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Esquerdismo ostentação: Os amigos e os inimigos do PSOL

17 de março de 2014

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Via Jornalismo Wando

Depois de fazer um mea-culpa sobre sua relação com Black Blocs, o PSOL teve também que correr para apagar o incêndio causado pela presepada de um de seus quadros. Pra quem ainda não sabe, um político psolista declarou recentemente ser a favor de uma intervenção militar no Brasil. A declaração foi feita – claro! – no Facebook, o habitat natural dos adeptos da Marcha da Família com Deus Pela Liberdade:

PELAS REDES SOCIAIS O BRASIL ESTÁ PRESTES A (PARAR) COM A MAIOR INTERVENÇÃO MILITAR …POR CAUSA DA IMPUNIDADE E A CORRUPÇÃO……VEJAMMM

INTERVENÇÃO MILITAR JÁ EM 31/MARÇO/2014 (50 anos depois da 1ª grande limpeza Comunista).

VAMOS AOS FATOS: EXECUTIVO Corrupção generalizada, CONGRESSO NACIONAL de joelhos para o Executivo, STF desmoralizado c/+54% de Submissão ao Executivo, BNDES Financiando (Comunistas e Narcotráfico, Cuba, Bolívia, Venezuela, etc.) e interesses partidários, Finanças Públicas manipuladas a todo momento”

Esse foi Lobão Elétrico, o Toninho da Elétrica, ex-candidato a prefeito de Cubatão/MG pelo PSOL, o partido do esquerdismo ostentação. Mais uma vez, a sigla teve de emitir nota para se defender e tratou o episódio como uma “opinião”.

Mas os psolistas parecem não cansar de dar trabalho para seus dirigentes. Na semana passada, em entrevista para Mônica Bergamo, Plínio de Arruda Sampaio falou sobre política, religião, malandragem, fofocas e amigos reaças. Como não poderia deixar de ser, o grande Plínio nos brindou com bons momentos de sinceridade. Assim como nos debates e no Twitter, o comunista velho de guerra soltou o verbo e falou o que pensa.

Plinio_Arruda07

Plínio Salg…, digo, de Arruda Sampaio tuitando de seu MacBook e irritando Rodrigo Constantino. Fonte: Folha de S.Paulo.

Vamos aos comentários pouco republicanos que esse tradicional paulista quatrocentão fez sobre amigos e adversários políticos. Inseri hashtags para ilustrar a fase tuiteira de Plínio.

Marina da Silva

“Uma fofoqueira habilidosa, ultra-ambiciosa; se o Eduardo bobear, ela sai candidata” –#MarinaFofoquêraRecalcada

Lula

“É uma figura admirável, sujeito malandrão, ótimo de coração, mas um desastre como presidente” – #LulaMalandroDoBem

José Serra

“Objetivamente, ele é um governante melhor do que a Dilma e os demais. Ele é meio reacionário e violento, mas competente. Pessoalmente, é uma simpatia, um cara simples” – #SerraSimplicidade&Simpatia

Geraldo Alckmin

“É um governador meio reaça, mas um homem correto”. Aqui, Plínio vai além ao dizer que põe “a mão no fogo” pelo governador e garante que o escândalo do cartel do Metrô “não vai passar nem perto” dele – #GeraldoReaçaPorémHonesto

Randolfe Rodrigues

“Novinho, mas craque pra burro.”

“Precisa partir para o ataque, até com ofensas morais. Se não for agressivo no debate em um partido pequeno, os eleitores esquecem você” – #RandolfeNovinhoVidaLoka

A franqueza de Plínio destoa da dissimulação padronizada dos políticos e é o que faz ele ser tão querido pelos mais jovens. Mas também destoa do craque-revelação do partido, o Randolfe.

O PSOL, que nasceu a partir da insatisfação de petistas com as alianças conservadoras do PT, vai ter que rebolar pra explicar algumas relações políticas do seu novo candidato. Randolfe mantém uma bela e duradoura amizade política com José Sarney no Amapá. Em 2010, numa disputa pelo governo local contra uma chapa PT/PSB, Randolfe e o PSOL integraram um projeto eleitoral capitaneado por Sarney e apoiaram um candidato de direita, numa megacoligação com PTB/PSDC/PCB/PRTB/PMN/PTC/PRP. Isso pra não falar que Randolfe utilizou a mesmíssima estrutura político-partidária para se eleger ao Senado.

