Posts Tagged ‘O príncipe da privataria’

“Mensalão”: Os fatos e a farsa

21 de novembro de 2013
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Seletivo e parcial, STF puniu o PT mas omitiu-se diante da compra de votos por FHC, privataria tucana e 400 corruptores da era Collor…

Bob Fernandes, em seu blog

 Há quem diga ser uma farsa o julgamento do chamado “mensalão”. Não, não é uma farsa. É fruto de fatos. Ou era mesada, o tal “mensalão”, ou era caixa 2. Mas não há como dizer que há uma farsa. E quem fez, que pague o que fez. A farsa existe, mas não está nestes fatos.

Farsa é, 14 anos depois, admitir a compra de votos para aprovar a reeleição em 98 – Fernando Henrique –, mas dizer que não sabe quem comprou. Isso enquanto aponta o dedo e o verbo para as compras agora em julgamento. A compra de votos existiu em 97. Mas não deu em CPI, não deu em nada.

Farsa é fazer de conta que em 98 não existiram as fitas e os fatos da privatização da Telebrás. É fazer de conta que a cúpula do governo não foi gravada em tramoias escandalosas num negócio de R$22 bilhões. Aquilo derrubou um pedaço do governo tucano. Mas não deu em CPI. Ninguém foi preso. Não deu em nada.

Farsa é esquecer que nos anos PC Farias se falava em corrupção na casa do bilhão. Isso no governo Collor; eleito com decisivo apoio da mídia. À época, a Polícia Federal indiciou 400 empresas e 110 grandes empresários. A justiça e a mídia esqueceram o inquérito de 100 mil páginas, com os corruptos e os corruptores. Tudo prescreveu. Fora o PC Farias, ninguém pagou. Isso foi uma farsa.

Farsa foi, é o silêncio estrondoso diante do livro A privataria tucana. Livro que, em 115 páginas de documentos de uma CPI e investigação em paraísos fiscais, expõe bastidores da privatização da telefonia. Farsa é buscar desqualificar o autor e fazer de conta que os documentos não existem ou “são velhos”. Como se novas fossem as denúncias agora repisadas nas manchetes na busca de condenações a qualquer custo.

Farsa é continuar se investigando os investigadores e se esquecer dos fatos que levaram à operação Satiagraha. Operação desmontada a partir da farsa de uma fita que não existiu. Fita fantasma que numa ponta tinha Demóstenes Torres e a turma do Cachoeira. E que, na outra ponta da conversa que ninguém ouviu, teve o ministro Gilmar Mendes.

Farsa é, anos depois de enterrada a Satiagraha, o silêncio em relação a US$550 milhões. Sim, por não terem origem comprovada, US$550 milhões continuam retidos pelo governo dos EUA e da Inglaterra. E o que se ouve, se lê ou se investiga? Nada. Tudo segue enterrado. Em silêncio.

O julgamento do chamado “mensalão” não é uma farsa. Farsa é isolá-lo desses outros fatos todos e torná-lo único. Farsa é politizá-lo ainda mais. Farsesco é magnificá-lo, chamá-lo de “maior julgamento da história do Brasil”.

Farsa não porque esse não seja o maior julgamento. Farsa porque se esquecem de dizer que esse é o “maior” porque não existiram outros julgamentos. Por isso, esse é o “maior”. Existiram, isso sempre, alianças ideológicas, empresariais, na luta pelo Poder. Farsa porque ao final prevaleceu, sempre, o estrondoso silêncio cúmplice.

Privataria, reeleição e o cínico FHC

21 de novembro de 2013

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Altamiro Borges em seu blog

O ex-presidente FHC, um dos mais detestados e rejeitados da história do Brasil, está eufórico com as prisões arbitrárias dos condenados no julgamento midiático do “mensalão”. Na segunda-feira, dia 18, durante seminário do combalido PSDB em Poços de Caldas (MG), ele festejou a postura macabra do presidente do STF, Joaquim Barbosa. “Hoje vejo que a Justiça começa a se fazer… Aqueles que hoje exercem o papel maior da República não souberam honrar a confiança que o povo depositou, transformaram-se em negocistas e em nome de transformar o Brasil, transformam suas próprias vidas”.

