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Índice de inflação tem a menor taxa para janeiro desde 2009

10 de fevereiro de 2014
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Queda dos preços das passagens aéreas contribuiu para redução da inflação de janeiro.

IPCA foi a 0,55%, com diminuição de preços de passagens aéreas e combustíveis, segundo o IBGE. Taxa acumulada em 12 meses está em 5,59%, menor índice desde novembro de 2012.

Via RBA

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve variação de 0,55% no primeiro mês de 2014, abaixo tanto de dezembro (0,92%) como de janeiro de 2013 (0,86%). Foi o menor índice para janeiro desde 2009 (0,48%). Com o resultado, divulgado na manhã de hoje (7) pelo IBGE, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 5,59%, ante 5,91% nos 12 meses imediatamente anteriores. É a menor taxa acumulada desde novembro de 2012 (5,53%).

De acordo com o instituto, o grupo Transporte foi o principal responsável pelo recuo de dezembro para janeiro, ao passar de 1,85% para –0,03%. Depois de subir 20,13% no último mês de 2013, os preços das passagens aéreas caíram 15,88%, enquanto os combustíveis foram de 4,12% para 0,77%. “Os preços da gasolina subiram 0,60% em janeiro, bem menos do que os 4,04% do mês anterior, quando refletiu o reajuste de 4% em vigor nas refinarias desde 30 de novembro”, diz o IBGE.

Já o etanol continuou subindo, devido ao início da entressafra de cana, mas com menor ímpeto: de 4,83% para 1,43%. O óleo diesel, que no final de novembro teve reajuste de 8% nas refinarias, passou de 4,89% para 0,91%. E as viagens interestaduais foram de 1,30% para 0,81%.

Ainda nesse grupo, as tarifas de ônibus intermunicipais subiram mais, de 0,25% em dezembro para 1,76%, com destaque para os aumentos nas regiões metropolitanas de Rio de Janeiro (4,49%) e Belo Horizonte (6,06%). As tarifas de táxi aumentaram 3,28%, ante 0,18% no mês anterior, com alta de 7,65% na região metropolitana de Curitiba e 11,2% no Rio.

Os alimentos registraram a segunda maior variação do mês (0,84%), mas abaixo de dezembro (0,89%). O IBGE destaca a variação de 3,07% do item carnes, que teve o maior impacto individual no índice geral (0,08%). No Rio, os preços tiveram alta de 5,88%.

Segundo o instituto, vários produtos ficaram mais caros em janeiro. Foram os casos de cenoura (20,72%), cebola (16,11%), hortaliças (6,01%), frutas (3,43%), pescados (5,84%), açúcar refinado (2,12%), refrigerante (1,19%), arroz (1,12%), pão francês (1,01%).

Ainda em alimentação, caíram os preços de tomate (–10,43%), feijão mulatinho (–6,1%), leite longa vida (–5,61%), batata inglesa (–4,5%), feijão carioca (–3,99%), farinha de mandioca (–1,85%) e feijão preto (–1,08%).

O grupo Despesas Pessoais foi destaque entre as altas, ao passar de 1%, em dezembro, para 1,72%. O preço do cigarro aumentou 7,79% e o das excursões aumentou 9,26%, enquanto o custo com empregado doméstico subiu 1,03%. O cigarro representou impacto de 0,08 ponto no índice do mês – o IBGE lembra que o produto teve reajuste médio de 12% “em determinadas marcas e regiões” em 2 de dezembro, outro reajuste de 14% no dia 31 daquele mês e outros 12% em 13 de janeiro.

Entre as regiões pesquisadas, o maior índice foi apurado em Curitiba (0,77%), com variações de 12,49% em cigarros e 1,17% em alimentos. O menor foi o de Brasília (–0,07%), com impacto de redução de preços das passagens áreas (–17,27%) e queda nas tarifas de energia elétrica, devido a redução nas alíquotas de PIS-Pasep-Cofins.

O IPCA variou em 0,50% Belém, 0,65% em Belo Horizonte, 0,41% em Campo Grande, 0,45% em Fortaleza, 0,61% em Goiânia, 0,53% em Porto Alegre, 0,56% em Recife, 0,50% no Rio de Janeiro, 0,71% em Salvador, 0,53% em São Paulo e 0,56% em Vitória.