Randolfe_Rodrigues_Psol05_Sarney

Mas Randolfe gosta mesmo de fazer amigos. Seu novo aliado no Amapá chama-se Jorge Amanajás, denunciado pelo INCRA por grilagem. Em um site de militantes psolistas, Jorge é definido assim:

“Grileiro e sojeiro integrante do agronegócio, ex-deputado estadual pelo PSDB, hoje no PPS, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado e réu na operação ‘Mãos Limpas’”

Tudo fica ainda mais interessante quando relembramos o discurso de Randolfe no final do ano passado, quando foi eleito o candidato do PSOL para a presidência da República:

“Quando ampliarmos essa nossa bancada, imaginem o trabalho que vamos dar ao agronegócio, aos ruralistas e aos grandes empresários”

Na mesma ocasião, o candidato foi bastante aplaudido pelos militantes ao citar um trecho do hino da Internacional Comunista: “Paz entre nós e guerra aos inimigos!”

Faltou especificar melhor quem são os inimigos.

Plínio de Arruda Sampaio: “Ponho a mão no fogo pelo Alckmin.”

14 de março de 2014

PSOL08_Declaracoes

O ex-deputado federal elogiou também José Serra. “Objetivamente, ele é um governante melhor do que a Dilma e os demais”.

Via Revista Fórum

 “É um governador meio reaça, mas um homem correto”, de quem o escândalo do cartel do Metrô “não vai nem passar perto” e por quem “põe a mão no fogo”. Essa é a declaração do ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio (Psol), sobre o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), em matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo no domingo, dia 9.

Plínio, que foi candidato à presidência pelo PSOL em 2010 – quando obteve 886 mil votos, 0,87% do total –, afirma que ficará fora da próxima disputa eleitoral. “Já cumpri o que tinha que cumprir”, aponta. Atualmente, marca presença nas redes sociais, sobretudo em seu perfil do Twitter, seguido por 81 mil pessoas. Lá, ele se dispõe a responder “perguntas sobre política e religião”.

Na esteira do governador, o ex-presidenciável fez elogios a outro tucano: José Serra, de quem diz ser amigo. “Objetivamente, ele é um governante melhor do que a Dilma e os demais. É meio reacionário e violento, mas é competente. Pessoalmente, é uma simpatia, um cara simples”, considerou.

Figuras do Partido dos Trabalhadores, legenda que ajudou a fundar e que abandonou, em 2005, também entraram na sua mira. Disse que Lula “é uma figura admirável, sujeito malandrão, ótima de coração”, mas “péssimo como presidente”. Sobre os acusados no processo do Mensalão, indicou ter ficado “triste” em ver ex-companheiros presos, afirmou que José Dirceu “roubou mesmo” e que José Genoíno “vivia com dificuldade, pegou para o partido”.

Já com relação ao pleito deste ano, confessou ter certeza de que Dilma Rousseff (PT) se reelegerá, apesar de “ter cortado benefícios previdenciários e entregado a Petrobras”. A Randolfe Rodrigues, senador do Amapá e pré-candidato do PSOL ao Palácio do Planalto, Plínio se mostrou favorável – “novinho, mas craque pra burro”, elogiou –, e o aconselhou a “partir para ofensas morais”. “Se não for agressivo no debate em um partido pequeno, os eleitores esquecem de você”, explicou.

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É hora de defender os valorosos companheiros do DEMdoB

18 de fevereiro de 2014

Visto no SQN

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PSOL05_Demostenes

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PSOL01_Hariovaldo

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Conselho de Ética da Câmara instaura processo contra o nazista Bolsonaro

27 de setembro de 2013
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Bolsonaro agride Randolfe.

Iolando Lourenço, via Agência Brasil

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PSD/SP), instaurou na quarta-feira, dia 25, processo envolvendo o deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) por quebra de decoro. O parlamentar é acusado de ter agredido com um soco na barriga o senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), na segunda-feira, dia 23, durante visita de deputados e senadores à antiga sede do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna (DOI-Codi), no 1º Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro.

Durante a reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Ricardo Izar sorteou os deputados Sérgio Moraes (PDT/RS), Izalci (PSDB/DF) e Zequinha Marinho (PSC/PA). Ele vai conversar com os três sorteados para definir quem relatará o processo preliminarmente. O relator elaborará o parecer baseado nos documentos da representação. Ele poderá recomendar o arquivamento da representação ou a continuidade das investigações. Caberá ao plenário do conselho, decidir sobre o parecer preliminar a ser apresentado pelo relator.

