poeta Gullar não pode alegar desconhecimento, pois é jornalista; nem ignorância, posto que é intelectual.

O articulista afirma que Hugo Chavez “não só fechou emissoras de televisão como criou as Milícias Bolivarianas, que, a exemplo da conhecida juventude nazista, inviabilizava pela força as manifestações políticas dos adversários do governo”. O sinal eletroeletrônico, lá como aqui, é de propriedade do Estado. A concessão de transmissão por sinal aberto da RCTV – e este foi um caso único – deixou de ser renovada, entre muitas outras razões, pelo fato de a emissora ter tramado e liderado o golpe de estado de abril de 2002 contra o presidente Chavez, fato cabalmente demonstrado no documentário A revolução não será televisionada. Nos Estados Unidos, por exemplo, esta ocorrência levaria os donos da estação a uma condenação severíssima. O sinal fechado da RCTV continua funcionando normalmente. À parte a odiosa e absurda comparação com as milícias hitleristas, a Lei Orgânica da Força Armada Bolivariana da Venezuela (FABV) estabelece que a Milícia Bolivariana, subordinada ao Comando Estratégico Operacional da Força Armada Bolivariana da Venezuela, tem como missão treinar, preparar e organizar o povo para a defesa integral com o fim de complementar o nível de prontidão operacional da FABV, contribuir para a manutenção da ordem interna, segurança, defesa e desenvolvimento integral da nação com o propósito de coadjuvar e independência, soberania e integridade do espaço geográfico da Nação. Desafio o senhor Gullar ou qualquer outro a mencionar um só caso em que a Milícia Bolivariana tenha sido utilizada para inviabilizar, pela força ou não, qualquer manifestação política ou de outra ordem da oposição.

Diz mais o cronista: “O azar dele foi o câncer que o acometeu e que ele tentou encobrir. Quando não pôde mais, lançou mão da teoria conspiratória, segundo a qual seu câncer foi obra dos norte-americanos.” Agora mesmo estamos assistindo à autorização da família do ex-presidente João Goulart para a sua exumação, 37 anos após o falecimento, porque há forte suspeita que ele tenha sido envenenado para induzir o ataque cardíaco pela Operação Condor, sabidamente apoiada e orientada pela CIA. Foi possível com Jango, porque não poderá ser com Chavez. A ciência provavelmente irá dirimir a dúvida em ambos os casos.

“De qualquer modo, tinha de se curar e foi tratar-se em Cuba, claro, para que ninguém soubesse da gravidade da doença…” Não é nada claro, senhor Gullar. Vindo do Equador e do Brasil desce Chavez em Havana, caminhando com dificuldade e apoiado numa muleta. Foi estar com Fidel e com ele se queixou das dores. Fidel lhe fez uma enxurrada de perguntas e o convenceu a passar imediatamente por uma bateria de exames no melhor hospital de Havana. Foi nesse momento que se descobriu que carregava na região pélvica um tumor “do tamanho de uma bola de beisebol”. E lá mesmo passou pela primeira das quatro operações cirúrgicas. A Venezuela e o mundo todo souberam imediatamente da gravidade da doença e com algum detalhe. Razões de Estado sempre cercam enfermidades de chefes de Estado e de governo. Não obstante, no caso de Chavez foram 27 comunicados públicos ao longo dos quase dois anos, feitos por ele mesmo ou por ministros do governo. François Mitterrand passou dois setenatos carregando um câncer de próstata, que o acabou matando, sem que a opinião pública soubesse de algo. Antes dele, o presidente Georges Pompidou morreu no exercício do cargo, inesperadamente, de Macroglobulinemia de Waldenström e ninguém soube de nada, salvo alguns jornalistas que suspeitaram de seu súbito inchaço.

Gullar omite e distorce quando diz que “para culminar, [Chavez] fez mudarem a Constituição para tornar possível sua reeleição sem limites. Aliás, é uma característica dos regimes ditos revolucionários não admitir a alternância no poder”. Na verdade, Chavez fez questão que a emenda constitucional permitindo a postulação indefinida passasse por referendo popular e não simplesmente aprovada pela Assembleia Nacional onde detinha praticamente a totalidade das cadeiras. (A oposição se recusara a concorrer às eleições legislativas.) Houve ampla e livre campanha e o SI ganhou por boa margem. O povo assim decidiu. A propósito, nos Estados Unidos havia uma tradição de apenas dois mandatos de quatro anos, mas nada na Constituição impedia a postulação indefinida. Roosevelt foi eleito em 1932, reeleito em 1936, novamente eleito em 1940 e outra vez eleito em 1944. Faleceu em abril de 1945 com apenas 63 anos. Seria facilmente reeleito pela 5ª, 6ª e 7ª vez, pois saíra vitorioso da 2ª Guerra Mundial e os Estados Unidos confirmavam a condição de superpotência. Alguém tisnou de antidemocrático a contínua reeleição de Roosevelt? Essa possibilidade foi revogada posteriormente por uma eventual maioria republicana.

