Posts Tagged ‘Paraguai’

Suspeito de liderar rede de narcotráfico é eleito presidente do Paraguai

22 de abril de 2013
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Horácio Cartes foi eleito com a maioria dos votos, segundo a Justiça Eleitoral paraguaia.

Via Correio do Brasil

De acordo com o Sistema de Transmissão Resultados Preliminares (Pert, sigla em espanhol), do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) paraguaio, Horácio Cartes Manuel Jara, um empresário acusado de ter ligações com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, venceu a eleição presidencial naquele país, realizada no domingo, dia 21. Os primeiros dados do Pert mostram que Cartes, candidato do Partido da Associação Nacional Republicana – o Partido Colorado (NRA) – recebeu cerca de 48% dos votos, enquanto Efrain Alegre, candidato do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), ficou para trás com pouco mais de 30%. Mário Ferreiro, da Coalizão Avanza País (AP), e Aníbal Carrillo, da Coligação Frente Guasu (FG) atingiram pouco mais de 4% cada um.

A NRA retorna ao Poder Executivo após perder as eleições em 2008, contra a Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que concorreu com Fernando Lugo, presidente afastado por um golpe, em 2011.

WikiLeaks

De acordo com um telegrama vazado para o site do WikiLeaks referente à Operação Heart of Stone (Coração de Pedra) “voltada especificamente para organizações financeiras na Tríplice Fronteira, seus funcionários e sua lavagem de dinheiro, os investigadores norte-americanos implementaram estratégias e operações para atacar a infraestrutura financeira da rede que lidera o tráfico de drogas no continente. Neste sentido, uma equipe internacional de investigação objetiva como prioridade o empresário paraguaio Horácio Cartes. Cartes é suspeito de lavagem de dinheiro do Banco Amambay, de sua propriedade. O dinheiro, gerado por métodos ilegais, provém da venda de narcóticos para os Estados Unidos.

O documento vazado para o WikiLeaks menciona que entre 6 e 9 de dezembro de 2009 foi realizada uma reunião entre os membros da equipe de investigadores com a finalidade de trocar informações e definir estratégias para atacar a organização liderada, supostamente, por Horácio Cartes. Durante a reunião, três abordagens foram propostas. Em primeiro lugar, os agentes envolvidos conversariam com William Cloherty, lobista em Washington, diretor da Tabaco EUA, INC. Acreditava-se que Cloherty teria uma perspectiva histórica das operações de tabaco entre o Paraguai e os EUA e, mais diretamente, informações sobre a produção e venda de tabaco, e o movimento de dinheiro dos negócios de Cartes.

O plano de ação consistia na obtenção de documentos secretos, entrevistas, reuniões sigilosas, a verificação das informações e participação de agentes infiltrados no monitoramento das ações de Cartes e de seus gerentes Osvaldo Ganhe Salum e Juan Carlos López Moreira, no Paraguai. De acordo com o telegrama, Horácio Cartes é o cabeça da rede de lavagem de dinheiro na Tríplice Fronteira, seguido por Salum, integrante do partido político Colorado, envolvido na importação de cigarros falsificados nos países da América do Sul, como assim como Carlos López Moreira.

Tabacaleras

A investigação foi conduzida por agentes DEA em Assunção e Buenos Aires, junto à Administração da Alfândega (Immigration and Customs Enforcement), o Serviço de Impostos Internos (IRS, sigla em inglês) e o Centro de Operações de Combate Narcoterrorista (Counter-narcoterrorism) e o Centro de Operações (SOD/CNTOC, também sigla em inglês), que contaram com o apoio oficial dos EUA para o Distrito Leste de Nova Iorque, a Seção de Sequestro de Bens do Escritório de Justiça para Lavagem de Dinheiro (DOJ, sigla em inglês), o Federal Reserve (Banco Central dos EUA), e o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros Estados Unidos (Ofac).

