Posts Tagged ‘João Havelange’

A Globo está envolvida no suborno de Havelange e Ricardo Teixeira

3 de julho de 2013
Ricardo_Teixeira_Havelange02

Teixeira e Havelange foram intermediários de fraude da Rede Globo.

A reportagem abaixo foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em julho de 2012. Atualmente, alguns detalhes do texto chamam atenção. Jamil Chade, o autor, trata das investigações na Suíça que levaram ao afastamento da Fifa de João Havelange e Ricardo Teixeira. Menciona que uma emissora de tevê – qual? – brasileira teve participação no pagamento de suborno aos cartolas. Eram as negociações pelos direitos das copas de 2002 e 2006. Foi justamente no período em que, segundo a Receita Federal, a TV Globo abriu uma empresa de fachada nas Ilhas Virgens Britânicas. Onde operava, também, a International Sports and Leisure (ISL), empresa de marketing que esteve no centro do escândalo que ainda abala o futebol internacional.

Justiça mostra suborno milionário

Ricardo Teixeira e João Havelange receberam, segundo a investigação suíça, mais de R$45 milhões para fechar acordos, desviando o dinheiro da Fifa.

Jamil Chade, via O Estado de S.Paulo, publicado em 12/7/2012

João Havelange e Ricardo Teixeira receberam suborno no valor de pelo menos R$45 milhões, segundo a Justiça suíça. O escândalo do pagamento de propinas escancara 30 anos de um sistema de corrupção montado na Fifa. Os brasileiros cometeram “enriquecimento ilícito”, causaram prejuízo para a entidade e colocaram seus interesses pessoais acima dos interesses do futebol, diz a Justiça sobre o caso, que foi arquivado mas teve seus documentos divulgados ontem.

A ação promete ter amplas repercussões: Havelange pode deixar de ser presidente de honra da Fifa e as informações poderão ser usadas no Brasil para uma eventual ação contra Teixeira. A declaração dos advogados da entidade insinuando que sul-americanos são em geral corruptos também promete causar mal-estar entre a Fifa e o governo.

Documentos oficiais da Justiça suíça apontam para pagamento de comissões no valor de US$122,5 milhões (R$225 milhões) por parte da empresa de marketing ISL a cartolas pelo mundo. A Justiça também acusou a Fifa de “omissão” ao não conseguir controlar os subornos. Num dos pagamentos de US$1 milhão (R$2 milhões) a Havelange, o dinheiro foi erroneamente depositado numa conta da Fifa.

Como regra geral, segundo a Justiça, a propina teria sido paga a Teixeira e Havelange para que influenciassem a Fifa na decisão de quem ficaria com os direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006, incluindo o mercado brasileiro. Uma empresa transmissora com atuação no Brasil é citada como uma das envolvidas no suborno, ainda que seu nome esteja sendo mantido em sigilo. Para os suíços, o serviço dos dois foi “comprado” por empresas que queriam manter relações com a Fifa.

A publicação do documento ocorreu depois que o Tribunal Federal da Suíça entendeu que o assunto era de “interesse público”. O documento de 42 páginas mapeia um esquema de corrupção que tomou conta da Fifa. Tudo começou quando o Tribunal de Zug decidiu investigar a quebra da empresa de marketing da Fifa, a ISL. O que descobriu foi uma ampla rede de suborno.

Em 2010, porém, o caso envolvendo Teixeira e Havelange foi encerrado depois de um acordo entre os dois e o procurador suíço. Eles devolveram US$2,5 milhões (R$5 milhões) à Fifa.

O documento revela uma movimentação milionária na conta desses cartolas. Teixeira e Havelange receberam subornos num valor total de pelo menos 21,5 milhões de francos suíços (cerca de R$45 milhões) em contas em paraísos fiscais.

Os pagamentos ocorreram entre 1992 e 2004 e o tribunal havia decidido processar os brasileiros por “atos criminosos em detrimento da Fifa”. “Eles causaram prejuízos para a Fifa por seu comportamento e enriqueceram ilicitamente.”

Parte substancial da denúncia é dirigida a Havelange, acusado de não repassar pagamentos aos cofres da Fifa. Havelange é ainda acusado de “administração desleal”.

“Havelange usou ilegalmente ativos confiados a ele para seu próprio enriquecimento em várias ocasiões”, aponta o documento.

O cartola agiu para garantir o contrato de empresas para a transmissão da Copa de 2002 e recebeu propinas de uma empresa para garantir o contrato para a transmissão do Mundial no mercado brasileiro naquele ano.

Havelange, que já teve de abandonar o COI por conta do escândalo, “embolsava o dinheiro” e empresas o pagavam para usar sua influência como presidente da Fifa para garantir contratos.