O articulista envereda sibilina e maliciosamente pelo terreno jurídico. “Contra a Constituição, Nicolas Maduro […] assume o governo, embora já não gozasse, de fato, da condição de vice-presidente, já que o mandato do próprio Chavez terminara”. E mais adiante “mas, na Venezuela de hoje, a lei e a lógica não valem. Por isso mesmo, o próprio Tribunal Supremo de Justiça – de maioria chavista, claro – legitimou a fraude, e a farsa prosseguiu até a morte de Chavez; morte essa que ninguém sabe quando, de fato, ocorreu”. O senhor Gullar nunca se referiu ao nosso STF como de maioria tucana, claro, em especial durante o julgamento midiático da AP 470. Os membros da Suprema Corte na Venezuela, que devem ser cidadãos de reconhecida honorabilidade e juristas de notória competência, gozar de boa reputação e ter exercido a advocacia ou o magistério em ciências sociais por pelo menos 15 anos, e possuir reconhecido prestígio no desempenho de suas funções, são eleitos por um período único de 12 anos. Postulam-se ou são postulados ante o Comitê de Postulações Judiciais. O comitê, ouvida a comunidade jurídica, envia uma pré-seleção ao Poder Cidadão, que, por sua vez, faz uma nova pré-seleção e a envia à Assembleia Nacional que fará a seleção definitiva. (arts. 263 e 264 da Constituição Bolivariana). Cabe, por outro lado, à Sala Constitucional do Tribunal Supremo da Venezuela (art. 266) exercer a jurisdição constitucional, como única intérprete da Constituição. E ela considerou, em decisão articulada e bem fundamentada, que: a) pelo fato de estar ainda em curso a licença concedida pela Assembleia Nacional ao presidente Chavez; b) que havia uma continuidade administrativa pois Chavez havia sido reeleito; a posse poderia se dar em outro momento e ante o TSJ, fato também previsto na Constituição e que Nicolas Maduro poderia continuar exercendo a vice-presidência executiva. (Na Venezuela, o vice-presidente é indicado pelo presidente e não eleito conjuntamente.) Com a morte de Chavez, aplicou-se o art. 233, passando Maduro a exercer o cargo de Presidente Encarregado, obrigando-se a convocar eleições em 30 dias, o que foi feito.

E onde reside o vilipêndio, a ignomínia de Ferreira Gullar? Repetindo maquinalmente o que a extrema-direita golpista e corrupta da Venezuela alardeou, afirma que a farsa prosseguiu até a morte de Chavez, que ninguém sabe quando de fato ocorreu. Isto é uma grave ofensa antes de mais nada à dignidade dos pais, irmãos e filhos de Hugo Chavez, porquanto afirmar que ninguém sabe quando ocorreu a morte é imputar à família do presidente participação numa farsa. As filhas de Chavez em discursos emocionados, num e noutro momento, repeliram a rancorosa e covarde acusação, reafirmando que Chavez faleceu, quase diante de seus olhos, no dia 5 de março no hospital militar de Caracas, exatamente às 16h25.

E por que afirmo no título que há uma revolução socialista bolivariana em marcha? Evidentes êxitos dos programas sociais do governo Chavez não a caracterizaria. Esta proeza pode ser alcançada por países em regime capitalista. Há, porém, um dado da realidade na Venezuela: a massa pobre e de trabalhadores alcançou um bom nível de consciência política e ideológica e está organizada. Vale-se do Partido Socialista Unido da Venezuela para a sua mobilização. E dispõe-se a respaldar o governo a fim de levar adiante o “Plano Socialista da Nação – 2013-2019”, programa histórico de cinco objetivos fundamentais, que tem por lema ‘desenvolvimento, progresso, independência, socialismo’.

Sempre com fundamento na Constituição que estabelece que a soberania reside intransferivelmente no povo que a exerce diretamente na forma prevista na Carta Magna e nas leis e indiretamente, mediante o sufrágio direto e secreto, Chavez liderou a expansão da democracia participativa, diminuiu o peso do empresariado, dos meios comerciais de comunicação e das casamatas mais retrógradas do aparelho estatal, especialmente no sistema judiciário. Criou com isso a base social que permite agora avançar na transformação socialista em curso, trazendo a Força Armada para dela lealmente participar.

