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Joaquim Barbosa, quando quer, não domina a teoria do domínio do fato

8 de julho de 2013

Joaquim_Barbosa85_Filho

Na sexta-feira, dia 5, Stanley Burburinho publicou um post no Facebook que mostram que o presidente Joaquim Barbosa não domina muito bem os fatos quando legisla em causa própria.

Com informações do Brasil 247

No dia 2/6/2013, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, e seu filho assistiram ao jogo Brasil x Inglaterra, no Maracanã, no camarote de Luciano Huck. Não sei se foi antes ou depois do jogo que o filho de Joaquim Barbosa, Felipe Barbosa, foi contratado pela TV Globo para atuar no programa Caldeirão do Huck, do apresentador Luciano Huck:

“Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi contratado pela TV Globo. Ele atua no programa Caldeirão do Huck, do apresentador Luciano Huck. No fim de semana, Barbosa viajou, com recursos do Supremo Tribunal Federal, para assistir a um jogo da seleção brasileira no camarote de Huck e de sua esposa Angélica. Cogitado como presidenciável, Barbosa não tem demonstrado o mesmo rigor que cobra dos outros na sua vida pessoal.” (clique aqui)

Segundo o Wikipédia, o pai de Luciano Huck, Hermes Marcelo Huck, é advogado:

“Hermes Marcelo Huck é advogado (OAB/SP nº 17.894) e professor titular de Direito Econômico da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É mestre pela Universidade da Califórnia; bacharel, doutor e livre-docente pela Universidade de São Paulo. […] e pai do apresentador Luciano Huck.” (clique aqui)

Estive olhando os processos no site do STF e vi que existe uma reclamação (RCL 14.630), da Comercial de Alimentos Carrefour contra a Verparinvest S/A. Em 1º/10/2012, o ministro Joaquim Barbosa assumiu como relator desse processo. No dia 26/6/2013, o ministro Barroso assumiu como relator do processo.

Acontece que o advogado da Verparinvest S/A, uma das partes da reclamação, é o doutor Hermes Marcelo Huck, pai do apresentador Luciano Huck, patrão do filho do ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF. Então, quando foi assistir ao jogo no Maracanã no camarote do Luciano Huck e quando o filho do ministro foi contratado pela TV Globo, o ministro Joaquim Barbosa ainda era o relator de processo que o pai do Luciano Huck é advogado de uma das partes. Não li o processo, mas, ainda que o ministro Joaquim Barbosa tenha sido imparcial, soa estranho. Observe abaixo uma imagem do processo ou clique aqui para ir ao site do STF.

Joaquim_Barbosa87_Pai_Huck

E se a TV Globo for condenada por sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha?

Leia a coluna da jornalista Keila Jimenez, do blog Outro Canal, da Folha, onde ela informa que Joaquim Barbosa teve o filho Felipe Barbosa contratado pela Rede Globo.

Reforço 1 – O mais novo contratado da produção do “Caldeirão do Huck” (Globo) é Felipe Barbosa, filho do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa.

Reforço 2 – A Globo e fontes na produção da atração negaram para a coluna a recente contratação do rapaz. Disseram que ele foi apenas fazer uma visita ao Projac, no Rio.

Reforço 3 – Mais tarde, a emissora confirmou que Felipe fora mesmo contratado para um trabalho de pesquisa temporário no programa de Luciano Huck. O jovem é formado em comunicação social.

Talvez para comemorar a contratação, Barbosa e Felipe tenham ido juntos a um jogo da seleção brasileira, no camarote de Huck e Angélica. Barbosa viajou com as despesas pagas pelo STF.

Leia abaixo algumas notícias sobre a viagem de Barbosa, sobre seu banheiro no STF e outras coisinhas mais.

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A Globo e Joaquim Barbosa são um caso indefensável de conflito de interesses

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O ético Joaquim Barbosa, o herói da mídia, usou passagens do STF quando estava de licença

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A Globo e Joaquim Barbosa são um caso indefensável de conflito de interesses

5 de julho de 2013
Joaquim_Barbosa83_Marinho

JB com João Roberto Marinho num prêmio que o Globo lhe ofereceu.

