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Luiza Erundina afirma que alianças do PSB não têm coerência

6 de janeiro de 2014

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Para deputada, falta sentido político nos acordos regionais de seu partido. Semana passada, PSB anunciou a entrada do PSDB no governo de PE, o que desagradou aliados de Campos.

Marina Dias

A deputada federal Luiza Erundina (PSB/SP) diz que não existe “coerência política” nas alianças regionais que seu partido tem fechado para fortalecer a pré-candidatura do governador Eduardo Campos à Presidência.

“A certeza que tenho é que não há coerência política a ponto de se conseguir dar unidade a alianças que podem ser reproduzidas no resto do país”, disse à Folha.

Na semana passada, o PSDB de Pernambuco aderiu ao governo de Campos. Erundina critica a natureza das decisões e afirma que elas não passaram pela Executiva Nacional do PSB. Apesar das ressalvas, ela diz que Campos “tem o desejo de fazer as coisas de maneira diferente”.

Folha – Em que medida a entrada do PSDB no governo de Eduardo Campos altera o acordo entre PSB e Rede?

Luiza Erundina – Cada caso é fruto do sistema político exaurido, esgotado em responder às demandas da sociedade. Mantemos regras, normas e sistemas partidários e eleitorais defasados, sem identidade, e isso explica esse caos que existe nas políticas de alianças locais. A certeza que tenho é que não há coerência política a ponto de se conseguir dar unidade a alianças que podem ser reproduzidas no resto do país.

PSDB e PSB acordaram possíveis alianças em Pernambuco, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Sul e São Paulo. Qual é o limite para esses acordos acontecerem?

Isso já está dado. O processo já andou tanto, as conversas já se deram com tanta frequência e não passaram pelas direções partidárias. Marina Silva insiste em encaminhar as coisas de outra forma, mas é uma tentativa muito recente. A junção entre PSB e Rede é salutar, é a construção coletiva de um processo novo e vamos acumular para, se não for nessa eleição, introduzir algo novo num futuro que espero ser próximo.

O presidente estadual do PSB/SP, Márcio França, articula há meses um acordo para ser vice na chapa de Geraldo Alckmin. Mas interlocutores dizem que Marina e Campos conversaram e que essa possibilidade agora “tende a zero”.

A partir da aliança PSB-Rede esse quadro se encontra mais complicado.

É mais importante o PSB ter um candidato próprio ou se aliar ao PSDB de Alckmin?

Defendo candidatura própria junto com a Rede para construir uma nova força política e quebrar a polarização PT-PSDB, que é artificial, já que os dois partidos têm muita identidade do ponto de vista de alianças e propostas políticas. Precisamos introduzir novos elementos para renovar a política brasileira. Essa história de palanque duplo, palanque triplo, é um absurdo, é contribuir para esse quadro político caótico.

A senhora está disposta a ser candidata ao governo de São Paulo?

É um processo complexo, e não podemos colocar as coisas nesses termos, para não quebrar a unidade PSB-Rede.

As posturas de Marina e Campos frente à política de alianças não são contraditórias?

Não. Há uma intenção de Campos em contribuir para que as coisas se deem de maneira diferente, mas a lógica eleitoral se superpõe a tudo. Somos vítimas dessa lógica.

***

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Luis Nassif: O “fracasso” de Lula ao escolher Haddad

4 de setembro de 2012

Luis Nassif em seu blog

Qual a diferença entre burocratas e inovadores? Os primeiros se baseiam em pesquisas para saber o que os consumidores querem. Os segundos se baseiam na intuição para saber o que os consumidores irão querer. Se medíocres, produzirão fracassos; se geniais, produzirão revoluções.

É a diferença fundamental. Se deixar a bola com o consumidor, ele só poderá opinar sobre o que conhece, isto é, sobre o padrão antigo. Já os inovadores intuem o novo, correm o risco de apresentar o que o consumidor ainda não conhece. Se não conhece, como saber se aceitará o novo?

Daí a dificuldade do chamado pensamento médio em captar o alcance dos grandes lances políticos, conforme se pode conferir nas análises prévias sobre o lançamento da candidatura Fernando Haddad por Lula.

