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É intolerável ver Marin na abertura da Copa 2014, diz filho de Herzog

13 de abril de 2013
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João Havelange entre o almirante Massera e o
ditador Jorge Rafael Videla.

Em entrevista ao site Carta Maior, Ivo Herzog traça paralelos entre o João Havelange, ex-presidente da Fifa, que passeava entre repressores, e o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, ao qual imputa vínculos com o assassinato de Vlado, o editor da TV Cultura executado nas dependências do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops/SP).

Dario Pignotti, via Carta Maior

Há fotos que mancham com um simples olhar. Uma delas mostra João Havelange junto ao ditador Jorge Rafael Videla e ao almirante Massera, os três vestindo solenes trajes listrados, na abertura da Copa do Mundo de 1978 disputada no estádio Monumental de Buenos Aires, a poucas quadras da Esma, a maior prisão clandestina do regime onde morreram 5 mil prisioneiros, entre eles o pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior, sequestrado horas depois de tocar junto com Vinicius de Moraes em um teatro portenho.

Quando se observa com mais cuidado aquela foto do inverno de 78 se vê o chefe do campo de concentração da Esma, Massera, e o “capo” da Fifa, João Havelange, um ex-nadador olímpico de porte atlético, como se fossem dois pavões reais arrogantes, com seus peitos inchados e o ar marcial.

As vidas de Havelange e Massera seguiram rumos paralelos. O brasileiro acumulou milhões dólares graças aos subornos cobrados de uma empresa de marketing desportivo, como provou a justiça suíça, e possivelmente ao envolvimento com o tráfico de armas, um negócio ao qual o genocida argentino também se dedicou.

Durante uma entrevista com Ivo Herzog, falamos sobre essa velha imagem em preto e branco que retrata o obsceno vínculo que os donos do futebol mantiveram com as ditaduras sul-americanas. Seu pai, Vladimir Herzog, foi assassinado pela ditadura em outubro de 1975, um ano depois de Havelange ter tomado as rédeas da FIFA, as quais não soltou até 1998.

Ivo Herzog traça paralelos entre aquele Havelange, que passeava entre repressores, e o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, ao qual imputa vínculos com o assassinato de Vlado, o editor da TV Cultura executado nas dependências do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops/SP).

O passado de Marin é equiparável ao de Havelange?

Pode ser pior. Creio que Havelange deveria ser investigado pela Comissão da Verdade criada pela presidenta Dilma Rousseff, mas não conheço tanto sua história para falar muito dela. Mas posso, sim, falar dessa pessoa chamada Marín, a quem não posso chamar de senhor.

Essa foto do mundial de 78 é terrível porque é a imagem de um passado monstruoso que pode voltar a acontecer. Digo isso porque poderemos ter uma foto parecida se Marin seguir sendo o presidente do Comitê Organizador de nossa Copa do Mundo (COL) e for o anfitrião da cerimônia. Você imagina o que seria ter um homem da ditadura em nossa Copa da democracia?

Seria intolerável que Marin estivesse neste ato que será visto por milhões de pessoas em todo o mundo. Por isso lançamos o manifesto “Fora Marin” que vem tendo uma receptividade surpreendente.

A primeira coisa que queremos é que Marin vá embora do COL, que é uma entidade que recebe dinheiro e apoio do governo. Depois queremos que ele saia da CBF, mas isso é mais difícil porque é uma entidade privada que diz publicamente que não se interessa pelo passado de seu presidente. Eu diria ao senhor Joseph Blatter [titular da Fifa] que não se preste ao jogo de Marin.

Se Blatter pressionou para que Ricardo Teixeira saísse do COL no ano passado, por corrupção, agora teria de fazer o mesmo em relação a José María Marin pelo crime de lesa humanidade, propõe Ivo Herzog.

O abaixo-assinado de Herzog “Fora Marin” recolheu 60 mil assinaturas em poucas semanas, conquistando o apoio de personalidades como Chico Buarque e o ex-atacante Romário que desde seu mandato na Câmara de Deputados propôs que o Congresso revise o passado político do chefe do futebol brasileiro.

