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Glenn Greenwald: A espionagem dos EUA não está atrás de terroristas

25 de outubro de 2013

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Em entrevista à Carta Maior, o jornalista Glenn Greenwald fala sobre o seu trabalho de divulgar as práticas de espionagem dos EUA.

Eduardo Febbro, via Carta Maior

O ex-agente da CIA e da NSA norte-americana, Edward Snowden, e o jornalista norte-americano Glenn Greenwald acabam de desferir um novo golpe no esquema de espionagem global patrocinado pelos Estados Unidos. O jornal Le Monde publicou a totalidade dos documentos que revelam a amplitude da espionagem dos EUA contra a França. Espionagem massiva de indivíduos, espionagem industrial e econômica, nada falta no cardápio. Glenn Greenwald voltou a fazer tremer os alicerces das relações internacionais. Os drones, a luta contra o terrorismo, a nefasta herança da administração do ex-presidente George Bush, as zonas obscuras da administração de Barack Obama e a espionagem globalizada montada pelos Estados Unidos a partir do dispositivo Prisma: Glenn Greenwald conhece esses temas com o rigor e a paixão que lhe conferem seu compromisso e uma trajetória profissional que vai muito mais além do caso das revelações de Snowden.

Glenn Greenwald é o segundo ator central desta trama de espionagem. É este jornalista do Guardian que, mês após mês, destilou neste jornal o conteúdo do enorme dossiê que Snowden entregou a ele em Hong Kong antes de se refugiar na Rússia. Snowden não o escolheu por acaso. Greenwald é um reputado autor de investigações que sacudiram o sistema político norte-americano e o converteram em um dos 50 comentaristas mais influentes dos Estados Unidos. Aqueles que conhecem seu nome através de Snowden e do caso da espionagem tentacular do sistema Prisma ignoram a sólida trajetória que o respalda. Advogado de profissão, em 2005 Greenwald deixou sua carreira de representante de banco e de grandes empresas e se lançou na defesa dos direitos cívicos, das liberdades públicas e das investigações de fôlego.

Nesse mesmo ano, um caso de espionagem por parte da NSA revelado pelo jornal The New York Times o impulsionou através de seu blog, How would a patriot act, que logo se tornará um livro, How would a patriot act? Defending american values from a president. No ano seguinte, este ativista rigoroso publicou um livro feroz sobre a espantosa herança da administração Bush, A tragic legacy: how a good vs. evil mentality destroyed the Bush presidency. Em 2008, publicou outro livro acerca dos mitos e hipocrisias dos republicanos, Great American Hypocrites: Toppling the Big Myths of Republican Politic”, e, em 2012, outra obra sobre a forma pela qual a lei é utilizada para destruir a igualdade e proteger o poder, “With Liberty and Justice for Some: How the Law is used to destroy equality and protect the Powerful”.

Entre um livro e outro, Greenwald realizou investigações explosivas sobre WikiLeaks, Julian Assange e o soldado Bradley Manning – o militar que entregou correspondência secreta a Assange. Premiados várias vezes por seu trabalho, Glenn Greenwald define o jornalismo de uma maneira militante: “para mim, o jornalismo são duas coisas: investigar fatos sobre as atividades de quem está no poder e procurar impor-lhes limites”. Este é o homem a quem, em maio deste ano e logo depois do Washington Post ter se recusado a publicá-los, Edward Snowden entregou os documentos da abismal espionagem estruturada pela NSA através do dispositivo Prisma com a colaboração de empresas privadas como Google, Facebook, Yahoo, Microsoft e tantas outras.

Glenn Greenwald vive no Brasil há vários anos. O duplo caso Snowden e Prisma mudou muitas coisas em sua vida. Seu companheiro, David Miranda, foi detido e interrogado em Londres durante muitas horas em virtude de uma lei antiterrorista. Ambos sabem que suas conversações e seus gestos estão permanentemente vigiados. Adaptaram-se a essa vida sem renunciar a continuar o trabalho de denúncia. Nesta entrevista exclusiva realizada no Rio de Janeiro, para a Carta Maior, Glenn Greenwald revela aspectos inéditos sobre Edward Snowden, conta as dificuldades de sua vida e dá novas informações sobre a nova indústria norte-americana: espionar a cada cidadão do mundo.

