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Minha Casa, Minha Vida é bem mais barato: EUA gastam US$2 bilhões por ano com habitação para sem-tetos

2 de abril de 2014

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Raul Juste Lores

Resumo – Governo norte-americano e ONGs investem grandes somas em programas que dão moradia, em vez de abrigo temporário, a sem-teto. Veteranos de guerra, ex-drogados e doentes mentais recebem apoio para reintegração à vida comum, e país vê queda no número de pessoas em situação de rua, apesar da crise econômica.

Deitado em um banco com encosto na praça Lafayette, em frente à Casa Branca, o porto-riquenho Miguel, 40, não acreditou na proposta feita por uma assistente social. “Oferecemos a você uma casa, ajudamos a pagar o aluguel, a comprar móveis e a cuidar da sua saúde”, ele ouviu em uma madrugada no mês passado, em pleno inverno, em Washington.

Alcoólatra e desempregado, Miguel diz que apesar dos turistas e dos protestos, a vizinhança “é sossegada e segura à noite”.

No dia seguinte, quando a assistente social voltou, Miguel não estava lá. “Pode ser medo da polícia, de não querer ir para um albergue. Às vezes levamos seis meses para ganhar a confiança dos nossos clientes”, diz Hannah Zollman, acostumada a procurar os sem-teto embaixo de pontes, em bancos ou em pontos turísticos da capital norte-americana.

Ela tabula a localização dos sem-teto, identifica lideranças entre eles, usa perguntas “motivacionais” ensaiadas para quebrar a resistência e leva roupas, cobertores e sopa quente para iniciar a aproximação. E, de fato, oferece moradia permanente.

Sua promessa não era exagerada. De ONGs ao governo federal norte-americano, a política hoje dominante para atender os sem-teto é a chamada housing first (primeiro, casa). Desde 2010, o Departamento de Habitação do governo norte-americano tem investido US$2 bilhões (cerca de R$4,7 bi) por ano para patrocinar vouchers para pagamento de aluguel e programas de “habitação social de apoio permanente” organizados por centenas de ONGs pelo país.

Há 300 mil pessoas atualmente vivendo com vouchers do governo e com assistência social – eles são quase a metade dos 615 mil norte-americanos em situação vulnerável de perder o teto.

“Os albergues para os sem-teto acabam perpetuando o problema. Sem-teto precisa de casa em primeiro lugar. De casa financiada pelo governo e assistência social e médica”, defende o psicólogo nova-iorquino Sam Tsemberis, que fundou há 20 anos a ONG Pathways e é considerado o pioneiro do housing first.

“É muito difícil alguém com um problema de saúde mental ou com um vício recuperar a sua vida em um albergue lotado, sem privacidade ou estabilidade.”

Vulneráveis

O governo comemora uma queda de 23% no número dos sem-teto no país entre 2007 e 2013, mesmo com a recessão de 2008 e 2009 e a tímida recuperação econômica desde então.

Há vários graus de vulnerabilidade entre os sem-teto, de acordo com o censo realizado no ano passado. Dos 300 mil que recebem os vouchers para pagar seu aluguel, 58 mil são veteranos de guerras que, ao retornar de campanhas militares, têm dificuldades para se readaptar à família, encontrar trabalho ou acabam sofrendo com vícios ou depressão.

Cerca de 215 mil moram em casas ou construções abandonadas, em bancos de praça ou embaixo de pontes. Desses, 100 mil são os chamados casos crônicos, com mais de um ano sem abrigo – é para eles que vai 50% do orçamento para habitação de “pessoas com necessidades especiais” do Departamento de Habitação. Nesse universo dos sem-teto crônicos, 60% são viciados em drogas ou álcool, 30% têm doenças mentais.

Como se aluga um apartamento e se coloca lá sozinho alguém com um histórico de dependência e que perdeu já há algum tempo o costume das regras e limites da vida em condomínio? “É um risco, com certeza, mas é preciso paciência. A alternativa é sempre pior”, diz Christy Respress, que dirige a Pathways em Washington. O caminho da rua para o teto permanente não é simples.

Ellery Lampkin, 42, foi despejado duas vezes – atraso no aluguel é a reclamação mais comum –, e a organização Pathways Washington (de cem funcionários, entre eles cinco enfermeiros, um psiquiatra e seis ex-sem-teto) continuou a apoiá-lo.

