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Forbes publica texto ridicularizando coxinhas anti-Lula

26 de agosto de 2013

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Miguel do Rosário, via O Cafezinho em 26/8/2013

Essa é daquelas para rir durante uns seis meses. A Forbes, revista dos ultrabacanas, dos bebedores de champanhe de US$20 mil, dos jantares de €300 mil, das amantes de US$3 milhões, publicou um artigo ridicularizando os coxinhas que ainda acreditam que Lula é um bilionário.

Reproduzo abaixo texto do Renato Rovai, publicado em seu blog:

Forbes: Lula e Lulinha não são bilionários e vice de Marina é o único político no ranking
Nesta sexta-feira, dia 23, a revista Forbes publicou um texto, assinado pelo colaborador Ricardo Geromel, que na sua apresentação “afirma que cobre bilionários e tudo relacionado ao Brasil”. Na nota, intitulada Is Lula, Brazil’s former presidente, a billionaire? (Lula, ex-presidente do Brasil, é um bilionário?), Geromel explica a metodologia da revista para elaborar seu ranking de bilionários e aborda as insinuações de que Lula e seu filho, Lulinha, seriam bilionários.

“Depois de ter explicado a nossa metodologia, gostaria de destacar que, embora existam alguns bilionários que são políticos, Lula não é um deles. Caso contrário, ele teria, obviamente, que estar presente na lista anual da Forbes. Alguns exemplos de políticos que são bilionários: Sebastian Piñera, presidente do Chile, US$2,5 bilhões; e Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, US$27 bilhões”, escreveu Geromel.

“Depois de deixar o cargo de presidente do Brasil, Lula recebeu cerca de US$100.000,00 para um discurso de 50 minutos, da LG, em 2011. Ele também deu palestras para a Microsoft e para a Tetra Pak, e foi pago pelas maiores empresas de construção do Brasil, como a Odebrecht, para viajar por seis nações da África e dar palestras para os executivos locais. No entanto, não há evidência que sugere que Lula esteja perto de se tornar um bilionário”, esclarece o colaborador da Forbes. A assessoria o ex-presidente tem informado que parte desses recursos teriam sido destinados ao Instituto Lula e não a ele pessoa física.

Apesar das insinuações que circulam em redes sociais de que Lulinha, filho de Lula, teria comprado um jato de US$50 milhões e que seria um dos donos do Grupo JBS-Friboi, o texto publicado pela Forbes afirma que nenhum dos rumores sobre a riqueza da família do ex-presidente são baseados em fatos reais.

Boatos que circulam nas redes sociais afirmam que Lulinha comprou um jato de US$50 milhões. Compra para bilionário não? Coisa que a Forbes afirma que o filho do ex-presidente não é.

“O filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, apelidado de Lulinha, não se tornou um bilionário também. Recentemente, Lula negou publicamente os rumores de que Lulinha é dono de um jato de US$50 milhões e que é um dos donos do JBS, o maior produtor mundial de carne bovina, por venda, com capital de mercado em US$10 bilhões. Antes que seu pai fosse eleito presidente do Brasil, Lulinha trabalhou como estagiário em um zoológico. Em 2004, um ano após a primeira eleição de Lula, Lulinha lançou a Gamecorp, empresa que produziu conteúdo para tevê e internet. Em 2005, a Gamecorp recebeu mais de US$2,3 milhões da Telemar, hoje conhecida como Oi. Mesmo que o próprio Lula tenha afirmado que seu filho era o “Ronaldinho do mundo dos negócios”, a Gamecorp não foi muito bem e suas perdas já somaram mais de US$4 milhões. Tem havido uma série de rumores sobre a riqueza da família de Lula, mas nada baseado em fatos reais”, diz o texto.

Geromel ainda enfatiza que o único brasileiro presente na lista de bilionários da Forbes que lida com política “em tempo integral” é Guilherme Leal, que fez fortuna com a Natura, famosa empresa do setor de cosméticos. Leal foi candidato pelo PV à vice-presidência da República em 2010. Entretanto, antes de oficializar sua candidatura se desligou da Natura.

