Posts Tagged ‘Renovação’

Renovação tucana envolve até Luciano Huck

4 de novembro de 2012

Apresentador da Globo é o primeiro nome lembrado numa reportagem de O Estado de S.Paulo sobre eventuais “apostas para o futuro” do PSDB. O rumor do projeto político de Huck circulou no ano passado, quando ele foi objeto de capas de Alfa e Veja, duas revistas da Editora Abril. É assim que o partido vai se aproximar dos mais pobres, como pretende FHC?

Via Brasil 247 e lido no Blog da Dilma

Numa extensa reportagem de domingo, dia 4, assinada pela bem informada repórter Julia Dualibi, O Estado de S.Paulo aponta quais seriam as grandes apostas do PSDB para o futuro, em seu projeto de renovação defendido por lideranças como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves (leia mais aqui).

Entre os nomes citados, o primeiro é o do apresentador da Globo, Luciano Huck. “O apresentador de tevê, amigo de Aécio e FHC, é apontado como possibilidade no médio prazo. Para tucanos, Huck poderia disputar o senado em 2018”, informa o Estadão.

No passado recente, ele foi capa de duas revistas da Abril: uma de Veja, que falava da “reinvenção do bom-mocismo”; e uma de Alfa, em que Huck insinuava seu desejo de disputar a Presidência.

A reação foi forte, inclusive aqui no Brasil 247, que o apontou como novo Collor (leia mais aqui), e o apresentador nunca mais tocou no assunto. No domingo, dia 4, no entanto, voltou a ser lembrado.

Em seu artigo deste fim de semana, FHC fala da necessidade do PSDB de se aproximar dos mais pobres e deixar de ser visto como o “partido dos ricos”. Será que é possível como uma aposta tão identificada com o estereótipo do “mauricinho”?

PSDB de FHC: O velho que devora o novo

2 de novembro de 2012

Ala jovem tucana.

Luis Nassif, via Advivo

Em entrevista a Gabriel Manzano, do Estadão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso rechaça o discurso da renovação do PSDB com um sofisma: são necessárias ideias novas; e pessoas mais novas não têm necessariamente ideias mais novas. O Conselheiro Acácio não faria afirmação melhor.

Reformulando, então, a proposta: o PSDB precisa de ideias novas, ainda que vindas de pessoas idosas, que substituam as ideias velhas de velhos de todas as idades que dominam o partido.

Delfim Netto é mais velho que FHC. E tem sido fonte permanente de ideias, de bom senso, cumprindo à risca função essencial para o País: a dos velhos sábios referenciais orientando o novo.

No caso do PSDB, o novo não nasce porque o partido se submeteu a uma gerontocracia que nem pensa o novo, nem permite o novo nascimento do novo. Simples assim.

O partido não dispõe de um conselho de pensamento estratégico, o Instituto Teotônio Villela não cria novas ideias, não existem fóruns para a troca de experiências regionais. Como não existe democracia interna, os caciques estaduais impedem a todo momento o aparecimento do novo local. E não é necessariamente o novo de fora, mas simplesmente abrir espaço para quadros que, esse tempo todo, ficaram em segundo plano.

O modelo do PC chinês

Tome-se o exemplo do PC chinês. Não existe democracia formal no país. Mas há um modelo de meritocracia que induz ao revigoramento permanente do partido. Governadores de províncias, com experiências bem-sucedidas, galgam na hierarquia e influenciam as políticas públicas.

Mesmo sendo uma autocracia, a China tem conseguido caminhar com enorme vitalidade entre os movimentos pendulares da economia, ora radicalizando medidas de mercado, ora voltando-se para o mercado interno e o bem-estar da população.

No PSDB isso não existe. E talvez nem existisse no PT, não fosse o comando de Lula.

Em 2010, no plano nacional, o novo era Aécio Neves, o velho era José Serra. O velho se impôs. Tivesse dado lugar ao novo, no dia seguinte ao da eleição de Dilma Rousseff, Aécio seria o político polarizador das forças de oposição, como lembra o cientista social Antônio Carlos Almeida. Agora, cedeu lugar a Eduardo Campos.

Em Minas, Aécio era o velho, Anastasia o novo. O velho não deixou o novo de alçar voo próprio e impediu o aparecimento de novos políticos tucanos mineiros capazes de revitalizar o partido.

Agora, como prognosticou Marcos Nobre, no Brasilianas de segunda-feira, dia 29, a única dobradinha possível – para o caso de aliança PSB-PSDB – seria Eduardo Campos-Anastasia, representando o velho Aécio. Este terá de se candidatar a governador de Minas, porque Anastasia não poderá concorrer à reeleição e Aécio não poderá ficar sem Minas Gerais. E não existe o novo para sucedê-los.

O mesmo ocorre em São Paulo. Quem será o sucessor de Geraldo Alckmin? Provavelmente Alckmin Geraldo. O candidato com maior potencial, Gabriel Chalita, foi defenestrado.

Os erros quadrianuais

Nas últimas eleições municipais, era óbvio, para qualquer analista minimamente antenado, a impossibilidade de vitória de Serra. Seria a hora de lançar o candidato tucano que, mesmo derrotado, ganhasse visibilidade para novos voos. Perdeu-se a oportunidade.

Ocorre que as oportunidades aparecem a cada quatro anos. Cada perda de oportunidade significa quatro anos de atraso.

Lembro-me até hoje de uma frase de Geraldo Alckmin, na campanha de 2006: “Como dizia o Covas, todo final de semana você tem de sair na rua e conviver com o povo. Esse pessoal nunca amassou barro.”

Alckmin tem a percepção da necessidade de ouvir o povo, mas o PSDB paulista perdeu os intelectuais capazes de definir os modelos de participação popular e mesmo o discurso inclusivo. E, assim como Aécio, parece não ter a mínima disposição de levantar a bola de correligionários com potencial político.

É assim que os partidos vão envelhecendo., envelhecendo, até desaparecerem.

O PSDB exigiria uma reforma ampla, uma reorganização que instituísse a democracia partidária e permitisse sua revitalização. Mas não há uma governança capaz de implementá-la.

FHC poderia ter sido o construtor do novo partido, mas, assim como no exercício da Presidência da República, faltaram-lhe vontade, ideias e desprendimento. Ao contrário de grandes construtores de partidos, como Lula, Montoro, Covas, Tancredo, Ulisses, FHC nunca pensou no interesse partidário. Para ele, o PSDB foi apenas uma escada para realização pessoal, assim como para os economistas que usaram o PSDB enquanto foi de seu interesse.

Sem FHC, quem vai pensar o novo? Aécio, Alckmin, claro que não. Na ausência de novas ideias, chega-se a esse fundo de poço, do discurso predominante de Serra e seus Malafaias.


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