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Cinco heróis: Sai da prisão mais um antiterrorista cubano preso nos EUA

28 de fevereiro de 2014

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Daniella Cambaúva, via Carta Maior

O cubano Fernando Gonzalez Llort, 50 anos, terminou na quinta-feira, dia 27, de cumprir sua sentença de 15 anos, cinco meses e 15 dias na prisão federal de Safford, no Arizona, nos Estados Unidos. Junto de outros quatro cubanos, ele foi capturado pelo FBI em 12 de setembro de 1998 e condenado sob a acusação de atuar como agente de espionagem não autorizado naquele país em 2001.

O grupo – composto por Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antônio Guerrero e René Gonzalez, além de Fernando – estava infiltrado em organizações anticastristas da Flórida desde o início da década de 1990. O objetivo era obter informações sobre futuros atos terroristas que seriam realizados em Cuba de modo a evitar que eles acontecessem. Desde o início da Revolução cubana, grupos extremistas de oposição radicados nos EUA perpetraram uma série de atentados para desestabilizar o governo na ilha. A malsucedida invasão da Baía dos Porcos, em 1961, a derrubada de um avião cubano que matou 73 civis em 1976 e a explosão de bombas em hotéis e em casas noturnas de Havana são apenas alguns exemplos. Nesse contexto, de 1959 a 1997, foram feitas 5.780 ações terroristas contra Cuba. De acordo com a imprensa cubana, os dados obtidos pelos agentes possibilitou a neutralização de pelo menos 170 atentados.

O julgamento dos cinco começou em 2000, depois de 17 meses de confinamento solitário, e teve duração de sete meses. Foram apresentadas 26 acusações, entre elas a de participação na derrubada de um avião, que rendeu ao principal acusado, Gerardo, duas prisões perpétuas e mais 15 anos. Ramón ficou com uma perpétua e mais 18 anos; Antônio, com uma perpétua e mais 10; e René, com 15 anos. Inicialmente, Fernando fora condenado a 19 anos. Sua pena foi reduzida para 17 anos e 9 meses em uma revisão feita em 2009. Na ocasião, os demais também foram ressentenciados com penas menores: Guerrero a 22 anos e Labañino a 30 anos.

Com pressão da imprensa local e da comunidade cubano-americana da Flórida pela condenação do grupo, esse julgamento foi alvo de críticas não apenas do governo cubano, mas também da Anistia Internacional e do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenções Arbitrárias (GTDA/ONU).

Mesmo cumprindo sua pena, Fernando não será liberado, conforme explicou seu advogado Richard Klugh. Por não ser cidadão norte-americano, ficará detido temporariamente em uma penitenciária para imigrantes até ser deportado para Cuba.

Visitas de amigos foram proibidas. Durante esses anos, pôde receber sua mãe, Magali Llort, suas irmãs e sua esposa, Rosa Aurora Freijanes. Embora a legislação norte-americana garanta visitas mensais aos presos, os familiares de Fernando só puderam visitá-lo uma vez por ano.

René saiu da prisão em outubro de 2011. Por ter cidadania norte-americana – nasceu em Chicago e se mudou para Havana quando criança –, só conseguiu voltar para Cuba em 2013, pois precisou ficar em regime de liberdade supervisionada.

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Coisas do Judiciário: Cachoeira é condenado, mas ficará em liberdade

21 de novembro de 2012

Helena Sthephanowitz, via Rede Brasil Atual

Quem estava imaginando que o Judiciário brasileiro havia entrado em uma era de “tolerância zero” com escândalos de corrupção, após o julgamento do chamado “mensalão” – uma vez que até deduções valeram para substituir provas –, acorda na quarta-feira, dia 21, diante da velha impunidade, quando o escândalo envolve um governador tucano.