Lampkin foi parar nas ruas da cidade logo depois de ver a mãe, viciada em crack, ser assassinada com três tiros na cabeça. Ele mesmo foi preso algumas vezes pelo envolvimento com drogas. É bipolar e sofre de transtorno de estresse pós-traumático.

Lampkin dormia diariamente diante da Biblioteca Pública Martin Luther King Jr., obra do arquiteto modernista Ludwig Mies van der Rohe na capital norte-americana – sua marquise sobre a calçada sem grades até hoje serve de abrigo para vários sem-teto.

A última década de vida do rapaz teve acompanhamento da Pathways. Ele não consome cocaína desde 2006 e vai regularmente à sede da organização dar depoimentos de sua transformação – tanto para possíveis doadores e voluntários como para pessoas que, como ele, foram encontradas na rua por assistentes sociais.

Corpulento, com jaqueta de couro e calça jeans, ele lembra que por cinco anos teve um “gerente” para seu caso. Lampkin recebia visitas semanais de psiquiatra, tratamento de desintoxicação e apoio moral. “Mas meu apartamento é meu escudo”, sublinha.

Sua saída da rua teve direito a uma semana em hotel pago e a busca por seus documentos até a organização alugar seu primeiro apartamento. Vários sem-teto têm direito a seguro do governo por invalidez (US$700 mensais) ou seguro-desemprego, mas sua situação impede que conheçam bem seus direitos. O contrato prevê que 30% da renda que obtêm seja para pagar o aluguel.

ONGs e prefeituras norte-americanas têm feito uma ofensiva atrás de proprietários de imóveis com “alguma consciência social”, segundo Respress, para conseguir contratos mais generosos ou paciência inicial com inquilinos desacostumados a regras de condomínios.

“Muitos sem-teto perderam todo e qualquer contato com seus parentes, com seus amigos, com seus filhos, não têm em quem se apoiar. É um processo até recuperarem o seu círculo”, diz Respress.

Segundo dados do governo norte-americano, após um ano de instalação, 83% das pessoas alojadas no housing first continuavam no primeiro imóvel alugado.

Na prática, isso exige um curso intensivo de como voltar à vida comum. Na sede da organização, fotos nas paredes mostram pratos de comida saudável e sugerem “como reduzir seu peso”. Há cartazes com listas de regras de boa convivência para os recém-chegados, “compromisso para comportamento seguro”.

Serviços de apoio também foram criados – para os veteranos militares, há uma linha telefônica de emergência para aconselhamento e ajuda em momentos de depressão ou risco de despejo, nos moldes do CVV.

Custos

O secretário-assistente do Departamento de Habitação, Mark Johnston, confirma que o housing first, visto como “ideia radical” nos anos 80, virou política mainstream em seu ministério.

Johnston diz que albergues são necessários como “primeiros socorros”, mas que os sem-teto crônicos precisam de atenção especial. Questionado sobre os altos custos de seus programas – aluguel e atenção social custam até US$18 mil (R$42,3 mil) por ano por “cliente”, valor que sobe a US$28 mil (R$64,4 mil) se precisar de acompanhamento psiquiátrico ou de reabilitação para dependentes químicos – Johnston diz que seus programas são investimento.

“Um sem-teto pode custar US$40 mil por ano aos cofres públicos enquanto está na rua. Uma ambulância custa no mínimo US$1 mil, uma noite no setor de emergência de um hospital custa US$1,5 mil. Um dia na cadeia custa US$100. Em um mês, um presidiário custa aos cofres públicos US$3 mil, muito mais caro que o aluguel. E esses são gastos. É mais barato dar casa do que não fazer nada”, diz.

A ideia do housing first começa a ser exportada. A organização Community Solutions, que lançou uma campanha chamada “100 mil lares” e que reúne 230 ONGs pelos EUA, abriu uma divisão internacional e, junto com a Universidade DePaul, de Chicago, vai inaugurar um instituto internacional sobre a condição dos sem-teto.

Paul Howard, diretor da Community Solutions, diz já ter “uma lista enorme do que funciona e do que não na aproximação e no tratamento dos sem-teto”, que pretende “sistematizar e compartilhar com outras ONGs pelo mundo”.

Resultados chegam com a persistência, mas sem milagres.

O porto-riquenho Miguel aceitou ir morar em um dos apartamentos alugados pela Pathways na terceira tentativa das assistentes sociais. Ellery Lampkin ainda faz bicos. Além das palestras motivacionais para quem está na situação em que ele se encontrava há uma década, ele busca um emprego de verdade.

Raul Juste Lores participou do 9º Seminário Internacional de Projeto Urbano da Escola da Cidade, em São Paulo.

