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O livro “A outra história do mensalão” é um sucesso de vendas

3 de abril de 2013
O livro de Moreira Leite foi prefaciado por Janio de Freitas; e o de Merval por Ayres Britto. Percebeu a diferença?

O livro de Moreira Leite foi prefaciado por Janio de Freitas; e o de Merval por Ayres Britto. Percebeu a diferença?

Com informações de Paulo Henrique Amorim em seu Conversa Afiada

A 2ª edição, com 7 mil exemplares, do provocativo A outra história do mensalão As contradições de um julgamento político, de Paulo Moreira Leite, está a caminho. O livro lançado em janeiro deste ano vendeu 15 mil exemplares nos primeiros 30 dias e alcançou todas as listas dos mais vendidos do País e esgotou nos estoques da editora. Com a 2ª edição, já foram impressos 25 mil exemplares do livro político mais polêmico do ano, mesmo com uma cobertura modesta da imprensa nacional.

A ampla divulgação nas redes sociais e as contradições apontadas pelo autor fizeram do livro um sucesso. Quem leu gostou, quem comprou não se arrependeu e a Geração Editorial não foi notificada ou processada. Afinal, quem cala, consente.

O leitor poderá encontrar a obra em todas as grandes livrarias do País e na versão e-book, nas principais lojas on-line.

O jornalista Paulo Moreira Leite ousa afirmar que o julgamento do chamado “mensalão” foi contraditório, político e injusto, por ter feito condenações sem provas consistentes e sem obedecer a regra elementar do Direito, segundo a qual todos são inocentes até que se prove o contrário.

Em tempo 1: o Conversa Afiada perguntou a “especialista” na matéria como vendia o livro assemelhado do Ataulfo Merval de Paiva. Esta é a resposta: “Muito pouco, depois da ‘campanha publicitária’ com exposição diária em O Globo, entrevista no Jô e até sorteio na CBN, com vinheta de meia em meia hora, não pegou. Nas listas da Veja, do Valor e do Publishnews não aparece entre os 20 mais vendidos. Já era. Vai fazer parte da lista de best-sellers globais, que tem o Gilberto Freire com ‘I’ à frente.”

Em tempo 2: quem manda ter prefácio do Big Ben de Propriá?

O golpe de 1964 em filmes, livros e artigos

31 de março de 2013

1964_Nunca_Mais

O blog Marxismo21 divulga um conjunto de materiais (artigos, documentos, trabalhos acadêmicos, vídeos, filmes etc.) que discute a natureza, o significado e as razões do golpe civil-militar de 1964. Passados quase 50 anos desse evento, nada há a comemorar.

O blog – que numa futura edição deverá examinar o período da ditadura militar – busca contribuir para um conhecimento crítico da conjuntura político-social de 1964 e também para lembrar que as lutas pelo “direito à justiça” e pelo “direito à verdade” não podem ser relegadas ou subestimadas pelos democratas progressistas e socialistas no Brasil. Enquanto não for feita justiça às vítimas da violência do Estado e a verdade sobre o golpe e a ditadura militar não for conhecida pelo conjunto da sociedade, a democracia política no Brasil não será sólida e consistente.

Por último, somos gratos a Diorge Konrad, do conselho consultivo que colaborou com a organização deste dossiê.

Significado, natureza e polêmicas em torno do golpe

Versões e controvérsias sobre o golpe de 1964, Carlos Fico

acesso
Governo Goulart e o golpe de 1964: memória e historiografia, Lucilia Neves Delgado acesso
O golpe militar de 1964, L.A. Moniz Bandeira acesso
1964: o golpe contra as reformas e a democracia, Caio N. de Toledo acesso
O governo Goulart e o debate historiográfico, Marcelo Badaró acesso
O golpe de 1964: debatendo discursos políticos e historiográficos, Rafael Lameira e Diorge Konrad acesso
1964: as falácias do revisionismo, Caio N. de Toledo acesso
1964: polêmica com tendências da historiografia, Demian Melo acesso
1964: balanço da historiografia sobre o golpe de 1964, Marcos Napolitano acesso
As causas políticas da vitória dos golpistas, J. Quartim de Moraes acesso
N. Werneck Sodré: debatendo o golpe e o Iseb, Dênis de Moraes acesso