Andorra. Teixeira também foi alvo das propinas, especialmente por conta do interesse de empresas de usar seus serviços. Segundo a Justiça, ele presidia a federação de futebol “mais poderosa” do mundo. Com um pagamento, a empresa conseguia dois objetivos: influência na Fifa e garantia de contratos no Brasil.

O pagamento ao ex-presidente da CBF ocorria por meio de uma empresa que ele teria estabelecido em Andorra, outro paraíso fiscal. Um intermediário era usado para transferir, em nome do brasileiro, o dinheiro para suas contas. O agente retirava os ativos em espécie e alimentava contas de Teixeira.

Antes da Copa de 2002, o Brasil fez uma parada em Andorra para jogar um amistoso contra a seleção local. Pessoas que faziam parte daquela comissão técnica confirmaram ao Estado que o jogo foi uma forma de Teixeira agradecer aos atravessadores locais pelo serviço de suposta lavagem de dinheiro. O uso de Andorra pelo ex-dirigente teria perdurado até 2004.

“Teixeira usou ilegalmente ativos confiados a ele para seu próprio enriquecimento em várias ocasiões”, apontou o documento, indicando como ele agia em nome da Fifa, mas acabava embolsando o dinheiro. Só entre 1992 e 1997, recebeu US$12,7 milhões (R$25,4 milhões). O dinheiro viria de comissões de acordos entre empresas e a Fifa, para o uso do nome da Copa do Mundo, assim como para “a transmissão da Copa de 2002 no Brasil”.

A investigação conduzida pelo procurador Thomas Hildbrand ainda evidenciou um esquema de corrupção que fazia parte da Fifa desde os anos 70, quando Havelange assumiu o poder.

Testemunhas contam que a ISL foi usada como verdadeiro caixa 2. Abriu contas em paraísos fiscais como Liechtenstein e Ilhas Virgens Britânicas para receber e pagar propinas.

O dinheiro vinha em grande parte de empresas de transmissão das imagens da Copa de 2002 e 2006. No caso do Brasil, o valor do contrato era de US$220 milhões. Outros contratos chegavam a US$750 milhões.

Segundo a defesa de Teixeira, nunca houve uma condenação e o acordo impediu até mesmo que o processo fosse adiante.

A defesa do ex-dirigente brasileiro também apontou que não houve nem mesmo confissão de culpa. Em Zug, o tribunal admitiu ao Estado que foram os advogados de Teixeira e de Havelange que bloquearam a publicação do documento por dois anos.

***

Globo_Impostos06

Globo não revela seus codinomes no relatório da propina a Ricardo Teixeira

Helena Sthephanowitz, via Rede Brasil Atual

Quando o Tribunal Federal Suíço autorizou a divulgação da documentação do caso ISL/Fifa, onde aparecem as propinas pagas a Ricardo Teixeira e João Havelange, exigiu que todos os nomes dos não acusados fossem trocados por códigos. Assim, o documento divulgado pela promotoria usa codinomes para empresas e pessoas que aparecem apenas citadas, mas não foram acusadas no processo.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, concedeu entrevista e disse que o “P1” era ele, e não via necessidade nenhuma de ver seu nome e de outros trocados por códigos, até porque não era acusado e qualquer um deduz que P1 era ele, pelo contexto em que é citado, como presidente da Fifa e sucessor de Havelange.

A Globo e a Globosat são citadas como “Company 2” e “Company 3”, o que também é fácil de deduzir pelo contexto, citadas como detentoras dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 e 2006 para o Brasil.

No entanto a TV Globo se sentiu envergonhada e fugiu de se identificar quando deu a notícia em seus noticiários.

Na versão dos telejornais da emissora, Ricardo Teixeira e João Havelange apenas receberam “comissões” do grupo ISL, e responderam por gestão fraudulenta. Esconderam do telespectador o motivo da propina: a venda dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002 e 2006 para tevês. E no Brasil todo mundo sabe que a compradora foi a Globo para a tevê aberta, e a Globosat para tevê por assinatura.

Ora, se a Globo não é acusada, pois oficialmente apenas pagou à ISL, e foi esta quem pagou a propina a Teixeira e Havelange, a emissora deveria noticiar de forma indignada, pois teria sido vítima ao comprar os direitos de transmissão com a propina embutida no preço. Se preferiu esconder essa parte da notícia do telespectador, é porque talvez não se sinta exatamente como vítima, e talvez Teixeira e Havelange, se atacados, pudessem vir a revelar segredos que trouxessem embaraços à emissora.

