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Os sabotadores internacionais de olho no Brasil

14 de fevereiro de 2014

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Miguel do Rosário, via Tijolaço

A gente tem de tomar muito cuidado com o noticiário econômico, porque o poder de destruição do capital internacional sobre a nossa economia, infelizmente, ainda é muito grande.

Hoje [9/2] eu topo com matéria na Folha, falando do declínio da entrada de capital especulativo no Brasil. Ela traz gráficos alarmantes.

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Como se diz por aí: alarmantes… só que não.

Esse dinheiro é especulativo. Não cai no bolso de ninguém. Gera renda apenas para algum bilionário instalado em Nova Iorque. Em termos de capital estrangeiro, o importante é o dinheiro que vem com fins de permanecer no longo prazo, o investimento estrangeiro direto. Esse tem aumentado. É dinheiro para construir fábrica, para infraestrutura, para capitalizar empresas nacionais.

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Entretanto, o que me chamou a atenção e me fez decidir escrever sobre isso, foram alguns trechos da matéria da Folha.

Algumas semanas atrás, a ombudsman da própria Folha alertou o jornal para tomar cuidado com declarações pessimistas de gente do mercado, porque muitas eram movidas por interesse financeiro. Não foi ouvida.

Confira esses trechos. Primeiro, desancam o Brasil e sempre usando os termos “desconfiança”, “medo”. Não há nada de concreto, só subjetividade.

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Em seguida, tecem loas ao México.

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Repare porque eles elogiam o México: flexibilizou o mercado trabalhista e entregou seus campos de petróleo a empresas anglo-americanas.

Só que, quando você vai olhar a situação econômica do México, não é tão maravilhosa assim.

Há poucos dias, por exemplo, ficamos sabendo que o PIB do México, cresceu em 2013, contra 2,3% no Brasil. E isso sem distribuir renda, sem ampliar programas sociais, além de um problema de segurança terrível. O número de homicídios no México, na atual gestão, tão queridinha pelos mercados, aumentou em mais de 300% nos últimos 5 anos, assim como a quantidade de sequestros.

Quando alguém do “mercado” falar que está “otimista” com seu país, é melhor desconfiar. Pode até ser que ele esteja certo, mas apenas se o interesse pessoal dele coincidir com o do país. Se não for o caso, como está acontecendo no Brasil, ele automaticamente se converterá num pessimista.

Olhem que “desperdício”: Dinheiro para saúde, educação, aposentados, deficientes…

10 de fevereiro de 2014

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Fernando Brito, via Tijolaço

Quando o prezado amigo e a querida amiga olharem o gráfico aí de cima, esqueça as barrinhas cor-de-rosa, porque elas indicam apenas o volume de dinheiro gasto, não o crescimento do que se gastou. O que vale para analisar, mesmo, são as bolinhas pretas que medem o quanto aumentaram estes gastos em valor real, descontada a inflação. E aí, os números, publicados na terça-feira, dia 4 pela Folha, ganham um novo significado.

O “descontrole” das despesas pública passa a ter “padrão Fifa”. 8,5% a mais em assistência a idosos e deficientes, vejam só que absurdo. Em lugar de acumularmos para pagar os juros estamos dando dignidade a essa gente, não é senhores “mercadistas”?

Quem quiser ver como eram estas despesas com FHC, como ficaram com Lula e como estão com Dilma, vai encontrar os dados aqui.

Depois vem o Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o seguro-desemprego, o abono salarial para quem ganha pouco, financia os cursos de qualificação profissional, obras de saneamento, agricultura familiar etc. Supérfluos, não?

Logo a seguir, a Saúde, esta bobagem, ainda mais agora com esta coisa horrível dos médicos cubanos, que dominados pela ideologia comunista, teimam em querer trabalhar em qualquer grotão e, pior, ainda comparecem ao trabalho e atendem as pessoas. Agora mesmo tem um que vai ser punido por atender um doente no lugar de um médico brasileiro que faltou ao trabalho.

Junto com a saúde estão os aposentados – aqueles que o Fernando Henrique, um dia, chamou de vagabundos – cuja a grande massa está se beneficiando da elevação real do mínimo.

