Posts Tagged ‘Merval Pereira’

Gilmar Dantas: “Fomos atacados por blogs ligados a réus.”

28 de setembro de 2013
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Amizade perigosa: Merval e Gilmar Dantas, como diria Noblat, são amigos íntimos.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, rebateu a crítica do colega Celso de Mello, que acusou a mídia de tentar “subjugar” um juiz. A fala do decano era dirigida especialmente à revista Veja, que ameaçou crucificá-lo caso votasse de maneira distinta de sua linha editorial, e ao O Globo, do colunista Merval Pereira. “Muitos dos ministros ficaram sob um ataque fortíssimo de blogs e de órgãos de mídia que são fortemente vinculados a determinados réus. E nem por isso ninguém tem reclamado”, disse Gilmar

Via Brasil 247

A crítica do decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, a órgãos de mídia que tentaram “subjugar” um juiz, abriu um novo debate no Supremo Tribunal Federal. Desta vez, relacionado à postura de determinados veículos de comunicação. A mensagem do decano tinha endereço certo: a revista Veja, que, dias antes de sua decisão sobre os embargos infringentes, ameaçou crucificá-lo caso o decano votasse de forma contrária aos interesses da Editora Abril (clique aqui).

Na quarta-feira, dia 25, em defesa de Veja, o ministro Gilmar Mendes apresentou uma versão oposta. Segundo ele, quem tentou pressionar os ministros foram blogs ligados a determinados réus. “Muitos dos ministros ficaram sob um ataque fortíssimo de blogs e de órgãos de mídia que são fortemente vinculados a determinados réus. E nem por isso ninguém tem reclamado”, disse ele, sem citar os órgãos de comunicação que teriam ligações com réus – e nem que ligações seriam essas.

Na semana anterior ao voto desempate do decano, Gilmar foi muito criticado porque teria participado de uma suposta chicana, alongando em excesso seu voto, assim como fez seu colega Marco Aurélio Mello. Contaram também com a ajuda do presidente da corte, Joaquim Barbosa, e, com isso, empurraram em uma semana o voto do decano. Assim, houve tempo para que Celso de Mello fosse submetido à pressão midiática – como, de fato, ocorreu, com a capa de Veja que o ameaçava explicitamente.

Apostava-se que o decano seria suscetível à pressão e mudaria seu voto. No entanto, ao iniciá-lo ele afirmou que o adiamento, em vez de pressioná-lo, serviu apenas para “aprofundar” suas convicções já existentes.

Para quem acompanhou o julgamento, parece óbvio que os órgãos de comunicação mais engajados foram a revista Veja e o jornal O Globo, do colunista Merval Pereira, que tentou, em vários momentos, direcionar os votos de alguns ministros. Ao levantar esse debate, Gilmar teve, ao menos um mérito: exaltou a força da própria internet, no debate de ideias, equiparando-a a veículos da chamada “grande imprensa”, que se torna cada vez menor, não apenas em audiência, mas também em influência.

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Merval e Sardenberg vão beber um vinho azedo

20 de setembro de 2013
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Carlos Sardenberg e Merval Pereira estão de luto.

Miguel do Rosário, via O Cafezinho

Os golpistas e suas marionetes togadas fingiram ignorar nossas advertências sobre os erros grotescos da Ação Penal 470.

Quando não puderam mais abafar nossa voz, passaram a nos ridicularizar e agredir. O Globo publicou vários editoriais duramente ofensivos à blogosfera.

Em vez de investigar corporações bilionárias que se consolidaram recebendo ajuda ilegal de governos estrangeiros, apoiando golpes de estado e praticando uma vergonhosa sonegação de impostos, o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes, também preferiu nos agredir.

Há uma frase de Gandhi que venho guardando há tempos para citar em momento oportuno. É chegada a hora: “Primeiro eles te ignoram, depois caçoam de ti, depois tentam te sabotar. E então você ganha”.

O histórico voto de Celso de Mello em favor de um recurso consagrado há séculos na tradição jurídica brasileira não apenas evitou um inconcebível retrocesso dos direitos e liberdades civis; foi sobretudo uma vitória da razão sobre a barbárie.

