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São Paulo: Protesto contra a Copa tem mais policiais que manifestantes

14 de março de 2014
Copa2014_16

#VaiTerCopa: Número de coxinhas foi inferior ao de policiais.

Cristiane Agostine e Letícia Casado, via Valor Econômico

“A ditadura militar ainda não acabou. A polícia está aí para nos lembrar disso”. O estudante universitário Felipe Chagas, de 20 anos, foi abordado na quinta-feira, dia 13, pela Polícia Militar, na saída de uma estação de Metrô, antes mesmo de chegar ao terceiro protesto contra a Copa do Mundo, realizado no Largo da Batata, zona oeste da capital paulista. A presença da PM, ostensiva, fez com que houvesse um policial para cada manifestante. “Existe um sentimento alarmista de que a ditadura vai voltar, de que se as pessoas forem às ruas vai ter golpe. Mas não vai”, afirmou o estudante de letras da USP.

Cinquenta anos depois do discurso histórico do então presidente João Goulart na Central do Brasil, que antecedeu o golpe militar, a defesa de mais democracia e de mais investimentos sociais, em transporte, saúde e educação – e menos recursos para estádios – uniu estudantes, movimentos sociais, militantes partidários e Black Blocs. Embora com bandeiras diferentes, manifestantes também se uniram nas críticas à repressão e à ação da polícia.

Segundo o tenente coronel Eduardo Almeida, 1,7 mil policiais foram escalados para garantir a “ordem” e a preservação do “patrimônio público e privado” e acompanhar os cerca de 1,5 mil manifestantes, segundo a PM. No comício de Jango, há 50 anos, foram 2,5 mil homens do Exército para cerca de 100 mil manifestantes.

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12 de março de 2014

Celso_Amorim08

Ministro da Defesa diz que País precisa estar preparado para tudo durante a Copa. Segundo ele, tropas da Força de Contingência poderão ser acionadas em casos de emergência grave.

Paulo Moreira Leite, via IstoÉ

Na divisão de trabalhos para a Copa do Mundo, o ministro da Defesa, Celso Amorim, 72 anos, ficou com a parte mais dura. Coube aos comandantes militares, que lhe devem obediência, selecionar, treinar e organizar as tropas da Força de Contingência, que ficarão de prontidão nos Estados, para serem acionadas em casos de emergência grave – se assim entender a presidenta Dilma Rousseff. Chanceler em dois governos – Itamar Franco e Luiz Inácio Lula da Silva –, ministro da Defesa desde agosto de 2011, Amorim espera o melhor em termos de segurança, mas prepara-se para o pior, num cenário que, além de protestos previstos, inclui possíveis atos de terrorismo. Amorim recorda que o Brasil não é alvo, mas, segundo ele, “é preciso tomar precauções” num trabalho que envolve essencialmente segurança eletrônica.

Um dos principais incentivadores da criação de um Centro de Defesa Cibernética, lançado por Dilma em 2012, um ano antes da descoberta dos grampos eletrônicos da National Security Agency (NSA), Amorim gera polêmica, recebe críticas e exibe uma conhecida capacidade de enxergar um pouco mais longe. Cinéfilo aplicado, Amorim era presidente da Embrafilme quando a empresa patrocinou “Pra Frente Brasil”, filme pioneiro na denúncia da tortura sob o regime militar. Em 2010, Amorim acompanhou Lula no esforço para um acordo nuclear com o Irã, ensaio para negociação posterior, com a participação de Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra.

IstoÉ – Como o Ministério da Defesa vai atuar na Copa?
Celso Amorim – Estamos trabalhando sob a coordenação da Casa Civil, num grande entendimento com o Ministério da Justiça e, naturalmente, também com as secretarias estaduais de Segurança Pública. O princípio é que todos têm que saber de tudo. A Defesa tem dois papéis. Um, mais específico, é a defesa do espaço aéreo e, quando for o caso, defesa da área marítima. Isso inclui o antiterrorismo. Teremos também uma Força de Contingência, que pode ser acionada em caso de necessidade.

