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Esquerdismo ostentação: Os amigos e os inimigos do PSOL

17 de março de 2014

PSOL08_Declaracoes

Via Jornalismo Wando

Depois de fazer um mea-culpa sobre sua relação com Black Blocs, o PSOL teve também que correr para apagar o incêndio causado pela presepada de um de seus quadros. Pra quem ainda não sabe, um político psolista declarou recentemente ser a favor de uma intervenção militar no Brasil. A declaração foi feita – claro! – no Facebook, o habitat natural dos adeptos da Marcha da Família com Deus Pela Liberdade:

PELAS REDES SOCIAIS O BRASIL ESTÁ PRESTES A (PARAR) COM A MAIOR INTERVENÇÃO MILITAR …POR CAUSA DA IMPUNIDADE E A CORRUPÇÃO……VEJAMMM

INTERVENÇÃO MILITAR JÁ EM 31/MARÇO/2014 (50 anos depois da 1ª grande limpeza Comunista).

VAMOS AOS FATOS: EXECUTIVO Corrupção generalizada, CONGRESSO NACIONAL de joelhos para o Executivo, STF desmoralizado c/+54% de Submissão ao Executivo, BNDES Financiando (Comunistas e Narcotráfico, Cuba, Bolívia, Venezuela, etc.) e interesses partidários, Finanças Públicas manipuladas a todo momento”

Esse foi Lobão Elétrico, o Toninho da Elétrica, ex-candidato a prefeito de Cubatão/MG pelo PSOL, o partido do esquerdismo ostentação. Mais uma vez, a sigla teve de emitir nota para se defender e tratou o episódio como uma “opinião”.

Mas os psolistas parecem não cansar de dar trabalho para seus dirigentes. Na semana passada, em entrevista para Mônica Bergamo, Plínio de Arruda Sampaio falou sobre política, religião, malandragem, fofocas e amigos reaças. Como não poderia deixar de ser, o grande Plínio nos brindou com bons momentos de sinceridade. Assim como nos debates e no Twitter, o comunista velho de guerra soltou o verbo e falou o que pensa.

Plinio_Arruda07

Plínio Salg…, digo, de Arruda Sampaio tuitando de seu MacBook e irritando Rodrigo Constantino. Fonte: Folha de S.Paulo.

Vamos aos comentários pouco republicanos que esse tradicional paulista quatrocentão fez sobre amigos e adversários políticos. Inseri hashtags para ilustrar a fase tuiteira de Plínio.

Marina da Silva

“Uma fofoqueira habilidosa, ultra-ambiciosa; se o Eduardo bobear, ela sai candidata” –#MarinaFofoquêraRecalcada

Lula

“É uma figura admirável, sujeito malandrão, ótimo de coração, mas um desastre como presidente” – #LulaMalandroDoBem

José Serra

“Objetivamente, ele é um governante melhor do que a Dilma e os demais. Ele é meio reacionário e violento, mas competente. Pessoalmente, é uma simpatia, um cara simples” – #SerraSimplicidade&Simpatia

Geraldo Alckmin

“É um governador meio reaça, mas um homem correto”. Aqui, Plínio vai além ao dizer que põe “a mão no fogo” pelo governador e garante que o escândalo do cartel do Metrô “não vai passar nem perto” dele – #GeraldoReaçaPorémHonesto

Randolfe Rodrigues

“Novinho, mas craque pra burro.”

“Precisa partir para o ataque, até com ofensas morais. Se não for agressivo no debate em um partido pequeno, os eleitores esquecem você” – #RandolfeNovinhoVidaLoka

A franqueza de Plínio destoa da dissimulação padronizada dos políticos e é o que faz ele ser tão querido pelos mais jovens. Mas também destoa do craque-revelação do partido, o Randolfe.

O PSOL, que nasceu a partir da insatisfação de petistas com as alianças conservadoras do PT, vai ter que rebolar pra explicar algumas relações políticas do seu novo candidato. Randolfe mantém uma bela e duradoura amizade política com José Sarney no Amapá. Em 2010, numa disputa pelo governo local contra uma chapa PT/PSB, Randolfe e o PSOL integraram um projeto eleitoral capitaneado por Sarney e apoiaram um candidato de direita, numa megacoligação com PTB/PSDC/PCB/PRTB/PMN/PTC/PRP. Isso pra não falar que Randolfe utilizou a mesmíssima estrutura político-partidária para se eleger ao Senado.