Com seu filho empregado na Globo, JB fica moralmente impedido de julgar coisas relativas à Globo.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Devem imaginar que nós somos idiotas, a Globo e Joaquim Barbosa. Não há outra explicação. Como pode a Globo dar emprego ao filho de JB? E como JB pode deixar que isso ocorra?

Neste exato momento, a Globo enfrenta uma questão multimilionária na Receita Federal. Documentos vazados – demorou para que isso ocorresse – por alguém da Receita contaram uma história escabrosa.

Os documentos revelam, usemos a palavra certa, uma trapaça. Com o uso de um paraíso fiscal, a Globo fingiu que estava fazendo uma coisa quando comprava os direitos de transmissão da Copa de 2002. A Globo admitiu a multa que recebeu da Receita. E em nota alegou ter quitado a dívida.

Mas a fonte da Receita disse que não é verdade. E pelo blog O Cafezinho, que trouxe o escândalo, desafiou a Globo a mostrar o recibo.

Apenas para constar.

O dinheiro que a Globo não recolheu constrói escolas, hospitais, portos, aeroportos etc. etc. Mas, não pago, ele termina na conta dos acionistas. Foi, além do mais, usado um paraíso fiscal, coisa que está dando prisão na Europa hoje em dia.

Isto tudo posto, vamos supor que uma questão dessas termine no STF.

Qual a isenção de JB para julgar? É uma empresa amiga: emprega o filho dele.

Dá para julgar? E a sociedade, como fica?

Gosto de citar um dos maiores jornalistas da história, Joe Pulitzer. Às equipes que chefiei, citava exaustivamente uma frase que é vital para o exercício do bom jornalismo. “Jornalista não tem amigo”, escreveu Pulitzer.

O que Pulitzer dizia: “Se você tem amigos, você não vai tratá-los com a neutralidade devida como repórter ou editor.”

A Globo está cheia de amigos, e esta é uma das razões pelas quais seu jornalismo é tão viciado – e seus donos tão ricos. Mas as amizades de JB são ainda mais preocupantes, dado o cargo que ele ocupa.

A Justiça brasileira é um problema dramático. Recentemente, os brasileiros souberam das estreitas relações entre o ministro Fux, também do Supremo, e um dos maiores escritórios de advocacia do Rio. Sua filha, advogada, é empregada deste escritório. Como Fux pode julgar uma causa deste escritório?

Não pode. Há um claro conflito de interesses.

O mesmo vale para Joaquim Barbosa.

Quem acredita que ele não enxergou o conflito de interesses no emprego dado a seu filho na Globo acredita em tudo. É um caso tão indefensável que a Globo, inicialmente, negou a informação, obtida pela jornalista Keila Jimenez, da Folha. Procurada, a Globo, diz a Folha, negou a contratação. Disse que o filho de JB fora “apenas fazer uma visita ao Projac”. Só depois admitiu.

É uma história particularmente revoltante quando se lembra a severidade com que JB comandou o julgamento do “mensalão”. Ele fez pose de Catão com suas catilinárias anticorrupção e impressionou muitos brasileiros que podem ser catalogados na faixa dos inocentes úteis. Mas se fosse Catão não permitiria que seu filho trabalhasse na Globo. Não pagaria – como revelou o Diário – com dinheiro público a viagem de uma jornalista do Globo para uma viagem de completa irrelevância para a Costa Rica, apenas para obter cobertura positiva do jornal.

Não usaria, como se soube agora, recursos públicos para ver um jogo do Brasil num camarote de apresentadores – claro – da Globo [nota do Limpinho: “Coincidentemente”, o camarote que JB e seu filho assistiram ao jogo do Brasil e Inglaterra era de… Huck e Angélica.].

E provavelmente Catão também jamais gastasse o equivalente a R$90.000,00, em dinheiro do contribuinte, para uma reforma.

Joaquim Barbosa não tem autoridade moral para ocupar o cargo que ocupa: infelizmente os fatos são claros. Ele é um drama, uma calamidade nacional.

Sêneca dizia que era mais fácil começar uma coisa errada do que depois resolvê-la. A nomeação de JB por Lula – que procurava um juiz negro para o Supremo – foi um erro monumental. Resolvê-lo agora é uma enorme, uma trágica dificuldade.

