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Pau-mandado de José Serra formaliza apoio a Eduardo Campos

9 de fevereiro de 2014
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Direita raivosa. Bob Freire: “Estamos em casa.” Foto de Sérgio Lima/Folhapress.

Aliança do PSB com PPS de Roberto Freire não desperta críticas de Marina Silva. Evento em Brasília lança bases de plano de governo com ataques a Dilma e acusação de que Brasil retrocedeu.

Hylda Cavalcanti, RBA

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, lançou na terça-feira, dia 4, em Brasília as “diretrizes” do plano de governo que pretende utilizar na disputa pelo Palácio do Planalto, em outubro, pelo PSB. O ato oficializou também a adesão do deputado Roberto Freire (SP) à chapa, encerrando uma aliança mantida desde 2006 entre PPS e PSDB, em uma parceria que não despertou críticas da recém-filiada Marina Silva.

Campos, pré-candidato à Presidência, fez uma retrospectiva do apoio dado ao governo de 2003 até setembro do ano passado, dizendo que a legenda não se arrepende das lutas travadas e dos caminhos tomados anteriormente. Mas não economizou críticas sobre a condução do país, afirmou ser contrário “ao estado de letargia existente hoje” e que “o Brasil parou e saiu dos trilhos do desenvolvimento”.

Embora o discurso tenha se iniciado num tom de que os avanços obtidos até aqui foram importantes, mas é preciso fazer mais – chavão que tem sido utilizado pelo partido em seus vídeos pré-eleitorais –, essa ideia não conseguiu se sustentar até o final da fala de Campos, que colocou, entre outras coisas, que “não viabilizar políticas sociais com crescimento da economia é o mesmo que enxugar gelo”.

“Temos visto concentração de renda crescendo, analfabetismo crescendo, a indústria caindo e o país perdendo competitividade. É hora de fazermos a virada de valores que o país tanto deseja”, acentuou. O evento, que contou com a presença de cerca de mil pessoas, no auditório Nereu Ramos, localizado na Câmara dos Deputados, foi prestigiado por parlamentares e políticos dos mais diversos partidos.

Campos lembrou suas origens e a vida política da família, que teve como chefe o ex-governador pernambucano Miguel Arraes. Ele disse que, ao romper com o governo, no ano passado, tomou uma decisão dura, mas que entendia ser um imperativo de consciência. “Nos posicionamos no sentido de tocar o país, fazer com que o Brasil não saia dos trilhos”, colocou.

“Seja de um assentamento rural, periferia no Sudeste, ou em qualquer cidade na Amazônia Legal que vamos, temos a clara percepção que as pessoas estão vendo que o país parou, saiu dos trilhos que vinha, que com idas e vindas estava avançando. Isso não quer dizer que faremos ataque à política. Como filho de uma família de militantes e perseguidos políticos, conheço bem o fel da democracia e não podemos botar cabresto na democracia. Carregamos na consciência o dever de lutar e lutar sempre”, afirmou Campos.

Encontro de forças

Freire se sentiu à vontade com a aproximação. Rompido com o PT ainda durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PPS promoveu uma trajetória de aproximação do bloco PSDB-DEM, e agora, sem candidatura tucana paulista ao Planalto pela primeira vez na história, projeta uma nova mudança.

“Estamos em casa”, frisou Freire, ao destacar que a aliança consiste num encontro de forças políticas que estiveram juntas em 2002, imaginando um Brasil diferente, um país de mudanças. “Sabemos que houve mudanças, mas muitas começaram a se afastar do projeto. Este é o reencontro de uma trajetória mais do que histórica que remonta a personagens importantes como Francisco Julião, Miguel Arraes e Gregório Bezerra.”

De acordo com o deputado pernambucano eleito por São Paulo, “se não estávamos juntos muito recentemente, não é porque não nos faltasse história juntos nem sonho de futuro”. “O PPS, ao analisar um programa político que acalente transformações para o Brasil numa sociedade mais justa, vislumbrou uma retomada histórica, uma esquerda democrática. Vamos encontrar com o nosso futuro de igualdade, justiça e liberdade.”

