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O vídeo da música que está irritando os coxinhas

29 de julho de 2013

Max_Gonzaga01Fernando Brito, via Tijolaço

O compositor e cantor Max Gonzaga (foto) está bombando na internet com a música “Classe média”, despertando a ira dos coxinhas, o nome que pegou para os jovens de classe média que reproduzem o discurso superficial e de direita da mídia.

Max, coitado, está sendo acusado de fazer a música para zombar das manifestações do mês passado, mas ele a gravou há oito anos, em 2005. Aliás, Max diz cantando, muito mais simples e bem-humorado, o que a Marilena Chauí falou, provocando tanta polêmica.

Se alguém quiser o disco do Max, a propaganda é grátis, basta clicar aqui e ele combina um jeito de entregar.

Em tempo: a classe média é e pode ser diferente. Foi dela que saíram Chico Buarque, Caetano, Gil e uma geração de artistas e intelectuais geniais, como anos antes tinham surgido Vinícius, Graciliano, Jorge Amado e tantos outros. Mas é preciso, para isso, apenas um detalhe: não ter o umbigo no centro do Universo e lembrar que o povo é a terra de onde o intelecto se alimenta para brotar e poder florir.

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Anti-Thatcher: A BBC não sabe o que fazer com a música mais vendida da Inglaterra

14 de abril de 2013
Margareth_Thatcher11_Musica

Alegria, alegria…

Ativistas anti-Thatcher levaram a música A bruxa morreu ao primeiro lugar e a BBC sofre pressão para não tocá-la na tradicional parada de domingo.

Paulo Nogueira em seu Diário do Centro do Mundo

Liberdade de expressão é uma coisa realmente complicada: é mais fácil falar dela do que praticá-la. Um episódio mostra isso exatamente neste momento no país que supostamente é o berço da liberdade de expressão.

No meio de uma controvérsia que se espalhou toda a mídia britânica, está a venerada BBC. O que aconteceu: ativistas deflagraram uma campanha para comprar uma música anti-Thatcher para levá-la ao topo das paradas. A música é do Mágico de Oz e se chama “Ding dong, the witch is dead!” (Dim dom, a bruxa morreu!).

Objetivo alcançado.

Neste momento em que escrevo, é a número 1 na Inglaterra. E é aí que entra a BBC com seu excruciante dilema. Tradicionalmente, aos domingos, a principal rádio da BBC, a 1, toca as músicas mais vendidas, a conhecida parada de sucessos.

A questão que se ergueu barulhentamente: a BBC deveria tocar o hino anti-Thatcher, a três dias de seu funeral? Os comentaristas conservadores da mídia saíram gritando que não. Que isso seria desrespeito com uma pessoa que sequer foi enterrada.

Mas um momento: isso é censura ou não?

É o entendimento da chamada voz rouca das ruas. Numa enquete no Guardian, quase 90% das pessoas disseram que sim, a rádio tinha que tocar a canção.

E a BBC, que fez?

Encontrou uma solução que foi a seguinte: subiu no muro. Não vai censurar a música, ao contrário do clamor conservador. Mas tampouco vai tocá-la inteira: decidiu dar, na parada de domingo, um fragmento de 4 ou 5 segundos.

O que parece claro, passados alguns dias da morte de Thatcher, é que a elite política e jornalística inglesa não tinha a menor ideia de quanto a Dama de Ferro era detestada. É uma demonstração espetacular de miopia e de desconexão com as pessoas.

A Inglaterra vive hoje não apenas uma crise econômica que não cede há anos, mas uma situação dramática de desigualdade que levou aos célebres riots – quebra-quebras — de Londres há pouco mais de um ano. Qual a origem da crise e da desigualdade?

Thatcher, é claro.

O real legado de um governante se vê depois que ele se foi. As desregulamentações, as privatizações e os cortes em gastos sociais de Thatcher, passados 30 anos, resultaram num país em que as pessoas têm um padrão de vida inferior ao que tiveram.

Como imaginar que as pessoas ficariam tristes com sua morte?

 

Músicas de Chico Buarque ajudam a estudar o período da ditadura

15 de setembro de 2012

As canções de Chico Buarque podem ajudar os estudantes a compreender o período da ditadura militar no Brasil.

Via Portal Terra

Neste ano, faz quatro décadas do lançamento do disco Construção, de Chico Buarque. Em meio a um dos períodos mais duros do regime militar, o álbum ficou famoso por consolidar a posição crítica do compositor, seja com músicas claramente referentes à repressão daqueles anos, como Cordão, ou outras com associações mais implícitas, como Cotidiano.

Segundo o professor de Literatura da unidade Tamandaré do Anglo, Fernando Marcílio, antes deste quinto disco, o autor já vinha manifestando suas preferências políticas e incomodando a censura. “O mais importante é destacar que as canções de Chico vão além da questão da ditadura. Mesmo aquelas letras que se referem explicitamente ao regime militar”, diz o mestre em Teoria Literária, cuja dissertação analisou a obra do artista.

Nessa linha, as letras daquela época podem ser facilmente transpostas para a atualidade. “Elas captam o essencial da ditadura, a repressão, e devem ser usadas para compreender não só aquele episódio, mas as relações humanas. Eu posso ser opressor com minha esposa, seu chefe pode ser com você, assim como muitas pessoas o são com os homossexuais”, cita. Para o professor, Chico Buarque não deve ser reduzido à imagem de “cantor da ditadura”. “Já ouvi dizer que, se não fosse a ditadura, Chico não teria inspiração, que teria sido bom para ele. Longe disso, a censura o impediu de trabalhar muitas vezes”, comenta.