A conjuntura do golpe: atores, lutas sociais e político-ideológicas

Acumulação capitalista e o golpe de 1964, Nildo Viana

acesso
Golpe de 1964: militares brasileiros e o empresariado nacional e norte-americano, Martina Spohr acesso
A participação dos EUA no golpe de 1964, J. Green e A. Jones acesso
O papel dos EUA no golpe de 1964, R. Rodrigo acesso
Ipes e Ibad na conjuntura do golpe de 1964, Bruna Pastore acesso
A luta ideológica no pré-1964: Ipes e Ibad, Caio N. de Toledo acesso
Ação política do catolicismo conservador no pré-1964, Adriano Codato e Marcus de Oliveira acesso
A ação da OAB no golpe de 1964, Marcos Leme de Mattos acesso
Representações do golpe na mídia, Flávia Birolli acesso
Imprensa, jornalistas e o golpe de 1964, João Amado acesso
Jornais paulistas apoiaram o golpe, Luiz AntôniO Dias acesso
As manchetes da imprensa no golpe de 1964, Carta Maior acesso
Dossiê: “1964: Cultura e Poder”, Revista DH, PUC-SP acesso
Artistas e intelectuais nos anos 1960, Marcelo Ridenti acesso
Apoio e resistência ao golpe em Santa Maria (RS), Diorge Konrad acesso
O golpe de 1964 visto pelo humor crítico, Dislane Moraes acesso
O golpe nos livros didáticos, Mateus Pereza e Andreza Pereza acesso
“Era possível abortar o golpe!”, ex-brig. Rui Moreira Lima acesso
Carta de Florestan Fernandes a um militar (9/1964) acesso
Réquiem para um aniversário, Ruy Guerra acesso

Trabalhos acadêmicos

A Rede da Democracia e o Golpe de 1964, Eduardo Gomes Silva

acesso
A política econômica de Goulart, Mário Pinto de Almeida acesso
Movimento estudantil e luta política (1964-1969), João Roberto Martins Filho acesso
A esquerda católica e as reformas de base, Fábio Gavião acesso
O discurso golpista nos documentários do Ipes, Marcos Correa acesso
O discurso anticomunista do IPES como projeto de classe, Pâmela Deusdará acesso
Brizola e as lutas dos molitares subalternos, César Rolim acesso
Teatro político e reforma agrária, Rafael Villas Bôas acesso

Vídeos e filmes sobre o golpe de 1964 e a ditadura militar

Depoimento de Gregório Bezerra: política e repressão acesso
Apoio dos EUA ao golpe de 1964 acesso
Operação Brother Sam e o golpe de 1964 acesso
Por que o governo Goulart não resistiu? acesso
TV Globo e exaltação da ditadura militar (1975) acesso
Dezenas de vídeos sobre a ditadura militar (Núcleo de Memória) acesso
Filmes do IPES: a preparação do golpe acesso
Cabra marcado pra morrer, Eduardo Coutinho acesso
O Dia que durou 21 anos, Flávio Tavares acesso
Jango, Sílvio Tendler acesso
Cidadão Boilesen, Chaim Litewski acesso

Leia também:

Mauro Santayana: O golpe da informação

Golpe de 1964: Ranieri Mazzilli, o político Modess

O PIG apoiou a ditadura militar: As manchetes do golpe de 1964

A Globo e a ditadura militar, segundo Walter Clark

 

O elo da Fiesp com os porões da ditadura

25 de março de 2013
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Corpo de Albert Henning Boilesen, ao lado do Fusca, após ser morto a tiros em São Paulo: empresário defendia ajuda financeira e logística ao aparato da repressão política.

Documentos revelam o “Dr. Geraldo”, que fez a ligação dos empresários paulistas com o Dops durante sete anos.