Uma vitória da democracia contra o golpe.

O Brasil não saiu às ruas no dia 7 de setembro para pedir “prisão dos mensaleiros”.

O Brasil não saiu às ruas nesta quarta-feira para pressionar o STF a negar um último recurso aos réus da Ação Penal 470.

O Brasil tem saído às ruas, aí sim, para acusar a Globo de ter apoiado a ditadura.

O Brasil tem saído às ruas para dizer, em alto e bom som, que o maior mensalão de todos é aquele praticado diariamente pela Globo. E não adianta agora pedir desculpas.

Embargos infringentes valem apenas para quem acredita na democracia. Não há embargos infringentes para quem apoia golpes de Estado, e se locupleta com eles.

Os brasileiros querem o fim da impunidade, mas não são tão bobos como a mídia achou que fossem.

Queremos o fim da impunidade, mas não a troco de reduzir os direitos civis.

Queremos o fim da impunidade, mas não validando um processo viciado, repleto de erros e injustiças.

O fato de Celso de Mello ser um homem de ideias conservadoras deixou claro que nossa mídia está abaixo do conservadorismo. Ela é a barbárie, a ditadura, o golpe.

Aristóteles ensina que a virtude da justiça consiste na moderação, regulada pela sabedoria. Nossa mídia não tem moderação, nem sabedoria, nem virtude, nem justiça. Ela vive de jogar o Brasil contra si mesmo, de incitar o ódio ideológico contra as forças do trabalho, de criminalizar a política e santificar o mercado.

Na quarta-feira, dia 18, essa mídia infecta, delinquente, sonegadora de impostos e informações, sofreu um duro revés. E a sua representante mais poderosa e boçal, a Globo, não conseguiu esconder seu desespero e decepção.

Do alto de sua ridícula soberba, a Globo achou que Celso de Mello poderia “evoluir”, ou seja, vender uma tradição jurídica de séculos em prol de uma vendeta política.

Por um breve momento podemos sonhar com uma Justiça que, em vez de perseguir heróis da resistência democrática, irá botar na cadeia os grandes sonegadores, a começar pelos proprietários da Globo Overseas Investments BV.

Por um breve momento podemos sonhar que a impunidade no país será combatida não através da prisão de inocentes, como Genoíno, Pizzolato, publicitários e secretárias, mas pela condenação de figuras contra as quais existem provas concretas de corrupção, como Demóstenes Torres, Carlos Cachoeira, Arruda e Marconi Perillo.

A mídia sabe que o Brasil clama por justiça, e por isso mesmo é tão grande a infâmia de manipular a justa indignação dos brasileiros e afastar a Justiça dos verdadeiros criminosos.

O que foi o “mensalão” senão uma cortina de fumaça a esconder os verdadeiros escândalos nacionais? O “mensalão” foi um caso chinfrim de caixa 2, um esforço de Delúbio Soares para pagar dívidas de campanha do PT.

Enquanto isso, o PSDB roubava bilhões em licitações fraudulentas do Metrô de São Paulo e pontificava no alto de todas as listas dos partidos mais corruptos no país.

Enquanto isso, o DEM praticava a mais descarada corrupção no governo do Distrito Federal.

Enquanto isso, a Globo patrocinava, como patrocina até hoje, um abominável pacto de silêncio sobre sua bilionária sonegação de impostos.

Enquanto isso, a Veja compunha, com Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira, uma quadrilha criminosa para espionar ilegalmente adversários políticos e praticar um eficientíssimo tráfico de influência.

Após a decisão, a repórter da GloboNews foi entrevistar dois parlamentares.

De um lado, Nazareno Fonteles, deputado federal (PT/PI), lembrou que a justiça não pode ser servil à opinião publicada e a setores reacionários da imprensa. Lembrou que a decisão de Celso de Mello não representa nenhuma impunidade. Os supostos crimes serão julgados conforme a lei.

Do outro lado, estava Ronaldo Caiado, também deputado (DEM/GO), com um discurso profundamente demagógico, falando em tiro na esperança do povo.