Desta vez, Marina, abrigada no PSB desde outubro passado, não apresentou oposição à entrada do PPS, antigo aliado do PSDB em São Paulo, onde a ex-ministra tem trabalhado para que se vete uma coligação com o tucano Geraldo Alckmin.

Marina não esteve em papel central no evento em Brasília, adotando postura diferente da mantida em outros encontros. Em sua fala, mais curta, bateu em tecla conhecida: o programa de governo do PSB será fruto do envolvimento da sociedade nos vários setores para um Brasil mais justo. “Estamos reafirmando aqui o que dissemos quando foi firmada a aliança entre PSB e Rede, em outubro passado. Nossa aliança não está baseada nas estruturas, no tempo de tevê durante a campanha eleitoral, no marketing nem na maior quantidade de pessoas apoiando a legenda nos estados”, assegurou.

Conforme enfatizou a ex-ministra, “é preciso ampliar as conquistas, mas sem ter a atitude de complacência a erros cometidos repetidamente”. “Reconhecemos que tivemos avanços que precisam ser mantidos, mas ao mesmo tempo aprofundados. Não adianta dizer que somos modelo de desenvolvimento capaz de promover justiça social. Também é preciso preservar a base social. Não adianta buscarmos melhores condições agrícolas e adotar políticas predatórias”, salientou.

Cinco eixos

O programa de governo, que foi elaborado com a ajuda de internautas a partir de uma plataforma digital, apresenta como pontos principais cinco eixos: reforma do Estado, reforma urbana, meio ambiente e recursos naturais, saúde e educação e cultura. No tocante à reforma do Estado destaca a necessidade de desburocratização e da substituição de nomeações políticas pela de especialistas, que levem em conta a meritocracia.

Em entrevista coletiva após o evento, os dirigentes do PSB não quiseram explicar por que nos governos estaduais comandados pela legenda tem sido observada a prática inversa, com grande números de cargos ocupados por pessoas indicadas pelas mais variadas alianças firmadas.

No quesito Educação e Cultura, o governador teve parâmetros para argumentar e discorreu – durante um bom tempo da apresentação – sobre a experiência que tem adotado em Pernambuco, com a instituição das escolas em regime de tempo integral. Segundo ele, o número de crianças na escola em período integral naquele estado é semelhante ao observado na Região Sudeste. Ele também falou dos programas de capacitação e formação dos professores e emocionou muitos dos presentes quando disse que, quando creches e escolas têm pessoas preparadas e apaixonadas com a educação dos estudantes, a transformação acontece.

Em relação às políticas sociais, o programa socialista ressalta a importância de os trabalhos serem feitos a partir de uma visão intersetorial e numa gestão que mantenha o serviço bem prestado, mas não como ação de governo propriamente e, sim, como política pública do Estado. Já quanto ao urbanismo, o trabalho aborda a necessidade de haver integração e debate nos projetos para o setor, passando por melhoria de serviços de transporte a segurança pública.

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Soninha para presidente. É piada!?

13 de outubro de 2013
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Soninha e Serra: Sempre juntos.

Altamiro Borges em seu blog

O blogueiro Josias de Souza, da Folha, publicou na semana passada uma notinha divertida sobre os dilemas do PPS:

“Após tomar distância de Aécio Neves (PSDB), se oferecer a Eduardo Campos (PSB), flertar com José Serra (PSDB) e ser refugado por Marina Silva (Rede), o partido rediscute todas as alternativas anteriores e mais uma: a escolha de uma opção presidencial própria. Uma ala do PPS passou a defender o lançamento da candidatura de Soninha Francine, ex-vereadora e candidata da sigla à prefeitura de São Paulo.”

Estou torcendo para que o partido comandado por Roberto Freire aprove esta ideia brilhante. Com certeza, a campanha presidencial de 2014 ficará mais animada. Soninha Francine, também batizada pelos internautas de Sonsinha Francine, não é muito boa de votos, mas adora um holofote. No primeiro turno da eleição para a Prefeitura paulistana em 2012, ela obteve 2,6% dos votos. No segundo turno, ela se bandeou para a campanha do amigo íntimo José Serra. Não ajudou muito. O tucano perdeu feio na disputa para Fernando Haddad.