A representação contra o parlamentar fluminense foi apresentada na terça-feira, dia 24, pelo PSOL ao Conselho de Ética, com a justificativa de que o deputado extrapolou todos os limites do decoro parlamentar ao agredir um senador. Na própria segunda-feira, Bolsonaro negou ter dado o soco em Randolfe Rodrigues e disse que tudo não passou de um empurra-empurra com troca de acusações.

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24 de setembro de 2013
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O desequilibrado e militar nazista Bolsonoro parte para cima do senador Randolfe Rodrigues. Fotos de Tânia Rêgo/ABr.

Porta-voz da extrema-direita, o deputado Jair Bolsonaro tentou tumultuar a primeira visita autorizada pelo Exército às dependências das antigas instalações do DOI-Codi no Rio de Janeiro, um dos principais centros de tortura e extermínio da ditadura. O PSOL já informou que irá pedir, mais uma vez, a cassação do seu mandato por quebra de decoro parlamentar. A Comissão de Direitos Humanos do Senado também.

Najla Passos, via Carta Maior

Militar da reserva e porta-voz da extrema-direita no parlamento, o deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) tentou impedir, na segunda-feira, dia 23, que uma comitiva civil visitasse pela primeira vez, desde o fim da ditadura militar, as antigas instalações do DOI-Codi no Rio de Janeiro, um dos principais centros de tortura e extermínio do regime. Forçando a barra para entrar mesmo sabendo que seu nome não estava na lista de pessoas autorizadas, Bolsonaro chegou a agredir com um soco no estômago o senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), vice-presidente da Subcomissão da Verdade do Senado.

“A única intenção do Bolsonaro era de impedir que a visita se concretizasse. Era de tumultuar a visita. Mas mais uma vez o senhor Bolsonaro fracassou. […] Ele claramente nos agrediu na entrada, covardemente. Eu e o senador João Capiberibe (PSB/AP) tentamos impedir a entrada dele. E aí o mecanismo foi o ataque por baixo [soco na barriga]”, relatou Rodrigues.

Apesar do tumulto, a visita foi concluída. Membros da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro e parlamentares presentes na visita vão solicitar ao Ministério da Defesa que o prédio, onde hoje funciona o 1º Batalhão de Polícia do Exército, seja transformado em centro de memória. “Considero o dia de hoje um dia histórico. Pela primeira vez na democracia, uma comitiva de entidades da sociedade civil e parlamentares de comissões da verdade puderam entrar nas dependências desse local tão macabro”, disse o presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous.

Bolsonaro18_LatuffBolsonaro negou a agressão testemunhada por ativistas políticos e parlamentares. E defendeu a tortura praticada no portão do DOI-Codi. “Tortura é uma arma de guerra. Pratica-se no mundo inteiro. Deve ter havido um tratamento mais enérgico aqui sim. E mereciam, se houve, porque queriam impor aqui o socialismo”, afirmou à Agência Brasil.

Cassação do mandato

O PSOL já informou que irá pedir à cassação do mandato do deputado. “Ele usou de violência contra um senador. O Bolsonaro, mais uma vez, extrapola todos os limites”, afirmou presidente do PSOL e líder do partido na Câmara, deputado Ivan Valente (PSOL/SP), que encaminhará representação ao Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro, com agravante de agressão física a um senador da República.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, por meio da presidente, senadora Ana Rita (PT-ES), também vai representar contra Bolsonaro. A argumentação é que o deputado tentou impedir a realização de uma missão oficial feita pela Subcomissão da Verdade do Senado Federal.

Antecedentes

Em 2011, o mesmo PSOL já havia entrado com outra representação contra Bolsonaro, por ofensa moral a então senadora pelo partido, Marinor Brito. Indignada com os panfletos “antigays” distribuídos pelo deputado, Marinor o criticou em pronunciamento no parlamento. Bolsonaro rebateu nos seus termos: “Já que está difícil ter macho por aí, eu estou me apresentando como macho e ela aloprou. Não pode ver um heterossexual na frente. Ela deu azar duas vezes: uma que sou casado e outra que ela não me interessa. É muito ruim, não me interessa”.