Por fim, o colaborador da Forbes comenta sobre a ajuda que o governo brasileiro tem dado a bilionários por intermédio do BNDES, como o empresário Eike Batista, e afirma que dicas sobre novos bilionários, políticos ou não, são sempre bem-vindas.

Só para constar, Forbes é uma revista liberal dos EUA.

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Ranking dos partidos mais corruptos do Brasil

25 de julho de 2013

Daniela Novais, via Câmara em Pauta

Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) divulgou balanço com os partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde 2000. O DEM, com 69 cassações, tem o equivalente a 9,02% de todos os políticos cassados no período de apuração, sendo o campeão. Os dados foram computados em 2007 e publicados em 2009.

Observe, a seguir, o ranking da corrupção comprovada em cada partido e clique aqui para acessar a íntegra do dossiê.

Ranking_Corrupcao_Partidos02

Ranking_Politicos01

Ranking_Politicos02

Leia também:
Eleições 2016: PMDB e PSDB lideram o ranking de candidatos fichas sujas

PSDB, PMDB e PP “vencem” torneio de fichas sujas

24 de janeiro de 2013

Demostenes_Menina_Amarelo

Competição é inglória; tucanos, com 56 candidatos barrados pela Justiça Eleitoral em 2012, peemedebistas (49) e pepistas (30) ocupam as três primeiras posições em campeonato de piores quadros, de acordo com os critérios da lei da ficha limpa. O PT, com 18 fichas sujas, ficou na oitava posição entre as 24 agremiações.

Via Brasil 247

Numa competição que, em tese, nenhum partido político deveria gostar de vencer, os tucanos do PSDB se destacaram. Levantamento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral apontou que o partido que procura empunhar com força a bandeira da moralidade foi também a agremiação com maior número de candidatos a prefeito e vereador barrados pelos critérios da Lei da Ficha Limpa. Ela impede a disputa para cargos eletivos de cidadãos com condenações na Justiça.

Nas eleições para vereador e prefeito de 2012, o PSDB teve nada menos que 56 políticos barrados pela Justiça Eleitoral. Em segundo lugar aparece o PMDB, com 49, e, em terceiro, o PP, com 30. PR, PSB, PTB e PSD vêm a seguir com, respectivamente, 25, 23, 22 e 20 fichas sujas flagrados na disputa das eleições.

Carimbado, pelos adversários, como um partido associado à corrupção, em razão das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal a seus ex-presidentes José Dirceu e José Genoíno, o PT ficou no oitavo posto, com 18 candidatos impedidos. Abaixo dele surge o DEM, outra agremiação que propagandeia fortemente a ética na política, com 16 barrados.

O ranking do TSE trouxe motivos de orgulho, tecnicamente, para os partidos que tiveram menos nomes impedidos. São eles PTC, PSOL, PSDC e PHS, com apenas um candidato ficha suja cada um. É importante salientar que esses partidos têm pouca representação no Congresso Nacional e nos cargos legislativos e executivos em nível estadual e municipal, enquanto o PT é o partido que tem mais representatividade em Brasília, nos estados e nos municípios.

O levantamento tem o mérito de pressionar os partidos, nas próximas eleições, a escolherem candidatos que não os façam brilhar, ao contrário, numa futura lista. Ao menos, em tese.

Ranking_Corrupcao_Partidos

Os 10 maiores crimes de corrupção do Brasil

2 de novembro de 2012

“Mensalão” e o tribunal de exceção

Ari Silveira, via The Brazilian Post

Saudado pela mídia oposicionista como uma espécie de redenção do Brasil, um divisor de águas da ética na política brasileira, o julgamento do escândalo conhecido como “mensalão” deverá ser questionado nas cortes internacionais de Justiça. De uma hora para outra, líderes históricos do Partido dos Trabalhadores, com uma trajetória de luta contra a ditadura militar, quando sobreviveram à prisão, à tortura e ao exílio, passaram a ser tratados em redes sociais como “os maiores vilões da história do Brasil”.

