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Vídeo: O cara de pau do Silas Malafaia intimida fiéis a não denunciar pastores ladrões

4 de agosto de 2013

Malafaia08

Charles Nisz, via Yahoo

Um vídeo bastante polêmico foi postado na segunda-feira, dia 29/7, no YouTube: o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, faz uma pregação intimidadora aos fiéis. Ele pede aos crentes para não denunciar os pastores ladrões, “pois ninguém deve se meter com os ungidos de Deus”.

“Fico vendo caras que chegaram agora ao Evangelho e ficam julgando pastores na internet”, diz Malafaia no vídeo. Para ele, quem calunia pastores não é crente. Segundo o líder religioso, a solução é trocar de igreja e não se meter com “quem é ladrão e pilantra”.

Ainda de acordo com Malafaia, quem resolve enfrentar esse tipo de religioso “vai arrumar problema para a vida”. “Meu irmão, isso é coisa muito séria, eu já vi gente morrer por causa disso. Não toma atitude contra pastor, não entra nessa furada”, prega ele no fim do vídeo. É uma ameaça ou é apenas um aviso para evitar confusão?

Vídeo: Para o tucano Álvaro Dias, o pastor-estuprador Marcos Pereira é um enviado de deus

13 de maio de 2013

O pastor Marcos Pereira da Silva é presidente da igreja denominada Assembleia de Deus dos Últimos Dias, com sede no Rio de Janeiro. Pesam contra ele denúncias de associação com traficantes de drogas, homicídios e violência sexual contra seguidoras de sua organização. Marcos Pereira foi preso na semana passada (clique aqui). Porém, para o esquecido senador Álvaro Dias ele é um enviado de deus.

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Sexo em nome da fé

13 de maio de 2013

Marcos_Pereira01_PastorLuciano Martins Costa, via Observatório da Imprensa

O deputado e pastor Marco Feliciano, que se tornou uma celebridade ao levar para o Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados suas ideias arcaicas sobre direitos de minorias, volta ao noticiário por conta de suas relações com outro religioso, Marcos Pereira da Silva (foto), que acaba de ir para a cadeia.

O pastor Marcos Pereira da Silva é presidente da igreja denominada Assembleia de Deus dos Últimos Dias, com sede no Rio de Janeiro. Pesam contra ele denúncias de associação com traficantes de drogas, homicídios e violência sexual contra seguidoras de sua organização. Os jornais divergem quanto ao número de mulheres que teriam sido estupradas pelo sacerdote. Segundo O Estado de S.Paulo, ele teria abusado de seis fiéis, usando a alegação de que elas estariam possuídas pelo diabo e que o ato sexual as libertaria. Na versão da Folha de S.Paulo, foram quatro as vítimas e, segundo O Globo, os depoimentos colhidos em um ano de investigações identificam pelo menos 26 casos.

O acusado se tornou conhecido por negociar o fim de rebeliões em presídios e libertar reféns de traficantes, impedindo suas execuções, mas, segundo a polícia, ele na verdade era uma espécie de líder espiritual de traficantes e outros bandidos, aos quais era associado, e esses episódios eram simulações combinadas com os criminosos.

O conjunto das reportagens compõe um roteiro escabroso de exploração da fé, abusos, manipulação de consciências, homicídios, lavagem de dinheiro e roubo puro e simples. Embora seja um caso extremo de delinquência associada à religiosidade, a carreira do pastor Marcos Pereira da Silva deveria inspirar um esforço de investigação jornalística em torno do fenômeno das seitas que proliferam por todo o País e avançam sobre o campo político.

As relações entre Pereira da Silva e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados merecem uma atenção maior do que a mera reprodução de declarações que tem marcado a ação da imprensa. Uma das pistas a serem seguidas é a da lavagem de dinheiro: o pastor é acusado de receber comissão de traficantes para dissimular a receita do crime por meio da venda de CDs e DVDs de evangelização. Além disso, sua ascendência sobre chefes do crime organizado o coloca como um dos líderes da onda de ataques que aterrorizaram o Rio em 2006 e 2010, como reação contra o programa de ocupação de favelas pelas chamadas Unidades de Polícia Pacificadora.

Considerar que o deputado Feliciano ignorava tal folha corrida seria chamá-lo de alienado – coisa que ele, definitivamente, não é.

O estelionato da fé

O inquérito contém preciosidades, como a descrição de orgias que teriam sido promovidas pelo dublê de líder religioso e chefe de quadrilha em um apartamento na Avenida Atlântica, registrado em nome da igreja e avaliado em R$8 milhões: segundo testemunhas, o pastor teria o hábito de realizar encontros que incluíam relações homossexuais de homens e mulheres. Também há referências a troca de favores com políticos e autoridades policiais, o que indica a extensão da influência do personagem, e que pode ser medida pelo empenho do deputado Feliciano em defender o acusado.

