Posts Tagged ‘Reinaldo Azevedo’

Breno Altman: Quem é a direita brasileira?

26 de dezembro de 2013

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Breno Altman, via Brasil 247

O senhor Reinaldo Azevedo, a quem injustamente referiu-se a ombudsman da Folha de S.Paulo como rottweiler do conservadorismo, continua a desmentir sua colega de redação. Qualquer comparação com uma raça canina tão forte e cheia de personalidade é realmente despropositada. Se o nobre animal lesse jornal, provavelmente se sentiria insultado. O colunista, tanto pelas posições que defende quanto por estilo, está mais para cachorrinho de madame.

Deu-nos mais uma prova, no dia 6 de dezembro, em artigo intitulado “Direita já!”, de qual é o seu pedigree. A ideia básica é que falta, no Brasil, uma força política que tenha competitividade eleitoral e, abraçando claramente valores de direita, faça oposição ao governo. Ou que acredite na hipótese de se tornar dominante exatamente por defender esses valores. Ainda mais longe vai o santarrão do conservadorismo: o PT provavelmente continuará a governar porque não seria possível “candidatura de oposição sem valores de oposição”.

O que Azevedo esconde do leitor, por ignorância ou má fé, são as razões pelas quais a direita brasileira atua disfarçada. Esse campo ideológico, afinal, esteve historicamente comprometido com a quebra da Constituição, o golpismo e a instituição de ditaduras. Seus valores de raiz são o autoritarismo, o racismo de índole escravocrata, o preconceito social, o falso moralismo e a submissão às nações que mandam no mundo. Vamos combinar que não é fácil conquistar apoios com essa carranca.

Não é de hoje que direitistas recorrem a truques de maquiagem para não serem reconhecidos. A mais comum dessas prestidigitações tem sido a de se enrolar em supostas bandeiras democráticas para cometer malfeitos. Exemplo célebre é o golpe militar de 1964, quando bateram nas portas dos quartéis e empurraram o país para uma longa noite de terror, em nome da liberdade e da democracia.

A ditadura dos generais foi o desfecho idealizado pela “direita democrática”, depois que se viu sem chances de ganhar pelo voto e tomou o caminho da conspiração. O suicídio de Getúlio Vargas sustou a intentona por dez anos, mas os ídolos de Azevedo estavam à espreita para dar o bote. As provas são abundantes: estão presentes não apenas nos discursos de personalidades da “direita democrática” de antanho, mas também nas páginas dos jornalões da época, que clamavam pela ruptura constitucional e a derrubada do presidente João Goulart.

Algumas dissidências desse setor, a bem da verdade, tentaram se reconciliar com o campo antiditadura, depois de largados na estrada pelos generais ou frustrados com sua truculência. A maioria dos azevedinhos daquele período histórico, no entanto, seguiu de braços dados com a tortura e a repressão. Eram ativistas ou simpatizantes do partido da morte. Batiam continência como braço civil de um sistema talhado para defender os interesses das grandes corporações, impedindo a organização dos trabalhadores e massacrando os partidos de esquerda.

O ocaso do regime militar trouxe-lhes isolamento e desgaste. A direita pró-golpe, mesmo transmutada em partidos que juravam compromisso com a democracia reestabelecida, não teve forças para forjar uma candidatura orgânica nas eleições presidenciais de 1989. Acabaram apoiando Fernando Collor, um aventureiro de viés bonapartista, para enfrentar o risco representado por Lula ou Brizola. O resto da história é conhecido.

Depois deste novo fracasso, as forças reacionárias ficaram desmoralizadas e sem chão. Trataram, em desabalada carreira, de aderir a algum pastiche que lhes permitisse sobrevida, afastando-se o quanto podiam da herança ditatorial que lhes marcava a carne. Viram-se forçadas a buscar, entre as correntes de trajetória democrática, uma costela a partir da qual pudessem se reinventar. Encontraram no PSDB, capturado pela burguesia rentista, o instrumento de sua modernização e o novo organizador do bloco conservador.

A mágica acabou, porém, quando o PT chegou ao Planalto, deslocando para a esquerda boa parte do eleitorado que antes era seduzido pelo conservadorismo. Esse foi o resultado da adoção de reformas que modificaram e universalizaram providências antes circunscritas a tímidas medidas compensatórias, como parte de um projeto que permitiu a ascensão econômico-social da maioria pobre do país. Tais conquistas tingiram de cores fúnebres, na memória popular, o modelo privatista e excludente sustentado pelo tucanato.