Randolfe_Rodrigues_Psol05_Sarney

Mas Randolfe gosta mesmo de fazer amigos. Seu novo aliado no Amapá chama-se Jorge Amanajás, denunciado pelo INCRA por grilagem. Em um site de militantes psolistas, Jorge é definido assim:

“Grileiro e sojeiro integrante do agronegócio, ex-deputado estadual pelo PSDB, hoje no PPS, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado e réu na operação ‘Mãos Limpas’”

Tudo fica ainda mais interessante quando relembramos o discurso de Randolfe no final do ano passado, quando foi eleito o candidato do PSOL para a presidência da República:

“Quando ampliarmos essa nossa bancada, imaginem o trabalho que vamos dar ao agronegócio, aos ruralistas e aos grandes empresários”

Na mesma ocasião, o candidato foi bastante aplaudido pelos militantes ao citar um trecho do hino da Internacional Comunista: “Paz entre nós e guerra aos inimigos!”

Faltou especificar melhor quem são os inimigos.

Plínio de Arruda Sampaio: “Ponho a mão no fogo pelo Alckmin.”

14 de março de 2014

PSOL08_Declaracoes

O ex-deputado federal elogiou também José Serra. “Objetivamente, ele é um governante melhor do que a Dilma e os demais”.

Via Revista Fórum

 “É um governador meio reaça, mas um homem correto”, de quem o escândalo do cartel do Metrô “não vai nem passar perto” e por quem “põe a mão no fogo”. Essa é a declaração do ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio (Psol), sobre o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), em matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo no domingo, dia 9.

Plínio, que foi candidato à presidência pelo PSOL em 2010 – quando obteve 886 mil votos, 0,87% do total –, afirma que ficará fora da próxima disputa eleitoral. “Já cumpri o que tinha que cumprir”, aponta. Atualmente, marca presença nas redes sociais, sobretudo em seu perfil do Twitter, seguido por 81 mil pessoas. Lá, ele se dispõe a responder “perguntas sobre política e religião”.

Na esteira do governador, o ex-presidenciável fez elogios a outro tucano: José Serra, de quem diz ser amigo. “Objetivamente, ele é um governante melhor do que a Dilma e os demais. É meio reacionário e violento, mas é competente. Pessoalmente, é uma simpatia, um cara simples”, considerou.

Figuras do Partido dos Trabalhadores, legenda que ajudou a fundar e que abandonou, em 2005, também entraram na sua mira. Disse que Lula “é uma figura admirável, sujeito malandrão, ótima de coração”, mas “péssimo como presidente”. Sobre os acusados no processo do Mensalão, indicou ter ficado “triste” em ver ex-companheiros presos, afirmou que José Dirceu “roubou mesmo” e que José Genoíno “vivia com dificuldade, pegou para o partido”.

Já com relação ao pleito deste ano, confessou ter certeza de que Dilma Rousseff (PT) se reelegerá, apesar de “ter cortado benefícios previdenciários e entregado a Petrobras”. A Randolfe Rodrigues, senador do Amapá e pré-candidato do PSOL ao Palácio do Planalto, Plínio se mostrou favorável – “novinho, mas craque pra burro”, elogiou –, e o aconselhou a “partir para ofensas morais”. “Se não for agressivo no debate em um partido pequeno, os eleitores esquecem de você”, explicou.

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É hora de defender os valorosos companheiros do DEMdoB

18 de fevereiro de 2014

Visto no SQN

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PSOL04_Mensaleiros

PSOL05_Demostenes

PSOL06_Quadrilha_HH

PSOL07_Plinio

PSOL01_Hariovaldo

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A DR entre PSOL e Black Blocs ou a cara de pau de Raphael Tsavkko

13 de fevereiro de 2014
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O cara de pau.

O quadro estava pintado desde junho. Com as manifestações cada vez mais violentas, a coisa não ia acabar bem. Agora tá lá um corpo estendido no chão. Foi preciso filmar um assassinato para comover aqueles que foram coniventes durante longos meses com a violência dos protestos. Parece até mentira, mas só agora os principais articuladores das manifestações perceberam que a coisa caminha pra um cenário ruim para todos.