José Casado e Chico Otavio em 25/3/2013

“Dr. Geraldo”, escreveu o funcionário no livro de portaria. “Cargo: Fiesp”, completou. Eram 18h30 daquela segunda-feira, 19 de abril de 1971, quando Geraldo Resende de Mattos, o “Dr. Geraldo” da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, avançou pelo corredor central do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). No prédio ícone da arquitetura ferroviária paulistana funcionava uma falange policial do mecanismo de repressão política operado pelo 2º Exército. Quatro meses antes, o general-comandante Humberto de Souza Mello dera sinal verde à matança de adversários do regime. E confirmou a ordem ao chefe do seu Estado-Maior.

O tratamento de “doutor” na delegacia era reverência policial à organização dos industriais. Os livros do Dops, há pouco revelados pelo Arquivo Público, indicam que a conexão entre o empresariado paulista e a polícia política do regime militar foi muito mais extensa do que até então se presumia.

Mattos frequentava os andares do Dops, onde funcionavam as seções de Política e de Informações, três a quatro vezes por semana no final do expediente. Essa foi sua rotina durante sete anos, de 1971 a 1978. Às vezes, passava mais tempo lá do que na Fiesp. Tinha 52 anos e estava há 28 no Serviço Social da Indústria (Sesi), vinculado à Fiesp. Entrou como “auxiliar” e cresceu a partir de uma relação de confiança com o industrial Nadir Dias de Figueiredo, um dos fundadores dessas entidades.

Um homem do poder
Figueiredo era figura ímpar no empresariado paulista. Emergiu da Depressão de 1929 como proprietário de fábricas de vidros, lâmpadas e aparelhos de iluminação na região metropolitana de São Paulo. Com o irmão Morvan, ministro do Trabalho no governo Dutra (1946-1951), ajudara o engenheiro e senador Roberto Simonsen a erguer o mais influente condomínio sindical do patronato brasileiro (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). Com a morte de ambos, nos anos de 1950, Figueiredo desfrutou como ninguém do controle político dessas entidades.

Dono de um sorriso enigmático, fala mansa e sempre a bordo de um terno escuro, elegeu todos os presidentes da Fiesp durante três décadas, até 1980. Manejava com habilidade um colégio eleitoral de 94 eleitores, onde o voto dos antigos sindicatos de cordoalha e de chapéus para senhoras valia tanto quanto o das inovadoras indústrias automobilística e o da eletrônica.

Jardineiro da dissimulação, distanciava-se com polidez de jornalistas e pretensos biógrafos esgrimindo uma bem-humorada recusa: “A metade do que eu teria para contar envolve outras pessoas, por isso é assunto confidencial. Sobre a outra metade, bem… iriam me chamar de mentiroso.” Nunca presidiu a federação. Escolhia presidentes e alocava um de seus filhos na posição de vice. Era o “emérito”, derrotado na revolução paulista de 1932, contra Getulio Vargas, e vitorioso no golpe de 1964 contra João Goulart.

Naquela segunda-feira, 19 de abril de 1971, foi atípica a visita do “Dr. Geraldo” da Fiesp ao Dops. Durou dez minutos. Saiu às 18h40 da delegacia onde imperava Sérgio Paranhos Fleury, ícone da corrupção e da violência policial, a quem o comando militar dera proeminência na máquina de repressão política. Fleury estava nas ruas, caçando terroristas que, quatro dias antes, assassinaram um diretor do Centro das Indústrias (Ciesp). Antes de a semana acabar, comandaria a aniquilação do Movimento Revolucionário Tiradentes, integrante do consórcio guerrilheiro montado para execução do empresário Albert Henning Boilesen.

O dinamarquês Boilesen, de 54 anos, havia sido eleito na Fiesp/Ciesp com o aval de Nadir Figueiredo depois de chegar à direção do grupo Ultra. Eram vizinhos no charmoso bairro Jardim América. Na manhã de quinta-feira, 15 de abril, foi emboscado ao sair de casa. Metralhado, morreu na sarjeta.