Horácio Cartes, eminente líder político e desportivo, é considerado um mago das finanças do futebol em seu país. Seus dois pilares são a Eastern Tabacalera S/A (Tabesa) e a Tabacos do Paraguai S/A. Ele está vinculado a empresas desportivas, ao Banco Amambay e várias fazendas e empresas do agronegócio.

Publicações do jornal argentino La Nación, de 2005, trouxeram a público que a marca Rodeo, fabricada pela Tabesa, era a que mais vendia cigarros ilegalmente na Argentina, uma vez que mais de 60% dos cigarros apreendidos eram desta indústria paraguaia. O primeiro relatório sobre Cartes é da Interpol, que data de 1988. Em 2000, a Secretaria Nacional Antidrogas localizou em sua estância, Nova Esperança, na zona rural de Cerro Kuatiá, na jurisdição de Capitán Bado (Amambay), uma aeronave com matrícula brasileira, que aterrizou de emergência e continha mais de 20 mil quilos de cocaína em pasta, além de 343.850 quilos de maconha prensada. Desde então, Cartes estaria na mira dos organismos antidrogas, até agora, no momento em que se elege presidente do Paraguai.

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Relatório oficial da contagem de votos no Paraguai.

As garras dos EUA na América Latina

22 de abril de 2013

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Mark Weisbrot

Acontecimentos recentes indicam que a administração Obama intensificou sua estratégia de “mudança de regime” contra os governos latino-americanos à esquerda, promovendo conflitos de maneiras que não eram vistos desde o golpe militar apoiado pelos EUA na Venezuela em 2002.

O exemplo mais destacado é o da própria Venezuela na última semana. No momento em que este artigo está sendo impresso, Washington está empenhada em desestabilizar o governo recém-eleito de Nicolas Maduro. Mas a Venezuela não é o único país vitimado pelos esforços de Washington para reverter os resultados eleitorais dos últimos 15 anos na América Latina.

Está claro agora que o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo, no ano passado, também teve a aprovação e o apoio do governo dos Estados Unidos.

Num trabalho investigativo brilhante para a Agência Pública, a jornalista Natalia Viana mostrou que a administração Obama financiou os principais atores do chamado “golpe parlamentar” contra Lugo. Em seguida, Washington ajudou a organizar apoio internacional ao golpe.

O papel exercido pelos EUA no Paraguai é semelhante a seu papel na derrubada militar, em 2009, do presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, caso no qual Washington dominou a Organização de Estados Americanos e a utilizou para combater os esforços de governos sul-americanos que visavam restaurar a democracia.

Na Venezuela, na semana passada, Washington não pôde dominar a OEA, mas apenas seu secretário-geral, José Miguel Insulza, que reiterou a reivindicação da Casa Branca (e da oposição venezuelana) de uma recontagem de 100% dos votos. Mas Insulza teve de recuar, como teve de fazer a Espanha, única aliada importante dos EUA nessa empreitada nefanda, por falta de apoio.

A exigência de uma recontagem na Venezuela é absurda, já que foi feita uma recontagem das cédulas de papel de uma amostra aleatória de 54% do sistema eletrônico. O total obtido nas máquinas foi comparado à contagem manual das cédulas de papel na presença de testemunhas de todos os lados. Estatisticamente falando, não existe diferença prática entre essa auditoria enorme já realizada e a recontagem.

Jimmy Carter descreveu o sistema eleitoral da Venezuela como “o melhor do mundo”, e não há dúvida quanto à exatidão da contagem.

É bom ver Lula denunciando os EUA por sua ingerência e Dilma juntando sua voz ao resto da América do Sul para defender o direito da Venezuela a eleições livres. Mas não apenas a Venezuela e as democracias mais fracas que estão ameaçadas pelos EUA.

Conforme relatado nas páginas deste jornal, em 2005 os EUA financiaram e organizaram esforços para mudar a legislação brasileira com vistas a enfraquecer o PT. Essa informação foi descoberta em documentos do governo norte-americano obtidos graças à lei norte-americana de liberdade de informação. É provável que Washington tenha feito no Brasil muito mais e siga em segredo.

