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Wagner Iglecias: Fora, PT!

27 de janeiro de 2014
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Dia 25 de janeiro de 2014. São Paulo é atacada por eles.

Wagner Iglecias, lido no Jornal GGN

No sábado, dia 25, tivemos a abertura oficial da temporada de protestos de 2014. Em várias cidades do país foram convocadas manifestações para o ato “Não vai ter Copa”. Em muitas o comparecimento de público ficou bem abaixo do esperado, como aliás apressaram-se a divulgar os setores simpáticos ao governo. Mas em outras não. Foi o caso de São Paulo. Pelo menos mil pessoas concentraram-se na Avenida Paulista.

Bandeiras de variadas cores, faixas com dizeres em português e inglês, discursos e palavras de ordem diversos. Em comum, as provocações contra a polícia e os gritos contra Dilma Rousseff. Décadas de péssima ou nenhuma educação política nas escolas dão nisso. Setores de juventude branca, de classe média, chamando a polícia de assassina e bradando: “E essa Copa é uma balela, desculpa pra MATAR o povo preto na favela… ei Dilma, vê se me escuta, a Copa vai ser luta”. Claro, num país em que a esmagadora maioria das pessoas não sabe a diferença entre um deputado e um vereador, natural achar que as polícias estaduais são de responsabilidade do governo federal.

Mais adiante a manifestação dobrou a Brigadeiro Luís Antônio e desceu em direção ao centro. A Prefeitura, comandada pelo PT, não passou ilesa. Em frente ao prédio a massa entoou um “Ei, Haddad, vai…”. Logo Haddad, que quando ministro não exerceu a pasta dos Esportes, e é prefeito há apenas um ano, sendo que a escolha de São Paulo como sede do Mundial ocorreu em maio de 2009!

O evento foi um melting pot de gente na rua, como em junho passado. Gente de luta social, ligada a partidos de extrema-esquerda, além de Black Blocs, anarquistas, curiosos e também pessoas que parecem recém saídas do shopping, da academia de ginástica e do playground, lugares cuja finalidade não é ensinar política, obviamente. Em que pese toda essa diversidade, no fundo fica patente certo desconhecimento em relação ao funcionamento das instituições, as competências e atribuições de cada ente federativo. Parece ser tudo “culpa do governo” e atribui-se à presidência da república praticamente todos os males existentes no país.

Os manifestantes em São Paulo gritaram contra o gasto considerado excessivo com os estádios para a Copa. Se são excessivos, ou se as obras foram superfaturadas, estão certíssimos em protestar. Motivos outros para isso também existem, como as remoções de famílias pobres das áreas das obras, os acidentes com operários que trabalharam na construção das arenas e as concessões legais feitas à Fifa. Além do que protestar contra o Mundial deve ser encarado como um ato absolutamente normal num regime democrático como o nosso, onde convivem as mais diferentes opiniões sobre os mais diversos assuntos de interesse público.

Mas é curioso como não se ouviu protestos em relação às denúncias que apontam para corrupção de bilhões de reais nas obras do Metrô da capital paulista, por exemplo. É um tema que não deixa de ter relação com as tais obras de mobilidade urbana que governo federal, governos estaduais e prefeituras prometeram todos esses anos à sociedade por ocasião da Copa. Obras que até o momento não foram percebidas pela população, ao mesmo tempo em que nossas cidades se tornam piores a cada dia. Com uma agenda tão focada em Dilma Rousseff, por mais que não queiram, essas manifestações anticopa começam mal, e acabam passando a impressão de serem motivadas por certa indignação seletiva.

Por fim, muita gente que não sai às ruas está manifestando apoio aos protestos. Mas claro, desde que sejam sem vandalismo e apartidários. Acompanhando o que se viu hoje em São Paulo, a impressão é de que apartidários é o que eles menos têm sido. Apesar de tantas bandeiras e palavras de ordem, pelas mais variadas motivações, sinceras ou nem tanto, no fundo tudo parece se resumir a um partido e uma ideia: Fora, PT!

