Posts Tagged ‘Indicação’

Rio de Janeiro: No dia 26, autor de “A privataria tucana” terá lançamento de candidatura à ABL

18 de abril de 2013

Amaury06_JabutiO jornalista Amaury Ribeiro Jr. enfrentará o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). Ato de lançamento ocorrerá no dia 26 de abril, sexta-feira, às 15 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.

Altamiro Borges, via Carta Maior

Já está tudo certo para o ato de lançamento da candidatura do jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor do livro A privataria tucana, para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele ocorrerá no dia 26 de abril, sexta-feira, às 15 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro (Rua Evaristo da Veiga, nº 16, 17º andar, Centro).

Na sequência, os apoiadores sairão em passeata, acompanhados por um animado bloco carnavalesco, para registrar a candidatura na ABL. Por último, como ninguém é de ferro, haverá uma confraternização etílica na Cinelândia. Todos estão convidados para o ritual dos “imortais”.

Reproduzo abaixo o manifesto de apoio a Amaury Ribeiro, que já conta com mais de 6 mil adesões e ainda está aberto a novos apoios. Não deixe de assinar a petição e de participar do ato irreverente.

A privataria é imortal – Amaury Ribeiro Jr. para a ABL

Não é a primeira vez que a Academia Brasileira de Letras tem a oportunidade de abrir suas portas para o talento literário de um jornalista. Caso marcante é o de Roberto Marinho, mentor de obras inesquecíveis, como o editorial de 2 de abril de 1964:

“Ressurge a democracia, vive a nação dias gloriosos”

O texto na capa de O Globo comemorava a derrubada do presidente constitucional João Goulart, e não estava assinado, mas trazia o estilo inconfundível desse defensor das liberdades. Marinho tornou-se, em boa hora, companheiro de Machado de Assis e de José Lins do Rego.

Incomodada com a morte prematura de “doutor” Roberto, a Academia acolheu há pouco outro bravo homem de imprensa: Merval Pereira, com a riqueza estilística de um Ataulfo de Paiva, sabe transformar jornalismo em literatura; a tal ponto que – sob o impacto de suas colunas – o público já não sabe se está diante de realidade ou ficção.

Esses antecedentes, “per si”, já nos deixariam à vontade para pleitear – agora – a candidatura do jornalista Amaury Ribeiro Jr. à cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras.

Amaury, caros acadêmicos e queridos brasileiros, não é um jornalista qualquer. É ele o autor de A privataria tucana, obra fundadora para a compreensão do Brasil do fim do século 20.

Graças ao trabalho de Amaury, a privataria já é imortal! Amaury Ribeiro Jr. também passou pelo diário criado por Irineu Marinho (o escritor cubano José Martí diria que Amaury conhece, por dentro, as entranhas do monstro).

Mas ao contrário dos imortais supracitados, Amaury caminha por outras tradições. Repórter premiado, não teme o cheiro do povo. Para colher boas histórias, andou pelas ruas e estradas empoeiradas do Brasil. E não só pelos corredores do poder.

Amaury já trabalhou em O Globo, Correio Braziliense, IstoÉ, Estado de Minas, e hoje é produtor especial de reportagens na TV Record. Ganhou três vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Tudo isso já o recomendaria para a gloriosa Academia. A obra mais importante do repórter, entretanto, não surge dos jornais e revistas. A Privataria Tucana – com mais de 120 mil exemplares comercializados – é o livro que imortaliza o jornalista.

A privataria é imortal, repetimos!

O livro de Amaury não é ficção, mas é arte pura. Arte de revelar ao Brasil a verdade sobre sua história recente. Seguindo a trilha aberta por Aloysio Biondi – outro jornalista que se dedicou a pesquisar os descaminhos das privatizações –, Amaury Ribeiro Jr. avançou rumo ao Caribe, passeou por Miami, fartou-se com as histórias que brotam dos paraísos fiscais.

