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Izaías Almada: Síndromes, papas e datas memoráveis

24 de fevereiro de 2013

Marx_Papa_Yoani

Sugiro a nossa ilustre visitante Yoani Sanchez, brava defensora do direito de expressão dos grandes monopólios midiáticos, que interceda junto ao governo norte-americano pela vida e pelo direito de expressão do soldado Bradley Manning.

Izaías Almada, via Carta Maior

21 de fevereiro de 1848. Nessa data se publicou o Manifesto Comunista. Há 165 anos. Nele, Marx e Engels dão o diagnóstico fúnebre da monarquia e da religião, estas suplantadas por uma nova ordem econômica, o capitalismo, e identificando a burguesia como a nova classe social opressora.

Curioso o movimento pendular da História. Um século e meio depois o mundo vive, ao que parece, em nova crise de identidade, de transformação econômica onde, com esforço, impaciência e alguma incredulidade e ignorância por parte de uns e o esforço analítico e sério por parte de outros tantos, o mundo continua a dar cabeçadas em nome de alguma coisa que minimamente possa representar a solidariedade, a melhor distribuição da riqueza acumulada, a paz entre os povos. Nesse contexto reina a confusão entre homens e nações.

Aqui no Brasil, por exemplo, ao declarar a uma emissora de rádio gaúcha, semanas atrás, que o deputado José Genoíno deveria renunciar a seu mandato, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, do mesmo PT de Genoíno, ofereceu de bandeja à oposição, em especial a seus pittbulls na mídia, o pretexto para ampliar a execração da esquerda brasileira.

Outra coisa não fizeram alguns desqualificados jornalistas e comentaristas políticos que, além de ironizar o fato, ainda relembraram um caso antigo que envolveu o próprio governo Dutra no sul, citando o encontro de um seu funcionário com bicheiros naquele estado que, supostamente, ajudavam a financiar campanhas eleitorais.

Em outras palavras: Olívio Dutra, além de demonstrar inabilidade na análise da conjuntura atual da política brasileira, deu munição àqueles que já não sabem muito bem o que fazer com os dez anos de governo do Partido dos Trabalhadores. Ou não sabem como conviver com o julgamento da AP 470, o maior e mais ridículo julgamento político feito por um tribunal brasileiro em tempos de democracia.

O tempo vai passando e, sobre isso, o jornalismo investigativo, o sério, vai aos poucos desmontando a farsa do “mensalão”, deixando a oposição de direita, de meia-direita, de centro ou mesmo de esquerda de calças na mão. Além do livro A privataria tucana, que mostra com provas irrefutáveis o verdadeiro ninho da corrupção no Brasil contemporâneo, temos o trabalho do jornalista Raimundo Pereira na revista Retrato do Brasil e agora o livro do jornalista Paulo Moreira Leite, A outra história do mensalão (também da Geração Editorial), matérias da revista CartaCapital e do jornal Brasil de Fato, além de inúmeros blogues, vão dando contornos à farsa político/jurídico/midiática organizada pelos setores mais comprometidos com o atraso em nosso país.

Do julgamento à renúncia do papa. O que deixa Deus sem seu representante na terra por algumas semanas. Fui surpreendido, como milhões e milhões de cidadãos, com a notícia da renúncia do papa Bento 16 e dei-me conta (não é a primeira vez, claro) de que é tudo muito efêmero a nossa volta. Nada é muito novo nas relações humanas. O mundo caminha a passos largos para tornar tudo relativo e de pouca importância. Ou melhor, essa caminhada – ao que tudo indica – tem a ver diretamente com o sistema econômico de cada época em que se vive e, portanto, a que estamos submetidos.

O laicismo, desde sua definição e adoção na França, não tem passado de um conceito apenas teórico, cuja prática deixou e deixa de existir com as diversas interferências da religião na vida dos cidadãos e do estado. A fé continua a ser um “produto” vendido nos grandes mercados mundiais da ingenuidade humana. O que, apesar de não ser nenhuma novidade, contribui para confirmar uma zona nebulosa da humanidade.