O engenheiro naval Ivo Herzog nasceu há 46 anos no exílio londrino ao qual seu pai havia sido empurrado em função de uma longa militância comunista. Anos mais tarde, Vladimir Herzog decidiu deixar seu cargo na BBC e retornar a São Paulo onde assumiu como editor da TV Cultura.

Na metade da década de 1970, o regime planejava uma transição lentíssima rumo à democracia e se disfarçava de “ditabranda” autorizando a existência de um poder legislativo composto por civis comandados desde os quarteis como José Maria Marin. O hoje chefe do futebol brasileiro chegou a ser governador de São Paulo, em recompensa por sua lealdade aos generais e sua proximidade com a polícia política, o Dops, que assassinou Vladimir Herzog em outubro de 1975. O chefe do Dops então era Sérgio Paranhos Fleury, possivelmente o repressor mais famoso do Brasil e um dos pioneiros do que terminou sendo a Operação Condor. Em dezembro de 1973, o delegado participou em Buenos Aires, junto com repressores argentinos, do sequestro e posterior desaparição dos brasileiros exilados Joaquim Pires Cerveira e João Batista Rita, segundo denúncias apresentadas por familiares das vítimas.

Marin foi cúmplice da morte de Vladimir Herzog.

Marin foi cúmplice da morte de Vladimir Herzog.

Você diria que Marin foi cúmplice do assassinato de seu pai?

Creio que é possível usar a palavra “cúmplice”, sim. Em outubro de 1975, poucos dias antes de meu pai ser preso, Marin fez um chamado à repressão dos opositores. Foi uma convocação feita em um discurso público e, em 1976, quando já havia passado um ano do crime, fez outro discurso cheio de elogios a Fleury, chefe da repressão.

Vou citar textualmente uma parte do que ele disse: “Queremos dar nossas melhores felicitações a um homem que vem prestando relevantes serviços à comunidade…queremos dizer o orgulho que sentimos por contar com um comissário como Sérgio Paranhos Fleury”. Isso quer dizer que sua identificação com a repressão era descarada e qualquer um pode encontrá-la se pesquisar jornais ou artigos legislativos, diz Herzog.

Ivo Herzog não tem muitas ilusões sobre o destino jurídico de Marin beneficiado pela Lei de Anistia promulgada pelo ditador João Batista Figueiredo, ao ver que a ditadura começava a enfraquecer e era preciso garantir a impunidade.

Por outro lado, ele confia em Dilma Rousseff e em sua disposição política para que Marin não figure, daqui a 15 meses, na foto da festa inaugural da Copa do Mundo. Presa e torturada, ela também em São Paulo na década de 1970, a então guerrilheira “Wanda” não deixou dúvidas sobre seu desprezo ao dirigente.

É evidente que a presidenta evita encontros com Marin. Isso pode desgastá-la.

Dilma sabe o que Marin fez e minha família valoriza a atitude muito positiva que ela vem tendo em relação a ele. Ela tem o evitado o quanto pode e se mostra muito digna ao demonstrar sua distância em relação a uma figura desse peso. Hoje temos como presidenta uma pessoa que entende perfeitamente o que aconteceu durante a repressão e isso é algo que, indiscutivelmente, tem um peso político”.

Dilma olha para Marin com os mesmos olhos de desgosto com que observava Teixeira. Ela quer sua saída?

Nunca falei deste tema com a presidenta, mas qualquer um percebe que Marin não lhe agrada. Realmente não sei se ela está usando sua influência para retirá-lo do COL, mas é evidente que, para Marin, não é muito cômodo que todo mundo saiba que ele não tem um respaldo total da presidenta.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

No auge de torturas e prisões, Marin louva Fleury

21 de março de 2013

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Em registro recuperado pelo 247, de 1976, o então deputado estadual da Arena e hoje presidente da CBF elogia o “delegado de polícia Sérgio Fleury”, conhecido por liderar caçadas políticas e torturar pessoalmente opositores do regime militar. “Queremos, nesta oportunidade, prestar nossos melhores cumprimentos a um homem que, de há muito, vem prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça a seu trabalho”, iniciou José Maria Marin. O jornalista Vladimir Herzog fora morto no Doi-Codi paulistano um ano antes.

