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Agora vai: Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Marconi Perillo se unem contra o PT

29 de janeiro de 2014

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Os impolutos Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Marconi Perillo se encontraram para avaliar formação de uma possível chapa. Porém, os dois ex-governadores do Distrito Federal aguardam decisões judiciais para acertar posições na corrida eleitoral, pois são processados por roubo.

Helena Mader, via Correio Braziliense

Os ex-governadores do Distrito Federal Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR) se encontraram no sábado, dia 25, com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para tratar da formação de uma chapa unindo os dois caciques do DF. Eles também debateram estratégias para mobilizar os eleitores da região do Entorno. Apesar de não terem fechado nomes para a disputa majoritária, Roriz e Arruda reafirmaram que estarão juntos na disputa de outubro.

A reunião foi realizada em Goiânia, na residência de Perillo, que será candidato a reeleição. Os ex-governadores do Distrito Federal e o atual chefe do Palácio das Esmeraldas analisaram o cenário político goiano e também o da capital federal. Acertaram que vão caminhar juntos este ano. “O Marconi tem muita uma força política no Entorno, assim como Roriz e Arruda. É uma região estratégica e os três têm uma aliança histórica, que certamente se repetirá em 2014”, explica um aliado.

Depois de anos de rusgas, Arruda e Roriz se acertaram no fim de 2013 e prometeram caminhar juntos, apesar dos riscos de uma impugnação de candidatura. “Reiteramos nosso acordo para que o Arruda me apoie e, caso eu não seja candidato, para que eu o apoie”, disse o ex-governador Joaquim Roriz a interlocutores.

Arruda veio a Brasília para participar de uma audiência judicial, realizada ontem de manhã, e aproveitou para fazer reuniões políticas. Além do encontro com Roriz e Marconi no fim de semana, o ex-governador almoçou ontem com o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM). Mais uma vez, aproveitou para debater a formação de uma aliança de oposição ao governador Agnelo Queiroz (PT).

Segundo Fraga, Arruda e Roriz querem fechar a coligação até março. Os nomes da disputa majoritária só serão definidos depois da realização de uma “pesquisa isenta”. “O mais importante é a união do Roriz e do Arruda, todos os outros têm que seguir em volta deles. Os dois são as maiores lideranças desta cidade. Quem disser que é candidato de si mesmo está equivocado”, comenta o ex-deputado federal do DEM. “Se Roriz for candidato, o Arruda vai apoiá-lo. Se não, o Roriz vai apoiar o Arruda. Se nenhum dos dois decidir disputar, eles vão escolher juntos o nome do candidato. Até março, essa chapa estará pronta”, acrescenta Alberto Fraga, cotado para ser candidato ao Senado ou à Câmara dos Deputados. Nomes da família Roriz também podem aparecer na corrida.

Suíça bloqueia contas ligadas ao mensalão do DEM

17 de janeiro de 2014
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O ex-governador do DF, José Roberto Arruda, é um dos acusados.

Jamil Chade, lido no A Tarde

A Justiça da Suíça bloqueou US$6,8 milhões depositados em nove contas secretas de Genebra e Zurique por suspeitar que o dinheiro esteja ligado ao esquema de corrupção do Distrito Federal que ficou conhecido como mensalão do DEM.

Documento obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo mostra que as contas foram congeladas em março do ano passado e, depois disso, houve duas tentativas de reverter a decisão.

As autoridades do país europeu entraram no caso depois de receberem informações da Procuradoria-Geral da República em setembro de 2012. Os investigadores brasileiros apontavam indícios de lavagem de dinheiro e da remessa de quantias supostamente desviadas do Distrito Federal para as duas cidades suíças.

O Ministério Público da Suíça, então, abriu “instrução penal” para apurar “diversas contas”. A investigação acarretou o pedido de bloqueio do dinheiro.

Três meses antes de pedir ajuda às autoridades do país europeu, a Procuradoria Geral denunciou ao Superior Tribunal de Justiça 37 pessoas pelo mensalão do DEM, que envolvia acusações de desvio de dinheiro público. Entre os acusados estão o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e o ex-vice-governador Paulo Octávio. Na época do escândalo ambos eram filiados ao DEM, um dos principais partidos de oposição do Brasil – a dupla ficou no comando do Distrito Federal de 2007 a 2010. Quando o caso veio à tona, no fim de 2009, Arruda chegou a aparecer em um vídeo recebendo maços de dinheiro.