IstoÉ – Quem vai decidir quando essa Força pode ser necessária?
Celso Amorim – A Presidência, a partir de um pedido do governador do Estado, que será assessorado por um grupo reunindo a segurança estadual, o Ministério da Justiça e da Defesa, representada pelo comandante militar da área. Esse grupo vai avaliar se em determinado lugar a situação ficou difícil, por um motivo ou outro, explicando que isso pode exigir a mobilização da Força de Contingência. Mas quem dá a palavra final é a presidenta.

IstoÉ – Como será a atuação dessa tropa?
Celso Amorim – Podemos imaginar uma atuação semelhante a que ocorreu durante a visita do papa. Ocorreu ali uma situação típica. Devido à mudança de Guaratiba para Copacabana, foi preciso delimitar a área que empregaríamos a Força. Havia um certo nível de esgotamento da polícia também.

IstoÉ – O governo espera alguma ameaça terrorista?
Celso Amorim – Não esperamos. O Brasil não é um alvo do terrorismo. Mas temos que pensar no pior e tomar precauções em relação a isso. Grande parte desse trabalho envolve segurança eletrônica.

IstoÉ – A compra de caças suecos e a construção de um cabo submarino que vem da Europa sem passar pelos Estados Unidos mostram um afastamento da influência norte-americana?
Celso Amorim – É melhor deixar cada um com sua conclusão. Eu acho que a comunicação direta permitida pelo novo cabo submarino oferece mais segurança do que se você tiver de passar por um outro País, seja ele qual for. A questão da espionagem despertou preocupação não só no Brasil, mas também na Alemanha, e é objeto de discussão na Europa. Mesmo falando de países amigos, próximos dos EUA, é uma coisa obviamente preocupante. Não vou entrar na parte diplomática, não é comigo, mas há duas questões importantes. Uma é a proteção da privacidade, que é importantíssima, e foi objeto de uma resolução das Nações Unidas. Brasil e Alemanha capitanearam esse esforço, o Itamaraty está conduzindo e nós acompanhamos, porque nos interessa.

IstoÉ – Como um País como o Brasil se defende nesta nova situação?
Celso Amorim – Primeiro a gente tem de entender que o passo inicial para uma boa defesa é a consciência da vulnerabilidade. Eu acho que fui uma das primeiras autoridades a reconhecer uma vulnerabilidade, o que levou, em 2012, por um decreto da presidenta Dilma Rousseff, à criação do Centro de Defesa Cibernético. Ele tem funcionado para situações especiais, como foi a Rio+20 e a Copa das Confederações. É preciso fazer justiça a meus antecessores, porém. A criação do centro estava prevista desde 2008. Em 2010, ele foi estabelecido de maneira informal.

IstoÉ – Como o centro opera?
Celso Amorim – O centro protege o País. Temos muitos ataques de hackers. Parecem hackers privados, mas, hoje em dia, nunca se sabe. Até os privados podem estar sendo usados por alguém. Também podem ocorrer ataques massivos e ações organizadas de espionagem. Temos consciência de que a Defesa nunca terá, sozinha, capacidade para proteger tudo no Brasil. Cada órgão importante precisa fazer sua parte. A Petrobras tem de ter sua defesa, Itaipu também. Nossa missão primordial, na Defesa, é defender os próprios instrumentos de defesa, os programas estratégicos da área militar. A primeira função é proteger a si própria. Não se pode permitir, como aconteceu naquele conflito entre Egito e Israel, que os aviões sejam destruídos antes de sair do solo.

IstoÉ – Quem deve fornecer os equipamentos para isso?
Celso Amorim – Temos consciência que temos que fazer isso, na medida do possível, com instrumentos nacionais. Claro que a gente não tem capacidade de produzir tudo. Mas, quando se trata de um software importado, é importante que o código seja aberto, para que possa ser modificado. Se não, estamos entregues, totalmente entregues.