Via Brasil 247

Na semana passada, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, usou o site da entidade para responder a acusações de que teria contribuído para a morte do jornalista Vladimir Herzog, durante a ditadura militar. A simpatia pelo delegado Sérgio Fleury, contudo, Marin não pode mais negar. Em registro recuperado pelo 247, o então deputado estadual por São Paulo cumprimenta “um homem que, de há muito, vem prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça a seu trabalho”.

Marin segue seus elogios ao homem que coordenava torturas durante o regime militar: “Dizemos isto depois de verificar, mais uma vez, seu trabalho na solução de um crime que abalou não só o Estado de Mato Grosso, mas, temos certeza absoluta, todo o Brasil. E nós, que conhecemos de perto sua personalidade, não só como exemplar chefe de família, como homem cumpridor de seus deveres e, acima de tudo, com uma vocação das mais raras, das mais elogiáveis, que é o cumprimento de seu dever como polícia, nos sentimos na obrigação, neste momento em que todo o país toma conhecimento da solução desse crime que abalou todo o Brasil, de fazer aqui a devida justiça ao delegado Sérgio Fleury e à sua valorosa equipe”.

Leia o discurso na íntegra:

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Após denúncias, Marin, presidente da CBF, garante R$100 mil por mês a Teixeira

14 de julho de 2012

Em passagem pelo Recife, José Maria Marin, presidente da CBF, afirmou que continuará pagando salário (por meio de consultoria) ao antecessor, acusado de enriquecimento ilícito pela Justiça da Suíça. Dava para esperar outra coisa?

Via Brasil 247

Durante sua passagem pelo Recife na quinta-feira, dia 12, para anunciar um amistoso entre a Seleção Brasileira e a China, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, preferiu não comentar as denúncias sobre o recebimento de suborno recebimento de suborno por parte dos ex-presidentes da entidade Ricardo Teixeira e João Havelange. “Prefiro não fazer comentário a respeito desta pergunta”, disse, calmamente. Entretanto, quando o assunto foi a possibilidade de corte do pagamento do salário de consultor a Teixeira, o mandatário da entidade máxima do futebol brasileiro não titubeou e garantiu a continuidade dos depósitos na conta bancária do ex-dirigente.

“Ele [Ricardo Teixeira] contribui com assessoria em nível internacional. Aproveitamos a experiência que o Ricardo tem no futebol internacional. O que foi divulgado [suspeitas de suborno] não tem relação entre Ricardo Teixeira e a CBF”, afirmou José Maria Marin.

Teixeira se afastou da presidência da entidade em março deste ano, alegando problemas de saúde, porém sob suspeitas de receber dinheiro, por fora, para programar amistosos da Seleção Brasileira. Mesmo assim, o dirigente continua recebendo vencimentos de aproximadamente R$100 mil por mês para prestar uma suposta assessoria.

Curiosamente, José Maria Marin assumiu o comando da CBF justamente por indicação do próprio Ricardo Teixeira. E a tal assessoria prestada pelo ex-presidente da entidade até hoje não foi explicada de forma detalhada por nenhum representante confederação.

Na quarta-feira, dia 11, um tribunal da Suíça publicou informações de um processo contra os ex-dirigentes brasileiros, no qual aproximadamente R$45 milhões em subornos passaram por suas contas em oito anos, através da empresa de marketing suíça ISL. Na decisão da Justiça do país europeu, Ricardo Teixeira e João Havelange aparecem como os condenados por uma fraude na venda de direitos de transmissão da Fifa para a empresa ISL. Segundo o levantamento, a companhia pagou suborno para os brasileiros entre os anos de 1992 e 2000.

A gestão de Ricardo Teixeira à frente da CBF sempre foi marcada por denúncias de enriquecimento ilícito por parte do ex-dirigente. A TV Globo chegou a exibir um Globo Repórter especial, em 1999, sobre o crescimento do patrimônio do então homem forte do futebol brasileiro. Porém, a mesma rede de televisão assumiu, pouco tempo depois, uma postura, digamos, mais “light” ao abordar a gestão da entidade.