Dilma Rousseff: “Casas para ex-moradores de Pinheirinho são resultado de luta das famílias.”

27 de março de 2014
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Dilma assina ordem de serviço para início das obras do Residencial Pinheirinho dos Palmares. Foto de Roberto Stuckert Filho.

Luana Lourenço, via Agência Brasil

Ao assinar na segunda-feira, dia 25, a ordem de serviço que autoriza a construção de 1.461 unidades habitacionais para famílias despejadas da comunidade de Pinheirinho, em 2012, a presidenta Dilma Rousseff disse que as novas residências são resultado da luta dos moradores. “Em 2012, tivemos esse terrível episódio que é um marco na luta de vocês. Mas hoje, apesar de aquele dia estar gravado na memória e no coração de vocês, tenho certeza de que hoje vai estar gravado como o dia em que a luta de vocês chegou ao bom resultado, que está em cada tijolo, em cada telha, no cimento, em cada pedaço da casa de vocês”, disse Dilma, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Os residenciais Pinheirinho dos Palmares 1e 2 farão parte do Programa Minha Casa, Minha Vida e terão, no total, 1,7 mil unidades habitacionais. A desocupação de Pinheirinho pela Polícia Militar e a posterior destruição de todas as casas erguidas no local ocorreu no dia 22 de janeiro de 2012 e atendeu a uma ordem de reintegração de posse da Justiça em benefício da massa falida da empresa Selecta Comércio e Indústria S/A. Cerca de 6 mil pessoas ficaram sem moradia. O caso foi levado à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA) por denúncias de violação de direitos humanos durante a desocupação.

“Na vida, quando a gente luta pelos direitos da gente, mesmo quando os acontecimentos são violentos, e liquidam, como alguém disse aqui, com uma caixinha de lembranças, a dignidade está na postura que a gente tem. E vocês foram capazes de mostrar uma força, de mostrar caráter, de mostrar dignidade diante de umas das maiores violências que podem acontecer com uma família, que é perder o seu lar”, acrescentou. Antes de discursar, Dilma se emocionou ao ouvir representantes de moradores do antigo Pinheirinho.

A presidenta voltou a defender o Minha Casa, Minha Vida e disse que é justo que as moradias do programa sejam financiadas com a arrecadação de impostos. “Essa casa vem do dinheiro arrecadado do povo brasileiro e vem também da luta de vocês. Vocês conquistaram essa casa e tem direito a ela, é uma questão de cidadania e é assim que o povo brasileiro tem que ser tratado.”

As obras autorizadas hoje terão investimentos federais de R$130 milhões, somados a R$34 milhões do governo de São Paulo. A prefeitura de São José dos Campos vai investir R$8,4 milhões em obras de infraestrutura de acesso e saneamento básico do terreno onde as casas serão construídas.

Na mesma segunda-feira, Dilma participa, em Bauru, da entrega de 944 unidades do programa habitacional do governo.

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Minha Casa, Minha Vida: Pinheirinho vai ser Pinheirinho dos Palmares. Ou Pinheirão

17 de janeiro de 2014

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Fernando Brito, via Tijolaço

Demorou, mas saiu: Monica Bergamo, na Folha, publica que está para ser assinado o convênio entre a Prefeitura de São José dos Campos, o governo paulista e o governo federal para a construção de 1.700 casas do programa “Minha Casa, Minha Vida” para os moradores brutalmente expulsos do Pinheirinho, naquela cidade, para que o terreno onde viviam fosse entregue à massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas, por ordem da juíza Márcia Faria Mathey Loureiro.

É o fim de dois anos de impasse, porque a prefeitura não liberava uma área disponível no bairro do Putim, e vai acontecer apenas porque o Minha Casa, Minha Vida recebeu, este ano, um reforço de verbas que o PSDB classificou como “oportunista”.

Porque é a União quem transfere, quase tudo como subsídio, quase 80% (R$129 milhões) dos R$163 milhões de custo total do projeto. O resto vem do Governo do Estado e o custo do terreno, da Prefeitura.

O terreno do Pinheirinho, que você vê aí em cima em foto recente, segue abandonado. Naji Nahas tenta leiloá-lo por mais de 250 milhões, mas tem dificuldades, por conta da falência. A vegetação, que não precisa de liminar, só de abandono, para recuperar seus espaços, cobre o que eram as casas de quase 8 mil pessoas.