A partir de janeiro, o IBGE incorporou a região metropolitana de Vitória e o município de Campo Grande.

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou 0,63%, ante 0,72% em dezembro e 0,92% em janeiro de 2013. A taxa acumulada em 12 meses recuou para 5,26%, ante 5,56% no período imediatamente anterior.

OsAntiPira: Desigualdade de renda cai em 80% dos municípios do Brasil em uma década

29 de dezembro de 2013

Entre 2000 e 2010, rendimento dos 20% mais pobres cresceu mais rapidamente do que o dos 10% mais ricos em quatro de cada cinco cidades do País; nos dez anos anteriores, a desigualdade medida pelo índice de Gini havia crescido em 58% das cidades

José Roberto de Toledo e Amanda Rossi, via Estadão on-line

De 2000 a 2010 aconteceu algo inédito no Brasil: em 80% dos municípios, a desigualdade de renda entre seus habitantes diminuiu. O fato é ainda mais relevante porque reverteu uma tendência histórica. Na década anterior, a desigualdade medida pelo índice de Gini aumentara em 58% das cidades Brasileiras.

A maior queda da desigualdade aconteceu numa cidadezinha do interior de São Paulo. No extremo oeste, perto de Presidente Prudente, Emilianópolis viu seu índice de Gini cair pela metade, de 0,76 para 0,38 em 2010. A escala varia de zero a 1. Se os 3 mil emilianopolenses ganhassem igual, o índice seria 0. Se um deles concentrasse toda a renda da cidade, o Gini seria 1.

Emilianópolis é um bom exemplo, uma vez que as condições em que se deu a redução da desigualdade são representativas do que aconteceu em outros 4.431 municípios Brasileiros. O Gini da cidade crescera nos anos 1990, de 0,43 para 0,76. A reversão na década seguinte ocorreu com o enriquecimento da população em geral: a renda do emilianopolense foi de R$373 para R$585.

Na maior parte do Brasil foi igual. De 2000 a 2010, o rendimento domiciliar per capita cresceu 63% acima da inflação, na média dos 5.565 municípios. Foi um enriquecimento mais intenso do que nos dez anos anteriores, quando o ganho havia sido de 51%.

Isso é importante porque uma forma perversa de reduzir a desigualdade é via empobrecimento geral. Se os ricos perdem mais do que os pobres, a desigualdade também cai. Foi o que aconteceu em grande parte do Brasil nos anos 1980, por causa da recessão.

Nos dez anos seguintes, o alto desemprego comprometeu o salário dos trabalhadores e a renda voltou a se concentrar no topo da pirâmide. O índice de Gini do País cresceu, e a desigualdade aumentou em 58% dos municípios Brasileiros.

Partilha do bolo

É o oposto do que aconteceu em 80% dos municípios do Brasil na década passada. Nos anos 2000, houve redistribuição da renda simultânea ao crescimento. O bolo aumentou para todos, mas a fatia dos pobres cresceu mais, em comparação à dos ricos.

Em quase todo lugar, os ricos não ficaram mais pobres. Ao contrário. Mesmo descontando-se a inflação, o rendimento médio dos 10% mais ricos de cada município cresceu 60%, na média de todos os municípios ao longo da década passada.

A desigualdade caiu porque a renda dos 20% mais pobres de cada município cresceu quase quatro vezes mais rápido do que a dos 10% mais ricos: 217%, na média. A distância que separava o topo da base da pirâmide caiu quase um terço. Ainda é absurdamente grande, mas o movimento está no sentido correto na imensa maioria dos municípios: o da diminuição.

Em 2000, a renda dos 20% mais pobres de cada um dos municípios era, na média, de R$58 por pessoa. Os 10% mais ricos ganhavam, também na média municipal, R$1.484. A diferença era, portanto, de 26 vezes. Em 2010, a renda dos 20% de baixo chegou a R$103, enquanto a dos 10% de cima ia a R$1.894. Ou seja, os mais ricos ganham, em média, 18 vezes mais.

Riqueza e pobreza não são conceitos absolutos, mas relativos. Em Emilianópolis, para estar nos 10% do topo da pirâmide de renda, o morador precisa ganhar pelo menos R$1.005 por mês. Mas, com essa renda, ele não estaria nem entre os 40% mais ricos de Porto Alegre, Santos, Curitiba e outros dez municípios Brasileiros.