Como já contamos em outras oportunidades, o PSOL, de fato, não possui relação direta com os Black Blocs e suas práticas violentas, mas também nunca fez questão de confrontá-los. Pelo contrário, muitos de seus dirigentes enxergavam certo glamour revolucionário na revolta dos jovens mascarados. É aquela coisa de mãe de criança mimada: “Não concordo com essa birra, mas sabe que até acho bonitinho? Não vou ficar repreendendo!”

Agora a coisa descambou de vez e o mundo assistiu um cinegrafista ser violentamente assassinado em praça pública. O PSOL, assustado com a repercussão, refletiu sobre a proximidade com o grupo e reviu sua posição. Grandes nomes do partido ensaiaram um mea culpa:

“Houve uma escalada da violência de todos os lados, do Estado e de parte dos manifestantes. Uma coisa é explosão de revolta e indignação. Outra coisa é quando a violência vira método. Isso trouxe enorme prejuízo para a democracia, afastou as massas e o debate ficou secundário. O PSOL e a esquerda em geral reagiram, no mínimo, de forma tímida”, Marcelo Freixo.

“Existe uma garotada que era apartidária, depois entrou no PSOL, mas acha que a história das manifestações começou em junho passado. Houve certa leniência na aceitação da anarcofragmentação como se fosse natural, e não é”, Milton Temer

Milton e Marcelo, vamos conversar?

Meus queridos, não estava evidente desde junho que a violência era justamente o único método dos Black Blocs? Não estava claro pra vocês que a militância do partido se aliou ao grupo nas ruas pra lutar contra o inimigo comum: o famoso tudo-o-que-está-aí? Só agora se deram conta de que o partido foi conivente com os atentados que se tem praticado contra a democracia? Bom, antes tarde do que nunca. Mas dizer agora que “o PSOL e a esquerda em geral reagiram de forma tímida” não é bem uma verdade. O esquerdista-ostentação e doutorando em Direitos Humanos, Raphael Tsavkko, um conhecido militante do PSOL (ele jura que não é, mas participa ativamente dos congressos do partido e o defende com veemência), não chegou a reagir de forma tímida, pelo contrário, incentivou o uso da violência. Em outubro, ele escreveu nervosamente em seu blog:

Em vez de quebrar lixeira, tem de quebrar carro da PM, aliás, quebrar os PMs.

PM jogou bomba? Molotov pra cima dos bandidos. Tem de ter reação violenta na mesma medida.

Político bandido do PTMDB saiu pra defender brutalidade da PM? Cerca o cara e faz ele sentir na pele o que a PM faz com o povo. Vê se ele aprende.

PM sorrindo ao espancar o povo? Que no dia seguinte ele seja alvo de uma emboscada. O poder tem que ter MEDO do povo. Pois, no fim, o poder pertence (tem que pertencer) ao povo.

Estou incitando a violência? Sim. Estou. Violência política contra quem usa do Estado para nos violentar. Notem, violência enquanto autodefesa e resposta à brutalidade previamente recebida, historicamente recebida.

Essas ações justiceiras me parecem uma espécie de versão esquerdista dos Justiceiros do Flamengo, o grupinho de jovens terroristas (já confiram o currículo dos moiçolos?) aclamado por Rachel Sheherazade. A ação direta foi completamente banalizada e parece ter virado coqueluche entre os brasileiros. Não está satisfeito com a omissão do Estado? Então bora sair do Face e distribuir porrada, bombas e rojões para todos os lados! Não quer testes científicos em beagles? Vamos invadir e destruir o laboratório de pesquisa! Não quer ver a Copa no Brasil? Bora incendiar a cidade e destruir o patrimônio público! E assim vai a marcha da insensatez.

Meses após incitar a violência, o incrível Raphinha Tsaskkos continuou disparando violentos tweets na cara da sociedade:

PSOL_Raphael_Tsavkko01

Além de demonstrar uma garra impressionante em seus tweets, o psolista não deixa pedra sobre pedra e decreta: a PM tentou assassinar o cinegrafista. Três dias depois, com a confirmação de que o rojão partiu dos manifestantes, nosso amigo mudou o tom e transformou a revolta em um comovente lamento contra a violência generalizada nas manifestações. O Torquemada virou Gandhi:

PSOL_Raphael_Tsavkko02

Ou seja, depois de incitar a violência, esse valoroso jovem, ao se ver pressionado pelos fatos, mudou o disco como se nada tivesse acontecido. Incrível como a paz subitamente invadiu o coração desse doutorando em Direitos Humanos.