***

Luciano_Huck15_Lobby

Com Joaquim Barbosa, Huck reforça vocação para o lobby

Via Brasil 247

É possível, e até provável, que o jovem Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, tenha todas as qualificações para trabalhar na Rede Globo – mais precisamente no Caldeirão do Huck, para o qual foi contratado. Mas em se tratando de Luciano Huck, personagem que faz da aproximação com poderosos uma rotina, a coincidência é sintomática.

Amigo do governador Sérgio Cabral ao ex-presidente Fernando Henrique, o apresentador consegue, em seus momentos de empresário, obter prodígios como uma autorização para construir uma pousada de luxo em Fernando de Noronha, a única do tipo na paradisíaca ilha. Ou escapar de multas pesadas por crime ambiental em Angra dos Reis, onde construiu uma mansão em área de reserva natural.

O convívio com os políticos, que agora se amplia pela aproximação com o presidente do Supremo, valeu a Huck portas a abertas em ministérios e frequência garantida em reuniões estratégicas do poder. Ele foi cogitado pelo PSDB para concorrer ao governo do Rio, e, no PMDB de Cabral, pode assinar ficha no momento em que desejar.

Com o filho de Barbosa em seu time, Huck lança uma ponte para o juiz mais poderoso do País. Os três, Luciano, Joaquim Barbosa já até dividiram mesmo camarote, no jogo Brasil e Inglaterra, que inaugurou o novo Maracanã.

Sempre com múltiplos interesses, Huck já foi dono de boate – a Cabral, em São Paulo, onde ele se orgulhava, nas rodas da sociedade, que baiano não ia –, tem negócios na internet e é hoteleiro, além de administrar a própria imagem em dezenas de contratos publicitários. Mais político de todos os apresentadores da Globo, é também queridinho da mídia. Nos bastidores, ele frequenta ministérios e convive com poderosos, participando de conversas políticas com grande frequência.

Com mais esse ponto de entrada no mundo dos poderosos de vários setores da sociedade, Luciano Huck mostra que ele próprio está cada vez mais poderoso.

***

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Comportamento de “coxinhas” paulistanos é tema de análise sociológica

24 de junho de 2013
Tarifa_Onibus21_Coxinhas

Manifestação coxinha.

Via Correio do Brasil

(co.xi.nha) Bras. Cul.

sf.

1. Coxa de galinha, que se usa ger. na preparação de canjas e sopas, ou como parte do frango à passarinho.

sf.

2. Salgadinho empanado e frito em forma de coxa de galinha, com uma porção de sua carne envoltos em massa de farinha de trigo [F.: coxa + –inha.]

As manifestações que se proliferam Brasil afora deixaram, em São Paulo, marcas muito maiores do que a vitória do Movimento Passe Livre, que conseguiu reduzir em R$0,20 o preço da passagem nos transportes públicos. Incluiu mais um significado à palavra “coxinha” e ao verbo “coxinhar” para, no futuro, ser sintetizada nos dicionários.

Por agora, no calor dos pneus em chamas, entre balas de borracha e gás de pimenta, o cientista social Leonardo Rossatto e o professor de Português Michel Montanha, de Santo André, no ABC paulista, redatores do blog Aleatório, Eventual & Livre, fazem uma “análise sociológica” do significado do termo, aplicado à definição de quem integra “um grupo social específico, que compartilha determinados valores”, segundo o texto.

Leia-o, adiante, na íntegra:

O coxinha, uma análise sociológica

Um fenômeno se espalha com rapidez pela megalópole paulistana: os “coxinhas”. É um fenômeno grandioso, que proporciona uma infindável discussão. A relevância do mesmo já faz com que linguistas famosos se esforcem em entender a dinâmica do dialeto usado por esse grupo, inclusive.

Afinal, quem são os coxinhas, o que eles querem, como esse fenômeno se originou? O que eles são?

“Coxinha”, sociologicamente falando, é um grupo social específico, que compartilha determinados valores. Dentre eles está o individualismo exacerbado e dezenas de coisas que derivam disso: a necessidade de diferenciação em relação ao restante da sociedade, a forte priorização da segurança em sua vida cotidiana, como elemento de “não mistura” com o restante da sociedade, aliadas com uma forte necessidade parecer engraçado ou bom moço.