Já para estar entre os 20% mais pobres de sua cidade, basta a um emilianopolense ganhar menos do que R$250 por mês. Mas se ele morasse em Marajá do Sena, no Maranhão, e ganhasse os mesmos R$250, seria elite: estaria entre os 10% mais ricos da cidade. Apesar do nome, Marajá é o município mais pobre do Brasil.

A redução da desigualdade não foi total. Em 16% dos municípios, a distribuição de renda piorou. Principalmente no Norte do Brasil. O maior aumento aconteceu em Abreulândia, no Tocantins. As duas cidades de maior desigualdade entre seus moradores, Itamarati e São Gabriel da Cachoeira, ficam no Amazonas.

Trabalho e Bolsa Família

O aumento da renda obtida no trabalho é o protagonista da queda da desigualdade nos municípios entre 2000 e 2010. Ele é responsável por 58% da redução, segundo o presidente do Ipea, Marcelo Neri. Outros 13% podem ser atribuídos ao Bolsa Família. Os números foram calculados em pesquisa da instituição.

Em outras palavras, o Bolsa Família leva o “Oscar de coadjuvante”, brinca o pesquisador. Mas é um coadjuvante de peso. Sem as políticas de transferência de renda, “a desigualdade teria caído 36% menos”, afirma o estudo. No figurino do protagonista, estão aumentos reais do salário mínimo e formalização do emprego.

Colaborou Diego Rabatone Oliveira

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Desigualdade de renda cai em 80% das cidades do País

8 de agosto de 2013

Grafico_Queda01Via UOL

De 2000 a 2010 aconteceu algo inédito no Brasil: em 80% dos municípios, a desigualdade de renda entre seus habitantes diminuiu. O fato é ainda mais relevante porque reverteu uma tendência histórica. Na década anterior, a desigualdade medida pelo índice de Gini aumentara em 58% das cidades brasileiras.

A maior queda da desigualdade aconteceu numa cidadezinha do interior de São Paulo. No extremo oeste, perto de Presidente Prudente, Emilianópolis viu seu índice de Gini cair pela metade, de 0,76 para 0,38 em 2010. A escala varia de zero a 1. Se os 3 mil emilianopolenses ganhassem igual, o índice seria 0. Se um deles concentrasse toda a renda da cidade, o Gini seria 1.

Emilianópolis é um bom exemplo, uma vez que as condições em que se deu a redução da desigualdade são representativas do que aconteceu em outros 4.431 municípios brasileiros. O Gini da cidade crescera nos anos 1990, de 0,43 para 0,76. A reversão na década seguinte ocorreu com o enriquecimento da população em geral: a renda do emilianopolense foi de R$373 para R$585.

Na maior parte do Brasil foi igual. De 2000 a 2010, o rendimento domiciliar per capita cresceu 63% acima da inflação, na média dos 5.565 municípios. Foi um enriquecimento mais intenso do que nos dez anos anteriores, quando o ganho havia sido de 51%.

Isso é importante porque uma forma perversa de reduzir a desigualdade é via empobrecimento geral. Se os ricos perdem mais do que os pobres, a desigualdade também cai. Foi o que aconteceu em grande parte do Brasil nos anos 1980, por causa da recessão.

Nos dez anos seguintes, o alto desemprego comprometeu o salário dos trabalhadores e a renda voltou a se concentrar no topo da pirâmide. O índice de Gini do País cresceu, e a desigualdade aumentou em 58% dos municípios brasileiros.

Cidade do Maranhão faz “vaquinha” para morador comer carne

Perto de completar meio século sob o domínio do grupo do senador José Sarney (PMDB-AP), com poucos intervalos de governos opositores, o Maranhão não teve fôlego para acompanhar os demais Estados na melhoria dos índices sociais. O Atlas do Desenvolvimento Humano da ONU mostrou que, das 50 cidades brasileiras com menor renda per capita, 28 são maranhenses.

Nas últimas três décadas, a expectativa de vida na terra da oligarquia mais antiga em atividade passou de 54 para 68 anos, mas o crescimento foi menor que no restante do País. Nesse ranking do IBGE, o Estado caiu de 23º para o último lugar, ocupando espaço que antes era de Alagoas, terra da seca e pistolagem.

Dados do IDH por município mostram escala das mudanças no Brasil nos últimos 10 anos

4 de agosto de 2013

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O Brasil viveu uma radical mudança em qualidade de vida, distribuição de renda e educação entre 2000 e 2010.

Via Instituto Lula

Os desafios pela frente ainda são grandes, mas as conquistas dos últimos anos mostram que o país caminha no rumo certo. Os dados que referendam essas afirmações estão no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, lançado na segunda-feira, dia 29/7, em Brasília, pelo Pnud, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Na semana passada, em Salvador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia falado sobre a importância de reconhecer as conquistas e continuar avançando. “Tem gente querendo fazer com que as pessoas esqueçam o que fizemos nos últimos dez anos”, afirmou Lula no começo de seu discurso em comemoração pelos dez anos de governo democrático e popular. “Nós temos o direito de reivindicar tudo que falta, mas temos a obrigação de reconhecer tudo que conquistamos”, completou.

O Atlas 2013 mostra que cerca de 74% dos municípios brasileiros (ou 4.122 deles) se encontram nas faixas de Médio e Alto Desenvolvimento Humano. O trabalho pela frente ainda é grande, cerca de 25% deles (ou 1.431 municípios) estão nas faixas de Baixo e Muito Baixo Desenvolvimento Humano. Ainda mais reveladora é a comparação com os dados da série histórica. Em 1991, 99,2% dos municípios brasileiros estavam nas faixas de IDH de Baixo e Muito Baixo desenvolvimento. Em 2000, 71,5% dos municípios, bem mais de dois terços do país, encontravam-se na mesma situação. Dez anos depois, esse número havia baixado para 25,2%, porcentagem menor do que a dos municípios no extremo oposto, de Alto e Muito Alto Desenvolvimento, que faziam 34,7% do país.

Os dados refletem a evolução apresentada pelo IDHM do Brasil nas duas últimas décadas, ao sair da faixa de Muito Baixo (0,493) em 1991 para Alto (0,727) em 2010. Esta evolução sinaliza também que o país está conseguindo, aos poucos, reduzir as disparidades históricas de desenvolvimento humano entre os municípios das regiões Norte e Nordeste e aqueles localizados no Centro-Sul.

Apesar da evolução neste quadro, a análise por regiões mostra que o Nordeste ainda tem a maioria de seus municípios no grupo de Baixo Desenvolvimento Humano (61,3%, ou 1.099 municípios), enquanto no Norte eles somam 40,1% (180 municípios) nesta categoria. Pelos dados atuais, 0,8% dos municípios do Brasil (44 deles) faziam, em 2010, parte da faixa de Muito Alto Desenvolvimento Humano e 33,9% estavam na faixa de Alto Desenvolvimento.

Educação foi o indicador que mais melhorou

O item educação foi o que mais melhorou no acompanhamento do Pnud (128%), mas é também aquele que apresenta menor valor absoluto do IDHM (0,637 em 2010, contra 0,279 em 1991). Pelos dados reajustados, em 1991, apenas três municípios (de um total de 5.565) estavam acima da faixa mais baixa de desenvolvimento humano em educação. Em 2000, a situação havia mudado sensivelmente no Sudeste e no Sul, mas continuava idêntica na maior parte do Brasil. O mapa de 2010 mostra a mudança em todas as regiões do país, puxada principalmente pelo aumento do fluxo escolar de crianças e jovens (156%).

Alguns dados de educação (entre 1991 e 2010):

● População adulta com ensino fundamental concluído passou de 30,1% para 54,9%.

● Crianças de 5 a 6 anos frequentando a escola passou de 37,3% para 91,1%.

● Jovens de 11 a 13 anos nos anos finais do fundamental passou de 36,8% para 84,9%.

● Jovens de 15 a 17 anos com fundamental completo passou de 20% para 57,2%.

Porém: 40% dos jovens nesta faixa ainda não têm fundamental completo:

● Jovens de 18 a 20 anos com ensino médio completo passou de 13 para 41%.

Ou seja: a maioria destes jovens ainda não possui médio completo.

Matéria completa no site da ONU no Brasil.

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Desigualdade caiu 1,89% com FHC e 9,22% com Lula

4 de agosto de 2013

Eduardo Guimarães, via Blog da Cidadania

A divulgação na segunda-feira, dia 29/7, do Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios (IDHM) gerou um previsível proselitismo político da grande mídia em relação a uma pequena diferença no desempenho dos indicadores do estudo em favor do decênio em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso governou em maior parte.

A Folha de S.Paulo, por exemplo, destaca que o IDHM subiu 24,14% (de 0,493 para 0,612) entre 1991 e 2000 (década em que FHC governou por seis anos), enquanto subiu 18,79% (de 0,612 para 0,727) de 2000 a 2010 (década em que FHC governou por dois anos e Lula, por oito anos).

Abaixo, um quadro que mostra em que áreas de estudo do IDHM o governo FHC teve melhor desempenho. O gráfico deixa claro que a política de “universalização da educação” no governo FHC foi responsável pela melhora um pouco maior na década retrasada nesse índice específico da ONU. Àquela época, houve grande esforço para “colocar todas as crianças e adolescentes na escola”

IDH06Clique aqui para ampliar o quadro.

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O intuito da Folha, é óbvio, foi o de desmontar a teoria de que a era Lula foi superior à era FHC no “social”. Infelizmente, o IDHM é um índice apurado a cada dez anos e, assim, não existe disponibilidade ano a ano de sua evolução. Se existisse, ficaria claro que a década de Lula foi prejudicada pelos três anos finais do governo FHC (2000, 2001 e 2002), quando o País mergulhou em uma gravíssima crise econômica que teve início em 1998 e que piorou todos os indicadores até o primeiro ano do governo Lula (2003), a partir do qual o Brasil começou a melhorar socialmente.

Assim como o desemprego e a inflação dispararam entre 1999 e 2002 (o segundo mandato de FHC), pode-se supor que os dados apurados pelo Pnud, pelo IBGE e pelo Ipea para compor o IDHM também devem ter sofrido com a situação vigente naqueles quatro anos.

Seja como for, para esclarecer melhor essa pequena diferença em favor do período FHC no âmbito do IDHM, o Blog da Cidadania, mais uma vez, recorreu ao doutor Márcio Pochmann, que foi presidente do Ipea entre 2007 e 2012 e que concedeu-lhe uma entrevista.

Abaixo, a visão de Pochmann sobre o resultado do estudo recém-divulgado e, em seguida, um dado impressionante que o blog apurou sobre a distribuição de renda no Brasil nos governos Lula e FHC.

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“O Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas foi criado em uma época em que a dominação neoliberal era bastante grande no mundo. Hoje estamos vivendo um quadro de questionamento do que foi o neoliberalismo e os resultados sociais e econômicos que deixou.

O IDHM é simplista e se fundamenta em três informações: renda per capita, expectativa de vida e escolaridade. Esses três indicadores, de maneira geral, têm quase uma progressão natural porque é difícil um país não abrir escolas, não crescer minimamente sua economia e é difícil não haver ganhos na saúde, que resulta em mais expectativa de vida.

Em meu entender, esse índice deveria ser melhor aprofundado, com dados tão importantes quanto expectativa de vida, educação e escolaridade. Haveria de incluir indicadores de maior qualidade. Da forma que é feito, não permite uma visão mais complexa e aprofundada dos países.

Da forma como é feito esse estudo, é como medir a temperatura de dois braços, estando um no congelador e o outro no forno. Somam-se as temperaturas de ambos os grupos (mais pobres e mais ricos) e se tira a média, o que produz um resultado distorcido”.

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Com base na explicação do doutor Pochmann, o blog foi verificar outro indicador que explica melhor o que aconteceu no Brasil durante os governos Lula e FHC em termos, por exemplo, de distribuição de renda e o resultado foi impressionante.

O gráfico abaixo foi extraído da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2011. Ilustra os níveis de concentração de renda no Brasil de 1995 a 2002 (governo FHC) e de 2003 a 2011 (governo Lula), apurados pelo Índice de Gini.

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O que se nota, por meio do gráfico acima, é que, enquanto entre 1995 e 2002 (oito anos) a concentração de renda no Brasil caiu 1,89%, de 2003 a 2011 (nove anos) a queda foi de 9,22%. Ou seja: o gráfico mostra declínio da desigualdade durante a era FHC que foi quase inercial, enquanto durante a era Lula-Dilma foi uma política de Estado.

Se o IDH juntasse a concentração de renda e a redução da pobreza aos três dados “simplistas”, por certo haveria como comparar os governos Lula e FHC no que tange ao social. Usar para esse fim somente três indicadores que são afetados pelo transcurso do tempo e pelo desenvolvimento que experimenta qualquer país, é vigarice.

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A distribuição da renda dez anos depois

19 de fevereiro de 2013

João Sicsú, via CartaCapital

Após dez anos de governos do PT, pode-se detectar uma importante melhora no perfil da distribuição da renda no País. Não vivemos em nenhum paraíso. Muito longe disso. Mas, em contrapartida, a situação é muito melhor que a do final dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Grafico_Salario_PIB

Fonte: SCN/IBGE.

O índice de Gini foi reduzido. Este índice mede a distribuição da renda e varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade e quanto mais próximo de zero, maior a igualdade. O Gini brasileiro caiu de 0,585, em 1995, para 0,501, em 2011. Contudo, este é um número que ainda está distante dos índices de países tais como França (0,308) ou Suécia (0,244).

No início dos anos de 1960, o Brasil possuía um Gini inferior a 0,5. Entretanto, os governos militares (1964–1985) adotaram um modelo de crescimento econômico com concentração de renda. O Gini subiu. Em meados dos anos de 1990, com a queda da inflação, o índice de Gini sofreu uma redução.

O índice de Gini é calculado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. Mais de 96% das rendas declaradas na Pnad correspondem às remunerações do trabalho e às transferências públicas. Sendo assim, a desigualdade medida pelo Gini/Pnad não é adequada para revelar a distribuição da renda entre trabalhadores, de um lado, e empresários, banqueiros, latifundiários, proprietários de imóveis alugados e proprietários de títulos públicos e privados, de outro. O índice de Gini não revela a participação das rendas do trabalho e do capital como proporção do Produto Interno Bruto (o PIB, que é o valor de todos os serviços e bens que são produzidos).

Além do Gini, é preciso analisar a distribuição funcional da renda: capital × trabalho. O processo de desconcentração da renda que está em curso no Brasil vai além da redução do índice de Gini. Ocorre, principalmente, devido ao aumento da participação dos salários como proporção do PIB.

Grafico_Gini.jpg

Fonte: IBGE.

Houve uma trajetória de queda da razão salários/PIB de 1995 até 2003, quando caiu a um piso de 46,23% (incluindo as contribuições sociais dos trabalhadores e excluindo a remuneração de autônomos). A partir de então, houve uma inflexão na trajetória, que se tornou ascendente. O último dado divulgado pelo IBGE é de 2009. Neste ano, a participação dos salários alcançou 51,4% do PIB superando a melhor marca do período 1995–2003, que foi 49,16%.

São variadas as causas do movimento positivo de aumento da participação dos salários no PIB. O rendimento médio do trabalhador teve elevação real significativo entre 2003 e 2012. Houve vigoroso aumento real do salário mínimo nos últimos dez anos. E houve redução dos juros pagos pelo governo aos proprietários de títulos públicos e redução dos juros cobrados das famílias pelos bancos.

O índice de Gini/Pnad e a participação percentual das remunerações dos trabalhadores no PIB são medidas complementares. Ambas representam dimensões da desigualdade e do desenvolvimento socioeconômico do País. As duas medidas mostram que o desenvolvimento socioeconômico brasileiro está em trajetória benigna desde 2003–2004. Elas mostram também que, no período anterior (1995–2003), as rendas do trabalho perdiam espaço no PIB para as rendas do capital.

A recuperação do poder de compra dos salários foi o principal pilar da constituição de um imenso mercado de consumo de massas que foi constituído no Brasil nos últimos anos. Foi a formação desse mercado que possibilitou ao Brasil sair apenas com pequenos arranhões da crise de 2008–2009. O desenvolvimento econômico e social brasileiro depende, portanto, do aprofundamento do processo distributivo em curso. Não existirá desenvolvimento sem desconcentração de renda.


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