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Protesto dos sem-teto: Fernando Haddad vai onde o povo está

18 de abril de 2013
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Haddad disse que os movimentos poderão acompanhar as planilhas da Secretaria de Habitação.

Prefeito de São Paulo desce do gabinete para informar que movimentos de habitação terão acesso a planilhas e que já localizou locais para construção de 99 mil unidades, mais que a meta em quatro anos.

Via Rede Brasil Atual

Na quarta-feira, dia 17, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, surpreendeu ao aparecer no primeiro grande protesto contra sua gestão. Promovido por movimentos de luta por moradia, o ato em frente à sede da administração municipal contou com a participação não programada do petista, que subiu no trio elétrico para garantir que haverá diálogo constante durante a construção das 55 mil unidades habitacionais previstas em seu plano de governo.

“Mapeamos locais em que 99 mil moradias que podem ser construídas. Evidentemente, não em quatro anos. Mas, para construir 55 mil, precisa ter um horizonte maior, até porque alguma coisa pode falhar e você precisa repor de outro lugar”, disse, acrescentando que até o próximo mês já terá mapeado terrenos em área suficiente para 120 mil unidades. “Vamos abrir essa planilha para os movimentos de moradia acompanharem. Porque muitas vezes há desinformação. Gastamos muito tempo desapropriando terrenos e repassando para a Caixa, e os movimentos sequer ficam sabendo. Então, a transparência vai ajudar o diálogo. Uma mesa permanente de acompanhamento.”

Os movimentos de luta por moradia querem que 25 mil moradias sejam construídas pelo modelo de autogestão, em que as organizações da sociedade civil são responsáveis pelo projeto. A leitura é de que este sistema garante apartamentos maiores e mais baratos, o que pode ser viabilizado por meio do Minha Casa, Minha Vida Entidades, braço do programa federal de habitação criado em 2007. “Se for por parceria público-privada, a gente já sabe que não vai atender a essa população e nem vai ter a nossa participação”, disse Donizete Fernandes Oliveira, um dos coordenadores da União dos Movimentos de Moradia (UMM).

Provocou insatisfação a notícia de que 20 mil apartamentos serão construídos no centro em parceria com o governo estadual por meio do programa Casa Paulista. O acordo prevê que município e estado participem com R$20 mil cada um por unidade, ante uma contrapartida de R$76 mil da administração federal.

“Estamos discutindo uma política habitacional. É a política habitacional que vai resolver o problema de moradia. Não basta construir casa. É preciso que construa casa, mas tem a política habitacional, termina um governo, outro começa, e dá continuidade à política”, disse o coordenador do Movimento de Moradia do Centro, Luiz Gonzaga, o Gegê.

O prefeito declarou que os programas de governo devem atender a diferentes camadas da população. “A maioria é Habitação de Interesse Social. Agora, não posso trazer para a região central somente a população de uma faixa de renda, senão vou transformá-la em um lugar homogêneo”, disse, após discursar. “Pelo menos metade é para população de baixa renda”, destacou.

Mudanças

Desde que assumiu o cargo, em 1º de janeiro, o prefeito priorizou a aliança com a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades para garantir o cumprimento das metas de moradia. O prefeito ficou insatisfeito com a estrutura herdada da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), que ao longo do mandato dele ficará responsável apenas por dar retaguarda, ajudar a localizar terrenos e fiscalizar o andamento do Minha Casa, Minha Vida na cidade.

O secretário de Habitação, José Floriano, informou hoje que até junho estarão desapropriados terrenos em quantidade suficiente para a construção de 8 mil moradias, em um valor total de R$80 milhões. Ele acrescentou que 14 mil novas unidades estão em processo de construção, e que em breve começam as obras de outras 3 mil.

O prefeito esclareceu aos integrantes de movimentos que é preciso atender também à população que não está organizada. “Uma família que está em uma situação de risco, mesmo que ela não pertença ao movimento organizado, eu não posso voltar as costas. Então vamos abrir a situação da prefeitura, para que eles com solidariedade entendam que há pessoas que têm direitos também e que precisam ser resguardados.”

Sobre a utilização de edifícios desocupados para a criação de moradias populares, Haddad lembrou que nem todos os prédios são viáveis para esse tipo de projeto. “Eu sou a favor de tributar os prédios vazios com o IPTU progressivo no centro. Às vezes há a impressão de que qualquer imóvel vazio pode ser reformado para receber habitação popular. Não é possível transformar todos em moradia, porque alguns são inviáveis economicamente. É mais fácil construir desapropriando estacionamentos ou sobrados degradados do que reconstruir estes prédios”, disse.