A declaração é de um cinismo deplorável. Quem é FHC para esbravejar que “a Justiça começa a se fazer”? O seu falso moralismo não resiste aos fatos – ele apenas se sustenta devido à ação seletiva e à cumplicidade da mídia golpista. Basta lembrar que o tal “mensalão” teve início, oito anos antes do esquema de caixa 2 do PT, pelas mãos de um ex-governador tucano, Eduardo Azeredo (PSDB/MG) – que nunca foi apurado e corre o risco de arquivamento no mesmo STF.

Basta lembrar que no seu triste reinado surgiram graves casos de corrupção. Entre os mais famosos, está o da compra de votos para garantir sua reeleição – como prova o livro O príncipe da privataria, do jornalista Palmério Dória. Também se encontram as privatizações criminosas das estatais – documentadas no livro “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro. Isto sem citar os escândalos do Proer, da “pasta rosa” e tantos outros.

Desesperado com as dificuldades de Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano, FHC tenta vender a imagem de um PSDB “ético”. Isto quando surgem denúncias sobre o esquema milionário do propinoduto em São Paulo, que envolve multinacionais do setor do transporte e vários governantes do PSDB, ou sobre a máfia dos fiscais na capital paulista, que envolve um dos aspones do ex-prefeito José Serra.

A declaração de FHC em Poços de Caldas devia ser registrada em cartório – afinal, ele gosta de negar o que escreve e fala. Ela serve para mostrar que as elites são implacáveis no seu ódio de classe, o que alguns pragmáticos insistem em relativizar. O falso moralismo é usado como instrumento sujo da luta pelo poder – a história udenista é rica neste sentido. Não dá mais para conciliar com esta gente cínica, hipócrita e vingativa. A conciliação deseduca e desarma a militância para os momentos mais difíceis!

***

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Palmério Dória: Por que FHC não está preso?

22 de outubro de 2013
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Palmério e a capa de seu best-seller.

Lido no Blog do Saraiva

O Príncipe da Privataria: Palmério Dória participa de debate em Brasília e é recebido na Câmara

Sônia Corrêa e Christiane Melo, C.E.M.A. Barão de Itararé

Um dos períodos mais sombrios da recente história brasileira, de desemprego, sucateamento e assalto ao patrimônio público e “a história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua reeleição”, exposta na mais nova obra do escritor Palmério Dória, foi relatada durante o lançamento do livro O Príncipe da Privataria, em Brasília, na terça-feira (15), no Sindicato dos Bancários. A atividade marcou a abertura da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação no Distrito Federal.

A conversa mediada por Sônia Corrêa, coordenadora do Barão/DF, contou com a presença do jornalista da CartaCapital, Leandro Fortes, do anfitrião Wescly Queiroz, dirigente do Seeb, e o autor Palmério Dória que iniciou sua exposição afirmando que sua obra era uma grande reportagem e um livro de “autoajuda”. E disparou o questionamento: por que FHC não está preso?

Para explicar porque Dória define seu livro como uma obra de autoajuda, ele explicou que não se trata apenas de uma coletânea de documentos, mas de histórias detalhadas da vida real, envolvendo a política e seus bastidores, situações pessoais vividas pelos personagens do período compreendido entre 1994 e 2002. A publicação da Geração Editorial conta com 400 páginas, dividida em 36 capítulos e traz revelações de uma fonte enigmática, descrita como “Senhor X”, que atualmente vive “esquecido” no Acre e que foi responsável pela gravação de depoimentos de deputados revelando a venda de votos para a reeleição de FHC.

Comissão de Cultura da Câmara recebe Palmério Dória

O escritor Palmério Dória foi recebido na quarta-feira (16) pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, onde foi pedir apoio aos parlamentares na reverberação das histórias presentes no livro.

“Fizemos um trabalho sério. Quem quiser se informar sobre o que foi esse período de FHC encontrará tudo aí. E a gente acha estranho que não se fale do livro, por isso a gente veio aqui para pedir que vocês entrem no nosso time”, falou o autor para a presidente da Comissão, deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) e ao 2º vice-presidente do colegiado, deputado Evandro Milhomen (PCdoB/AP). De acordo com os parlamentares, o conteúdo do livro é uma ferramenta importante para a disputa política. “Esse é um subsídio importante na luta política que a gente faz”, afirmou a deputada Jandira. “Nesse sentido será sempre uma material para nos referenciarmos no debate político”, completou. Ao final do encontro, promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Dória presenteou os parlamentares com um exemplar do livro.

O Príncipe da Privataria em Pernambuco

Num rápido e caloroso encontro entre Palmério Dória e a Deputada Luciana Santos (PCdoB/PE), ficou acertado que Pernambuco deverá estar entre os próximos estados a realizar o lançamento do livro O Príncipe da Privataria. Por sugestão da deputada Luciana, o lançamento deverá ocorrer em novembro de 2013 e o Barão de Itararé mediará a realização do evento.

Maria Inês Nassif: Esqueçam o que escrevi, diria o PIG

4 de setembro de 2013

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Maria Inês Nassif, via Carta Maior

O livro O Príncipe da Privataria, de Palmério Dória, lançado no final de agosto, tem a qualidade de ser memória. Dez anos passados do final dos governos de Fernando Henrique Cardoso, um processo do chamado “mensalão” que tomou oito anos de generosos espaços da mídia tradicional e uma viuvez inconsolável da elite brasileira – alijada do principal poder institucional, o Executivo, por falta de votos populares –, jogaram para debaixo do tapete a memória do que foi o processo de privatização brasileira e a violenta concentração de riqueza nacional que disso resultou.

Foi quase como se a mídia tradicional brasileira e a elite “moderna”, que ingressou no capitalismo financeiro internacional na era Collor-Fernando Henrique Cardoso, tivessem tirado as palavras da boca do próprio FHC. “Esqueçam o que eu escrevi”, teriam dito jornais e emissoras brasileiras, se perguntadas por que subtraíram de si próprios o mérito de ter, pelo menos, jogado luzes sobre a pesada articulação do governo tucano para dar mais quatro anos de mandato a Fernando Henrique, e sobre os interesses que se acumulavam por trás de um processo de privatização que, no mínimo, e para não dizer outra coisa, foi viciado.

Na ponta do lápis, a aprovação da reeleição a R$200 mil por cabeça (denunciada pela Folha, com três confissões de venda documentadas em gravações obtidas pelo jornalista Fernando Rodrigues, e uma previsão de que, no total, pelo menos 150 parlamentares venderam também o seu voto) e os prejuízos de uma privatização que concentrou pesadamente renda privada no país, além de desnacionalizar setores estratégicos para o crescimento brasileiro, resultam em valores muito, mas muito mais expressivos do que o escândalo do “mensalão”, que os jornais (com a ajuda de declarações e frases feitas de ministros do Supremo Tribunal Federal) cansam em dizer que foi o maior escândalo de corrupção da história do país.

Nos dois casos – do governo Fernando Henrique e no escândalo maior do governo Lula, o “mensalão” – os jornais denunciaram. A diferença para os dois períodos, todavia, foi a forma como a mídia enxergou os desmandos. No caso da compra de votos para a reeleição, jornais e tevês consideraram satisfatória a ação da Câmara, que cassou o mandado de três parlamentares que confessaram, para o gravador oculto do jornalista Fernando Rodrigues, terem recebido dinheiro para votar a emenda da reeleição. Os escândalos relativos à privatização foram divulgados muito mais como denúncias de arapongagem – escutas ilegais feitas por inimigos do programa de doação do patrimônio público a consórcios formados com dinheiro do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, fundos de previdência das estatais e capital estrangeiro (em menor volume, mas com direito a controle acionário), do que propriamente indícios de ilícitos do governo.

O fato de os jornais, revistas e tevês simplesmente terem apagado de suas memórias edições desses períodos não chega, portanto, a ser uma contradição. Ideologicamente, nunca houve uma proximidade política tão grande entre os meios de comunicação e um governo eleito democraticamente no País. O projeto tucano era também o projeto de modernização acalentado pela mídia tradicional: uma economia aberta ao capital estrangeiro, desregulada, obedecendo à máxima liberal de que o mercado é o melhor governo para os dinheiros. Nos editoriais da época, os jornais centenários brasileiros expressam a comunhão, com o governo, dos ideais de um Brasil moderno, neoliberal, fundado na ordem que já havia ganhado o mundo e subvertido o Estado de bem-estar social europeu, que foi o modelo mais longevo de capitalismo com justiça social do mundo (talvez tenha sido este um golpe mais duro para a esquerda democrática do mundo do que propriamente a queda do Muro de Berlim).

Com ressalvas para denúncias de desvios que foram colocados na categoria de “pontuais”, jamais como “sistêmicos” – como se repisa no caso dos escândalos dos governos petistas –, a imprensa embarcou no discurso a favor de “reformas estruturais” que, ao fim e ao cabo, representavam extinguir conquistas sociais e garantias de soberania da Constituição de 1988. No final dos governos FHC, os editoriais lamentaram não a corrupção sistêmica, mas o fato de o Congresso (e não o governo) não ter cedido ao Executivo e aprovado as demais reformas, que consistiam em reformar a Previdência e reduzir garantias do trabalho. Enfim, acabar com a herança getulista, como havia prometido FHC.

Quando se tira a história debaixo do tapete, conclui-se também que os oito anos de governos FHC, mais os tantos anos que sobraram do governo Collor – que sofreu o impeachment em 1991 – e os anos em que o governo Itamar Franco esteve dominado por intelectuais ligados a FHC e Serra e economistas da PUC do Rio, usaram todos os recursos disponíveis na atrasada política tradicional com o propósito declarado de “mudar” o País. Qualquer oposição era jurássica e estava exposta ao ridículo: a elite “moderna” desprezava o que considerava ser subdesenvolvimento cultural das esquerdas.

O jogo mais pesado foi feito para aprovar a reeleição de Fernando Henrique, parte de um projeto político verbalizado pelo então ministro Sérgio Motta de manter os tucanos no poder por 20 anos. A compra de votos foi generalizada no período, segundo farto material produzido pela mídia tradicional. Não houve ação da Polícia Federal, do Ministério Público ou da Justiça contra as fartas evidências de que a aprovação da reeleição foi uma fraude, proporcionada por mais de 150 votos comprados a R$200 mil cada um, segundo reitera a fonte de Fernando Rodrigues à época, agora entrevistado por Palmério Dória para O Príncipe da Privataria.

Da mesma forma, os indícios de vícios graves na formação dos consórcios que viriam a comprar o sistema estatal de telefonia, fatiado pelo governo tucano, nunca foram objeto de uma preocupação mais séria por parte do Ministério Público, ou jamais sofreram a contestação de um Supremo Tribunal Federal que, na era petista, imiscuiu-se em todos os assuntos relativos aos demais poderes da República.

Em 1994, consolidou-se um bloco hegemônico em torno de um governo. MP, STF, polícias – todos tinham chefe. Era FHC, mas o principal partido político não era o PSDB, e sim os jornais – assim como hoje eles se constituem no principal partido de oposição. O que aconteceu de 2002 para cá é que a unidade em torno do governo não existe mais, mas a hegemonia das outras instituições se impõe sobre os poderes instituídos pelo voto. O bloco hegemônico é o mesmo, exceto pelo governo e pelo Congresso, que dependem do voto popular. A unidade se faz em torno da mídia – que nega o que escreveu na última década do milênio. Dois pesos e duas medidas viraram uso corriqueiro por este bloco. Por isso é tão simples cunhar frases do tipo “nunca houve um governo tão corrupto” para qualquer um posterior ao período tucano, que vai de 1995 a 2002. E por isso esta simplificação não pode ser pedagógica: não reconhecer que há uma corrupção estrutural no sistema político é uma forma de mantê-lo inalterado. E, quando um presidente do bloco hegemônico for eleito, poderá usar esse sistema político atrasado, com o pretexto de “modernizar” o País, pagando o preço que ele cobrar.

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O Príncipe da Privataria: A Folha confirma o nome do “Senhor X”

3 de setembro de 2013

Palmerio_Doria11_Principe_Privataria_CapaJornal que, em 1997, denunciou a compra de votos para aprovação da emenda à reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afirma que Narciso Mendes, personagem central do livro O Príncipe da Privataria, do jornalista Palmério Dória, é mesmo o personagem que a Folha apresentava como “Senhor X” em suas reportagens; Mendes gravou deputados admitindo terem recebido propina de R$200 mil para votar a favor da reeleição; segundo o jornal, revelação é “histórica”; no caso Watergate, a identidade de Mark Felt, fonte das notícias que derrubaram Richard Nixon, foi preservada durante 33 anos; aqui, o escândalo de FHC não deu em nada.

Via Brasil 247

Na reta final do julgamento da Ação Penal 470, um discurso do ministro Celso de Mello chamou a atenção. Segundo ele, o tratamento conferido ao réu José Dirceu foi “benigno”, uma vez que se tratava de corromper as instituições para permitir que um determinado grupo se perpetuasse no poder.

Curiosamente, no sábado, dia 31/8, chegou às livrarias a obra O Príncipe da Privataria, do jornalista Palmério Dória, que aborda uma compra efetiva de votos para que um determinado grupo se perpetuasse no poder. Em 1997, para que a emenda que permitiu a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fosse aprovada, parlamentares foram comprados, alguns receberam R$200 mil, e o pagamento foi operado por personagens que hoje despontam no escândalo do metrô.

Nada foi feito, ninguém foi denunciado e nenhum dos personagens se transformou em réu. Naquele ano de 1997, o principal denunciante da história era apontado pela Folha como “Senhor X”, um personagem que gravou deputados admitindo terem recebido a propina. No livro, Palmério revela que ele era o empresário e ex-deputado Narciso Mendes.

Na edição de sábado, dia 31/8, pela primeira vez, a Folha confirma que Mendes foi efetivamente o “Senhor X” ou seu “garganta profunda”. Num texto de Ricardo Mendonça, o jornal classifica a revelação de Palmério Dória, que é também colunista do 247, como “histórica”.

No Brasil, Mendes permaneceu incógnito durante 16 anos. Nos Estados Unidos, a identidade de Mark Felt, o vice-presidente do FBI que denunciou o escândalo Watergate, foi preservada durante 33 anos. A diferença é que, lá, o presidente Richard Nixon caiu. Aqui, FHC festeja a prisão de réus, que, como diz Celso de Mello, corromperam as instituições para se perpetuar no poder.

Abaixo, a reportagem de Ricardo Mendonça, em que a Folha confirma a identidade de seu informante e lembra que o caso nunca foi investigado:

Livro contra FHC revela fonte que provou compra de votos

“Senhor X” gravou deputados que disseram receber para aprovar reeleição em 97. Empresário Narciso Mendes assume identidade 16 anos após escândalo que abalou governo tucano.

Ricardo Mendonça

O livro O Príncipe da Privataria, um libelo contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que está sendo lançado pelo jornalista Palmério Dória, traz uma revelação histórica sobre a compra de votos no Congresso a favor da emenda constitucional da reeleição, esquema denunciada pela Folha em 1997.

Tratado pelo jornal como “Senhor X” em diversas reportagens, o homem que naquele ano gravou deputados admitindo a venda de votos assumiu sua real identidade.

Trata-se do empresário e ex-deputado Narciso Mendes, 67 anos, dono de um jornal e de uma retransmissora do SBT em Rio Branco (AC). Em 16 anos, ele nunca havia falado publicamente sobre o assunto. A seu pedido, seu nome era preservado pelo jornal.

O depoimento de Mendes admitindo ter colhido as provas da compra de votos é tema dos capítulos 11 e 12 de O Príncipe da Privataria (399 páginas, Geração Editorial).

Na época, Mendes já era ex-deputado. Com bom trânsito na bancada do Acre, ele afirma que aceitou gravar os colegas e entregar o material ao repórter Fernando Rodrigues, autor da série de reportagens da Folha sobre a compra de votos, porque era “intransigentemente contra” a emenda que viria a favorecer FHC.

Seu único pedido era a manutenção do anonimato, condição que o jornal aceitou por entender que o interesse jornalístico se sobrepunha à necessidade de revelação de seu nome. Com a iniciativa do próprio em revelar sua identidade, a Folha entende que o acordo está encerrado.