IstoÉ – O País tem conseguido avançar?
Celso Amorim – Os softwares usados na Rio+20 foram desenvolvidos no Brasil, por empresas brasileiras. Temos projeto junto com a Finep para desenvolver empresas nesse setor, isso também envolve desenvolvimento do conjunto do governo. Você tem empresas brasileiras que querem começar, mas, se elas não tiverem escala de produção, não vão competir e serão compradas por empresas estrangeiras. Então temos que criar a escala. Não sei se as Forças Armadas sozinhas são suficientes para criar essa escala. É preciso que essa consciência seja difundida. O conjunto do governo cria escala. Sem ela, uma empresa de ponta pode ser comprada por uma empresa estrangeira só para ser fechada.

IstoÉ – Algum caso para ser mencionado?
Celso Amorim – Tivemos uma empresa ligada à Petrobras, à Petroflex, que produzia um tipo de combustível fundamental, um propelente para nosso lançador de satélite. A empresa foi comprada por uma concorrente alemã, que transferiu a produção para a Alemanha e, quando fomos tentar comprar o propelente, não podia ser adquirido porque estava em uma lista de produtos proibidos.

IstoÉ – O Brasil vai ser vigiado por um Grande Irmão, como no romance 1984?
Celso Amorim – Não. Não queremos isso.

IstoÉ – Como o senhor analisa o movimento pelo lançamento da candidatura do general Heleno a presidente?
Celso Amorim – O general Heleno é um militar da reserva. É um civil, portanto, nessa condição, tem todo direito de ser candidato. O general foi um excelente comandante da Minustah, a tropa que atua sob comando brasileiro no Haiti. Caberá a outros julgar o que ele está fazendo agora. É claro que essas figuras são importantes, mas os partidos políticos também são fundamentais para consolidar a democracia.

IstoÉ – Por que tantos estudiosos dizem que a democratização não chegou à formação de nossos militares, que têm currículos do tempo da ditadura e da luta contra o comunismo…
Celso Amorim – É preciso distinguir as coisas. Eu mudei bastante o manual ligado à aplicação da garantia da lei da ordem. Mas o vocabulário é militar, com termos empregados para qualquer situação. Continuam a aparecer expressões como “forças oponentes”, por exemplo, mas o sentido é outro. Não se refere a movimentos sociais, nem esses movimentos são vistos como adversários do Estado brasileiro. Isso eu garanto.

IstoÉ – Quais mudanças foram feitas?
Celso Amorim – Por exemplo, foram incluídos currículos sobre direitos humanos em todas as escolas militares, em todos os níveis.

IstoÉ – Há condenações à tortura?
Celso Amorim – Além de nossas leis, ensina-se tudo que as convenções internacionais sobre direitos humanos dizem. O Brasil firmou e ratificou as convenções contra a tortura e isso é estudado. Também estudamos direito internacional humanitário, que é importante para os combates. Eu acho que a gente tem um probleminha ainda na área de currículo de ensino médio. Há uns livros obrigatórios e alguns facultativos, que às vezes envolvem conceitos que não entram nesses aspectos. Mas eu acho que é preciso dar tempo ao tempo.

IstoÉ – O que mudou no pensamento militar?
Celso Amorim – Não estou na cabeça de cada militar. Mas minha impressão geral é que o ponto de vista dominante, hoje, é que eles trabalham de uma forma profissional e querem seguir assim. Não querem tutelar o País. Eu diria que o fato de as honras militares para o presidente João Goulart terem sido prestadas não só em Brasília, mas também no Rio Grande do Sul, faz parte disso.

IstoÉ – Como está a relação com a Comissão da Verdade?
Celso Amorim – Excelente. Todos compreenderam que não se quer investigar o Exército de hoje, mas fatos que ocorreram há 40 anos. Os membros da Comissão já nos agradeceram cooperação.