Durante a campanha, Soninha Francine desferiu os seus ataques, principalmente contra o PT – partido pelo qual já foi eleita vereadora e depois debandou. No seu direitismo convicto, ela falou e escreveu várias grosserias. Revelando seu alto nível político, ela postou no seu blog: “Esses imundos [petistas] vem dizer que nunca ninguém fez nada pelos pobres, e que eles fizeram muito pelos pobres. Repetem, repetem, repetem… E aí vem no debate [o Haddad] dizer ‘vamos assinar um protocolo para que a campanha não tenha agressões’. Filho da p…”.

Alertada por um internauta sobre o conteúdo do seu texto, a candidata do PPS ainda correu para alterar a postagem e deixou um aviso aos leitores: “Pra quem veio aqui procurando um palavrão xingando o Haddad: apaguei. Estava com muita raiva e escrevi como falo [falo muito palavrão]. Podia ter dito simplesmente ‘sujo’. No fim, substituí por ‘muito cinismo’. Era lá que estava o ‘filha da p’”. A sua desculpa esfarrapada não evitou a onda de chacotas e a indignação nas redes sociais.

Passadas as eleições e ressentida com os paulistanos, ela desafiou o novo prefeito: “Anota aí: se 10% das obras do ‘Arco do Futuro’ tiverem começado daqui a quatro anos, eu faço uma tatuagem do Lula com o boné do Corinthians”. Com esta rica biografia, há gente no PPS que ainda pensa em lançá-la candidata à sucessão presidencial de 2014. Seria ótimo! A sigla do desgastado e ridicularizado Roberto Freire está definhando. Acaba de perder mais três deputados federais. Com Sonsinha Francine, a extinção deverá ser ainda mais rápida!

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Como José Serra e Roberto Freire morreram abraçados

8 de outubro de 2013
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Puxa-saco de primeira hora.

José Serra deu o abraço do afogado em Roberto Freire, o presidente do PPS, seu amigo de fé e irmão camarada.

Kiko Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Serra era a grande esperança branca de Freire e do PPS. Depois que Serra voltou para o lugar de onde nunca saiu, o PSDB, Freire tentou a qualquer custo trazer Marina Silva para sua legenda. Era sua chance de permanecer respirando politicamente. Fez questão de deixar público seu apelo: “Estou à disposição. Ela [Marina] diz o que quer fazer. Temos abertura. Não tem problema vir a Rede apenas em um período. Não há impedimento nenhum.”

Marina optou pelo PSB. Restou a Freire dizer que aquele foi “um grave equívoco”. Freire foi trazido para São Paulo por Serra. Acabou se elegendo deputado federal, mas é uma espécie de desterrado. É criticado por seus colegas paulistas por não ter ligação histórica com o estado (toda sua carreira foi construída em Pernambuco) e pelos conterrâneos por ser considerado um desertor.

O PPS é, hoje, uma linha auxiliar do PSDB. “O Serra joga xadrez político com as pessoas e só leva em conta as enormes ambições dele. Se, para chegar onde quer chegar, tiver de se livrar de alguém, ele não tem dúvida”, disse um ex-pessedebista histórico ao DCM. Freire não é o único náufrago serrista em São Paulo. Soninha, candidata à prefeitura e ao governo pelo mesmo PPS, também tornou-se uma sombra.

Freire foi acomodado em cargos de conselho na Emurb e na SPTuris. Era uma maneira de Serra costurar apoios futuros. Freire continua, aparentemente, fiel. “Serra é líder democrático de esquerda. Não tem apoio de banqueiros e grande capital”, escreveu no Twitter, onde passa o tempo batendo boca com pessoas que pegam em seu pé por conta de seu antigovernismo maluco beleza (a coisa chega a tal ponto que ele caiu numa pegadinha segundo a qual a frase “Lula Seja Louvado” seria impressa nas cédulas de real).