E as despesas com educação. O que é isso? Como é que podem crescer mais do que a inflação. Vai ver estão fazendo escolas técnicas, creches, coisas do gênero… Como se sabe, populismo, não é?

Ah, e tem a expansão dos gastos reais com os servidores públicos: absurdos 2,8% acima da inflação. Embora isso reflita um crescimento quase vegetativo das despesas com pessoal, não há dúvidas que existe um descalabro em manter os funcionários mal e mal com a reposição inflacionária e ainda por cima dar umas “sobrinhas” de aumento, não é?

É curioso que os “reis do superávit” jamais se preocupam com o outro lado, o lado que de fato drena os recursos da população: os juros.

Estes são um “santo remédio” e todos comemoram quando eles aumentam, para que os “investidores” não nos deem um tchauzinho e procurem plagas mais generosas para remunerá-los.

E quanto eles aumentaram em 2013?

Do relatório do Banco Central: passaram a “R$248,9 bilhões (5,18% do PIB), comparativamente a R$213,9 bilhões (4,87% do PIB) em 2012″.

É isso, meus caros, esta discussão acirrada sobre déficit público. Claro que um país, como uma família, deve cuidar de suas dívidas, e o Brasil tem feito isso, reduzindo – sabe lá deus com que esforço – a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB ano a ano – que era de mais de 50% no final do Governo FHC e hoje está pouco acima de 33%.

Mesmo a dívida bruta, que os economistas conservadores dizem que é “a que importa”, porque inclui os repasses feitos pelo governo ao BNDES e a outros órgãos estatais, que os devolverão, afinal, vem caindo: segundo o BC terminou 2013 em “57,2% do PIB, reduzindo-se 1,1% do PIB em relação ao mês anterior. Essa redução decorreu, principalmente, da queda no volume de operações compromissadas. No ano, houve redução de 1,7% na relação”.

Ah, a matéria da Folha mostra, ainda, em outro gráfico, que o governo poderia ter feito, sem dificuldades, a tal “meta cheia” de superávit, s não tivesse reduzido os impostos sobre alguns bens, sobre a gasolina e desonerado as empresas em suas Folhas de pagamento – passando a tributar previdência pelo faturamento – como forma de manter o emprego em nível elevado.

Uma bobagem, diria o economista-chefe do Itaú, aquele banco que está autuado pela receita que, se pagasse os R$18,7 bilhões que deve, sozinho, já cobria o “rombo” das isenções de impostos dos combustíveis e da cesta básica, somados.

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Receita intima Itaú a pagar R$18,7 bilhões em impostos

Alberto Alerigi Jr., via Reuters

O Itaú Unibanco divulgou na segunda-feira, dia 3, que foi intimado em 30 de janeiro pela Receita Federal sobre decisão não unânime em que o Fisco cobra da instituição financeira bilhões de reais em impostos relacionados à fusão que originou o maior banco privado do país em 2008.

O banco foi autuado pela Receita em agosto do ano passado em cerca de R$18,7 bilhões relacionados aos instrumentos contábeis usados para a unificação das operações.

A instituição reafirmou que irá recorrer e que considera “remoto” o risco de perda na cobrança.

PSDB diz que é escândalo emprestar dinheiro a Cuba. Esqueceram de perguntar por que FHC emprestou

4 de fevereiro de 2014

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Fernando Brito, via Tijolaço

O PSDB não dá para ser levado a sério. Perdeu completamente qualquer compostura e racionalidade na hora de criticar o governo Dilma. Só não é exposto ao ridículo porque a mídia brasileira também é ridícula e simplesmente repete o que as “notas oficiais” aecistas publicam no site do partido.

Depois do “mico aéreo” e do “mico da conta do restaurante”, agora o PSDB parte para o “mico cubano”, publicando – com farta reprodução nos jornais – um comunicado em que critica os empréstimos do BNDES às obras do Porto de Mariel, em Cuba e diz que os “recursos que vão para a ilha da ditadura castrista – e também para a Venezuela chavista e para outros países, notadamente os ideologicamente alinhados – são os mesmos que faltam para obras estruturantes no Brasil, em especial as de mobilidade urbana nas nossas metrópoles”.