Mesmo ainda atuais, as músicas e peças de teatro do autor carioca podem ajudar estudantes a entender melhor o que significou o período que sucedeu o golpe de 64. A seguir, conheça mais sobre o contexto de dez obras de Chico Buarque.

Apesar de você

Para o professor, a mais evidentemente canção de Chico Buarque referente à ditadura é Apesar de você. Lançada inicialmente em 1970, em um compacto, foi censurada logo depois. Entendida inicialmente como uma canção de amor, como se um dos amantes tivesse abandonado o outro (“Apesar de você / Amanhã a de ser outro dia”), na realidade, a letra falava da ideia de um novo amanhã, que superasse os dias escuros da ditadura (“A minha gente hoje anda / Falando de lado / E olhando pro chão, viu / Você que inventou esse estado / E inventou de inventar / Toda a escuridão”).

A música marca o momento em que a censura começa a ficar mais atenta à obra de Chico. “Esta letra tem uma dimensão utópica, sentimento que aparece em outras canções do autor”, explica o professor. Em 1978, no álbum Chico Buarque, a música, já liberada, foi lançada outra vez. “Chico a relançou meio a contragosto. Estava preocupado que fosse passada a imagem de que estava tudo bem, o que não era verdade. Além de não fazer mais sentido lançar uma música fora do contexto em que foi escrita”, observa.

Cálice

Mais uma música censurada. Mas, diferentemente de Apesar de você, Cálice foi proibida antes de ser lançada. Composta em 1973, ao ser submetida à censura federal, pela qual deviam passar todas as letras, livros e textos e montagens de teatro, foi barrada e só pode ser divulgada em 1978, também no álbum Chico Buarque. “Gilberto Gil teve a ideia de usar a passagem bíblica, mas foi Chico quem percebeu que a sonoridade que se igualava à expressão ‘cale-se’, uma referência clara à censura da época”, conta Marcílio.

O fato de submeter toda produção artística à censura representava, no caso das obras barradas, um investimento jogado fora, especialmente para peças de teatro, que tinham que apresentar suas montagens completas a um homem do governo.

Construção e Cotidiano

Essas duas canções fazem parte do álbum Construção, de 1971, e suas letras tem referências menos diretas à ditadura militar. A primeira conta a história de um trabalhador da construção civil que morre no local onde trabalhava. “A situação desse trabalhador é de angústia, ele é oprimido pela ditadura econômica, que também assolava o país na época”, explica o professor.

Na segunda, diz Marcílio, “a letra descreve o dia a dia de um casal, em uma referência implícita à repressão do governo, à medida que mostra um cotidiano opressivo”.

Cordão e Quando o Carnaval chegar

Cordão é uma canção do disco Construção com referência clara à ditadura, especialmente em versos como “Ninguém vai me segurar / Ninguém há de me fechar”. Assim como Apesar de você, tem o caráter otimista de um futuro melhor. “Nesta música, Chico prega a resistência, por intermédio da união, do ‘imenso cordão’ que ele cita na letra”, observa o professor. O mesmo anseio por dias melhores aparece em Quando o Carnaval chegar, música trilha do filme homônimo em que Chico atua. “Aqui também há referência a esse dia de amanhã, um dia em que a liberdade seria restaurada e triunfaria”, diz o professor.

Deus lhe pague

Em Deus lhe Pague, também do álbum Construção, Chico se vale da ironia para criticar a situação repressiva em que os brasileiros viviam durante o regime militar. É como se ele agradecesse ao governo por permitir ao cidadão realizar atos básicos, como respirar. “Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir / A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir / Por me deixar respirar, por me deixar existir / Deus lhe pague” são alguns dos versos.

O heteronômio Julinho de Adelaide

Já conhecido da censura, Chico Buarque tinha suas músicas proibidas só por levarem sua assinatura. Para driblar isso, ele criou um personagem, Julinho Adelaide, que assinou três músicas suas. Em Acorda amor, um sujeito acorda no meio da noite e pede para sua mulher chamar o ladrão porque a polícia tinha chegado. “Ele inverte a situação, porque o perigo naquela época era a polícia entrar em sua casa e lhe prender”, explica o professor de Literatura, também historiador. Trata-se de mais uma manifestação da ditadura, a perseguição policial.

Em Jorge Maravilha, há referência a situações que, segundo o professor, não se sabe se são verdadeiras ou não. Os versos “você não gosta de mim, mas sua filha gosta” teriam origem em uma das vezes em que Chico foi preso e o policial teria pedido autógrafo, dizendo que era para a sua filha. “Tem também a história de que a filha do então presidente Ernesto Geisel teria declarado ser apreciadora de Chico. Não sei dizer se é verdade, acho que a questão é mais simbólica, como quem diz ‘você, governo, não gosta de mim, mas o povo gosta’”, opina.

Calabar: O elogio da traição

Esta peça de teatro de autoria de Chico e Ruy Guerra foi proibida pela censura. O título cita um personagem histórico que existiu durante o Brasil Imperial e que ficou tachado como traidor por ter se oposto à coroa portuguesa. “O personagem nem aparece na peça, que acaba girando em torno de opções ideológicas e discutindo o que é ser patriota por meio do questionamento desta traição. Calabar só poderia ser considerado traidor sob o ponto de vista de Portugal, que era, por sua vez, um invasor. Ou seja, trair um invasor não seria um problema, assim como trair um governo que é opressor”, compara o professor.

Na época, os jornais não podiam nem noticiar a censura da peça. As músicas da trilha liberadas foram lançadas em um álbum chamado Chico canta. Era pra ser Chico canta Calabar, mas o nome do personagem histórico também havia sido proibido.


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