Outro trecho do relatório do promotor suíço, ajuda a entender o motivo para a Globo preferir se manter oculta na notícia, pois diz que Ricardo Teixeira, como presidente da CBF, exercia influência no contrato de licenciamento para o Brasil.

A Fifa publicou a íntegra do documento em seu site. Até o momento em que esta nota foi escrita, foi possível constatar se o link para o documento foi divulgado nos portais da Globo, com as devidas identificações.

O jornalista que expôs a corrupção da CBF

2 de maio de 2013
Andrew_Jennings01

Andrew Jennings, jornalista britânico, combate a corrupção na Fifa.

O repórter que acabou com a roubalheira de Havelange e Teixeira não é brasileiro, e isso conta muito sobre a mídia nacional.

Paulo Nogueira em seu Diário do Centro do Mundo

Andrew Jennings, jornalista britânico, combate o bom combate quando o assunto é corrupção. Recentemente, num artigo sobre transparência no esporte, Jennings citou uma grande frase do barão da mídia Lorde Northcliff: “Notícia é tudo aquilo que alguém não quer que seja publicado. O resto é publicidade.”

Cabelos brancos, lépido ainda aos 68 anos, escocês desde cedo instalado em Londres, Andrew Jennings é o maior jornalista investigativo do mundo na área do futebol.

São fruto do trabalho persistente, obstinado, brilhante de Jennings as denúncias que você leu sobre as milionárias propinas recebidas por Ricardo Teixeira e João Havelange ao longo de muitos anos pelas mãos de uma falecida empresa de marketing esportivo chamada ISL.

Na terça-feira, 30/4, João Havelange foi notícia ao renunciar a seu cargo de presidente de honra da Fifa porque a Fifa, essencialmente, reconheceu todas as denúncias de Jennings. Elas estão contidas num documentário de 30 minutos passado, no final de 2010, na BBC. É uma lição de jornalismo, além de uma peça formidável na luta contra a corrupção no futebol.

Vale a pena interromper a leitura para ver esta lição de jornalismo.

Jennings simplesmente irrompe com suas perguntas francas, desconcertantes, certeiras. Seu jeito clássico de agir é ficar à espreita de algum personagem do mundo sujo da Fifa e aparecer subitamente diante dele com suas questões diretas, feitas num tom suave, elegante e direto.

Uma vez, Jennings esperou num aeroporto a chegada de Jack Warner, então vice-presidente da Fifa, envolvido em múltiplos casos de corrupção. Warner está andando em direção ao carro quando Jennings o aborda. Um cinegrafista está filmando.

“Se eu pudesse cuspir em você, eu cuspiria”, diz Warner.

“Por quê?”

“Porque você é um lixo.”

Antes que Warner entrasse no carrão que o aguardava, Jennings faz mais uma pergunta sobre propinas.

“Pergunte a sua mãe”, diz Warner.

“Bem, eu até que gostaria, mas minha mãe está morta”, responde, com bom humor e sempre no mesmo tom de voz, Jennings.

Jack Warner acabaria, pouco depois afastado da Fifa, sob o peso das denúncias de Jennings. “Renunciou voluntariamente”, segundo a Fifa.

Você vê Jennings em ação, compara com o que vê na mídia brasileira e sente vontade de chorar. Por que nenhuma grande empresa jornalística no Brasil levou aos brasileiros o mundo abjeto, corrupto, cínico da CBF de Ricardo Teixeira e João Havelange?

Nos dois anos passados desde o magnífico trabalho de Jennings na BBC, nada se fez no Brasil. Entendo que a Globo não faria nada, dada sua ligação suja com a CBF, com Havelange e com Ricardo Teixeira.

Mas e Folha, por exemplo, o que fez para investigar?

A Globo aparece, nominalmente, na papelada jurídica relativa a pagamentos à ISL. Era a partir da ISL que o dinheiro acabava indo parar na conta de Havelange e Teixeira.

Circula na internet uma fala de Merval Pereira sobre a saída de Ricardo Teixeira da CBF. Nela, Merval – exemplo de homem público, segundo Ayres Brito, hahaha – lamenta o ocorrido com Ricardo Teixeira.

Em conversas com amigos – leia-se ele mesmo, Merval – Teixeira, ficamos sabendo por Merval, está atormentado e se sente injustiçado.

Disse Merval:

“Teixeira se revelou a amigos angustiado mesmo foi com o fim de seus sonhos. A realização da Copa do Mundo no Brasil era o sonho de Ricardo Teixeira para chegar à Presidência da Fifa, o reconhecimento público de seu trabalho era uma ambição que alimentava.

Achava que, finalmente, iriam dar valor ao que fizera nesses 23 anos à frente da CBF.