Quem é Ronaldo Caiado para falar em esperança?

Quem é Ronaldo Caiado para falar em povo?

Quem é Ronaldo Caiado para falar em justiça?

Caiado simboliza o novo udenismo dos velhos hipócritas.

Em 1954, tivemos de dar um tiro em nosso próprio coração para evitar um golpe. De 1964 a 1984, tivemos de enfrentar a tortura, o exílio e o insuportável arbítrio. Em setembro de 2013, fomos salvos pela integridade de alguns juízes.

O desespero da mídia é porque ela pensava o seguinte: “Huuum, estamos perdendo uma eleição atrás da outra; esses petistas ganharam até a cidade de São Paulo; o ‘mensalão’ será nossa vingança.”

Investiram milhões e milhões numa campanha de oito anos. O voto de Mello teve para eles, portanto, o significado de uma amarga derrota.

Aloysio Nunes, líder do PSDB, declarou que está “decepcionado com Celso de Mello”.

Os colunistas estão de luto. Merval Pereira e Carlos Sardenberg planejavam, com sarcasmo e arrogância, beber um vinho caro em comemoração à tragédia de um líder da esquerda democrática. Terão de esperar muitos meses e agora temem beber um vinho azedo.

A democracia brasileira, todavia, amanheceu mais forte, mais severa, mais jovem e mais bonita. Celso de Mello nos ensinou, a todos, que um juiz, antes de ler os jornais, deve ler a Constituição.

Agora falta os ministros do STF examinarem o Laudo 2.828 e o regulamento da Visanet, documentos que Joaquim Barbosa escondeu de outros ministros, que inocentam Henrique Pizzolato e desmontam toda a tese de acusação.

Informem-se melhor sobre o bônus de volume pago pelas empresas de mídia à DNA. Reanalisem tudo com serenidade.

Em nome da transparência, liberem para o distinto público o Inquérito 2.474, onde figuram Daniel Dantas e Rede Globo.

Esqueçam os holofotes e as diatribes de Merval Pereira. Lembrem que a Constituição proíbe, expressamente, “juízo ou tribunal de exceção”.

Aceitar os embargos infringentes não foi mais que uma obrigação constitucional do STF. O próximo passo dos ministros é fazer o que até hoje não fizeram: rechaçar definitivamente a pressão espúria, quase chantagem, da imprensa, reler os autos com isenção, e fazer justiça.

Quem é servil não pode entender de soberania, Merval

18 de setembro de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

O amigo Paulo Henrique Amorim chama-me a atenção para o artigo de Merval Pereira em O Globo onde, entregando os pontos sobre o voto de Celso de Mello no julgamento da Ação Penal 470, volta sua verrina contra o gesto de Dilma Rousseff em postergar a visita que faria a Barack Obama, por conta do episódio de espionagem sobre suas comunicações e os dados dos computadores da Petrobras.

Não surpreende, mas não pode deixar de repugnar, que ele se preste a ridicularizar a atitude necessária, embora serena, da presidenta.

“De concreto mesmo, essa bravata nacionalista não trará benefício algum, a não ser agradar a certa camada do eleitorado que leva a sério essa simulação de confrontação, como se tivéssemos a ganhar alguma vantagem geopolítica em toda essa trapalhada internacional.”

Trapalhada, Merval?

Espionagem em escala mundial, sem limites à invasão da privacidade de centenas de milhões de cidadãos, empresas e chefes de Estado mundo afora é simples “trapalhada”?

Sua sabujice aos norte-americanos, Merval, já espelhada nos telegramas do WikiLeaks que o revelam como “informante” dos EUA para questões eleitorais, o tornam sem qualquer capacidade moral de falar sobre isso.

O papel de pateta que Fernando Henrique Cardoso fazia nos fóruns internacionais é o seu modelo, porque condizente com papel subalterno que vê em nosso País.

Merval tem a postura afetada de um lorde, o que não lhe encobre a condição de vassalo. Fala fino com aliados e grosso com os fracos.