Enquanto a direita republicana tratava desesperadamente de estabelecer vínculos entre o sucesso do governo petista e eventuais políticas do período administrativo anterior, evitando reivindicar seu próprio programa, outro setor deu-se conta que, sem diferenciação clara de projetos, seria muito difícil reconquistar maioria na sociedade e romper a dinâmica estabelecida pela vitória de Lula em 2002.

Não haveria saída, contra o petismo, sem promover a mobilização político-ideológica das camadas médias a partir de seus ímpetos mais entranhadamente individualistas, preconceituosos e antipopulares. Ao contrário de uma tática que encurtasse espaços entre os dois polos que definem a disputa nacional, o correto seria clarificar e radicalizar o confronto.

As legendas eleitorais do conservadorismo titubeiam a fazer dessa fórmula seu modus operandi, mas os meios tradicionais de comunicação passaram a estar infestados por gente como Azevedo e outros profetas do passado. A matilha não tem votos para bancar nas urnas uma alternativa à sua imagem e semelhança, é verdade. Seria um erro, no entanto, subestimar-lhe a audiência e o papel de vanguarda do atraso que atualmente exerce nas fileiras oposicionistas.

Até porque conta com uma fragilidade da própria estratégia petista, de melhorar a vida do povo através da ampliação de direitos e do consumo, mas atenuando ao máximo o enfrentamento de valores e o esforço para modificar as estruturas político-ideológicas construídas pela oligarquia, especialmente os meios massivos de comunicação. O PT logrou formar maioria eleitoral a partir dos avanços concretos, mas não impulsionou qualquer iniciativa mais ampla para estabelecer hegemonia cultural e ideológica.

Seria persistir neste equívoco não dar o devido combate ao conteúdo programático do discurso azevedista. Sob o rótulo de “direita democrática”, o que respira é uma concepção liberal-fascista, forjada na comunhão das ditaduras chilena e argentina com a escola de Chicago e os seguidores do economista austríaco Ludwig Von Mises.

O velho fascismo, que trazia para dentro do Estado as operações dos conglomerados capitalistas, tornando-os parasitas econômicos da centralização política, efetivamente caducou como resposta aos próprios interesses grão-burgueses. Entre outros motivos, porque retinha parte ponderável da taxa de lucro para o financiamento do aparato governamental.

A combinação entre ultraliberalismo e autoritarismo converteu-se em um modelo mais palatável entre as elites. O Estado assumia as tarefas de repressão e criminalização das lutas sociais, na sua forma mais perversa e violenta, soltando as amarras legais e sociais que regulavam o desenvolvimento dos negócios em âmbito privado. Não eram à toa os laços afetuosos que uniam Margaret Thatcher e Ronald Reagan ao fascista Pinochet. O neoconservadorismo se trata, afinal, do liberal-fascismo sem musculatura ou necessidade de realizar seu projeto histórico até o talo.

Claro que o ladrar de Azevedo e seus parceiros não é capaz, nos dias que correm, de ameaçar a estrutura democrática do país. Mas choca o ovo da serpente pelas ideias e valores que representa. A melhor vacina para a defesa da democracia, contudo, como dizem os gaúchos, é manter a canalha segura pelo gasganete. Os latidos dos cachorrinhos de madame devem ser repelidos, antes que se sintam à vontade para morder.

Breno Altman é jornalista, diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

“Tio Rei” responde por Serra aos que tentam “matá-lo já”

7 de novembro de 2013
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Tio Rei e Serra: Os dois se merecem.

Fernando Brito, via Tijolaço

Na sua condição de porta-voz informal de José Serra – há uma incrível sintonia de alma entre ambos – Reinaldo Azevedo, num dos raros intervalos em que para de babujar sua irritação por Miriam Leitão ter dito que ele “rosna” – que bobagem, Miriam! – escreve para dar a visão do serrismo sobre o almoço de segunda-feira, dia 4, onde FHC, Geraldo Alckmin e Aécio Neves, decidiram “dar fim” aos assanhos do ex-eterno candidato a Presidente.