Na nota de renúncia, ele abordou o tema dizendo que suas vitórias foram subvalorizadas e os erros superdimensionados.

Não tinha mais interlocução com a presidente Dilma Rousseff e nem com o presidente da Fifa Joseph Blatter. E via a cada dia os trabalhos para a realização da Copa mais e mais atrasados.

Temia que a culpa final recaísse sobre ele, tinha medo de se transformar no bode expiatório dos dois lados, governo e Fifa.”

A culpa, vemos em Merval, era do atraso das obras. E pobre Ricardo Teixeira, hoje com vida nababesca em Miami, frustrado em seus sonhos. O jornalismo só sobrevive porque a cada Merval existe um Jennings, e porque a cada Globo existe uma BBC.

Num desdobramento que é revelador da justiça brasileira, Jennings foi condenado a pagar uma indenização por “danos morais” que Ricardo Teixeira moveu contra ele. Isso depois que o programa da BBC fora ao ar com provas torrenciais.

O alvo principal de Jennings não é nem Havelange e nem Ricardo Teixeira, assim como não era Warner. É Sepp Blatter, o suíço que substituiu Havelange no comando da Fifa.

Neste caso, há ainda um caminho a percorrer. Blatter tenta se apresentar como um “reformador de costumes” na Fifa, um agente anticorrupção.

Mas quem acredita nisso, para usar as palavras imortais de Wellington, acredita em tudo.

Globo não revela seus codinomes no relatório da propina a Ricardo Teixeira

14 de julho de 2012

Helena Sthephanowitz, via Rede Brasil Atual

Quando o Tribunal Federal da Suíça autorizou a divulgação da documentação do caso ISL/Fifa, onde aparecem as propinas pagas a Ricardo Teixeira e João Havelange, exigiu que todos os nomes dos não acusados fossem trocados por códigos. Assim, o documento divulgado pela promotoria usa codinomes para empresas e pessoas que aparecem apenas citadas, mas não foram acusadas no processo.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, concedeu entrevista e disse que o “P1” era ele, e não via necessidade nenhuma de ver seu nome e de outros trocados por códigos, até porque não era acusado e qualquer um deduz que P1 era ele, pelo contexto em que é citado, como presidente da Fifa e sucessor de Havelange.

A Globo e a Globosat são citadas como “Company 2” e “Company 3”, o que também é fácil de deduzir pelo contexto, citadas como detentoras dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 e 2006 para o Brasil.

No entanto, a TV Globo se sentiu envergonhada e fugiu de se identificar quando deu a notícia em seus noticiários.

Na versão dos telejornais da emissora, Ricardo Teixeira e João Havelange apenas receberam “comissões” do grupo ISL, e responderam por gestão fraudulenta. Esconderam do telespectador o motivo da propina: a venda dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002 e 2006 para tevês. E no Brasil todo mundo sabe que a compradora foi a Globo para a TV aberta, e a Globosat para TV por assinatura.

Ora, se a Globo não é acusada, pois oficialmente apenas pagou à ISL, e foi esta quem pagou a propina a Teixeira e Havelange, a emissora deveria noticiar de forma indignada, pois teria sido vítima ao comprar os direitos de transmissão com a propina embutida no preço. Se preferiu esconder essa parte da notícia do telespectador, é porque talvez não se sinta exatamente como vítima, e talvez Teixeira e Havelange, se atacados, pudessem vir a revelar segredos que trouxessem embaraços à emissora.

Outro trecho do relatório do promotor suíço, ajuda a entender o motivo para a Globo preferir se manter oculta na notícia, pois diz que Ricardo Teixeira, como presidente da CBF, exercia influência no contrato de licenciamento para o Brasil.

A Fifa publicou a íntegra do documento em seu site. Até o momento em que esta nota foi escrita, foi possível constatar se o link para o documento foi divulgado nos portais da Globo, com as devidas identificações.

Após denúncias, Marin, presidente da CBF, garante R$100 mil por mês a Teixeira

14 de julho de 2012

Em passagem pelo Recife, José Maria Marin, presidente da CBF, afirmou que continuará pagando salário (por meio de consultoria) ao antecessor, acusado de enriquecimento ilícito pela Justiça da Suíça. Dava para esperar outra coisa?

Via Brasil 247

Durante sua passagem pelo Recife na quinta-feira, dia 12, para anunciar um amistoso entre a Seleção Brasileira e a China, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, preferiu não comentar as denúncias sobre o recebimento de suborno recebimento de suborno por parte dos ex-presidentes da entidade Ricardo Teixeira e João Havelange. “Prefiro não fazer comentário a respeito desta pergunta”, disse, calmamente. Entretanto, quando o assunto foi a possibilidade de corte do pagamento do salário de consultor a Teixeira, o mandatário da entidade máxima do futebol brasileiro não titubeou e garantiu a continuidade dos depósitos na conta bancária do ex-dirigente.