Ontem [28/1] eu tratei a sério disso, aqui, mostrando que o dinheiro é emprestado – tem sido pago em dia – para aquisições de mercadorias e serviços no Brasil. Mas tem limite a cara de pau.

Qualquer dia eu vou começar a imprimir e guardar as notícias das coisas que o governo tucano fazia e a posição “indignada” do PSDB sobre as mesmas coisas no governo petista. E esta é uma delas.

Fernando Henrique diretamente e o BNDES, sob seu comando, fizeram empréstimos a Cuba, aliás muito corretamente. Aqui está o memorando de entendimento entre Brasil e Cuba para financiar a compra de alimentos com recursos orçamentários – reparem, orçamentários, diretamente da União – por meio do Proex (leia-se Banco do Brasil) em US$15 milhões, firmado em 1998.

Mas foi comida, aí era humanitário? E o que dizem do financiamento a ônibus de turismo para a ilha de Fidel, como está consignado no relatório de atividades do BNDES do ano de 2000?

[…] o apoio do BNDES a exportações de ônibus de turismo e urbanos para Cuba somou cerca de US$28 milhões. Cabe destacar o financiamento concedido para a aquisição de 125 ônibus Busscar com mecânica Volvo, utilizados na dinamização da atividade turística desse país, no valor total de US$15 milhões”

Mas teve também para a “Venezuela chavista” de que fala a nota do PSDB:

“Projeto da Linha IV do Metrô de Caracas (Construtora Norberto Odebrecht S.A.) – Construção do primeiro trecho, com extensão de 5,5 km. O investimento total do projeto soma US$183 milhões, sendo o financiamento do BNDES de US$107,5 milhões, correspondentes a 100% das exportações brasileiras de bens e serviços e ao seguro de crédito às exportações.

Uai, igualzinho ao Porto de Mariel? E com a mesma empreiteira, a Odebrecht?

É verdade que os tucanos fazem uma ressalva: “Fosse o Brasil um país que esbanjasse dinheiro e com questões de infraestrutura e logística resolvidas, poderia até ser compreensível.”

Fico imaginando a cara de Aécio Neves diante de algum repórter que lhe perguntasse se no governo FHC podia-se emprestar dinheiro à Cuba e à Venezuela porque não existiam problemas de logística e infraestrutura no Brasil dos tucanos.

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Aos que, pateticamente, ficam contando os dedos de FHC para sugerir que a foto é montagem, outra, para ficarem cheios de dedos…

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31 de janeiro de 2014

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Com Mariel, Brasil rompe concretamente o bloqueio imperialista contra Cuba, disse o marinheiro aposentado Jorge Luis, que já esteve em portos brasileiros.

Beto Almeida, de Havana, via Carta Maior

Tem sido extremamente educativo registrar, aqui em Havana, a reação do povo cubano diante da inauguração do Porto de Mariel. Expressando um elevado nível cultural, uma mirada política aprofundada sobre os fenômenos destes tempos, especialmente sobre a Reunião de Cúpula da Celac que se realiza por estes dias aqui na Ilha, tendo como meta central, a redução da pobreza, os cubanos revelam, nestas análises feitas com desembaraço e naturalidade, todo o esforço de 55 anos da Revolução Cubana feita na educação e na cultura deste povo.

Mariel, uma bofetada no bloqueio

Poderia citar muitas frases que colhi ao acaso, conversando com os mais diversos segmentos sociais, faixas etárias distintas, etc., mas, uma delas, merece ser difundida amplamente. O marinheiro aposentado Jorge Luis, que já esteve nos portos de Santos e Rio de Janeiro, que vibra com o samba carioca, foi agudo na sua avaliação sobre o significado da parceria do Brasil com Cuba para construir o Complexo Portuário de Mariel. “Com Mariel, Brasil rompe concretamente o bloqueio imperialista contra Cuba”, disse. E adverte: “Jamais os imperialistas vão perdoar Lula e Dilma”. Ele não disse, mas, no contexto do diálogo com este marinheiro negro, atento ao noticiário de televisão, leitor diário de jornal, informado sobre o que ocorre no Brasil e no mundo, estava subentendido, por sua expressão facial, que ficava muito claro porque Dilma é alvo de espionagem dos EUA.