Ativo colaborador do Departamento de Operações Internas (DOI) do 2º Exército, Boilesen se destacava nas reuniões da federação pela veemência na defesa de ajuda financeira e logística ao aparato de repressão política. Dias antes de ser assassinado propôs a criação de um braço armado, civil, em apoio ao regime militar. A Associação dos Combatentes Brasileiros não saiu do papel, mas o caixão de seu idealizador baixou ao túmulo escoltado por dois pelotões do Exército e na presença do comandante da Região Militar, general Dale Coutinho.

O empresário Boilesen e o auxiliar Mattos faziam parte de uma engrenagem civil-militar que reconhecia a legitimidade do “movimento revolucionário no uso de meios para atingir plenamente seus objetivos”, na definição de Theobaldo De Nigris, presidente da Fiesp com sucessivos mandatos garantidos por Nadir Figueiredo até 1980. O empresariado somava-se à luta contra as “falanges da subversão e do genocídio”, dizia a federação em manifestos.

Não há dados precisos, mas sabe-se que foi expressivo o fluxo de dinheiro para a repressão, a partir de coletas na Fiesp e em reuniões promovidas por Gastão de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), João Batista Leopoldo Figueiredo (Itaú e Scania), Paulo Ayres Filho (Pinheiros Produtos Farmacêuticos) e o advogado Paulo Sawaia, entre outros. Empresas como Ultragaz, Ford, Volkswagen, Chrysler e Supergel auxiliaram também na infraestrutura, fornecendo carros blindados, caminhões e até refeições pré-cozidas.

Foram criados departamentos de espionagem de empregados recrutando agentes civis e militares. Nos arquivos do Dops há uma profusão de registros, listas e fichas individuais.

As relações entre empresários e chefes militares se solidificaram durante a conspiração contra Goulart. Cristalizaram-se na Operação Bandeirantes, em 1969, quando as atividades repressivas foram centralizadas no 2º Exército. O êxito da experiência da Oban levou à instituição do DOI-Codi a estrutura militar oito meses depois. A autonomia e o vínculo direto da máquina de repressão com o ministro do Exército, em Brasília, produziram a subversão da hierarquia na caserna. A partir daí, a anarquia, a tortura e a matança se tornaram institucionais.

Em São Paulo, generais e empresários esmeravam-se na lapidação de seu relacionamento com reuniões e solenidades cada vez mais frequentes. Na terça-feira, 9 de dezembro de 1970, por exemplo, o chefe do Estado-Maior do 2º Exército, general Ernani Ayrosa, abriu o quartel para homenagear alguns de seus mais destacados colaboradores.

Convidou Henning Boilesen e Pery Igel (Ultra), Sebastião Camargo (Camargo Corrêa), Jorge Fragoso (Alcan), Adolpho da Silva Gordo (Banco Português), Oswaldo Ballarin (Nestlé), José Clibas de Oliveira (Chocolates Falchi), Walter Bellian (Antarctica), Ítalo Francisco Taricco (Moinho Santista) e Paulo Ayres Filho (Pinheiros Farmacêutica), entre outros. Ayres Filho levou para casa uma insígnia do comando gravada em metal. Agradeceu em carta, encontrada pela historiadora Martina Spohr. Nela dizia compreender o gesto “mais como um prêmio pela minha lealdade perene aos ideais cristãos e inabalável fé na Liberdade, do que por qualquer contribuição pessoal que tenha prestado às causas e operações no presente”.

Naquele dezembro, o “Dr. Geraldo” também foi premiado: seu chefe, Nadir Figueiredo, colocou-o no conselho fiscal de uma de suas empresas.

Quatro anos depois, com a guerrilha urbana exterminada e a rural asfixiada no mato do Araguaia, o general-presidente Ernesto Geisel anunciou o retorno à democracia. Conservadores como Figueiredo sentiram-se desnorteados. O líder industrial decidiu ir à luta. E levou a Fiesp a uma campanha em aliança com grupos ultrarradicais, como o medievalista Tradição, Família e Propriedade (TFP), patrocinado pelo construtor Adolpho Lindenberg.

Figueiredo e Lindenberg coordenaram uma espécie de levante contra a abertura política, em 1978. Tentaram cooptar o general João Baptista Figueiredo, já escolhido pelo presidente Geisel como seu sucessor. Levaram-lhe um manifesto empresarial a favor do regime. Perderam. Prevaleceu a volta aos quartéis.