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do Curso de Graduação em Gestão de Políticas Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP.

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Vândalos causam terror e destruição em São Paulo

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27 de janeiro de 2014
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Fusca de um serralheiro de 55 anos foi o alvo dos fascistas.

Itamar Santos, dono do Fusca 1975 incendiado por extremistas de direita durante protesto em São Paulo, utilizava o único veículo que possuía para entregar os portões que fabrica. “Um bando de irresponsáveis”, desabafa o operário, que viveu momentos de terror na tentativa de tirar a família do carro em chamas. O trabalhador contou que o Fusca foi cercado por pessoas usando lenços pretos para cobrir os rostos; 146 Black Blocs foram presos por atos de vandalismo na manifestação. Todos liberados poucas horas depois.

Via Brasil 247

O serralheiro Itamar Santos, de 55 anos, foi a principal vítima da ação de fascistas travestidos de manifestantes que barbarizaram no sábado, dia 26, em São Paulo no protesto denominado #naoveitercopa. O operário tinha no Fusca ano 1975, incendiado no centro da cidade, o suporte para o seu ganha pão. Era com ele que entregava os portões de aço que fabrica.

O pobre serralheiro voltava da igreja junto com mais quatro pessoas no carro, dentre elas uma criança de quatro anos, quando o fato aconteceu. “Teve muito pânico para sair do carro pegando fogo. A criança estava chorando… Naquele local não tinha um policial”, relatou Itamar à reportagem do R7.

As fotos acima dão a dimensão do terror vivido pela família, que passava nas proximidades da Praça Roosevelt quando colchões em chamas foram atirados contra o carro. O trabalhador contou que o Fusca foi cercado por pessoas usando lenços pretos para cobrir os rostos. O grupo estava colocando fogo em colchões para interceptar a via e teriam jogado um deles no carro. “Eu acho que são um bando de irresponsáveis”, desabafou.

O fusca era o único carro do serralheiro que utilizava o veículo para entregar portões. Itamar ainda não calculou o prejuízo. Após o incêndio, ele voltou para casa de ônibus.

A família comemora o fato de que ninguém tenha se ferido, mas já estuda para processar o Estado para recuperar o prejuízo.

Todo mundo livre

Indiferente ao vandalismo e aos atos de terror na capital paulista, todos os 146 detidos foram liberados na madrugada de domingo, dia 26. A maioria dos detidos foi encaminhada para o 78º Distrito Policial (DP), nos Jardins; e 18 foram levados para o 2º DP, no centro.

A manifestação em São Paulo partiu da Avenida Paulista, com concentração às 17 horas no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), e chegou ao centro da cidade no início da noite. Houve mobilização em outras capitais.

Parte dos manifestantes foi presa dentro de um hotel na Rua Augusta, quando tentava se refugiar das bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, conforme imagens de um vídeo amador divulgadas na internet.

O protesto teve a participação do movimento Black Bloc, cujos integrantes usam táticas de ação direta para protestar em manifestações de rua. Um carro da Guarda Municipal Metropolitana foi depredado e agências bancárias da região central foram quebradas.

Nota assinada pelos grupos que compõem a organização do ato explica as razões do protesto. “O levante de junho já mostrou claramente o que os brasileiros já perceberam: os gastos bilionários na construção dos estádios não melhoram a vida da população, apenas retiram investimentos de direitos sociais. Mas junho foi só o começo!”, diz texto divulgado pelos manifestantes.

O manifesto lembra que, embora os dirigentes políticos tenham dito, na época, que não era possível atender à reivindicação pela redução da tarifa dos ônibus, “o poder popular nas ruas mostrou que realidades podem ser transformadas”. O coletivo destaca que a proposta do grupo é impedir a realização dos jogos e “mostrar nacionalmente e internacionalmente que o poder popular não quer a Copa”.