Tranquilo, escrevendo com a mansuetude dos premeditados, Azevedo diz que isso não passa – claro – de invenção da mídia e diz que Serra não traz problemas para Aécio:

“Aécio será o candidato se quiser; tem hoje o domínio total da máquina partidária; conversa livremente com quem desejar; pode lançar os temas e as teses que julgar convenientes sem dar satisfações a ninguém (a esmagadora maioria concordará); tem estrutura e condições de circular livremente pelo país etc. Pergunto de novo: quais são os obstáculos criados por Serra?”

Num acesso de bondade, Tio Rei se mostra como o melhor amigo do homem de Minas:

“Será mesmo uma boa ideia lançar já a candidatura de Aécio? Será mesmo virtuoso transformá-lo, desde já, no alvo da máquina de desqualificação do “partido oficial”? Será mesmo conveniente que tudo o que diga passe a ser filtrado, desde agora, pela ótica de 2014?”

Mas, apesar de manso, não deixa de mostrar os dentes, cobrando o acordo feito com Aécio, perguntando se “será mesmo desejável desfazer um acordo que tem pouco mais de 30 dias”, acordo, é óbvio, firmado com o próprio Serra e do qual o mineiro está arrependido. A propósito, Reinaldo não se esquece de citar que “o encontro teve testemunhas.”

A nota de Reinaldo deixa claro que Serra não vai ceder por “recados” indiretos. Alguém terá de botar a cara para romper a palavra dada e se sujeitar às consequências.

Serra sabe que essa é a parte difícil do plano, porque Alckmin e o próprio Aécio dependem eleitoralmente dele e de seu peso em São Paulo. Serra pode não somar, mas certamente é capaz de subtrair votos.

E, para quem considera que perdeu eleições por causa da “herança maldita” de Fernando Henrique, nada mais vingativo que fazê-lo assumir a paternidade plena da candidatura de Aécio.

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Para limpar sua barra, Folha faz “ficha do Dops”

7 de novembro de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

Eu já tinha chamado a atenção aqui, quando comentei a coluna da ombudsman da Folha, Suzana Singer em que, além de chamar Reinaldo Azevedo de “rottweiller”, ela buscava dizer que um novo colunista, Ricardo Mello, em tese iria compensar a “direitização”, por ter um passado “trotskista”.

Seria só uma inconveniência, até porque – registrei naquele texto – o folclórico “Tio Rei” também o tinha.

Fui do Partidão nos anos de 1970. Miriam Leitão, também. Isso significa algo em relação ao que pensamos e dizemos hoje? Alberto Goldman foi dirigente comunista, hoje é serrista. Carlos Lacerda foi da Aliança Libertadora Nacional de Prestes e foi o que sabemos na história brasileira.

Mas a Folha faz questão de publicar a “ficha” de Ricardo Mello, como que para “limpar sua barra” do próprio jornal. Não faz isso com nenhum outro, mas fez agora com ele.

Não creio que isso o incomode, mas é uma espécie de “ato falho” do jornal, talvez diante do que a “aquisição do passe” de Reinaldo Azevedo tenha provocado de inconformismo em outros, como se apontou aqui.

Mas que, em lugar de brigar com o “cachorro grande” que é a Veja, onde se transformam estas figuras em ícones do jornalismo, ficam alimentando o furor destas figuras. E que a Folha não faz diferente, agora.

Paulo Nogueira: Um novo slogan para a Folha de S.Paulo

27 de outubro de 2013
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Em editorial. o jornal da famiglia Frias chamou o período negro do golpe militar de ditabranda. Pode?

São reveladoras do conceito de pluralismo da Folha de S.Paulo as novas aquisições anunciadas pelo jornal para sua cobertura de política.

Paulo Nogueira, via Carta Maior

São reveladoras do “pluralismo” da Folha as novas aquisições anunciadas pelo jornal para sua cobertura de política. São elas: Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnolli e Ricardo Melo. Os três terão uma coluna semanal na Folha.

Faça uma conta simples. É um pluralismo em que dois terços são de direita e um de centro. Reinaldo Azevedo é de extrema direita, Magnolli é de direita e para dourar Melo a Folha, em seu anúncio, buscou no passado remoto a informação de que ele foi da Libelu.

Já sugeri uma vez e sugiro de novo: a Folha poderia trocar seu slogan em nome da verdade. Sai “um jornal a serviço do Brasil” e entra “um jornal a serviço de si mesmo e seus amigos”.