IstoÉ – O senhor presidia a Embrafilme quando ela produziu Pra Frente Brasil, o primeiro filme a denunciar a tortura no regime militar. Como foi aquilo?
Celso Amorim – Estávamos no governo João Figueiredo e é claro que eu sabia que seria demitido depois de fazer isso. Mas achava que era minha obrigação, até porque o estatuto da Embrafilme dizia que ela deveria zelar pela liberdade de expressão. O filme levou três anos para ficar pronto. Tinha imagens fortes e chocantes, como uma cena em que o Reginaldo Farias ficava no pau de arara. Aquilo saiu na Manchete e foi um escândalo. O filme foi proibido antes da estreia em grande circuito, logo depois de ser exibido e aplaudido no Festival de Gramado. Mas acabou liberado meses depois, num reflexo da luta pela democratização do Brasil. Eu já estava demitido, mas até fiz uma brincadeira na época. Havia uma propaganda de uma máquina de escrever norte-americana que dizia que ela estava “um pouquinho à frente do nosso tempo”. Era como eu me sentia.

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12 de março de 2014

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Por divergência política, células Anonymous rompem com Anonymous Brasil. Divergentes acusam grupo de desfigurar o ideário original ao se aliar a grupos conservadores de “combate à corrupção”.

Via Jornal GGN

Em manifesto publicado segunda-feira, dia 3, o Anonymous Curitiba declarou rompimento com o Anonymous Brasil, comunidade com mais de 1 milhão de seguidores. Entre os principais motivos estaria um suposto desvirtuamento da ideia originária do Anon (diminutivo para Anonymous), que é apartidário, antiliberal, contrário ao sistema representativo e a favor do participativo. Outra questão é que a célula em questão se aliou a grupos conservadores de “combate à corrupção”.

No manifesto, os integrantes da célula curitibana afirma que um “grupo que reproduz notícias da grande mídia não pode ser levado a sério” e que apenas “se reproduz e cospe o senso comum”. Outro fator que pesou no rompimento é que, segundo os integrantes do Anon Curitiba, a página do Anonymous Brasil virou “mais um movimento contra a corrupção”, o que contraria o ideário do grupo, que não luta contra a corrupção partidária ou individual, já que estes problemas estariam atrelados a uma questão sistêmica muito mais profunda do que o senso comum prega, de acordo com o ideário.

“Isso quer dizer que nós não repudiamos a corrupção do poder público? Não, de forma alguma. Só entendemos que “corrupção” é um conceito muito vago, além de ser apenas um reflexo de um problema que é muito maior”, diz a nota do Anonymous Curitiba. Na sequência eles atentam que “Anonymous é a hiperdemocracia, tecnocracia e total liberdade de expressão” e chamam a atenção para o fato de que a página Anon BR não faz nenhum destes debates.

Eles também explicam a relação do Anonymous com o sistema democrático e fazem críticas por conta da página do Anon BR apenas criticar o PT. “Não acreditamos no sistema representativo, então, pouco importa qual partido está no poder, ele não nos representa. É importante deixar claro que apartidarismo não é apenas não militar por partido algum, mas também é não militar contra um partido específico. Logo, podemos desconfiar do apartidarismo de algumas páginas apoiadas pela Anonymous Br4sil”, critica o manifesto.

A nota de repúdio também é assinada pelo Anonymous Fuel Br, que complementa, em sua página do Facebook: “Na verdade, a Fuel teve início como célula justamente em função desse problema. Para quem não sabe ou não se lembra, mais da metade de nossos membros “fundadores” se retirou da Anonymous Brasil (a.k.a. TV Globinho) por entender que aquele espaço era corrompido e realizava um contra-serviço para a Ideia”.

A reportagem da revista Fórum entrou em contato com o Anonymous Brasil, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

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11 de março de 2014

Copa2014_14_Bandeira

Alberto Carlos Almeida, via Valor Econômico

Uma das maiores dificuldades do brasileiro é aceitar o Brasil como ele é: quente, úmido e tropical, dentre outras coisas. O próprio brasileiro não aceita ser brasileiro. Não são todos assim, graças a Deus. É uma minoria, com certeza, mas que tem uma influência desproporcional na mídia e nas redes sociais. Há aqueles que gostariam que o clima no Brasil fosse frio. Recentemente, uma conhecida minha postou no Facebook uma frase de satisfação ao desembarcar em Nova Iorque: “Eba, que bom voltar a sentir frio novamente”. Para muitos, o calor traz para o corpo o suor e para a mente, o subdesenvolvimento. Eles se justificam com as teorias pseudocientíficas que associam o sucesso econômico ao clima temperado. Provavelmente, se acham bem informados, mas nunca leram a prova mais cabal contra essa visão no best-seller mundial de Jared Diamond, “Germes, Armas e Aço”.