O tom da cobertura do oposicionismo impresso brasileiro, pré-pago, à inauguração do Porto de Mariel, não surpreende pela escassa informação que apresenta, muito menos pela abundante insinuação de que tratar-se-ia apenas de um gasto sem sentido, indefensável, indevido. Ademais, sobram os rançosos preconceitos de sempre, afirmando que o Brasil estaria financiando a “ditadura comunista”, tal como este oposicionismo chegou a mencionar que seria esta a única razão para empreender um programa como o Mais Médicos, que salva vidas e que tem ampla aprovação da sociedade brasileira.

É necessário um jornalismo de integração

Informações objetivas sobre o significado e a transcendência do Complexo Portuário de Mariel certamente faltarão ao povo brasileiro. Primeiramente, porque o oposicionismo midiático não permitirá sua difusão, numa evidente prática de censura. E, por outro lado, nem o PT ou as forças que sustentam politicamente o governo Dilma e estas iniciativas robustas da política externa brasileira, com tangíveis repercussões sobre a economia brasileira, possuem uma mídia própria para esclarecer o significado de Mariel, ante um provável dilúvio de desinformações sobre a sociedade brasileira.

Primeiramente, deve-se informar que o financiamento feito pelo BNDES, algo em torno de um bilhão reais na primeira fase, não se trata de uma doação a Cuba. É um empréstimo, que será pago. As relações bilaterais Brasil-Cuba registram crescimento contínuo nos últimos anos.

Além disso, está condicionado à contratação de bens e serviços na economia brasileira, além de envolver cerca de 400 empresas, sendo, portanto, um dos fatores a mais que explicam porque há contínua expansão no mercado de trabalho brasileiro, com uma taxa de desemprego das mais baixas de sua história. Ao contrário do que ocorre, por exemplo, na Europa, onde aumenta o desemprego e há eliminação de direitos trabalhistas e sociais conquistados décadas atrás.

Dinamização das forças produtivas

Além disso, Mariel vai ser – por enquanto, Dilma inaugurou apenas a primeira fase – o maior porto do Caribe, com capacidade para atracar navios de calado superior a 18 metros, e também, podendo movimentar mais de 1 milhão de contêineres por ano. Terá um impacto especial para o comércio marítimo também direcionado ao Pacífico, via Canal de Panamá. Para isto, vale lembrar da importância da participação da China, crescente, na economia latino-americana, em especial com o Brasil. Tanto o gigante asiático como empresas brasileiras, já manifestaram interesse em instalarem-se na Zona Econômica Especial a ser implantada em Mariel, onde também já foi construída uma rodovia moderna, estando em construção, uma ferrovia.

De alguma maneira, Havana retoma uma posição de destaque no comércio marítimo internacional, pois já foi o maior porto da América Latina, ponto de conexão de várias rotas, tendo sido, por isso mesmo, uma cidade com mais de 70 por cento de habitantes portugueses, quando Portugal era um grande protagonista na marinha mercante internacional. Havana já teve, também, uma das maiores indústrias navais do mundo.

Cuba sempre impulsionou a integração

O tirocínio do marinheiro negro Jorge Luis é perfeito. Depois de suportar décadas de um bloqueio que impediu os cubanos a compra de uma simples aspirina no maior e mais próximo mercado do mundo, os EUA, a Revolução Cubana, tendo resistido a ventos e tempestades, sobretudo às agressões imperialistas, soube preparar-se para esta nova etapa da história, simbolizada pela existência de uma Celac que vai se consolidando, pouco a pouco. Não sem enfrentar ações desestabilizadoras, lançadas contra os países mais empenhados na integração regional latino-americana, como Venezuela, Bolívia, Equador, e, também, pelas evidentes ações hostis contra Brasil e Argentina. Cuba investiu parte de seus modestos recursos na solidariedade internacional. Seja no envio de 400 mil homens e mulheres para derrotar o exército racista da África do Sul que havia invadido Angola, como também para promover, em vários quadrantes, com o envio de professores, métodos pedagógicos, médicos e vacinas, a eliminação do analfabetismo e o salvamento generalizado de vidas. É o caso, por exemplo, do programa Mais Médicos, não por acaso tão injustamente desprezado pela oligarquia midiática, que vocaliza os laboratórios farmacêuticos multinacionais.