O delator do esquema foi Durval Rodrigues Barbosa, que era secretário do governo Arruda no Distrito Federal. Ele também está entre os denunciados, mas poderá ser beneficiado por ter revelado os desvios de dinheiro.

Os denunciados negam relação com as contas na Suíça.

Letras

O documento da Justiça da Suíça não é explícito em relação aos envolvidos no esquema. Fala em “37 pessoas acusadas de participar de desvios de dinheiro público e de atos de corrupção de funcionários do Estado”. Também diz que uma delas, identificada apenas como “H”, “é acusada de ter cometido atos de corrupção ativa e lavagem de dinheiro”. E cita também o envolvimento de “J”, um “ex-governador do Distrito Federal suspeito de ser o responsável pela organização criminal ativa em atos de corrupção visados pelo procedimento estrangeiro”.

As letras citadas pelo documento não representam as iniciais dos nomes dos envolvidos. Essa é apenas uma forma de a Justiça suíça manter os nomes dos suspeitos em sigilo, até a conclusão do processo.

O documento suíço diz ainda que “H” controla várias empresas e mantinha “relações comerciais com o Distrito Federal no domínio de serviços de informática”. “Com o objetivo de estabelecer novas relações comerciais com o governo do Distrito Federal e ou de manter as relações já existentes, ‘H’ teria dado vantagens financeiras a ‘J’, então governador do Distrito Federal e seus cúmplices, retirando um porcentual do montante das faturas pagas pelo governo do DF às empresas de seu grupo.”

A Justiça do país europeu diz ainda no texto que “entre 2006 e 2010 sua sociedade teria recebido mais de R$45 milhões do governo do Distrito Federal. Ele (H) é acusado ainda de ter, entre fim de 2005 e início de 2006, financiado a campanha eleitoral de “J” no valor de R$1 milhão, em troca de promessas de futuros contratos dados pelo governo do DF às sociedades de seu grupo”, diz o documento. “No fim de 2006, ‘H’ teria obtido um contrato de cerca de R$9,8 milhões em favor de sua sociedade”.

A investigação chegou à constatação que “H” abriu pelo menos duas das nove contas sob suspeita, ambas em Genebra.

Nebuloso

O documento afirma ainda que as contas permaneceram bloqueadas mesmo após os dois pedidos de reversão da decisão por parte dos suspeitos porque, “por enquanto, na medida em que as transferências de dinheiro operadas para e a partir das relações bancárias incriminadas se inscrevem em um contexto pelo menos nebuloso, é legítimo nutrir as dúvidas quanto à origem dos fundos”.

Denúncias do cartel do Metrô em São Paulo resgatam conexão Serra–Arruda

10 de agosto de 2013
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Vote num careca e leve dois.

O novo capítulo das denúncias de formação de cartel para obras de construção e ampliação do Metrô e dos trens de São Paulo, envolvendo os principais nomes do PSDB, resgata a conhecida “conexão Serra–Arruda”, que ganhou repercussão em entre 2008 e 2009.

E-mails de ex-executivos da Siemens, em poder do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sugerem que o ex-governador de São Paulo, José Serra, e José Roberto Arruda – cassado do Governo do Distrito Federal (GDF) em 2010 pelo mensalão do DEM – tinham conhecimento do esquema das empresas no setor metroferroviário.

A proximidade entre Serra e Arruda ia além dos planos de candidatura tucana ao Planalto, em 2010, que tinha o ex-político do DEM cotado como vice de Serra. Em 2009, Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, prestou depoimento à Polícia Federal em que revelou que, em 2008, a empresa de informática CTIS Tecnologia S/A mandou via Sedex o valor de R$65 mil em dinheiro à secretaria, explicando que R$25,3 mil deveriam ir para as mãos de Arruda. Os pagamentos, de acordo com o ex-secretário, eram referentes a pagamentos de propinas para manter contratos com o GDF.