Por O Escritor

A infalível bola de cristal das (dos) jornalistas do PIG

1. Dora Kramer

“Lula achou que pudesse descartar impunemente a senadora Marta Suplicy, aproximar-se de Gilberto Kassab ao custo do constrangimento da militância e do discurso petista, anular uma prévia reconhecida como legal no Recife, pedir bênção a Paulo Maluf, direcionar a posição de um ministro do Supremo Tribunal Federal e administrar uma comissão de inquérito ao molde de seus interesses como se não houvesse amanhã.”

“Lula não é o espetacular articulador que se imagina. Apenas tinha, e agora não tem mais, todos os instrumentos de poder nas mãos, os quais utilizou com ausência total de escrúpulos.”

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/dora-kramer-ha-um-assombro-geral-com-a-desfacateza-de-lula-ao-passar-por-cima-de-tudo-e-de-todos/

2. Eliane Cantanhêde

“Além de ficar ‘feio’, a foto é uma espécie de documento não só dos erros como das derrotas de Lula ultimamente. O nosso gênio da política tem levado vários tombos: o drible de Kassab, o gol contra no jogo com Maluf, a petulância de Marta e a lição pública de Luiza Erundina.”

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/elianecantanhede/1108521-lula-faz-de-limao-uma-limonada.shtml

3. Merval Pereira

A foto que incomodou Luiza Erundina e chocou o País, do ex-presidente Lula ao lado de Paulo Maluf para fechar um acordo político de apoio ao candidato petista à prefeitura paulistana (o nome dele pouco importa a essa altura), é simbólica de um momento muito especial da infalibilidade política de Lula.

“O choque causado por esse movimento radical pouco importará se a vitória vier em outubro. Mas se sobrevier uma derrota, a foto nos jardins da mansão daquele que não pode sair do país porque está na lista dos mais procurados pela Interpol será a marca da decadência política de Lula, que estará então encerrando um largo ciclo político em que foi considerado insuperável na estratégia eleitoral.”

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2012/06/20/a-foto-de-lula-com-maluf-por-merval-pereira-451329.asp

4. Mãe Dinah

Opa! Desculpe.

5. A voz dos patrões

“O que chama a atenção é a sua confiança nos superpoderes de que se acha detentor, graças aos quais, imagina, conseguirá dar a volta por cima na hora da verdade, elegendo Haddad e sufocando a memória da indecência a que se submeteu. Não parece passar por sua cabeça que um número talvez decisivo de eleitores possa preferir outros candidatos, não pelo confronto de méritos com o petista, mas por repulsa à genuflexão de seu patrono perante a figura que representa o que a política brasileira tem de pior.”

http://arquivoetc.blogspot.com.br/2012/06/vinganca-maligna-de-maluf-editorial.html

“Confirma, em primeiro lugar, o mau estado em que se encontram os tão proclamados instintos políticos do chefe petista. Seu senso de onipotência, alimentado pela criação vitoriosa de uma candidata quase desconhecida à sua própria sucessão, terá provavelmente feito com que desprezasse os riscos dessa excursão fotográfica.”

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1107953-editoriais-depois-da-foto.shtml

***

E quando o futuro chega e o candidato-cujo-nome-não-importa ultrapassa, nas intenções de voto, o supercandidato eterno de 43 milhões de votos, um mês antes da eleição…

“A propósito, o tracking diário feito pelo PT – ou seja, a pesquisa eleitoral telefônica da campanha – mostrou hoje, pela primeira vez, Fernando Haddad à frente de José Serra. Celso Russomano continua inabalável na liderança. Aos números: Haddad, 18%; Serra, 16%; e Russomano, 31%.

“Até quinta-feira [6/9], nova pesquisa do Datafolha comprovará ou não essa ultrapassagem – ainda dentro da margem de erro. Por Lauro Jardim”

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2012/troca-de-posicoes/

… bem, muda-se de opinião.

“Muita água ainda vai rolar na eleição e convém resistir ao “adivinhômetro”, mas já há constatações. Uma é que o abraço em Paulo Maluf fez muito menos mal a Haddad do que a aliança com Gilberto Kassab está fazendo a Serra. Outra é que Haddad é muito forte tanto para ser prefeito quanto para ser uma volta por cima do PT.”