Está claro que os EUA não viram o levemente reformista Fernando Lugo como um elemento ameaçador ou radical. O problema era apenas sua proximidade excessiva com os outros governos de esquerda.

Como a administração Bush, a administração Obama não aceita que a região mudou. Seu objetivo é afastar os governos de esquerda, em parte porque tendem a ser mais independentes de Washington. Também o Brasil precisa se manter vigilante diante dessa ameaça à região.

Mark Weisbrot é codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy.

Tradução: Clara Allain.

Paraguai vive novo golpe, agora patrocinado pela mídia conservadora

18 de abril de 2013

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O candidato Carrillo Iramain tem sido boicotado pelos meios de comunicação do Paraguai, em sua campanha à Presidência da República.

Via Correio do Brasil

O cerco midiático que atinge o sistema democrático da República do Paraguai, neste momento pré-eleitoral, é semelhante ao que aconteceu nas eleições em Honduras, logo após o golpe que depôs o presidente Manuel Zelaya. A maneira escancarada com que meios de comunicação tentam esconder a popularidade e a cada dia maior adesão à figura pública do presidente deposto Fernando Lugo e ao candidato presidencial por seu partido, a Frente Guasu, Dr. Carrillo Iramain, já não passa despercebida, nem aos olhos mais desavisados.

Do teor das notícias veiculadas e os comentários dos cidadãos tornam fácil compreender que esta é mais uma tentativa grosseira de induzir a ideia de que estes são os únicos candidatos viáveis.

A conivência da Justiça Eleitoral neste tipo de ação ficou mais do que evidente na rejeição, na última quinta-feira, ao recurso interposto pelo candidato do partido da Frente Guasu, Aníbal Carrillo Iramain, e dois outros candidatos mais. A Frente Guasu havia advertido, anteriormente, que esta ação pelos organizadores do debate presidencial e os proprietários dos meios de comunicação afetou a credibilidade das próximas eleições.

O Paraguai teve sua participação suspensa nos blocos econômicos internacionais Mercosul e Unasul, após o golpe parlamentar de junho último, que resultou na queda do presidente Fernando Lugo. Para que as sanções atuais possam ser superadas, o país precisa passar por eleições limpas e transparentes.

Essa é a audácia do novo golpe em curso, agora no segmento da mídia, que conta com quatro candidatos e os divulga como se realmente não houvesse mais nenhum outro. Como se pode constatar apenas assistindo a qualquer dos canais de tevê aberta, todos controlados pela direita golpista, as manobras e o terrorismo midiático contra a democracia significam a conivência do governo que usurpou o poder no país.

Leia aqui a matéria em espanhol

Cerneco: Os donos da Liberdade de Expressão

Há uma rede de associações interligadas que controlam 90% do que pode ser dito no país. Sem o consentimento deste conjunto de organizações, ninguém pode dizer nada. É por isso que são chamados de os “donos da Liberdade de Expressão”.

Câmara de Anunciantes do Paraguai (CAP) e Cerneco recebem, costumeiramente, o apoio da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid). Por exemplo, o Fórum para a liberdade de expressão, organizado pela CAP e Cerneco em novembro de 2004, foi patrocinado pela Usaid. Neste Fórum, Kevin Goldberg participou na condição de “especialista norte-americano sobre a Liberdade de Expressão e Direito à Informação”.

O Centro para a Regulamentação, Normas e Estudos de Comunicação (Cerneco) foi fundado em 1990. Humberto Rubin, ligado ao National Endowment for Democracy (NED), foi presidente da Cerneco entre 1992-2002. Cerneco “surgiu como um meio a preocupações de canal, ideais e espírito de serviço e progresso de um grupo de pessoas ligadas ao campo da comunicação de massa. Eles formaram uma linha de ação que se concentrou no tema do Código de Ética, que regulamentou a condução de seus próprios meios de comunicação, os anunciantes e agências de publicidade.