A mesma empresa também recebeu dinheiro do governo de São Paulo, na época administrado por José Serra. A empresa era responsável pelo Consórcio Educat, que venceu edital para alugar 100 mil microcomputadores ao governo. O contrato firmado entre a empresa, no valor de R$400 milhões, e a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) previa a locação de computadores ao custo de R$4 mil por unidade para uso no projeto “Computador na Escola”.

A CTIS faturou R$457 milhões em 2008 e mais R$609 milhões em 2009. A maior parte desses recursos (80%) vinham dos cofres públicos do governo de São Paulo. A empresa também mantinha contratos com a Secretaria de Fazenda do governo do Distrito Federal e com a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília).

Gontijo e Paulo Preto

Outro nome em comum entre Serra e Arruda é o do empreiteiro José Celso Gontijo. Em 2010, durante a campanha presidencial, Serra recebeu a doação de R$8,2 milhões, feita por Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, esposa do empreiteiro. O valor supera o limite legal de doações de 10% do ganho anual de pessoas físicas, o que chamou a atenção da Receita Federal. O nome de Gontijo, que já estava relacionado ao “mensalão do DEM”, por ter sido flagrado em vídeos entregando maços de dinheiro para abastecer o esquema, também aparece como sendo proprietário da empresa Call Tecnologia e Serviços Ltda.

Segundo a Polícia Federal, a empresa era uma espécie de financiadora do esquema, chegando a repassar aos beneficiados, entre 2000 e 2010, o valor total de R$109.347.709,17 (cento e nove milhões, trezentos e quarenta e sete mil, setecentos e nove reais e dezessete centavos). Um dos beneficiários do pagamento de propinas era Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como “Paulo Preto”. Ele era o ex-captador de recursos para as campanhas eleitorais de Serra, em São Paulo.

A partir de 2006, a empresa Call Tecnologia – também conhecida como Call Contact Center –, de propriedade de José Celso Gontijo, passou a administrar as chamadas para os serviços dispostos pela prefeitura de São Paulo, durante a gestão de José Serra. A empresa chegou a receber, mensalmente, R$1,2 milhão – totalizando cerca de R$30 milhões por dois anos de serviço. O contrato entre a prefeitura e a empresa foi prorrogado na gestão de Gilberto Kassab. Em 2009, a empresa fechou novo contrato, mas com o governo de São Paulo, na época administrado por Serra, que estava prestes a se lançar candidato à Presidência da República. No ano seguinte, o tucano recebeu os R$8,25 milhões da mulher de Gontijo.

A empresa Call Tecnologia continua prestando serviços para o governo de São Paulo, agora sob a administração de Geraldo Alckmin (PSDB). Dados do Diário Oficial do Estado do dia 4 de julho de 2013 mostram que a empresa continua recebendo pagamentos no valor mensal de R$192.922,80. O pagamento informado, referente ao mês de junho, é contabilizado como sendo a 63a. parcela, o que somaria o valor repassado pelo Estado, até o momento, de R$12.154.136,04 (doze milhões, cento e cinquenta e quatro mil, cento e trinta e seis reais e quatro centavos).

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Chapa Serra e Arruda: Vote num careca e leve dois

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Mensalão do DEM: Além de Arruda, presidente do PSDB/DF também tem prisão decretada

20 de abril de 2013
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José Roberto Arruda e Márcio Machado, corruptos e amigos para sempre.

Via Os amigos do presidente Lula

Não foi só o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM/DF) que recebeu a primeira condenação (5 anos e 4 meses de prisão e multa de R$400 mil) após o do mensalão do DEM. O presidente do PSDB/DF, Márcio Machado, também foi condenado a 4 anos e 8 meses de prisão e multa de R$300 mil, em ação impetrada pelo Ministério Público do Distrito Federal.

O tucano era secretário de Obras do governo Arruda e contrataram a reforma do ginásio Nilson Nelson, em 2008, por R$10 milhões, sem licitação. Como a sentença é de primeira instância, eles recorrerão em liberdade.

O PSDB do Distrito Federal tem enfrentado rachas. Até antes dessa condenação, Machado era um dos maiores entusiastas do “Volta Arruda”. O senador Aécio Neves (PSDB/DF), de olho na campanha presidencial, vê com bons olhos o apoio de Arruda. Só quer que o resto do Brasil não fique sabendo.