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/elianecantanhede/1147947-o-pos-mensalao.shtml

Mesmo não sendo vice, Erundina afirma que fará a campanha de Haddad

1 de julho de 2012

Após deixar o cargo de vice na chapa do candidato petista em São Paulo, ex-prefeita diz que mal-estar passou e que episódio sobre aliança do PT com o PP de Paulo Maluf “é passado”. A deputada tem agora a missão de aumentar a popularização do ex-ministro.

Com informações do Brasil 247

A ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB) quer deixar para trás o episódio sobre sua saída da chapa petista nas eleições da capital. Ela afirmou na sexta-feira, dia 29, que o mal-estar provocado pela aliança entre PT e PP “é passado” e que agora vai “organizar sua tropa” para ajudar eleger o candidato do PT, Fernando Haddad.

Quando Erundina desistiu da chapa, o vice-presidente nacional do PSB, Ricardo Amaral, chegou a afirmar que nada mudava entre os partidos e que a sigla continuaria com o apoio aos petistas em São Paulo. “Eu continuo apoiando Haddad. Vou organizar minha tropa para a gente ajudar na eleição dele. É o melhor candidato. O episódio é passado”, disse a ex-prefeita. Erundina afirmou esperar que não haja mágoas também por parte de Haddad. “Vou provar para ele que isso não foi dirigido a ele”, disse. “Vou dar minha contribuição para ajudá-lo a se eleger”, acrescentou.

Sobre a nova vice de Haddad, Erundina diz ter sido uma “boa escolha”. Antes de o ex-ministro da Educação formalizar o nome da ex-secretária de Esporte da gestão Marta Suplicy e presidente estadual do PCdoB, Nádia Campeão, na quarta-feira, dia 27, fez questão de declarar que foi ele mesmo quem a escolheu. Antes da comunista, as opções passaram pela deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) e pelo presidente da OAB/SP, Luiz D’Urso (PTB), que agora está confirmado como vice de Celso Russomano (PRB).

Luiza Erundina tem, como missão, popularizar o afilhado político de Lula, que conta com 8% das intenções de voto, segundo o último Datafolha. Apesar de ter concluído sua gestão com baixo índice de aprovação na cidade, a ex-prefeita é bastante conhecida e pode trazer votos para o candidato. Enquanto o nome de Nádia Campeão é completamente desconhecido do grande público. Para especialistas, dificilmente o vice costuma trazer votos.

Nota do Limpinho: Vamos aguardar novas informações para saber se ela não voltará atrás novamente.

O maquiavelismo de Lula

23 de junho de 2012

Miguel do Rosário em seu O Cafezinho

Ontem [21/6] eu disse que faria as últimas considerações sobre o caso Erundina, mas foi uma promessa tola, então me deem licença para voltar ao assunto. De qualquer forma, não abordarei o assunto segundo perspectivas ideológicas ou subjetivas. Já que a decisão do PT foi eminentemente pragmática e mesmo maquiavélica (na acepção mais brutal do termo), então façamos também uma análise friamente objetiva.

Abaixo, vocês veem a relação dos vereadores da cidade de São Paulo, extraída do site da Câmara. Observe que o PT é o partido mais forte, com 11 vereadores. O PSDB perdeu um bocado para o PSD, que agora tem dez vereadores. Voltamos após o gráfico.

Esse quadro nos sugere algumas observações:

1. A aliança do PSDB com o PSD foi fundamental para a candidatura Serra. Lula tinha razão (do ponto de vista do cálculo maquiavélico-eleitoral) para tentar acordo com Kassab e PSD.

2. Serra está conseguindo fechar acordo com quase todos os partidos com boa presença na câmara: PSD, PR, PV, PPS e DEM.

3. Se os tucanos conseguissem fechar com PP e PTB, formariam um bloco com muita força eleitoral. O PTB ainda está em disputa.

4. Deve-se sempre ressaltar a grande vitória de Serra ao fechar acordo com o PR, legenda que tem cinco vereadores em São Paulo e conta com o campeão brasileiro de votos Tiririca.