A Comissão foi composta para a redação de um Código de Ética na área de mídia: Carlos Jorge Biedermann, Medina e Ilde Silvero Rufo. Rufo Medina e Ilde Silvero são empregados de Aldo Zuccolillo, dono do jornal ABC Color. Como Carlos Jorge Biedermann, basta observar as investigações sobre a Operação Condor (urdida por governos de extrema-direita ditatorial, em meados do século passado, para cometer assassinatos de líderes de esquerda), Frederico Guilherme Clebsch, formou-se na Escola das Américas (1954). O concunhado de Carlos Jorge Biedermann, ou seja, o outro filho do general Clebsch, Roberto Ugarte Manchini, tem uma conta bancária volumosa no Wachovia Bank, NA (Wachovia Securities). Tanto é assim que em 25 de junho de 2005, Ugarte norte-americanos retiraram US$172 mil de sua conta no Wachovia Bank (Cheque nº 1.323).

Informações publicadas originariamente no sítio Diário Outubro

WikiLeaks: Desde 2005, golpista paraguaio treina seu exército nos EUA

16 de fevereiro de 2013
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Franco (ao centro) já planejava o golpe, treinando policiais e militares nos EUA.

Documentos do WikiLeaks revelam que os EUA treinaram centenas de policiais e militares paraguaios de 2005 a 2010, dentre eles, os futuros comandantes militares de Federico Franco.

Natalia Viana e Jessica Mota, via A Pública

O treinamento de membros das forças de segurança paraguaias é um dos principais elementos da política dos Estados Unidos para o país. Durante os anos do governo Lugo, deposto num impeachment-relâmpago em junho de 2012, a agência de assistência do Departamento de Estado, a Usaid, administrou investimento de US$9 milhões em treinamento policial – só nos anos de 2009 a 2011 – por meio do Programa Umbral.

Mas além da Usaid, milhões de dólares vindos de outras fontes foram aplicados no Paraguai. Por exemplo, o Global Peace Operations Initiative, programa do Departamento de Estado, em 2009 destinou US$4 milhões aos paraguaios que fazem parte das forças de paz no Haiti; o treinamento do Batalhão Conjunto de Forças Especiais do Exército recebeu US$5,7 milhões em assistência militar; e o programa antinarcótico do Departamento de Estado (INL) alocou US$753 mil no país em 2009 e 2010, segundo relatório da embaixada em Assunção (clique aqui).

Entre 2005 e 2010, foram quase mil militares e policiais paraguaios treinados pelos EUA. Os cursos abordavam de direitos da propriedade intelectual a treinamento de contra-insurgência e combate ao terrorismo, entre outros temas, e se realizaram em diversos locais, dentro e fora do Paraguai. Promotores, juízes, fiscais alfandegários (Aduanas, em espanhol) e diplomatas também receberam treinamento dos norte-americanos.

Não se tratava apenas de treinar as forças militares, mas de investir na formação de oficiais que ocupariam cargos de comando. Como os dois altos oficiais da Armada (Marinha) que seriam retirados por Lugo em 2009, em meio a rumores de planos para um golpe militar no país.

Outros oficiais treinados se tornariam peças-chave no governo de Federico Franco. O novo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Militares, o general Pedro Aristides Baez Cantero, por exemplo, participou de um curso em outubro de 2005 no Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa em Washington. O novo chefe de Estado-Maior da Armada, Sílvio Salvador Guanes Solis – o número 2 da Marinha –, também foi convidado a viajar aos EUA para participar de um curso de Gerenciamento de Crises em Washington em maio de 2009.

Em setembro do mesmo ano, os EUA financiaram a viagem de outros futuros membros do sistema de Defesa de Franco à base militar de Fort McNair, em Washington, para um treinamento sobre “Carreiras civis para Defesa”. Um deles era o vice-almirante Pablo Ricardo Luís Osório Fleitas, nomeado comandante da Armada cinco dias depois da posse de Franco, em substituição ao almirante Benitez Frommer, que foi compulsoriamente passado para a reserva por ter desmentido a versão de que o vice-presidente venezuelano, Nicolas Maduro, teria tentado insuflar um golpe militar em defesa de Lugo (saiba mais aqui).