Essa situação toda levou à Brasília o vice-presidente nacional do PSDB e ex-ministro de FHC, Eduardo Jorge Caldas Pereira, velho conhecedor da política local, onde é bem recebido por diversas correntes políticas como Joaquim Roriz, Luiz Estevão, Paulo Octávio, José Roberto Arruda e outros.

Eduardo Jorge, segundo a jornalista Lilian Tahan, do Correio Braziliense, negou que sua visita seria para tratar de uma intervenção no tucanato do DF. Confirmou que “coordenará uma comissão nacional do partido que será responsável pela reconstrução da sigla em Brasília para as eleições de 2014”.

Ué, o que ele disse não é a mesma coisa que intervenção?

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José Serra e José Roberto Arruda: “Vote num careca e ganhe dois.”

Denúncia do mensalão do DEM deve ser julgada neste ano, diz relator

26 de março de 2013
Serra e o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, que por pouco não foi seu vice em 2010.

Serra e o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, que por pouco não foi seu vice em 2010.

STJ vai decidir se abrirá ação penal contra 37 acusados de envolvimento. Suposto esquema de corrupção no Distrito Federal foi revelado pela PF.

Via A TribunaNews

Legenda: O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

A denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e outros 36 acusados de participar do chamado mensalão do DEM deve ser julgada ainda neste ano pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirmou o ministro Arnaldo Esteves Lima, relator da ação.

Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República, eles participaram de um esquema de corrupção e pagamento de propina no governo do Distrito Federal, revelado após a deflagração, em 2009, da Operação Caixa de Pandora pela Polícia Federal. Arruda sempre negou envolvimento com o suposto esquema.

O ministro Arnaldo Lima disse que organizará no gabinete um “pequeno mutirão” para acelerar a análise da defesa dos acusados e elaborar o relatório.

“Ainda neste ano, possivelmente no segundo semestre, devo levar o caso à corte especial do STJ para decidir sobre a abertura ou não de ação penal. Quero resolver isso o mais rápido possível”, disse.

A denúncia contra Arruda, o ex-vice-governador do Distrito Federal Paulo Otávio, deputados distritais e ex-secretários de governo foi feita pela Procuradoria Geral da República em outubro do ano passado.

Se a corte especial do STJ, formada pelos 15 ministros mais antigos do tribunal, decidir aceitar a denúncia, os acusados se tornarão réus em uma ação penal.

Quase todas as autoridades envolvidas no escândalo deixaram os cargos ou foram cassadas. O caso permanece no Superior Tribunal de Justiça porque um dos denunciados é o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Distrito Federal Domingos Lamoglia.

De acordo com o ministro, um dos 37 suspeitos de participação no esquema ainda não apresentou defesa.

“Tivemos que acionar a Defensoria Pública, que ainda entregará defesa. A partir disso, enviaremos o processo à Procuradoria Geral da República para as considerações finais e eu vou elaborar o voto e o relatório”, disse.

Arnaldo Esteves Lima também afirmou que analisará se vai desmembrar o processo ou se as acusações contra todos os 37 devem ser apreciadas pelo STJ.

“Antes de levar meu relatório, devo apresentar uma questão de ordem para julgamento na corte especial. Vamos decidir se repassamos para a primeira instância parte do processo, já que apenas o conselheiro do TC-DF continua com foro especial.”

É improcedente, diz defesa

O advogado Nélio Machado, que representa Arruda, disse estar preparado para demonstrar na corte a “improcedência” da acusação.

“A denúncia é toda baseada no depoimento comprometido do Durval Barbosa, que recebe benesses indevidas e não merece credibilidade alguma. Além disso, a maioria dos fatos antecedem o governo do senhor José Roberto Arruda”, afirmou.

Ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, Durval Barbosa foi quem delatou o mensalão do DEM. Nélio Machado disse ainda que vai desqualificar os vídeos gravados por Durval em que Arruda e integrantes do governo do Distrito Federal aparecem recebendo maços de dinheiro.

“A própria Polícia Federal desqualificou as provas, disse que o Durval manipulava as provas. Vou dar ênfase nessa manipulação”, disse.