Abandonado, folclórico, uma saída para Freire seria, finalmente, trabalhar por São Paulo, que o colocou em Brasília, ou por um projeto que não dependesse de um salvador da pátria. Mas isso está fora de questão. Como diz o Zé Simão, Roberto Freire é “um Fernando Henrique sem chantilly”.

As ruas acordaram um ogro: Serra se move e entra no jogo de 2014

17 de agosto de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

Quem conhece o comportamento antissocial de José Serra sabe o que significa de extraordinário vê-lo comparecer a dois eventos políticos em um dia. Depois do encontro com a sublegenda do PPS, o cada vez mais candidato a presidente se despencou para um cinema onde Fernando Henrique Cardoso lançava seu livro Os pensadores que inventaram o Brasil, que aliás ele tratou de tentar desinventar.

Serra avança a marcação e pressiona o adversário até na sua pequena área. Fernando Henrique, que adotou Aecinho, teve de dizer que é a favor de prévias, caso Serra deseje ser o candidato do PSDB. E, para Aécio, apresentado há dois anos como a “grande esperança branca” do tucanato, ir às prévias onde pode até vencer, é marcar-se como o candidato que não uniu o partido.

Aliás, Serra já o ofuscou completamente.

Reconhece-se nele a chefia da direita, tanto que Agência Estado distribuiu matéria com o significativo título de “Serra prestigia palestra de FHC em São Paulo”, definindo quem é o líder, hoje, e quem é o apêndice prestigiado. Até porque em Serra o reacionarismo e as ideias colonialistas têm, por repugnantes que sejam, densidade.

Serra é a cara velha de ideias velhas e, por isso, tem coerência. Não é um playboy já grisalho, ainda na vida de curtição e baladas, para quem tudo veio de mão beijada. Serra pode ser tudo, menos uma leviandade.

Se as ruas não necessariamente acordaram um gigante, a um ogro acordaram. E Aécio já não dorme por isso.

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Serra manda PPS convidá-lo e mantém Aécio em sua mira

Fernando Brito

Serra, que antes já exercia sua liderança “ideológica” sobre o PPS, tornou-se, virtualmente, o grande dirigente do partido, desde que Roberto Freire, cujos votos em Pernambuco minguaram, foi “importado” por ele para São Paulo.

Portanto, a reunião e o convite feito a Serra para ingressar no partido, ocorridos na semana passada em São Paulo, fazem parte de uma estratégia dele próprio para manter forte a pressão sobre Aécio Neves.

O recado é simples: “Ou serei o candidato do PSDB ou serei candidato pelo PPS e suas chances serão menores que zero. Mesmo perdendo a eleição presidencial, retomo o controle do que sobrar do partido.”

Com São Paulo nas costas, com o triplo de eleitores de Minas e seu recall eleitoral, ninguém duvide que Serra é candidato expressivo. E expressivo não é uma palavra que se adeque bem a Aécio.

O jogo é bruto no tucanato.

Breno Altman: “PPS é capítulo vergonhoso da política nacional.”

20 de abril de 2013
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“Lula seja louvado”: O ex-comunista Bob Freire, agora, está de mãos dadas com a direita.

Breno Altman, via Brasil 247

Com a criação de uma nova sigla, Mobilização Democrática (MD), encerra-se a história do Partido Popular Socialista, capitaneado pelo deputado Roberto Freire. A fusão com o Partido da Mobilização Nacional, que deu cabo à agremiação, foi engendrada para viabilizar atração de parlamentares sem quebrar formalmente regras de fidelidade partidária, arrastando tempo de televisão e nacos do fundo público para financiamento dos partidos.

A legenda recém-batizada tem objetivo encomendado, segundo declarações do próprio Freire: servir de trampolim para a candidatura presidencial de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, entre correntes tradicionalmente vinculadas à coalizão PSDB/DEM. O plano é conquistar deputados e senadores deste setor, além de pescar nas turvas águas do PSD de Kassab. De quebra, o grande sonho de seus dirigentes é filiar o tucano José Serra, a mão que balança o berço do projeto.