Estranhamente, o livro de Amaury foi ignorado pela imprensa dos homens bons do Brasil. Isso não impediu o sucesso espetacular nas livrarias – o que diz muito sobre a imprensa pátria e mais ainda sobre a importância dos fatos narrados pelo talentoso repórter.

A privataria é imortal! Mas o caminho de Amaury Ribeiro Jr. rumo à imortalidade, bem o sabemos, não será fácil. Quis o destino que o principal contendor do jornalista na disputa pela cadeira fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC é o ex-sociólogo que – ao virar presidente – implorou aos brasileiros: “Esqueçam o que eu escrevi”. A ABL saberá levar isso em conta, temos certeza. É preciso esquecer.

Difícil, no entanto, é não lembrar o que FHC fez pelo Brasil. Eleito em 1994 com o apoio de Itamar Franco (pai do Plano Real), FHC prometeu enterrar a Era Vargas. Tentou. Esmerou-se em desmontar até a Petrobras. Contou, para isso, com o apoio dos homens bons que comandam a imprensa brasileira. Mas não teve sucesso completo. O estado nacional, a duras penas, resistiu aos impulsos destrutivos do intelectual Fernando.

Em 1995, 1996 e 1997, enquanto o martelo da privataria tucana descia velozmente sobre as cabeças do povo brasileiro, Amaury dedicava-se a contar histórias sobre outra página vergonhosa do Brasil – a ditadura militar de 1964. Em uma de suas reportagens mais importantes, sobre o massacre de guerrilheiros no Araguaia, Amaury Ribeiro Jr. denunciou os abusos cometidos pela ditadura militar (que “doutor” Roberto preferia chamar de Movimento Democrático).

FHC vendia a Vale por uma ninharia. Amaury ganhava o Prêmio Esso… FHC entregava a CSN por uns trocados. Amaury estava nas ruas, atrás de boas histórias, para ganhar mais um prêmio logo adiante…

As críticas ao ex-presidente, sabemos todos nós, são injustas. Homem simples, quase franciscano, FHC não quis vender o patrimônio nacional por valores exorbitantes. Foi apenas generoso com os compradores – homens de bem que aceitaram o duro fardo de administrar empresas desimportantes como a Vale e a CSN. A generosidade de FHC foi muitas vezes incompreendida pelo povo brasileiro, e até pelos colegas de partido – que desde 2002 teimam em esquecer (e esconder) o estadista Fernando Henrique Cardoso.

Celso Lafer – ex-ministro de FHC – é quem cumpre agora a boa tarefa de recuperar a memória do intelectual Fernando, ao apresentar a candidatura do ex-presidente à ABL. A Academia, quem sabe, pode prestar também uma homenagem ao governo de FHC, um governo simples, em que ministros andavam com os pés no chão, especialmente quando tinham que entrar nos Estados Unidos.

Amaury não esqueceu a obra de FHC. Mostrou os vãos e os desvãos, com destaque para o caminho do dinheiro da privataria na volta ao Brasil. Todos os caminhos apontam para São Paulo. A São Paulo de Higienópolis e Alto de Pinheiros. A São Paulo de 32, antivarguista e antinacional. A São Paulo de FHC e do velho amigo José Serra – também imortalizado no livro de Amaury.

Durante uma década, o repórter debruçou-se sobre as tenebrosas transações. E desse trabalho brotou A privataria tucana.

Por isso, dizemos: se FHC ganhar a indicação, a vitória será da privataria. Mas se Amaury for o escolhido, aí a homenagem será completa: A privataria é imortal!

Se você apoia Amaury para a ABL, clique aqui e deixe seu nome, profissão e/ou entidade.

A privataria é imortal.