Ao ser denunciado pela Procuradoria Geral, o ex-vice-governador Paulo Octávio afirmou não haver provas contra ele nas investigações. “Recebo com surpresa a notícia que o procurador-geral incluiu meu nome na denúncia apresentada ao STJ. Não há nenhuma prova contra mim, não fui apontado no relatório elaborado pela Polícia Federal e tenho convicção de que esta peça não vingará quando for analisada pela Justiça”, afirmou na ocasião.

Mensalão do DEM

O suposto esquema do mensalão do DEM de Brasília foi descoberto depois que a PF deflagrou, em novembro de 2009, a operação Caixa de Pandora, para investigar o envolvimento de deputados distritais, integrantes do governo do Distrito Federal, além do então governador José Roberto Arruda e de seu vice, Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM). Octávio e Arruda sempre negaram envolvimento com o suposto esquema de propina.

Arruda chegou a ser preso, deixou o DEM para não ser expulso e foi cassado pela Justiça Eleitoral. Paulo Octávio renunciou ao cargo para defender-se das acusações.

Durante meses, o DF esteve ameaçado de intervenção federal, devido ao suposto envolvimento de deputados distritais, integrantes do Ministério Público e do Executivo com o esquema denunciado por Durval Barbosa.

Em junho, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, denunciou ao STJ 37 pessoas suspeitas de envolvimento no mensalão do DEM. Entre os denunciados estão Arruda, apontado pelo MPF como chefe da suposta organização criminosa.

Também fazem parte do rol de denunciados o ex-vice-governador Paulo Octávio, o ex-secretário de Relações Institucionais e delator do esquema, Durval Barbosa, ex-secretários de estado, deputados distritais e o conselheiro licenciado do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamoglia.

Mesmo afastado do Tribunal de Contas desde dezembro de 2009, Lamoglia mantém o foro privilegiado. A prerrogativa do conselheiro é que levou a denúncia para o STJ, na medida em que os demais envolvidos que tinham foro perderam seus cargos por conta do escândalo.

Com 180 páginas, a denúncia relata com como operavam os integrantes da suposta organização criminosa. Segundo Gurgel, os operadores do esquema teriam “inovado” ao introduzir na administração pública o “reconhecimento de dívida”.

De acordo com a PGR, um decreto publicado por Arruda teria permitido a realização de pagamentos pelo governo do DF mesmo sem que fosse comprovada a prestação de serviços.

O método, complementou Gurgel, teria assegurado contratações com dispensa de licitação, principalmente de empresas do setor de informática.

“Era um negócio fantástico. Por exemplo, você conhece uma pessoa que é dona de uma empresa, aí afirma no despacho que essa empresa vem prestando serviços de limpeza para o governo. Não é necessário que ela tenha prestado esse serviço, desde que várias pessoas afirmem que ela vem prestando. Com isso, foi possível pagar valores extremamente generosos, obtendo futuramente a contrapartida”, relatou Gurgel.

A denúncia da PGR também detalha a partilha do dinheiro desviado dos cofres públicos. Conforme o procurador-geral, Arruda recebia 40% da propina, Paulo Octávio, 30%, e os secretários de estado, 10%. A fatia, porém, variava de acordo com cada contrato, descreveu Gurgel.

Junto com a denúncia, o procurador-geral enviou para o STJ 70 caixas com documentos que demonstrariam como a quadrilha liderada por Arruda atuava.

“Ainda não apareceu metade da missa”, diz Arruda sobre mensalão do DEM

18 de outubro de 2012

Arruda (à direita) vai abrir a boca e dar nome aos bois. Chora Serra.

Via Correio do Brasil

Dois anos e meio após ser preso e ter o mandato cassado acusado de ser chefe do esquema criminoso batizado de mensalão do DEM, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda deu o primeiro depoimento na terça-feira, dia 16, à Justiça.

Ele negou as acusações, disse que foi vítima de vingança de inimigos e, dando socos na mesa, ameaçou ir à forra: “Já que destruíram minha vida mesmo, não tenho pressa. Só digo uma coisa: ainda não apareceu nem metade da missa.”