Por outro lado, o moderno sistema de comunicação social, tendo a seu serviço emissoras de televisão privadas e estatais, jornais e revistas para os mais variados gostos e ideologias, emissoras de rádio, internets, tuíteres, feicibuquis, celulares, tabletes e mais algumas bugigangas da pós-modernidade, afunda o ser humano numa cisterna de informações contraditórias, espalhando no mais das vezes a confusão para dividir e reinar, para alongar a vida de um capitalismo que já dá inúmeras mostras de esgotamento de seus principais postulados. Nesse vendaval de informações e teorias, as várias religiões espalhadas pelo mundo ainda tentam “vender” uma fé que já não consegue se explicar. E, em meu modesto ponto de vista, que nunca se explicou. A história das religiões é, antes de qualquer coisa, a história do próprio homem, de suas virtudes e de seus defeitos. O homem é quem cria os deuses a sua imagem e semelhança.

Termino por dizer que 21 de fevereiro de 1912 é também uma data importante, pelo menos em meu calendário. Nesse dia, mês e ano nasceu Martha, minha saudosa mãe, que morreu ainda jovem e não conheceu o computador, o celular, o Genoíno, o Partido dos Trabalhadores, o papa Bento 16 e, com toda certeza, nunca ouviu falar em Marx e Engels. E muito menos em Julian Assange e seu WikiLeaks.

Aproveito, então, a data para sugerir a nossa ilustre visitante Yoani Sanchez, brava defensora do direito de expressão dos grandes monopólios mediáticos, que interceda junto ao governo norte-americano pela vida e pelo direito de expressão do soldado Bradley Manning.

Izaías Almada é escritor e dramaturgo. Autor da peça Uma questão de imagem (Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos) e do livro Teatro de Arena: Uma estética de resistência, Editora Boitempo.

Paulo Moreira Leite: Um papa sem encanto

19 de fevereiro de 2013

Papa_Chapeuzinho_Vermelho

A renúncia de Bento 16 contém lições interessantes.

Paulo Moreira Leite em seu blog

Empossado com um programa que pretendia reconduzir a Igreja para um mundo fechado nela mesma, voltada exclusivamente para debates de natureza espiritual, longe das questões que afligem os homens e mulheres do mundo, Bento 16 deixou o trono da Igreja em ambiente de decepção e melancolia. Um de seus admiradores afirma que, embora tenha sido um grande teólogo, Bento 16 fracassou como papa.

Não é de surpreender. Não tenho a menor condição de debater teologia. Mas, ateu desde a infância, tenho capacidade de examinar os papas como aquilo que são: chefes políticos da Igreja. E é nesta função que o fracasso de Bento 16 contém elementos didáticos.

Embora o conservadorismo católico tenha produzido vários representantes ao longo da história da igreja, Bento 16 não era apenas um papa fora do tempo – era um papa contra seu tempo. Num mundo em que a cultura tornou-se plural, as sociedades se mostram complexas, os cidadãos se recusam a abrir mão de sua autonomia, seus direitos e opções de vida, a proposta de Bento 16 era uma forma de clausura política e cultural.

Ele se recusava a dar respostas consistentes para a vida das pessoas do século 21, fosse em relação à vida em família, aos direitos das mulheres, às angústias dos mais pobres. Alguém acha viável ter audiência junto às mulheres sem falar sobre aborto? Ou conversar com a juventude sem falar da liberdade sexual? Ou procurar audiência junto às grandes populações do planeta sem responder à pobreza, à desigualdade?

Basta assistir a uma missa num bairro popular de São Paulo – recomendo a Achiropita, no Bixiga – para se entender o que estou dizendo. É fácil perceber quando os fiéis prestam atenção, quando se empolgam, quando ficam entediados. Este conservadorismo radical de Bento 16 queria transformar o isolamento social da Igreja em virtude.

Antecessor de Bento 16, João Paulo 2º, era um papa conservador, que deu início a uma política de combate à Teologia da Libertação e perseguição ao clero comprometido com os interesses dos mais pobres e oprimidos, como aconteceu em São Paulo, com dom Paulo Evaristo Arns – cardeal que esteve longe de liderar alguma fração esquerdista da Igreja, mas jamais abandonou valores como o respeito pelos direitos humanos e a democracia.

Mas João Paulo 2º nunca deixou de dar respostas – a sua maneira – às questões da vida concreta. Sua pregação tinha elementos democráticos, sua mensagem procurava responder ao sofrimento de homens e mulheres comuns – e por isso ele atraía multidões por onde passava. As viagens de Bento 16 jamais tiveram a mesma vibração nem a mesma acolhida, num sinal de que seu papado acentuou uma tendência histórica da Igreja.

