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Conheça 7 ataques químicos que os EUA se negam a comentar

12 de setembro de 2013

Às vésperas de uma possível ação militar sob a justificativa de uso de armas químicas, relembre episódios que Washington não faz questão de citar.

Dodô Calixto, via Opera Mundi

1. O Exército norte-americano no Vietnã. Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA despejaram cerca de 20 milhões de galões – 88,1 milhões de litros aproximadamente – de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do agente laranja – poderosa arma química disparada durante o conflito.

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Aviões dos EUA sobrevoam território do Vietnã pulverizando o agente laranja. Foto de @policymic.

2. Israel ataca população palestina com “fósforo branco”. Segundo grupos ligados aos direitos humanos – como Anistia Internacional e Human Rights – o material altamente venenoso foi disparado em 2009 contra civis de origem palestina em território israelense. O Exército negou na época o uso de armas químicas. No entanto, alguns membros das Forças Armadas admitiram os disparos. Clique aqui e leia a reportagem.

3. Washington atacou iraquianos com “fósforo branco” em 2004. Jornalistas que participaram da cobertura da Guerra do Iraque reportaram que o Exército norte-americano utilizou armas químicas na cidade de Fallujah. Inicialmente, os militares se justificaram dizendo que o material serviu apenas para “iluminar o local ou criar cortinas de fumaça”. No entanto, o documentário “Fallujah, o massacre encoberto”, do diretor Sigfrido Ranucci, apresenta evidências do ataque com depoimentos com membros das Forças Armadas dos EUA admitindo o episódio. Crianças e mulheres foram as principais vítimas.

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Ação militar no Iraque em 2004. Foto de @policymic.

4. CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos em 1988 com armas químicas. Documentos da Inteligência norte-americana divulgados uma década depois revelam que Washington sabia que Saddam Hussein utilizava armas químicas na guerra Irã-Iraque. Mesmo assim, continuou colaborando com o presidente iraquiano. No começo de 1988, em específico, Washington alertou Hussein do movimento de tropas iranianas. Usando a informação, foi feito um ataque químico que massacrou tropas do Iraque em um vilarejo povoado por curdos. Cerca de cinco mil pessoas morreram. Outras milhares foram vítimas de complicações em decorrência dos gases venenosos.

5. EUA realizaram testes químicos em bairro pobre e negro de St Louis. No começo da década de 50, o Exército norte-americano organizou um teste de militar em alguns bairros populares de St. Louis – caracterizados por ter maioria negra. O governo disse aos moradores que realizaria um experimento com fumaças de iluminação “contra ameaças russas”. No entanto, a substância atirada na atmosfera continha gases sufocantes. Após os testes, um número grande de pessoas da região desenvolveu câncer. Não há informações oficiais do número de pessoas vítimas do ataque químico.

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Imagem histórica de inspetores de Washington preparando o teste químico em bairro de St. Louis. Foto de @policymic.

6. Exército norte-americano bombardeou tropas iraquianas com armas químicas em 2003. A cruzada de Washington à procura de armas nucleares teve episódios de disparos químicos contra os militares iraquianos, que acabaram atingindo civis. Durante 2007 e 2010, centenas de crianças nasceram com deficiências. “As armas utilizadas no confronto no Iraque destruíram a integridade genética da população iraquiana”, afirmou na ocasião Cristopher Busby, o secretário do comitê europeu de Riscos de Material Radioativo.

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Bombas norte-americanas massacram milhares de japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Foto de @policymic.

7. Japoneses são massacrados com Napalm entre 1944-1945. Em 1980, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que a utilização do Napalm (um tipo de álcool gelatinoso de alto grau de combustão) seria a partir de então considerada crime de guerra dado o efeito absolutamente devastador da substância. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército norte-americano derrubou sobre os japoneses o suficiente para queimar 100 mil pessoas, deixar mais um milhão feridas e destruir milhares de residências.

Por que os norte-americanos bombardearam Hiroshima se a guerra já estava ganha?

9 de agosto de 2013
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Hiroshima depois da chacina estadunidense.

Os japoneses pagaram o preço da rivalidade entre Estados Unidos e Rússia.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo em 6/8/2013

Em 6 de agosto último, foram completados 68 anos da bomba de Hiroshima. Recomendo um pequeno grande livro. Chama-se exatamente Hiroshima e foi escrito por Lawrence Yep. Todo mundo deveria ler. Não me consta que esse livrinho – no tamanho — tenha sido editado no Brasil. É uma pena.

São 50 páginas que contam o horror provocado pelos norte-americanos ao tomar a decisão cruel, absurda de destruir uma cidade inteira com suas crianças, velhos, mulheres.

A guerra já estava ganha. Hitler já se matara. Por que os norte-americanos fizeram uma coisa tão monstruosa? Uma retaliação ao ataque de Peal Harbour pelos japoneses não faz sentido.

Pearl Harbour era uma base naval. Não uma cidade. Seria como responder com um tiro a quem mandou um e-mail malcriado para você. Desproporção total.

O que os norte-americanos queriam era evitar que os russos, que tinham batido os alemães e definido o destino da guerra, se sentissem fortes demais. A bomba atômica foi um fator intimidador usado pelos Estados Unidos contra, sobretudo, a Rússia às vésperas da inevitável Guerra Fria.

Mas a que preço para Hiroshima.

O livrinho mostra que os habitantes da cidade achavam que até ali Hiroshima tinha sido poupada de bombas pelos norte-americanos porque era bonita. Mostra também a perplexidade do piloto do Enola Gay, o avião do qual foi jogada a bomba, ao ver depois as consequências. “O que fizemos?”, ele se pergunta.

A resposta é óbvia. Fizeram uma chacina.

A bomba ao cair espalhou um fogo intenso num raio longo. Milhares de pessoas foram imediatamente carbonizadas. Muitas outras morreram afogadas ao se atirar num rio para fugir do fogo. Era o começo de um dia. As crianças estavam indo para as escolas.

O livrinho mostra também uma “Donzela de Hiroshima”. Assim foram chamadas mulheres jovens desfiguradas pela bomba. Para elas se perdeu a possibilidade de atrair marido. Algumas foram para o país que as destruiu, os Estados Unidos, fazer plásticas. Cirurgiões plásticos norte-americanos se dispuseram a operar de graça.

Uma delas morreu na cirurgia. Suas cinzas retornaram a Hiroshima numa caixinha, levadas pelas conterrâneas no retorno à cidade devastada.

O livrinho também é um lembrete dos crimes de guerra sistematicamente cometidos pelos Estados Unidos. Com a impunidade de quem se julga dono do mundo.

Não.

Não é à toa que são tão odiados.


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