Angel Damian Sabino Chamorro Ortiz, que se tornaria secretário-geral do Ministério da Defesa de Franco, participou não só do treinamento em Fort McNair, como também de um curso no Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa em Washington, em 2008, sobre “Coordenação Inter-Agências para o Combate ao Terrorismo”.

Nesse último, teve como colega Luís Alberto Galeano Perrone, atual vice-ministro de Defesa de Franco, nomeado em 2 de julho de 2012 (clique aqui).

Quem quer uma base dos EUA no Paraguai?

O deputado colorado Mário Morel Pintos também participou do curso “Carreiras civis para Defesa” em Washington. Morel é uma voz civil proeminente no aparato de Defesa: entre 2007 e 2010, presidiu a Comissão de Defesa Nacional, Segurança e Ordem Interna da Câmara de Deputados. Hoje candidato a governador do Departamento Central, com apoio pessoal do presidenciável colorado Horácio Cartes (um dos principais articuladores do impeachment de Lugo), é um aguerrido defensor da instalação de bases norte-americanas no Paraguai.

O ex-ministro Bareiro Spaini, que saiu do governo de Lugo por desavenças com a embaixada norte-americana, lembra de ter sido abordado por Morel assim que assumiu o cargo, em 2008. “Pensamos que seria interessante convidá-los (os norte-americanos) para que venham instalar suas bases aqui’’, sugeriu o deputado colorado em um restaurante em Assunção.

Pouco depois da destituição de Lugo, o tema das bases norte-americanas no Paraguai voltou à tona, novamente através de um membro do Congresso. No dia 2 de julho do ano passado, o atual presidente da Comissão da Defesa da Câmara, José Lopez Chavez, do partido direitista Unace, disse ter mantido conversas com generais norte-americanos para negociar a instalação de uma base militar no Chaco, região fronteiriça com a Bolívia.

O ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, que se coloca publicamente contra a ideia desde 2005, quando era chanceler, ameaçou isolar o Paraguai se o projeto seguisse adiante. Em entrevista ao Diário ABC Color, a ministra de Defesa do Paraguai, Maria Liz Cargia, também do Unace, afirmou: “Não podemos esquecer que estamos suspensos unilateral e injustamente do Mercosul. O Paraguai é livre para eleger os aliados que lhe convém.”

O Congresso paraguaio, em especial os membros de seus conselhos de Defesa, é grande defensor dos interesses dos Estados Unidos na área de militar. O ex-ministro de Defesa Luís Bareiro Spaini foi alvo de um pedido de destituição no Congresso depois que enviou uma carta à embaixadora Liliana Ayalde reclamando de “ingerência” dos Estados Unidos na política paraguaia. A reclamação de Spaini foi feita por causa de almoço na embaixada em que o vice Federico Franco falou em impedir o presidente Lugo – dois anos antes de sua deposição. Spaini acabou caindo alguns meses depois (leia mais sobre o caso).

“Me interrogaram no Congresso muitas vezes”, lembra o ex-ministro Spaini. “Não importava se eu tinha ou não responsabilidade.”

Os cursos de treinamento dos EUA

Segundo a legislação norte-americana (Lei Leahy), o governo está proibido de financiar treinamento ou assistência a unidades militares estrangeiras que tenham cometido violações a direitos humanos. Por isso, todos os nomes de oficiais treinados passam por uma checagem de background, feito pela embaixada.

A Pública analisou mais de 200 páginas de documentos diplomáticos vazados pelo WikiLeaks, e a partir deles elaborou uma detalhada base de dados com o nome de quase mil oficiais treinados pelos EUA entre 2005 e 2010, entre militares – incluindo do Destacamento Conjunto de Emprego Imediato (DCEI), montado e financiado pelos EUA – policiais – como os corpos de elite Grupo de Especial de Operações (GEO) e Força e Operações da Polícia Especializada (Fope) – e fiscais de Aduanas. Também constam da lista promotores e juízes.

