Posts Tagged ‘Jorge Paulo Lemann’

Desigualdade social: 124 pessoas concentram 12,3% do PIB brasileiro

13 de setembro de 2013
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Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra e a família Marinho, juntos, possuem uma fortuna de R$123,78 bilhões.

Via Correio do Brasil

As 124 pessoas mais ricas do Brasil acumulam um patrimônio equivalente a R$544 bilhões, cerca de 12,3% do PIB, o que ajuda a entender porque o país é considerado um dos mais desiguais do mundo. Estas 124 pessoas integram a última lista de multimilionários divulgada nesta segunda-feira pela revista ‘Forbes’, que inclui todos os brasileiros cuja fortuna supera R$1 bilhão.

O investidor chefe do fundo 3G Capital, Jorge Paulo Lemann, que acaba de adquirir a fabricante de ketchup Heinz e é um grande acionista da cervejaria AB InBev e do Burger King, ficou com o primeiro lugar. A fortuna de Lemann, de 74 anos, chega a R$38,24 bilhões, enquanto o segundo da lista, Joseph Safra, empresário de origem libanesa e dono do banco Safra, tem ativos de R$33,9 bilhões.

A maioria das fortunas corresponde a membros de famílias que dominam as grandes empresas de setores como mídia, bancos, construção e alimentação. No caso da mídia, os números mostram a concentração de poder dos três irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, que detêm o controle da maior empresa de mídia da América Latina e, juntos, formam um patrimônio de R$51,64 bilhões, tornando-a a família mais rica do país. As Organizações Globo foram fundadas em 1925 por Irineu Marinho, avô dos atuais proprietários, mas somente se tornou uma empresa multimilionária a partir da gestão do pai deles, Roberto Marinho, construída durante a ditadura militar no país, ao longo de mais de 20 anos.

Entre os 124 multimilionários brasileiros apenas o cofundador de Facebook, Eduardo Saverin, constituiu seu patrimônio por meio da internet.

O empresário Eike Batista, que chegou a ser o sétimo homem mais rico do mundo e perdeu parte de sua fortuna pela vertiginosa queda do valor das ações de sua companhia petrolífera OGX e do resto das empresas de seu conglomerado EBX, ficou em 52º lugar na lista.

A grande fortuna concentrada por estes milionários comprova a veracidade dos indicadores oficiais que classificam o Brasil como um dos países com maiores disparidades entre ricos e pobres.

O índice de Gini do país foi de 0,501 pontos em 2011, em uma escala de zero a um, na qual os valores mais altos mostram uma disparidade mais profunda entre ricos e pobres.

Cerca de 41,5% das rendas trabalhistas se concentram nas mãos de 10% dos mais ricos, segundo dados do censo de 2010, enquanto metade da população vivia, nesse ano, com uma renda per capita mensal de menos de R$375,00.

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Leia também:

Forbes: A famiglia Marinho tem fortuna de R$52 bilhões

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A crise do picolé assusta Scabin, Verônica Serra e Lemann

22 de março de 2013

Veronica_Lemann_Sorvete

Tem sorvete derretendo na mão de gente famosa; divulgação de pagamento de “um valor superior a R$100 milhões” por entre “14% e 21%” da sorveteria Diletto, de Leandro Scabin, por fundo Innova de Verônica Serra, filha de José Serra, e Jorge Paulo Lemann, maior bilionário do Brasil, desperta suspeitas no mercado. O valor admitido por Scabin à revista Forbes, agora é negado por assessores; nenhum outro número foi divulgado.

Marco Damiani, via Brasil 247

Tem picolé derretendo em praça pública: os nervos dos donos estão quentes. Pertencente, até o final de janeiro, ao fundador Leandro Scabin, a Fábio Pinheiro, ex-sócio do banco Pactual, e ao publicitário Fábio Meneghini, da W/McCann, a sorveteria Diletto está na ponta da língua do mercado. Por “um valor superior a R$100 milhões”, segundo afirma a prestigiada revista Forbes Brasil em reportagem destacada em sua capa deste mês, entre 14% e 21% da empresa foram vendidos ao fundo Innova Capital, criado pelos titulares do 3G Capital Jorge Paulo Lemann, o maior bilionário do Brasil, e Marcel Telles. O Innova, com capital estimado em US$190 milhões, tem a filha do ex-governador e sempre presidenciável tucano José Serra, Verônica Serra, como sócia e comandante em chefe.