Por que é que ele, agora que é um jurista de nomeada, com capacidade de dar lições de Direito aos ministros do STF, não explica a seus leitores esta pequena nota, num dos “tijolaços” de Leonel Brizola?

O Globo condenado – Por 5 votos a 1, o TRE condenou em definitivo o jornal O Globo. Como muitos se lembram, em outubro de 1989, às vésperas das eleições presidenciais, O Globo publicou fotos do então candidato Leonel Brizola, com o líder comunitário José Roque, a quem o jornal apontava como sendo o traficante “Eureka”. Tudo era mentira e montagem, inclusive com a colocação de armas junto às fotografias. O senhor Roberto Marinho, condenado em primeira instância, escapou pela transferência das culpas para seus subordinados. O processo criminal foi definido. Cumpre, agora, tratar, no cível, da indenização correspondente aos danos que causaram a mim e ao PDT.

Um destes subordinados era você, Merval.

José Roque era negro, era pobre e servia no “figurino” de traficante. Um alvo fácil, bom de bater, não é?

Foi uma trapalhada?

Você pediu desculpas pelo erro? Não, continuou falando grosso. Brizola era o inimigo, Roque era o negro favelado.

Vejam a história, nas palavras de Caio Túlio Costa, ombudsman da Folha à época:

● O caso comentado nesta coluna na semana passada – sobre a notícia dada pelo jornal O Globo de que a polícia carioca tinha achado uma foto de Brizola junto ao traficante Eureka – continua repercutindo. Décio Malta, editor de O Dia, telefonou para dizer que a informação sobre a foto não chegou ao jornal O Globo via O Dia, que cedeu somente a sua foto para publicação. Malta mandou também cópia do material publicado pelo seu jornal. Nele está claro que O Dia incluiu na sua primeira página a menção de que o homem abraçado por Brizola tinha sido identificado também como José Roque, presidente de uma associação de moradores.

● O jornalista Merval Pereira, da direção de O Globo, também telefonou para estabelecer que o jornal não se baseou apenas numa fonte para afirmar que José Roque seria o traficante Eureka. Além do detetive-inspetor Horácio Reis [que negou tudo depois]. O Globo escudou-se também na afirmativa do sargento Luís Carlos Rodrigues. “Uma fonte da Polícia Civil e outra da Polícia Militar”, diz Merval.

Ele mandou um fac-símile da reportagem que O Globo deu no segundo clichê, onde aparece a informação de que o sargento também dissera que o homem da foto era o traficante Eureka.

● O fato de O Globo ter-se baseado em duas – e não em uma única fonte policial – não desculpa o jornal pelo erro jornalístico contra José Roque e Leonel Brizola. Fez bem O Dia em tentar descobrir quem era na realidade o homem que Brizola abraçava e fora apontado pela polícia como traficante Eureka. Ao contrário de O Globo, o jornal O Dia teve tempo de descobrir sua identidade e de publicar a informação de que o rapaz da foto poderia ser o José Roque. E acertou.

Está vendo, Merval, como iam bem aí uns embargos infringentes de jornalismo para reexaminar a notícia grave, às vésperas de uma eleição e restabelecer a verdade?

Você, que vê política e marquetagem em cada gesto humano, como é que descreveria o que você mesmo fez com Roque e Brizola?

Trapalhada?

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Quem é Merval para falar em “desmoralização” do Supremo?

17 de setembro de 2013
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Merval e Gilmar, relações promíscuas.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Há um certo alarido no Twitter contra um artigo de Merval em O Globo. Li o texto, e o que mais me impressionou foi a cara de pau do autor. Merval quer mesmo que acreditemos no que ele escreve? A mesma pergunta se pode fazer a outros colunistas do gênero: eles desejam mesmo que o leitor acredite no que escrevem?

Vejamos.

No texto que li, Merval diz que o Supremo pode entrar num processo de “desmoralização” caso – evidentemente – os recursos infringentes sejam aprovados. Que autoridade tem Merval para dizer isso? Ora, ele é um dos principais colunistas de uma corporação que lesa o País há décadas.