Uma das mais relevantes medidas de transferência de poder ao povo é a criação e o desenvolvimento do poder comunal. Trata-se de pequenas áreas geográficas, distritos ou bairros, que funcionam como instituições políticas e que também podem organizar seus próprios serviços públicos, constituir empresas para diferentes atividades e receber financiamento direto do governo nacional. Busca-se, assim, esvaziar os estamentos burocráticos ainda controlados ou corrompidos pelos antigos senhores.

Ao contrário de outras experiências de identidade socialista, a ampliação da democracia direta não foi acompanhada pela redução de liberdades, mesmo daqueles setores que participaram do golpe de Estado em 2002 ou que insistem na oposição golpista. Não se tolheu a liberdade de expressão nem a liberdade de imprensa. Partidos de cariz neoliberal, de direita, social-democratas ou ultra-esquerdistas continuam a funcionar normalmente com ampla liberdade de organização e manifestação pacífica.

Dois fortes sinais indicam que a revolução socialista bolivariana está atingindo um ponto de não retorno. O primeiro foi o extraordinário comportamento do povo venezuelano diante da morte de seu comandante-presidente. Milhões saíram às ruas para homenageá-lo. Embora comovido, mostrou-se sereno, pacífico, responsável e democrático. Isto permitiu que o governo funcionasse e, principalmente, a estabilidade institucional fosse garantida. Não caiu nas provocações alimentadas por setores raivosos da direita. Reagiu com senso civilizado extraordinário, com dignidade. No entanto, como se pôde assistir, disposto a qualquer coisa para defender o legado de Hugo Chavez, o progresso e as conquistas sociais, o desenvolvimento da economia, a soberania e a independência da pátria, a consolidação da integração regional latino-americana.

O segundo sinal está por vir e será a confirmação desta vontade popular. No dia 14 de abril serão realizadas eleições livres, justas e transparentes, como garante o Conselho Nacional Eleitoral, para presidente da Venezuela. A vitória de Nicolas Maduro constituirá um marco histórico e dará início a uma nova etapa da revolução socialista bolivariana.

Chavez fez a Venezuela deixar de ser um quintal dos EUA

7 de março de 2013

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O país avançou extraordinariamente sob o governo do líder bolivariano.

Paulo Nogueira em seu Diário do Centro do Mundo

A América Latina foi infestada, a partir dos anos de 1950, por militares patrocinados pelos Estados Unidos. Eles transformaram a região num monumento abjeto da desigualdade social e impuseram com a força das armas sua tirania selvagem e covarde.

Pinochet foi o maior símbolo desses militares, aos quais os brasileiros não escaparam: Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo foram capítulos lastimáveis da história moderna nacional.

Hugo Chavez rompeu, espetacularmente, com a maldição dos homens de farda a serviço dos norte-americanos e de uma pequena elite predadora e gananciosa.

Paraquedista de formação, coronel na patente, Chavez escolheu o lado dos excluídos, dos miseráveis – e por isso fez história na sua Venezuela, na América Latina e no mundo contemporâneo.

Chavez foi filho do Caracaço – a espetacular revolta, em 1989, dos pobres venezuelanos diante da situação desesperadora a que foram levados na gestão do presidente Carlos Andrés Perez.

Carne de cachorro passou a ser consumida em larga escala por famintos que decidiram dar um basta à iniquidade. A revolta foi esmagada pelo exército venezuelano e as mortes, segundo alguns, chegaram a 3 mil.

Uma ala mais progressista das forças armadas ficou consternada com a forma como venezuelanos pobres foram reprimidos e assassinados. Hugo Chavez, aos 34 anos, pertencia a essa ala.

Algum tempo depois, ele liderou uma conspiração militar que tentou derrubar uma classe política desmoralizada, inepta e cuja obra foi um país simplesmente vergonhoso.

O levante fracassou. Antes de ser preso, Chavez assumiu toda a responsabilidade pela trama e instou a seus liderados que depusessem as armas para evitar que sangue venezuelano fosse vertido copiosamente.

Chavez aprendeu ali que o caminho mais reto para mudar as coisas na Venezuela era não o das armas, mas o das urnas.

Carismático e popular, Chavez se elegeu presidente em 1998. Pela primeira vez na história recente da Venezuela, um presidente não dobrava a espinha para os Estados Unidos.

Isso custou a Chavez a perseguição obstinada de Washington. Mas entre os venezuelanos pobres – a esmagadora maioria da população – ele virou um quase santo.

Chavez comandou projetos sociais – as missiones – que retiraram da miséria milhões de excluídos. Alfabetizou-os, ofereceu-lhes cuidados médicos por conta de médicos cubanos – e acima de tudo lhes deu autoestima. Os desvalidos tinham enfim um presidente que se interessava por eles.

O tamanho da popularidade de Chavez pode se medir num fato extraordinário: um grupo bancado pelos Estados Unidos tentou derrubá-lo em 2002. Mas em dois dias ele estava de volta ao poder, pela pressão sobretudo, dos mesmos venezuelanos humildes que tinham protagonizado o Caracaço.

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Venezuelanos choram a morte de Chavez.

Quanto ele mudou a Venezuela se percebe pelo fato de que, nas eleições presidenciais de outubro passado, a oposição colocou em seu programa os projetos sociais chavistas que, antes, eram combatidos e ridicularizados.

Chavez teve tempo de pedir aos venezuelanos que apoiassem Nicolas Maduro, seu auxiliar e amigo mais próximo. Maduro provavelmente se baterá, em breve, com Henrique Caprilles, principal nome da oposição. As pesquisas indicam, inicialmente, vantagem clara para Maduro.

Se o chavismo sobrevive sem Chavez é uma incógnita. O que parece certo é que a Venezuela, pós-Chavez, jamais voltará a ser o que foi antes dele: um quintal dos Estados Unidos administrado por uma minúscula elite que jamais enxergou os pobres.

Atílio Borón: ¡Gloria al bravo Chavez! ¡Hasta la victoria, siempre, comandante!

6 de março de 2013

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Atílio Borón, via Democracia Ya!

Custa muito assimilar a dolorosa notícia do falecimento de Hugo Chavez Frias. Impossível não maldizer o infortúnio que priva Nossa América de um dos poucos “imprescindíveis”, no dizer de Bertolt Brecht, na luta ainda em curso por nossa segunda e definitiva independência.

A história dará seu veredito sobre a tarefa que Chavez cumpriu, e não se duvida de que será veredicto muito positivo. À parte qualquer discussão que se possa travar legitimamente no interior do campo antiimperialista – nem sempre suficientemente sábio para distinguir com clareza entre amigos e inimigos –, é preciso começar por reconhecer que o líder bolivariano virou uma página da história da Venezuela e, por que não?, também da história da América Latina.

A partir de hoje se falará de uma Venezuela e de uma América Latina antes e de outras depois de Chavez, e não seria temerário conjecturar que as mudanças que impulsionou e que protagonizou como bem poucos em nossa história levam a marca da irreversibilidade. Os resultados das recentes eleições na Venezuela – reflexo da maturidade da consciência política de um povo – dão base a esse prognóstico. Talvez haja regressões na trilha das nacionalizações e se privatizem empresas públicas, mas é infinitamente mais difícil conseguir que um povo que afinal conheceu a própria liberdade e a própria potência, volte atrás e se deixe outra vez submeter.

Em sua dimensão continental, Chavez foi o protagonista na derrota que o continente impôs ao mais ambicioso projeto do Império para a América Latina: a Alca. Bastaria isso para instalá-lo na galeria dos grandes de Nuestra América. Mas fez muito mais.

Líder popular, representante genuíno de seu povo, com o qual se comunicava como nenhum governante antes dele soubera fazer, sentia desde jovem o mais visceral repúdio pela oligarquia e o imperialismo. Esse sentimento evoluiu até tomar a forma de projeto racional: o socialismo bolivariano, socialismo do século 21.

Chavez foi quem, em plena noite neoliberal, reinstalou no debate público latino-americano – e, em grande medida, também no debate internacional – a atualidade do socialismo. Mais que isso, a necessidade do socialismo como única alternativa real, não ilusória, ante o inexorável desmonte do capitalismo, denunciando as falácias das políticas que procuram solucionar sua crise integral e sistêmica preservando os parâmetros fundamentais de uma ordem econômico-social historicamente já desencaminhada.

Como recordávamos acima, foi Chavez, também, o comandante em campo que impôs ao imperialismo a histórica derrota da Alca em Mar del Plata, em novembro de 2005. Se Fidel foi o general estrategista dessa longa batalha, aquela vitória teria sido impossível sem o protagonismo do Chavez bolivariano, cuja eloquência persuasiva precipitou a adesão do anfitrião da Cúpula de Presidentes das Américas, Néstor Kirchner; de Luiz Inácio “Lula” da Silva; e da maioria dos chefes de Estado ali presentes e, de início, pouco propensos – quando não abertamente contrários – a desagradar o imperador bem ali, nas barbas dele.

Quem, senão Chavez, teria podido virar aquela mesa?