Há 12 cursos diferentes sobre combate ao terrorismo (um deles inclui treinamento em “contra insurgência”) – a grande maioria ocorrida em Assunção, no Paraguai – e outros sobre direitos de propriedade intelectual em Lima, no Peru, além de cursos para enfrentar a selva (o “Jungle Command Course”) – no caso, a colombiana.

Naqueles cursos oferecidos fora dos Estados Unidos, figuram dois importantes centros de treinamento mantidos pelos EUA.

Em El Salvador, o Departamento de Estado mantém uma academia de treinamento policial na capital, San Salvador. Ali foram treinados pelo menos 19 policiais paraguaios em cursos no final de 2008 e 2009.

Em Lima, no Peru, o mesmo programa mantém uma academia voltada para o treinamento de forças policiais estrangeiras. Em 2007, 2008 e 2009, pelo menos 70 policiais paraguaios foram treinados ali, em cursos de manejo de cenas de crimes, tráfico de armas leves, detecção de documentos fraudulentos e crimes contra propriedade intelectual.

Apesar de todos os nomes terem sido checados pela embaixada norte-americana para verificar eventuais registros de abusos contra direitos humanos, isso não significa que todos os trainees tivessem uma reputação ilibada.

É o caso de militares de alta patente da Marinha reformados por Fernando Lugo em 2009, em meio a rumores de planos para um golpe militar: o contra-almirante Benigno Antônio Tellez Sanchez, aposentado em março de 2009, e o contra-almirante Claudelino Recalde Alfonso, substituído em novembro do mesmo ano.

O coronel do Exército Carlos Javier Casco Prujel, que recebeu um treinamento para emprego rápido em campo, em Assunção, em julho de 2008, foi detido por corrupção em julho de 2010. Também há casos de fiscais de Aduanas treinados pelos EUA flagrados pedindo propinas a contrabandistas e de um ex-chefe da polícia, Hermes Enrique Argana, detido com 5 quilos de pasta-base de cocaína cinco anos depois de ter participado de um treinamento antiterrorismo em Assunção.

Presidente golpista do Paraguai diz que não permitirá nova candidatura de Fernando Lugo

6 de novembro de 2012

Federico, o pau mandado dos EUA

O golpista barato e fantoche dos EUA Federico Franco acusa Unasul de não ser neutra e de ser manipulada por Hugo Chavez.

Via Opera Mundi

O atual presidente do Paraguai anunciou no sábado, dia 3, que não permitirá uma nova candidatura do líder das esquerdas, Fernando Lugo. Em meio a uma conferência na cidade de Caacupé, Federico Franco alegou que a única coisa que seu antecessor pretende é “manchar” os comícios das eleições de setembro de 2013.

A advertência surge como uma resposta de Franco ao anúncio de que Lugo pretende recuperar a Presidência do país por vias democráticas no ano que vem. Embora não haja nenhuma candidatura oficial, Franco já argumenta que “respeitará a Constituição e as leis” e que, segundo esse raciocínio, impugnará qualquer chapa liderada por Lugo.

Na visão de Franco, o presidente deposto conspira para que sua candidatura seja impugnada e a Unasul não reconheça os resultados das eleições. Por essa razão, o presidente também deixou claro que não permitirá a entrada dos observadores do organismo. A seu ver, a Unasul não é neutra e é controlada pelo presidente venezuelano Hugo Chavez e sua Aliança Bolivariana para os Povos de nossa América (Alba).

Fernando Lugo foi destituído do poder após uma crise política originada pelo confronto entre policiais e líderes campesinos em meados de junho, na região norte do país. O presidente foi obrigado a deixar o poder após um processo de impeachment de 48 horas.


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