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Nicolas Maduro: EUA serão os mais prejudicados se aplicarem sanções à Venezuela

20 de março de 2014

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Via Agência Brasil

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, disse na quarta-feira, dia 19, que os Estados Unidos serão os mais prejudicados no caso da aplicação de sanções a Caracas. Ele advertiu que caso o país decida não comprar mais petróleo venezuelano, o produto será vendido “a outro lado”.

“Os mais prejudicados, em uma escalada de sanções serão os Estados Unidos, sua sociedade, seus empresários, seu povo […]. Oxalá não sigam esse caminho, para demonstrar o que não queremos demonstrar, que seriam eles os mais prejudicados”, disse Maduro em seu novo programa semanal de rádio.

Ele garantiu que o petróleo que não for comprado da Venezuela será vendido a outro lado. “De repente, podemos vendê-lo até a melhor preço. Não teremos problemas, nós somos livres”, disse.

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“Golpe de Estado na Venezuela foi derrotado definitivamente”, afirma vice-presidente

19 de março de 2014

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O vice-presidente da Venezuela, Jorge Arreaza (foto), assegurou na segunda-feira, dia 17, que o golpe de Estado que os partidos de ultradireita executavam foi “derrotado definitivamente”. Arreaza deu declarações durante a instalação da Conferência Nacional de Paz, no aeroporto de Puerto Cabello, estado de Carabobo.

Via Vermelho

Na abertura da Conferência Nacional de Paz, o vice-presidente expôs a operação de coordenação especial que o Executivo ativou junto à Guarda Nacional Bolivariana, à Polícia Nacional Bolivariana e ao Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas com o objetivo de restituir a ordem e a paz no município Chacao, estado Miranda, depois que grupos violentos depredaram propriedades públicas e privadas da cidade, por mais de 30 dias sem nenhuma ação por parte da prefeitura.

Em sua exposição, Arreaza criticou o prefeito de Chacao, Ramón Muchacho, do partido de ultradireita, Primero Justiça, que defendeu de forma “indireta” as ações violentas em sua jurisdição. Ele manifestou ainda que, apesar disso, a paz foi imposta e, “como disse o presidente Nicolas Maduro, esta tentativa de golpe foi derrotada definitivamente”, afirmou.

Sobre a operação em Chacao, destacou que as ações foram realizadas para garantir o direito dos moradores de livre trânsito e de executarem suas atividades cotidianas. “Nesta madrugada [18/3], nossa Força Armada Nacional Bolivariana e a GNB tomaram a Praça Altamira, todo o corredor da Avenida Francisco de Miranda para garantir o direito dos moradores”, disse Arreaza em transmissão da emissora Televisión.

“Vocês não imaginam o vandalismo ocorrido no município Chacao. Não houve intervenção da Polícia Regional do estado Miranda, que não existe, pelo menos ali, e da polícia municipal que estava só observando”, expôs aos políticos, empresários e estudantes que acudiram à mesa de diálogo em Carabobo.

Arreaza disse que o prefeito Ramón Muchacho converteu sua conta no Twitter num meio para a “defesa indireta” dos violentos ataques, “dando destaque aos feridos em Chacao ou às bombas lacrimogêneas, porém não noticiava quantos escritórios públicos haviam sido destruídos pelos grupos armados de ultradireita”.

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Protestos em Nova Iorque, em frente a CNN, em apoio a Maduro e contra o intervencionismo norte-americano.

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Vídeo: “Mi amigo Hugo”, o novo documentário de Oliver Stone

15 de março de 2014

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Oliver Stone e seu documentário sobre Hugo Chavez.

Léa Maria Aarão Reis, via Carta Maior

O filme é um documentário do norte-americano Oliver Stone e tem 50 minutos. Chama-se Mi amigo Hugo e foi apresentado na quarta-feira, dia 5, na Telesur, a televisão venezuelana, em cadeia nacional, para marcar um ano da morte prematura de Hugo Chavez.

Trata-se de uma bela homenagem ao amigo de Caracas com quem Stone iniciou uma afetuosa amizade em 2009, quando o conheceu e filmou-o para outro documentário de sua autoria, Ao sul da fronteira, no qual entrevistou chefes dos governos progressistas do continente sul-americano. Do Brasil – o então presidente Lula dizendo: “Chavez, um homem necessário”, Cristina Kirchner, José Mujica, Evo Morales, Rafael Corrêa.

Depois da morte de Chavez, o cineasta retornou a Caracas e conversou com o já então presidente Maduro, com oficiais de ordens do gabinete do presidente morto, seu irmão, alguns amigos e com a companheira, Cília Flores, e diversos políticos que formaram nos ministérios venezuelanos durante o governo chavista. Todos ainda comovidos e leais ao companheiro.

Aliás, a lealdade das equipes de Chavez é notória neste filme.

Deve-se assistir a Mi amigo Hugo. É importante para conhecer uma realidade que as mídias conservadoras sul-americanas e as do norte da fronteira fazem questão de, desonestamente, não mostrar.

É repugnante ver, quase no final do filme, na montagem dos noticiários de diversos canais norte-americanos comemorando sem compostura e com alegria selvagem a morte de Chavez.

