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Você deixaria seu filho estudar numa escola do Grupo Abril?

17 de julho de 2013
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Maycon é o revolucionário padrão Veja.

E se a Veja der o tom no ensino nas escolas da Abril?

Paulo Nogueira em seu Diário do Centro do Mundo

Um leitor do Diário recentemente fez o seguinte comentário: “Jamais deixaria um filho meu estudar numa escola da Abril.”

Ele lera a notícia de mais uma compra de escola pela Abril, num movimento estratégico vital para a empresa. Com os negócios minguando aceleradamente nas revistas que fizeram sua fortuna, a Abril desloca-se para a área de educação.

O ponto do leitor: ele não queria que seus filhos fossem alcançados pela visão de mundo da Veja – não apenas conservadora mas distorcida e frequentemente cínica.

Na preocupação do leitor está um ponto que pode acabar atrapalhando o futuro da Abril na educação. Não são poucos os pais que definitivamente não gostariam que seus filhos fossem ‘educados’ indiretamente pela Veja.

É compreensível.

Imagine que seu filho vá ter uma aula sobre os protestos, com vistas ao vestibular.

A Veja elegeu, como símbolo das manifestações, Maycon Freitas, um extremista que diz em sua página no Facebook que ‘bandido bom é bandido morto’ e que rejeita agressivamente qualquer coisa parecida com direitos humanos.

Freitas recebeu as Páginas Amarelas e foi apresentado como a “voz que emergiu das ruas”. Ele evidentemente tinha pegado carona na capacidade mobilizadora do MPL, mas segundo a Veja ele comandou multidões nos protestos do Rio.

Para ver a realidade, basta checar o que aconteceu quando o MPL saiu de cena e Freitas fez convocações frenéticas para uma “Marcha das Famílias contra o Comunismo”. Compareceram 36 pessoas, segundo cálculos confiáveis.

Parece anedótico, mas que pai gostaria que seu filho corresse o risco de aprender a realidade dos protestos segundo a Veja? Numa escola da Abril, esta é uma possibilidade real.

Lembremos que até alguns anos atrás, antes de girar freneticamente para a direita, a Veja era uma leitura quase obrigatória para jovens interessados em atualidades para as provas de vestibular.

O mundo paralelo da Veja está no papel e na internet.

Também a respeito dos protestos, o site publicou textos que poucos pais gostariam que chegassem às crianças.

Dois deles merecem destaque.

Num, o professor Marco Antônio Villa dizia que os garotos do MPL eram “sociologicamente irrelevantes”. Num artigo com 16 pontos sobre os protestos, então em seu início, Villa errou simplesmente todos. Mesmo assim, ele permanece errando no site da Veja – e nos programas da Globonews — sem que isso pareça trazer qualquer problema para ele, num caso notável de impunidade por razões ideológicas.

Num outro texto do site da Veja, o ex-publicitário Neil Ferreira conclamava a polícia a “passar fogo” nos manifestantes. Terror se combate com terror, escreveu Neil.

A força da Veja na Abril é enorme. Não é fantasiosa, assim, a hipótese de que o conteúdo da revista acabe contaminando o ensino nas escolas da Abril.

Imagine que Reinaldo Azevedo seja convidado a falar sobre política. Ou que algum de seus livros seja recomendado aos alunos.

(O site da Veja mereceria um teste da nova geração dos Civitas, aliás: o envio – mediante um pseudônimo, claro – de um comentário que não bata com a opinião dos blogueiros. Não apenas são censurados como o autor é instado a ir para a “esgotosfera”. Isso mesmo quando o comentário é civilizado e não comete senão o pecado de não dizer amém.)

Estrategicamente, a Abril tem um problema em sua divisão de educação, dada a imagem fortemente negativa da Veja. Ou a casa trabalha intensamente para melhorar essa imagem, e para isso é necessário um jornalismo na Veja que impeça absurdos como a transformação de fanfarrões como Maycon Freitas em heróis, ou as ambições na área da educação dificilmente serão preenchidas.

Talvez este problema já tenha sido captado na Abril. Se não foi, é porque as coisas estão realmente complicadas.

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Dublê da Globo é o herói da Veja

Entrevista exclusiva com Mycon Freitas, o muso revolucionário da Veja

Jornalismo Wando: Entrevista exclusiva com Maycon Freitas, o muso revolucionário da Veja

15 de julho de 2013
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Maycon Freitas é o da direita.