Como defender que salvar vidas merece desprezo?

É certo que todas as economias caribenhas e latino-americanas serão dinamizadas com a entrada em funcionamento do Porto de Mariel, gerando mais empregos, possibilitando novas opções comerciais. É emblemático que China esteja firmando um acordo estratégico de cooperação com a Celac. Para uma economia cercada de restrições, sem capacidade de investimentos, sem engenharia nacional para fazer esta obra por conta própria, o Porto de Mariel, é um imenso descortinar de possibilidades para Cuba. Os gigantescos navios chineses, de uma China que consolida sua posição como a segunda potência comercial mundial, não podiam mais aportar no velho Porto de Havana, o que resultava numa limitação operacional e logística, com impactos econômicos negativos de grande monta. O Porto de Havana será readaptado para o turismo e a economia cubana, no seu conjunto, recebe, com Mariel um enorme impulso para a dinamização de suas forças produtivas. A atendente do hotel onde estou instalado me confessava hoje o interesse de ir trabalhar em Mariel, porque, segundo disse, o futuro está por ali e são empregos mais promissores.

Mariel e seus impactos internacionais

Realmente, para um economia que perdeu a parceria que tinha com a União Soviética, que resistiu durante o período especial com as adaptações inevitáveis para salvar o essencial das conquistas da Revolução, o que Mariel significará é de extraordinária relevância. E é exatamente na dinamização das forças produtivas da Revolução Cubana que se localizam as chaves para muitas portas que podem ser abertas para uma maior dedicação de meios, recursos e iniciativas visando a integração latino-americana. E, neste quebra-cabeças, a política estratégica implantada por Lula, continuada por Dilma, é, inequivocamente, muito decisiva. Que outro país poderia fazer um financiamento deste porte para a construção de Mariel?

Por último, pode ser muito útil uma reflexão sobre os diversos pensadores, formuladores e também executores de políticas de integração. Desde Martí, aquele analisou a importância da “nossa Grécia”, numa referência ao significado da civilização Inca, mas que também formulou o conceito de Nuestra América, até chegando ao pensamento de Getúlio Vargas, criador do BNDES, o banco estatal de fomento que está financiando a construção do Porto de Mariel, uma estupenda ferramenta integradora. Tudo converge para a abertura de uma nova avenida para dar trânsito à integração. Seja pela sabedoria dos povos da região que estão sabendo apoiar, com o seu voto, os governos que mais impulsionam estas políticas, seja pelos avanços concretos que estas políticas integradoras têm registrados, apesar da insistência nada profissional do jornalismo de desintegração em reduzir tudo a zero.

Futuro socialista

A força e a necessidade histórica das ideias se vêm comprovadas nesta inauguração da primeira etapa do Porto de Mariel, em plena reunião da Celac, sem a presença de Estados Unidos e Canadá, patrocinadores históricos da desintegração entre os povos. A simbologia da justeza histórica do pensamento martiniano, nos permite, agora, afirmar, também, que José Martí é um dos autores intelectuais de Mariel. E, retomando o otimismo realista do marinheiro Jorge Luis, constatamos que a dinamização das forças produtivas da Revolução Cubana que a parceria entre Cuba e Brasil possibilita, foi estampada na frase final do discurso do presidente cubano, General Raul Castro: “Mariel e a poderosa infraestrutura que o acompanha são uma mostra concreta do otimismo e da confiança com que os cubamos olham o futuro socialista e próspero da Pátria”. O marinheiro negro captou o significado essencial destes dias. Não por acaso, a Marcha das Tochas, que celebra com chamas que não se apagam, as ideias de Martí, em seu aniversário, ontem – com mais de 500 mil manifestantes, maioria esmagadora de jovens – teve, na primeira fila, além de Raul, os presidentes Evo Morales, Nicolas Maduro, Pepe Mujica, Daniel Ortega. As ideias de Martí, materializadas nestes avanços produtivos e integradores, como Mariel, vão iluminando o futuro socialista de Cuba e, com isto, da integração latino-americana.

Beto Almeida, de Havana, é membro do Diretório da Telesur.

Copa 2014 trará R$142 bilhões ao Brasil

23 de junho de 2013

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Serão gerados 3,63 milhões de empregos, diz estudo feito pela Ernst & Young em parceria com a FGV.

Elisa Campos

Mais do que um campeonato internacional, a Copa do Mundo de 2014 irá mudar a cara do Brasil nos próximos anos. E não apenas das 12 cidades-sedes. O mundial deve injetar R$142 bilhões na economia brasileira de 2010 a 2014, segundo o estudo “Brasil sustentável – impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014”, realizado pela consultoria Ernst & Young em parceria com a Fundação Getulio Vargas. A avalanche de recursos irá criar 3,63 milhões de empregos, além de adicionar R$63,48 bilhões à renda da população.

Somente em investimentos para garantir a infraestrutura e a organização do campeonato serão gastos R$22,46 bilhões. O setor de mídia será o que demandará mais recursos, R$6,5 bilhões. Na sequência, aparecem os gastos com a construção de estádios (R$4,6 bilhões), parque hoteleiro (R$3,16 bilhões), segurança (R$1,7 bilhão) e Tecnologia da informação (R$309 milhões).

Para coordenar tamanho empreendimento, o Brasil precisará de muito planejamento. “Este é um desafio inédito para o País. Será necessário muita governança, gestão, monitoramento, controle e transparência”, afirma José Carlos Pinto, sócio de assessoria de riscos da Ernst & Young.

Além dos investimentos diretos na Copa, outros R$112,8 bilhões serão injetados na economia por meio do crescimento de setores como construção civil, turismo e comércio. Os turistas estrangeiros trarão para o País nos próximos anos uma quantidade significativa de recursos. No período 2010-2014, o número de turistas internacionais deve crescer em 2,98 milhões, alcançando 7,4 milhões no ano da Copa, em 2014. Nestes quatro anos, deverão ser geradas receitas adicionais de R$5,94 bilhões. Para o ano do campeonato, serão nada menos do que US$8,73 bilhões trazidos aos países com gastos de turistas.

O setor mais beneficiado pelo fluxo de estrangeiros será o de hotelaria – cerca de 19,5 mil unidades hoteleiras devem ser construídas –, que deverá receber R$2,1 bilhão dos visitantes, seguido pelo de alimentação com R$902,8 milhões e pelo comércio com R$831,6 milhões.

Cidades-sedes

As cidades-sedes – Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo – da Copa do Mundo 2014 irão receber de investimento em infraestrutura cerca de R$14,54 bilhões. O montante investido deve adicionar aos PIBs municipais R$7,18 bilhões. Somente na reurbanização e embelezamento das cidades serão gastos R$2,84 bilhões.

Dos municípios escolhidos para acolher os jogos da Copa do Mundo 2014, o Rio de Janeiro será o que precisará de mais investimentos para sua preparação, R$1,97 bilhão. Em compensação, também será a cidade que terá mais recursos injetados em sua economia: serão 987,4 milhões “O Rio será um dos destaques, porque está com a estrutura hoteleira muito defasada e o Maracanã terá que passar por reformar, mas todas as sedes serão fortemente impactadas”, diz José Carlos.

Natal, com investimentos previstos em R$1,5 bilhão, e São Paulo, em R$1,45 bilhão, são as outras cidades com o maior orçamento. O retorno previsto para elas é de R$758,6 milhões e R$723,3 milhões, respectivamente.

Comentário do Julinho da Adelaide no Facebook: Como disse Dilma Rousseff em seu pronunciamento de sexta-feira, dia 21, o governo federal não desembolsou nem desembolsará 1 centavo sequer para a construção de qualquer estádio de futebol, até mesmo o do Corinthians. Os estádios são de responsabilidade de prefeitos, governadores e empresários que apresentaram garantias e pegaram financiamentos no BNDES, CEF e BNB, que serão pagos com juros. Até a agora a adimplência é de 93%. Assim como o Brasil se candidatou a sediar a Copa, estados se candidataram a hospedar os jogos. Então, têm de atender as exigências da Fifa. Lembro que o Brasil investirá na Copa: R$22 bilhões; entrarão R$142 bilhões, diz estudo da FGV e Ernst & Young.

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Educação: Balanço dos investimentos nos governos Lula e Dilma

18 de abril de 2013

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Os governos Lula e Dilma marcaram uma mudança importante na maneira de tratar a educação no Brasil, ampliando e democratizando o acesso em todos os níveis.

Via Instituto Lula

O Brasil comemora em 2013 uma década de governo democrático e popular. No dia 15 de abril, aconteceu em Belo Horizonte um seminário para debater os avanços e desafios da educação nesses dez anos, com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff. O Instituto Lula convidou o infografista Ilustre Bob e transformou alguns desses destaques em infográficos simples, mas com números impressionantes, e que mostram como a educação foi tratada de forma diferente nesses dez anos. Convidamos você a conhecer e compartilhar essas informações.

O governo Lula marcou o início de uma mudança importante na maneira de tratar a educação no Brasil, ampliando e democratizando o acesso à educação em todos os níveis, uma preocupação que vem se consolidando com o governo da presidenta Dilma Rousseff. A educação deixou de ser segmentada artificialmente, de acordo com a conveniência administrativa ou fiscal, e passou a ser vista como uma unidade, da creche à pós-graduação. A educação tratada como prioridade revelou-se, por exemplo, no orçamento do MEC, que passou de R$33,1 bilhões em 2002, para 86,2 bilhões em 2012.

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Graças ao Programa Universidade para Todos (Prouni), mais de um milhão de bolsas integrais e parciais já foram oferecidas a estudantes de baixa renda. Além disso, o Reuni ampliou para mais de 240 mil as vagas em universidades federais, o que representa mais do que o dobro das vagas existentes há 10 anos. Em 2012, outros 370 mil estudantes se beneficiaram do Fies, Programa de Financiamento Estudantil, que em 2003 tinha apenas 50 mil contratos fechados.

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Ensino profissional e técnico

Lula criou 214 novas escolas federais, número maior do que o de todas as escolas já criadas na história do Brasil. Dilma prevê a criação de outras 208 até 2014. Graças a um acordo com o Sistema S (explicar o que é), já foram ofertadas mais de um milhão de vagas gratuitas desde 2009.

Ensino básico

No ensino básico, o complemento da União investido no Fundeb – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, passou de R$500 mil reais, em 2003, para R$10,5 bilhões, em 2012, um aumento de mais de 20 vezes.

Outros destaques desses dez anos de governo democrático e popular.

● O orçamento do MEC passou de 33,1 bilhões de reais para 86,2 bilhões de reais (valores corrigidos)

● Gasto público passa de 4,8% do PIB para 6,1% do PIB. A meta é alcançar 7% do PIB

● Foram criadas 14 novas universidades, com 126 novas extensões dos campi

● Duplicou número de vagas nas universidades federais

● 1,1 milhão de bolsas para estudantes de baixa renda nas faculdades particulares (Prouni)

● 6,7 milhões de universitários atualmente – eram 3,5 milhões em 2002

● FIES – 25 bilhões de reais emprestados a 760 mil universitários

● 290 novas escolas técnicas, com 1 milhão de alunos

● Pronatec – 2 milhões de alunos matriculados

● Ensino básico – 116 bilhões de reais para Fundeb 2013

● Evasão escolar nos primeiros anos do ensino fundamental caiu de 8,2% para 1,6

● 50% dos recursos do pré-sal assegurados em Lei para a Educação

● Valorização do magistério, com a formação inicial e continuada de professores e a regulamentação do piso salarial

Clique aqui para ler o balanço de governo e saber mais sobre as iniciativas da educação no governo Lula.

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