O instinto de sobrevivência dos imperialistas explica a implacável campanha que Washington lançara contra seu governo, desde antes do primeiro dia. Cruzada que, ratificando uma deplorável constante histórica, contou com a colaboração do infantilismo ultraesquerdista que, dentro e fora da Venezuela, pôs-se objetivamente a serviço do Império e da reação.

Por isso, a morte de Chavez deixa um vazio difícil, senão impossível, de preencher. Àquela excepcional estatura como líder de massas unia-se a clareza de visão de que, como poucos, sobre decifrar e agir inteligentemente na complexa trama geopolítica do Império que visa a perpetuar a subordinação da América Latina.

Àquela trama só se poderia dar combate se se fortalecesse – alinhado às ideias de Bolívar, San Martín, Artigas, Alfaro, Morazán, Martí e, mais recentemente, de Che e de Fidel – a união dos povos da América Latina e Caribe.

Força livre da natureza, Chavez “reformatou” a agenda dos governos, partidos e movimentos sociais da região, com uma interminável torrente de iniciativas e de propostas integracionistas: da Alba à Telesur; da Petrocaribe ao Banco do Sul; da Unasul e do Conselho Sul-Americano de Defesa à Celac. Iniciativas, todas essas, que têm um mesmo indelével código genético: o fervente, firme, jamais vacilante anti-imperialismo de Chavez.

Chavez já não estará entre nós, irradiando essa transbordante cordialidade; o rico, fulminante senso de humor que desarmava os arranjos de protocolo; sua generosidade e altruísmo que o faziam tão querido. Martiano até a medula, sabia que, como disse o Apóstolo cubano, nenhum homem sem leitura será jamais livre. Foi homem de curiosidade intelectual sem limites.

Em tempos em que praticamente nenhum chefe de Estado lê coisa alguma – o que leriam os seus detratores, Bush, Aznar, Berlusconi, Menem, Fox, Fujimori? –, Chavez foi o leitor com que todos os autores sonham para seus livros. Lia muito, apesar das pesadas obrigações e responsabilidades de governo. E lia com paixão, tendo sempre a mão lápis, canetas, marcadores de texto de várias cores, com que ia marcando e anotava as passagens que o interessavam, as melhores frases, os argumentos de mais peso, de tudo que lia.

Esse homem extraordinário, que me honrou com sua amizade, está morto.

Deixou-nos um legado imenso, inapagável, e os povos de Nuestra América, inspirados por seu exemplo continuarão a andar pela trilha que leva à nossa segunda e definitiva independência.

Acontecerá com ele o que aconteceu ao Che: a morte, em vez de apagá-los da cena política, agigantará sua presença e sua gravitação nas lutas de nossos povos e de nosso tempo. Por um desses paradoxos que a história reserva só aos grandes, a morte o converte em personagem imortal. Parafraseando o hino nacional venezuelano: ¡Gloria al bravo Chavez! ¡Hasta la victoria, siempre, Comandante!

Traduzido por Vila Vudu.

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6 de março de 2013

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Eduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania

Gostaria de acreditar que enquanto a maioria absoluta dos venezuelanos chora copiosamente a “morte” de Hugo Rafael Chavez Frias não existe quem a esteja comemorando. Entretanto, não me iludo. Apesar de ser um homem de paz que nunca revidou com violência a violência que sofreu nos idos de abril de 2002, Chavez era odiado com fervor por uma minoria.

Seus inimigos não o combateram por seus defeitos, que, como qualquer ser humano, deveria ter muitos. Não, não. Ele foi combatido por suas qualidades, porque sua obra – que ultrapassou as fronteiras de seu país – tornou o mundo mais justo e a vida dos compatriotas desvalidos menos penosa.

Foi chamado de “ditador”, mas nenhum governante das três Américas jamais se apresentou tantas vezes ao voto popular limpo e inquestionável quanto ele. De 1999 até o ano passado, incontáveis foram as eleições que venceu sem que nunca um só questionamento à lisura dos processos eleitorais que lhe deram as vitórias tenha sido sequer levado a sério.

Chavez logrou fazer da Venezuela a campeã das Américas em redução da pobreza e da desigualdade social. Sua obra social, como não podia ser atacada por conta de êxitos como o de tornar o seu país o segundo da América Latina, ao lado de Cuba, a extirpar a chaga do analfabetismo, foi ignorada pela mídia internacional e até pela venezuelana.

Nunca me esquecerei de uma viagem que fiz à Venezuela em 2007, quando fui a um dos morros que cercam Caracas e, em visita ao uma unidade do programa social de Chavez que acabou com o analfabetismo, vi adolescentes e até adultos recém-alfabetizados estudando a constituição do país.