Os coxinhas, basicamente, são pessoas que querem ostentar um status superior, com códigos próprios. Até algum tempo atrás, eles não tinham essa necessidade de diferenciação. A diferenciação se dava naturalmente, com a absurda desigualdade social das metrópoles brasileiras. Hoje, com cada vez mais gente ganhando melhor e consumindo, esse grupo social busca outras formas de afirmar sua diferenciação.

Para isso, muitas vezes andam engomados, se vestem de uma maneira específica, são “politicamente corretos”, dentro de sua noção deturpada de política e nutrem uma arrogância quase intragável, com pouquíssima tolerância a qualquer crítica.

A origem

Existe muita controvérsia a respeito do tema. Já foram feitas reportagens para elucidar o mistério, sem sucesso, mas é hora de finalmente revelar a verdade a respeito do termo.

A origem do termo “coxinha”, como referência a esse grupo diferenciado, não tem nada de nobre. O termo é utilizado, ao menos desde a década de 1980, para se referir aos policiais civis ou militares que, mal remunerados, recebiam também vales-alimentação irrisórios, também conhecidos como “vales-coxinha” (os professores também recebem, mas não herdaram o apelido). Com o tempo, a própria classe policial passou a ser designada, de forma pejorativa, como “coxinhas”. Não apenas por causa do vale, mas por conta da frequência com que muitos policiais em ronda, especialmente nas periferias das grandes cidades, acabam se alimentando em lanchonetes, com salgados ou lanches rápidos, por conta do caráter de seu serviço.

Os policiais, apesar de mal remunerados, são historicamente associados à parcela mais conservadora da sociedade, por atuar na repressão aos crimes, frequentemente com truculência. Com a popularização de programas policialescos como Aqui Agora, Cidade Alerta e Brasil Urgente, o adjetivo “coxinha” passou a designar também toda a parcela de cidadãos que priorizam a segurança antes de qualquer outra coisa. Para designar essa parcela que necessita de “diferenciação” e é individualista ao extremo, foi um pulo.

Expoentes

Não cabe citar socialites ou coisa do tipo. São pessoas que vivem em um mundo paralelo. Mas vou citar três criadores de tendências no universo coxinha:

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Um exemplo do que o Tiago Leifert trouxe pro jornalístico Globo Esporte: apostas babacas envolvendo a seleção da Argentina.

1. O “engraçado”: Tiago Leifert

Uma característica importante do coxinha padrão é tentar ser descolado, descontraído e não levar as coisas a sério. E nisso o maior exemplo é esse figurão da foto ao lado. Filho de um diretor da Globo, cavou espaço para introduzir o jornalismo coxinha na grade de esportes da emissora. Jogos de futebol valem menos do que as piadas sem graça sobre os jogos. Metade do Globo Esporte é sempre sobre videogame ou sobre a dancinha nova do Neymar, e tudo vira entretenimento, não esporte.

Prova disso são declarações do próprio, como a em que ele diz que não leva o esporte a sério, ou quando fala que o Brasil não é o país do futebol, é o país da novela. Isso revela duas características do coxinha default: ele não aceita críticas (e isso fica claro pelo número imenso de usuários bloqueados no Twitter pelo Tiago Leifert – incluindo este que vos escreve) e ele não tem conteúdo, provocando polêmicas para aparecer. Tudo partindo, obviamente, da necessidade quase patológica de diferenciação.

2. O “bom moço”: Luciano Huck

Luciano_Huck08_Praia

Aparência de bom moço. Só aparência. Luciano Huck apresentou ao público Tiazinha e A Feiticeira.

 

O apresentador, que revelou beldades como a Tiazinha e a Feiticeira na Band, na década de 1990, virou, na Globo, símbolo do bom-mocismo coxinha. Faz um programa repleto de “boas ações”, que, no fundo, são apenas uma afirmação de superioridade, da mesma forma que a filantropia dos Rockfellers no início do século 20. Puro marketing.

Quando você reforma um carro velho ou uma casa, além de fazer uma boa ação, você se autopromove. Capitaliza com o drama alheio mostra que, além de “bondoso”, você é diferente daquele que você está ajudando. Como preza a cartilha do bom coxinha.

Além disso, Luciano Huck é a representação da família bem-sucedida e feliz. Casado com outra apresentadora da Globo, Angélica, forma um dos “casais felizes” da emissora. Praticamente uma cartilha de como montar uma família coxinha. “Case-se com alguém bem-sucedido, tenha dois ou três filhos, e leve eles para festinhas infantis junto com outros filhos de famosos”.