Esta manobra eleitoral, tão ao gosto atual da mídia tradicional, diz muito a respeito de seus inventores. O PPS, nascido de um naco do Partido Comunista Brasileiro (PCB), na pia batismal já abandonou qualquer compromisso com o socialismo, apesar de carregar essa intenção no nome. Apoiou Lula em 2002, mas rapidamente se converteu em sócio do bloco de direita. Quando começou a namorar o PMN, houve quem sugerisse que a criatura parida chamasse Esquerda Democrática, ideia logo abandonada para não soar ridícula.

A turma de Roberto Freire, afinal, com poucas e honrosas exceções, fez história de capitulação em capitulação. Os mais antigos, em sua maioria, eram comunistas meio róseos durante a ditadura, entocados depois da derrota de 1964. Quando os trabalhadores voltaram a ser protagonistas da vida política, a partir dos anos de 1970, não vacilavam em afirmar que aquilo era aventura.

Essa mesma patota ficou contra a greve geral do dia 21 de julho de 1983, a primeira depois do golpe militar. Um de seus comandantes, o falecido Hércules Correa, ex-líder sindical, chegou a declarar que trabalharia “full time” para impedir a empreitada, no que fracassou de forma retumbante, pois São Paulo parou.

Também ficaram contra a campanha das Diretas já. Quando milhões começaram a se concentrar em gigantescos comícios, aderiram andando de lado. Na primeira oportunidade, se juntaram à transição conservadora, carimbada pela eleição da chapa Tancredo-Sarney no colégio eleitoral forjado pelos militares.

Deram seu voto para Lula, no 2º turno de 1989. Mas aí veio o colapso do socialismo europeu e a desintegração da União Soviética, e foi o deus-nos-acuda. Açodados por sobreviver, mudaram de lado a galope. Abandonaram o socialismo, a esquerda e a compostura. Passaram os últimos dez anos de braços dados com os brucutus do neoliberalismo, em selvagem oposição aos governos de Lula e Dilma.

Sequiosos por serem considerados membros dignos do clube conservador, entregaram os dedos até em política internacional. O PPS não pestanejou, por exemplo, em dar seu apoio, nas duas últimas eleições presidenciais venezuelanas, ao fascistóide Henrique Capriles, além de apoiar golpes em Honduras e no Paraguai.

Reencarnado como MD, o partido de Roberto Freire presta-se a ser, mais uma vez, linha auxiliar da oligarquia. A autópsia do cadáver revela, assim, um dos capítulos mais vergonhosos da recente história brasileira.

Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

Não brinco mais: José Serra quer presidir o PSDB. Ou sai.

17 de março de 2013

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Ex-governador de São Paulo exige o comando do partido para permanecer no ninho tucano. Ele tem convites do PPS para apoiar Eduardo Campos. A “revolução” prevista pelo ex-governador Alberto Goldman em entrevista de quarta-feira, dia 13, ao Brasil 247 está em curso. Foi com esse termo que ele se referiu à possibilidade de o ex-governador José Serra deixar o partido pelo qual concorreu duas vezes à Presidência da República. Serra nunca esteve tão perto de deixar o ninho azul e amarelo.

Lido no Novojornal

Sentindo ser alvo de “uma ofensa” dentro da agremiação – é esse o termo que Serra tem usado a amigos e, mais insistentemente, ao mais amigo Fernando Henrique Cardoso –, Serra está mandando um recado direto para o presidente da legenda, seu ex-amigo Sérgio Guerra, e ao senador e aparentemente amigo Aécio Neves: ou entra na convenção partidária, adiada de final de março para maio, com tudo certo para ser eleito presidente do PSDB, ou pega suas intenções de voto para presidente da República e muda de partido.

No PPS de Roberto Freire, a quem a estratégia política de Serra, como governador, em 2010, elegeu deputado federal por São Paulo, tudo está pronto para recebê-lo. A prontidão do PPS em benefício de Serra igualmente foi adiantada pelo site Brasil 247, no início do ano. O acréscimo, agora, é uma manobra esperta. Outra, de resto. O PPS já tem tudo pronto para se fundir com o inexpressivo PMN. A fusão abriria novas condições legais para migrações partidárias, o que poderia engordar a legenda com serristas de todo o País. O estrago nas fileiras tucanas seria considerável.