Vamos ver outros números. Abaixo a votação para prefeito em 2008:

A tabela acima merece ser examinada com atenção. De fato, não dá para desprezar Maluf. Ele ficou em quarto lugar no ranking dos mais votados. Para o PT, o quadro oferece uma série de problemas:

● Dos seis candidatos mais votados em 2008, cinco eram nomes de oposição ao PT, sendo quatro de direita e um de esquerda (PSOL).

● Trazendo Maluf para junto de Haddad, o PT diminui a pontuação inimiga nas eleições deste ano.

Agora vamos analisar a força política real de Maluf, refletida na sua votação para deputado federal em 2010. Para efeito de comparação, trazemos abaixo também os números de Erundina. Comentamos em seguida.

Maluf obteve 275 mil votos válidos para deputado federal na cidade de São Paulo e 497 mil votos em todo o estado. Erundina teve 178 mil votos na cidade e 214 mil votos no estado.

Os eleitores de Erundina tendem a votar no Haddad, porque seu partido PSB vai apoiar Haddad. Este vai usar imagens de Erundina em sua campanha e ela deverá pedir votos para o petista na TV. Então estes são votos já garantidos.

Os eleitores de Maluf devem se dividir. Os mais ideológicos tendem a votar em Serra. O eleitor mais humilde, que vota no Maluf por algum tipo de misteriosa afinidade, tenderá a votar em Haddad, porque o PP apoiará o petista. Além disso, temos Lula, uma lenda viva entre os mais pobres.

Analisando friamente as estratégias eleitorais dos dois principais adversários, Serra e Haddad, vemos que ambos não estão medindo esforços para ampliar seus respectivos exércitos. Serra continua favorito, pois é muito conhecido, conseguiu apoio de um bom leque de partidos e tem a grande mídia como sua grande aliada.

Do ponto de vista estritamente eleitoral, portanto, Lula e o PT agiram de maneira rigorosamente correta ao se esforçar para obter apoio do PP de Maluf.

O timing da foto foi desastrado, embora se possa alegar que a confusão gerou um factoide político de enorme impacto midiático, ajudando a romper o anonimato de Haddad. Vários colunistas estão começando a engolir essa ficha. Eliane Cantanhede admitiu que este é um argumento a favor de Lula:

“A novidade no affair Lula-Maluf é a versão de que tudo foi ótimo para a candidatura de Fernando Haddad, que ganha visibilidade inédita e gratuita, aparecendo em todas as TVs, rádios, páginas de jornais e bombando na internet. Mais ou menos na linha do “falem mal, mas falem de mim.

Trata-se da velha tática de Lula de transformar o negativo em positivo, a desvantagem em vantagem.”

A eleição em São Paulo oferece a Serra a oportunidade de disputar um terceiro turno contra o PT. E Lula parece entender o pleito paulistano como uma oportunidade de preparar o terreno para ganhar o governo do estado em 2014.

Uma defesa que se poderia fazer acerca do frio e até meio sujo pragmatismo da campanha petista em São Paulo, é que a realpolitik, a bem da verdade, nunca foi um jogo para inocentes. O idealismo juvenil, que é a maior vítima da foto idílica de Lula, Haddad e Maluf, só costuma fazer diferença em eleições quando tem apoio da mídia, e quando isto acontece temos frequentemente a manipulação da ingenuidade. Ou seja, o idealismo juvenil perde novamente.

Entretanto, uma das características mais marcantes do lulismo foi justamente aniquilar o idealismo onírico juvenil, substituindo-o pelo idealismo de resultados. Os lulistas não fizeram campanha pela reeleição de Lula e depois por Dilma brandindo símbolos de uma revolução socialista. Ao contrário, tiveram que lutar contra acusações pesadíssimas de seus adversários contra as imagens de Lula abraçando Collor e defendendo Sarney e Renan Calheiros. Fizeram a luta política com galhardia e suas armas mais poderosas foram estatísticas que mostravam o notável desenvolvimento econômico e social do País. Um idealismo de resultados, repito. Esta é explicação para a foto de Lula, Maluf e Haddad. Lula quer ganhar as eleições, quer que o PT faça um bom governo, que agregue mais estatísticas e mais resultados positivos para dar substância às futuras campanhas de seu partido. Os militantes “decepcionados” não deixarão de votar no PT e os resultados sociais concretos de uma administração popular despertarão as massas adormecidas de São Paulo, que enfim poderão se libertar do jugo conservador-midiático que as fazem votar contra seus próprios interesses.