Para se mostrar engajado e bom moço, Huck deu até palestra sobre sustentabilidade na Rio+20. Irônico, pra quem foi condenado por crime ambiental, em Angra dos Reis. Ele fez uma praia particular sem autorização. Diferenciação, novamente. Isolamento. Características típicas do coxinha default. Assim como “ter twitter”. Mas o twitter dele é praticamente um bot, só serve pra afagar seus amigos famosos e mandar mensagens bonitinhas.

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Soninha Francine

3. A “coxinha política”: Soninha Francine

O terceiro e último (graças a Deus) exemplo de coxinha é a figura da imagem ao lado. Soninha Francine deve ser o maior caso de metamorfose política do Brasil. Até 2006 era petista convicta, mas o vírus da coxinhice já afetava seu cérebro, a ponto dela sair na capa da Época em 2001 falando “eu fumo maconha”, provavelmente por um brilhareco.

Daí ela saiu do PT, entrou no PPS, caiu nos braços de José Serra e do PSDB paulista e se encontrou. Tenta conciliar a fama de “descolada”, adquirida nos anos como VJ da MTV, com uma postura política típica de um coxinha padrão: individualista e conservadora. E, pra variar, manifesta tais posturas via… Twitter. Emblemático foi o dia em que Metrôs bateram na Linha Vermelha e ela, afogada em seu individualismo, disse que não encarou nenhum problema e que o Metrô estava “sussa”. Assim como a acusação de “sabotagem” do Metrô às vésperas da eleição de 2010.

Soninha ajuda a definir o estereótipo do coxinha default. O coxinha tenta de forma desesperada parecer um cara legal, descolado e antenado com os problemas do mundo. Mas não consegue disfarçar seu individualismo e sua necessidade de diferenciação. Não consegue disfarçar seu rancor quando os outros passam a ter as mesmas oportunidades e desfrutar dos mesmos serviços que ele.

Conclusão

O coxinha é um fenômeno sociológico disseminado em vários lugares, mas, por enquanto, só “assumido” em São Paulo (em outras cidades, os coxinhas ainda devem ter outros nomes). Não por acaso, tendo em vista que São Paulo é um dos ambientes mais individualistas do Brasil.

São Paulo é uma das cidades mais segregadas do País. É uma cidade de grande adensamento no Centro, com as regiões ricas isoladas da periferia. A exclusão é uma opção dos mais ricos. Eles não querem se misturar com o restante da população. E, nos últimos anos, isso ficou mais difícil: não dá mais para excluir meramente pelo poder econômico. Daí, é necessário expor um personagem, torná-lo um padrão, para disseminar essa mentalidade individualista e conservadora: é aí que surge o coxinha.

E isso é bom. Porque o coxinha, hoje, é exposto ao ridículo pelo restante da sociedade. Até algum tempo atrás, ele era apenas uma personagem latente. Ele não aparecia, portanto, não podia ser criticado ou ridicularizado. No final, o surgimento dos coxinhas só reflete a mudança de nosso perfil social. E, por incrível que pareça, o amadurecimento de nossa sociedade.

O queridinho Luciano Huck

7 de abril de 2013

Via Jornalismo Wando

Luciano Huck, filantropo e apresentador de televisão, é conhecido por sua generosidade e empatia com o povo brasileiro. Um cara sem preconceitos e que gosta de estar onde o povo está.

Percebam como sua alegria em meio ao povão é contagiante, gente:

Luciano_Huck11_Twitter

Luciano_Huck12_Twitter

Mas nem sempre foi assim, viu? Nos anos de 1990, segundo o jornalista Mylton Severiano, Luciano (então empresário playboy da noite paulistana) respondeu ao ser perguntado sobre a clientela de seu antigo bar nos Jardins:

“Uma coisa eu digo: baiano aqui não entra.”

Mas isso ficou em um passado remoto. Luciano não só ama os nordestinos (até já namorou com uma), como escolheu Fernando de Noronha (PE) para diversificar seus negócios e impulsionar a economia local.