Para entender melhor esse imbróglio, voltemos a 2005, terceiro ano do primeiro mandato do governo Lula. Denúncias de corrupção nos Correios atingiram um dos partidos da base de sustentação do governo, o PTB, que antes da eleição de Lula sempre estivera aliado aos adversários do PT. Acuado, o então presidente petebista, deputado Roberto Jefferson (RJ), deu uma entrevista bomba, denunciando um suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares que votassem pela aprovação de projetos de interesse do governo, o chamado “mensalão”. O caso virou tema de uma CPI mista no Congresso e deu à oposição munição para atacar o governo e sonhar com a deposição do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As investigações revelaram que havia um esquema de distribuição de verbas não contabilizadas de campanha para parlamentares do PT e de partidos aliados, por intermédio do publicitário mineiro Marcos Valério, que ficou conhecido como Valerioduto. Nunca ficou demonstrada, porém, uma relação direta entre esses pagamentos e o resultado de votações no Congresso, embora essa tenha sido a tese que prevaleceu nas investigações e no julgamento. Essa versão tem inconsistências: por que parlamentares do partido do presidente precisariam ser comprados para votar com o governo? E como explicar que até parlamentares da oposição ajudaram a aprovar as propostas governistas? Teriam eles também recebido a mesada, o “mensalão”?

As investigações mostraram ainda que o esquema de Marcos Valério era anterior ao governo petista. Começou no PSDB mineiro, em 1998, e envolveu recursos da campanha do senador tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas e do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição. No entanto, por parte da mídia, era gritante a diferença de tratamento entre o “mensalão do PT” e o dos tucanos, que ficou conhecido como o “mensalão mineiro”. Vale destacar que esse tipo de distribuição de verba entre partidos aliados é prática constante na política brasileira e não um escândalo isolado, como a grande mídia tenta nos fazer crer.

Além da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a Polícia Federal também apurou o caso. As investigações foram encaminhadas ao Ministério Público Federal e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, formalizou a denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sem provas concretas, apenas com base em indícios e depoimentos de acusados, Gurgel acusou José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil, de chefiar o esquema. A denúncia também incriminou o ex-presidente do PT José Genoíno. No Supremo, o relator do processo foi o ministro Joaquim Barbosa, que aceitou os argumentos de Gurgel e pediu a condenação de todos os réus.

Para saciar a sanha condenatória dos setores conservadores, a maioria dos ministros do STF foi buscar no Direito alemão um instrumento chamado “Teoria do Domínio do Fato”, que acabou sendo usado basicamente para condenar Dirceu e Genoíno por corrupção com base em meros indícios e ilações. Pela teoria, se o dirigente partidário sabia das irregularidades e não usou o seu poder para impedir que elas ocorressem, ele também pode ser condenado. O problema, conforme explica o jurista Pedro Abramovay, da FGV/Rio, em artigo publicado na Folha de S.Paulo, é que, mesmo se considerando essa teoria, seria necessário provar que o réu sabia, que tinha poder sobre os atos ilícitos e que sua vontade foi fundamental para que eles ocorressem. E as provas concretas não apareceram, apenas “tênues indícios”.

Também foi questionado o fato de não ter sido desmembrado o processo, já que alguns réus tinham “foro privilegiado”, ou seja, só poderiam ser julgados pelo Supremo, em razão do cargo que ocupavam, e outros não. Diferentemente do que ocorreu no processo do mensalão do PSDB, todos os réus foram julgados pelo STF, que é a corte de última instância, sem possibilidade de recurso a uma instância superior.