Os Estados Unidos argumentam que a espionagem planetária tem como objetivo lutar contra o terrorismo. No entanto, a leitura dos documentos que Snowden entregou a você não fornece a prova para esse argumento.

Se olharmos os últimos 30 anos e, sobretudo, a partir dos atentados de 11 de setembro, há uma ideia de que os norte-americanos querem aplicar: utilizar o terrorismo mundial para que as pessoas tenham medo de agir com as mãos livres. É uma desculpa para torturar, sequestrar e prender. Agora estão usando a mesma desculpa para espionar. Os documentos sobre a maneira pela qual os EUA espionam e sobre os objetivos da espionagem pouco têm a ver com o terrorismo. Muitos têm a ver com economia, empresas e os governos, e estão destinados a entender como funcionam esses governos e essas empresas. A ideia central da espionagem é essa: controlar a informação para aumentar o poder dos Estados Unidos pelo mundo. Nos documentos da NSA há alguns sobre o terrorismo, mas não são a maioria. O gasto de milhões de dólares para coletar toda essa informação contra o terrorismo é uma piada. Espionar a Petrobras, a Al-Jazeera ou a OEA não tem nada a ver com o terrorismo. O governo está tentando convencer as pessoas de que elas devem renunciar a sua liberdade em troca de segurança. Trata de assustá-las e fazer crer que sacrificar a liberdade é algo necessário para estar a salvo e protegido das ameaças que vem de fora.

O passo que Edward Snowden deu ao entregar-lhe os documentos que revelam o modo como Washington espiona o planeta inteiro é surpreendente. Como se explica que alguém tão jovem, que fazia parte do aparato de inteligência, opte por esse caminho?

Há exemplos na história de pessoas que sacrificam seus próprios interesses para pôr fim a muitas injustiças. As razões pelas quais agem assim são complicadas, complexas. Neste caso, há duas coisas importantes: uma é que Snowden valoriza o ser humano e os direitos. Snowden tinha clareza sobre um ponto: ou continuar com esse sistema, perpetuar este mundo destruindo a privacidade de centenas de milhões de pessoas no planeta, ou romper o silêncio e atuar contra esses abusos. Creio que Snowden comprovou que se tivesse seguido permitindo a existência desse sistema não poderia seguir com a consciência tranquila para o resto de sua vida. A dor, a vergonha, o remorso e o arrependimento como sentimentos para o resto de seus dias despertavam medo nele. Era muito grave para guardar em sua consciência. Ele viu que não havia muitas opções e que devia tomar partido. O outro ponto importante é que Snowden tem 30 anos e sua geração cresceu com a internet como uma parte central de suas vidas. As pessoas um pouco mais velhas não se dão conta da importância da internet para a existência dessas pessoas. Snowden me disse que a internet ofereceu a sua geração todo tipo de ideias, campos de exploração, contatos com outras pessoas no mundo e uma capacidade de entendimento inédita. Então decidiu proteger esse patrimônio. Não queria viver em um mundo onde tudo isso desapareceria, onde as pessoas não pudessem utilizar a internet nunca mais.

Mas Snowden, apesar disso, foi um homem do sistema.

Sim, mas era muito jovem quando começou. Tinha 21 anos. Com o correr do tempo foi mudando seus pontos de vista sobre o governo dos Estados Unidos, a NSA e a CIA. Snowden mudou de forma gradual, progressiva. Começou a se dar conta de que essas instituições que pretendiam fazer o bem não estavam fazendo bem, mas sim o mal. Snowden me disse que, desde 2008 e 2009, pensava em se converter em um vazador de documentos. Como muitas outras pessoas no mundo, Snowden também pensou que a eleição de Barack Obama iria fazer com que os abusos diminuíssem. Confiava nisso. Pensou que Obama reverteria o processo, que seria diferente e melhor, mas se deu conta de que não era assim. Essa foi uma das razões. Teve consciência de que Obama não só não resolvia nada, como seguia perpetuando o império norte-americano.