Entre os amigos figura a Globo. Algum tempo atrás, diante do escândalo documentado da sonegação bilionária da Globo na compra dos direitos da Copa de 2002, perguntei pelo Facebook ao editor executivo da Folha, Sérgio D’Ávila, se aquilo não era notícia.

A Folha não tinha dado nada. Ponderei a D’Ávila que o UOL, da própria Folha, tinha dado uma matéria na qual a Globo admitia sua encrenca com a Receita Federal e reconhecia haver recebido uma multa.

D’Ávila ficou tocado com meu argumento, imagino. No dia seguinte, ou um depois, apareceu no site da Folha uma matéria (raquítica) sobre o caso. Em outros países, seria manchete: a Globo não apenas sonegou como trapaceou ao, contabilmente, dizer que estava fazendo um investimento no exterior, e não comprando os direitos da Copa.

Mas pelo menos a informação veio. Em meu inexpugnável otimismo, imaginei que seria o início de uma investigação profunda de um assunto de colossal interesse público pelo “jornal a serviço do Brasil”.

Foi o triunfo da esperança. Não saiu mais nada. Repito: nada. Novos vazamentos mostraram que a Globo, ao contrário do que afirmara em nota, não pagou multa nenhuma. Na internet, onde se pratica o verdadeiro jornalismo livre no Brasil, se propagou uma conclamação bem-humorada à Globo: “Mostra o Darf”.

Não mostrou.

Bem, passados alguns dias, voltei a falar com D’Ávila. Ele tergiversou. E sumiu. Se conheço a vida nas redações, ele pediu a matéria no calor de nossa conversa e, depois, recebeu um cala-boca da família Frias, sócia da Globo no Valor.

Se conheço os barões, um telefonema partido do Jardim Botânico para a Barão de Limeira resolveu e encerrou a questão. Não bastasse a solidariedade fraternal de classe, alguém do Jardim Botânico poderia ter lembrado ao interlocutor na Barão de Limeira que ninguém ali tem exatamente um comportamento de freira no quesito pagamento de impostos devidos.

Esta é a nossa brava “mídia livre”. Que em dez anos de PT não tenha sido feito nada para moralizar – esta a palavra melhor: moralizar – a mídia mostra quanto o partido tem sido tímido, medroso até, para enfrentar privilégios do chamado 1% (a senhora Kirchner é bem mais combativa).

Há um território enorme, decisivo vital na grande mídia vedado a quem não seja acionista. Reinaldo Azevedo disse que o combinado é que ele poderá escrever sobre o que queira na Folha, mas quem acredita nisso acredita em tudo, para usar a máxima de Wellington.

Nada ilustra melhor este movimento da Folha do que o comentário postado no blog de Azevedo por um leitor. Transcrevo tal como está escrito: “Única mídia que confio e sigo é Veja Abril! A Folha em um tempo atrás era ligado com grupos Comunistas! Espero que não seja uma armadilha Reinaldo! Cuidado!”

Nelson Rodrigues certa vez escreveu que mídia obtusa e leitores obtusos se justificam e mutuamente se absolvem.

Pois é.

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27 de outubro de 2013
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Fuja para as montanhas: Reinaldo e Demétrio são novos “calunista” da Folha.

A Folha tucana anunciou na quinta-feira, dia 24, seu novo time de colunistas. A aquisição mais bombástica é a de Reinaldo Azevedo – o pitbull da Veja que também já foi apelidado de “rola-bosta” pelo teólogo Leonardo Boff. Expressão caricata do direitismo nativo, o novo “calunista” comemora: “Firmei com a Folha o compromisso firmado com meus leitores e que vigora na minha relação com a Veja: escrever o que penso, segundo os fundamentos da democracia representativa, a única que reconheço, e do Estado de Direito”. Hilário!

Além de Reinaldo Azevedo – que nunca teve como marca a defesa da democracia, mas sim seu ódio aos partidos de esquerda, aos movimentos sociais e aos governos progressistas da América Latina –, a Folha ainda anunciou outra contratação reveladora. A do jornalista Demétrio Magnoli, um assíduo frequentador do Instituto Millenium, o antro dos barões da mídia nativa. Com estas duas aquisições, o jornal da famiglia Frias dá mais uma radical guinada à direita e abandona de vez a sua aura de veículo eclético e plural, que já enganou tantos inocentes.