Saiba o que pensa (sic) o dublê-coxinha da Globo Maycon Freitas, guindado pela revista [da] marginal “à voz que emergiu das ruas”.

Via Jornalismo Wando

“Só te peço pra fazermos algo que contribua com o País, irmão. Não estou aqui pra virar celebridade.” Foi dessa maneira firme que o tijucano Maycon Freitas, 31 anos, me abordou pouco antes de iniciarmos essa entrevista. Pra quem ainda não conhece, ele foi destaque em uma entrevista nas páginas amarelas de Veja como “o jovem que reuniu milhares de pessoas no Rio e abomina a corrupção”. Nesse bate-papo gostoso, você vai conhecer um lado de Maycon que Veja não mostrou.

Apesar das perseguições que tem sofrido por certos setores da blogosfera, o tijucano se mostra tranquilo. Com uma politização acima da média, o líder carioca é, acima de tudo, uma pessoa com valores sólidos. Um cara que acredita que a família e o bem podem fazer a diferença na política. Enfim, Maycon é uma bela amostra desse novo jovem brasileiro, politizadíssimo e apartidário, que saiu do Facebook pra tomar as ruas e lutar contra-tudo-o-que-está-aí.

Jornalismo Wando: Me fale sobre o Maycon Freitas. Profissão, interesses, família etc.

Maycon Freitas: Opa, vamos lá. Me chamo Maycon de Freitas Ribeiro, sou técnico de segurança do trabalho e estou estudando pra ser tecnólogo, também em segurança do trabalho, que é a faculdade. Tenho 31 anos, sou filho de mineiros, carioca e tijucano. Nasci em botafogo, sou casado, não tenho filhos. Sou dublê de ação e trabalhei em várias emissoras de TV, além de cinema.

JW: Qual sua posição ideológica? Direita, esquerda, centro ou tico-tico no fubá? (risos)

Maycon Freitas: Não sou de direita, esquerda ou de centro. Meu partido é o Brasil, fui às ruas gritar junto com o povo por socorro. Do jeito que está, não dá. Temos que mudar tudo aqui já. Saúde, segurança, educação, mudar os políticos, as formas de eleição, acabar com as urnas eletrônicas. Queremos voto impresso para recontagem.

JW: Além do fim da corrupção, você também acha que o fim da violência urbana e da pedofilia também são bandeiras importantes?

Maycon Freitas: Importantíssimas. Entendo que uma vez que colocamos o Brasil nos trilhos, tudo vai mudar. Crianças morrem neste nosso Brasil a fora. As leis de proteção à criança precisam ser mais duras e se fazer valer, mas nossos políticos sequer falam sobre isso.

JW: Por que os políticos são seres tão corruptos? Há algo no DNA que os fazem ser tão diferente de nós, cidadãos de bem?

Maycon Freitas: Olha, não posso dizer no DNA… Mas eleição no Brasil é uma fraude, ganha quem paga… ou seja, cartas marcadas.

JW: “Ganha quem paga”? Como assim, querido?

Maycon Freitas: Eles entram lá, criam leis que só beneficiam a eles mesmos, se dão salários absurdos, benefícios de outro planeta. Eu compro a minha eleição. As urnas são programadas pra isso. Fato disso é o Sarney. Mata pessoas no estado do Maranhão, e agora está matando o Amapá. Ele agora se elege pelo Amapá. Nossas urnas são uma fraude absurda e o mundo sabe disso.

JW: Querido, mas o que as urnas eletrônicas têm a ver com a eleição do Sarney pelo Amapá? Não entendi a associação.

Maycon Freitas: Até o Paraguai rejeitou nossas urnas. Só estou te dando um exemplo de como funciona.

JW: Ok. Sobre os protestos dos sindicatos ontem, vi que você escreveu no Facebook: “os bandidos governistas foram às ruas. Está aí o resultado. Quebra-quebra e confusão”. Nos protestos de junho, não teve muito mais violência do que o de ontem?

Maycon Freitas: Sim, teve, mas eu não estou no meio desta galera, e nem meu movimento. Isso existe porque tem gente paga pra fazer isso e partido politico tentando tirar proveito desta manifestação do povo, mas a maioria que vai às ruas luta por mudanças, grita por socorro. Sou totalmente contra o vandalismo. É isso que o governo quer: que as pessoas fiquem com medo de ir às ruas. O medo prende as pessoas em casa e assim fica fácil de manipular.