Quem não gosta do calor que nos faz brasileiros pode também não gostar do Carnaval. As duas coisas não caminham necessariamente juntas, a não ser pelo fato de que, no Brasil, o Carnaval é mais animado nas cidades onde o clima é mais tropical. Creio que uma das coisas que me impedem de me interessar por desfilar em uma escola de samba em São Paulo é que não faz calor no momento do desfile. Desfile de escola de samba vem necessariamente associado a samba, suor e cerveja. A ausência de um desses elementos prejudica o divertimento.

Tenho sobrinhas na faixa dos 15 anos de idade que nunca passaram o Carnaval no Brasil. Acho lamentável. Se, por acaso, seguissem a carreira política, não considero que seria uma boa coisa sermos governados por elas. Para determinado segmento de nossa elite, o Carnaval não passa de um feriado longo que permite esquiar nos Alpes franceses ou em Vail, nos Estados Unidos. Enquanto eles estão no Hemisfério Norte se divertindo ao descer montanhas cobertas de neve, seu país está nas ruas, pulando, cantando, bebendo e fazendo uma demonstração inquestionável de vitalidade. O Carnaval é a comemoração do nada, não há coisa alguma sendo celebrada, como é no Natal, na Páscoa, na festa de São João, nos aniversários, nos casamentos. O Carnaval não tem propósito algum, é a alegria pela alegria. Para um segmento da elite, porém, há um imenso propósito em aproveitar o período para esquiar, tomar vinho e comer fondue.

Recentemente, muitos brasileiros, lamentavelmente, deram repercussão a um artigo de despedida de uma jornalista portuguesa que morou três anos e meio no Rio. Dentre outras coisas ela escreveu, despedindo-se, disse: “A bênção, São Sebastião do Rio de Janeiro, nunca acabarei de agradecer o dom de ficar tão viva, apesar de toda a morte, toda a violência, todo o abandono”. Os brasileiros que deram repercussão à crônica crítica da portuguesa disseram que gostariam de, como ela, poder ir embora do Brasil e muitos disseram o mesmo do Rio. Eles podem, eu mesmo deixei o Rio e me mudei para São Paulo.

O que é mais patético é dar repercussão a uma crítica de uma portuguesa ao Brasil, como se o Brasil não fosse o grande legado que Portugal tenha dado ao mundo. Como se o cartório, tal como conhecemos, existisse não somente em Portugal e no Brasil. A infeliz jornalista lusa poderia ter passado os três anos e meio que ficou no Brasil – em Curitiba, Blumenau, Joinville ou em qualquer cidade de colonização alemã do Vale do Itajaí catarinense. Aliás, os portugueses jovens que vivem sob a égide da Comunidade Europeia se adaptam com facilidade à colonização alemã. Como diz um amigo inglês, o Banco Central Europeu conseguiu realizar o sonho de Hitler por meios pacíficos. Portugal melhorou graças à integração europeia. Parabéns, nós, brasileiros, torcemos por Portugal. O Brasil melhorou e melhora sem a eventual muleta que países vizinhos poderiam nos proporcionar. É isso que os brasileiros deveriam reconhecer, antes de pensarem em repercutir críticas portuguesas (sem trocadilhos) a nós.