A imprensa precisa esclarecer essa relação suspeita

Preso, o pastor Marcos Pereira da Silva tem sua vida vasculhada pelos jornais, que fazem descrições espantosas sobre sua longa carreira de abusos. No entanto, o noticiário ainda se limita ao relato puro e simples dos crimes de que ele é acusado, quando o episódio deveria levar a imprensa a analisar com mais profundidade o fenômeno de entidades supostamente religiosas que são, na verdade, organizações criminosas.

Não importa se a delinquência se limita ao estelionato mais primário em nome de angústias espirituais ou se chega ao estágio sofisticado de criminalidade que é atribuído ao líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias. No livro intitulado Mídia e poder simbólico, o jornalista e cientista social Luís Mauro Sá Martino já tratou com detalhes a questão do mercantilismo no campo religioso.

O caso do pastor Pereira da Silva abre uma oportunidade para a imprensa investigar a verdadeira natureza de organizações que colocam no poder político figuras como o deputado Marco Feliciano, capaz de transformar um órgão do porte da Comissão de Direitos Humanos da Câmara em um circo místico de crendices e preconceitos. Pode-se ir um pouco além, analisando-se, por exemplo, como a sociedade contemporânea ainda se mantém vulnerável à penetração de arcaísmos e mistificações, que contaminam as instituições da República, e de que modo tais manifestações de irracionalidade atrapalham o desenvolvimento do País.

Mas isso seria esperar demais. Desmascarar outros falsos religiosos associados ao crime já seria um bom começo.

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STF intima pastor Feliciano para prestar depoimento sobre ação por estelionato

21 de março de 2013

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Márcio Falcão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski enviou na quarta-feira, dia 20, uma intimação para que o deputado pastor Marco Feliciano (PSC/SP) preste depoimento sobre a ação penal na qual é acusado de estelionato.

O deputado é acusado de ter recebido R$13,3 mil para realizar dois cultos religiosos no Rio Grande do Sul, mas não compareceu aos eventos.

Envolvido em uma série de polêmicas, Feliciano é criticado por entidades ligadas aos direitos humanos por acusações supostamente racistas e homofóbicas, mas ele afirma ter sido mal interpretado. Ele ganhou notoriedade ao ser indicado para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O deputado é pressionado a deixar o cargo.

O interrogatório será no dia 5 de abril. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em 2008, Feliciano e um assessor firmaram um contrato para os shows religiosos, forneceram uma conta para o depósito da produtora, mas não compareceram. Um dia antes do show, o deputado enviou um e-mail confirmando sua presença, mas a investigação comprovou que ele já tinha outros compromissos agendados.

“A vítima sofreu uma verdadeira espoliação em seu patrimônio, haja vista que os denunciados agendaram outros compromissos sem dar satisfação a ela, sabendo de antemão que não cumpririam com o que foi compactuado”, afirmou a promotora Ivana Battaglin.

A produtora do evento alega ter tido um prejuízo de R$100 mil com a ausência do deputado. Feliciano seria a atração principal dos eventos. Houve ainda gastos com passagens, transportes e divulgação.

Homofobia

Em janeiro, Feliciano também foi denunciado por Gurgel, que considerou homofóbica a mensagem do deputado no microblog Twitter com a frase “A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição”.

Como não há crime de homofobia, o procurador o enquadrou em crime de discriminação, com pena de um a três anos de prisão.  Hoje, Gurgel afirmou que o pastor não está “minimamente indicado” para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Segundo Gurgel, o deputado não tem as credenciais necessárias para o posto. “É uma pessoa que por sua história de vida, por sua trajetória, não está minimamente indicado para presidir uma comissão importantíssima como essa”, completou.

Na avaliação do procurador, o PSC deveria refazer a indicação para o comando da comissão. “É um dado positivo que o próprio partido perceba que haverá pessoas mais vocacionadas para este cargo”, disse.

Confusão e falta de decoro de Bolsonaro marcam primeira reunião da CDH comandada por Feliciano

14 de março de 2013

Marco_Feliciano01_Confusao

Iolando Lourenço e Ivan Richard, via Agência Brasil

A primeira reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara sob a presidência do deputado pastor Marco Feliciano (PSC/SP) foi marcada na quarta-feira, dia 13, por protestos de manifestantes defensores dos direitos dos homossexuais e negros, apoio de evangélicos ao pastor e por bate-boca entre parlamentares. Em clima tenso e de muita gritaria e sem a presença de deputados do PT e PSOL, foram aprovados requerimentos de audiências públicas.