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Black Blocs destroem mais um símbolo do capitalismo: um ponto de ônibus, usado por maioria de pobres.

Em São Paulo, manifestação contra a Copa tem quebradeira e dezenas de detidos pela PM

Paulo Passos

Um grupo de manifestantes entrou em confronto com policiais militares na região do Teatro Municipal, em São Paulo, durante ato contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Após a primeira confusão próxima ao teatro, o grupo subiu em direção à avenida Paulista pela rua Augusta, onde aconteceram outros atos de vandalismo. A situação na região continua tensa. Segundo o perfil da Polícia Militar no Twitter, foram 128 detidos – 108 pelo Batalhão de Choque e 20 pelo policiamento da área – e serão encaminhados para o 78° DP.

A rua Augusta está fechada pela PM nos dois sentidos na altura do número 440 e são usadas viaturas e até um helicóptero para acompanhar a movimentação. Até o momento, mais de 60 detidos foram encaminhados para a delegacia. Os policiais estão sem identificação.

Na Augusta, um grupo de Black Blocs depredou um ônibus, uma concessionária da Fiat, três agências bancárias e uma viatura da Guarda Civil Municipal.

Segundo a Polícia Militar, os manifestantes queimaram um Fusca na rua Consolação. Ainda na Augusta, clientes de alguns bares se irritaram com a situação, atiraram garrafas contra os manifestantes em um novo princípio de confusão.

Para tentar terminar com o confronto, o Batalhão do Choque da PM desceu a rua Augusta e os vândalos jogaram rojões contra os policiais.

O primeiro momento de tensão aconteceu na rua Barão de Itapetininga, na região central de São Paulo. Apesar do tumulto, a polícia preferiu não usar bombas de efeito moral e a confusão foi esvaziada pouco tempo depois.

Segundo a Polícia Militar, via Twitter, houve depredação na via e Black Blocs arremessaram bolas de gude e dois coquetéis molotov contra policiais militares ao serem impedidos de avançarem por uma barreira da tropa do choque. Por volta das 20 horas, eram 1,5 mil manifestantes.

Início

A manifestação começou na avenida Paulista, onde os participantes fecharam os dois sentidos da via. Segundo a Polícia Militar, eram mil protestantes. Por volta das 18h30, o grupo tomou a avenida Brigadeiro Luís Antônio, na direção do centro de São Paulo, liberando a Paulista.

Assustados com a movimentação, os comerciantes da Brigadeiro Luís Antônio baixaram as portas mais cedo, mas nenhum conflito foi registrado.

Por volta das 17 horas, um grupo de Black Blocs ocupou a via e fechou a pista no sentido Consolação. Cerca de 50 minutos depois, a própria polícia tomou a iniciativa de fechar o sentido Paraíso e deixar os manifestantes tomarem a Paulista inteira na região do Masp.

Às 18 horas, o grupo de manifestantes começou a caminhar pela avenida no sentido Paraíso. Segundo a organização do ato, não foi definido um local para o término do protesto.

Os manifestantes entoam gritos como “Não vai ter Copa” e “O Brasil, vamos acordar! Um professor vale mais do que o Neymar”.

Desde à meia-noite de sábado, um grupo de cinco a dez manifestantes montou barracas no vão livre do Masp. O grupo começou a ganhar força no final da manhã.

A manifestação foi organizada pelo Facebook e o evento criado na internet chegou a contabilizar mais de 24 mil confirmações. Durante a madrugada, alguns manifestantes já estavam acampados no local. O grupo se autodenomina “Se não tiver direitos não vai ter Copa”.

O grupo divulgou um manifesta em que critica a realização da Copa do Mundo no Brasil e pede que os recursos públicos sejam direcionados a “um melhor sistema de transporte, moradia e saúde para a população”.

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Multidão espanca Black Bloc na Praça da República

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