Sabem aquela velha história do “não tenho preconceito contra negros, até tenho amigos que são”? Então, é verdade que os militantes psolistas não praticam violência nos protestos. Mas até têm amigos que praticam.

PS.: Raphael Tsavkko atualmente reside na Europa, local de onde confortavelmente prega a violência nas manifestações brasileiras.

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24 de novembro de 2013

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Cadu Amaral em seu blog

Aconteceu, em 12 de novembro, uma audiência pública sobre a democratização dos meios de comunicação. Promovido pela Câmara dos Deputados, o espaço visava tratar do projeto de lei de iniciativa popular chamada Lei da Mídia Democrática.

Estiveram presentes representantes de entidades civis que tratam do tema como o Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé e o Fórum Nacional de Democratização da Mídia (FNDC). Além de parlamentares do PT, PSB, PCdoB, PDT e PSOL.

Todos eles, menos o PSOL, convergem para uma proposta unificada sobre a democratização dos meios de comunicação baseado no documento final da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Cofecom), realizada ainda no governo Lula.

Já os psolistas defenderam o mesmo que setores da direita defendem. Talvez por que Chico Alencar tem as portas sempre abertas nos veículos das Organizações Globo e Jean Wyllys, tenha surgido no cenário nacional através programa Big Brother.

Cabe lembrar que toda a campanha pela democratização da comunicação se baseia nos artigos constitucionais que tratam do tema. Eles não permitem o monopólio e oligopólio, direta ou indiretamente; é necessário haver programações regionais; além de cumprir a função básica de veículo de comunicação que é o de informar.

Mas para os parlamentares do PSOL, isso é feito pela mídia brasileira. Segundo eles, os meios de comunicação desempenham papel de vanguarda no Brasil. Nisso eles estão corretos!

Foram os meios de comunicação que inflamaram o povo contra Getulio Vargas, contra João Goulart, pelo golpe de 1964, pela criminalização da esquerda, contra o Brizola – especialmente em 1982 no caso da Proconsult, a votar em Fernando Collor em 1989, em FHC em 1994 e 1998, em Serra em 2002, Alckmin em 2006 e Serra novamente em 2010. Isso para ficarmos apenas em eleições nacionais.

“Não podemos considerar os meios de comunicação como controladores absolutos de corações e mentes. […] Não vamos avançar neste processo se não sairmos deste maniqueísmo simplista que transforma a mídia em inimigo”, afirmou Jean Wyllys que logo em seguida foi referendado por seu colega de partido, Chico Alencar.

Ora, se os veículos eletrônicos de comunicação de massa, como rádios e tevês, são uníssonos, logo a sensação que se passa é de uma verdade única.

Como bem disse Marx, “as ideias dominantes de uma época são as ideias da classe dominante”, citação inclusive, dita por Alencar na reunião, mas que logo foi desconstruída pelo próprio ao afirmar que a mídia é vanguarda no Brasil.

Não precisa ser gênio para saber que ao usar esse termo, Chico Alencar se refere em vanguarda à esquerda, pois é assim que ele se posiciona ideologicamente (ou não?).

Para justificar suas posições, os psolistas usam as eleições de Lula e de Dilma como forma de que vale apenas a percepção do receptor. Além de expor a mesma posição preconceituosa sobre o Programa Bolsa Família. Wyllys afirmou que ambos venceram suas eleições (Lula sua reeleição) por causa dele.

Em 2010 o Ibope, realizou uma pesquisa de intenções de voto com pessoas beneficiadas pelo programa. Desses, Dilma alcançou marca de 40%. Eram naquele ano cerca de 14 milhões de famílias atendidas pelo programa, em média dois títulos de eleitor por família. O que dá 28 milhões de eleitores.

Se Dilma, segunda a pesquisa do Ibope tinha 40% das intenções de voto, logo ela teria apenas 11 milhões de votos. Ela obteve no primeiro turno daquela eleição 47 milhões de votos. A diferença dela para o José Serra (PSDB), segundo colocado, é maior que o saldo da supressão dos votos oriundos do programa Bolsa Família (37 milhões de votos). Serra obteve 33 milhões de votos.