O poder dos Estados Unidos praticamente não tem limites a partir do controle das tecnologias da informação. Muitos pensam que, em certo sentido, Obama é pior que Bush.

É difícil dizer que Obama é pior que Bush. Não é preciso que Obama diga: espionemos mais. É claro que Obama tem uma parte da responsabilidade no crescimento deste sistema de espionagem. Obama continuou com as mesmas políticas de antes, mas mudou o simbolismo e a imagem. Creio que o escândalo provocado pelo vazamento destes documentos mudou a visão que as pessoas tinham de Obama. Snowden e eu passamos muito tempo em Hong Kong falando sobre o que iria acontecer com as revelações. Não podíamos calcular as consequências. Tínhamos consciência da importância, mas pensávamos que poderia haver uma reação apática. Mas desde que se publicou a primeira história o interesse não parou de crescer. Isso está se convertendo em um freio para que os governos sigam abusando de seu poder, para que continuem atuando em segredo. Mas há indivíduos como Snowden, como o soldado Bradley Manning, ou entidades como o WikiLeaks que trazem a informação à luz. Julian Assange é um herói pelo trabalho que fez com WikiLeaks. Em muitos sentidos foi ele que tornou isso possível, foi Assange que expôs a ideia segundo a qual, na era digital, era muito difícil para os governos proteger seus segredos sem destruir outra privacidade. Essa é a razão pela qual o governo dos EUA está em guerra contra as pessoas que fazem isso: quer assustar outros indivíduos que estejam pensando em fazer o mesmo no futuro. Eu me apoiei na coragem de Snowden para publicar esses documentos. Edward Snowden é hoje uma das pessoas mais procuradas do mundo. É possível que passe os próximos 30 anos na cadeia. O que ele fez é uma das coisas mais admiráveis que já vi alguém fazer em nome da justiça.

Os governos de Argentina, Brasil e de outros estados no mundo estão pressionando para romper o cerco da espionagem e o controle quase absoluto que os Estados Unidos têm sobre a internet. Qual é a solução, na sua opinião?

Eu creio que a solução seria criar um lobby entre os países, que os países se unam para ver como construir novas plataformas para a internet que não permitam que um país domine completamente as comunicações. O problema reside também em que cada país começa a ter mais controle sobre a internet e isso pode fazê-los cair na tentação de fazer o mesmo que os Estados Unidos: tentar monitorar e utilizar a internet como uma forma de controle. Há uma consciência real de que Argentina e Brasil estão construindo uma internet própria, assim como a União Europeia, algo que até agora só a China tinha feito. Mas o risco está em que esses governos imitem aos Estados Unidos criando seus próprios sistemas não para permitir a privacidade de seus cidadãos, mas sim para comprometê-la. Isso é um perigo. É importante ter a garantia de que o controle dos Estados Unidos sobre as comunicações não termine em uma transferência a outros poderes. Li um documento no New York Times que mostrava o imenso poder e influência que os EUA têm graças ao controle dos serviços de internet. De fato, os Estados Unidos inventaram a internet. Muitos países se deram conta de que não serão capazes de garantir sua confidencialidade se seguirem usando sistemas abrigados em servidores norte-americanos. Por isso estão pensando em como desenvolver sua própria internet independente. No Brasil, por exemplo, a primeira reação do governo quando se soube da espionagem dos Estados Unidos consistiu em propor seriamente a criação de uma internet própria. E creio que outros países vão começar a fazer o mesmo, ou seja, criar redes que não passem pelos Estados Unidos nem tampouco que os dados fiquem armazenados em servidores de empresas norte-americanas. Creio que especialmente na Europa, onde há recursos financeiros para tanto, isso será proposto seriamente. Agora, é claro, a Europa não é muito dada a ser independente dos EUA. Ela gosta de ser tratada como um adolescente, algo assim como uma colônia com direitos que caminha ao ritmo do tambor dos EUA.

A presidenta Dilma Rousseff propôs a criação de um órgão independente de controle da internet. Você acredita que essa é uma ideia viável?