“Todo o dinheiro pago será reinvestido na empresa”, admitiu à Forbes, em entrevista na qual aparece com um sorriso, como se diz, de orelha a orelha, o empreendedor Scabin. “Nós não vamos embolsar nada”, insistiu ele à publicação especializada em negócios, interessada em questionar quais eram as “extravagâncias financeiras planejadas após levantar uma bolada milionária”. Scabin, em nenhum momento, negou o valor da venda, por, repita-se, mais de R$100 milhões por cerca de 20% da Diletto. Pelo tamanho do sorriso na foto ilustrativa da reportagem, bem pode ter sido mesmo até mais.

Agora, no entanto, dada a estranheza que percorre o mercado em razão do investimento feito por Lemann, Verônica e seu Innova Capital numa companhia que, no ano passado, faturou R$30 milhões, Scabin parece ter recolhido a comemoração. Estranho. Com o negócio na boca do mercado, a primeira providência da Diletto foi trocar sua área terceirizada de comunicação. A assessoria de imprensa Índex, que até a repercussão do negócio cuidava diligentemente da divulgação dos valores de seus sorvetes, foi substituída pela Máquina da Notícia, de forte influência do publicitário Nizan Guanaes, e que administra, entre outras contas, a imagem da Ambev diante da mídia. Como se sabe, a Ambev é a primeira pérola na coroa de brilhantes participações acionárias de Lemann.

Não há coincidência. A compra de uma participação numa sorveteria, mesmo sendo feita pelo bilionário Lemann e a filha de Serra, Verônica, poderia ter sido encarada como um negócio normal, não fosse pelo valor divulgado inicialmente. Diante do faturamento da companhia, qualquer conta de precificação não o sustenta. Há um consenso econométrico, mercadológico e político de que “um valor superior a R$100 milhões” pela Diletto extrapola até a última barreira de um investimento de bom senso. Não há notícia, ainda, de que Jorge Paulo Lemann goste de perder dinheiro – ou admita prazos de décadas para obter seu retorno. O mesmo vale para Verônica, sua protegida desde que foi beneficiada por uma bolsa de estudos bancada por ele para a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Os novos titulares da comunicação midiática da Diletto informam que o valor pago por cerca de 20% da empresa não é de R$100 milhões. Scabin, porém, não negou o montante antes de o negócio se tornar de conhecimento público. Dando-se crédito, ok, à versão do novo momento, quanto foi pago pelo Innova de Lemann e Verônica à Diletto de Scabin, Pinheiro e Meneghini? Mais ainda? Um pouco menos, muito menos? Não, a informação é a de que não há informação sobre isso.

Enquanto nenhum dos envolvidos na aquisição minoritária mais comentada da semana aceita, ainda, falar em on a respeito, o certo é que os multicoloridos Diletto, cujo slogan é “La felicità è un gelatto”, vão se degelando sob a alta temperatura de um negócio mal explicado.

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E se Verônica Serra fosse filha de Lula?

E se Verônica Serra fosse filha de Lula?

21 de março de 2013
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Verônica, Lemann e Lulinha: Todos os filhos de políticos são iguais para a mídia, mas alguns são mais iguais que outros.

Certas perguntas têm a força de mil respostas, e este é um caso.

Paulo Nogueira em seu Diário do Centro do Mundo em 27/6/2013

Um título do site Viomundo, trazido ao Diário pelo atilado leitor e comentarista Morus, merece reflexão. E se o filho de Lula fosse sócio do homem mais rico do Brasil?

Antes do mais: certas perguntas têm mais força que mil repostas, e este é um caso.

Bem, o título se refere a Verônica Serra, filha de Serra. Ela foi notícia discreta nas seções de negócios ontem [20/3] quando foi publicado que uma empresa de investimentos da qual ela é sócia comprou por R$100 milhões 20% de uma sorveteria chamada Diletto.

Os sócios de Verônica são Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. Lemann é o homem mais rico do Brasil. Daí a pergunta do Viomundo, e Marcel é um velho amigo e parceiro dele.