A Globo, recentemente, foi desmascarada numa sonegação de R$1 bilhão, em dinheiro de hoje. Num golpe que dá cadeia em países socialmente mais avançados, a Globo comprou os direitos da Copa de 2002 e, para fugir dos impostos, afirmou que estava investindo no exterior.

Não bastasse, o processo que prova o caso quase desapareceu pelas mãos de uma funcionária da Receita – libertada pelo ínclito Gilmar Mendes. O sumiço beneficiaria apenas e apenas a Globo, e conta muito sobre o Brasil e sua mídia que jornal nenhum tenha corrido atrás do caso.

O próprio Merval, embora presente em virtualmente todas as mídias da Globo, é PJ na empresa. Com isso, ele e empregador pagam menos impostos do que deveriam. E ele vem falar de “desmoralização”?

Merval poderia tentar fazer este ponto aos jovens que justificadamente esculacham a Globo, símbolo da iniquidade e das mamatas nacionais.

Que tal?

Pessoalmente, duvido que ele acredite no que escreve. Acho que, como um ator de novelas, ele faz um papel. Há sempre a hipótese de ignorância também: colunistas conservadores parecem desconhecer a pilhagem histórica do dinheiro público pelas empresas jornalísticas. O BNDES sempre foi generoso, os anúncios oficiais eram pagos com tabela cheia quando os demais anunciantes tinham descontos colossais, não era e não é cobrado imposto sobre o papel etc. etc.

O Supremo não corre risco de desmoralização. Por uma razão: já está completamente desmoralizado. Ou merece respeito uma corte cujos integrantes mantêm uma relação promíscua com jornalistas e escritórios de advocacia? (A foto deste artigo, em que Merval confraterniza com Gilmar Mendes, é um horror ético.)

Fux estava recebendo uma festa de aniversário do dono de um grande escritório carioca. O presente absurdo só não se realizou porque a história vazou.

Joaquim Barbosa pagou uma viagem a uma jornalista do Globo – num avião da FAB – para que ela escrevesse matérias (pagas, usemos a palavra certa) sobre nem se sabe mais o que na Costa Rica.

O mesmo JB gastou R$90 mil do dinheiro público para reformar banheiros do apartamento que lhe cedem em Brasília. E ainda conseguiu um emprego para seu filho na Globo.

Ora, com que isenção ele poderia julgar, por exemplo, o caso de sonegação da Globo?

Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes se entregaram nesta semana a uma indecente chicana para evitar o voto decisivo do decano sobre os recursos infringentes. Com isso, a pressão sobre Celso de Mello pôde ser redobrada. É só ver coisas como o próprio artigo de Merval e a capa da Veja desta semana com o decano.

Desmoralização? De quem?

Ficou claro, no “mensalão”, que o método de escolha dos juízes não poderia ser pior. O critério é político e não técnico. Lula, como se sabe, escolheu Joaquim Barbosa por ser negro e não por ser brilhante – a que preço.

FHC é responsável por Gilmar. Dilma conseguiu escolher Fux porque ele, num lobby insano, prometeu “matar no peito” o caso do “mensalão”. Outra vez, a que preço.

Tudo isso – tornado público – transformou o STF numa piada. Merval parece fingir que leva o STF a sério, mas acho que a fala de Wellington se aplica aqui: quem acredita nisso acredita em tudo.

A fala empolada e cínica dos magistrados – “os magníficos votos” de cada um são sempre sublinhados por quem vai contra tanta magnificência – torna, além do mais, o STF distante dos brasileiros médios.

Na Inglaterra, o juiz que cuidou dos debates sobre os limites da mídia – Brian Leveson – se expressava num inglês claro e compreensível a qualquer britânico alfabetizado.

Você não consegue desmoralizar o que já está desmoralizado, a despeito de perorações como a de Merval – ele mesmo sem muito crédito para falar em moral.

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Merval quase culpa Dilma pela espionagem dos EUA

10 de setembro de 2013

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Pelo menos hoje antes de atirar eles espionam.

Luiz Carlos Azenha, via Viomundo

“Vacilou”, diz na capa a revista Veja, com uma admoestação a Barack Obama que equivale a um tapinha nas costas de pai.