Merval Pereira e o elitista jornalismo da Globo

7 de março de 2013

Merval16_SerraHelena Sthephanowitz, via Rede Brasil Atual

Chega a ser hilária a coluna de Merval Pereira no jornal O Globo narrando seu “contato” com um grupo de populares que na sexta-feira, dia 1º, faziam um protesto – diga-se, aproveitando a presença de Dilma Rousseff – em frente ao Museu de Arte do Rio de Janeiro, inaugurado naquele dia.

A narrativa é de quem acha o contato com o povo tão estranho quanto um encontro com ET’s, com a diferença que, neste caso, o personagem humano teme visivelmente ser abduzido…

Os manifestantes não foram lá por causa do Merval, obviamente, e sim por causa das autoridades presentes. Havia um grupo reivindicando solução para o problema dos teatros fechados no Rio após o incêndio na boate de Santa Maria/RS, cujo alvo era o prefeito Eduardo Paes (PMDB/RJ) e o governador Sérgio Cabral (PMDB/RJ), e outro contra a Medida Provisória dos Portos, cujo alvo era a presidenta Dilma.

Em resumo, Merval narra que manifestantes o reconheceram, chamaram-no de “FDP” e fecharam o trânsito em frente a seu carro, batendo no vidro e gritando palavras de ordem. Disse que foi seu momento “Yoani Sanchez”. Sua narrativa, apesar de querer horrorizar, deixa claro que não sofreu nem viu nenhuma agressão física, nem dano material (o que não era mesmo acontecer; seria condenável, antidemocrático e contraproducente como protesto).

O que se percebe é que, mesmo querendo se fazer de vítima, o colunista acaba por mostrar seu distanciamento e incompatibilidade com o povo das ruas – o que é a cara do elitismo que impera nas redações da Globo. E tem gente que ainda crê que ele, Merval, e ela, a Globo, expressam a “opinião pública”.

Mas o que é mais hilariante são as impressões de Merval sobre os manifestantes. A certa altura, ele escreve. “Aparentemente, não havia no grupo nenhum estivador ou operário. Eram todos jovens estudantes com máscaras e cartazes…” Realmente, chega a ser engraçado.

Como Merval imagina que seja um trabalhador portuário de hoje? Será que imagina que seja igual àqueles que faziam parte do imaginário das pessoas no século 19, sem camisa, descalço, maltrapilho, com uma calça rústica rasgada, brutalizado e carregando dois sacos de 60 kg de uma vez?

E será que imagina que “operários”, hoje, não têm dinheiro suficiente para comprar boas roupas e se vestir como qualquer pessoa de classe média, tanto para andar na rua como para ir a protestos?

Esse é o retrato do jornalismo das Organizações Globo. As “notícias” refletem estereótipos do passado e traduzem preconceitos e ideologias dos donos do jornal e seus feitores. Os “formadores de opinião” dos jornalões nem sequer reconhecem o povo brasileiro nas ruas.

Um editor como Merval Pereira, diante do fato noticioso ali na sua frente, não apura os fatos e não manda um repórter apurar. E noticia o fato debaixo de seu nariz como “aparentemente”, em vez de ouvir os manifestantes e noticiar as coisas como elas aconteceram. E assim se faz nossa grande mídia informativa.

Detalhe: o sindicato dos estivadores do Rio fica a cinco quadras do local da manifestação. Até para um jornalista estagiário, é difícil concluir que “aparentemente não havia nenhum deles ali”.

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Sobre o esculacho dado em Merval

Em Brasília, protesto contra Renan Calheiros reúne 20 pessoas

31 de janeiro de 2013

Na quarta-feira, dia 30, um grupo de 20 manifestantes realizou um protesto em frente ao Congresso Nacional para pedir que o Senado não eleja Renan Calheiros (PMDB/AL) como novo presidente da Casa. A votação está marcada para a sexta-feira, dia 1º/2. O ato, que teve amplo apoio da “imprensa isenta” em sua divulgação, foi organizado pela ONG Rio de Paz, cujo dono é Antônio Carlos Costa. Eles colocaram 81 vassouras e baldes no gramado do Congresso para representar cada um dos senadores.

Segundo informações vindas de Brasília, o número de manifestantes pode ter sido menor, pois havia dezenas de repórteres e cinegrafistas da “grande mídia” para cobrir o evento, que contou com 30 policiais militares – mais de um para cada manifestante – para dar segurança.