No início dos anos de 1980, o francês Marcel Gauchet escreveu um clássico sobre as religiões, O desencantamento do mundo. Ele explica a decadência universal do catolicismo pelas mudanças na vida em sociedade.

Para Gauchet, o apogeu da religião ocorreu em épocas históricas em que as pessoas acreditavam que viviam num mundo encantado. Simplificando uma teoria muito mais complexa: homens e mulheres acreditavam viver num mundo em que a religião era uma forma de magia. Atribuíam aos céus suas alegrias e tristezas, sucessos e desgraças. Pensavam que a colheita era obra divina, tinham certeza de que havia uma vida após a morte e atribuíam cada passo da existência à decisão de Deus. Acreditavam em milagres.

Naquele mundo de encantamento, temia-se o pecado como uma ação terrível e a punição divina como um castigo material.

À medida que a sociedade se modificou, os meios de subsistência evoluíram, a educação e o conhecimento se ampliaram, inclusive para as populações muito pobres, muitas conquistas científicas se mostraram indispensáveis para o bem-estar de todos, era preciso falar a outros homens e mulheres, outras angústias e preocupações. João 23 e, em certa medida, Paulo 6º fizeram esforços neste sentido. Ao contrário do que sugeriam seus inimigos, a Teologia da Libertação e correntes semelhantes ajudaram a prolongar a audiência da Igreja. Deram-lhe uma audiência que as correntes conservadoras jamais teriam alcançado.

O projeto de Bento 16 era fazer o caminho de volta. Chegava a dizer que preferia uma Igreja menor e menos influente, mas composta por fiéis convictos e irredutíveis, do que uma comunidade ampla e pouco consistente.

Foi esta sua aposta política. Um engano, que o crescimento das igrejas pentecostais demonstra pelo avesso: conseguem combinar a angústia material dos mais pobres com a promessa de milagres aqui e agora.

Falando a um mundo em que poucos creem, Bento 16 desencantou-se.

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Entre a cruz e a Opus Dei, a vingança

19 de fevereiro de 2013

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O futuro ex-papa deu seu recado Quarta-Feira de Cinzas e deixou seus cardeais com as barbas de molho.

Pedro Porfírio em seu blog

“O mundo moderno se apresenta aos nossos olhos não como uma casa a construir, mas como um organismo a ser curado. Ora, se um edifício pode ser reparado do exterior, um organismo só pode ser curado a partir de dentro.” Padre Louis-Joseph Lebret (1897–1966), autor do livro Suicídio ou sobrevivência do ocidente, que teve grande participação no Concílio do Vaticano 2.

Renunciou para fazer o sucessor. Nada mais despropositado, porém nada mais verdadeiro. Nada mais sintonizado com a personalidade de Joseph Alois Ratzinger, adestrado na juventude hitlerista em sua fogosa juventude.

Vaticano_Carlo_Maria_Vigano01

Viganò virou o jogo.

Foi o que restou ao irascível papa germânico, ao se sentir totalmente isolado desde que entrou em choque com sua principal aliada e “monitora”, a obscurantista Opus Dei, como consequência do afastamento do representante do Banco Santander em Roma desde 1992, Ettore Gotti Tedeschi, da direção do Instituto para Obras de Religião – o Banco do Vaticano –, em meio a uma saraivada de denúncias protagonizadas pelo cardeal Carlo Maria Viganò, ex-secretário geral do Vaticano, aos mil documentos contrabandeados pelo mordomo Paolo Gabriele e a um fogo cruzado incontrolável de mexericos.

Tedeschi é um “supernumerário” da poderosa organização de 90 mil seguidores fanáticos, cognominada como “o Exército do Papa”, numa reportagem de novembro de 2008 da revista Superinteressante. Fundada em 1928 pelo confessor do ditador Francisco Franco, o espanhol Josemaria Escrivá Balaguer, foi reconhecida, em 1982 como uma “Prelazia Pessoal” (a única na estrutura da igreja romana). Seu criador morreu em 1975 e foi declarado santo em 2002 pelo Papa João Paulo II, num rito sumário. A Opus Dei aparece como principal apoiadora nas escolhas dos dois últimos papas, como sabe muito bem qualquer repórter setorista do Vaticano.