“Xeretou”, diz Carlos Alberto Sardenberg, ao debater o tema com Merval Pereira na rádio CBN.

Mais cedo, na mesma emissora, Kennedy Alencar deu o tom da reação na mídia corporativa: é ruim essa coisa de ser espionado, mas acontece.

Tratavam, todos, do novo capítulo da espionagem dos Estados Unidos no Brasil, contra a Petrobras.

Merval se superou. Embora tenha elogiado o comportamento do governo Dilma, disse que a diplomacia brasileira é boa para o governo mas não necessariamente para o Brasil, que é próximo de “países hostis” aos Estados Unidos.

Só faltou dizer que a espionagem se justifica por isso.

Ah, sim, alertou que não se deve fazer “bravatas”, como cancelar a viagem de Dilma a Washington.

Sobre eventual suspensão do leilão de Libra, do qual certamente vão participar empresas norte-americanas, nenhum deles se pronunciou. Presumo que seria cutucar o patrocinador com vara curta.

O ponto alto foi quando se disse na CBN – um deles, Merval ou Sardenberg – que Obama talvez pedisse moderação a seus espiões.

Merval, o imortal, tem razão num ponto: espionagem não é exatamente novidade. No caso brasileiro, como contou aqui a Heloisa Villela, é coisa bem antiga.

Quando eu ainda morava em Nova Iorque e acompanhava de perto o governo dos Estados Unidos, no primeiro mandato de Bill Clinton, Ron Brown foi indicado secretário de Comércio com a tarefa explícita de aproximar o Departamento de Estado de empresários norte-americanos, promovendo missões comerciais como as que o próprio ex-presidente Lula promoveu a partir de Brasília, muito mais tarde, quando decidiu diversificar os parceiros comerciais brasileiros.

Clinton queria colocar a burocracia diplomática completamente a serviço dos interesses comerciais, numa versão Foggy Bottom da “gunboat diplomacy”, a diplomacia das canhoneiras, que tão bem serviu aos interesses comerciais dos Estados Unidos em várias partes do mundo.

O importante é ter isso em mente: o que interessa aos Estados Unidos é o dinheiro, perseguido se necessário à bala, mas nem sempre.

A derrubada do presidente do Irã Mohammed Mosaddeq, em 1954, num golpe promovido pela CIA, não foi exatamente por discordâncias com o cerimonial de Teerã. Saddam Hussein seria invadido muito mais tarde, no Iraque, pelo mesmo motivo: controle do petróleo e dos preços internacionais do petróleo.

Foi assim com os golpes promovidos na América Central em defesa dos interesses da bananeira United Fruit. Ou a quartelada contra Salvador Allende, no Chile, promovida com o beneplácito da mineradora Anaconda e da telefônica ITT.

O ponto é que o governo dos Estados Unidos – qualquer governo – é representativo de imensos interesses econômicos, aos quais a espionagem serve direta ou indiretamente. Indiretamente? Sim, através da porta giratória pela qual burocratas do governo se tornam funcionários de megaempresas e vice-versa.

Num interessante artigo publicado recentemente na London Review of Books sobre o futuro da União Europeia, Susan Watkins descreve como o governo Obama monitorou as decisões cruciais tomadas por inspiração de Ângela Merkel durante a crise europeia para evitar que elas prejudicassem os interesses de Wall Street. Ganhou todas.

Portanto, não será o beicinho do Itamaraty exatamente o instrumento para causar algum tipo de preocupação em Washington. Nem um eventual cancelamento da visita de Dilma à Casa Branca. Seriam medidas simbólicas mas, como costumam dizer os próprios norte-americanos, se de fato a espionagem rendeu dividendos econômicos a empresas dos Estados Unidos, elas vão “gargalhar até o banco”.

A única forma verdadeira de punir os Estados Unidos por espionagem, se é mesmo isso que se pretende – e não estou advogando que deva ser – é mexer com o bolso, com interesses econômicos de Washington.

Mas isso nem a mídia acima descrita, nem o próprio governo parecem inclinados a fazer.

Se é para fazer teatro, prefiro o Zé de Abreu.


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