Além do mais, quem bancou Lula nunca foi a “militância”, que, ao contrário, mostrou-se sempre instável e reticente em seu apoio – tanto ao ex-presidente como à Dilma. Quem jamais traiu Lula – mesmo em seus momentos mais difíceis e nas circunstâncias mais polêmicas e complexas – foi o povão. O povão não tem frescura ideológica. Ele quer resultados, ponto final. No que tange à ética, o povo quer ver rico indo em cana, e foi Lula, e só ele, quem botou Maluf na cadeia, dentre centenas de ricaços e poderosos que, pela primeira vez na história do Brasil, tiveram a experiência inesquecível de contemplar o nascer quadrado do sol.

Por fim, não podemos esquecer que o principal partido conservador no Brasil é a mídia paulista, que é bancada financeiramente pelo governo de São Paulo. Se Lula conseguir apear o PSDB de São Paulo, com Maluf ou sem Maluf, será um golpe brutal contra o poder da mídia corporativa, que ataca candidatos populares e movimentos sociais em todo País. O julgamento da história, e só ele, sabe exatamente por quem os sinos tocam na política brasileira.

Leia também:

Lula e o julgamento da história

Os idealistas trabalham de graça

Luiza Erundina: Tudo por uma foto

20 de junho de 2012

Quércia e Erundina formam aliança para eleição em São Paulo em 2004. Agora, ela desistiu da disputa por causa de uma foto. Via O Esquerdopata.

Luis Nassif, via Advivo

Tenho um carinho histórico por Luiza Erundina.

Quando foi alvo de uma tentativa de golpe por parte do Tribunal de Contas do Município (TCM) devo ter sido o único jornalista a sair em sua defesa. Tinha o programa Dinheiro Vivo, na TV Gazeta, de público majoritariamente empresarial. Externei minha indignação que deve ter tido algum peso na decisão do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Amato, de visitá-la com uma comitiva de empresários, hipotecando-lhe solidariedade.

Defendia-a também quando operadores do PT criaram o caso Lubeca. E, recentemente, o blog conduziu uma campanha de arrecadação de fundos, para ajudar Erundina a pagar uma condenação injusta dos tempos em que foi prefeita.

Sempre admirei sua luta pelos movimentos sociais, das quais sou periodicamente informado por irmãs lutadoras.

Por tudo isso, digo sem pestanejar: ao pedir demissão da candidatura de vice-prefeita de Fernando Haddad, Erundina errou, pensou só em si, não em suas bandeiras políticas nem em seus movimentos sociais. Foi terrivelmente individualista.

À luz das entrevistas que concedeu ontem [19/6], constata-se que os motivos foram fúteis. Estava informada da aliança do PT com Paulo Maluf; chocou-se com a foto de Lula e Haddad com ele. Foi a foto, não a aliança, que a chocou.

A foto tem uma simbologia negativa, de fato. Aqui mesmo critiquei o lance. Mas apenas simbologia. Não se tenha dúvida de que, eleito Haddad, Erundina seria a vice-prefeita plena para a periferia, seria os movimentos sociais assumindo uma função relevante na administração municipal.

No entanto, Erundina abdicou dessa missão, abriu mão de suas responsabilidades em relação aos movimentos sociais, devido ao simbolismo de uma foto. Ela sabia que, eleito Haddad, seria mínima a participação do malufismo na gestão da prefeitura; seria máxima a intervenção de Erundina nas políticas sociais.

Poderia ter dado uma entrevista distinguindo essas posições, externando sua repulsa do malufismo, mas ressaltando a diferença de poder entre ambos.

Mas Erundina se sentiu preterida, não por Haddad, mas por Lula, que deixou-se fotografar com Maluf e não com Erundina.