Numa “vingança perfeita”, nas palavras de um diplomata credenciado na “Sana Sé”,segundo relato de Paolo Ordaz, do El País, o ex-futuro Papa pegou pesado na missa da quarta-feira de cinzas ao apontar a “hipocrisia religiosa” e a luta interna pelo poder, como causas da crise que o levou a um gesto extremo, que desautoriza o dogma da infalibilidade de um sumo pontífice.

Ou uma jogada de mestre

“Em uma cafeteria de Borgo Pio, o bairro de ruas estreitas contíguo ao Vaticano, um diplomata com credenciais junto à Santa Sé chamava a atenção para um aspecto:

“Praticamente todos os jornais, cada qual com seu estilo, desenham o papa como uma vítima das lutas de poder no Vaticano. Há alguns meses, quando abordavam o tema da incúria na Igreja, colocavam Ratzinger como culpado. É feio usar essa palavra referindo-se a um Papa, mas pode-se dizer que, com a renúncia, Ratzinger executa a vingança perfeita”, disse o diplomata na reportagem de Paulo Ordaz.

Uma jogada de mestre, segundo John Allen, um “vaticanista”, citado por Jerome Taylor, do jornal Independent de Londres. De fato, dos 120 cardeais com direito a voto na sua sucessão, Bento 16 nomeou 67. Os outros 53 foram nomeados por João Paulo 2º, quando o então cardeal Joseph Alois Ratzinger já dava as cartas, como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, a versão moderna do Tribunal da Inquisição.

“Pelo menos, alguns cardeais podem se sentir fortemente pressionados a não fazer algo que possa ser percebido como um repúdio ao papado de Bento 16, que possa causar consternação a ele. Como isso poderá ser traduzido em termos de votos no conclave não está de todo claro, mas é uma peça do quebra-cabeça que vale a pena considerar”, escreveu John Allen terça-feira, dia 12, no National Catholic Reporter.

Cobra engolindo cobra

Ao longo de seus 2 mil anos, o centro do poder da Igreja Católica sempre foi um ninho de cobras, com os maiores índices de intriga por metro quadrado do mundo. Esse clima levou o então cardeal emérito de Milão, dom Carlo Maria Martini, a afirmar em junho de 2008, que “a inveja é um vício clerical por excelência”.

Segundo o cardeal italiano, que morreu em agosto de 2012 aos 85 anos, muitos dentro da Igreja estão “consumidos” pela inveja. Alguns não aceitam nomeações de outros para bispo, e este não é o único pecado capital entre os homens da Igreja. Dom Carlo Maria Martini denunciou também o vício da vaidade, salientando que na Igreja “é muito grande. Continuamente, a Igreja se desnuda e se reveste de ornamentos inúteis, numa tendência à ostentação, ao alarde”. O cardeal citou ainda o “carreirismo” na Igreja, e especialmente, na Cúria Romana, onde “cada um quer ser mais que o outro”.

Qualquer clérigo ou seminarista sabe que a intriga é o caminho das pedras no reino de São Pedro. E sabe mais ainda que tanto Karol Józef Wojtyła como Joseph Alois Ratzinger só se tornaram papas no estuário dos conflitos dentro da Corte (cúria em latim) vaticana, devidamente manipulados por influentes cardais “numerários” ou aliados da Opus Dei.

Conflitos tão radicalizados que quebraram uma hegemonia secular dos italianos, afetados pelo envenenamento do Papa João Paulo I, em 28 de setembro de 1978, exatamente um mês depois de empossado sem pompas, por sua decisão, depois de uma das mais rápidas votações (4 rodadas) do Colégio Cardinalício.Veja a respeito meu artigo de 12 de fevereiro.

O dia que o papa chutou o pau da barraca

Joseph Alois Ratzinger decidiu chutar o pau da barraca porque a coletânea de documentos contrabandeados pelo mordomo Paolo Gabriele, perdoado por ele e já em confortável prisão domiciliar desde dezembro passado, junto com os dossiês do arcebispo Carlo Maria Viganò, e anotações do cardeal Ângelo Sodano, ressentido ex-secretário de Estado, deixam meio Vaticano em maus lençóis, inclusive seu secretário pessoal, monsenhor Georg Gänswein.

Tido e havido como um teólogo de mão cheia, Bento 16 sabe do embaraço que vai causar à igreja Católica Apostólica Romana como um todo. Até mesmo como será chamado ainda não se sabe, porque os prelados não imaginavam que possa existir um ex-papa em vida. Assim como ninguém pode garantir que ele optará pela auto-reclusão no belo mosteiro dentro da Cidade do Vaticano, a sé católica, com menos de 0,44 quilômetro quadrado e 800 habitantes, quase todos do clero.

Isto é, enquanto estiver vivo e mantiver sua fama de maior autoridade na doutrina da fé, será sempre uma sombra inevitável, como foi aqui dom Eugênio Salles, quando se tornou cardeal emérito e continuou escrevendo semanalmente para os jornais, além de perturbar diretamente a gestão do seu sucessor, dom Eusébio Oscar Scheid.

Em busca de um papa autônomo

Essa hipótese é que reforça a possibilidade do retorno de um italiano de fora da Cúria à chefia da Igreja, embora cresça nas bolsas de apostas (!) o nome do ganense Peter Turkson, de 64 anos, presidente do Conselho Pontifício para Justiça e Paz e fiel escudeiro de Bento 16, que se considera o Barack Obama da Igreja católica.

Como não entro nessa pilha de bolsas de apostas, e como tenho certeza que a Igreja Católica jamais será a mesma depois da renúncia de um papa em 600 anos, ainda acredito na escolha de um cardeal em condições de comandar sem precisar pedir a bênção ao colega demissionário. E o cardeal Ângelo Scola, amigo de Bento 16, mas festejado por sua visão arejada em relação a outras religiões, é o mais blindado para assumir o vespeiro onde interesses escusos, vaidades, intrigas e ambições substituíram há séculos o poder do Espírito Santo.

Não ser a mesma não quer dizer que seja melhor ou pior, pois cada um tem sua avaliação do que é bom para uma Igreja que perde fiéis enquanto conserva o fausto de uma época que não existe mais como compensação existencial para o poder sustentado em fontes feudais, como o (imposto) laudêmio que lhe é devido em muitos países do mundo, inclusive o Brasil.

Mesmo exposta, Opus Dei influencia

A hierarquia da Igreja está dominada pelo ultraconservadorismo da Opus Dei, que contou até com o ex-premier Sílvio Berlusconi em seu projeto de hegemonia do Vaticano, mas cujo objetivo estratégico maior era desmontar a Europa socialista. Muitos dos novos cardiais foram apadrinhadas pelos seguidores de São Josemaria Escrivá.

Como demonstração de gratidão pelo apoio recebido na sua eleição, após 8 votações, João Paulo 22 concedeu a esse grupo, em 1982, o status de “Prelazia Pessoal”, que a subordina diretamente ao Papa e fez do seu fundador santo, num dos processos mais sumários de canonização, só superado pelo de madre Tereza de Calcutá.

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Estátua de 5 metros do fundador da Opus Dei na Basílica de São Pedro, com a bênção de Bento 16.

Bento 16 não fez por menos: em 2005 mandou instalar uma estátua de 5 metros do agora São Josemaria Escrivá na fachada exterior da Basílica de São Pedro, que benzeu pessoalmente numa festiva solenidade religiosa em 14 de setembro daquele ano.

Além disso, chamou dois influentes cardeais do Opus Dei para seu primeiro escalão: Julián Herranz, presidente emérito do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, e o secretário da Pontifícia Congregação para os Bispos, arcebispo Francesco Monterisi. Há quem garanta que o cardeal Tarcísio Bertone, principal homem na cúpula vaticana e pivô da crise que levou à inesperada renúncia, também tenha o respaldo da organização, razão pela qual Bento 16 não conseguiu livrar-se de sua incômoda companhia.

À distância, mas não tão distante assim, Bento 16 trocava figurinhas com o arcebispo de Madri e principal clérigo da organização, cardeal Antônio Maria Rouco Varela, também presidente da Conferência Episcopal Espanhola.

A entrega do Banco do Vaticano ao “supernumerário” Ettore Gotti Tedeschi, no final de 2009, foi a gota d’água que cindiu de vez o poder na Igreja, cujas riquezas são incomensuráveis Descartado então da Secretaria Geral do Vaticano, sob a acusação de malbaratar recursos da Igreja, fazendo pagamentos indevidos a um conjunto de empresas que trabalhavam para a cidade-estado, o arcebispo Carlo Maria Viganò ficou revoltado: durante o seu mandato, que começou em julho de 2009, implementou reformas e cortes que levaram o Vaticano de um déficit de oito milhões de euros em 2009 para lucros de 34,4 milhões de euros em 2010.

A Opus Dei não vai ficar chupando dedo. Mas a brusca renúncia de Bento 16 também a deixou tão exposta como na roubalheira no Banco do Vaticano, documentada pelo arcebispo Carlo Maria Viganò.

Neste momento, a “Santa Sé” está vulnerável, sem liderança e sem destino previsível. O que até agora foi uma guerra intestina, protegida dos fiéis, não é mais segredo para ninguém.

E como o mordomo não estava sozinho no seu estrago devastador, tem ainda muita água para rolar debaixo da ponte, além do que se revelou em conta-gotas.

Decididamente, a Igreja que já superou crises e cismas mais graves no passado de pouca comunicação, vive hoje seu mais dramático dilema, numa atualidade inflada de mídias: o suicídio ou a sobrevivência.

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A história secreta da renúncia de Bento 16

16 de fevereiro de 2013

Papa_Cabeca_Coberta

Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do Banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral.

Eduardo Febbro, de Paris, via Carta Maior

Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o papa Bento 16 decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba. Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo 2º, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro… O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites e sem moral alguma, onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas.

Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento 16 o Vaticano foi um dos estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas. Bento 16 foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo 2º: “Desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984–1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla.” Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno.

O monsenhor Georg Gänsweins, fiel secretário pessoal do papa desde 2003, tem em sua página web um lema muito paradoxal, junto ao escudo de um dragão que simboliza a lealdade. O lema diz “dar testemunho da verdade”. Mas a verdade, no Vaticano, não é uma moeda corrente. Depois do escândalo provocado pelo vazamento da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana agiu como faria qualquer Estado. Buscou mudar sua imagem com métodos modernos. Para isso contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja. “Minha ideia é trazer luz”, disse Burke ao assumir o posto. Muito tarde. Não há nada de claro na cúpula da igreja católica.

A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis foi uma operação sabiamente montada cujos detalhes seguem sendo misteriosos: operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcísio Bertone, conspiração para empurrar Bento 16 à renúncia e colocar em seu lugar um italiano na tentativa de frear a luta interna em curso e a avalanche de segredos, os VatiLeaks fizeram afundar a tarefa de limpeza confiada a Greg Burke. Um inferno de paredes pintadas com anjos não é fácil de redesenhar.

Bento 16 acabou enrolado pelas contradições que ele mesmo suscitou. Estas são tais que, uma vez tornada pública sua renúncia, os tradicionalistas da Fraternidade de São Pio 10, fundada pelo monsenhor Lefebvre, saudaram a figura do papa. Não é para menos: uma das primeiras missões que Ratzinger empreendeu consistiu em suprimir as sanções canônicas adotadas contra os partidários fascistoides e ultrarreacionários do monsenhor Levebvre e, por conseguinte, legitimar no seio da igreja essa corrente retrógrada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo.

Bento 16 não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira. O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo 2º, que, para muitos especialistas, explica a crise atual.

Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o Banco do Vaticano. Próximo à Opus Deis, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento 16 em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano. As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos de 1980, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norte-americano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época.

João Paulo 2º usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos de 1970, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais. Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres. No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2, mais conhecida como P-2, dirigida por Lício Gelli e o próprio IOR de Marcinkus.

Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão. Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro. Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto em que registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas.

Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa.

Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do Banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se auto-alimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema.

Tradução: Katarina Peixoto

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14 de fevereiro de 2013

Vaticano08_Armas

Via Atrevete a pensar, texto publicado em 10/7/2012

Talvez poucas pessoas saibam que a fábrica de armas Pietro Beretta Ltda. (a maior indústria de armas no mundo) é controlada pela Holding SpA Beretta e que o acionista majoritário da Holding SpA Beretta, depois de Gussalli Ugo Beretta, é o Instituto para Obras de Religião (IOR), comumente conhecido como Banco do Vaticano, instituição privada, fundada em 1942 pelo Papa Pio 12 e com sede na Cidade do Vaticano.

A história por trás de tudo isso é a seguinte:

Roma não foi construída em um dia, tampouco o Vaticano, e menos ainda sua opulência atual. Isso tem suas raízes no século 4 da era cristã, quando o imperador Constantino se converteu ao cristianismo e colocou à disposição do papa Silvestre I uma fortuna colossal – de fato o transformou no primeiro papa rico na história.

A Igreja Católica é a única organização religiosa do mundo que tem como quartel-general um estado independente: a cidade do Vaticano. Com seu 0,44 quilômetro quadrado de superfície o Vaticano é muito menor do que muitos campos de golfe no mundo; e para percorrê-lo sem pressa não se necessita muito mais que uma hora; contar suas riquezas, contudo, levaria bastante mais tempo.

A moderna opulência do Vaticano baseia-se na generosidade de Benito Mussolini que, graças à assinatura do Tratado de Latrão entre seu governo e o Vaticano, outorgou à Igreja Católica uma série de garantias e medidas de proteção. A Santa Sé conseguiu que a reconhecessem como um estado soberano, beneficiou-se com a isenção fiscal de sua propriedade para beneficiar seus cidadãos, que não precisavam pagar os direitos aduaneiros pelo que importavam do exterior. Foi-lhe concedida imunidade diplomática e seus diplomatas começaram a desfrutar dos privilégios da profissão, igual assim como os diplomatas estrangeiros reconhecidos junto à Santa Sé. Mussolini prometeu introduzir o ensino da religião católica em todas as escolas do país e deixou a instituição do casamento sob a égide das leis canônicas, que não admitiam o divórcio. Os benefícios que o Vaticano recebeu foram enormes, dentre eles, os benefícios fiscais foram preponderantes.

Em 1933, o Vaticano mais uma vez demonstrou sua capacidade de estabelecer negócios lucrativos com os governos fascistas. A concordata de 1929, assinada com Mussolini, foi seguida por outra entre a Santa Sé e o 3º Reich de Hitler. O gestor Francesco Pacelli foi uma das figuras-chave do pacto com Mussolini: seu irmão, o cardeal Eugênio Pacelli, futuro papa Pio 12, foi responsável pela negociação como secretário de Estado do Vaticano, assinando um tratado com a Alemanha de Hitler. Pio 12 conhecia bem a Alemanha. Ele fora núncio em Berlim, durante a 1ª Guerra Mundial, e depois, como secretário de Estado de Pio 11, teve inúmeras intervenções no rumo que estava tomando a política alemã. Nesta qualidade interveio decisivamente na encíclica de Pio 11, conhecida como Mit brennender sorge (que se pode traduzir “Com preocupação ardente”). A iniciativa da encíclica partiu, ao contrário do que se acredita, dos bispos alemães, sendo o primeiro rascunho escrito em Roma pelo Cardeal Faulhaber. O então cardeal Pacelli, que fala alemão, deu-lhe a forma final, apresentada a Pio 11, sendo então assinada e publicada. Apesar da constante e grande pressão mundial, o papa Pio 12 sempre se negou a excomungar Hitler e Mussolini; seu pontificado foi caracterizado pela adoção de uma falsa postura de neutralidade. Quando os nazistas invadiram a Polônia, o papa Pio 12 se recusou a condenar a invasão; uma das maiores vantagens que obteria o Vaticano do muito lucrativo acordo que mantinha com Hitler era a confirmação de Kirchensteuer, um imposto eclesiástico; trata-se de um imposto estadual que ainda hoje os fiéis alemães devem pagar, e só podem escapar se renunciarem à sua religião. Na prática, muito poucos renunciam. Este imposto representa por si só entre 8 e 10% dos impostos totais arrecadados pelo governo alemão.

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Os números do Vaticano

Estima-se que o Vaticano seja o dono de cerca de 20% a 30% dos imóveis da Itália, incluindo igrejas, escolas, hospitais, clínicas e até hotéis.

Beatriz Olivon

No final de fevereiro, o papa Bento 16 deixará o cargo. Assim, ele deixa de ser chefe do Estado da cidade do Vaticano, o menor Estado do mundo em tamanho e um dos menores em população. O Estado da cidade do Vaticano tem 0,44 quilômetro quadrado, sendo o menor estado independente do mundo, de acordo com o banco de dados do livro CIA, o World Factbook. O Vaticano tem pouco mais de 800 moradores – 836, de acordo com estimativas de julho de 2012, só há dois estados com menos habitantes. Em 2011, a força de trabalho somava 2.800 pessoas, a maior parte delas mora fora do Vaticano e está empregada na área de serviços.

Estima-se que o Vaticano seja o dono de cerca de 20% a 30% dos imóveis da Itália, incluindo igrejas, escolas, hospitais, clínicas e até hotéis. Durante a crise econômica, um antigo imposto sobre bens imóveis que tinha sido extinto retornou e a oposição pediu que ele também fosse aplicado às propriedades do Vaticano.