Rejeitar o clima tropical, o Carnaval, nossas origens ibéricas, nossa cor predominantemente parda, os inúmeros elementos que formam nossa identidade não nos confere vantagem comparativa alguma sobre outras nacionalidades. Pelo contrário, a vantagem está em reconhecer e saber aproveitar a diferença. Não se trata, jamais, de ser patriota ou nacionalista – aliás, esse é um traço formidável de nossa identidade: não somos nem uma coisa nem outra. Ainda bem. Conhecemos detalhadamente, por meio dos livros, as atrocidades perpetradas pelos atualmente civilizados europeus em nome tanto do nacionalismo quanto do patriotismo. Está aí um mal que nunca se abateu nem se abaterá sobre quem vive em clima tropical. Dizia um amigo meu que é impossível ser fascista no calor do Nordeste. Faz sentido.

Há atualmente o senso comum de que nossos políticos não nos representam, que têm uma vida inteiramente diferente da vida da maioria da população. Os críticos afirmam que os serviços públicos são de péssima qualidade justamente porque os políticos não precisam utilizá-los. Eles não andam de ônibus, não utilizam o SUS e seus carros são blindados. Uma elite que prefere o frio do inverno nova-iorquino ao calor do verão brasileiro, que esquia durante o Carnaval e que apoia críticas lusas ao Brasil também não nos representa. Há uma parte de nossa elite que não gosta de futebol, nunca pulou Carnaval ou passou férias em uma praia nordestina. Não sabem o que estão perdendo. Perde também o Brasil.

Nossa incapacidade de aproveitar a Copa do Mundo tem a ver com isso. Tem a ver com a enorme dificuldade que temos em aceitar que somos brasileiros. É muito simples argumentar pragmaticamente em favor da Copa do Mundo no Brasil. Em primeiro lugar, se toda a energia e todos os recursos investidos na Copa tivessem sido direcionados, por exemplo, para a saúde pública, isso não teria melhorado um milímetro sequer o atendimento à população. Tecnicamente, sabe-se que, para melhorar áreas como saúde, transporte e segurança, são necessários muito mais recursos do que os direcionados para a Copa. Feita a ressalva, poderíamos elencar dezenas de motivos para aceitarmos a Copa, defendê-la e fazer o nosso melhor para que ela seja um sucesso retumbante. Afinal, é muito rara a chance de sediar um evento como esse, e os benefícios de longo prazo para a imagem do país e para o fluxo de turistas estão devidamente comprovados.

Como não nos aceitamos como brasileiros, não estamos tirando proveito disso. É lamentável. Quanto mais brasileiro alguém é, mais essa pessoa é otimista em relação à Copa. Uma proxy de ser brasileiro é gostar de futebol. Quanto mais uma pessoa gosta de futebol, mais brasileira ela é. Faço aqui a ressalva importante de que ser tipicamente brasileiro não exige que se goste de futebol, mas que ajuda, ajuda.

O Instituto Análise dividiu os brasileiros em três grupos quando se trata de gostar de futebol: os apaixonados, os que gostam e os indiferentes. São apaixonados por futebol aqueles que: conversam ou fazem brincadeiras sobre futebol com parentes e amigos, torcem para um time de futebol, torcem para a seleção brasileira, assistem a jogos da seleção durante a Copa do Mundo e veem notícias sobre futebol. Nada menos do que 51% fazem essas cinco coisas. Os que apenas gostam de futebol fazem três ou quatro dessas cinco coisas – são 22% do Brasil. E os que fazem duas, uma ou nenhuma dessas cinco coisas são 27% dos brasileiros.

Pois bem, quanto mais alguém gosta de futebol, mais essa pessoa apoia a Copa do Mundo e a valoriza. Podemos dizer que, quanto mais brasileiro alguém é, mais apoia a Copa. Em primeiro lugar, quanto mais apaixonada por futebol uma pessoa é, mais a Copa no Brasil aumenta o orgulho de ser brasileiro: isso ocorre para 76% dos apaixonados, 71% dos que gostam de futebol e somente para 51% dos indiferentes. Além disso, os apaixonados por futebol, em sua maioria, 61%, consideram que a Copa do Mundo é boa porque traz investimentos e gera empregos. Essa proporção despenca para 37% quando a pessoa é indiferente ao futebol.