Seu gesto foi para punir Lula, pouco importando o quanto prejudicaria seus próprios seguidores, os movimentos sociais. Ela abriu mão de um cargo que não era seu, mas de seus representados, para punir Lula.

E quem ela procura para a retaliação? Justamente os órgãos de imprensa que mais criminalizam os movimentos sociais, que tratam questão social como caso de polícia. Coloca a bala no revólver e o entrega à revista Veja. A quem ela fortaleceu? Ao herdeiro direto do malufismo na repulsa aos movimentos sociais: Serra.

Saiu bem na foto da mídia, melhor do que Lula com Maluf, mas a um preço muito superior. E quem vai pagar a conta são os movimentos sociais, pelo fato de sua líder ter abdicado de um cargo que a eles pertencia.

Os idealistas trabalham de graça

19 de junho de 2012

Crônicas do Motta

Quando eu tinha meus 20 anos e era chefe de reportagem do Jornal de Jundiaí, certa vez fiquei pelo menos umas três horas trancado na sala do dono da empresa, tentando arrancar dele um aumento para alguns companheiros de redação, ainda mais novos que eu.

Naquele tempo ainda acreditava que o jornalismo era mais que um simples trabalho, era um ofício com poder transformador – como muitos, sinceramente achava que as palavras tinham força.

Não me lembro bem do fim de nossa conversa, acho que não consegui nada para meus colegas, mas me recordo exatamente de uma frase dita pelo tal patrão, com certeza o pior de todos que já conheci. A frase, porém, tal seu grau de cinismo, era muito boa:

– Adoro os idealistas, pois eles trabalham por pouco, não preciso pagar quase nada para eles.

E assim passei grande parte de minha vida vendo os idealistas morrerem paupérrimos por seus ideais e os maus patrões ficarem cada vez mais ricos.

Ou então assistindo os idealistas entrarem em batalhas de mãos limpas, desarmados, cheios de boas intenções, os corações puros e as mentes em êxtase – e serem trucidados com a facilidade com que a gente esmaga os insetos.

Lula foi um idealista. Como idealista perdeu a eleição em 1982 para o governo do Estado, concorreu à Presidência e foi derrotado em 1989, perdeu novamente em 1994 e mais uma vez em 1998.

Lula perdeu todas as eleições majoritárias que disputou enquanto foi um idealista e subia nos palanques tendo como companhia apenas a sua fúria de idealista.

E enquanto vociferava slogans revolucionários de idealista o País afundava.

Um belo dia, Lula resolveu que se quisesse ser um vencedor não bastava ser um idealista.

Entendeu que sozinho o PT não iria nunca ser vitorioso, que precisava fazer alianças com gente de fora para ter alguma chance eleitoral.

Compreendeu que só os idiotas ou suicidas entram numa guerra desarmados.

A partir daí, a história do Brasil mudou, queiram ou não seus inimigos de variados matizes ideológicos.

Sua foto com Maluf, celebrando o apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad, sei bem, chocou os idealistas. Não vou perder tempo tentando convencê-los de nada: cada um pensa o que quiser, julga os outros como bem entender, vota em quem achar que merece o seu voto, ou simplesmente o anula.

Como já estou numa idade que me impede de buscar o ouro no fim do arco-íris ou de me aprofundar em discussões sobre o sexo dos anjos, achei que a foto de Lula com Maluf é apenas parte de um jogo muito difícil de ser jogado e entendido por quem não é do ramo, mas que se resume no seguinte: é melhor ganhar um aliado que um inimigo, é melhor somar que dividir, é melhor ter mais tempo de propaganda que o adversário, é melhor se mostrar flexível que intransigente, é melhor ser inteligente que estúpido.

Penso assim: cada idealista com o seu ideal.

O meu, nesta eleição municipal, é o mais singelo do mundo: derrotar José Serra. Se for sem Maluf, melhor, se tiver de ser com ele, tudo bem; se for com Erundina, ótimo, se ela quiser pular do barco e levar junto o seu idealismo, problema dela, que vá ser feliz em outra freguesia.


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