Autor de “A privataria tucana” vai disputar Academia Brasileira de Letras com FHC

8 de abril de 2013

Amaury06_JabutiCampanha que defende o nome de Amaury Ribeiro Jr. foi lançada na segunda-feira, dia 8, por um grupo de jornalistas, intelectuais e professores universitários. Objetivo é disputar cadeira de número 36, que está vaga desde que o jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo morreu, em 22 de março passado.

Via Carta Maior

Um grupo de jornalistas, intelectuais e professores universitários progressistas lançou na segunda-feira, dia 8, uma campanha para defender o nome do jornalista Amaury Ribeiro Jr. para a Academia Brasileira de Letras (ABL).

Jornalista premiado, hoje funcionário da TV Record, Ribeiro Jr. é autor do best-seller A privataria tucana, livro-reportagem denuncia irregularidades na venda de empresas estatais durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

A candidatura de Ribeiro Jr. visa se contrapor à do próprio Fernando Henrique, que está inscrito para disputar a cadeira de número 36, que está vaga desde que o jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo morreu, em 22 de março passado.

As inscrições de candidaturas na ABL podem ser feitas até 26 de abril. Depois deste prazo, a entidade marca em até 60 dias reunião para a eleição, em que o novo imortal deve ter a metade mais um dos votos dos atuais imortais para ser eleito para a cadeira.

Leia, a seguir, o manifesto da candidatura de Amaury Ribeiro Jr. Para assinar, clique aqui.

FHC_Esquecam

A privataria é imortal – Amaury Ribeiro Jr. para a Academia Brasileira de Letras

Não é a primeira vez que a Academia Brasileira de Letras tem a oportunidade de abrir suas portas para o talento literário de um jornalista. Caso marcante é o de Roberto Marinho, mentor de obras inesquecíveis, como o editorial de 2 de abril de 1964:

“Ressurge a democracia, vive a nação dias gloriosos”

O texto na capa de O Globo comemorava a derrubada do presidente constitucional João Goulart, e não estava assinado, mas trazia o estilo inconfundível desse defensor das liberdades. Marinho tornou-se, em boa hora, companheiro de Machado de Assis e de José Lins do Rego.

Incomodada com a morte prematura de “doutor” Roberto, a Academia acolheu há pouco outro bravo homem de imprensa: Merval Pereira, com a riqueza estilística de um Ataulfo de Paiva, sabe transformar jornalismo em literatura; a tal ponto que – sob o impacto de suas colunas – o público já não sabe se está diante de realidade ou ficção.

Esses antecedentes, “per si”, já nos deixariam à vontade para pleitear – agora – a candidatura do jornalista Amaury Ribeiro Jr. à cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras.

Amaury, caros acadêmicos e queridos brasileiros, não é um jornalista qualquer. É ele o autor de A privataria tucana, obra fundadora para a compreensão do Brasil do fim do século 20.

Graças ao trabalho de Amaury, a privataria já é imortal! Amaury Ribeiro Jr. também passou pelo diário criado por Irineu Marinho (o escritor cubano José Martí diria que Amaury conhece, por dentro, as entranhas do monstro).

Mas ao contrário dos imortais supracitados, Amaury caminha por outras tradições. Repórter premiado, não teme o cheiro do povo. Para colher boas histórias, andou pelas ruas e estradas empoeiradas do Brasil. E não só pelos corredores do poder.

Amaury já trabalhou em O Globo, Correio Braziliense, IstoÉ, Estado de Minas, e hoje é produtor especial de reportagens na TV Record. Ganhou três vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Tudo isso já o recomendaria para a gloriosa Academia. A obra mais importante do repórter, entretanto, não surge dos jornais e revistas. A Privataria Tucana – com mais de 120 mil exemplares comercializados – é o livro que imortaliza o jornalista.

A privataria é imortal, repetimos!

O livro de Amaury não é ficção, mas é arte pura. Arte de revelar ao Brasil a verdade sobre sua história recente. Seguindo a trilha aberta por Aloysio Biondi – outro jornalista que se dedicou a pesquisar os descaminhos das privatizações –, Amaury Ribeiro Jr. avançou rumo ao Caribe, passeou por Miami, fartou-se com as histórias que brotam dos paraísos fiscais.