A posição de Wyllys e Alencar sobre o tema converge com a dos meios de comunicação. Ambos usaram as novelas da Globo como exemplo de seu vanguardismo. Não é surpresa repetir a cantilena sobre o Bolsa Família.

Como também não é surpresa que boa parte das movimentações do PSOL apenas se dá no sentido de destruir o PT e quem estiver aliado a ele, mesmo que pontualmente. Não importa se isso contrarie a Constituição ou mesmo cerceie a pluralidade nos meios de comunicação no país. Um pouco curto esse horizonte psolista, não acha. A “grande imprensa” agradece.

Emir Sader: Por que os sectários da esquerda falharam

8 de novembro de 2013

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Por que a extrema esquerda fracassou

A extrema esquerda terminou tomando como seus inimigos fundamentais os governos progressistas na América Latina. Está isolada, em posturas denuncistas.

Emir Sader, via Carta Maior

Quando foram sendo eleitos governos na onda do fracasso e rejeição aos governos neoliberais, predominantes nos anos 1990 na América Latina, ao mesmo tempo foram se reconstituindo as forças de extrema esquerda, na crítica desses governos.

Nenhum deles foi poupado, mas inicialmente o governo Lula foi objeto mais concentrado dessas críticas. Motivos não pareciam faltar. Desde a “Carta aos brasileiros”, Lula parecia encaminhar-se para o abandono das teses históricas da esquerda, repetindo a experiência histórica que os trotskistas sempre anunciaram: a social-democracia se comporta como força de esquerda, quando está na oposição, mas basta chegar ao governo, para romper com as teses históricas da esquerda, “traindo” a esquerda e os trabalhadores, para se revelar como uma manobra de engano do povo e de continuidade, sob outra forma dos governos da direita.

Uma equipe econômica conservadora, uma reforma regressiva da previdência, discurso tímido – tudo parecia confirmar a tese da “traição”. Cabia, perfeitamente, uma crítica pela esquerda, sobre a questão central do período: a superação do modelo neoliberal, que era feita pela esquerda do PT.

Discutia-se se o governo seguia estando sob disputa entre tendências conservadoras e de esquerda, até que um grupo considerou que era um governo “perdido”, saiu do PT e a fundou um novo partido. O grupo foi rapidamente hegemonizado por trotskistas (da tendência morenista, de origem na Argentina), que enquadravam a evolução do PT no governo no modelo clássico da “traição”.

Porém, ao invés de elaborar uma crítica de esquerda e formular alternativas, rapidamente esse grupo pegou carona nas denúncias do “mensalão”, que a mídia lançou contra o PT. Fazendo com que a “traição” tivesse uma conotação de “corrupção”, como sintoma de uma degradação moral do governo.

A líder do grupo, Heloisa Helena, com seu destempero verbal, tratava o governo como “gangue” e com outros epítetos afins, tão ao gosto da classe média. Esse grupo, que supostamente saia pela esquerda para fundar o Psol, rapidamente somava-se, de maneira subordinada à ofensiva da direita contra o governo.

A campanha eleitoral de 2006 foi a consagração dessa aliança tácita: todos contra o governo Lula, inimigo fundamental de uns e dos outros. Nela, o Psol consolidou sua opção pela crítica moralista, da “traição” do Lula. Quem trai, se torna cada vez pior, reprime, reproduz exatamente o governo da direita. Daí as armadilhas em que caiu o Psol.

Se concentrou em tentar demonstrar, primeiro, que não teria havido “herança maldita”, desconhecendo totalmente a profunda e prolongada recessão produzida pelo governo FHC e a situação herdada do Estado, do mercado interno, da exclusão social, da precarização das relações de trabalho, entre outras. Pior ainda do que isso, passou a desconhecer – da mesma forma que a direita – as diferenças do governo Lula com o governo FHC, em particular a prioridade das políticas sociais.

Além de que desconhece que a polarização neoliberalismo/antineoliberalismo é o enfrentamento central do período histórico atual e, por isso, desconhece que o governo Lula faz parte do movimento histórico da região de construção de governos pós-neoliberais. Desconhece o papel dos novos governos latino-americanos, como único polo mundial de resistência ao neoliberalismo.