Pessoalmente, Serra está a um passo de se dirigir a caminho da porta de saída do PSDB. O discurso de se sentir ofendido é uma preparação clara neste sentido. E, efetivamente, faz sentido. Assim que perdeu a eleição para presidente, em 2010, Guerra, pelo PSDB, o tripudiou, acenando com o prêmio de consolação de dar ao candidato recém-derrotado a presidência do Instituto Teotônio Vilela. No entanto, dias depois da divulgação da oferta, o cargo passou a ser ocupado por mais um dos adversários figadais do tucano entre os tucanos, o nunca amigo Tasso Jereissati.

Agora, nos conchavos em torno da convenção partidária que vai definir o comando para as eleições de 2014, sinais foram dados a Serra de que ele poderia ser o futuro secretário-geral do partido. Uma composição com Aécio, que já foi lançado por Guerra como candidato a presidente da legenda. Porém, depois de mostrar o doce, os tucanos que mandam atualmente na legenda o esconderam, acertando agora que o cargo de secretário-geral ficará com o deputado federal pernambucano Bruno Araújo, segundo informação publicada no jornal Valor Econômico, em reportagem de Caio Junqueira.

Quer dizer, de seu ponto de vista, Serra foi mesmo ofendido. E está fulo. Além de reclamar a amigos, ele tem procurado, de acordo com apuração do jornalista Junqueira, o ex-presidente Fernando Henrique. Telefona, vai ao apartamento dele em Higienópolis, anda pela sala, desabafa. O ex-presidente tem procurado acalmá-lo, mas se é bombeiro agora, já foi – e é – também incendiário: foi FHC o primeiro a lançar Aécio para presidente para 2014, tirando Serra do páreo.

Se optar pelo que surgir do PPS com o PMN, Serra também se verá diante de um amigo adversário. Roberto Freire, que pode abrir a porta de salvação para o tucano, já avisa que a condição de entrada seria a de Serra apoiar Eduardo Campos, presidente do PSB e governador de Pernambuco, como candidato a presidente da República. Isso porque Freire, que se reelegeu deputado federal graças a Serra, trocando seu domicílio eleitoral de Recife para São Paulo, deve voltar a “morar” em Pernambuco, para que a máquina de Campos o reeleja federal em 2014. Ninguém é tolo, ninguém é amigo, só muy amigo, como se vê.

O destino incerto de Serra explica o muro em que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, subiu para ainda não descer em relação à candidatura de Aécio Neves para presidente da República – e também presidente do PSDB. Ele precisa, por sobrevivência política, esperar o que Serra vai fazer para depois procurar saber o que ele próprio tem de fazer. O ex-governador deu de ombros ao convite de Alckmin, que não perde a chance de elogiá-lo, para ser seu secretário de Saúde. Alckmin o quer junto, mas Serra nem tanto. A associação mais que direta com esse amiguinho, digamos, não interessa a Serra, que a depender das nuvens pode vir a ser até mesmo candidato a governador de São Paulo pelo que resultar do PPS-PMN.

De resto, nem Aécio sabe mais exatamente o vai fazer, o que explica sua indecisão em assumir as candidaturas propostas a presidente da República, por FHC, e a presidente do partido, por Guerra. Mas ninguém é tolo nesse jogo, quanto menos o neto de Tancredo. Ele sabe que ganha quando quiser a eleição para governador de Minas. Por que entraria na eleição para presidente da República para perder?

O sinal da solução para Serra permanecer no partido será apenas e tão-somente a presidência do PSDB. Se Aécio, na conversa que ficou marcada para a segunda-feira, dia 25, em São Paulo, segundo o Valor, concedê-la a Serra, o jogo fica arrumado. Vai significar que Aécio, na prática, desistiu de ser candidato a presidente, deixando a corrida outra vez para Serra – ou Alckmin, como gostaria o próprio. O mineiro se voltará para as montanhas de Minas, que está onde sempre esteve. Serra, dado como perdido hoje, terá, então, vencido a batalha dentro do partido.

Revolução ou conciliação, é o que veremos.


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