Se antes era um playboy que barrava “baiano” na balada, hoje é esse bom samaritano que conserta carros, reforma barracos e vai abraçar o povo onde ele está. Uma história de redenção que precisava ser contada nas telas de cinema. Fica a dica para a Globo Filmes.

PS.: Por ironia do destino, o Bar Cabral, cuja marca ainda pertence a Luciano, foi para o Tatuapé e hoje é uma casa de pagode e axé.

A exploração da tragédia: o caso Huck

5 de janeiro de 2013

Luciano_Huck07A marota forma de ajuda de Luciano Huck.

O Escritor, via Advivo

Sinceramente, não sei o que pensar sobre isso. Peço ajuda.

Luciano Huck é sócio do Peixe Urbano, um site de compras coletivas. Em dezembro último, o apresentador da Globo usou o Twitter para tentar bater o recorde de vendas de cupons no site:

“O apresentador Luciano Huck – agora sócio do site de compras coletivas Peixe Urbano – usou pela primeira vez o Twitter para impulsionar a venda de cupons de desconto – e quase conseguiu o que queria: superar o recorde de vendas do site.”

http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/08/luciano-huck-ja-usa-o-twitter-para-vender-seu-peixe/

Ontem, ele postou esta mensagem no Twitter:

Luciano Huck

“Quer ajudar, e muito, as vítimas da serra carioca [sic]. Via @PeixeUrbano, vc compra um cupom e a doação está feita. http://pes.ca/gZ2Ibb

http://twitter.com/#!/huckluciano/status/26377814122962944

A compra dos cupons, segundo o site, reverterá em benefício de duas ONGs que estão ajudando as vítimas das enchentes. Parece bonito, mas não é.

Primeiro, é necessário ir ao site do negócio de Luciano. Depois, é preciso se cadastrar no site. E então comprar um ou mais cupons de R$10,00.

Ganha Luciano porque divulga o seu negócio (mais de 7 mil RTs até agora), cadastra milhares de novos usuários em todo o Brasil, familiariza esses usuários com os procedimentos do site, incentiva o retorno e aumenta absurdamente o número de cupons vendidos – alavancando o Peixe Urbano comercial, financeira e mercadologicamente. Além do ganho de imagem por estar fazendo um serviço público (li vários elogios nos RTs).

Sabe-se lá como será contabilizado ou fiscalizado o total recebido como doação e repassado para as duas organizações parceiras. O usuário não tem nem terá acesso a esses dados internos.

Supondo que todo o montante arrecadado chegue às vítimas, se for mesmo o que estou entendendo, trata-se da mais sórdida exploração da desgraça alheia que já presenciei em toda a minha vida.

As pessoas que estão doando seu dinheiro, seus produtos, seu tempo, suas habilidades e sua atenção aos desabrigados e às vítimas não estão pedindo nada por isso, não estão ganhando nada com seu gesto de solidariedade, não estão usando essa tragédia para obter nenhuma forma de lucro pessoal. Fazem o bem porque são humanas, ficaram chocadas com as imagens e as informações, se sensibilizaram com o sofrimento alheio. Ajudam por solidariedade, empatia e até por desespero.

E a maioria delas não tem quase nada na vida, em comparação com o apresentador da Globo.

De todas as iniciativas já divulgadas até o momento, só a de Luciano Huck visa primeiramente ao lucro pessoal, para depois, secundariamente, resultar numa ajuda social.

Quando um tsunami matou 200 mil pessoas no sudeste da Ásia, em 2004, recebi um e-mail de um escritor inglês pouco conhecido, no qual se fazia a oferta: “Compre um dos meus livros, e eu doarei 30% do valor para as vítimas da tragédia”. Saí da lista do explorador barato na hora, mas a favor dele contava o número reduzido de destinatários da mensagem.

Luciano Huck tem 2,6 milhões de seguidores no Twitter: é este o público-alvo do seu apelo interesseiro. Pode não bater o recorde de cupons, desta vez, mas temo que tenha batido o recorde da safadeza. Aceito argumentos que me provem o equívoco dessa suspeita.

Depois dos R$24 milhões entregues pelo Estado à Fundação Roberto Marinho, dinheiro originalmente destinado à contenção de encostas e às obras de drenagem, mais esta. Turma da Globo, vocês pensam que estão apenas lucrando com as águas, mas na verdade podem estar brincando com fogo.


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