Estranhamente, o livro de Amaury foi ignorado pela imprensa dos homens bons do Brasil. Isso não impediu o sucesso espetacular nas livrarias – o que diz muito sobre a imprensa pátria e mais ainda sobre a importância dos fatos narrados pelo talentoso repórter.

A privataria é imortal! Mas o caminho de Amaury Ribeiro Jr. rumo à imortalidade, bem o sabemos, não será fácil. Quis o destino que o principal contendor do jornalista na disputa pela cadeira fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC é o ex-sociólogo que – ao virar presidente – implorou aos brasileiros: “Esqueçam o que eu escrevi”. A ABL saberá levar isso em conta, temos certeza. É preciso esquecer.

Difícil, no entanto, é não lembrar o que FHC fez pelo Brasil. Eleito em 1994 com o apoio de Itamar Franco (pai do Plano Real), FHC prometeu enterrar a Era Vargas. Tentou. Esmerou-se em desmontar até a Petrobras. Contou, para isso, com o apoio dos homens bons que comandam a imprensa brasileira. Mas não teve sucesso completo. O estado nacional, a duras penas, resistiu aos impulsos destrutivos do intelectual Fernando.

Em 1995, 1996 e 1997, enquanto o martelo da privataria tucana descia velozmente sobre as cabeças do povo brasileiro, Amaury dedicava-se a contar histórias sobre outra página vergonhosa do Brasil – a ditadura militar de 1964. Em uma de suas reportagens mais importantes, sobre o massacre de guerrilheiros no Araguaia, Amaury Ribeiro Jr. denunciou os abusos cometidos pela ditadura militar (que “doutor” Roberto preferia chamar de Movimento Democrático).

FHC vendia a Vale por uma ninharia. Amaury ganhava o Prêmio Esso… FHC entregava a CSN por uns trocados. Amaury estava nas ruas, atrás de boas histórias, para ganhar mais um prêmio logo adiante…

As críticas ao ex-presidente, sabemos todos nós, são injustas. Homem simples, quase franciscano, FHC não quis vender o patrimônio nacional por valores exorbitantes. Foi apenas generoso com os compradores – homens de bem que aceitaram o duro fardo de administrar empresas desimportantes como a Vale e a CSN. A generosidade de FHC foi muitas vezes incompreendida pelo povo brasileiro, e até pelos colegas de partido – que desde 2002 teimam em esquecer (e esconder) o estadista Fernando Henrique Cardoso.

Celso Lafer – ex-ministro de FHC – é quem cumpre agora a boa tarefa de recuperar a memória do intelectual Fernando, ao apresentar a candidatura do ex-presidente à ABL. A Academia, quem sabe, pode prestar também uma homenagem ao governo de FHC, um governo simples, em que ministros andavam com os pés no chão, especialmente quando tinham que entrar nos Estados Unidos.

Amaury não esqueceu a obra de FHC. Mostrou os vãos e os desvãos, com destaque para o caminho do dinheiro da privataria na volta ao Brasil. Todos os caminhos apontam para São Paulo. A São Paulo de Higienópolis e Alto de Pinheiros. A São Paulo de 32, antivarguista e antinacional. A São Paulo de FHC e do velho amigo José Serra – também imortalizado no livro de Amaury.

Durante uma década, o repórter debruçou-se sobre as tenebrosas transações. E desse trabalho brotou A privataria tucana.

Por isso, dizemos: se FHC ganhar a indicação, a vitória será da privataria. Mas se Amaury for o escolhido, aí a homenagem será completa: A privataria é imortal!

Se você apoia Amaury para a ABL, clique aqui e deixe seu nome, profissão e/ou entidade.

A privataria é imortal.

