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Manual de Ouro do Manifestante Idiota

26 de junho de 2013

Breve manual ilustrado para se comportar como um idiota nas manifestações de 2013 no Brasil.

Via Ilustre Bob

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Humor × direitos: O perfeito imbecil politicamente incorreto

30 de março de 2013

Simpsons01No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as ideias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião. Saiba como reconhecê-lo.

Cynara Menezes, via CartaCapital

Em 1996, três jornalistas – entre eles o filho do Nobel de Literatura Mário Vargas Llosa, Álvaro – lançaram com estardalhaço o Manual do perfeito idiota latino-americano. Com suas críticas às ideias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.

Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as ideias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:

1. O “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na ideia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de ideias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios – os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.

2. O comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor non sense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir”. Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4×4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.

3. O cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultado dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o Bolsa Família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.

Pequeno almanaque do reacionário de sofá

23 de dezembro de 2012

Reacionario01Pedro Munhoz, via BHaz

As redes sociais proporcionam meios rápidos e eficientes para toda e qualquer pessoa expor, rapidamente, de forma descompromissada e atingindo um público cada vez mais amplo, suas opiniões. Isso não é algo negativo, pelo contrário, é uma das coisas que mais me fascina no mundo virtual. Os comentários e opiniões resultantes dessa liberdade retratam, porém, uma realidade das mais preocupantes e que, para além do ambiente virtual, dizem muito sobre a nossa sociedade.

Se não há como discordar do fato de que ninguém é obrigado a conhecer razoavelmente um assunto qualquer, acho especialmente alarmante o número de pessoas que, sem se debruçar um segundo sequer sobre temas polêmicos e delicadíssimos, expressam suas opiniões pré-moldadas com a desenvoltura de quem sabe realmente do que está falando. Pois bem: opiniões pré-moldadas existem em todos os espectros ideológicos e, para além do campo político propriamente dito, atingem inclusive campos do conhecimento técnico, como o direito, a medicina e a economia. Vou abordar, porém, neste artigo, apenas uma classe de comentários: os dos reacionários de sofá.

Os reacionários de sofá são aqueles que, preguiçosamente, no conforto de suas residências, absorvem passivamente as opiniões vociferadas pela grande mídia contra toda e qualquer posição política que possa implicar uma mudança positiva para um grupo com o qual ele não se identifica. Outras vezes, eles não precisam nem mesmo recorrer à mídia para terem uma opinião qualquer sobre um assunto com o qual ele não tem o mínimo de contato: basta recorrer aos preconceitos que lhe foram incutidos na infância.

São quase sempre individualistas, pois não conseguem cogitar a defesa de um interesse qualquer que não seja o seu próprio. Também gostam de pautar os seus discursos por alarmismos apocalípticos, derivando consequências genéricas gravíssimas de medidas que muitas vezes têm um escopo bastante restrito. Ressentem-se ferozmente de terem nascido no Brasil e odeiam os brasileiros, a quem, do sofá de suas casas ou da cadeira de suas escrivaninhas, taxam de passivos, indolentes, comodistas e estúpidos.

Pois bem: essa é uma pequena coletânea de conceitos caros a esse tipo de usuário das redes sociais que pretende ser uma modesta contribuição para estudos posteriores dessas mentalidades tão peculiares. Separei alguns verbetes sobre os quais nossos reacionários adoram opinar. Estou aberto a contribuições.

Atenção: as opiniões abaixo não retratam a opinião deste colunista. Na verdade, são o seu oposto.

Cotas raciais

1. Vão instaurar o racismo no Brasil.

2. Racismo contra brancos.

3. Tem de melhorar a educação pública.

4. Trabalhei para pagar o cursinho de meus filhos e querem dar as vagas deles para quem não pagou.

5. São inúteis, pois o Brasil não é racista.

6. Sou contra, pois minha bisavó era negra e nasci branco.

7. E a igualdade, coméquifica?

8. Governo premiando a vagabundagem.

9. Meu vizinho é negro e é mais rico do que eu.

10. Meu cunhado é negro e trabalhou honestamente pra pagar o cursinho dos filhos.

Racismo

1. Não existe no Brasil.

2. O racismo dos negros contra os brancos é maior do que o dos brancos contra negros.

3. Se eu andar com uma camisa escrita 100% branco eu vou preso.

4. Tenho vários amigos negros, mas [preencher com conclusão preconceituosa a sua escolha].

5. Deveria ter o dia do Orgulho Branco.

6. Todo mundo protesta contra o racismo, mas ninguém protesta contra a corrupção.

Homossexualidade (pronunciar “homossexualismo”)

1. Doença que precisa de tratamento.

2. Falta de vergonha na cara.

3. Homossexuais querem ter mais direitos do que eu.

4. Abominação aos olhos de Deus.

5. Imoralidade.

6. Falta de “couro” na infância.

7. Homossexuais querem converter as crianças ao homossexualismo.

8. Homossexuais são pedófilos.

9. Eles querem ser respeitados, mas não se dão o respeito.

10. É por isso que o Brasil não vai pra frente.