Antes mesmo do início da sessão, manifestantes pró e contra o pastor Feliciano ocupavam lugares na comissão. Na abertura dos trabalhos, deputados do PT tentaram obstruir a sessão, mas não conseguiram. Com a maioria do colegiado, os deputados da bancada evangélica deram seguimento à reunião.

A todo instante, o deputado Marco Feliciano era interrompido por gritos de ordem dos manifestantes contrários a sua permanência na presidência da comissão. Por diversas vezes, ele ameaçou retirá-los do plenário. “Aqui não tem laia. Respeitem para ter respeito”, disse.

Sem direito a palavra, o deputado Nilmário Miranda (PT/MG), ex-presidente da comissão, se dirigiu à mesa da presidência para protestar. Ele foi acompanhado pelos também petistas Érika Kokay (DF) e Domingos Dutra (MA). Nesse momento, houve troca de insultos e empurrões entre Dutra e o deputado Takaiama (PSC/PR).

“Esta comissão está inviável. Em 18 anos, ela foi presidida por vários partidos e nunca houve tumulto. Vou me retirar em protesto porque não lhe reconheço como presidente e o senhor me tolheu a palavra a todo momento”, disse Nilmário Miranda. “Ele não está dando a palavra para a gente”, reforçou Érika Kokay. A deputada disse que vai apresentar requerimento para cancelar a reunião alegando que houve desrespeito ao regimento.

Depois da confusão, alguns deputados da bancada evangélica sugeriram a suspensão dos trabalhos, mas o pedido foi negado por Feliciano. “Não podemos suspender a votação. Tudo o que eles querem é obstruir”, disse.

O líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), pediu que Feliciano abandonasse a presidência para restaurar a normalidade na comissão, mas não foi atendido. “Essa comissão tem 18 anos e isso nunca aconteceu. O que está acontecendo é a desmoralização da comissão”, criticou.

Apesar dos protestos e do clima tenso, o deputado Marco Feliciano permaneceu calmo e deu prosseguimento à votação de requerimento. Ao todo, foram aprovados, em votação simbólica, sete requerimentos propondo diversas audiências públicas. Na terça-feira, dia 12, a pauta da comissão previa a votação de requerimentos considerados polêmicos, entre eles o plebiscito sobre o casamento civil de pessoas do mesmo sexo e a aplicação de penas para crimes praticados contra heterossexuais.

No final da reunião e cercado por seguranças da Câmara, o pastor Feliciano ironizou os protestos contra ele cantando o trecho de uma música. “É normal isso [o protesto]. [A reunião] foi muito melhor do que esperava. Conseguimos votar todos os requerimentos, com itens que tratam dos direitos do povo, das crianças”, disse Feliciano.

Perguntado por jornalistas sobre o clima na comissão, Marco Feliciano se disse otimista para que as animosidade diminuam. “Espero que eles se acalmem nos próximos dias. Vamos conduzir da melhor maneira possível. Pedi a todos uma chance e estou disposto a fazer o melhor na condução dos trabalhos.”

***

Bolsonaro15_QueimaJair Bolsonaro sem decoro sempre

Via Contexto Livre

Jair Bolsonaro sai em defesa do pastor Marco Feliciano e bate-boca com manifestantes na Comissão de Direitos Humanos. Deputado também discutiu com Domingos Dutra (PT); ambos quase chegaram a se agredir fisicamente.

Eleição do pastor Feliciano: Um dia para esquecer

7 de março de 2013
O deputado Marco Feliciano, o novo líder das minorias da Câmara. Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara

O deputado Marco Feliciano, o novo líder das minorias da Câmara.

Matheus Pichonelli, via CartaCapital

Foi, como esperado, um dia para ser esquecido na história do Congresso. O acordo entre as lideranças partidárias na semana passada, que deu de bandeja ao Partido Social Cristão a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, possibilitou ao País assistir a um movimento inédito: um presidente de claras inclinações homofóbicas ser eleito representante das minorias sobre as quais nutre um desprezo declarado.

Na véspera da votação, que apenas chancelou o inevitável, grupos ofendidos pela escolha fizeram alarde na sala da comissão. No dia seguinte, foram impedidos de acompanhar a votação por decisão do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN). A medida provocou mais revolta, agora entre os deputados. O então presidente da comissão, Domingos Dutra (PT/MA), renunciou. Foi acompanhado por colegas como a deputada Luiza Erundina (PSB/SP). “Vamos sair juntos. Esta comissão não é mais a Comissão dos Direitos Humanos”, disse ela.