“Ele [Ricardo Teixeira] contribui com assessoria em nível internacional. Aproveitamos a experiência que o Ricardo tem no futebol internacional. O que foi divulgado [suspeitas de suborno] não tem relação entre Ricardo Teixeira e a CBF”, afirmou José Maria Marin.

Teixeira se afastou da presidência da entidade em março deste ano, alegando problemas de saúde, porém sob suspeitas de receber dinheiro, por fora, para programar amistosos da Seleção Brasileira. Mesmo assim, o dirigente continua recebendo vencimentos de aproximadamente R$100 mil por mês para prestar uma suposta assessoria.

Curiosamente, José Maria Marin assumiu o comando da CBF justamente por indicação do próprio Ricardo Teixeira. E a tal assessoria prestada pelo ex-presidente da entidade até hoje não foi explicada de forma detalhada por nenhum representante confederação.

Na quarta-feira, dia 11, um tribunal da Suíça publicou informações de um processo contra os ex-dirigentes brasileiros, no qual aproximadamente R$45 milhões em subornos passaram por suas contas em oito anos, através da empresa de marketing suíça ISL. Na decisão da Justiça do país europeu, Ricardo Teixeira e João Havelange aparecem como os condenados por uma fraude na venda de direitos de transmissão da Fifa para a empresa ISL. Segundo o levantamento, a companhia pagou suborno para os brasileiros entre os anos de 1992 e 2000.

A gestão de Ricardo Teixeira à frente da CBF sempre foi marcada por denúncias de enriquecimento ilícito por parte do ex-dirigente. A TV Globo chegou a exibir um Globo Repórter especial, em 1999, sobre o crescimento do patrimônio do então homem forte do futebol brasileiro. Porém, a mesma rede de televisão assumiu, pouco tempo depois, uma postura, digamos, mais “light” ao abordar a gestão da entidade.

Tremei TV Globo: João Havelange e Ricardo Teixeira recebiam propina

12 de julho de 2012

Joseph Blatter quer que Havelange e Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, deem os nomes das empresas e emissoras de tevê que lhes davam propina. Tremei Rede Globo.

Via Copa do Mundo

Joseph Blatter, presidente da Fifa, admitiu na quinta-feira, dia 12, que é o “P1”, personagem anônimo do dossiê divulgado pela Justiça suíça. Então secretário-geral da entidade, ele tinha conhecimento das propinas que João Havelange e Ricardo Teixeira recebiam, mas alegou que não podia fazer nada na época, por não ter provas de que eram ilegais. Blatter defende a ideia de que todo o documento seja publicado, sem tarjas ou letras substituindo nomes, como no caso das empresas ligadas a Teixeira ou os nomes das redes de TV que deram dinheiro aos cartolas, inclusive no Brasil.

O depoimento do cartola foi publicado no site da Fifa, em formato de entrevista. Questionado pelo repórter se sabia que seus colegas estavam recebendo dinheiro ilícito, Blatter se esquiva. “Sabia o quê? Que comissões eram pagas? Lá atrás, estes pagamentos poderiam ser deduzidos do imposto como taxas de negociação. Hoje, isso é passível de punição. Você não pode julgar o passado com base nos padrões de hoje. Além disso, ia acabar em um conflito moral. Eu não poderia saber de um crime que nem era crime na época”, disse o presidente da Fifa, referindo-se à mudança na lei local que transformou em crime o recebimento de comissão da maneira que os brasileiros fizeram.

Na quarta-feira, dia 11, a Justiça suíça divulgou o dossiê que condenou Ricardo Teixeira e João Havelange por terem recebido propina da ISL, agência de marketing esportivo ligada à entidade, de 1992 a 2000. Ao todo, eles receberam cerca de 21,94 milhões de francos suíços (R$45 milhões) e tiveram de pagar 5 milhões de francos suíços (R$10,4 milhões) para manterem o caso em sigilo há dois anos.

Além de manchar definitivamente sua reputação, a publicação do caso também pode dar dor de cabeça para João Havelange. Ele já teve de deixar o COI para tentar evitar o escândalo, mas agora pode responder por suas ações na Fifa, entidade da qual ainda é presidente honorário. “Eu não tenho o poder para tirá-lo do cargo. O Congresso o nomeou presidente honorário, e só ele poderá mudar isso”, disse Blatter.


%d blogueiros gostam disto: