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Governos Lula/Dilma: Brasileiros dizem que ficou mais fácil subir na vida na última década

9 de dezembro de 2013
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Eles têm motivo para gargalhar. Nos últimos 10 anos, a situação do povo brasileiro melhorou muito.

Pesquisa da CNI mostra que 77% da população acredita que está em situação melhor do que seus pais. A maioria da população diz que boa educação é decisiva para melhorar o padrão de vida.

Mariana Flores, via Portal da Indústria

É mais fácil subir na vida hoje do que há dez anos. Essa é a opinião de 63% da população brasileira; e 57% se sentem mais seguros em relação à sua situação financeira do que há uma década. Os dados são da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Padrão de Vida, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ibope, com 2.002 pessoas em 143 municípios.

No levantamento inédito, os brasileiros apontaram os quesitos necessários para vencer na vida. De acordo com 95% dos entrevistados, ter uma boa educação é essencial ou muito importante para melhorar o padrão de vida. Em seguida, com 94% das respostas essencial ou muito importante, aparece o quesito ter capacidade, inteligência ou talento. Em terceiro lugar (88%), os brasileiros dizem que é essencial ou muito importante trabalhar duro. O levantamento mostra ainda que conhecer as pessoas certas (82%) e nascer em uma família rica (31%) também são decisivos para subir na vida.

A CNI fez a pesquisa para entender o consumidor atual e seu nível de confiança no futuro. Entre os entrevistados, 75% dizem pertencer à classe média, 21% à classe baixa, 2% à classe alta e o restante não soube ou não quis responder. A pesquisa mostra que as pessoas têm uma percepção positiva com relação à evolução do seu padrão de vida e de perspectiva sobre o futuro de seus filhos: 77% consideram seu padrão de vida melhor ou muito melhor do que o de seus pais. E 84% acreditam que os filhos terão padrão de vida melhor ou muito melhor do que o de hoje.

De forma geral, o brasileiro demonstra satisfação com a própria vida. Do total de entrevistados, 82% dizem estar muito satisfeitos ou satisfeitos. Mas o nível de satisfação é maior em relação à vida familiar do que à situação financeira pessoal. Os percentuais dos que se classificam como satisfeitos é de 94% e 69%, respectivamente.

Preocupação com a aposentadoria

Apesar da confiança em alta, o brasileiro tem medo de ficar sem trabalho e de não conseguir ter uma boa aposentadoria. Do total dos entrevistados, 71% disseram ter receio de perder o emprego ou de serem obrigados a fechar o negócio. E um número maior de pessoas, 74%, tem medo de não ter dinheiro suficiente para se aposentar.

“A satisfação com a vida não elimina a preocupação com o futuro. Os brasileiros se preocupam em perder o padrão de vida que têm hoje e em não ter dinheiro suficiente para a aposentadoria”, afirma o gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

Além disso, 47% acham que a diferença de renda entre ricos e pobres aumentou nos últimos dez anos. Para 29% diminuiu e para 18% permaneceu igual. Outros 6% não souberam responder.

PRINCIPAIS NÚMEROS

Classe social e padrão de vida do brasileiro

● 75% dos brasileiros dizem pertencer à classe média;

● 44% dos entrevistados, independente de classe social, perceberam melhora na sua classe social relativamente à classe social da sua família durante a infância;

● 77% dos entrevistados consideram seu padrão de vida melhor ou muito melhor que o padrão dos pais quando tinham a mesma idade;

● 84% dos entrevistados acreditam que o padrão de vida que seus filhos terão quando tiverem a sua idade será melhor ou muito melhor;

● dentre os entrevistados que se classificaram em alguma classe social, 68% afirmam que a situação da classe social está muito ou um pouco melhor do que há cinco anos;

● 63% dos entrevistados acreditam que é mais fácil subir na vida hoje que há dez anos;

● 47% dos entrevistados acham que a diferença entre ricos e pobres no Brasil aumentou nos últimos dez anos.

Determinantes para a melhora do padrão de vida

● brasileiros consideram a “educação” e “ter capacidade, inteligência ou talento” essencial ou importante para uma pessoa vencer na vida: essa é a percepção de 95% e 94% dos entrevistados, respectivamente.

● 31% acham que nascer numa família rica é essencial ou importante.

Nível de satisfação do brasileiro

● 94% estão muito satisfeitos ou satisfeitos com a vida familiar;

● 69% dos entrevistados estão muito satisfeitos ou satisfeitos com sua situação financeira;

Preocupação com relação ao padrão de vida

● Brasileiro preocupa-se com possibilidade de perder seu padrão de renda:

– 77% dos brasileiros preocupam-se em perder seu padrão de vida;

– 74% da população preocupam-se em não ter dinheiro suficiente para se aposentar;

– 71% dos entrevistados têm receio de ficar sem trabalho, perder o emprego ou ter que fechar seu negócio.

● 57% dos brasileiros afirmam se sentir mais seguros hoje em relação à situação financeira que há dez anos.

***

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STF: Jornalista prova que documentos da tese da AP470 são falsos

23 de outubro de 2012

Dica Brasília em Pauta

Raimundo Rodrigues Pereira é um herói do jornalismo brasileiro, que criou o jornal Movimento e enfrentou a ditadura militar. Agora, ele abre uma nova frente de combate, desta vez com o Supremo Tribunal Federal, ao demonstrar que o desvio de R$73,8 milhões do Banco do Brasil, viga mestra da tese do “mensalão”, simplesmente não ocorreu. Leia a reportagem de capa da revista Retrato do Brasil, que vai às bancas em 1º de novembro, e que, nesta semana, estará disponibilizada no site da revista, amparada também em documentos.

A vertigem do Supremo

A tese do “mensalão” como um dos maiores crimes de corrupção da história do País foi consagrada no STF. Veja-se o que diz, por exemplo, o presidente do tribunal, ministro Ayres Britto, ao condenar José Dirceu como o chefe da “quadrilha dos mensaleiros”. O “mensalão” foi “um projeto de poder”, “que vai muito além de um quadriênio quadruplicado”. Foi “continuísmo governamental”, “golpe, portanto”. Em outro voto, que postou no site do tribunal dias antes, Britto disse que o “mensalão” envolveu “crimes em quantidades enlouquecidas”, “volumosas somas de recursos financeiros e interesses conversíveis em pecúnia”, pessoas jurídicas tais como “a União Federal pela sua Câmara dos Deputados, Banco do Brasil/Visanet, Banco Central da República”.

Britto, data vênia, é um poeta. Na sua caracterização do “mensalão” como um crime gigante, um golpe na República, o que ele chama de Banco do Brasil/Visanet, por exemplo? É uma nova entidade financeira? Banco do Brasil a gente sabe o que é: é aquele banco estatal que os liberais queriam transformar em Banco Brasil, assim como quiseram transformar a Petrobras em Petrobrax, porque achavam ser necessário, pelo menos por palavras, nos integrarmos ao mundo financeiro globalizado.

De fato, Visanet é o nome fantasia da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento, responsável, no Brasil, pelos cartões emitidos com a chamada bandeira Visa (hoje o nome fantasia mudou, é Cielo). Banco do Brasil/Visanet não existia, nem existe; é uma entidade criada pelo ministro Britto. E por que, como disse no voto citado, ele a colocou junto com os mais altos poderes do País – a União Federal, a Câmara dos Deputados e o Banco Central da República? Com certeza porque, como a maioria do STF, num surto anticorrupção tão ruim quanto os piores presenciados na história política do País, viu, num suposto escândalo Banco do Brasil/Visanet, uma espécie de revelação divina. Ele seria a chave para transformar num delito de proporções inéditas o esquema de distribuição, a políticos associados e colaboradores do PT, de cerca de R$50 milhões tomados de empréstimo, de dois bancos mineiros, pelo partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 13 de julho de 2005, menos de um mês depois de o escândalo do “mensalão” ter surgido, com as denúncias do deputado Roberto Jefferson, a Polícia Federal descobriu, no arquivo central do Banco Rural, em Belo Horizonte, todos os recibos da dinheirama distribuída. Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e Marcos Valério, um empresário de publicidade mineiro, principais operadores da distribuição, contaram sua história logo depois. E não só eles como mais algumas dezenas de pessoas, também envolvidas no escândalo de alguma forma, foram chamadas a depor em dezenas de inquéritos policiais e nas três comissões parlamentares de inquérito que o Congresso organizou para deslindar a trama.

Todos disseram que se tratava do famoso caixa 2, dinheiro para o pagamento de campanhas eleitorais, passadas e futuras. Como dizemos, desde 2005, tratava-se de uma tese razoável. Por que razoável, apenas? Porque as teses, mesmo as melhores, nunca conseguem juntar todos os fatos, sempre deixam alguns de lado. A do caixa 2 é razoável. O próprio STF absolveu o publicitário Duda Mendonça, sua sócia Zilmar Fernandes e vários petistas, que receberam a maior parte do dinheiro do chamado Valerioduto, porque, a despeito de proclamar que esse escândalo é o maior de todos, a corte reconheceu tratar-se, no caso das pessoas citadas, de dinheiro para campanhas eleitorais. E a tese do caixa 2 é apenas razoável, como dissemos também, porque fatos ficam de fora.

É sabido, por exemplo, que, dos R$4 milhões recebidos pelo denunciante Roberto Jefferson – que jura ser o dinheiro dele caixa 2 e o dos outros, “mensalão” – uma parte, modesta é verdade, foi para uma jovem amiga de um velho dirigente político ligado ao próprio Jefferson e falecido pouco antes. Qualquer criança relativamente esperta suporia também que os banqueiros não emprestaram dinheiro ao PT porque são altruístas e teria de se perguntar por que o partido repassou dinheiro ao PTB, PL e PP, aliados novos, e não ao PSB, PCdoB, aliados mais fiéis e antigos. Um arguto repórter da Folha de S.Paulo, num debate recente sobre o escândalo, com a participação de Retrato do Brasil, disse que dinheiro de caixa 2 é assim mesmo. E que viu deputado acusado de ter recebido o dinheiro do Valerioduto vestido de modo mais sofisticado depois desses deploráveis acontecimentos.

O problema não é com a tese do caixa 2, no entanto. Essa é a tese dos réus. No Direito Penal brasileiro, o réu pode até ficar completamente mudo, não precisa provar nada. É ao Ministério Público, encarregado da tese do “mensalão”, que cabe o ônus da prova. E essa tese é um horror. No fundo, é uma história para criminalizar o Partido dos Trabalhadores, para bem além dos crimes eleitorais que ele de fato cometeu no episódio. O escândalo Banco do Brasil/Visanet, que é o pilar de sustentação da tese, não tem o menor apoio nos fatos.

Essencialmente, a tese do “mensalão” é a de que o petista Henrique Pizzolato teria desviado de um “Fundo de Incentivo Visanet” R$73,8 milhões que pertenceriam ao Banco do Brasil. Seria esse o verdadeiro dinheiro do esquema armado por Delúbio e Valério sob a direção de José Dirceu. Os empréstimos dos bancos mineiros não existiriam. Seriam falsos. Teriam sido inventados pelos banqueiros, também articulados com Valério e José Dirceu, para acobertar o desvio do dinheiro público.

Essa história já existia desde a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Foi encampada pelos dois procuradores-gerais da República, Antônio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, que fizeram os trabalhos da acusação. E foi transformada num sucesso de público graças aos talentos do ministro Joaquim Barbosa na armação de uma historinha ao gosto de setores de uma opinião pública sedenta de punir políticos, que em geral considerada corruptos, e ao surto anticorrupção espalhado por nossa grande mídia, que infectou e levou ao delírio a maioria do STF.

Por que a tese do “mensalão” é falsa?

Porque o desvio dos R$73,8 milhões não existe. A acusação disse e o STF acreditou que uma empresa de publicidade de Valério, a DNA, recebeu esse dinheiro do Banco do Brasil (BB) para realizar trabalhos de promoção da venda de cartões de bandeira Visa do banco, ao longo dos anos 2003 e 2004. E haveria provas cabais de que esses trabalhos não foram realizados.

A acusação diz isso, há mais de seis anos, porque ela precisa de que esse desvio exista. Porque seria ele a prova de serem os R$50 milhões do caixa 2 confessado por Delúbio e Valério inexistentes e de os empréstimos dos bancos mineiros ao esquema Valério-Delúbio serem falsos e decorrentes de uma articulação política inconfessável de Dirceu com os banqueiros. Ocorre, no entanto, que a verdade é oposto do que a acusação diz e o STF engoliu. Os autos da Ação Penal 470 contêm um mar de evidências de que a DNA de Valério realizou os trabalhos pelos quais recebeu os R$73,8 milhões.

No nosso site na internet, RB está apresentando, a todos os interessados em formar uma opinião mais esclarecida sobre o julgamento que está sendo concluído no STF, um endereço onde pode ser localizada a mais completa auditoria sobre o suposto escândalo BB-Visanet. Nesse local o leitor vai encontrar os 108 apensos da AP 470 com os trabalhos dessa auditoria. São documentos em formato pdf equivalentes a mais de 20 mil páginas e foram coletados por uma equipe de 20 auditores do BB num trabalho de quatro meses, de 25 de julho a 7 de dezembro de 2005, e depois estendido com interrogatórios de pessoas envolvidas e de documentos coletados ao longo de 2006.

A auditoria foi buscar provas de que o escândalo existia. Mas, ao analisar o caso, não o fez da forma interesseira e escandalosa da Procuradoria Geral da República e do relator da AP 470 Joaquim Barbosa, empenhados em criminalizar a ação do PT. Fez um levantamento amplo do que foram as ações do Fundo de Incentivo Visanet (FIV) desde sua criação em 2001.

Um resumo da auditoria, de 32 páginas, está nas primeiras páginas do terceiro apenso (volume 320). Resumindo-a mais ainda se pode dizer que:

● As regras para uso do fundo pelo BB têm duas fases: uma, de sua criação em 2001 até meados de 2004, quando o banco adotou como referencial básico para uso dos recursos o Regulamento de Constituição e Uso do FIV da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (CBMP); e outra, do segundo semestre de 2004 até dezembro de 2005, quando o BB criou uma norma própria para o controle do fundo.

● Entre 2001 e 2004, a CBMP pagou, por ações do FIV programadas pelo BB, aproximadamente R$150 milhões – R$60 milhões nos anos 2001-2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, portanto; e R$90 milhões nos anos 2003-2004, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. E, nos dois períodos, sempre 80% dos recursos foram antecipados pela CBMP, a pedido do BB, para as agências de publicidade contratadas pelo banco.

● O BB decidiu, em 2001, por motivos fiscais, que os recursos do FIV não deveriam passar pelo banco. A CBMP pagaria diretamente os serviços por intermédio de agências contratadas pelo BB. A DNA e a Lowe Lintas foram as agências, no período 2001-2002. No final de 2002, o BB decidiu especializar suas agências e só a DNA ficou encarregada das promoções do FIV. Os originais dos documentos comprobatórios das ações ficavam na CBMP, não no BB, em todos os dois períodos.

● O fato de o BB encomendar as ações mas não ser o controlador oficial das mesmas fez com que, nos dois períodos, 2001-2002 e 2003-2004, fossem identificadas, diz a auditoria, “fragilidades no processo e falhas na condução de ações e eventos”, que motivaram mudanças nos controles de uso do fundo. Essas mudanças foram implementadas no segundo semestre de 2004, a partir de 1º de setembro.

● O relatório destaca algumas dessas “fragilidades” e “falhas”. Aqui destacaremos a do controle dos serviços, para saber se as ações de promoção tinham sido feitas de fato. Os auditores procuraram saber se existiam os comprovantes de que as ações de incentivo autorizadas pelo BB no período tinham sido de fato realizadas.

● Procuraram os documentos existentes no próprio banco – notas fiscais, faturas, recibos emitidos pelas agências para pagar os serviços e despesas de fornecedores para produzir as ações. Descobriram que, para os dois períodos 2001-2002 e 2003-2004 igualmente, somando-se as ações com falta absoluta de documentos às com falta parcial, tinha-se quase metade dos recursos despendidos.

● Os auditores procuraram então os mesmos documentos na CBMP, que é, por estatuto, a dona dos recursos e a controladora de sua aplicação e dos documentos originais de comprovação da realização dos serviços. A falta de documentação comprobatória foi, então, muito pequena – em proporção aos valores dos gastos autorizados, de 0,2% em 2001, 0,1% em 2002, 0,4% em 2003 e 1% em 2004.

● Dizem ainda os auditores: com as novas normas, em função das mudanças feitas nas formas de controlar o uso do dinheiro do FIV pelo BB, entre janeiro e agosto de 2005 foram executadas sete ações de incentivo, no valor de R$10,9 milhões e se pode constatar que, embora ainda precisassem de aprimoramento, as novas regras fixadas pelo banco estavam sendo cumpridas e os “mecanismos de controle” tinham sido aprimorados.

Ou seja: o uso dos recursos do FIV pelo BB foi feito, sob a gestão do petista Henrique Pizzolato, exatamente como tinha sido feito no governo FHC, nos dois anos anteriores à chegada de Pizzolato ao banco. E mais: foi sob a gestão de Pizzolato, em meados de 2004, que as regras para uso e controle dos recursos foram aprimoradas.

Mais reveladora ainda é análise dos apensos em busca das evidências de que os trabalhos de promoção dos cartões Visa vendidos pelo BB foram feitos. E essas evidências são torrenciais. Uma amostra dessas promoções que devem ser do conhecimento de milhares e milhares de brasileiros estão no quadro abaixo.

Em toda a documentação da auditoria existem questionamentos, são apresentados problemas. Mas de detalhes. Não é disso que se tratou no julgamento da AP 470 no entanto. A acusação que se fez e que se pretende impor através do surto do STF é outra coisa. Quer apresentar os R$73,8 milhões gastos por meio da DNA de Valério como uma farsa montada pelo PT com o objetivo de ficar no poder, como diz o ministro Britto, “muito além de um quadriênio quadruplicado”. Essa conclusão é um delírio. As campanhas de promoção não só existiram como deram resultados espetaculares para o BB tendo em vista os objetivos pretendidos. O banco tornou-se o líder nos gastos com cartões Visa no Brasil.

Em 2003, o banco emitiu 5,3 milhões desses cartões, teve um crescimento de cerca de 35% em seu movimento de dinheiro através deles, tornou-se o número 1 nesse quesito entre os associados da CBMP. No final do ano, 18 de dezembro, às 14h30, em São Paulo, no Itaim Bibi, rua Brigadeiro Faria Lima, 3.729, 2º andar, sala Platinum, de acordo com ata do encontro, os representantes dos sócios no Conselho de Administração da CBMP se reuniram e aprovaram o plano para o ano seguinte. Faturamento esperado nas transações com os cartões Visa para 2004, R$156 bilhões. Dinheiro do FIV, ou seja: recursos para as promoções dos cartões pelos vários bancos associados, 0,10%, ou seja 1 milésimo, desse total: R$156 milhões. Parte a ser usada pelo BB, que era, dos 25 sócios da CBMP, o mais empenhado nas promoções: R$35 milhões.

Pode-se criticar esse esquema Visanet/BB. O governo está querendo que as taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais pelos usos dos cartões sejam reduzidas. Na conta feita no parágrafo anterior, dos R$156 bilhões a serem movimentados pelos cartões em 2004, o dinheiro que iria para o esquema Visanet/BB seria de 4% a 6% desse total, ou seja, ficaria entre R$6 milhões e R$10 bilhões (ou seja, a verba programada para o fundo de incentivos na promoção dos cartões foi pelo menos 40 vezes menor). A procuradoria da República e o ministro Barbosa sabem de tudo isso. Se não o sabem é porque não quiseram saber: da documentação tiraram apenas detalhes, para criar o escândalo no qual estavam interessados.

O retrato do desgoverno de FHC

10 de setembro de 2012

Via Porra Serra no Facebook

A inflação medida de 1994 até o início de 2003 foi de 154%. No entanto, veja os aumentos que estouraram a renda dos brasileiros (valores de 2003):

● Planos de saúde: 175%;

● Serviços pessoais: 205%;

● Combustíveis: 276%;

● Energia elétrica, 305%;

● Transporte público: 307%;

● Aluguel e taxas, 352%;

● Telefone: 457%;

● Gás de cozinha: 550%.

No entanto, nesse mesmo período, a cesta básica evoluiu desde julho de 1994 até fevereiro de 2002: os alimentos aumentaram apenas 43%, os de higiene e limpeza, 47%. Como esses dados se referem até fevereiro de 2002, a inflação medida foi de 126%. No entanto, os serviços públicos cresceram nesse mesmo período 245%.

Mas, desde fevereiro do ano passado, os serviços públicos deram um salto. Ou seja, de nada adianta a agricultura produzir mais, reduzir custos e utilizar tecnologias avançadas e caras em benefício do preço final, porque os serviços administrados pelo governo chegam aos absurdos mostrados acima.

Mesmo assim, é preciso registrar que a agricultura tem assegurado a renda da população na medida em que os alimentos baratos aguentam o tranco da perda de renda interna, e ainda respondem por 30% das exportações brasileiras.

Efetivamente o preço dos alimentos cresceu muito menos do que a inflação.

O salário mínimo saiu de R$70,00 em 1994 para alcançar R$200,00 em 2002 e R$240,00 em 2003. E a cesta básica saiu de R$81,00 em 1994, para R$112,00 em 2002.

As condições de vida do trabalhador estariam muito melhores se os preços dos serviços públicos ou privatizados tivessem acompanhado os índices de reajustes dos alimentos. Outro levantamento feito até fevereiro de 2002, mostra que nesse período, o gás de cozinha subiu 472%, a energia elétrica 368%, os telefones fixos 3.700%, a água e esgotos 420% e o transporte urbano 300%, o dólar pulou de R$0,80 para R$3,00 (sujeito a variações constantes), e a dívida externa, de R$68 bilhões para R$720 bilhões. Por aí, se vê que as tarifas públicas ou dependentes da concessão pública fizeram a farra. Basta ver o gás de cozinha que subiu 78% de fevereiro de 2002 para hoje.

Enquanto isso a agricultura segurou a inflação e alimentou os brasileiros. E a renda da população caiu, mas uma grande parte foi engolida pelo governo com sua política econômica recessiva, arrecadatória e de contenções monetárias.


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