Além disso, apesar das evidências contrárias, prevaleceu entre os ministros do STF a interpretação de que o escândalo foi um esquema de compra de votos em votações pontuais, e não um esquema de compra de apoio parlamentar mediante distribuição de sobras do caixa 2 de campanha – não que esta hipótese seja menos criminosa, mas é que ela desmontaria toda a argumentação usada para incriminar Dirceu e Genoíno. Outro ponto questionável foi a interpretação de que a bonificação por volume (BV), prática usual de veículos de comunicação que oferecem descontos às agências pelo volume de peças publicitárias veiculadas de todos os clientes, é desvio de dinheiro público quando envolve verba de um cliente estatal, mesmo que de direito privado (empresa pública ou sociedade de economia mista). O dinheiro do Valerioduto vinha de campanhas da Visanet, atual Cielo, que tinha entre seus acionistas o Banco do Brasil.

A condenação de Genoíno e Dirceu abre um precedente perigoso. No Direito brasileiro, todos costumavam ser considerados inocentes até prova em contrário. O ônus da prova era de quem acusava. Uma condenação sem provas é uma ameaça ao Estado de Direito, que gera uma enorme insegurança jurídica.

Vamos ver como é que o Supremo vai se comportar daqui para a frente. O que se espera agora do Supremo é que os outros escândalos a serem apurados e julgados, como o do mensalão do PSDB, sejam tratados com o mesmo rigor, caso contrário ficará provado que o caso do “mensalão” teve um julgamento de exceção. Não se pode admitir que a seletividade das denúncias na mídia, o velho hábito hipócrita de usar dois pesos e duas medidas, continue contaminando a Justiça.

Os 10 maiores escândalos

A oposição e a quase totalidade da mídia tentaram vender o caso como “o maior escândalo da corrupção da história”, algo que os números, por si só, desmentem.

Enquanto a Veja – que ainda é a revista semanal de maior circulação no País, mas vem perdendo leitores em grande parte por causa do descompromisso com a verdade factual e pelo engajamento escancarado na campanha contra o PT e a esquerda em geral – e seus blogueiros tentam sustentar essa versão, uma reportagem da revista Mundo Estranho, da mesma Editora Abril, demonstra que o “mensalão” ocupa um modesto 9º lugar entre os 10 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos com um valor de aproximadamente R$55 milhões (mas que poderia chegar a R$100 milhões).

À frente aparecem o dos “sanguessugas” (2006), com R$140 milhões; da Sudam (1999), com R$214 milhões; da Operação Navalha (2007), com R$610 milhões; dos “anões do Orçamento” (1992), com R$800 milhões; do TRT/SP (1999), de R$923 milhões; do Banco Marka (1999), com R$1,8 bilhão; dos “vampiros” (2004), de R$2,4 bilhões; e das contas CC5 do Banestado (2000), com um rombo de R$42 bilhões.

O ranking da Mundo Estranho não inclui a privataria tucana, esquema de privatizações fraudulentas que deixou um prejuízo de R$100 bilhões aos cofres públicos no governo FHC (1995-2002), o equivalente a pelo menos mil “mensalões”.

 

***

Leia também:

Atualizado: Os maiores casos (conhecidos) de corrupção no Brasil

Tucanos lideram o ranking dos fichas-sujas em São Paulo

2 de outubro de 2012

PMDB e PSDB são os que mais têm fichas-sujas. A nova lei já barrou 920 candidatos de vários partidos, segundo números dos Tribunais Regionais Eleitorais.

Via Rede Brasil Atual

PMDB e PSDB são os partidos que mais têm candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa em 19 dos 26 estados com eleições municipais neste ano, segundo levantamento feito pelo site Congresso em Foco junto aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Não prestaram informações os TREs do Acre, de Alagoas, Bahia, Goiás, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. A lista inclui candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador.

De 920 candidaturas barradas até agora, 129 são do PMDB e 104 do PSDB. Na sequência aparecem, entre os dez primeiros, o recém-fundado PSD com 88; o PR com 70; PSB e PTB com 68 cada; PT e PP com 54 cada; PDT com 43; e DEM com 40.