Mas a obra de Chavez extrapolou as fronteiras de seu país natal. A revolução bolivariana se espalhou pela América Latina. Sua influência mais forte tem sido sentida na Argentina, na Bolívia e no Equador, com um modelo revolucionário que reformou constituições e democratizou a comunicação de massas.

Perto da redução da pobreza, da miséria e da desigualdade que Chavez promoveu, a que conseguimos no Brasil, em comparação proporcional, não lhe chega nem aos pés. Isso porque, com risco da própria vida e sacrificando a paz pessoal, ele comprou brigas com poderes imensuráveis que, se não tivesse comprado, teria tido uma vida mais fácil no poder.

Dolorosamente, a morte física de Chavez será explorada de forma nauseabunda por multibilionários das mídias de ultradireita que infestam esta parte do mundo. Tentarão culpa-lo pela própria morte. Em lugar de destacarem sua obra, destacarão o processo sucessório na Venezuela.

A esses, digo que se antes tinham poucas chances de derrotar esse herói latino-americano, esse verdadeiro patrimônio da humanidade, agora suas chances são nulas, morreram fisicamente com ele, que acaba de renascer. Hugo Rafael Chavez Frias renasceu, chacais da miséria humana. Tornou-se um mito que os assombrará até o fim dos tempos.

Morto fisicamente, Chavez adquiriu poderes que nem todos os editoriais, colunas, telejornais ou reportagens mal-acabadas da Terra conseguirão equiparar. Sua verdadeira história só agora começará a ser contada às gerações futuras, mostrando que quando um homem devota sua vida ao bem comum como ele fez, torna-se imortal.

Descanse em paz, Hugo.

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6 de março de 2013

Hugo_Chavez04Via Vermelho

A morte do comandante presidente Hugo Chavez Frias na terça-feira, dia 5, provoca imensa dor e consternação no povo venezuelano, em todos os povos latino-americanos e na imensa legião de admiradores, seguidores, amigos e aliados que com sua força interior, seu carisma, seu talento e energia conquistou para a Revolução Bolivariana e a causa da libertação nacional e social de seu povo.

Hugo Chavez entra para a História como uma das maiores figuras já nascidas em solo latino-americano. Ao lado de Fidel Castro, o comandante da Revolução Cubana, foi o principal líder anti-imperialista dos tempos atuais, depositário da confiança dos povos da “Nuestra América”, como denominou José Martí.

Foi efetivamente um gigante. Chavez liderou um importante movimento político, que, de tão novo, ainda está no nascedouro. Com a força das suas ideias transformadoras e o seu exemplo edificante de dirigente revolucionário e estadista, tal movimento tende a se consolidar e perenizar como a grande tendência de nossa época. O movimento político protagonizado e dirigido por Chavez tem por essência o anti-imperialismo, que é o próprio espírito da nossa época, a marca da resistência tenaz dos povos à ofensiva neocolonialista dos potentados internacionais sob a égide do imperialismo estadunidense.

Outra marca indelével de seu pensamento e obra é a democracia popular, participativa, a mobilização permanente do povo, arma da vitória em qualquer batalha contra os inimigos por mais poderosos que se afigurem.

Chavez forjou a unidade do povo, bandeira da esperança, a partir das demandas e anseios dos humildes, dos trabalhadores, dos explorados e oprimidos do seu país, em luta contra oligarquias usurárias e cruéis.

Fez também da unidade dos povos latino-americanos e caribenhos uma bandeira de luta, uma meta a alcançar, cujos primeiros resultados estão em evidência nas atuais conquistas democráticas, patrióticas e no plano da integração soberana e solidária, cujas expressões maiores são a Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América (Alba) e a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). Chavez passa à História como um internacionalista, um estrategista que repôs na ordem do dia das tarefas mais importantes da época a luta pelo socialismo, pela independência nacional e a paz.

Hugo Chavez é o libertador moderno da Venezuela e da América Latina. Antes da sua primeira vitória eleitoral, em 1998, as perspectivas de seu país e de toda a América Latina eram as mais sombrias. Estava em curso uma tremenda ofensiva neocolonialista e, com a honrosa exceção de Cuba revolucionária, o imperialismo contava com o consentimento, a permissividade e o beneplácito das classes dominantes, oligarquias e governos locais. Tudo indicava no sentido da submissão ao chamado Acordo de Livre Comércio para as Américas (Alca).

Esta situação começou a mudar a partir da tomada do poder por Hugo Chavez. Ele lançou o brado da integração dos povos, da unidade latino-americana e caribenha, a partir do ideário do libertador Simon Bolívar.