Sem bússola, Nadir Figueiredo viu seu poder declinar na Fiesp. Saiu de cena em 1980, quando pela primeira vez saboreou a derrota numa eleição da federação. “Dr. Geraldo” acabou demitido pela nova diretoria. E a TFP acabou estilhaçada na luta interna.

Figueiredo só percebeu ter sido atropelado pela História pouco antes de morrer, em 1983. Foi quando viu na televisão um mineiro de sua cidade natal, São João Del Rey, liderando manifestações de rua por eleições diretas para presidente. Era Tancredo Neves.

Para a Fiesp, essa é uma página virada de sua história. “É importante lembrar que a atuação tem-se pautado pela defesa da democracia e do estado de direito”, ressalta a atual direção em nota oficial. E acrescenta: “Eventos do passado que contrariem esses princípios podem e devem ser apurados.”

Leia também:
Fortes indícios mostram ligação dos EUA e Fiesp com tortura

O PIG vai noticiar? O best-seller “ A privataria tucana” está entre os finalistas do Prêmio Jabuti

21 de setembro de 2012

Via Blog Geração Editorial

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. e seu livro, A privataria tucana.

O livro-reportagem mais polêmico e vendido do ano, A privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., está entre os finalistas do Prêmio Jabuti, na categoria Reportagem. Esse é o prêmio mais prestigiado da literatura brasileira.

Para Geração Editorial, com 20 anos de polêmicas e honrando o seu slogan, uma editora de verdade, este livro-reportagem ou livro-denúncia tem uma satisfação especial: a obra trouxe – com provas robustas e documentos inéditos – à tona para a sociedade brasileira mais um caso emblemático de corrupção e lavagem de dinheiro público que lesou milhares brasileiros, na chamada Era das Privatizações. Os desvios aconteceram durante o governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, ex-governador de São Paulo, José Serra.

A Geração Editorial acreditou no excepcional trabalho jornalístico do premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr., vencedor das maiores honrarias da imprensa brasileira, como por exemplo, três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog.

O furacão A privataria tucana vendeu no dia de seu lançamento nada menos que 15 mil exemplares, sucesso inquestionável de aceitação. Em dois meses foram mais de 100 mil cópias e permaneceu por mais de quatro meses em diversas listas de livros mais vendidos do País.

“Estar entre os finalistas do Prêmio Jabuti é ver que meu trabalho de mais de 10 anos investigando dezenas de pessoas valeu a pena. O Brasil está em um momento que é necessário investigar, escrever e publicar obras sérias que sirvam para tirar as máscaras de pessoas que usurparam e ainda usurpam o nosso país. A corrupção é um mal, mas com coragem e trabalho sério é possível mostrar quem são os corruptos e corruptores”, conta Amaury.

 A privataria tucana foi lançado em mais de dez capitais, dentre elas estão São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Belém, Porto Alegre e Curitiba. Os eventos ficaram conhecidos como a “Caravana da Privataria Tucana” e em todos os lugares compareceram centenas ou milhares de pessoas.

“Os lançamentos mostraram que fiz uma obra séria e relevante para a população em geral. Em diversas situações fiquei emocionado com os depoimentos das vítimas da Era das Privatizações. São pessoas que perderam o emprego em estatais de um dia para outro, viram suas vidas se arruinar e algumas cometeram suicídio ou ficaram depressiva e até hoje não conseguiram se reerguer. A sequela deixada é muita maior do que imaginam. Por isso, espero que a CPI da Privataria siga em frente e mostre a real face desses usurpadores de dinheiro público”, complementa Amaury.

O Prêmio Jabuti é promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e está na 54ª edição. Os três vencedores de cada categoria serão revelados no dia 18 de outubro. Na premiação, em 28 de novembro, serão conhecidos os dois melhores livros publicados em 2011 em Ficção e Não Ficção, cada um ganhará R$ 35 mil.