Não estou seguro de que isso pode resolver o problema. A ideia da internet é de uma irrestrita e não controlada forma de comunicação entre os seres humanos para compartilhar informações sem regulações. Então, não sei se é uma boa ideia colocar a internet sob o controle de organismos internacionais. Pode ser que seja pior assim. Quando foi criada, a internet não estava sob o controle de nenhum governo e cada um podia usá-la como bem quisesse. Esse é o motivo pelo qual ela se converteu em uma ameaça. Creio que esse é o modelo que devemos recuperar.

Você é hoje um homem ameaçado. Sua vida mudou muito desde que colocou em circulação os documentos de Snowden?

Sim, bastante, muito stress, é muito difícil todo o tempo. Meus advogados me dizem que é perigoso para mim regressar aos Estados Unidos, perdi minha privacidade individual. Sei que me espionam e monitoram. Tudo mudou em minha vida. Mas não estou assustado. Não vou parar. Vou publicar todos os documentos que tenho em meu poder.

Entre os atores ocidentais mais questionados está a União Europeia. Sua reação, após as revelações de Snowden, foi de uma tibieza impressionante.

A debilidade e a covardia da União Europeia nunca me surpreenderam, Creio que o que podemos esperar da Europa é que seja tão débil e covarde como qualquer outro país. Foi surpreendente ver como aparentaram indignação com as revelações de Edward Snowden para logo em seguida se fazerem de desentendidos. É muito perigoso que exista um mundo onde um só país pode ditar o que se deve fazer. Os governos têm que ter coragem. O governo do Equador foi muito valente quando deu asilo a Assange em sua embaixada de Londres. Foi algo muito elogiável. O que o Equador fez foi proteger os Direitos Humanos, não um jornalista ou um divulgador de documentos.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Espionagem isola e ridiculariza os EUA

20 de setembro de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

A imagem aí de cima, com o impagável título de “Adivinhe quem não vem para o jantar” é a capa da editoria internacional do Huffington Post, o mais importante blog dos Estados Unidos. Fui ler os comentários – de norte-americanos, claro – e impressiona o apoio que tem a atitude de Dilma.

Mas na terça-feira, dia 17, houve um dado mais evidente da condenação mundial a que estão submetidos os EUA com sua atitude de violar as comunicações e a soberania dos países.

O Parlamento europeu aprovou a indicação do ex-agente Edward Snowden para o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, considerado o principal prêmio europeu de direitos humanos, pela revelação dos esquemas usados pela National Security Agency.

O The New York Times diz que a indicação de Snowden é “quase tão importante como o voto contra ações militares na Síria”. O jornal afirma que ela “exerce um grande peso simbólico e ilustra flagrantemente o abismo que os vazamentos abriram entre os Estados Unidos e seus aliados, e não apenas países europeus, mas também do Brasil, México e outros países que têm sido espionados o pela NSA.”

O discurso de Dilma na ONU vai encontrar um mundo ávido por atitudes contra esse absurdo.

Dilma não tirou o sapato, mas o arremessou em Obama

20 de setembro de 2013
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Celso FHC Lafer: Diplomacia subserviente e o Brasil sem sapatos.

Davis Sena Filho, via Palavra Livre

A presidenta Dilma Rousseff disse não ao presidente bisbilhoteiro dos Estados Unidos, Barack Obama, e suspendeu sua viagem programada para outubro ao império belicoso, cuja política externa é a do porrete, mas mesmo assim e apesar de tudo tal mandatário ianque recebeu da academia sueca, em 2009, o Prêmio Nobel da Paz. Realmente, a premiação foi um acinte ao bom senso, bem como um deboche à inteligência alheia.