É importante, em especial para os mais jovens, assistir ao filme de Oliver Stone porque para estes sempre foi repassada uma imagem negativa, populista e caricata do finado chefe de governo venezuelano. Foram formados assim.

E não apenas pela honestidade com que o personagem é apresentado. É ressaltada a importância do seu trabalho na liderança dos movimentos de independência do continente, “um precursor do atual processo de integração latino-americano e Caribe,” observa Stone. Chavez jogou no lixo a chamada política externa de joelhos antes praticada pelos governos do sul da fronteira do Rio Grande.

Em Ao sul da fronteira, Stone já anotava: “Os norte-americanos não sabem o que está acontecendo aqui” (na Venezuela). Em Mi amigo Hugo ele completa, na sua narração: “Chavez inspira as gerações de jovens líderes políticos do continente.”

Assistir a este doc é também uma oportunidade de conhecer, em grande close, o ser humano expansivo e seu carisma, no cotidiano. O bebedor de café inveterado, cerca de trinta xícaras diárias. Café aguado; “mas não é colombiano; é venezuelano, muito bom,” brinca Chavez. A rotina estafante de trabalho, das sete da manhã até altas horas da noite. O sono insuficiente, com o qual se preocupavam seus próximos e auxiliares. O ritual que cumpria religiosamente, assim que se levantava da cama: informar-se do preço do petróleo.

Imagens de Chavez na ONU, “desinfetando” o púlpito onde George Bush/“o diabo” acabara de discursar. Visitando e conversando com Fidel e na companhia de Morales. Na Academia Militar, onde ingressou aos 17 anos. Já na qualidade de presidente da república bolivariana, cantando canções campesinas nas festas do interior – adorava cantar. Andando (e caindo) de bicicleta.

A resistência ao golpe vergonhoso, frustrado, do governo estadunidense. As sabotagens nas refinarias. E o presidente Maduro dizendo: “Chavez não foi apenas um ser humano; ele é um grande coletivo. Representa uma nova consciência do mundo que exige o respeito entre países.”

Imagens de Chavez sendo vencido pela doença, arfando, subindo escadas com certa dificuldade, e o último discurso, em 4 de dezembro de 2012, na tevê, a despedida, última aparição pública antes de voltar a Cuba pela última vez. A voz embargada, cantarolando, e a paixão pela Venezuela: “Pátria é minha vida, minha alma, meu amor. Viva a pátria, viva a vida.”

Populista? Mas sem a frieza dos príncipes, dos sociólogos e dos gravatas-de-seda.

Autor de alguns filmes que já são clássicos – Platoon, Nascido em 4 de julho, Wall Street –, Oliver Stone se tornou um amigo íntimo, um confidente de Hugo Chavez.

Este seu doc – “é a minha despedida de um soldado e amigo”, ele declara – é obra de profissional. Tem qualidade e transpira afeto e a cordialidade para com Chavez. “Sua generosidade de espírito era incrível”, ele diz. “Era um patriota que adorava seu país.”

Mas é Cília Flores quem resume, com simplicidade, o homem com quem conviveu bem próximo: “Sempre bem humorado, ele transmitia alegria por onde passava.”

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A manipulação da plateia

15 de março de 2014

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Pequena análise dos resultados de uma pesquisa sobre a mídia impressa do Brasil.

Mino Carta, via CartaCapital

Na terça-feira, dia 11, o Estadão nos ofertou um exemplo impecável de como a mídia nativa manipule as informações. No primeiro editorial da terceira página, mostra de que forma uma verdade pretensamente definitiva em nada se parece com a verdade factual.

De saída, o editorial cita Mark Twain (com o delicioso cuidado de avisar que se trata de um escritor norte-americano) para afirmar a intocada energia da mídia impressa, a contrariar as previsões da moda que vaticinam seu iminente passamento diante do avanço da internet. Primeira prova da excelente saúde: a credibilidade.

De onde o Estadão extrai esta “verdade”? De uma pesquisa encomendada ao Ibope Inteligência pela própria Secom. Informa o editorial: 53% dos entrevistados confiam nos jornais impressos, “sempre ou muitas vezes”. Confiam menos em rádio e tevê, um tanto menos em revistas, menos ainda em sites e blogs. O Estadão exulta. Deveria chorar, como será provado.

O Brasil não é país de leitores. O que tem explicações óbvias, embora não falte quem não sabe ou quem não quer entender, por ignorância, medo ou interesse. A casa-grande até hoje conseguiu manter a senzala a notável distância, e tal, diria Hannah Arendt, é a verdade factual. Não é por acaso que somos o quarto país mais desigual do mundo.

Para arcar a contento seu papel de porta-voz da casa-grande, a mídia esmera-se na manipulação da sua plateia, graças a recursos de comprovada eficácia, tais como inventar, omitir e mentir. No caso do editorial do Estadão, registre-se a clamorosa omissão de um dado fundamental: apenas 5% dos entrevistados leem os jornais com certa regularidade. Ou seja, 5 milhões de brasileiros.