***

Leia também:

Por que a reeleição de FHC nunca chegou ao STF

Para a reeleição de FHC, Cacciola doou R$50 mil

Proer, a cesta básica dos banqueiros

FHC só lançou programas sociais a quatro meses da eleição de 2002

A Folha noticiou a compra de votos por FHC para a reeleição, mas depois se “esqueceu”

Histórico catastrófico da era FHC

O que Dilma deve a FHC para ser chamada de ingrata?

Vídeo: Entenda como e por que FHC quebrou o Brasil três vezes

Celso Lafer descalço em aeroporto exemplifica submissão de FHC aos EUA

Em vídeo, Itamar Franco esclarece que o Plano Real não é obra de FHC

Salário mínimo: As diferenças entre os governos FHC e Lula/Dilma

Vídeo: Já pensou se fosse o Lula? FHC embriagado na Marquês de Sapucaí

FHC, o reacionário

Conheça o apartamento de FHC em Paris. Ele tem renda pra isso?

Vídeo: FHC tenta mentir em programa da BBC, mas entrevistador não cai nas mentiras

Adib Jatene: “FHC é um homem sem palavra e Serra, um homem sem princípios.”

FHC compra o Congresso: Fita liga Sérgio Motta à compra de votos para reeleição

FHC comprou o Congresso. O STF não vai fazer nada?

FHC disse muitas vezes: “Não levem a sério o que digo.”

FHC e a reeleição comprada: Por que a Veja não consulta seus arquivos?

O retrato do desgoverno de FHC

Governo FHC: O recheio da pasta rosa e o caso do Banco Econômico

Os crimes de FHC serão punidos?

O Brasil não esquecerá os 45 escândalos que marcaram o governo FHC

FHC ao FMI: “CEF, Banco do Brasil e Petrobras estão à venda.”

As viagens de FHC, de Lula e a escandalização seletiva

Como a Globo deu o golpe da barriga em FHC e enviou Miriam para Portugal

Com indicação de FHC para ABL, Sarney faz Ayres Britto esperar a morte de outro “imortal”

30 de março de 2013

Print

Merval Pereira perde a chance, neste momento, de contar com ex-presidente do STF, que prefaciou seu livro Mensalão, no chá da Academia Brasileira de Letras. Ayres Britto, que finaliza lançamento de livro de poesias, almejava concorrer à primeira cadeira disponível, mas ex-presidente Sarney teve uma ideia diferente: ao lançar FHC, criou um fato marcante na Casa de Machado. A dupla Merval/Britto terá de esperar mais para sentar lado a lado na instituição.

Via Brasil 247

O jornalista Merval Pereira, do jornal O Globo e membro da Academia Brasileira de Letras, sem dúvida vai votar no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para ocupar a cadeira 36 da instituição. Não porque FHC será candidato único ou porque é tucano, mas mais provavelmente pelo permanente enobrecimento da Casa de Machado etc.

No entanto, Merval é o maior derrotado, dentro da ABL, pela iminente entrada de Fernando Henrique pelas mãos do ex-presidente e também imortal José Sarney. Ocorre que Merval já despontava entre seus pares como cabo eleitoral do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, para a mesma Academia. Autor do livro Mensalão – O dia a dia do mais importante julgamento da história política do Brasil, seu segundo trabalho (Merval tornou-se acadêmico com apenas uma obra, um livro que reúne suas colunas publicadas em O Globo), o jornalista teve Ayres Britto como autor do prefácio do trabalho.

O fato de Mensalão, a obra, não ter figurado entre as mais vendidas, encalhando, na prática, nas livrarias, não é importante. Com a parceria, firmou-se entre Merval e Brito uma bela aliança. Com vistas à repercussão na ABL, Brito já tem tudo pronto para lançar um volume com suas poesias – e contava com o talentoso Merval para trabalhar por sua candidatura. Nada mais natural, de resto. Se Merval o convidou para prefaciar, como não o chamaria para entrar na famosa Casa? Não seria o gesto de um cavalheiro, quanto mais de um imortal.