Movimento gay

1. Prega a promiscuidade.

2. Daqui a pouco vai ser proibido ser hetero.

3. Quer acabar com a religião.

4. Quer acabar com a família.

5. Daqui a pouco não vou poder dizer aos meus filhos que é errado ser gay.

6. Sinônimo de ditadura gay.

7. Quer converter as crianças ao homossexualismo (sic).

8. Por que eles não lutam contra a corrupção? Lamentável!

9. É por isso que o Brasil não vai pra frente.

Feminismo

1. Chamar de feminazis.

2. Preconceito contra homens.

3. E a igualdade, coméquifica?

4. Quer desestabilizar a família.

5. Falta de sexo.

6. Falta de louça pra lavar.

7. Feministas são feias.

8. Feministas são lésbicas.

9. Não sou feminista, sou feminina.

10. Por que elas não lutam contra a corrupção? Lamentável.

Marcha das vadias

1. Dizem que são vadias e depois não querem ser estupradas. Absurdo!

2. Comeria todas elas.

3. Só tem gorda mostrando os peitos.

4. Não se dão o respeito.

5. Não respeitam nossas crianças.

6. Querem arrumar um macho.

7. Falta de louça pra lavar.

8. Atrapalha o trânsito.

9. Deviam protestar contra a corrupção.

10. É por isso que o Brasil não vai pra frente.

Marcha da maconha

1. Querem drogar as nossas crianças.

2. Afronta à moral.

3. Bando de vagabundos.

4. Daqui a pouco vão vender crack na porta da igreja.

5. Polícia neles.

6. Atrapalha o trânsito.

7. Está tudo invertido.

8. Saudades da ditadura.

9. Falta de lote pra capinar.

10. Deviam protestar contra a corrupção.

Ditadura militar

1. Naquele tempo não existia corrupção.

2. Naquele tempo não existia maconha.

3. Naquele tempo não existia homossexualismo.

4. Naquele tempo não existia violência.

5. Naquele tempo as escolas eram de Primeiro Mundo.

6. É uma coisa boa, pois brasileiro não sabe votar.

7. Salvou o Brasil da ditadura comunista.

8. Poucas pessoas foram mortas e torturadas e quem foi morto ou torturado mereceu.

9. Saudades daquela época.

10. Todo mundo critica a ditadura no Brasil, mas ninguém critica Cuba. Lamentável!

Direitos humanos

1. Chamar de “direito dos manos” e se achar genial.

2. Direito dos vagabundos.

3. Direitos humanos para humanos direitos.

4. Ninguém defende os direitos humanos das vítimas.

5. Defensor dos direitos humanos devia ter sua filha estuprada.

6. Está tudo invertido.

7. A culpa da violência é desse pessoal que defende os direitos humanos.

8. Um cidadão de bem não pode nem espancar e torturar um vagabundo que tentou roubar seu tablet.

9. Na época da ditadura não existia isso e era tudo muito melhor.

10. Ficam defendendo bandido, mas deviam lutar contra a corrupção. Acorda Brasil!

Povo brasileiro

1. Não gosta de trabalhar.

2. Não sabe votar.

3. Tem o governo que merece.

4. É ladrão.

5. Não tem cultura.

6. Só pensa em futebol, Carnaval e cerveja.

7. É o povo brasileiro que estraga o Brasil.

8. Só sabe reclamar.

9. Mudei para Miami por causa do povinho que vive no Brasil.

10. Não tem moral.

11. Não luta contra a corrupção! Acorda Brasil!

Corrupção

1. Culpa do brasileiro que não sabe votar.

2. Pena de morte para políticos corruptos.

3. Culpa do PT.

4. Não existia na época da ditadura.

5. Todos os brasileiros são corruptos (menos eu).

6. Não existe nos Estados Unidos.

7. Não existe na Europa.

8. Está tudo invertido.

9. Ninguém luta contra a corrupção.

10. Como todo mundo é corrupto e não sabe votar, ninguém tem o direito de reclamar da corrupção, pois o Brasil tem o governo que merece.