O líder dos expulsos diz que a comunidade vai chamar o novo conjunto de “Pinheirinho dos Palmares”, por conta de uma praça no antigo bairro chamada de Zumbi dos Palmares.

Tomara que para todos este novo Pinheirinho seja bem diferente das lembranças de dor que carrega. Que lhes seja um Pinheirão da dignidade.

Dilma ampliará “Minha Casa” para alcançar classe média

31 de dezembro de 2013

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Via Brasil 247

A presidente Dilma Rousseff (PT) planeja ampliar o valor máximo do imóvel financiado (atualmente em R$190 mil) pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, para alcançar a nova classe média. O objetivo agora é facilitar a compra da casa própria por jovens casais, principalmente em regiões metropolitanas.

O programa, que dá desconto na compra de novas moradias, por meio do financiamento pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, já contratou 3,7 milhões de unidades habitacionais, sendo que 1,4 milhão já foram entregues.

A ideia nesta nova etapa do programa, uma das vitrines do governo Lula e também do governo Dilma, é aumentar as faixas de renda dos beneficiários, atualmente entre R$1,6 mil e R$5 mil, o que elevará a presença do programa em grandes cidades do Sul e Sudeste.

Com esta repaginada no “Minha Casa, Minha Vida”, combinada ao programa de ensino técnico – o Pronatec – e ações que têm quase a totalidade da simpatia da maioria da população, como programa “Mais Médicos”, a presidente espera beneficiar outros milhões de brasileiros.

Ao tentar explicar sua farsa, Folha se desmoraliza ainda mais

22 de outubro de 2013

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Eduardo Guimarães, via Blog da Cidadania

No post anterior, relatei fraude grosseira do jornal Folha de S.Paulo em matéria que pretendeu vender ao seu leitorado – composto pela fina flor de um antipetismo de classe alta que hoje se vê atucanado por falta de opções mais à direita – que o governo Dilma estaria entregando unidades residenciais do Programa Minha Casa, Minha Vida, sem água e luz.

A reportagem em questão pertence àquela categoria do jornalismo corporativo terceiro-mundista que, na eleição de 2010, tentou transformar uma bolinha de papel do tamanho de uma bolinha de pingue-pongue – atirada contra o então candidato José Serra em um comício – em um artefato de “um quilo” (segundo invenção do Jornal Nacional, formulada para ajudar o candidato do PSDB, que já caminhava para a derrota).

Exacerbar ou inventar fatos negativos contra o grupo político que comanda o país tornou-se uma verdadeira obsessão para a grande mídia. Com redações cheias de jornalistas recém-formados que praticamente trucidam uns aos outros na ânsia de acariciarem o antipetismo dos patrões, produzem-se micos como a reportagem da Folha supracitada.

A “denúncia”, publicada em destaque no alto da primeira página do jornal no dia 16 de outubro, é confusa. A matéria que a veiculou fez malabarismos para impedir o leitor de entender por que haveria gente vivendo sem água e luz em imóveis recém-entregues pelo governo federal. Assim, em uma matéria de 427 palavras, apenas 30 foram dedicadas ao que diz o título.

Eis o trecho da matéria que tenta “explicar” o título que acusa Dilma de “entregar casas sem água e luz”.

“[…] Beneficiários passam as noites a luz de velas, usam baldes com água trazida de outros locais e contam com ajuda de vizinhos que já têm água ou energia em casa […]”.

O resto do texto contém depoimentos de meia dúzia de pessoas que viviam em barracos e que foram contempladas com casas novinhas, bem construídas e que os novos moradores poderão mobiliar e equipar com eletrodomésticos no âmbito do Minha Casa, Minha vida.

Contudo, alguns dos entrevistados criticaram a matéria da Folha, que teria distorcido suas palavras e transformado seus elogios ao programa em críticas.

Um blog baiano, de um morador da cidade de Vitória da Conquista (BA), onde o governo federal estaria entregando “casas sem água e luz”, noticiou que uma das pessoas entrevistadas pela Folha pretende processar o jornal por distorcer suas palavras sobre o Minha Casa, Minha Vida – que essa pessoa diz que elogiou – e por usar sua imagem sem autorização.

A matéria foi tão escandalosa, a fraude que a Folha praticou foi tão grosseira que, apesar de se negar a reconhecer a natureza desonesta do que publicou, sua ombudsman, Suzana Singer, teve que voltar à questão do antipetismo do jornal em que trabalha.