Fotos de Aílton de Freitas/O Globo

A funkeira McBandida mostrar e dar todo seu apoio ao ato.

A funkeira McBandida foi mostrar e tentar dar todo seu apoio ao ato.

As vassouras, os baldes e os jornalistas. Os manifestantes estavam perdidos por lá.

As vassouras, os baldes e os jornalistas: Os manifestantes estavam perdidos por lá.

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Massa cheirosa: Protesto contra Lula reúne 20 pessoas na avenida Paulista

Massa cheirosa: Protesto contra Lula e PT reúne 20 pessoas na avenida Paulista

13 de janeiro de 2013

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Via Folha on-line

Uma manifestação contra o ex-presidente Lula e o PT reuniu 20 pessoas na avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na tarde de domingo, dia 13, em São Paulo.

O encontro, marcado via redes sociais, tinha como um dos lemas “Mexeu com o Brasil, mexeu comigo. Por um Brasil sem Lula/PT” e associava Lula ao processo do “mensalão”. Os manifestantes entoavam gritos e seguravam faixas contra o partido e o ex-presidente Lula.

O professor Antônio da Silva Ortega, 60, dizia ter nojo do PT. “Estou aqui porque não quero que o Brasil vire uma Venezuela ou Cuba, mas não sou de nenhum partido.”

A professora aposentada Miriam Tebet veio de Ribeirão Preto para a manifestação. Descrevendo-se como “PTfóbica”, afirmava no início do evento que mais pessoas poderiam comparecer. “Mas não esqueço o País em que vivo”, completou.

Cerca de 1.800 pessoas haviam confirmado presença no protesto no Facebook. A Organização de Combate à Corrupção (OCC) foi uma das principais organizadoras do evento.

A psicóloga Marta Abdo, 55, passava pelo local e disse estranhar a “timidez” dos manifestantes. “Parece meia dúzia de pessoas paradas, sem organização alguma.”

A auxiliar de almoxarifado Ângela Pires da Silva, 25, afirmou que “achava engraçado aquele pessoal parado”. Já o aposentado Carim Facuri, 61, disse que via no protesto “uma bela surpresa a favor da honestidade”. O vendedor de artesanato Antônio José da Silva, 48, dizia acreditar que o protesto fora organizado por algum partido antiPT.

Atualizado às 22:27, de 13/1/2013.

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Estudantes contra cotas erram endereço e protestam em frente ao STF

23 de agosto de 2012

Estudantes de escolas particulares erram de endereço, na grafia e no português nos cartazes para protestar contra as cotas raciais.
Foto: André Borges

Via Educação

Cerca de 60 estudantes protestaram na tarde de quarta-feira, dia 22, em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Eles pediam que a presidente Dilma Rousseff vetasse o projeto aprovado no Congresso que aumenta para 50% as cotas para alunos vindos de escolas públicas nas universidades federais.

Após alguns minutos, percebendo que protestavam no local errado, os manifestantes seguiram para o Palácio do Planalto, no lado oposto da Praça dos Três Poderes. Eles ficaram em frente à sede do governo até por volta das 17h30.

Vestidos de preto e com os rostos pintados, os alunos entoavam gritos como “Cotas não, sim educação” e seguravam faixas, algumas com erros de grafia e de português, como “contra a deficiêcia [sic] educacional” ou “Cotas devia [sic] ser por renda”.

De acordo com os representantes do movimento, o protesto era integrado por alunos de escolas particulares, escolas públicas e de universidades do Distrito Federal, chamados para tentar evitar que o projeto de cotas seja transformado em lei.

“Em vez de investir, o governo aprova esse tipo de medida paliativa”, disse uma manifestante que não quis se identificar. Os estudantes disseram que as cotas geram uma “falsa inclusão” e defenderam a “meritocracia” na seleção de estudantes da universidade pública.

Um aluno de 16 anos, bolsista de uma escola particular de Brasília, afirmava: “Se tem gente da minha sala que não consegue escrever nem uma redação, imagina como é na escola pública.” Ele defendeu que a escola particular deveria ser “opção” e não “a única forma de se ter educação decente”.

Outro manifestante dizia que a qualidade da Universidade de Brasília (UnB) vai diminuir com as cotas. “A UnB vive de pesquisa, da contribuição de quem estuda lá. Se piorar a qualidade dos alunos, vai piorar a qualidade da universidade.”


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