Comissão da Verdade pode citar José Maria Marin, presidente da CBF, pela morte de Herzog

9 de julho de 2012

Ivo Herzog, filho de Vlado

Via Portal SRZD

O engenheiro Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, preso e assassinado por órgãos repressivos do governo em outubro de 1975 durante a ditadura militar (1964-1985), afirmou ao SRZD na tarde de sexta-feira, dia 6, que encara a divulgação das fotos do corpo deseu pai como um estímulo à abertura das investigações sobre o caso. Na conversa, apontou também o nome do atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, como um dos responsáveis pelo fim trágico de Herzog.

“Eu acredito sim [na retomada das apurações] porque existe uma ordem judicial de 1978, não cumprida pelo Estado, do juiz Márcio Moraes, ordenando a reabertura das investigações. Ela foi emitida porque já naquela época havia indícios de que um crime havia sido cometido e essas fotos fortalecem esses indícios”, afirmou Ivo Herzog, que também é diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog.

No último dia 26 de junho, o jornalista Juca Kfouri denunciou em seu blog que a presidente Dilma Rousseff recusa se encontrar com Marin pelo fato de ele ter supostamente discursado a favor da prisão de Herzog 16 dias antes da morte do jornalista. O Palácio do Planalto, no entanto, nega os motivos citados por Kfouri. Mesmo já tendo se passado 37 anos da morte de Herzog, Ivo confessou ao SRZD que as investigações da Comissão Nacional da Verdade não serão capazes de reparar a perda do pai, e aproveitou para reforçar a bomba que, recentemente, causou mal-estar nas bases do governo.

“A perda da morte do meu pai é irreparável, mas eu acho que a Comissão Nacional da Verdade pode ajudar a um maior entendimento sobre as circunstâncias e quem foram os personagens envolvidos nela. Alguns deles cumprem altíssimos cargos públicos representando o Brasil no âmbito internacional, pessoas que discursaram politicamente contra a liberdade e a favor de um processo violento contra a democracia”. Questionado sobre o nome do personagem alvo de sua denúncia, Ivo foi curto e direto: “José Maria Marin”.

Sobre o fato de a Comissão da Verdade ter optado pelo sigilo dos depoimentos de agentes da repressão que não quiseram divulgar suas identidades, Ivo declarou não ter uma posição formada.

“Essa é uma questão delicada. Não tenho uma resposta precisa para te dar. Consigo ser solidário que, dentro de uma estratégia jurídica, essas pessoas não estejam expostas no momento do depoimento. Mas acho inaceitável que esses depoimentos sejam mantidos em sigilo ao final das investigações”, enfatizou.

A equipe de reportagem do SRZD entrou em contato com a assessoria de imprensa da CBF e aguarda o posicionamento sobre o caso.

José Maria Marin, presidente da CBF, foi responsável pela prisão de Herzog

28 de junho de 2012

Jacqueline Patrocínio, Comunique-se

O jornalista Juca Kfouri publicou na terça-feira, dia 26, que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin (foto), foi serviçal da ditadura e um dos responsáveis pela prisão de Vladimir Herzog – que foi morto pelos militares.

Kfouri afirma que Marin é “fartamente” responsável pela prisão que resultou no assassinato de Herzog, em 1975. “Na época, Marin era deputado e em discursos elogiava o trabalho do torturador Sérgio Paranhos Fleury e colaborava com as denúncias sobre a existência de comunistas na TV Cultura, cujo jornalismo era dirigido por Herzog”, publicou.

Na opinião do jornalista, este é o motivo pelo qual Dilma Rousseff não recebe Marin, que trata assuntos relativos ao governo federal em audiências com o vice-presidente da República, Michel Temer. Ele está no comando da CBF e do Comitê Organizador Local para a Copa do Mundo de 2014, desde março de 2012, após a renúncia de Ricardo Teixeira.

Prisão e morte de Vlado

Herzog foi torturado e morto por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), durante o regime militar e tornou-se símbolo na luta pela restauração da democracia no Brasil.


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