Em São Paulo, os tucanos estão isolados na liderança do ranking, com 26 candidatos entre os 117 impugnados. Em seguida, aparecem PTB (17), PMDB (15), PDT (6), PR (6), PSB (6), PT (5), PPS (4), PV (4) e PSD (2).

A Lei da Ficha Limpa impede o registro de candidaturas de quem já foi condenado em segunda instância por órgãos colegiados.

Clique aqui para ler a matéria do Congresso em Foco, que traz a lista de todos os barrados pelos TREs dos 19 estados.

Leia também:

Adivinhe qual é o partido líder de candidatos com fichas-sujas?

Mulher, que se informa pela Folha, se espanta aos descobrir que o PSDB é o campeão dos fichas-sujas

Editora Abril contradiz a Veja: o tal do “mensalão” não é o maior escândalo de corrupção do Brasil

4 de agosto de 2012

O “grande imprensa” brasileira adora superlativos, ainda mais quando é para escrachar o governo federal. Só que a Editora Abril contradiz a própria Editora Abril. A Veja – sua revista semanal que está envolvida até o pescoço com as falcatruas do bicheiro Carlinhos Cachoeira – sempre afirma que o tal “mensalão” é o maior escândalo de corrupção do Brasil. Porém, outra publicação da editora [da] marginal, a Mundo Estranho, fez um ranking em que o campeão foi o do Banestado e o “mensalão” está em 9º, bem atrás de vários escândalos bilionários demotucanos.

Lido no Blog da Maria Frô

Os maiores escândalos de corrupção do Brasil

Claudia Lima, Mundo Estranho

Por causa dela, perdemos R$12 bilhões em investimentos privados em 2011 – o equivalente a R$1,2 mil pagos anualmente por cada trabalhador brasileiro. Conheça os casos mais notórios dos últimos 20 anos*.

10. Me dá um dinheiro aí

Caso: Máfia dos fiscais

Rombo: R$18 milhões

Quando: 1998 e 2008

Onde: Câmara dos vereadores e servidores públicos de São Paulo.

Comerciantes e ambulantes (mesmos aqueles com licença para trabalhar) eram colocados contra a parede: se não pagassem propinas, sofriam ameaças, como ter as mercadorias apreendidas e projetos de obras embargados. O primeiro escândalo estourou em 1998, no governo de Celso Pitta. Dez anos mais tarde, uma nova denúncia deu origem à Operação Rapa.

9. Olha essa mesada!

Caso: “Mensalão”

Rombo: R$55 milhões

Quando: 2005

Onde: Câmara Federal

Segundo delatou o ex-deputado federal Roberto Jefferson, acusado de envolvimento em fraudes dos Correios, políticos aliados ao PT recebiam R$30 mil mensais para votar de acordo com os interesses do governo Lula. Dos 40 envolvidos, apenas três deputados foram cassados. A conta final foi estimada em R$55 milhões, mas pode ter sido muito maior.

8. Siga aquela ambulância

Caso: Sanguessuga

Rombo: R$140 milhões

Quando: 2006

Onde: Prefeituras e Congresso Nacional

Investigações apontaram que os donos da empresa Planam pagavam propina a parlamentares em troca de emendas destinadas à compra de ambulâncias, superfaturadas em até 260%. Membros do governo atuavam nas prefeituras para que empresas ligadas à Planam ganhassem as licitações. Nenhum dos três senadores e 70 deputados federais envolvidos no caso perdeu o mandato.

7. Pobre Amazônia

Caso: Sudam

Rombo: R$214 milhões

Quando: 1998 e 1999

Onde: Senado Federal e União

Dirigentes da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia desviavam dinheiro por meio de falsos documentos fiscais e contratos de bens e serviços. Dos 143 réus, apenas um foi condenado e recorre da sentença. Jader Barbalho, acusado de ser um dos pivôs do esquema, renunciou ao mandato de senador, mas foi reeleito em 2011.