O mesmo documento também o denunciava também por racismo, em função de entrevista concedida ao programa CQC, da TV Bandeirantes, em 28/3/2011, no qual o deputado, questionado pela cantora Preta Gil sobre o que faria se descobrisse que seu filho estava apaixonado por uma negra, respondeu: “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro este risco. E meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu”.

Apesar da virulência das provas, o processo foi arquivado. O relator, deputado Sérgio Brito (PSD-BA), apresentou parecer pela admissibilidade da denúncia, mas a maioria acompanhou parecer independente do deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS), que entendia o contrário. Mas o caso ainda tramita na Justiça, pelo menos no que diz respeito ao racismo. O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito contra o parlamentar.

Processos na corregedoria

Atualmente, dois processos contra Bolsonaro correm na Corregedoria da Câmara, ambos em sigilo. Um deles resulta da denúncia encaminhada no mês passado por mais de 20 entidades de defesa dos direitos humanos, encabeçadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A motivação foi os vídeos divulgados na sua página na internet em que Bolsonaro editou falas de participantes das audiências públicas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida pelo seu parceiro, Marcos Feliciano (PSC/SP), para acusá-los de “pedofilia” ou de “incitação da homossexualidade infantil”.

Mauricio Dias: Roberto Gurgel mostrou sua cara

3 de junho de 2013

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O procurador-geral não se apega à lei, e sim às suas convicções políticas.

Mauricio Dias, via CartaCapital

Roberto Gurgel, o mais controvertido dos procuradores na história da República, tomou e toma decisões que marcaram e marcarão de forma melancólica o desfecho do mandato dele na Procuradoria Geral em agosto.

Uma dessas decisões, a mais recente, é o fato de Gurgel ter mandado para as profundezas do arquivamento a ação que envolve os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL) e João Capiberibe (PSB). Ambos, em tese, da base governista. Na prática, não.

Gurgel, ao contrário de Geraldo Brindeiro, que engavetava tudo que o governo FHC queria engavetar, tem ido muito além do engavetar ou desengavetar. Ele deu clara noção de sua orientação política. Há outras diferenças. Fiquemos, por enquanto, no fato de que o procurador-geral ora desengaveta, ora engaveta. Engavetou, por exemplo, o caso citado acima.

O episódio ocorreu em 1999, quando Randolfe era deputado estadual e Capiberibe, governador do estado. Nesse período, conforme denúncia feita por Fran Soares Júnior (PP), Randolfe teria recebido dinheiro além do salário regulamentar para votar projetos de interesse do governador. Há conversas gravadas, periciadas, entre Capiberibe e o deputado João Brandão, com menção clara sobre isso.

Randolfe, a única flor do PSOL no Jardim do Senado, nega tudo. E justifica alguns recibos que assinou. Não justifica todos ou tudo. Há recibos, assinados por Randolfe, reconhecidos como legais por análise feita pelo perito Ricardo Molina. Há também gravações em áudio, periciadas, que reforçam a denúncia.

Se fosse possível admitir dúvidas em favor de Randolfe, seria impossível engolir o arrazoado de Gurgel que conduziu a representação para o arquivo sob a alegação de que os fatos narrados na representação “são inverídicos”.

Eis algumas razões em contrário:

● Não houve montagem dos áudios.

● O procurador-geral faz “exercício argumentativo” para deduzir que “a representação noticiou fatos inverídicos”. Também faz descaso das provas apresentadas, indiferente ao fato de que só a perícia pode averiguar a veracidade da prova técnica.

● Gurgel foi além de sua competência. O Ministério Público analisa as questões de direito. As de fato competem exclusivamente a peritos.

● A acusação diz que não apresentou todos os recibos assinados por Randolfe, porque teriam sido recolhidos pela Polícia Federal. Gurgel poderia averiguar. Oficiaria à PF sobre os recibos e, se existissem, os submeteria a exame pericial.

Gurgel navega orientado por bússola política e com a frieza de um frade de pedra. É possível perceber a linha que norteia as decisões que toma. Não é uma linha reta. Bem avaliada, nota-se, porém, como é definida. Por isso é possível supor que, só aparentemente, a decisão beneficia Randolfe e Capiberibe. O arquivamento, falho e apressado, mantém sobre os dois um incômodo ponto de interrogação.

Gurgel não é profissional descuidado. Ele sempre sabe o que faz.

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