Há muita coisa ruim e que precisa melhorar no Brasil. Mas isso não nos faz piores do que nenhum outro país. A história nos ensina que todos os países desenvolvidos – todos, sem exceção – passaram por problemas muito parecidos aos que vivemos hoje. Há estágios de desenvolvimento. O Brasil está em um estágio menos avançado. Nosso PIB per capita é bem menor do que o dos países desenvolvidos. Estamos melhorando, fizemos isso durante todo o século 20. O Brasil foi um dos países que mais cresceram no século passado, e não estamos fazendo feio neste início de século 21.

Não adianta ter pressa, não adianta ficarmos a todo momento nos comparando com Estados Unidos ou Alemanha. É possível alcançar o estágio de desenvolvimento de ambos, mas isso leva tempo e, portanto, exige paciência. No mais, o Carnaval passou e agora vem a Copa. Não vai demorar muito para que ela comece. Para aproveitá-la não é preciso esperar.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo, é diretor do Instituto Análise e autor de A cabeça do brasileiro.

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A “Copa do Medo”, o falsificador e o terrorismo dos brucutus atucanados

4 de março de 2014
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Geraldo Alckmin e o falsificador Luiz Surianni.

Fernando Brito, via Tijolaço

Alertado pelo Diário do Centro do Mundo, fui ler no UOL a história da falsificação da reportagem da France Football sobre a “Copa do Medo” no Brasil.

“O jornalista francês Éric Frosio, de 36 anos, se surpreendeu ao saber que uma reportagem que havia escrito sobre a Copa do Mundo no Brasil para a publicação francesa France Football estava sendo compartilhada por centenas de milhares de brasileiros na internet. Não demorou muito, porém, para Frosio se decepcionar ao notar que o texto que estava sendo compartilhado não tinha nada a ver com aquele que ele tinha produzido.

Uma falsa versão do texto, que cita frases atribuídas de forma errada à revista francesa e que, supostamente, mostram problemas do Brasil, teve mais de 200 mil compartilhamentos no Facebook. “Fiquei surpreso e chateado. Usaram a credibilidade da revista para passar ideias erradas, coisas que não escrevemos”, disse Frosio ao UOL Esporte. “Acredito que tenham feito isso com o objetivo de atacar as políticas da presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição.”

E foi mesmo, Éric.

O autor da falsificação foi um cidadão chamado Luiz Surianni, que se identifica como jornalista formado em Harvard e presidente de várias entidades, dentre elas uma Federação de Centros Espíritas e de Candomblé.

Surianni, um coxinha tardio, é só um exemplo da picaretagem que está tomando conta da rede – patrocinada por uma direita sem perspectiva eleitoral – e, pior, da vida brasileira.

Não passa de um imbecil fanático, espumando ódio e fazendo das suas na periferia das rodas tucanas, que adoram um brucutu sem ética como ele. Uma rápida pesquisa mostra que o cidadão diz dirigir uma “fundação” que leva seu nome para captar dinheiro “para crianças com câncer, uma empresa de lobby, uma “Imprensa Press Brasil” e outras instituições imaginárias.

O melhor da história toda é que o francês Éric faz uma observação muito interessante, que merece nossa reflexão.

“Com relação à percepção que os estrangeiros têm do Brasil, o jornalista acredita que a violência seja o assunto mais lembrado. “Nas outras Copas que cobri, na Alemanha, na França, a gente fica com a ideia de que é só diversão, futebol e alegria. Aqui também vai ter isso, mas a violência estará presente”, afirma o repórter. “Essa é a primeira pergunta que me fazem sobre o Brasil: ‘É violento? É perigoso?’ Achava que isso estava mudando. Mas esse ano, principalmente no Rio, parece ter voltado.”

Sim, Éric, está voltando e a origem, se você pensar um pouco, é o “pacto entre anormais” firmado pela mídia, coxinhas, extrema direita e oposição.

Eles precisam do medo a que se refere a revista, porque não tem outra forma de voltar ao poder, senão assustando de todas as formas e sem nenhuma ética, como você mesmo viu com a falsificação de sua matéria, o povo brasileiro.

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