Concorrem com A privataria tucana os seguintes títulos:

Os últimos soldados da Guerra Fria – Fernando Morais

Perda total – Ivan Sant’anna

O espetáculo mais triste da terra – Mauro Ventura

Guerras e tormentas – Diário de um correspondente internacional – Rodrigo Lopes

Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda – Miriam Leitão

Cofre do dr. Rui – Tom Cardoso

O rio: uma viagem pelo Amazonas – Leonencio Nossa

Um escritor no fim do mundo: Viagem com Bichel Houellebecq à Patagônia – Jurenir Machado da Silva

Entretanto, foi assim que aconteceu: Quando a notícia é só o começo de uma boa história – Christian Carvalho Cruz

Entenda o livro A privataria tucana

Com 200 páginas e 16 capítulos que jamais deixam cair seu contundente interesse, A privataria tucana é o resultado final de anos de investigações do repórter Amaury Ribeiro Jr. na senda da chamada Era das Privatizações, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, ex-governador de São Paulo, José Serra. A expressão “privataria”, cunhada pelo jornalista Elio Gaspari e utilizada por Ribeiro Jr., faz um resumo feliz e engenhoso do que foi a verdadeira pirataria praticada com o dinheiro público em benefício de fortunas privadas, por meio das chamadas offshores, empresas de fachada do Caribe, região tradicional e historicamente dominada pela pirataria. Para saber mais, clique aqui.

Kassab é contra a cultura: Ele impediu a distribuição gratuita de livros no centro de São Paulo

10 de setembro de 2012

Intervenção aconteceu na noite de domingo.

“Bienal Relâmpago” aconteceria no Viaduto do Chá na segunda, dia 10. Guardas metropolitanos abordaram organização do evento na noite de domingo, dia 9.

Via G1

Uma distribuição de livros gratuita que aconteceria na manhã de segunda-feira, dia 10, na frente da Prefeitura de São Paulo, no Centro, foi abortada pela Guarda Civil Metropolitana na noite de domingo, dia 9, segundo a ONG Educa Brasil. De acordo com Devanir Amâncio, presidente do grupo, os organizadores do evento tinham acabado de descarregar a primeira caixa com os livros no Viaduto do Chá quando guardas os abordaram e afirmaram que a distribuição não poderia acontecer.

“Os guardas falaram que a ordem era de não distribuir os livros, e que eles seriam recolhidos como entulho caso insistíssemos. As pessoas que estavam descarregando ficaram com medo de continuar e saíram rápido do local”, disse Amâncio.

Segundo ele, os guardas chegaram a perguntar se o grupo tinha autorização para distribuir os livros. “Eu falei que não, pois aquilo não ia atrapalhar ninguém. Nós nem colocamos faixa, só tinha uma lona para os livros, uma lousa e duas cadeiras para pessoas mais idosas se sentarem”, comentou.

Cerca de 8 mil livros seriam distribuídos.

Ainda de acordo com ele, livros foram oferecidos para os guardas. “Um deles estendeu a mão para pegar, mas o outro falou que eles seriam punidos.” A Guarda Civil Metropolitana foi procurada pela reportagem do G1 para se posicionar sobre o caso, mas não havia respondido até as 12 horas da segunda-feira.

Ainda segundo Amâncio, cerca de 8 mil livros seriam dispostos em lonas e distribuídos a partir das 10 horas de segunda-feira como uma forma de protesto ao descaso com as bibliotecas públicas da capital paulista. A “Bienal Relâmpago”, como foi chamada, será transformada em uma “Bienal Móvel” – duas kombis percorrerão locais movimentados do centro de São Paulo oferecendo os livros aos pedestres. De acordo com Amâncio, a nova distribuição deve acontecer na manhã de sábado, dia 15.

Moradores em situação de rua

No domingo, dia 9, a GCM fez uma operação para tirar moradores em situação de rua que viviam em frente a prédios públicos do Largo São Francisco, no centro. Os moradores ainda dormiam quando foram surpreendidos pelos guardas civis. Alguns saíram de forma pacífica, mas outros resistiram e chegaram a jogar pedras contra os guardas. Houve tumulto e três pessoas foram levadas para a delegacia.


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