Lemann e Marcel, essencialmente, fizeram fortuna com cerveja. Compraram a envelhecida Brahma, no começo da década de 1980, e depois não pararam mais de adquirir cervejarias no Brasil e no mundo. Se um dia o consumo de cerveja for cerceado como o de cigarro, Lemann e Marcel não terão muitas razões para erguer brindes.

Verônica se colocou no caminho de Lemann quando conseguiu dele uma bolsa de estudos para Harvard. Eu a conheci mais ou menos naquela época. Eu era redator-chefe da Exame, e Verônica durante algum tempo trabalhou na revista numa posição secundária.

Não tenho elementos para julgar se ela tinha talento para fazer uma carreira tão milionária. Ela não me chamou a atenção em nenhum momento, e portanto jamais conversei mais detidamente com ela.

Mas ali, na Exame, ela já era um pequeno exemplo das relações perigosas entre políticos e empresários de mídia. Foi a amizade de Serra com a Abril que a colocou na Exame.

Depois, Verônica ganhou de Lemann uma bolsa para Harvard. Lemann, lembro bem de conversas com ele, escolhia em geral gente humilde e brilhante para, como um mecenas, patrocinar mestrados em negócios na Harvard, onde estudara.

Não sei se Verônica se encaixava na categoria dos humildes ou dos brilhantes, ou de nenhuma das duas, ou em ambas. Conhecendo o mundo como ele é, suponho que ela tenha entrado na cota de exceções por Serra ser quem é, ou melhor, era.

Serra pareceu, no passado, ter grandes possibilidades de se tornar presidente. Numa coluna antológica na Veja, Diogo Mainardi começou um texto em janeiro de 2001 mais ou menos assim: “Exatamente daqui a um ano Serra estará subindo a rampa do Planalto”. Os jornalistas circularam durante muito tempo esta coluna, como fonte de piada e escárnio.

Cotas para excluídos são contestadas pela mídia, mas cotas para amigos são consideradas absolutamente normais, e portanto não são notícia.

Bem, Verônica agradou Lemann, a ponto de se tornar, depois de Harvard, sócia dele. O nome dela apareceu em denúncias – cabalmente rechaçadas por ela – ligadas às privatizações da era tucana.

Tenho para mim que ela não precisaria fazer nada errado, uma vez que já caíra nas graças de Lemann, mas ainda assim, a vontade da mídia de investigar as denúncias, como tantas vezes se fez com o filho de Lula, foi nenhuma.

Verônica é da turma. Essa a explicação. Serra é amigo dos empresários de mídia. E mesmo Lemann, evidentemente, não ficaria muito feliz em ver a sócia exposta em denúncias.

Lemann é discreto, exemplarmente ausente dos holofotes. Mas sabe se movimentar quando interessa. Uma vez, pedi aos editores da Época Negócios um perfil dele depois da compra de uma grande cervejaria estrangeira. Recomendei que os repórteres falassem com amigos, uma vez que ele não dá entrevistas.

Rapidamente recebi um telefonema de João Roberto Marinho, o Marinho que cuida de assuntos editoriais. João queria saber o que estávamos fazendo. Lemann ligara a ele desgostoso. Também telefonara a seus amigos mais próximos recomendando que não falassem com os repórteres da revista. Ninguém falou, até mais tarde Lemann autorizá-los depois de ver os bons propósitos da reportagem.

A influência de Lemann sobre João Roberto se deve, é verdade, à admiração que Lemann e seu lendário Grupo Garantia despertavam na família Marinho. Mas é óbvio que a verba publicitária das cervejarias de Lemann fala alto também.

Um amigo me conta que em Avenida Brasil os personagens tomavam cerveja sob qualquer pretexto. Isto porque as cervejarias de Lemann pagaram um dinheiro especial pelo chamado product placement, ou merchan, na linguagem mais vulgar.

O consumidor é submetido a uma propaganda sem saber, abertamente, que é propaganda. Era como se realmente os personagens tivessem sempre motivos para tomar uma gelada.

Verônica Serra, por tudo isso, esteve sempre sob uma proteção, na grande mídia, que é para poucos. É para aqueles que ligam e são atendidos pelos donos das empresas jornalísticas.

O filho de Lula não.

Daí a diferença de tratamento. E daí também a força incômoda, por mostrar quanto somos uma terra de privilégios, da pergunta do site Viomundo.

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