JW: Você disse que nunca se interessou por política, mas que isso mudou depois que viajou para os EUA. Como foi essa experiência no exterior? O que o povo norte-americano tem a ensinar pro brasileiro que ainda é um selvagem em termos de democracia e civilidade?

Maycon Freitas: Olha, amigo… não só os norte-americanos, mas os argentinos, italianos, alemães, franceses, gregos, egípcios – temos muito que aprender com eles. Se eles não gostam do que veem, eles vão à luta e conseguem que os governos olhem para aquilo que eles reivindicam. Lutam pelas melhorias e soluções. Isso é democracia. Vi bem isso de perto nos EUA. Vai lá jogar um papel no chão perto de alguém. Logo você é chamado de porco, mas eles tem um grave problema lá, que é a saúde. Mas uma pessoa lá, com um salário mínimo consegue pagar um plano de saúde.

JW: Isso é verdade, querido. Estive em Miami recentemente e pude atestar que o nível de civilidade por lá é diferenciado.

Maycon Freitas: Então você sabe bem o que estou falando. Ter uma boa casa, um carro e aqui? Conseguimos? Lá também tem corrupção, mas ao menos a população vê o retorno de impostos no seu dia a dia.

JW: Você sempre faz questão de se dizer apartidário, mas no seu Facebook você colocou uma foto da bandeira do PT sendo queimada. Como funciona esse neo-apartidarismo do bem?

Maycon Freitas: Chega de ditadura vermelha, amigo. Eles querem implantar o comunismo bolivariano, cubano e venezuelano aqui a todo custo.

JW: Então é um apartidarismo antipetista, podemos dizer assim?

Maycon Freitas: antipetista e todos que pensam como eles do PT. Não posso apenas culpar só o PT, senão eximo todos os outros partidos de culpa. Aqui no Brasil o bandido só muda de casa.

JW: No Face, você mostra preocupação com a chegada de 6 mil guerrilheiros cubanos que viriam disfarçados de médicos. Explica melhor essa jogada do PT/Cuba/Dilma/Lula/Fidel pra gente. Já é consequência do Foro de São Paulo?

Maycon Freitas: Temos que acabar com esse conluio que eles formam. Sou contra a vinda de médicos do exterior. Isso não vai adiantar nada. Precisamos de hospitais, upas, postos de saúde, tudo padrão FIFA. Agora, é muito estranho eles virem justamente de Cuba, onde a Dilma vem investindo bilhões.

JW: Sem dúvidas. Estranhíssimo.

Maycon Freitas: Somente em uma obra por lá [Cuba] foram gastos 3 bilhões em uma ponte. Tudo pago por nós. E temos que falar sobre o Foro de São Paulo, que existe aí há 20 anos e ninguém fala nada. Não ao Foro de São Paulo! É o berço do comunismo aqui no Brasil.

JW: Como é que é, querido? Dilma deu 3 bilhões pra Cuba só pra construir uma ponte? É uma ponte de ouro ligando Havana à Miami?

Maycon Freitas: [risos] Pois é, amigo. Mais um absurdo que muitos brasileiros nem fazem ideia do que é. Crianças morrendo aqui e ela dando o nosso dinheiro para um ditador que só maltrata seu povo, oprime, priva e etc.

JW: Cara, você falando assim até fico preocupado. Existe a chance real de passarmos por uma ditadura comunista no Brasil?

Maycon Freitas: Se não fizermos nada, sim, e esse risco ele é máximo. Temos que derrubar já a PEC 33. Só a 37 não basta, temos que fazer o Ministério Público acordar já.

JW: E a PEC das domésticas? Eu achei mais um populismo barato desse Congresso nefasto.

Maycon Freitas: É importante, sim! Mas temos que melhorar e lutar por muito mais aqui no Brasil.

JW: Ah, então os políticos às vezes fazem coisas boas pra sociedade?

Maycon Freitas: Quando querem, sim. Um amigo sempre diz que político bom no Brasil é utopia. Respeito a opinião dele, mas também não dá pra ser descrente de tudo e todos.

JW: Você é a favor do plebiscito da Dilma?

Maycon Freitas: Sou contra plebiscito ou referendo. Nossa Constituição é ótima. É só eles seguirem direitinho o que está escrito ali.

JW: Mas você não acha que uma reforma política será importante para diminuir a corrupção?

Maycon Freitas: É só seguir o que está escrito ali. Nossa Constituição diz, não lembro qual artigo, que todos são iguais perante a lei. E eles, com seus privilégios, não são.