Assim o pastor Marco Feliciano (PSC/SP) ganhou terreno livre para ser eleito com 11 votos a favor e apenas um branco. Terá agora, oficialmente, a chance de combater por dentro o que chama de privilégio de uma minoria rude e barulhenta. Uma minoria cujas bandeiras ele reluta em reconhecer como legítimas.

Durante a semana, quando seu nome foi aventado e as reações se multiplicaram, o pastor levantou a bandeira branca para cravar a haste na garganta de quem, com outras palavras, promete combater. Disse não ter nada contra os atores e sim contra o ato; negou ser racista com base em sua ascendência negra. Acuado, disse que o autoritarismo não reside em negar direitos a grupos marginalizados, mas sim na não aceitação das críticas aos marginalizados. Por fim, disse ser especialista em perseguição, já que na História ninguém sofreu mais acossamento do que os cristãos.

Trata-se de um jogo retórico: o pastor se apoia em uma série de verdades, como a perseguição histórica aos cristãos, para sustentar uma inverdade básica, quase lógica. Basta lembrar que, pela avenida Paulista, não há notícias de cristãos sendo devorados por leões por andarem com a Bíblia debaixo do braço. Nenhum crente, de qualquer fé, terá de gritar alto para poder existir ou manifestar sua crença: trata-se de um direito garantido e assimilado ao longo dos anos.

Mesmo assim a inversão do papel de vítima é invocada para legitimar uma ofensa. “Reação”, dessa maneira, virou “autoritarismo” e “fundamentalismo”, mero “ponto de vista”. O que o pastor Feliciano não parece ter entendido é que a revolta provocada por sua escolha não se explica pelo fato de ser cristão; explica-se pela demonstrada ignorância, para não dizer má fé, sobre o cargo que pretende ocupar, os grupos que pretende representar, os crimes que se nega a condenar. Pois ele a partir de agora será o responsável por receber e encaminhar investigações de abusos que hoje evita reconhecer a gravidade.

Ao assumir a comissão de Direitos Humanos, Feliciano provocou, não por acaso, um embaralhamento semântico com vistas a confundir noções como “privilégio”, “perseguição”, “preconceito”, “minorias”. Essa confusão, mais do que vídeos antigos e comprometedores sobre Arca de Noé e “câncer gay”, escancara o paradoxo da sua escolha. Exemplo: quando o pastor diz saber o que é ser discriminado e usa como exemplo a morte de um bebê na barriga de sua mulher numa fila de hospital, coloca uma tragédia pessoal, de alcance universal, na rota do preconceito. Confunde descaso do poder público com perseguição; descaso é universal, perseguição é específica. O fato de ser cristão e heterossexual, portanto, não teve a menor influência no episódio, em si lamentável.

A lógica da perseguição, é bom que se lembre, opera em outro campo. Ela não se manifesta apenas quando se estoura uma lâmpada no rosto de pedestres supostamente vulgares; se manifesta também quando se classifica, isso sim de forma autoritária, o que é ou não vulgar. É a mola propulsora do discurso de ódio, manifestada, por exemplo, quando se usa uma interpretação bíblica para impedir a ampliação de acesso a direitos básicos. Em nome de quê? Da suposta proliferação da espécie? Da busca pela moral familiar? Não: em nome da manutenção da ordem. Mais: da manutenção do medo da desordem. Se pastores, padres e líderes espirituais aceitarem que as pessoas podem viver em paz com quem quiserem, se quiserem, da forma como quiserem (famílias monoparentais, pais de mesmo sexo, solteiros por convicção), não terão mais o que fazer nem discursar. Não há Céu sem a projeção do Inferno e não há transcendência sem pecado. Sem o inimigo declarado, a arma contra o inimigo perde seu valor de uso e de troca. O mercado apodrece. Para quem se apoia no discurso do medo (medo do caos, medo da vulgaridade, medo da decadência), a liberdade de quem aceita a dor e a delícia de ser o que se é, para citar a música, é o maior dos infernos.

E isso não tem nada a ver com a fé.

Tem a ver, é bom repetir, com a manutenção da ordem: manda quem sempre mandou, obedece quem sempre obedeceu. Ainda que a manutenção da ordem seja propagada à base da confusão de conceitos. Destes, nenhum foi mais maltratado em todo o episódio do que a ideia de luta pelo direito básico de existir – que pouco tem a ver com o propalado privilégio citado pelo pastor. À frente da comissão, o deputado Feliciano deveria saber de antemão que direito básico não é gritar mais alto ou se rebelar. É poder andar nas ruas como bem quiser e com quem quiser. Sem que por isso, e não por outro motivo, chegar vivo em casa seja um mero lance de sorte.

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