Histórico

Nas gravações do “Senhor X” em 1997, dois deputados do Acre, Ronivon Santiago e João Maia (ambos do PFL, hoje DEM) diziam ter votado a favor da emenda da reeleição em troca de R$200 mil, o equivalente a R$530 mil hoje.

Outros três deputados eram citados de forma explícita nas gravações. As conversas sugeriam que dezenas teriam participado do esquema.

A denúncia causou abalo no governo, mas o assunto nunca foi investigado. A tentativa de criação de uma CPI foi abafada. O então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, não pediu a abertura de inquérito.

Em 21 de maio de 1997, oito dias após o caso ter sido publicado, Santiago e Maia renunciaram. Os ofícios enviados ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), eram idênticos. Ambos alegaram “motivos de foro íntimo”.

Dez anos depois, em sabatina na Folha, FHC não negou que tenha ocorrido compra de votos, mas disse que a operação não foi comandada pelo governo. “O Senado votou [a reeleição] em junho [de 1997] e 80% aprovou. Que compra de voto? […] Houve compra de votos? Provavelmente. Foi feita pelo governo federal? Não foi. Pelo PSDB: não foi. Por mim, muito menos.”

Apanhado

Apesar do tom escandaloso do subtítulo, “A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e FHC ganhou sua reeleição”, o livro não traz material exclusivo sobre a venda de estatais durante o governo tucano (1995-2002).

As várias denúncias citadas, muitas vezes apresentadas de forma confusa e imprecisa, são reproduções de notícias publicadas em jornais e revistas da época. Já os argumentos econômicos são colagens de artigos publicados nos anos 90 pelo jornalista Aloysio Biondi (1936-2000), ex-colunista da Folha.

A informação mais polêmica do livro não está no material de Dória, mas na “Carta do Editor”, assinada na introdução por Luiz Fernando Emediato, dono da Geração.

Emediato diz que em 1991, quando denúncias contra o então presidente Fernando Collor começaram a surgir, ouviu uma confissão de uso de caixa 2 da boca do próprio FHC numa viagem aos EUA.

Ele diz ter ouvido de FHC o seguinte: “A diferença entre nós e eles [a turma de Collor] é que nós gastamos o dinheiro em campanhas, enquanto eles enfiam uma boa parte em seus próprios bolsos.”

Por escrito, o assessor do Instituto FHC Xico Graziano afirmou que o ex-presidente não se lembra de ter estado com Emediato nos EUA. Graziano classificou a frase atribuída a ele como “absurda” e disse que ela “jamais teria sido por ele pronunciada”.

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FHC compra o Congresso: Fita liga Sérgio Motta à compra de votos para reeleição

FHC comprou o Congresso. O STF não vai fazer nada?

FHC disse muitas vezes: “Não levem a sério o que digo.”

FHC e a reeleição comprada: Por que a Veja não consulta seus arquivos?

O retrato do desgoverno de FHC

Governo FHC: O recheio da pasta rosa e o caso do Banco Econômico

Os crimes de FHC serão punidos?

O Brasil não esquecerá os 45 escândalos que marcaram o governo FHC

FHC ao FMI: “CEF, Banco do Brasil e Petrobras estão à venda.”

As viagens de FHC, de Lula e a escandalização seletiva

Dinheiro da CIA para FHC

A festa de 500 anos do Brasil de FHC dá prejuízo de R$10 milhões ao estado da Bahia

Vídeo em que FHC chama os aposentados de vagabundos

Documentos revelam participação de FHC e Gilmar Mendes no mensalão tucano

FHC: “Nós, a elite, temos tendência à arrogância.”

Bob Fernandes escancara a relação de FHC com a espionagem dos EUA

Contratada por FHC, Booz Allen já operava como gabinete de espionagem dos EUA

Se cuida, FHC: Vem aí a CPI da Espionagem da CIA

A empresa que espionava o Brasil prestava consultoria ao governo de FHC

Era Lula cria mais empregos que FHC, Itamar, Collor e Sarney juntos

FHC já defendeu uma nova Constituinte, mas agora acha autoritarismo. Pode?

FHC se diz contra 100% dos royalties para a educação

FHC já admite que Aécio não tem condições de ser candidato

Como a Globo deu o golpe da barriga em FHC e enviou Miriam para Portugal


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