E por ora encerro esse pequeno almanaque. Se essas são as suas opiniões, parabéns: você é um perfeito reacionário de sofá que, surfando no mais rasteiro senso comum, não contribui em nada para o avanço da discussão desses temas. Se não, você talvez pudesse pensar em adotar esses conceitos para você. É certeza de aplausos nos ambientes virtuais e vai-lhe poupar muitas infindáveis discussões via Facebook ou Twitter com outros reacionários de sofá que constituem, com certeza, o tipo mais teimosamente imune à argumentação da internet.

Se você se recusa a adotar os conceitos acima colocados, deixo para vocês uma dica: por que vocês não lutam contra a corrupção? Acorda Brasil! [Brincadeira!]

Pedro Munhoz é advogado e historiador.

Nota do Limpinho: Ficaram faltando frases reaças como “os políticos são tudo farinha do mesmo saco” (quem diz isso vota no PSDB), “sou apartidário, mas odeio o PT e gosto do FHC”, “os nordestinos vieram pra São Paulo e estragaram a cidade”, “Lula deu o Bolsa Esmola por isso é tão popular”…

Mauro Santayana: O Manual do Golpe de Estado

16 de dezembro de 2012

Globo_Jornal_Esquerdopata

Mauro Santayana, lido em O Esquerdopata

Cúrzio Malaparte escreveu, em 1931, seu livro político mais importante, Técnica del colpo di stato: envenenamento da opinião pública, organização de quadros, atos de provocação, terrorismo e intimidação, e, por fim, a conquista do poder. Malaparte escreveu sua obra quando os Estados Unidos ainda não haviam aprimorado seus serviços especiais, como o FBI – fundado sete anos antes – nem criado a CIA, em 1947. De lá para cá, as coisas mudaram, e muito. Já há, no Brasil, elementos para a redação de um atualizado Manual do Golpe.

Quando o golpe parte de quem ocupa o governo, o rito é diferente de quando o golpe se desfecha contra o governo. Nos dois casos, a ação liberticida é sempre justificada como legítima defesa: contra um governo arbitrário (ou corrupto, como é mais frequente), ou do governo contra os inimigos da pátria. Em nosso caso, e de nossos vizinhos, todos os golpes contra o governo associaram as denúncias de ligações externas (com os países comunistas) às de corrupção interna.

Desde a destituição de Getúlio, em 29 de outubro de 1945, todos os golpes, no Brasil, foram orientados pelos norte-americanos, e contaram com a participação ativa de grandes jornais e emissoras de rádio. A partir da renúncia de Jânio, em 1961, a televisão passou também a ser usada. Para desfechá-los, sempre se valeram das forças armadas.

Foi assim quando Vargas já havia convocado as eleições de 2 de dezembro de 1945 para uma assembleia nacional constituinte e a sua própria sucessão. Vargas, como se sabe, apoiou a candidatura do marechal Dutra, do PSD, contra Eduardo Gomes, da UDN. Mesmo deposto, Vargas foi o maior vitorioso daquele pleito.

Em 1954, eleito pelo povo Vargas venceu-os, ao matar-se. Não obstante isso, uma vez eleito Juscelino, eles voltaram à carga, a fim de lhe impedir a posse. A posição de uma parte ponderável das Forças Armadas, sob o comando do general Lott, liquidou-os com o contragolpe fulminante. Em 1964, contra Jango, foram vitoriosos.

A penetração das ONGs no Norte do Brasil, e a campanha de coleta de assinaturas entre a população dos 7 Grandes – orientada, também, pelo Departamento de Estado, que financiava muitas delas – para que a Amazônia fosse internacionalizada, reacenderam os brios nacionalistas das Forças Armadas. Assim, os norte-americanos decidiram não mais fomentar os golpes de estado cooptando os militares, porque eles passaram a ser inconfiáveis para eles, e não só no Brasil.

Washington optou hoje pelos golpes brancos, com apoio no Parlamento e no Poder Judiciário, como ocorreu em Honduras e no Paraguai. Articula-se a mesma técnica no Brasil. Nesse processo, a crise institucional que fomentam, entre o Supremo e o Congresso, poderá servir a seu objetivo – se os democratas dos Três Poderes se omitirem e os patriotas capitularem.


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