Arruda está indiciado na Ação Penal 707, que corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ), pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, podendo pegar mais de 20 anos de prisão caso seja condenado. Ele foi ouvido no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, por delegação do ministro Arnaldo Esteves Lima, relator da ação. A quadrilha, segundo as investigações da Polícia Federal, teria desviado mais de R$1 bilhão dos cofres públicos em seis anos.

O delator do esquema, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que também depôs na terça-feira, reafirmou a denúncia de que Arruda comandava a organização criminosa. Ele disse que pagava as contas do ex-governador com “dinheiro sujo”, inclusive viagens internacionais. “Deixava dinheiro escondido, dólares, em um banheiro para ele”, afirmou. Explicou que Arruda frequentava a casa dele e que teria deixado dinheiro de contratos de informática até com a sogra dele.

Exaltado, Arruda negou as acusações e disse que todos os diálogos apresentados por Durval e periciados pela PF foram editados e manipulados. “Acabaram com a minha vida pública porque eu não cedi às chantagens desses bandidos”, garantiu. Mas entrou em contradição e admitiu que, após eleito, recebeu os empresários financiadores de sua campanha, que teriam lhe cobrado a fatura. “Financiamento privado de campanha é fonte de crise permanente”, observou ele, citando como exemplo o “mensalão” petista do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos maiores esquemas de corrupção da política brasileira, o mensalão do DEM foi desmantelado em novembro de 2009 pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema consistia no desvio de recursos públicos em contratos “viciados”, cobrança de propina de empresários que tinham negócios com o governo e rateio de caixa 2 entre autoridades e políticos da base aliada. Entre 2000 e 2009, teriam sido desviados mais de R$1 bilhão dos cofres públicos.

Além de Arruda, figuram na lista de 37 denunciados pelo Ministério Público o vice-governador Paulo Octávio Pereira, dez deputados e ex-parlamentares, secretários de Estado e autoridades. Em 20 de setembro, no último despacho sobre o caso, o ministro relator transformou o inquérito criminal 650 na Ação Penal 707, tornando os acusados formalmente em réus. Eles responderão pelos crimes de corrupção – ativa e passiva –, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

O dinheiro era desviado por meio de contratos, a maioria na área de informática, com dispensa de licitação. Outro mecanismo consistia no reconhecimento de dívidas relativas a serviços não realizados ou superfaturados.

“Generosíssimos pagamentos eram feitos a diversas empresas, muitas do setor de informática e, claro, em retribuição aos pagamentos, os empresários e proprietários mantinham pagamentos regulares, mensais a diversas pessoas do governo”, explicou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, quando entregou a denúncia, em junho.

A ação corre no STJ porque um dos acusados, o conselheiro Domingos Lamoglia, do Tribunal de Contas do DF, tem direito a foro especial. Se ele renunciar ao cargo, o caso desce para a Justiça Federal de primeira instância, uma vez que nenhum dos demais réus tem prerrogativa de foro especial. A denúncia demorou mais de dois anos a ser entregue porque o MP, segundo Gurgel, teve de refazer quase todo o inquérito da PF, que deixou de fora vários envolvidos no esquema, entre os quais os deputados que aprecem em fitas de vídeo embolsando propinas.

Por ocasião da abertura do inquérito, em novembro de 2009, a procuradora da República Raquel Dodge anexou 30 vídeos que revelam em detalhes como funcionava a máquina de arrecadação e distribuição de propina. O primeiro mostra Arruda recebendo R$50 mil das mãos de Durval Barbosa, operador do esquema, que depois se tornou delator e terá benefícios penais por isso.

Há fitas com acusados colocando dinheiro na cueca, nos bolsos, em pastas e bolsas. O ex-presidente da Câmara Distrital Leonardo Prudente aparece enfiando maços de dinheiro nas meias. O ex-corregedor da Casa deputado Júnior Brunelli, que é pastor evangélico, aparece em outro vídeo recebendo dinheiro e fazendo a oração da propina junto com Durval e Prudente. A deputada Eurides Brito foi cassada depois do vídeo em que põe dinheiro na bolsa.

A deputada federal Jaqueline Roriz, que aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro de Durval, também depôs na terça-feira. Ela disse que se tratava de recursos para ajuda de campanha e que não sabia que a origem era ilegal.


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