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A escravidão e o irmão de Kátia Abreu

13 de novembro de 2013

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Altamiro Borges, via Adital

A Folha de segunda-feira, dia 11, traz uma matéria que deixará a senadora Kátia Abreu (PMDB/TO) bastante irritada, à beira de um ataque de nervos. Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da presidenta da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), é acusado de explorar trabalho escravo. Segundo a reportagem, “uma equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho registrou indícios de trabalho semelhante à escravidão na fazenda do advogado”, no município de Vila Rica, no nordeste do Mato Grosso. A líder da bancada ruralista no Congresso Nacional, que também é colunista da Folha, agora será obrigada a dar novamente explicações sobre as graves denúncias.

O jornal registra que Luiz de Abreu “nega as irregularidades e diz que a operação visava atingir sua irmã”. Mesmo assim, ele relata que “em vistoria de 23 de agosto, fiscais dizem ter encontrado cinco pessoas em condições de trabalho escravo na fazenda Taiaçu II… De acordo com o relatório, os trabalhadores tinham jornada de 11 horas e moravam em um alojamento sem energia elétrica ou água. No momento, o vaso sanitário do banheiro estava quebrado. A investigação aponta que os empregados receberam proposta para dividir R$400,00 por alqueire roçado”.

Ainda segundo a reportagem, “produtos necessários para o trabalho, como botina, lanterna, garrafa térmica e chapéu, eram fornecidos, mas seriam descontados do pagamento. “Já faz algum tempo que está ocorrendo situação de trabalho escravo”, diz Giselle Vianna, coordenadora de fiscalização rural no Estado. Três dos empregados teriam sido contratados temporariamente para trabalhar nessas condições desde 2010. Os funcionários foram levados a um hotel em Vila Rica, onde ficaram por uma semana. De lá, seguiram para suas cidades de origem, segundo a Superintendência do Mato Grosso, responsável por autuar a fazenda. Luiz de Abreu pagou o transporte e a estada”.

As irregularidades foram registradas em 19 autos de infração e os documentos já foram enviados ao Ministério Público Federal. Segundo a legislação em vigor, a pena a quem submete alguém a trabalho escravo pode chegar a oito anos de prisão, além da multa. As denúncias contra o irmão da líder ruralista não são novas. Em outras ocasiões, a senadora negou as acusações e afirmou que elas teriam motivação política. A conferir! Mesmo assim, ficam as perguntas: Por que Kátia Abreu resiste tanto à aprovação da PEC do Trabalho Escravo? Por que ela escreve tantos artigos na Folha sugerindo maior flexibilização das leis trabalhistas? Por que ela detesta tanto os fiscais do trabalho?

Num dos trechos da sua defesa junto à superintendente regional do Ministério do Trabalho no Mato Grosso, Luiz de Abreu acusa o órgão de má-fé e faz uma estranha referência à chacina de Unaí (MG), em 2004, quando três fiscais do trabalho foram assassinados em uma emboscada. “A sorte de Vossa Senhoria e dos fiscais é que eu não tenho personalidade marcada pela psicopatia e acredito na justiça dos homens, senão certamente vocês teriam o mesmo destino daqueles fiscais de Unaí”. O que Kátia Abreu acha deste “desabafo” do seu irmão?

Mulher de Cachoeira também tem dossiê contra Kátia Abreu, a senadora motosserra

2 de agosto de 2012

Kátia Abreu diz não temer as ameaças de Andressa Mendonça.

Via Portal R7

Alvo de dois inquéritos no Ministério Público Federal, a companheira de Carlos Cachoeira promete desmoralizar a senadora Kátia Abreu (PSD/TO). Irritada com as declarações da senadora contra Cachoeira, Andressa Mendonça, que ficou conhecida como a musa da CPI, disse que vai apresentar um dossiê contra a parlamentar quando for depor na comissão mista que investiga as relações de Cachoeira com agentes públicos e empresas privadas.

Na segunda-feira, dia 30/7, Andressa foi detida acusada de tentar chantagear o juiz Alderico Rocha Santos, responsável por julgar o caso Cachoeira. Ela teria pedido a liberdade do bicheiro para impedir a divulgação de um dossiê contra o magistrado. De acordo com o juiz, Andressa também disse que tinha um dossiê contra Kátia Abreu.

“Ela disse que no dia que for ouvida pela CPI vai desmoralizar a senadora. Disse que ela foi muito dura com Cachoeira e vai provar que ela passa na porta da casa deles todo dia pedindo dinheiro para campanha. Aí eu falei que esse era um problema entre ela e a senadora.”

Procurada pelo R7, a senadora Kátia Abreu disse que não teme as ameaças e que essas informações não são novidade para ela. Ela contou que já recebeu recados de que Cachoeira está muito irritado com as declarações:

“Vamos aguardar. Vamos ver o que esta respeitável senhora tem a dizer. Vou continuar sendo dura.”