Os três primeiros parágrafos da crítica de Suzana são mais do que suficientes para explicar a fraude que o dito “maior jornal do país” levou para o alto de sua primeira página:

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“A Folha acusou a presidente Dilma de entregar casas sem água nem luz no interior da Bahia. O jornal mostrou, na quarta-feira, que parte das moradias inauguradas em Vitória da Conquista, no programa Minha Casa Minha Vida, estavam no escuro e a seco. Os moradores usavam velas à noite e enchiam baldes nas casas dos vizinhos.

Bastava ler o “outro lado” para concluir que a acusação não fazia sentido. O Ministério das Cidades explicou que as casas foram entregues com instalações elétricas e hidráulicas e que cabia ao beneficiário do programa pedir a ligação dos serviços às empresas de distribuição do Estado.

Acontece o mesmo com quem compra um imóvel sem ajuda federal: é a pessoa que, depois de receber as chaves, aciona o fornecimento de água, luz, gás, telefone […]”.

***

Parece brincadeira, mas não é. Se você for um milionário e comprar uma cobertura recém-construída nos Jardins paulistanos, por exemplo, terá que esperar tanto quanto os pobretões do conjunto habitacional de Vitória da Conquista, na Bahia, para ter água, luz e telefone ligados.

A matéria é tão grosseiramente falsa que desmonta a si mesma. A ombudsman da Folha diz exatamente isso, mas com outras palavras:

***

“[…] Os casos relatados indicavam que nem havia um problema exagerado de demora na entrega desses serviços. Apenas uma dona de casa esperava a instalação de luz havia oito dias, três a mais que o prazo dado pela companhia elétrica […]”

***

Apesar do que diz a ombudsman, colunistas e blogueiros ligados à grande mídia e ao PSDB, tais como Reinaldo Azevedo, da Veja, e Josias de Souza, da Folha/UOL, entre dezenas de outros, tentaram reforçar a insinuação de que Dilma estaria entregando casas sem ligações de água e luz que pudessem ser acionadas como em qualquer outro imóvel novo.

Não seria necessário o governo rebater a matéria se a Redação da Folha tivesse jornalistas em lugar de bajuladores que se matam entre si para agradar o patrão. O filtro jornalístico, se existisse nesse jornal, deveria ter “derrubado” a matéria, como diz a ombudsman:

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“[…] Diante das explicações dadas pelo governo e pelas concessionárias de serviços estaduais, o jornal deveria ter derrubado a reportagem. Não adianta registrar burocraticamente o ‘outro lado’, como prega o ‘Manual da Redação’, mas insistir numa acusação vazia […]”.

***

Você que vive acusando blogueiros como este que escreve de serem “pagos pelo governo”, note que Suzana Singer, ex-secretária de Redação da Folha, responsável por muitas matérias contra o PT na década passada, reproduz o diagnóstico desta e de outras páginas sobre matéria que a mesma Folha insiste em manter: tratou-se de uma “acusação vazia”.

Sim, você leu bem: a Folha insiste em manter a acusação a Dilma. Cobrada pela ombudsman, a Redação do jornal oferece uma explicação estarrecedora e que, além de má fé, exala burrice. Veja a explicação da Folha, que Suzana relata:

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“[…] A Redação não concorda: ‘a informação de que as casas foram entregues sem água nem luz é relevante por mostrar a pressa com que o governo tem organizado essas inaugurações, por motivos obviamente eleitorais. O objetivo da reportagem era mostrar isso e não culpar a presidente pela falta de água e luz’, diz a editoria Poder […]”.

***

Dissequemos, pois, essa “explicação”.

1. Onde está a “pressa” do governo em inaugurar um dos muitos conjuntos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida que terá para entregar até o ano que vem se a água e a luz de QUALQUER imóvel têm que ser ligadas em nome do morador desse imóvel?

2. Por que o governo entregaria imóveis novos a pessoas paupérrimas ligando antes a água e a luz, gerando contas para os novos moradores pagarem assim que entrassem? Eles teriam que pagar pelo que não consumiram, ora.

3. Por que Dilma teria “pressa” de inaugurar qualquer coisa se estamos a um ano da eleição de 2014 e há uma imensidão de obras – inclusive do Minha Casa, Minha Vida – para inaugurar?

Ao fim, para aqueles que têm cérebro – e honestidade nesse cérebro – a fraude jornalística da Folha mostrou que o programa Minha Casa, Minha Vida é muito bom, pois tudo o que encontraram para criticar nele foi o que jamais poderia ser criticado porque existe em qualquer imóvel que alguém compre ou alugue.