O ex-presidente José Sarney, ciente, não gostou da articulação da dupla. Segundo amigos de Sarney no Maranhão, ele ainda lembra dos tempos em que Ayres, quando foi candidato pelo PT a deputado federal, em 1990, em Sergipe, surgia como uma possível nova liderança partidária no Nordeste. Naquela campanha, Ayres tornou-se conhecido como “Carlinhos do PT”, mas não foi eleito.

Nomeado por Lula para o STF, Ayres continua a sonhar em ser um acadêmico ao lado de Merval, a quem admira. Mas, agora, como Sarney se adiantou no lançamento à vaga cadeira 36, oferecendo o nome do já imbatível Fernando Henrique, Ayres terá de esperar uma próxima oportunidade. Ela ocorrerá, como sempre, apenas na morte de algum titular. Até lá, melhor seria, antes, seu amigo Merval procurar Sarney para o caso de querer dicas de quem realmente tem influência na Academia.

Fim do PSDB: Coronel Telhada na Comissão de Direitos Humanos da Câmara

16 de dezembro de 2012

Telhada_Comandante_Rota02Renato Rovai, via Revista Fórum

A jornalista Júlia Duailibi publicou em seu blog ontem [14/12] que o PSDB deve indicar o Coronel Telhada para participar da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal. É daquelas coisas que, mesmo depois de tanta patacoada dos tucanos, ainda têm potencial para provocar indignação. Porque demonstra que as lideranças do partido perderam toda e qualquer vergonha na cara e todo e qualquer respeito que poderiam ter por seus eleitores mais responsáveis.

Ao cogitar indicar para essa comissão um coronel cujo orgulho supremo é ter matado 36 pessoas oficialmente em operações que liderou – provavelmente quase todos pobres e pretos –, o PSDB dá uma cusparada na cara daqueles resistentes que ainda apoiavam o partido e têm alguma seriedade e compromisso público.

Não à toa na última disputa eleitoral, quando José Serra fez um ato de intelectuais, tudo que o partido conseguiu juntar foram personalidades do tipo Agnaldo Timóteo, Bruna Lombardi, Odilon Wagner, Beatriz Segall e Patrícia de Sabrit. Além do fiel escudeiro, o reitor da USP, João Grandino Rodas, que mesmo tendo sido o terceiro mais votado na disputa universitária, foi escolhido por Serra para ser o reitor. Neste caso, convenhamos, o apoio foi mais do que um apoio, foi uma retribuição pelo favor devido.

O texto da Júlia Duailibi segue abaixo. Seria interessante saber a opinião de alguns tucanos mais refinados, como FHC, sobre esse fato.

Telhada na Comissão de Direitos Humanos

O PSDB pretende indicar o vereador eleito Coronel Telhada como integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal. A decisão foi discutida internamente no partido nas últimas semanas, e a indicação deve sair em fevereiro do ano que vem, quando os vereadores são nomeados para as vagas nas comissões.

O partido diz que a indicação faz sentido porque a comissão aborda também a questão da segurança pública. Chama-se Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais. Por ser uma comissão extraordinária, ela não analisa projetos de lei, apenas promove debates sobre os assuntos.

Telhada foi comandante da Rota entre 2009 e 2011. Foi eleito em outubro deste ano com o slogan Uma Nova Rota Política para São Paulo, com mais de 89 mil votos. Em sua carreira, matou 36 suspeitos de crimes. Segundo ele, as mortes ocorreram em confrontos, “dentro da lei”. Com a indicação, ele seria o representante do PSDB nas discussões sobre tema dos direitos humanos no Legislativo Paulistano. A presidência da comissão, no entanto, pode ficar com o PT.