Por sua vez, Dilma arremessou o sapato no Obama. Em atitude antagônica a de Celso Lafer, chanceler de FHC – o Neoliberal I –, a mandatária não tirou os sapatos, como o fez Lafer em aeroporto de Nova Iorque, a mando de um agente subalterno. A atitude do chanceler tucano demonstrou, simbolicamente, o quão o governo de FHC foi subserviente, pois alinhado automaticamente aos interesses norte-americanos, ao ponto de seu governo entreguista desmantelar o estado brasileiro e, por conseguinte, atender à nova ordem mundial da Época, que implicava em implantar teoria que, na verdade, privilegiava os interesses econômicos de países ricos em detrimento do povo brasileiro, que tinha dificuldade até para ter acesso ao emprego.

A potência militarista do norte da América, além de invadir armada até os dentes os países que não rezam por sua cartilha política e econômica, também é useira e vezeira em cometer outros desatinos, como, por exemplo, derramar bilhões de dólares no mercado mundial de forma artificial e, consequentemente, enfraquecer a economia de países concorrentes, a fim de fortalecer a sua economia, que desde a crise internacional de 2008 enfrenta graves problemas, que afligem parte representativa de sua população, cerca de 40 milhões de pessoas, que necessitam dos conhecidos bônus de alimentação, que com o passar do tempo tiveram o poder de compra diminuído comparado a anos anteriores.

Contudo, voltemos à Dilma Rousseff. A mandatária brasileira, diferentemente do tucano Fernando Henrique Cardoso – o Neoliberal I – comanda a política externa brasileira. A partir do Governo Lula, à frente do Itamaraty o ministro Celso Amorim, estabeleceram-se novas diretrizes para o Brasil, no que concerne à independência e à autonomia do País em viabilizar novas parcerias, concretizar a efetivação de novos blocos políticos e econômicos, além de dar maior atenção às relações Sul-Sul, porém, sem esquecer a importância que têm os países europeus, o Japão e os Estados Unidos em termos comerciais.

Além disso, o Mercosul se fortaleceu com o ingresso da Venezuela, bem como o processo de adesão da Bolívia está a tramitar pelos escaninhos do bloco, que já conta com a volta do Paraguai, país que foi punido por causa do golpe de estado de caráter “jurídico”, que apeou do poder o presidente Fernando Lugo. O fortalecimento do Mercosul enterrou de vez a Alca, controlada pelos EUA, que na verdade apenas queriam inundar o poderoso mercado interno brasileiro com seus produtos isentos de taxas e tarifas.

A verdade é que a Alca foi um fracasso e um dos responsáveis por tal bloco não vicejar nas Américas foi o presidente Lula, que implementou um política externa ousada, não alinhada aos EUA, como nos tempos de FHC, e aberta a novos parceiros e mercados, a exemplo dos países africanos, asiáticos, a ser a China atualmente o principal parceiro do Brasil, a superar os Estados Unidos.

Outra solução importante foi a criação, ainda no governo Lula, dos Brics, bloco econômico poderoso, com mercados internos gigantescos e populações que estão a experimentar a ascensão social, porque milhões de pessoas ingressaram na classe média. Lula e Celso Amorim e muitos de seus principais assessores, a exemplo de Dilma Rousseff, na Época chefe da Casa Civil, perceberam que se o mercado consumidor brasileiro não fosse fortalecido e o consumo incentivado o Brasil poderia afundar a sua economia juntamente com os europeus e os estadunidenses, países que, como um abraço de afogado, tentaram, em vão, escapar de uma crise financeira e imobiliária que puxava todos para o fundo.

A busca por novos parceiros comerciais, o fortalecimento do mercado interno, a criação de blocos para fazer contraponto à União Europeia e à economia norte-americana fez com que também o Brasil fosse um dos principais signatários da criação do G20, grupo que engloba as maiores economias do mundo. Com a dívida externa paga, um PIB de US$2,253 trilhões (2012), reservas internacionais de US$374,417 bilhões, o Brasil se tornou a sexta maior economia do mundo, a superar países como a Itália, a Inglaterra e a Rússia, mas necessita acelerar a distribuição de renda e riqueza, além de realizar uma profunda reforma agrária, para que a sociedade brasileira se torne menos violenta, estanque as migrações e dê condições de vida àqueles que, porventura, optaram em viver no campo. E isto tudo pode ser feito, com vontade política e determinação para enfrentar a reação das “elites” e a desinformação da classe média, tradicional aliada das classes sociais dominantes.