A informação sobre as andanças de Reinaldo Azevedo foi revelada na véspera pelo site Brasil-247. Num primeiro momento, especulou-se até que ele deixaria a revista Veja. A reação dos leitores do site foi imediata e ácida. Vale conferir alguns comentários:

Chucky 23.10.2013 às 12:45

Agora, cá entre nós, a Folha já é uma merda de jornal; com o Reinaldo lá, a única diferença é que vai feder um pouco mais.

Luiz Diamantino 23.10.2013 às 12:33

A Folha acabou de acabar. Para mim e certamente para milhares de leitores. Vou cancelar minha assinatura. Pagar para ler Reinaldo Azevedo?! Nem a pau!

Roberto Locatelli 23.10.2013 às 12:43

Saiu de uma empresa sem futuro e foi para outra empresa sem futuro. A dúvida é: saiu ou “foi saído”?

Chucky 23.10.2013 às 12:42

Saiu do esgoto (Veja) e vai pro lixo (Folha).

Escrevam aí: 23.10.2013 às 12:31

A Folha e a Veja ainda serão distribuídas gratuitamente à população. Nada mais natural; afinal, panfleto eleitoral nunca deveria ser vendido.

Roberto Ribeiro 23.10.2013 às 12:28

Vixe! Saiu do esgoto e foi para a latrina. Vixe!!!

Fernando 23.10.2013 às 12:27

Pro buraco e avante!!!!!!!!! É isso que vai acontecer com a foia

Mário Silveira Neto 23.10.2013 às 12:25

Eu, eu, eu, a Folha se deu mal…

Todos nós sabemos que os jornais impressos estão com seus dias contados… Portanto, adeus rola-bosta, passa a régua e zéfini

Luciano Prado 23.10.2013 às 12:37

Só mudou o fluxo do esgoto, o cocô é o mesmo.

Manoel 23.10.2013 às 12:33

Na Veja ele era uma “estrela”, enquanto na FSP ele vai ser “só mais um”. Dançou.

Agora, com a confirmação de que Reinaldo Azevedo será colunista da Folha e manterá seu blog na Veja, o site Brasil 247 garante que a nova aquisição “caiu como uma bomba no jornal e foi muito mal recebida por diversos profissionais de peso que atuam na Barão de Limeira. Para muitos jornalistas da casa, o leitor da Folha é predominantemente conservador, mas não é um radical de direita, disposto a seguir a linha do colunista de veja.com”.

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Médicos cubanos: Quem são os responsáveis pelo corredor polonês em Fortaleza?

27 de agosto de 2013

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Não foi por explosão espontânea que os médicos cearenses chamaram seus colegas cubanos de “escravos, escravos!”. O ódio, a violência e o preconceito demonstrados na noite da segunda-feira, dia 26, foram atitudes disseminadas, a partir do conforto das redações da mídia tradicional, por três colunistas. Reinaldo Azevedo, em Veja, foi o primeiro a chamar os visitantes de “escravos”. Eliane Catanhêde, na Folha, acrescentou que viajariam ao Brasil em “aviões negreiros”. Augusto Nunes, do Roda Viva, chamou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de “princesa Isabel às avessas”. Assim como não existiria o nazismo sem o Mein Kampf, de Hitler, o corredor polonês de Fortaleza não ocorreria sem os jornalistas que gravaram no imaginário dos médicos o rebaixamento completo dos cubanos. Nessa toada, a próxima pregação será “lincha, lincha!”?

Via Brasil 247

O que move o mundo são as ideias. Para frente ou para trás. A instalação do nazismo, na Alemanha dos anos 1930, foi precedida pela publicação do ideário de Adolf Hitler, o livro Mein Kempf. Hoje, no Brasil, o conjunto dos ideais disseminados por alguns dos mais conhecidos colunistas da mídia tradicional aponta para um caminho análogo, sem volta, de interdição do debate, aviltamento do adversário, exclusão do diferente. Corteja o totalitarismo já superado pela sociedade brasileira.

“Escravos, escravos!”

A palavra de ordem dos médicos cearenses contra seus colegas cubanos, que se preparavam para receber as primeiras noções sobre que Brasil é esse que eles vieram apoiar, não foi gritada por acaso. Essa figura foi gravada no imaginário coletivo dos médicos cearenses – e pode estar se multiplicando em outras regiões brasileiras – por três, em particular, colunistas adulados na mídia tradicional.