Não se trata somente dos jornalões, mas também dos jornais regionais e dos chamados populares. É neste universo que trafegam aqueles 53% de leitores mais ou menos confiantes. Ou, por outra, 2,65 milhões de brasileiros. Donde, mais de 197 milhões de cidadãos, conscientes ou não da sua cidadania, não estão nem aí, como se diz.

A pesquisa tem muito valor, mas não é no sentido pretendido pelo Estadão. A rigor, dois fatos emergem e ganham instrumentos de análise de medição mais precisos. O primeiro diz respeito ao Brasil, cujo atraso avulta e dói. O segundo nasce do confronto entre mídia impressa e meios de comunicação já tradicionais, rádio e tevê, e outros precipitados pelo progresso tecnológico. A questão, por aqui, se estabelece com peculiaridades próprias.

Sobre o atraso do Brasil não há por que insistir. Basta cogitar de alguns aspectos. Morrem assassinados, todos os anos há bastante tempo, mais de 50 mil brasileiros. São Paulo e Rio são mais inseguros do que Ramallah. Se quiserem, a nossa mídia ofende diariamente o vernáculo. Ou um estádio no Brasil da Copa custa quatro vezes mais que um na Alemanha. Etc. etc. Não me detenho, a bem do meu fígado.

Passemos ao segundo assunto, tratado neste espaço, data vênia, por um jornalista ancião que ainda usa a Olivetti em lugar do computador. Ancião e retrógrado. Dou a minha opinião, ela também se diferencia da verdade factual. Quero acreditar, eis o ponto, e acreditar em extremis válido para mim, que a escrita vai sobreviver dentro das suas possibilidades. Scripta manent, verba volant, a escrita permanece, a fala voa, diziam os latinos.

Desço mais ao fundo. O caminho da mídia impressa tende a ser o da análise qualificada, da lavra de quem tem autoridade para tanto, e do chamado “furo”, a informação exclusiva e reveladora da qual somente você dispõe. É no futuro deste jornalismo impresso de qualidade, ética e estética, que me permito acreditar. Infelizmente, o jornalismo brasileiro escolheu o caminho oposto, vergonhosamente sectário, manipulador da informação, incapaz de qualquer resquício de estilo literário. Não sei o que haveria de acontecer para evitar o desastre final.

Clique aqui para ler sobre a pesquisa: “Brasileiro passa mais tempo na internet que na tevê”.

 

Venezuela: Pesquisas desmascaram golpistas

12 de março de 2014

Venezuela_Manifestacao31_Cartaz

Pesquisas aponta que 85% dos venezuelanos condenam protestos e só 22% querem saída de Maduro.

Fernando Brito, via Tijolaço

Então, a democracia está ameaçada na Venezuela? Sim, está, pela tentativa de deposição extralegal do presidente eleito há menos de um ano, Nicolas Maduro.

Simplificando: um golpe de Estado.

Não é a minha opinião, é a da maioria dos venezuelanos. Duas pesquisas de opinião – da International Consulting Services e da Hinterlaces – realizadas na semana passada e “escondidas” pela mídia brasileira – só tomei conhecimento delas pelo excelente Opera Mundi – mostram que até 85,4% rejeitam a continuidade dos protestos que há quase um mês a oposição promove em todo o país.

Venezuela_Pesquisa01

Como você vê no gráfico, somente 3,8% dos venezuelanos estão “muito de acordo” com os protestos, um número dez vezes menor que os que estão “muito em desacordo: 37,4%. E entre os que estão apenas “de acordo” a proporção é novamente gritante: 6,5% contra 32,7% que estão em desacordo. Ou um contra cinco venezuelanos. No total, pouco mais de 10% defendem a continuidade dos protestos.

Venezuela_Pesquisa02

Outro instituto, o Hinterlaces, diz que apenas 22% dos venezuelanos apoia a saída de Nicolas Maduro do cargo, enquanto 40% querem uma aliança entre governos e empresários ou oposicionistas. Mais de um terço, porém, querem mesmo é que Maduro entre de sola sobre oposicionistas e empresas que aumentam preços: “mano dura”, escolheram estes.

Mesmo sendo apenas 22% os que querem a derrubada ou a renúncia de Maduro, é preciso considerar que ele venceu por 52% uma eleição polarizada e onde a oposição não quis aceitar os resultados das urnas. Esperado, portanto, que parte disso reflita mais o ressentimento com a derrota de abril passado do que uma condenação à administração do presidente.

Outra coisa: 71%, independentemente de apoiarem ou rejeitarem Maduro não aceita nenhuma solução fora dos caminhos eleitorais: ou nas novas eleições ou pelo mecanismo criado por Chavez na Constituição do País: o referendo revogatório, que pode ser convocado na segunda metade do mandato, por pelo menos 20% dos eleitores do país.

Há muitos outros detalhes, mas o essencial é o que não está sendo mostrado a você, embora os correspondentes dos nossos jornais e televisões tenham tido acesso a estas pesquisas, que já foram publicadas quatro ou cinco dias atrás.

É preciso vender a imagem de que “as ruas” querem a saída do presidente livremente eleito. E dar, assim, cobertura “democrática” ao golpismo.

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