Entretanto, desde a implementação de uma política externa ousada e voltada para a conquista de novos mercados comerciais, os governos trabalhistas de Lula e de Dilma sofreram pressões contrárias à nova forma de se enxergar o mundo por parte da imprensa de mercado e de setores conservadores das universidades e do próprio Itamaraty, por intermédio de alguns diplomatas da ativa que desejam a volta da diplomacia de punhos de renda, a exemplo do diplomata que trouxe às escondidas um senador boliviano, e das vozes de embaixadores aposentados, que fazem da GloboNews, do Instituto Millenium, da Folha, de O Globo, da Época e da Veja tribunas oposicionistas à diplomacia oficial efetivada pelos trabalhistas desde 2003, e que se tornou uma realidade vitoriosa.

Esses órgãos de comunicação privados são verdadeiras tribunas de ataques e contestações às estratégias de relações exteriores entre o Brasil e o mundo efetivadas há 11 anos, tempo em que os trabalhistas estão no poder. Os barões da imprensa, porta-vozes dos setores mais conservadores e reacionários da sociedade brasileira, estão acostumados há séculos a serem subservientes aos ditames dos países imperialistas, que são tratados por essa “elite” colonizada e com um imenso complexo de vira-lata como suas cortes – os “sonhos dourados”, inoculados em seus corações e mentes no decorrer de gerações. O provinciano que se considera cosmopolita, porque foi visitar o Mickey para se comportar como um pateta, ao tempo em que reage contra e desaprova a ascensão social de milhões de brasileiros. Trata-se do cretino sem espelho.

Dilma Rousseff não adiou a visita aos EUA, como quer fazer crer o colunista “imortal” de O Globo e 12º juiz derrotado do STF, Merval Pereira. A presidenta simplesmente suspendeu o encontro com Barack Obama, porque não ficou satisfeita com as desculpas esfarrapadas do mandatário ianque quanto às arapongagens perpetradas contra o Brasil, o Governo trabalhista e a Petrobras. Vale lembrar que cidadãos brasileiros também foram bisbilhotados. Os EUA têm uma dívida moral com a humanidade, porque, além de ser o berço de um capitalismo de exploração sem fim aos países pobres e militarmente mais fracos, é também o maior responsável e culpado pela maioria dos conflitos armados, políticos e econômicos deste planeta.

O motivo disso tudo é que os EUA bombardeiam e invadem países, cometem dumpings comerciais, controlam o mercado de capitais e de armas, em âmbito mundial, e depois de todas essas atrocidades e perversidades resolvem recrudescer sua vocação policialesca, e, por seu turno, impõem a todas as nações uma paranoia e neurose de segurança que remonta ao livro 1984, de George Orwell. As torres gêmeas foram postas abaixo e o mundo até hoje paga por este ato de guerra dos inimigos dos EUA

No decorrer desse tempo, as pessoas são vítimas de uma sociedade exageradamente espionada e fisicamente controlada pelo Grande Irmão (Big Brother), opressor de uma sociedade que fica à mercê daqueles que detêm o poder político e econômico, para edificar um estado totalitário, que são os EUA em relação ao mundo, e que beneficia as camadas sociais privilegiadas e as grandes corporações. Os Estados Unidos não são uma nação, mas, sim, um conjunto de corporações empresariais poderosas, que exploram e oprimem o mundo por intermédio da força do dinheiro e de ações de guerra no exterior.

O Brasil é um país poderoso. A sexta maior economia do mundo, mas os EUA ainda são muito mais fortes, e se valem disso. Espiona o governo brasileiro e suas empresas estatais e privadas, porque, como sempre, comportou-se dessa forma desde sua independência. O grande satã, como os EUA são considerados pelos árabes, ou Tio Sam, como é conhecido pelos seus cidadãos, não se faz de rogado e tergiversa, dissimula e distorce os fatos e as realidades para não assumir suas culpas e responsabilidades, retratadas, neste caso, quanto à sua espionagem.