A senadora disse que já sabia da fama de contraventor de Cachoeira, pois foi criada em Goiânia, mas afirma que nunca falou, ou sequer foi apresentada, ao bicheiro.

Nota do Limpinho: Será que o autor desse dossiê também é o Policarpo Jr. da Veja? A ver.

Código Florestal: Governo vence primeira batalha contra os ruralistas

13 de julho de 2012

Kátia Abreu (esq.) espera por mais avanços na votação da Câmara.

Carolina Martins, via Portal R7

A base aliada ao governo, junto com articulações do Planalto, conseguiu rachar a bancada ruralista no Congresso e aprovou, na quinta-feira, dia 12, o texto base da MP (Medida Provisória) que modifica o Código Florestal. Foram mais de seis horas de discussão. Os deputados defensores dos agropecuários ficaram insatisfeitos com o resultado, tentaram obstruir a votação e prometem derrubar o texto no plenário da Câmara. Os senadores da bancada ruralista votaram com o governo e contribuíram com o placar de 16 votos a favor da MP e somente 4 votos contrários.

O deputado Abelardo Lupion (DEM/PR) avalia que os senadores ruralistas se venderam para o Planalto, aprovando um relatório que, na visão dele, passa por cima dos pequenos agricultores:

“A bancada do Senado fez um acordo com o governo e nós na Câmara não aceitamos esse tipo de acordo. Eu acho muito triste quando o Senado é pautado pelo Executivo. O nosso Senado, infelizmente, não está sendo o Senado que nós sonhamos. E nós, da Câmara, não negociamos os nossos princípios.”

Para o deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO), os debates estão apenas começando e apesar da derrota na comissão especial que analisa a MP, os ruralistas não vão deixar o texto passar no plenário da Câmara.

“Isso aqui é um jogo preliminar, o jogo principal vai ser exatamente o plenário da Câmara dos Deputados. Lá vocês não vão ver um grupo de parlamentares selecionados a dedo, vocês vão ver 513 deputados ocupando a tribuna, votando com sentimento da base e representado o seu povo.”

A senadora Kátia Abreu (PSD/TO) admite que o texto não atende a 100% das reivindicações dos agricultores, mas acredita que é preciso reconhecer os avanços e continuar lutando pelos interesses dos produtores rurais, já que nunca haverá consenso pleno.

“Nós não podemos querer resolver, depois de 50 anos, 100% de nossas vontades. Eu quero votar o relatório do Luiz Henrique não porque ele me satisfaça completamente como presidente da CNA [Confederação da Agricultura e Pecuária], mas porque ela me satisfaz como cidadã. Continuaremos na busca pelo equilíbrio. Nós desejamos muito, mas não podemos ir além do conjunto de forças que atuam nesse processo, desde as forças da sociedade até as forças instaladas nesse Congresso.”

Texto base agrada governo

O relatório do senador Luiz Henrique (PMDB/SC) não agradou nem ruralistas nem ambientalistas mais radicais. O pedido dos agricultores era que fosse reduzido de 20 para 15 metros a área de preservação às margens dos rios com até 10 metros de largura, nas médias propriedades. O relator não atendeu ao pedido e manteve os 20 metros, mas flexibilizou as exigências de reflorestamento em áreas de preservação permanente.

Outro pedido considerado prioritário para o agronegócio, que não foi atendido pelo relator, foi a suspensão da aplicação de multa até que seja implantando o Cadastro Ambiental Rural (CAR) previsto no código. Além disso, a questão dos pousios – terras que ficam paradas para descanso entre períodos de plantação – também foi rejeitada pelo relator.

O texto original estabelece que até 25% das terras de uma propriedade podem ficar em descanso por no máximo cinco anos. Mas o setor agropecuário não queria nenhum tipo de limitação, nem de tempo, nem de tamanho da terra.

Foram esses pontos que contrariaram a ala mais radical dos ruralistas e motivaram 343 emendas ao texto. Todos esses destaques devem ser votados somente depois do recesso parlamentar, na sessão do dia 7 de agosto.

O senador Jorge Viana (PT/AC) sabe que o governo vai enfrentar dificuldades para aprovar o texto do jeito que está, mas critica o discurso dos ruralistas que desaprovam a MP.

“A presidente Dilma aprofundou o cuidado com a pequena produção, com o pequeno produtor e até foi além daquilo que nós imaginávamos. Esse é um discurso velho e ultrapassado dos radicais ruralistas que se escoram nos pequenos para, praticamente, querer destruir a legislação ambiental brasileira. Não tem um mínimo de bom senso na postura de algumas pessoas, não estão preocupados nem mesmo com os agricultores.”

O governo tem até outubro que aprovar a MP que modifica o Código Florestal ou ela perde a validade.


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