Do conforto de suas redações, Reinaldo Azevedo, primeiro, classificou em Veja os médicos cubanos, cujo trabalho é elogiado em todo o mundo no qual eles atuam em programas do tipo Mais Médicos, da Finlândia à África, de “escravos”. Na Folha, a decana Eliane Cantanhêde disse que os profissionais viajariam em “aviões negreiros”. Augusto Nunes, para não ficar atrás, escreveu em seu blog que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se tornou uma “princesa Isabel às avessas”. Todos, sem exceção, com a mesma imagem de degradação do ser humano.

Não ocorreu à trinca de colunistas circunscrever suas diatribes aos irmãos Castro, Fidel e Raul, ou a Karl Marx e Frederic Engels, os grande teóricos do comunismo. Não. Eles pularam na jugular de cada um e de todos os médicos cubanos que atenderam, sob supervisão da Organização Pan-Americana de Saúde, ao chamamento oficial do governo brasileiro.

Na leitura de Azevedo, Eliane e Nunes, depreende-se que eles são “escravos” porque merecem. Vivem em Cuba porque são covardes para enfrentar a sua ditadura. Isso de um lado. Noutra hipótese, felizes, percorrem o mundo para agirem como arautos do socialismo, espiões à luz do dia, propagandistas de uma ideologia ultrapassada. Nenhuma linha sobre o trabalho que os médicos cubanos desempenharam no Haiti pós terremoto que devastou o país em 2010, classificado de “maravilhoso” por seus colegas de primeiro mundo (finlandeses). Nada sobre a ação pacificadora na África, na década de 1970. Nenhuma referência ao mundialmente exemplar programa de medicina da família executado dentro da própria Cuba, que por este tipo de expediente tem um Índice de Desenvolvimento Humano maior que o do Brasil. Zero.

Igualmente, os três colunistas não comentaram sobre os médicos de outros países – Espanha, Portugal, Argentina, Itália – que igualmente aceitaram a proposta do governo brasileiro para preencher vagas que os médicos brasileiros recusaram – com salários de R$10 mil por mês. Afinal, por que entrar em questões mais complexas para análise, se o mais importante é se divertir pela humilhação aos cubanos?

Sabe-se que, por este tipo de posicionamento rasteiro, a mídia tradicional está se afogando pela soma de dívidas demais e leitores de menos. Mas guarda-se ainda, é claro, um tipo de influência muito útil os momentos mais intensos de polaridade ideológica. Nessas horas, diante de programas como o Mais Médicos, que, efetivamente, podem mudar para melhor o padrão de atendimento de saúde nos rincões do País. Os mesmos rincões que não recebem médicos desde seu desbravamento.

Os três colunistas poderiam usar seus espaços para discutir, porque, afinal, a chamada classe médica jamais, em tempo algum, como um todo, voltou seus esforços para o Brasil real. A orientação da medicina brasileira é cobrar, e caro, pelo menor atendimento. Os médicos querem os grandes hospitais, jamais os pequenos prontos-socorros. Podia-se alegar, até aqui, que faltava incentivo para o avanço pelas artérias do País, mas agora não há mais. A remuneração oferecida pelo governo superou todas as expectativas. O Programa Mais Médicos, por outro lado, nada mais é que uma cópia escarrada do que já existe em diferentes partes do mundo, notadamente nos países mais avançados, como Inglaterra e Alemanha. Lá como cá foi preciso importar profissionais para superar carências. O que fazer, então, para dizer que o Mais Médicos não presta?

Ocorreu aos três colunistas chamarem os cubanos – esquecendo-se de todos os outros – de escravos. Uma distorção não apenas da situação que eles vivem em Cuba, mas uma covardia contra cada um e todos os integrantes do grupo recém-chegado. A opção foi criar um clima hostil, de guerra, de oposição total e completa à presença deles aqui. Viraram a mira de seus canhões para os mais fracos e indefesos.

Após chamar os profissionais de escravos, restará aos colunistas continuar o linchamento moral sobre eles. Poderiam, como Gandhi ou Luther King, atuarem pela conciliação entre o homens, mas se inspiraram em Hitler e Mao para disseminar o ódio. O resultado foi visto no Ceará.

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