Crise

Assim como seus pares na Europa, o Vaticano também sentiu a crise financeira. O livro da CIA afirma que nem o Vaticano escapou das dificuldades financeiras que afetaram a Europa e, em 2012, começou a avaliar onde cortar custos para reverter o déficit no orçamento de 2011. Os rendimentos foram de US$308 milhões em 2011 enquanto os gastos foram de US$326,4 milhões.

A maioria dos gastos públicos vai para salários e outros custos com pessoal. O relatório afirma que os rendimentos e condições de vida dos trabalhadores são comparáveis aos dos que trabalham em Roma.

O Vaticano é financiado por diversas fontes, incluindo investimentos, aluguel dos imóveis e doações. Uma coleta anual nas dioceses somada a doações diretas vai para um outro fundo usado diretamente pelo papa para caridade, desastres e ajuda a igrejas em países em desenvolvimento, segundo o CIA, o World Factbook. As doações aumentaram entre 2010 e 2011, segundo a CIA.

O orçamento do Estado da cidade do Vaticano inclui a receita dos museus, correio e venda de souvenir. A receita também aumentou entre 2010 e 2011 por causa do aumento no número de horas de funcionamento dos museus e do maior número de visitantes, segundo o relatório.

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Atualizado em 16/2/2013, às 19:34

Humor: Presidente do maior país católico, Dilma silenciou diante da renúncia do papa

13 de fevereiro de 2013

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Nota do Limpinho: A palavra “humor” foi colocada pelo blog, pois a notícia foi publicada como séria, apesar de o texto ter semelhanças aos escritos pelo professor Hariovaldo Almeida Prado, em sua lousa virtual de homens de Benz. A opinião deste blog é que, mesmo o Ratzinger sendo um estadista, por chefiar um país de cerca de 400 metros quadrados e uma população de pouco mais de 800 pessoas, uma renúncia de um “presidente” não é o caso de se lançar uma nota oficial. Caso fosse de sua morte, sim. A grande maioria das pessoas esquece – ou não quer lembrar – que governo brasileiro, como instituição, é laico. Caso contrário, teria de lançar uma nota oficial a cada renúncia em um país islâmico, budista etc. etc. Sem contar que desrespeitaria também os ateus. Leia, como já falei parece texto do professor Hariovaldo, é bem divertido.

Via Ucho.Info

Boca fechada – O silêncio da presidente Dilma Rousseff diante do anúncio da renúncia de Joseph Ratzinger, o papa Bento 16, a seu pontificado não causa qualquer estranheza. Dilma jamais exalou qualquer dose de intimidade com a Igreja e ainda guarda mágoa da mensagem enviada por Bento 16, à época da eleição presidencial, contra o aborto, assunto que colocou a então candidata em situação de dificuldade com o eleitorado.

Considerando que o Brasil é o maior país católico do planeta, Dilma Rousseff, que é presidente de todos os brasileiros, deveria ter-se pronunciado, uma vez que nessa tresloucada Terra de Macunaíma o fato dividiu o noticiário com os desfiles de Carnaval, sem contar que foi notícia em todo o mundo.

Essa atitude bisonha de Dilma, que nem ao menos ordenou a algum de seus estafetas que redigisse e divulgasse uma nota oficial, mostra que, em 2010, sua ida à Basílica de Aparecida foi uma farsa que fazia parte do script da campanha eleitoral.

Dilma é presidente de uma nação, não de um partido político, e omitir-se por questões ideológicas ou pessoais mostra a sua mente tacanha em relação a determinados. Querendo ou não, apesar de todos os escândalos, o Vaticano é um estado e Ratzinger é o seu chefe até o próximo dia 28 de fevereiro.

Até o falastrão Luiz Inácio da Silva, o fujão, que sempre aproveita todas as oportunidades para mostrar que está em franca atividade política, se calou. Foi capaz de lamber as botas de Fidel Castro e procurar notícias de um delinquente político como Hugo Chavez, mas nem mesmo enviou uma mensagem ao Vaticano, onde já circulou por interesses políticos.

O PT palaciano continua agarrado à soberba, algo que desaparecerá quando a CNBB, na próxima eleição, se posicionar contra a reeleição de Dilma Rousseff. Pode ser que em tal momento Dilma volte à encenação.


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