O bicheiro Carlinhos Cachoeira estava em prisão temporária. Recebeu a primeira condenação devido à Operação Saint Michel, por tráfico de influência e formação de quadrilha. Uma pena de cinco anos de prisão em regime semiaberto (dormiria na cadeia e sairia durante o dia para trabalhar). Como ainda pode recorrer a instâncias superiores, ficará em liberdade até todos os recursos possíveis serem julgados, o que pode levar anos.

Ah… a pena inclui também multa de cerca de R$3 mil. Para quem acumula mansões, fazendas, apartamentos de luxo no Rio de Janeiro, iates e imóvel em Miami, segundo as investigações, convenhamos, é bem pouco.

É curioso comparar a punição dada ao bicheiro com a dosimetria aplicada ao chamado “mensalão” – lembremos que as investigações apontam envolvimento do governador tucano Marconi Perillo (GO) em contravenções. Além de condenação sem provas em alguns casos, todas as penas foram muito maiores, tanto no tempo de reclusão como no valor da multa.

Cachoeira ainda responde outros processos, decorrentes das Operações Vegas e Monte Carlo, portanto é provável que esta primeira condenação esteja tecnicamente correta, e apenas a multa esteja baixa, pois a sentença é referente a uma tentativa de fraudar a licitação de bilhetagem eletrônica no sistema de transportes do Distrito Federal. O que soa estranho é haver dois pesos e duas medidas, quando comparado às sentenças do “mensalão”. Isso só reforça a percepção de que este último foi um julgamento político, de exceção à regra.

Outra estranheza é que a razão para Cachoeira ser mantido em prisão temporária era ele ser visto como ameaça para corromper e intimidar terceiros, inclusive altas autoridades, de ser capaz de interferir no curso do processo. Um agente da Polícia Federal que investigou o caso foi executado, em um assassinato ainda não esclarecido. Um juiz federal afastou-se do processo alegando insegurança diante de ameaças. Outro juiz foi alvo da tentativa de intimidação pela mulher do bicheiro, quando o ameaçou com a publicação de um dossiê contra ele na revista Veja, chegando a dizer que o diretor da revista, Policarpo Jr., era “empregado” de Cachoeira.

À exceção desta última ameaça não há provas do bicheiro estar ligado aos outros fatos, afinal há muita gente envolvida. Mas as coincidências inspirariam cautela, pelo menos até os processos das operações Monte Carlo e Vegas estarem encaminhados, a salvo de maiores interferências.

Por ironia do destino, Cachoeira ganhou a liberdade na véspera da leitura do relatório da CPMI que o investigou.

Ele insiste: Tourinho Neto quer livrar Cachoeira da cadeia

31 de agosto de 2012

Na quarta-feira, dia 29, Carlinhos Cachoeira foi à Justiça do DF para depor, mas não disse nada.

Desembargador Tourinho Neto determina suspensão de processo envolvendo Carlinhos Cachoeira.

Mariana Jungman, via Agência Brasil

O desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, determinou a suspensão do processo que envolve Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, referente às investigações da Operação Monte Carlo.

O tribunal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o desembargador determinou a suspensão do processo até que as companhias telefônicas, responsáveis por linhas que foram grampeadas pela PF para a investigação, forneçam informações solicitadas por Tourinho Neto.

Ainda de acordo com o tribunal, as companhias devem fornecer extratos telefônicos e identificação de quando e quais dados foram acessados a partir da senha fornecida aos policiais federais para o grampeamento das chamadas.

Enquanto essas informações não forem incluídas nos autos, o processo ficará suspenso, ou seja, nenhuma outra decisão pode ser tomada por parte do juiz responsável pelo caso, Alderico Santos.

Cachoeira é acusado de comandar uma quadrilha que explorava jogos ilegais no estado de Goiás e de ser dono de diversas empresas fantasmas que fraudavam licitações públicas e lavavam dinheiro proveniente de corrupção.

Ele está preso desde 29 de fevereiro quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo e já teve diversos habeas corpus negados pela Justiça.

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