***

Folha publica esclarecimento sobre empreendimento do Minha Casa, Minha Vida

Via Blog do Planalto

Na edição deste domingo (20), a ombudsman do jornal Folha de S.Paulo publicou esclarecimentos a respeito de reportagem sobre o empreendimento residencial do Minha Casa, Minha Vida em Vitória da Conquista (BA). Na matéria, publicada na última quarta-feira (16), o veículo afirmava que as casas seriam entregues pela presidenta Dilma Rousseff sem energia e sem água.

A ombudsman citou o esclarecimento que já havia sido enviado anteriormente pelo Ministério das Cidades, informando que as casas foram entregues com instalações elétricas e hidráulicas e que cabia ao beneficiário do programa solicitar a ligação dos serviços às concessionária de energia e de água no estado.

Confira a íntegra da coluna:

“A Folha acusou a presidente Dilma de entregar casas sem água nem luz no interior da Bahia. O jornal mostrou, na quarta-feira, que parte das moradias inauguradas em Vitória da Conquista, no programa Minha Casa Minha Vida, estavam no escuro e a seco. Os moradores usavam velas à noite e enchiam baldes nas casas dos vizinhos.

Bastava ler o “outro lado” para concluir que a acusação não fazia sentido. O Ministério das Cidades explicou que as casas foram entregues com instalações elétricas e hidráulicas e que cabia ao beneficiário do programa pedir a ligação dos serviços às empresas de distribuição do Estado.

Acontece o mesmo com quem compra um imóvel sem ajuda federal: é a pessoa que, depois de receber as chaves, aciona o fornecimento de água, luz, gás, telefone.

Os casos relatados indicavam que nem havia um problema exagerado de demora na entrega desses serviços. Apenas uma dona de casa esperava a instalação de luz havia oito dias, três a mais que o prazo dado pela companhia elétrica.

Diante das explicações dadas pelo governo e pelas concessionárias de serviços estaduais, o jornal deveria ter derrubado a reportagem. Não adianta registrar burocraticamente o “outro lado”, como prega o “Manual da Redação”, mas insistir numa acusação vazia.

A Redação não concorda. “A informação de que as casas foram entregues sem água nem luz é relevante por mostrar a pressa com que o governo tem organizado essas inaugurações, por motivos obviamente eleitorais. O objetivo da reportagem era mostrar isso e não culpar a presidente pela falta de água e luz”, diz a editoria Poder.

Se era assim, por que o título dizia “Dilma multiplica viagens e entrega casas sem água e luz”? Em plena campanha (alguém duvida que já começou?), é preciso ser mais rigoroso com as denúncias envolvendo qualquer um dos candidatos. Do contrário, o jornal estará apenas fornecendo matéria-prima para os programas eleitorais de 2014.”

Folha distorceu fatos para enganar leitores sobre o Minha Casa Minha Vida

17 de outubro de 2013

Folha_Mente01Lido no SQN

Resposta à matéria publicada na Folha de S.Paulo sobre o Programa Minha Casa Minha Vida

A matéria “Dilma multiplica viagens e entrega casas sem água e luz”, publicada na edição de hoje (16/10) do jornal Folha de S.Paulo, distorceu os fatos para levar o leitor a conclusões que não condizem com a realidade. O programa Minha Casa Minha Vida atende à demanda por moradia da população de baixa renda com toda infraestrutura de água, esgoto e energia elétrica necessária para o conforto das famílias, como aconteceu de fato em Vitória da Conquista (BA).

Como qualquer cidadão que adquire um imóvel novo, o beneficiário do MCMV deve solicitar a ligação do fornecimento de energia e água em cada unidade, de acordo com a sua conveniência. Os imóveis são entregues com as instalações prontas para a concessionária fazer a ligação do serviço. Caso contrário, o beneficiário pagaria pelo fornecimento de água e luz sem estar ocupando o imóvel.

No caso específico do conjunto habitacional de Vitória da Conquista, as instalações também estão prontas e a concessionária já fez as ligações em grande parte das unidades, conforme a própria reportagem da Folha constatou no local. Não há qualquer obstáculo para os beneficiários terem acesso ao serviço de luz, água e esgoto no momento em que ocuparem sua nova casa.

Dessa forma, é má fé atribuir, ao programa Minha Casa Minha Vida, falta de infraestrutura e serviços, como tenta fazer a matéria da Folha de S.Paulo. Presta assim informação inverídica aos seus leitores.

Ministério das Cidades

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Caixa Econômica Federal


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