O Brasil fez a sua parte. Reclamou e vai fazer uma queixa oficial na ONU e outros fóruns legais. Não tem jeito. Só se pode fazer isso, pois a bisbilhotice foi feita. Dilma não tinha outra saída, apesar do deboche e das críticas açodadas da direita partidária, da imprensa de negócios privados e dos coxinhas reacionários de classe média. Mas o caminho diplomático está a ser sedimentado, no sentido de marcar posição, que redundou na suspensão do encontro entre a brasileira e o norte-americano. Dilma não tirou os sapatos, mas o lançou em direção ao Obama. Ela não é subserviente, colonizada e muito menos tucana. É isso aí.

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Dilma manda Obama se catá: Visita oficial aos EUA será adiada

17 de setembro de 2013

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Depois dos casos de espionagem contra o estado brasileiro perpetrados pelos EUA, a presidenta Dilma Rousseff soltou um comunicado dizendo que sua viagem àquele país, que ocorreria em outubro, foi cancelada. Boa, Dilma! Se fosse o príncipe iria feito um cachorrinho e ainda tiraria os sapatos no aeroporto.

Via Blog do Planalto

Em nota oficial divulgada na terça-feira, dia 17, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que a visita oficial de Estado aos Estados Unidos, programada para o fim de outubro, será adiada. Segundo a nota, “as práticas ilegais de interceptação das comunicações e dados de cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos”. A nova data da visita ainda será definida pelos dois presidentes.

Confira a íntegra:

“A presidenta Dilma Rousseff recebeu ontem, 16 de setembro, telefonema do presidente Barack Obama, dando continuidade ao encontro mantido em São Petersburgo, à margem do G-20, e aos contatos entre o ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado e a assessora de Segurança Nacional Susan Rice.

O governo brasileiro tem presente a importância e a diversidade do relacionamento bilateral, fundado no respeito e na confiança mútua. Temos trabalhado conjuntamente para promover o crescimento econômico e fomentar a geração de emprego e renda. Nossas relações compreendem a cooperação em áreas tão diversas como ciência e tecnologia, educação, energia, comércio e finanças, envolvendo governos, empresas e cidadãos dos dois países.

As práticas ilegais de interceptação das comunicações e dados de cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos.

Tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington – e na ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação – não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada.

Dessa forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado, pois os resultados desta visita não devem ficar condicionados a um tema cuja solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada.

O governo brasileiro confia em que, uma vez resolvida a questão de maneira adequada, a visita de Estado ocorra no mais breve prazo possível, impulsionando a construção de nossa parceria estratégica a patamares ainda mais altos.”

Dilma expressa repúdio ao constrangimento imposto a Evo Morales

3 de julho de 2013

Dilma27Via Blog do Planalto

A presidenta Dilma Rousseff emitiu nota, na quarta-feira, dia 3, em que expressou repúdio e indignação ao constrangimento imposto ao presidente da Bolívia, Evo Morales. Alguns países europeus impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo.

Segundo a nota, o constrangimento não atinge somente a Bolívia, mas a toda América Latina, comprometendo o diálogo entre os continentes e possíveis negociações entre eles. Dilma ainda afirma que encaminhará iniciativas em todas as instâncias multilaterais para que situações como essa nunca se repitam.

Confira a íntegra

O governo brasileiro expressa sua indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao presidente Evo Morales por alguns países europeus, que impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo, depois de haver autorizado seu trânsito.

O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores.

Causa surpresa e espanto que a postura de certos governos europeus tenha sido adotada ao mesmo momento em que alguns desses mesmos governos denunciavam a espionagem de seus funcionários por parte dos Estados Unidos, chegando a afirmar que essas ações comprometiam um futuro acordo comercial entre este país e a União Europeia.

O constrangimento ao presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação.

O governo brasileiro expressa sua mais ampla solidariedade ao presidente Evo Morales e encaminhará iniciativas em todas instâncias multilaterais, especialmente em nosso continente, para que situações como essa nunca mais se repitam.

Dilma Rousseff

Presidenta da República Federativa do Brasil

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