JW: Querido, os militares não poderiam proteger o povo de um golpe comunista? O que você acha?

Maycon Freitas: Olha, falar sobre as Forças Armadas aqui no Brasil é sempre complicado, amigo, afinal, passamos 24 anos na mão da ditadura. Eles podem sim nos proteger, e devem. Eles são forças independentes do governo ou pelo menos deveriam ser, como manda a Constituição. Mas isso deve ser debatido com a sociedade. Eles estão aqui para nos proteger, proteger a nação brasileira.

JW: Agora vamos fechar com um bate-bola rápido: Praia ou Cachoeira?

Maycon Freitas: Os dois. [risos]

JW: Fernando ou Lula?

Maycon Freitas: FHC.

JW: Amor ou ódio?

Maycon Freitas: Amor.

JW: Família ou comunismo?

Maycon Freitas: Família.

JW: Um livro.

Maycon Freitas: O Último Samurai.

JW: Um filme?

Maycon Freitas: Coração Valente.

JW: Um herói na política?

Maycon Freitas: Não digo um herói, mas alguém pra se respeitar: Joaquim Barbosa.

JW: Um desastre na política?

Maycon Freitas: Só um? [risos] Lindberg Farias.

JW: Maycon por Maycon?

Maycon Freitas: Um cara humilde, respeitador e guerreiro como muitos brasileiros. Caráter e dignidade impagáveis, autêntico, trabalhador, responsável, fiel a seus princípios, que não foge à luta, leal.

Maycon ainda fez uma reflexão sobre como enfrentar os problemas brasileiros e, pra fechar com chave de ouro, me presenteou com um elogio que guardarei com muito carinho:

“Com a minha família unida posso vencer o comunismo. Com amor e educação podemos vencer o ódio. Estamos juntos, amigo, se precisar de um guerreiro estarei sempre aqui. Parabéns pelo trabalho e jornalismo verdadeiro.” – FREITAS, Maycon.

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Dublê da Globo é o herói da Veja

Dublê da Globo é o herói da Veja

5 de julho de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

O Blog Contexto Livre publica e a gente foi conferir. E achou muito mais. Maycon Freitas, o entrevistado das páginas amarelas da Veja desta semana, como “representante” dos manifestantes da onda de protestos que tomou as ruas, presta serviços como dublê a Rede Globo de Televisão.

A Veja, é claro, nem se importou que Maycon tenha quase o dobro da idade da maioria dos manifestantes, mas o transformou num grande ativista cibernético.

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Apresentado como “a voz que emergiu das ruas”, Maycon é apresentado como líder de uma comunidade no Facebook, a União Contra a Corrupção, onde se publica ou republica coisas como essa imagem aí em cima, dizendo que os médicos cubanos (cadê?) são guerrilheiros disfarçados e que um golpe comunista está em marcha. É mentira, a página é mantida por Marcello Cristiano Reis, um advogado paulista.

Se tivesse ido olhar o perfil de Maycon no Facebook veria que, antes de virar “celebridade”, suas últimas postagens foram em janeiro, com pérolas do tipo:

“Mulher que diz que homem é tudo igual. É porque nunca soube fazer a diferença na vida de um.”, ou “no carnaval as mina pira, em novembro as mina “pari”. “No carnaval os mano come, em novembro os mano some.”

Antes, em 2002, a vida estava boa para Maycon, como você pode ver nas fotos do líder de massas em Cancún, no México, num turismo “padrão Fifa” de deixar a gente com inveja. Como está sofrendo o revoltado Maycon!

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Ah, essa internet…

Ah, essa Veja

PS.: Até de um mistificador como o Maycon a gente respeita a privacidade. Todas as fotos são públicas em seu Facebook não necessitam de compartilhamento.

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Herói da Veja: “Eu trabalho na Globo, melhor trabalho do mundo.”

Fernando Brito, via Tijolaço

Só para acabar de mostrar que o “herói” das páginas amarelas (ou seriam marrons) da Veja desta semana, como “representante” dos jovens que participam das manifestações de rua é uma manipulação sem-vergonha, que ofende qualquer um que se pretenda jornalista, posto aí embaixo o vídeo do canal do YouTube do Rei Lux.

Fantasiado de policial, pendurado num helicóptero, o nosso “Rambo”, entre uhus e ahhas grita: “Eu trabalho na Globo, melhor trabalho do mundo!”

Rambo ou Bozó?

Clique aqui para assistir ao vídeo.

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