Chavez iniciou na Venezuela a revolução democrática, redigiu a Constituição bolivariana, que lhe deu força e legitimidade para iniciar o desmonte do sistema político das oligarquias ligadas ao imperialismo.

Chavez introduziu um modo novo de governar e de enfrentar a questão social, tão aguda em seu país. Não se deixou levar pela rotina do Estado burocrático. Lançou um ambicioso programa social e de mobilização popular a que chamou de Missões, pelo qual enfrentou os problemas da educação, da saúde, da educação, da alimentação e do bem-estar social.

Em outra frente estratégica, Chavez nacionalizou o petróleo, que passou a alimentar não mais os apetites insaciáveis de lucro das multinacionais, mas a sustentar o desenvolvimento de um país soberano.

Com isso, o líder bolivariano conquistou impressionante adesão popular, mas também, por outro lado, o ódio da burguesia e do imperialismo.

Por esta razão, foi vítima de um golpe de Estado, de sabotagens à economia e de uma tentativa de revogar seu mandato. Foram intentonas contrarrevolucionárias comandadas de fora pelo imperialismo com o apoio das oligarquias internas.

Depois de 14 anos de exercício do poder por Hugo Chavez, baseado em ampla frente política de esquerda e no imenso movimento popular que o respalda, a Venezuela avançou na construção do bem-estar social e na elevação da consciência política do povo.

Já enfermo, mas consciente das suas elevadas responsabilidades perante a Nação, o povo e os países irmãos, Chavez aceitou o desafio do embate eleitoral que culminou com sua vitória retumbante em 7 de outubro do ano passado, ocasião em que afirmou: “O que o que está em jogo é a própria Pátria”. Consciente das dimensões que essa batalha tinha para a América Latina e o mundo, o líder da Revolução cubana, Fidel Castro, disse que “poucas vezes, talvez nunca, pôde-se refletir, tão nitidamente, uma luta de ideias entre o capitalismo e o socialismo como a que se expressa hoje na Venezuela”.

Os inimigos da liberdade e da soberania dos povos percebem isto, e têm feito uma repugnante, covarde e traiçoeira campanha de desestabilização do país. Tudo indica que vão tentar aproveitar-se do momento de transe para dar curso às suas intentonas golpistas.

Nesse contexto, ganha força a afirmação do vice-presidente Nicolas Maduro, no pronunciamento em que anunciou o falecimento de Hugo Chavez: “Seu legado não morrerá nunca”, assim como o sentido apelo que fez à unidade e à mobilização do povo para defender as conquistas da Revolução e levá-la adiante.

A morte de Chavez é uma perda irreparável e abre imensa lacuna. Não é fácil substituir um líder do seu porte e da sua dimensão. Neste momento de profunda dor, os amigos do povo venezuelano em todo o mundo estão próximos e confiantes em que saberá marchar adiante, sob a nova liderança, com a luz e a força das ideias e do exemplo de Chavez. Sempre!

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6 de março de 2013

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Hugo Chavez foi eliminado, como Arafat, Jango, Torrijos, Roldós e outros líderes inconvenientes para os EUA.

Pedro Porfírio em seu blog

Não tenho a menor dúvida: tanto como Yasser Arafat, em 2004, Hugo Rafael Chavez Frias foi eliminado com o uso do que há de mais moderno e sofisticado da tecnologia criminosa desenvolvida na CIA e nas dezenas de agências satélites privadas que prestam serviço ao governo norte-americano.

Digo isso com a responsabilidade de quem tem 52 anos como repórter e estou convencido de que não será difícil a mesma conclusão para a comissão de cientistas que o governo da Venezuela deverá criar, conforme anúncio do vice-presidente Nicolas Maduro.

O corajoso (e descuidado) presidente bolivariano, de 58 anos, não foi o único líder latino-americano morto pela máquina mortífera norte-americana nos últimos anos: em dezembro de 1976, o ex-presidente brasileiro João Goulart foi assassinado na Argentina com a troca dos remédios que tomava para o coração.

Omar Torrijos, presidente do Panamá e militar como Chavez, foi assassinado num acidente aéreo forjado em 1981, conforme relato detalhado do ex-agente da CIA John Perkins, no seu livro Confissões de um assassino econômico.

Como Torrijos, a CIA usou o “acidente aéreo” para matar também o ex-presidente do Equador, Jaime Roldós Aguilera, no mesmo ano de 1981, por ter entrado em confronto com as petrolíferas norte-americanas. Essa constatação é confirmada por John Perkins no mesmo livro.