6. Navalha na carne

Caso: Operação Navalha

Rombo: R$610 milhões

Quando: 2007

Onde: Prefeituras, Câmara dos Deputados e Ministério de Minas e Energia

Atuando em nove estados e no Distrito Federal, empresários ligados à Construtora Gautama pagavam propina a servidores públicos para facilitar licitações de obras. Até projetos ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ao Programa Luz Para Todos foram fraudados. Todos os 46 presos pela Polícia Federal foram soltos.

5. Bilhete premiado

Caso: Anões do orçamento

Rombo: R$800 milhões

Quando: De 1989 a 1992

Onde: Congresso Nacional

Sete deputados (os tais “anões”) da Comissão de Orçamento do Congresso faziam emendas de lei remetendo dinheiro a entidades filantrópicas ligadas a parentes e cobravam propinas de empreiteiras para a inclusão de verbas em grandes obras. Ficou famoso o método de lavagem do dinheiro ilegal: as sucessivas apostas na loteria do deputado João Alves.

4. Cadê o fórum?

Caso: TRT de São Paulo

Rombo: R$923 milhões

Quando: De 1992 a 1999

Onde: Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo

O Grupo OK, do ex-senador Luiz Estevão, perdeu a licitação para a construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. A vencedora, Incal Alumínio, deu os direitos para o empresário Fabio Monteiro de Barros. Mas uma investigação mostrou que Fabio repassava milhões para o Grupo OK, com aval de Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, ex-presidente do TRT-SP. A construção do Fórum nunca foi concluída.

3. Precinho camarada

Caso: Banco Marka

Rombo: R$1,8 bilhão

Quando: 1999

Onde: Banco Central

Com acordos escusos, o Banco Marka, de Salvatore Cacciola, conseguiu comprar dólar do Banco Central por um valor mais barato que o ajustado. Uma CPI provou o prejuízo aos cofres públicos, além de acusar a cúpula do BC de tráfico de influência, entre outros crimes. Cacciola foi detido em 2000, fugiu para a Itália no mesmo ano e, preso em Mônaco em 2008, voltou ao Brasil deportado.

2. Chama o Van Helsing

Caso: Vampiros da Saúde

Rombo: R$2,4 bilhões

Quando: De 1990 a 2004

Onde: Ministério da Saúde

Empresários, funcionários e lobistas do Ministério da Saúde desviaram dinheiro público fraudando licitações para a compra de derivados do sangue usados no tratamento de hemofílicos. Propinas eram pagas para a Coordenadoria Geral de Recursos Logísiticos, que comandava as compras do Ministério, e os preços (bem acima dos valores de mercado) eram combinados antes. Todos os 17 presos já saíram da cadeia.

1. Manda pra fora

Caso: Banestado

Rombo: R$42 bilhões

Quando: De 1996 a 2000

Onde: Paraná

Durante quatro anos, cerca de US$24 bilhões foram remetidos ilegalmente do antigo Banestado (Banco do Estado do Paraná) para fora do país por meio de contas de residentes no exterior, as chamadas contas CC5. Uma investigação da Polícia Federal descobriu que as remessas fraudulentas eram feitas por meio de 91 contas correntes comuns, abertas em nome de “laranjas”. A fraude seria conhecida por gerentes e diretores do banco. Foram denunciados 684 funcionários – 97 foram condenados a penas de até quatro anos de prisão. O estado obteve o retorno de arrecadação tributária de cerca de R$20 bilhões.

* Valores estimados e atualizados pela inflação

Fontes: Andre Carraro, professor do departamento de economia da Unversidade Federal de Pelotas e especialista em corrupção; Museu da Corrupção; Controladoria Geral da União; ONG Transparência Brasil; site Consultor Jurídico; Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo.


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