A aliança oportunista com a direita contra o governo Lula se deve à consciência de que só teriam espaço, se o PT fracassasse. Então se somam a essa frente, que toma o governo Lula como seu inimigo fundamental.

A essa aliança se soma a atitude ultra esquerdista de, no segundo turno, entre Lula e Alckmin, ficar equidistante, como se fosse o mesmo que ganhasse um ou outro. Imaginem o Alckmin presidente do Brasil diante da crise de 2008! Bastaria isso para nos darmos conta da posição absurda no segundo turno, mas coerente com a opção feita pelo Psol.

Depois do brilhareco momentâneo das eleições de 2006, em que o desempenho da Heloisa Helena, presidente do partido, chegou a ser vergonhoso, promovida pela Globo para permitir a chegada ao segundo turno, o perfil do partido claramente baixou. Se deram conta que seu projeto de construir uma alternativa nacional tinha fracassado. A candidatura de Marina, que herdou boa parte dos votos de Heloisa Helena, confirmou isso. As posições posteriores da ex-candidata complementaram a imagem de uma pessoa individualista, reacionária em relação a temas como o aborto e a democratização dos meios de comunicação, descontrolada, sem condições de liderar um partido de esquerda.

Enquanto isso, ao invés de ser derrotado, o governo Lula, pelos efeitos das políticas sociais, foi ampliando seu apoio popular, de forma constante, até o fim do governo Lula, permitindo a eleição da Dilma.

O desempenho do candidato do Psol nas eleições seguintes, Plínio de Arruda Sampaio, que contou com muitos espaços na mídia, na mesma busca de votos para chegar ao segundo turno contra o PT, confirmou o fracasso político do partido, quando teve 1% dos votos, menos até que outros grupos pequenos, com muito menos espaços na mídia. Desde então o partido tem uma postura de marcar posição, sem nunca ter formulado projeto estratégico alternativo para o Brasil, ficando reduzido a uma força do campo de denúncias do “mensalão”.

Enquanto uma força de esquerda radical deveria, antes de tudo, ter uma análise especifica da sociedade brasileira, do grau de penetração do neoliberalismo, para propor um projeto de superação desse modelo, que articule antineoliberalismo com anticapitalismo. Deveria analisar o governo do PT reconhecendo os avanços realizados e apoia-los, ao mesmo tempo que criticar suas debilidades. Se propor a ser aliado do governo à sua esquerda, nos aspectos comuns e critico nos outros.

Teria que apoiar a política externa do governo, suas políticas sociais, seu resgate do papel ativo do Estado nos planos econômico e social. Que apoiar o conjunto de governos progressistas na região, que protagonizar os processos de integração regional.

Caracterizar o governo como força progressista, força moderada no campo da esquerda, enquanto esse partido seria uma força mais radical do mesmo. Para isso precisaria ter clareza dos inimigos fundamentais, que compõem o campo da direita – EUA, PSDB e seus aliados, a mídia oligárquica, o sistema bancário. Para impedir qualquer risco de se confundir com a direita contra o governo.

Essa via foi inviabilizada pela opção que o Psol assumiu e reafirmou ao longo do governo do PT, isolando-se, sem apoio popular, valendo-se dos espaços que a mídia direitista lhe concede, quando entende que podem prejudicar o governo.

Virou um partido denuncista, de causas corretas e outras duvidosas. Nem sequer valoriza o imenso processo de democratização social que tem transformado positivamente o Brasil na última década.

Esse fracasso da extrema esquerda hoje é generalizado nos países de governos progressistas – Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador –, com desempenhos mais ou menos similares, mas a mesma incapacidade de compreender a natureza do período histórico neoliberal e o papel progressista que tem esses governos. A extrema esquerda terminou tomando como seus inimigos fundamentais esses governos, aliando-se, tácita ou explicitamente à direita contra eles, abandonando a possibilidade de compor um quadro da esquerda, onde seriam a alternativa mais radical. Ficam isoladas, em posturas denuncistas, sem propostas alternativas. Enquanto que os governos progressistas, a esquerda na era neoliberal, se constituem, em escala mundial, na referência central na luta antineoliberal.


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