Como Arafat, vítima de uma substância radioativa

O assassinato de Arafat foi abafado e contou com a ajuda da tradição muçulmana, que não procede a autópsia de seus mortos. Mas a disposição de sua viúva Suha e uma criteriosa investigação da TV Al-Jazeera levaram à descoberta do assassinato e a um pedido formal da Autoridade Nacional Palestina para que um comitê patrocinado pela ONU proceda o desdobramento da investigação feita por médicos suíços, que já levou à exumação do corpo do líder palestino.

Após nove meses, um trabalho meticuloso dos especialistas suíços e exame de roupas e objetos que Arafat usou nos dias que antecederam sua morte – roupa, escova de dente e até seu icônico kefiyeh que não tirava da cabeça – revelaram uma quantidade anormal de polonium, um elemento radioativo raro ao qual poucos países têm acesso. Apenas os do restrito clube atômico.

As suspeitas na morte de Chavez

Horas antes de anunciar oficialmente a morte do presidente Hugo Chavez, o vice Nicolas Maduro falou pela primeira vez, em caráter oficial, das suspeitas de que o câncer que levou o líder à morte tenha sido inoculado. Há estudos bem adiantados sobre a possibilidade de que isso possa acontecer.

“Já temos bastantes pistas sobre este tema, mas é um tema muito sério do ponto de vista histórico, que terá que ser investigado por uma comissão especial de cientistas”, acrescentou.

Chavez perguntou em dezembro de 2011 se é possível “que o câncer possa ser uma doença induzida, produzida”, e recomendou então aos presidentes Evo Morales, da Bolívia; Daniel Ortega, da Nicarágua; e Rafael Correa, do Equador, que se cuidassem.

Ninguém pode duvidar do poder mortífero dos laboratórios da CIA, próprios ou terceirizados. Durante anos, seus agentes tentaram matar Fidel Castro por todos os meios – isso em pelo menos 400 situações.

Genocídio bacteriológico

Não conformada, a CIA praticou um dos maiores genocídios bacteriológicos contra o povo cubano em 1881, quando importou da Ásia o vírus da dengue hemorrágica e disseminou sobre a ilha, conforme denúncias comprovadas por vários cientistas e jornalistas, todas reunidas no livro Bioterror – Manufacturing wars the american way, escrito por Ellen Ray e Willam H. Schaap e publicado em 2003.

Na primavera e no verão de 1981, Cuba sofreu uma grave epidemia de dengue hemorrágica. Entre maio e outubro de 1981, a Ilha sofreu 158 mortes relacionadas à dengue, com 75 mil casos de infecção relatados. No auge da epidemia, mais de 10 mil pessoas foram infectadas por dia e 116.150 foram hospitalizadas. Ao mesmo tempo, durante os surtos, em 1981, suspeitou-se que a CIA ou seus contratantes realizaram ataques na ilha caribenha de forma encoberta, como parte de uma guerra biológica contra os seus moradores. Estes ataques ocorreram durante sobrevoos de aviões militares.

Particularmente prejudicial para a nação foi uma grave epidemia de gripe suína pela que Fidel Castro culpou à CIA. O pesquisador americano William H. Schaap pesquisou e confirmou em livro que o surto de dengue em Cuba foi o resultado das atividades da CIA.

Para EUA, outro Chavez nunca mais

Os EUA nunca aceitaram Chavez como presidente de um país com a maior reserva de petróleo do mundo. Ao contrário de Cuba onde, desde a fracassada invasão de 1961, a população participa de um sistema de vigilância multiplicado, a Venezuela jamais adotou medidas preventivas efetivas contra ataques sofisticados à base de ferramentas tecnológicas.

Chavez mesmo sempre foi muito “populista” nessa área. Assim como podia cantar num show improvisado, tinha uma tendência a bebericar qualquer coisa ou até mesmo beliscar um salgado em suas visitas a bairros da periferia.

Não seria difícil valer-se desse estilo censurado por mais de uma vez por Fidel Castro para introduzir-lhe o vírus de uma doença fatal. No final de dezembro de 2011, o próprio Chavez comentou: “Fidel sempre me disse: Chavez, tome cuidado, esta gente desenvolveu tecnologias, cuidado com o que come, cuidado com uma pequena agulha e te injetam não sei o quê”, relatou ao lembrar uma conversa com o cubano.

Ainda na semana passada, o líder da oposição venezuelana Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda, fez uma inesperada visita aos Estados Unidos, enquanto dois adidos militares norte-americanos em Caracas, Deblin Costal e David Delmonico, eram expulsos por tentarem realizar reuniões com seus colegas venezuelanos para discutir o país pós-Chavez.

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