A disputa pelo comando e por vagas em comissões já movimenta os bastidores políticos da Câmara. A tendência hoje é que a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, considerada uma das mais poderosas, fique com o atual presidente da Casa, José Police Neto (PSD). O PT pode ficar com a presidência da Comissão de Finanças ou abrir mão para o PV em busca de uma composição com o partido.

O PSB pleiteia Educação, e o PT também quer Saúde. O PMDB pode indicar o presidente da Comissão de Educação ou de Transportes. A presidência da Câmara na próxima gestão deverá ser do PT, com o vereador José Américo.

Leia também:

Fora do Brasil, repórter ameaçado pelo Coronel Telhada relata mudança brusca de vida

Revelações de Fux impõem mudanças na escolha para STF

6 de dezembro de 2012

Luiz_Fux07

Marcelo Semer, via Terra Magazine

As revelações do ministro Luiz Fux à jornalista Mônica Bergamo sobre sua campanha ao STF, publicadas domingo, dia 2, na Folha de S.Paulo, são no mínimo constrangedoras.

Fux admitiu ter buscado apoio de José Dirceu, quando já fora do governo, esquecendo-se que ele era réu do processo que se propunha a julgar. Disse ter grudado no pé do ex-ministro Delfim Netto ao saber que era uma pessoa com influência no poder. E ainda ter pedido ajuda a Antônio Palocci e João Pedro Stédile logo após julgar processos que interessavam a União e aos sem-terra, no Superior Tribunal de Justiça.

Talvez Fux tenha preferido esclarecer seus contatos e apoiadores antes que outros o fizessem publicamente. Talvez tenha agido por entender ser este o caminho natural para o “soldado que quer virar general”, concluindo, no processo da candidatura, que na “meritrocracia não chegaria lá”.

Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que outros candidatos chegaram a ministros sem um périplo entre agentes públicos e autoridades, independente do notável saber jurídico comum a todos.

Competindo à Presidência da República, por certo que a escolha sempre terá um componente político.

Nem é desarrazoado que assim seja.

Nos Estados Unidos, de onde importamos o modelo, não há surpresas no fato de que os presidentes nomeiam juristas com perfis que se aproximam de suas visões de mundo. As mudanças de governo sempre representam, a médio prazo, alterações significativas de composição na Suprema Corte e isso não deveria ser diferente por aqui.

A questão mais delicada é a ocultação dos movimentos, que formata uma política de gabinete com total opacidade, abrindo espaço para pedidos e interesses escusos.

Os relatos de Fux lembraram um pouco as inconfidências de Eliana Calmon, que debitou sua escolha à influência do apoio de políticos como Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e José Sarney.

Os ministros, bem-sucedidos em suas campanhas, têm em comum não apenas a sinceridade, mas o fato de terem revelado seus apoiadores apenas depois da indicação.

Se a escolha da Presidência é política e, por consequência, a aprovação pelos senadores também, não seria o caso de expor tais apoios antes da sabatina?

Entidades como a Associação Juízes para a Democracia e a Articulação Justiça e Direitos Humanos têm sugerido publicamente a adoção do modelo argentino, que não depende de nenhuma mudança constitucional.

A Presidência indicaria os nomes que estão sendo considerados para a escolha e estas pessoas apresentariam seus currículos, bens e ligações profissionais, abrindo-se oportunidade para que operadores do direito e entidades da sociedade civil formulassem, também de forma pública, seus apoios.

Tolher o caráter político da escolha do ministro é inviável, mas é possível torná-lo mais transparente.

Pelo menos para que o Senado, ao cumprir o seu papel na sabatina, possa arguir o candidato inclusive acerca de quem sustenta sua indicação. E fazer com que o ministro, ao final nomeado, assuma o importante cargo da República sem qualquer esqueleto no armário.

Marcelo Semer é juiz de Direito em São Paulo, escritor e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia.

Leia também:

Luiz Fux, a vaidade engoliu o esperto


%d blogueiros gostam disto: